17 de março de 2019

60 erros de português no trabalho

1. “São suficientes” / “É suficiente”

Erro: Cento e cinquenta dólares são suficientes para as diárias no exterior.
Forma correta: Cento e cinquenta dólares é suficiente para as diárias no exterior.
Explicação: O verbo ser é invariável quando indicar peso, medida, preço, tempo ou valor.

2. “Em vez de” / “Ao invés de”

Erro: Ao invés de mandar um e-mail, resolvi telefonar.
Forma correta: Em vez de mandar um e-mail, resolvi telefonar.
Explicação: “Em vez de” é usado como substituição, enquanto a expressão “ao invés de” é usada como oposição.


3. “A nível de” / “Em nível de”

Erro: A nível de proposta, o assunto deve ser mais discutido”
Forma correta: Em relação à proposta, o assunto deve ser mais discutido.
Explicação: A expressão “a nível de” só está correta quando significar “à mesma altura”. “Hoje, Santos acordou ao nível do mar”. Também podemos usar a expressão “em nível” sempre que houver “níveis”: “Esse problema só pode ser resolvido em nível de diretoria”.


4. “A meu ver” / “Ao meu ver”

Erro: “Ao meu ver, o evento foi um sucesso”.
Forma correta: “ A meu ver, o evento foi um sucesso”.
Explicação: Não se deve usar artigo nessas expressões, em que o substantivo ver significa “opinião, juízo”: a meu ver, a seu ver, a nosso ver. Também não se usa artigo em estar a par: Estavam todos a par (e não ao par) dos últimos acontecimentos. Ao par só se usa em linguagem comercial, quando dois valores se negociam reciprocamente: O real nunca chegará ao par do dólar.

5. “Maiores informações” / “Mais informações”

Erro: Para maiores informações, entre em contato com a Central de Atendimento.
Forma correta: Para mais informações, entre em contato com a Central de Atendimento.
Explicação: “Maior” é comparativo, portanto não se aplica a esse caso. Não existem maiores ou menores informações, e sim mais ou outras informações.

6. “A” / “há”

Erro: Trabalho nesta empresa a dez anos.
Forma correta: Trabalho nesta empresa há dez anos.
Explicação: Para indicar tempo passado, usa-se “há”. O “a”, como expressão de tempo, é usado para indicar futuro ou distância. (O shopping fica a poucos quilômetros da casa. / Viajarei daqui a três anos). O uso do advérbio atrás junto ao verbo haver é considerado um pleonasmo vicioso.


7. “Acerca de” / “a cerca de”

Erro: Na reunião, discutiu-se a cerca de corte de gastos.
Forma correta: Na reunião, discutiu-se acerca de corte de gastos.
Explicação: “Acerca de” significa a respeito de. A cerca de indica aproximação. (Ex: A empresa fica a cerca de 5 km daqui.)


8. “Meio-dia e meio” / “Meio-dia e meia”

Erro: A reunião começará ao meio-dia e meio.
Forma correta: A reunião começará ao meio-dia e meia.
Explicação: Devemos utilizar a expressão meio-dia e meia sempre que quisermos referir a décima segunda hora do dia mais trinta minutos, ou seja, o meio-dia mais meia hora.


9. “Supérfluo” / “supérfulo”

Erro: Os gastos naquele setor foram supérfulos.
Forma correta: Os gastos naquele setor foram supérfluos.
Explicação: Supérfluo significa demais, desnecessário. Embora seja uma palavra que muitas vezes ouvimos, “supérfulo” não existe.


10. “Em mãos” / “em mão”

Erro: O motorista entregou a carta em mãos.
Forma correta: O motorista entregou a carta em mão.
Explicação: A segunda opção sempre foi considerada a correta, porém, atualmente, as duas formas são aceitas por alguns dicionários.

11. “Segmento” / “Seguimento”

Erro: O seguimento de mercado mostrou-se propício a investimentos.
Forma correta: O segmento de mercado mostrou-se propício a investimentos.
Explicação: Segmento é sinônimo de seção, parte. Seguimento é o ato de seguir. (Ex: O projeto de implantação da ciclovia não teve seguimento.)


12. “Por hora” / “Por ora”

Erro: O diretor afirmou que, por hora, não poderia responder.
Forma correta: O diretor afirmou que, por ora, não poderia responder.
Explicação: A expressão “por hora” refere-se a tempo. “Por ora” expressa o sentido de “por enquanto”.

13. “Meu óculos” / “meus óculos”

Erro: Ele havia esquecido seu óculos no restaurante.
Forma correta: Ele havia esquecido seus óculos no restaurante.
Explicação: As palavras ligadas ao substantivo “óculos” devem ser flexionadas para o plural.

14. “Onde” / “Em que”

Erro: Participei da reunião onde foram tomadas várias decisões sobre os benefícios dos trabalhadores.
Forma correta: Participei da reunião em que (ou na qual) foram tomadas várias decisões sobre os benefícios dos trabalhadores.
Explicação: A palavra onde é um advérbio de lugar e, portanto, só deve ser usada referindo-se a lugar. Em outros sentidos, utilize a expressão em que ou no/a qual.

15. “É proibido” / “É proibida”

Erro: É proibido a entrada de pessoas não autorizadas.
Forma correta: É proibida a entrada de pessoas não autorizadas. ou É proibido entrada de pessoas não autorizadas.
Explicação: Deve-se fazer a concordância somente quando o substantivo estiver acompanhado, por exemplo, de artigo, pronome demonstrativo, pronome possessivo.


16. “A prazo” / “À prazo”

Erro: Os produtos podem ser comprados à vista ou à prazo.
Forma correta: Os produtos podem ser comprados à vista ou a prazo.
Explicação: Não existe crase antes de palavra masculina, a menos que esteja subentendida a palavra moda ou maneira: Elaborou um texto à (moda de) Jorge Amado. / Era um poeta à (maneira de) Guimarães Rosa. Portanto, deve-se escrever: a prazo, a pé, a cavalo, a bordo.

17. “Vem” / “veem”

Erro: Os gerentes vem ao setor todos os dias e vêem o desempenho dos colaboradores.
Forma correta: Os gerentes vêm ao setor todos os dias e veem o desempenho dos colaboradores.
Explicação: Vem corresponde ao verbo VIR e recebe acento na 3ª pessoa do plural do presente do Indicativo. Veem corresponde ao verbo VER e, segundo o Novo Acordo Ortográfico, não recebe mais acento na 3ª pessoa do plural do presente do Indicativo.


18. “Anexo” / “Anexa” / “Em anexo”

Erro: Encaminho anexo os documentos solicitados.
Forma correta: Encaminho anexos os documentos solicitados.
Explicação: Anexo é adjetivo e deve concordar em gênero e número com o substantivo a que se refere. Ex: Segue anexa a carta de apresentação. Em anexo é locução adverbial, portanto, fica invariável.

19. “Eminente” / “Iminente”

Erro: Pedro é uma figura iminente na empresa.
Forma correta: Pedro é uma figura eminente na empresa.
Explicação: Eminente quer dizer notável. Associe com proeminente, aquilo que se destaca. Iminente significa prestes a acontecer.


20. “Seção” / “Sessão” / Cessão

Erro: A seção dos direitos autorais desta obra criou polêmica.
Forma correta: A cessão dos direitos autorais desta obra criou polêmica.
Explicação: Seção significa divisão de repartições públicas, parte de um todo, departamento. Sessão significa espaço de tempo de uma reunião deliberativa ou de um espetáculo. Cessão refere-se ao ato de ceder.


21. “Aspirar” / “Aspirar a”

Erro: Ele aspira o cargo de gerente nesta empresa.
Forma correta: Ele aspira ao cargo de gerente nesta empresa.
Explicação: O verbo aspirar no sentido de sorver não admite preposição em sua regência. Aspirar, no sentido de almejar, exige a preposição a.


22. “Online” ou “on-line”

Erro: Haverá um treinamento online para os colaboradores.
Forma correta: Haverá um treinamento on-line para os colaboradores.
Explicação: O “VOLP” – Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa – registra “on-line” com hífen.


23. “Curriculum” / Curriculo”

Erro: Os candidatos deverão entregar o curriculo no RH.
Forma correta: Os candidatos deverão entregar o curriculum (ou currículo) no RH.
Explicação: Curriculum vitae é uma expressão latina, mas já foi aportuguesada: currículo. Ambas formas estão corretas: curriculum vitae ou currículo (com acento).

24. “Porque” / “Por que”

Erro: Ninguém soube porque o diretor cancelou a reunião.
Forma correta: Ninguém soube por que o diretor cancelou a reunião.
Explicação: Porque é conjunção e tem a função de unir duas orações coordenadas ou subordinadas. Pode ser explicativa, quando o verbo estiver no imperativo, em sugestão, ordem ou suposição, causal, quando indicar um fato e relação de causa e consequência e final, quando indicar a finalidade, substituída por para que, uso mais literário. Por que é usado em frases interrogativas e, também, aparece nos casos em que puder ser substituído por “pelo qual” ou “por qual razão”.

25. “Este” / “Esse” / “Aquele”

Erro: Na reunião, serão discutidos esses itens a seguir:
Forma correta: Na reunião, serão discutidos estes itens a seguir:
Explicação: Observe a regra do uso dos pronomes demonstrativos em coesão referencial: “Estes itens.” (Você ainda irá citar - catáfora ou elemento catafórico); “Esses itens.” (Você já citou - anáfora ou elemento anafórico).

26. “Exceção” / “Excessão”

Erro: Para toda regra, há uma excessão.
Forma correta: Para toda regra, há uma exceção.
Explicação: O correto é exceção. Não use a frase: O que sucede é sucessão, o que excede é excessão. O que excede é excesso, e não exceção. Exceção é uma exclusão, ato de excluir, desvio dos padrões convencionais ou de uma regra, condição privilegiada, privilégio ou vantagem. Excesso é o que excede o normal, excedente, restante, exagero ou descomedimento, imoderação, demasia, abuso ou violência.

27. “10 a 20 de março” / “10 à 20 de março”

Erro: O curso será de 10 à 20 de março.
Forma correta: O curso será de 10 a 20 de março.
Explicação: Não se usa crase antes de datas.


28. Crase na indicação de páginas

Erro: Os advogados fizeram a leitura da página 5 a 15 do acordo trabalhista.
Forma correta: Os advogados fizeram a leitura da página 5 à 15 do acordo trabalhista.
Explicação: A palavra “página” está implícita após o “à”, o que justifica o acento grave, que indica que há crase (fusão de “a” preposição + “a” artigo feminino.

29. “1,5 milhão” / “1,5 milhões”

Erro: Em 2016, foram gastos no país 1,5 milhões de cartuchos de impressora.
Forma correta: Em 2016, foram gastos no país 1,5 milhão de cartuchos de impressora.
Explicação: A unidade “milhão” só é flexionada para o plural a partir do segundo milhão, ou seja, 2 milhões. Portanto, deve-se observar o número que antecede a vírgula e lembrar que numerais como “milhão”, “bilhão” e “trilhão” devem concordar com esse número.


30. “A todos” / “À todos”

Erro: Bom dia à todos.
Forma correta: Bom dia a todos.
Explicação: Não há crase antes de pronomes indefinidos (muitos, poucos, nenhuma, todos, pouca, alguma), com exceção de outra (Emprestei o dinheiro à outra amiga), e também de pronomes interrogativos (que, quem, qual, quanto)

31. “A partir” / “À partir”

Erro: À partir da próxima semana, não será permitida a entrada sem o crachá de identificação.
Forma correta: A partir da próxima semana, não será permitida a entrada sem o crachá de identificação.
Explicação: Não há crase antes de verbo no infinitivo.


32. “Obrigado” / “Obrigada”

Erro: Obrigado pela ajuda – disse Clara.
Forma correta: Obrigada pela ajuda – disse Clara.
Explicação: “Obrigado” é variável e concorda com a pessoa que fala. A mulher diz “obrigada”. O homem, “obrigado”.  Vários homens dizem obrigados. Várias mulheres dizem obrigadas. Se você é travesti, você fala do jeito que se sentir melhor.

33. “Pagou o engenheiro” / “Pagou ao engenheiro”

Erro: Ao término da obra, a empresa pagou o engenheiro.
Forma correta: Ao término da obra, a empresa pagou ao engenheiro.
Explicação: O verbo “pagar” exige dois complementos – um deles acompanhado de preposição (pessoa) e o outro sem preposição (coisa). Assim: Paguei (o serviço) ao engenheiro.


34. “Houve” / “houveram”

Erro: Houveram dois problemas.
Forma correta: Houve dois problemas.
Explicação: O verbo “haver” no sentido de existir, ocorrer ou realizar-se não tem sujeito, por isso fica sempre na terceira pessoa do singular. “Há dez problemas”, “houve dez problemas”. Vale a mesma regra quando os verbos “haver” e “fazer” indicam tempo: “Faz dois anos que nos encontramos”.


35. “Deve haver” / “Devem haver”

Erro: Devem haver muitas pessoas naquele auditório.
Forma correta: Deve haver muitas pessoas naquele auditório.
Explicação: O verbo haver, no sentido de existir, é impessoal, ou seja, só é usado no singular. Quando acompanhado de um verbo auxiliar, no caso, “deve”, este também se torna impessoal. Já o verbo existir é pessoal, ou seja, tem sujeito e concorda com ele. Quando acompanhado de um verbo auxiliar, também varia: Devem existir muitas pessoas naquele auditório.


36. “Em baixo” / “Embaixo”

Erro: O documento caiu em baixo do móvel.
Forma correta: O documento caiu embaixo do móvel.
Explicação: Embaixo é advérbio de lugar. Em baixo é adjetivo. (Ex: Falavam em baixo tom.)


37. “Voo” / “Vôo”

Erro: Aquelas pessoas quase perderam o vôo.
Forma correta: Aquelas pessoas quase perderam o voo.
Explicação: O Acordo Ortográfico eliminou o acento circunflexo no primeiro “o” do hiato final “oo”. Assim: voo, zoo, perdoo, abençoo etc.


38. “Estender” / “Extender”

Erro: A reunião se extendeu além do tempo previsto.
Forma correta: A reunião se estendeu além do tempo previsto.
Explicação: O correto é estender, que significa prolongar, alongar, alargar. Extender não existe. As palavras cognatas de estender escrevem-se com x, como extenso, extensão, extensor e extensivo.


39. “Há dois anos” / “Há dois anos atrás”

Erro: Há dois anos atrás, o contrato foi assinado.
Forma correta: Há dois anos, o contrato foi assinado.
Explicação: É redundante dizer “Há dois anos atrás”, pois o “Há” já dá ideia de tempo decorrido.


40. “Bastante” / “Bastantes”

Erro: Há bastante motivos para a demissão daquele colaborador.
Forma correta: Há bastantes motivos para a demissão daquele colaborador.
Explicação: Bastante/Bastantes é pronome indefinido e deve concordar com o substantivo a que se refere. Na dúvida, faça a substituição por “muito/muitos”. Também pode ser advérbio de intensidade, mas, nesse caso, permanecerá invariável. Pode ser adjetivo, sinônimo de suficiente ou um substantivo, como sinônimo de aquilo que basta.


41. “Zero hora” / “Zero horas”

Erro: A decisão entra em vigor a partir das zero horas de amanhã.
Forma correta: A decisão entra em vigor a partir da zero hora de amanhã.
Explicação: O substantivo “hora” concorda com o numeral “zero”. Zero é singular, portanto, o correto é zero hora, zero real, zero quilômetro.

42. “Horas extra” / “Horas extras”

Erro: O colaborador precisou fazer muitas horas extra.
Forma correta: O colaborador precisou fazer muitas horas extras.
Explicação: “Extra” é um adjetivo, portanto deve concordar com o substantivo a que se refere: como adjetivo, o plural de edição extra é edições extras, de plantão extra é plantões extras. Quando usado como prefixo (= posição exterior, excesso), extra não concorda com o substantivo e é invariável: o plural de extraconjugal é extraconjugais, de extracurricular é extracurriculares, de extrajudicial é extrajudiciais.

43. “Vir” / “Ver”

Erro: Quando você ver seu extrato, identificará o estorno do valor.
Forma correta: Quando você vir seu extrato, identificará o estorno do valor.
Explicação: Vir é a flexão do verbo VER na 3ª pessoa do singular do Futuro do Subjuntivo.


44. “Interviu” / “Interveio”

Erro: A diretora interviu na decisão.
Forma correta: A diretora interveio na decisão.
Explicação: Interveio é a flexão do verbo intervir na 3ª pessoa do singular do Pretérito Perfeito do Indicativo. Significa interferir, participar, interceder.

45. “Através” / “por meio”

Erro: O cliente soube da alteração através do e-mail.
Forma correta: O cliente soube da alteração por meio do e-mail.
Explicação: Por meio significa “por intermédio”. A locução através de expressa a ideia de atravessar. (Ex: Olhou através da janela.)

46. “Clipe” / “clipes”

Erro: Ele fixou os papéis com um clips.
Forma correta: Ele fixou os papéis com um clipe.
Explicação: Clipe é aquela peça de metal usada para prender folhas. Patenteado na Alemanha, é conhecido como clip (pl. clips) nos países de língua inglesa. No Brasil, deve ser chamado de clipe (pl. clipes).

47. “Responder o” / “Responde ao”

Erro: O gerente não respondeu o meu e-mail.
Forma correta: O gerente não respondeu ao meu e-mail.
Explicação: A regência do verbo responder, no sentido de dar a resposta a ou defender-se em juízo, exige a preposição “a”: Respondi ao questionário / Ele responderá a um processo. Como transitivo direto, significa ser grosseiro com, regência apontada pelo gramático Luiz Antônio Sacconi: Ele respondeu o pai e levou um tapa dele.

48. Vírgula entre sujeito e verbo

Erro: O gerente de marketing, copiou as informações.
Forma correta: O gerente de marketing copiou as informações.
Explicação: A vírgula é um sinal de pontuação que marca uma pausa de curta duração. É usada para separar termos dentro de uma oração ou orações dentro de um período, mas nunca deve ser colocada entre o sujeito e o verbo, entre o verbo e seu objeto (direto ou indireto), entre o nome e seu complemento nominal ou adjunto adnominal, entre a locução verbal de voz passiva e agente da passiva, entre a oração adjetiva restritiva e a oração principal, entre a oração subordinada substantiva e a oração principal (exceto a substantiva apositiva, que admite o uso de vírgula ou dois-pontos) e antes da oração adverbial consecutiva. Quando o sujeito é oracional, permite-se o uso de vírgula: Quem ensina, aprende.

49. “No aguardo de” / “Ao aguardo de”

Erro: Ficarei no aguardo de providências.
Forma correta: Ficarei ao aguardo de providências.
Explicação: Ficamos sempre ao aguardo ou à espera de, nunca no aguardo de ninguém ou na espera de alguma coisa.

50. “Mas” / “Mais”

Erro: Ele é dedicado, mais costuma se atrasar.
Forma correta: Ele é dedicado, mas costuma se atrasar.
Explicação: Mas é conjunção adversativa, indica oposição, contraste e significa “porém, contudo, todavia, entretanto”. Mais é advérbio de intensidade, indicando aumento de quantidade ou conjunção aditiva, indicando adição ou soma, antônimo de menos. Exemplo: Ela é a garota mais bonita da sala / Três mais três são seis.


51. “Obrigado” / “Obrigados”

Erro: Muito obrigado! – disseram os homens.
Forma correta: Muito obrigados! – disseram os homens.
Explicação: “Obrigado” deve vir no plural caso se refira a mais de uma pessoa.


52. “Imprimido” / “Impresso”

Erro: Ele havia impresso todos os documentos naquele dia.
Forma correta: Ele havia imprimido todos os documentos naquele dia.
Explicação: O verbo imprimir tem duas formas de particípio – impresso e imprimido, no sentido de ''fazer impressão'', ''publicar'', ''estampar'', ''gravar''. Com os verbos ter e haver, deve-se usar a forma “imprimido”, e com os verbos ser e estar, “impresso”. Ex: Os documentos foram impressos naquela máquina. No sentido de ''incutir'', ''infundir'', ''produzir movimento'', não é abundante, usa-se o particípio ''imprimido'' com qualquer auxiliar: O motorista tem imprimido grande velocidade ao veículo. / Foi imprimida grande velocidade ao veículo.


53. “Precisa-se” / “Precisam-se”

Erro: Precisam-se de motoristas.
Forma correta: Precisa-se de motoristas.
Explicação: Nesse caso, a partícula “se” tem a função de índice de indeterminação do sujeito, e não pronome apassivador. Quando isso ocorre, com verbos transitivos indiretos, intransitivos e de ligação, o verbo permanece no singular. Somente quando o objeto direto encontrar-se preposicionado, pode haver sujeito indeterminado.

54. “Há pouco” / “A pouco”

Erro: Os gestores chegarão daqui há pouco.
Forma correta: Os gestores chegarão daqui a pouco.
Explicação: “Há pouco” indica tempo decorrido. “A pouco” dá ideia de uma ação futura.

55. “Chego” / “Chegado”

Erro: A secretária havia chego atrasada na reunião.
Forma correta: A secretária havia chegado atrasada na reunião.
Explicação: O particípio do verbo chegar é chegado. Chego é 1ª pessoa do Presente do Indicativo.(Ex: Eu chego na hora do almoço).


56. “Entre eu e você” / “Entre mim e você”

Erro: Entre eu e você, há uma sintonia de ideias.
Forma correta: Entre mim e você, há uma sintonia de ideias.
Explicação: Eu é pronome pessoal do caso reto e só pode ser usado na função de sujeito, ou seja, antes de um verbo no infinitivo, como no caso: “Não há nada entre eu pagar e você usufruir também.”

57. “Senão” / “Se não”

Erro: É melhor ele comparecer, se não irá perder a vaga.
Forma correta: É melhor ele comparecer, senão irá perder a vaga.
Explicação: Senão significa caso contrário, a não ser ou defeito: Devemos trabalhar, senão não receberemos nosso salário. (caso contrário) / Não queria outra coisa, senão comer e dormir. (a não ser) / Não havia nenhum senão no seu trabalho. (defeito)
Se não é usado no sentido de condição. (Ex: Se não chover, poderemos sair.)


58. “Deu” / “Deram” tantas horas

Erro: Deu dez da noite e ele ainda não chegou.
Forma correta: Deram dez da noite e ele ainda não chegou.
Explicação: Os verbos dar, bater e soar concordam com as horas. Porém, se houver sujeito, deve-se fazer a concordância: “O sino bateu dez horas.”


59. “Chove” / “Chovem”

Erro: Chove reclamações quando há aumento no preço do combustível.
Forma correta: Chovem reclamações quando há aumento no preço do combustível.
Explicação: Quando indica um fenômeno natural, o verbo chover é impessoal e fica sempre no singular. No sentido figurado, é pessoal e faz-se a flexão verbal. Mas, se São Pedro mandar a chuva, ele será o sujeito.

60. “Chegar em” / “Chegar a”

Erro: Os estagiários chegaram atrasados na reunião.
Forma correta: Os estagiários chegaram atrasados à reunião.
Explicação: Verbos de movimento exigem a preposição ''a'' e não a preposição ''em''.

3 de março de 2019

Partes de uma Missa (adaptado)

Olá amiguinhos!
Todos nós vamos à missa certo? Mas será que todos entendem as partes de uma missa?
Hoje nós vamos aprender!

RITOS INICIAIS
Deus nos reúne
Os ritos iniciais, como o próprio nome já diz, dão início a celebração. Nos ritos iniciais acontecem:
  • Procissão de entrada: acolhemos os sacerdotes, ministros, leitores, coroinhas, acólitos, etc; para começar a missa
  • Saudação: o presidente da celebração dá início a missa dizendo: ‘Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo’.
  • Ato penitencial: momento em que pedimos perdão a Deus pelos nossos pecados, fazemos nosso exame de consciência e revisão de vida, reconhecendo a Deus que somos infiéis, não obedecemos nem demonstramos a bondade divina.
  • Glória: glorificamos a Deus Pai e ao Espírito Santo. Sentimos o perdão e o abraço fraterno de Deus.
  • Oração da coleta: neste momento colocamos os nossos pedidos e damos sentido a celebração do dia, por tudo aquilo que estamos rezando.

LITURGIA DA PALAVRA
Deus nos fala
Momento de ouvir a Palavra de Deus. As leituras são iguais no mundo todo. Nas missas de domingo são 3 leituras e o Salmo Responsorial:
  • Primeira Leitura: geralmente a primeira leitura é do Antigo Testamento, para mostrar que já se previa a vinda de Jesus.
  • Salmo Responsorial: na maior parte das vezes é retirado do livro dos Salmos. Ele nos ajuda a entender melhor a Primeira Leitura.
  • Segunda Leitura: passagem do Novo Testamento, tirada da carta do apóstolos, mostra o ensinamento dos apóstolos para os cristãos.
  • Aleluia: momento de saudar o Evangelho, com o cântico “Aleluia”. A palavra aleluia vem do hebraico e significa louvar. Na Quaresma, em vez de cantar Aleluia, canta-se um versículo proposto no Lecionário.
  • Aclamação ao Evangelho: preparamos para a mensagem de Jesus.
  • Evangelho: o texto do Evangelho é retirado dos livros canônicos de Mateus, Marcos, Lucas e João. Através do Evangelho Deus nos apresenta o Reino de Deus.
  • Homilia: é o momento em que o sacerdote se dirige a todos que estão presentes para explicar as leituras e o Evangelho.
  • Profissão de fé: como cristãos, nesse momento confirmamos a nossa fé em Deus.
  • Preces da assembleia: “Senhor, escutai a nossa prece”. Momento em que as pessoas apresentam os pedidos pela Igreja, pelos governantes, pela salvação do mundo e pela comunidade.

LITURGIA EUCARÍSTICA
Deus nos alimenta
Preparação das Oferendas: o padre e o povo oferecem o pão e o vinho. As pessoas podem levar ao altar as ofertas. O pão e o vinho vão se tornar o corpo e o sangue de Cristo. Não é o momento do ofertório, pois o grande ofertório da Missa só se realiza durante a Oração Eucarística.

ORAÇÃO EUCARÍSTICA
Também chamada de Anáfora, é a principal parte da missa, onde recordamos a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.
  • Prefácio: cantamos em agradecimento e louvor a Deus por toda a obra da salvação.
  • Invocação do Espírito Santo (Epiclese): invocamos o Espírito Santo para que seus dons sejam oferecidos.
  • Consagração: O sacerdote repete as palavras que Jesus pronunciou na última ceia e depois consagra o vinho. O mistério do amor de Deus é renovado em nós.
  • Anamnese: a igreja relembra a Paixão de Cristo, a gloriosa Ressurreição e a Ascensão aos céus.
  • Oblação: oferecemos a Deus a hóstia imaculada. 
  • Segunda epiclese: Novamente o Espírito Santo é invocado, agora sobre toda a assembleia, que se torna em Cristo um só corpo e um só espírito.
  • Intercessões: rezamos pela Igreja (Papa, bispo, auxiliares e ministros), pelos irmãos que já faleceram e por todos nós, sem exceção, que estaremos reunidos com Maria, os apóstolos e todos os santos.
  • Doxologia: O padre eleva o pão e vinho consagrados, Corpo e Sangue do Senhor, glorificando a Deus. Esse é o verdadeiro ofertório, pois é o próprio Cristo que oferece e é oferecido.
Ritos da Comunhão
Deus nos faz irmãos

  • Pai Nosso: essa oração resume os desejos mais profundos do coraçãozinho de cada um de nós. 
  • Gesto do Paz: através de um abraço ou aperto de mão, firmamos o compromisso de lutar sempre pela Paz. Quando apertamos a mão de uma pessoa desejamos “a paz de Cristo”.
  • O Cordeiro de Deus: momento em que rezamos ou cantamos o cordeiro de Deus. Enquanto isso o sacerdote reza em silêncio. É a oração que diz que só Jesus Cristo pode perdoar nossos pecados.
  • Fração do Pão: O sacerdote parte a hóstia e lembramos da fração do pão por Jesus.
  • Comunhão: Momento em as pessoas recebem o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo. É a hora da refeição, em que Jesus Cristo é o nosso alimento. Participamos deste banquete de amor. É a parte mais importante da Missa.
  • Ação de Graças: Momento de silêncio contato com Jesus recebido na Comunhão.

RITOS FINAIS
Deus nos envia
  • A Oração depois da Comunhão: o sacerdote de pé reza a Oração Depois da Comunhão, pedindo as graças necessárias por tudo o que se manifestou perante a assembleia durante a celebração. Essa oração se liga à Liturgia Eucarística, e é seu encerramento.
  • Avisos: São divulgados os eventos religiosos do mês e algo de interesse à comunidade.
  • Bênção Final: Momento em que o sacerdote finaliza a missa e os fiéis recebem a “Bênção Final”. 

19 de fevereiro de 2019

Erros de português para evitar

“Em baixo” / “Embaixo”
Erro: O documento caiu em baixo do móvel.
Forma correta: O documento caiu embaixo do móvel.
Explicação: Embaixo é advérbio de lugar. Em baixo é adjetivo. (Ex: Falavam em baixo tom.)
“Deve haver” / “Devem haver”
Erro: Devem haver muitas pessoas naquele auditório.
Forma correta: Deve haver muitas pessoas naquele auditório.
Explicação: O verbo haver, no sentido de existir, é impessoal, ou seja, só é usado no singular. Quando acompanhado de um verbo auxiliar, no caso, “deve”, este também se torna impessoal. Existir não é impessoal, é pessoal, ou seja, tem plural e concorda com o sujeito: Devem existir muitas pessoas...
Crase na indicação de páginas
Erro: Os advogados fizeram a leitura da página 5 a 15 do acordo trabalhista.
Forma correta: Os advogados fizeram a leitura da página 5 à 15 do acordo trabalhista.
Explicação: A palavra “página” está implícita após o “à”, o que justifica o acento grave, que indica que há crase (fusão de “a” preposição + “a” artigo feminino.
A/há
Erro: Atuo no setor de controladoria a 15 anos.
Forma correta: Atuo no setor de controladoria há 15 anos.
Explicação: Para indicar tempo passado usa-se o verbo haver. Usa-se a preposição a para indicar tempo futuro ou distância.
A champanhe/ o champanhe
Erro: Pegue a champanhe e vamos comemorar.
Forma correta: Pegue o champanhe e vamos comemorar.
Explicação: De acordo com o Dicionário Aurélio, a palavra “champanhe” provém do francês “champagne” e é um substantivo masculino, como defende a maioria dos gramáticos, explica Diogo Arrais, professor do Damásio Educacional
A cores/ em cores
Erro: O material da apresentação será a cores
Forma correta: O material da apresentação será em cores
Explicação: Se o correto é material em preto em branco, o certo é dizer material em cores, explica Laurinda Grion no livro “Erros que um executivo comete ao redigir (mas não deveria cometer).
A domicílio/ em domicílio
Erro: O serviço engloba a entrega a domicílio
Forma correta: O serviço engloba a entrega em domicílio
Explicação: No caso de entrega usa-se a forma em domicílio. A forma a domicílio é usada para verbos de movimento. Exemplo: Foram levá-lo a domicílio.
A longo prazo/ em longo prazo
Erro: A longo prazo, serão necessárias mudanças.
Forma correta: Em longo prazo, serão necessárias mudanças.
Explicação: Usa-se a preposição em nos seguintes casos: em longo prazo, em curto prazo e em médio prazo.
A nível de/ em nível de
Erro: A nível de reconhecimento de nossos clientes atingimos nosso objetivo.
Forma correta: Em relação ao reconhecimento de nossos clientes atingimos nosso objetivo
Explicação: De acordo com o professor Reinaldo Passadori, o uso de “a nível de” está correto quando a preposição “a” está aliada ao artigo “o” e significa “à mesma altura”. Exemplo: Hoje, o Rio de Janeiro acordou ao nível do mar. A expressão “em nível de” está utilizada corretamente quando equivale a “de âmbito” ou “com status de”. Exemplo: O plebiscito será realizado em nível nacional.
À partir de/ a partir de
Erro: À partir de novembro, estarei de férias
Forma correta: A partir de novembro, estarei de férias.
Explicação: Não se usa crase antes de verbos no infinitivo.
A pouco/ há pouco
Erro: O diretor chegará daqui há pouco.
Forma correta: O diretor chegará daqui a pouco.
Explicação: Nesse caso, há pouco indica ação que já passou, pode ser substituído por faz pouco tempo. A pouco indica ação que ainda vai ocorrer, a ideia é de futuro.
À prazo/ A prazo
Erro: Vamos vender à prazo
Forma correta: Vamos vender a prazo.
Explicação: Não se usa crase antes de palavra masculina, exceto se estiver subentendida a palavra moda ou maneira: Vestia-se à Luís XV. (à moda de) / Elaborou um texto à Olavo Bilac. (à maneira de)
À rua/ Na rua
Erro: José, residente à rua Estados Unidos, era um cliente fiel.
Forma correta: José, residente na rua Estados Unidos, era um cliente fiel.
Explicação: Os vocábulos residir, morador, residente, situado e sito pedem o uso da preposição em.
A vista/ à vista
Erro: O pagamento foi feito a vista.
Forma correta: O pagamento foi feito à vista.
Explicação: Ocorre crase nas locuções formadas por palavras femininas, sejam elas prepositivas, conjuntivas ou adverbiais, exceto as de instrumento. Exemplos: à noite, à tarde, à beça (e não à bessa ou abessa), à vontade e à vista, à procura de, à espera de, à custa de, à medida que, à proporção que.
À beça/ à bessa/ abessa
Erro: Esse filme é bom à bessa / abessa.
Forma correta: Esse filme é bom à beça.
Explicação: Bessa não é locução adverbial de intensidade, é um nome de pessoa ou lugar, ou seja, um topônimo ou antropônimo, sendo errado seu uso como advérbio para indicar quantidade.
Adequa/ adequada
Erro: O móvel não se adequa à sala
Forma correta: O móvel não é adequado à sala.
Explicação: Adequar é um verbo defectivo, ou seja, não se conjuga em todas as pessoas e tempos. No presente do indicativo são conjugadas apenas primeira e a segunda pessoa do plural (nós adequamos, vós adequais). No presente do subjuntivo, somente nós e vós (que nós adequemos, que vós adequeis), no imperativo afirmativo, somente nós e vós (adequemos nós, adequai vós), no imperativo negativo, somente nós e vós (não adequemos nós, não adequeis vós). Os pretéritos e futuros são regulares.
Também são defectivos os verbos precaver(-se), reaver, falir, abolir, colorir, demolir, explodir,  extorquir, ressarcir, retorquir, imergir, emergir, ungir, etc.
Adjetivo pátrio/ gentílico
Erro: Nunca usei 'belenense' e 'belemita' como gentílico.
Forma correta: Nunca usei 'belenense' e 'belemita' como adjetivo pátrio.
Explicação: Adjetivo pátrio é um termo mais amplo que adjetivo gentílico, termo mais restrito. O primeiro termo se refere a continentes, países, regiões, estados, cidades, províncilas, vilas e povoados, etc., e o segundo termo somente a raças e povos.
Advinhar/ adivinhar
Erro: Você já advinhou o que aconteceu?
Forma correta: Você já adivinhou o que aconteceu?
Explicação: Isso ocorre por associação com palavras com consoantes mudas, como advogado, advento, adjetivo, advérbio, adversário, advertência, administrar, admirar, admitir, admissão. Adivinhar não é uma delas, usa-se com o i.
Adevogado/ advogado
Erro: Já consultou um adevogado?
Forma correta: Já consultou um advogado?
Explicação: Erradamente se pronuncia um i juntamente com a consoante d, quando na realidade é um d mudo.
Agradecer pela/ agradecer a
Erro: Agradecemos pela preferência
Forma correta: Agradecemos a preferência
Explicação: O certo é agradecer a alguém alguma coisa. Exemplo: Agradeço a Deus a graça recebida.
Aluga-se/ alugam-se
Erro: Aluga-se apartamentos
Forma correta: Alugam-se apartamentos
Explicação: O sujeito da oração (apartamentos) concorda com o verbo.
Amarei-te/ amar-te-ei
Erro: Amarei-te para sempre.
Forma correta: Amar-te-ei para sempre.
Explicação: Não se deve usar ênclise com verbos no futuro do presente ou futuro do pretérito do indicativo. Nesse caso, deve-se usar a mesóclise (pronome no meio do verbo): realizar-me-ei, contorná-lo-ia, amá-la-íamos, batizar-te-ei. Se houver palavra atrativa (negação, advérbio, pronome relativo, pronome indefinido, pronome demonstrativo ou conjunção subordinativa), a próclise será obrigatória: Ele não te batizará hoje.
Anexo/ anexa/ em anexo
Erro: Segue anexo a carta de apresentação.
Formas corretas: Segue anexa a carta de apresentação. Segue em anexo a carta de apresentação.
Explicação: Anexo é adjetivo, assim como incluso, apenso e junto, e deve concordar com o substantivo a que se refere, em gênero e número. A expressão em anexo é invariável, sendo locução adverbial.
Ao invés de/ em vez de
Erro: Ao invés de comprar carros, compraremos caminhões para aumentar nossa frota.
Forma correta: Em vez de comprar carros, compraremos caminhões para aumentar nossa frota.
Explicação: “Ao invés de” representa contrariedade, oposição, o inverso. “Em vez de” quer dizer no lugar de. É uma locução prepositiva, sendo terminada em de normalmente.
Aonde/onde
Erro: Não sei aonde fica a sala do diretor
Forma correta: Não sei onde fica a sala do diretor
Explicação: O advérbio onde indica lugar em que algo ou alguém está. Deve ser utilizado somente para substituir vocábulo que expressa a ideia de lugar. Exemplo: Não sei onde fica a cidade de Araguari. O advérbio aonde indica também lugar em que algo ou alguém está, porém quando o verbo que se relacionar com “onde” exigir a preposição “a”, deve-se agregar esta preposição, formando assim, o vocábulo “aonde”. Expressa a ideia de destino, movimento, conforme exemplo a seguir: aonde você irá depois das visitas?
Ao meu ver/ a meu ver
Erro: Ao meu ver, a reunião foi um sucesso
Forma correta: A meu ver, a reunião foi um sucesso.
Explicação: Não existe a expressão ao meu ver. As formas corretas são: a meu ver, a nosso ver, a vosso ver.
Às micro/ às micros
Erro: O pacote de tributos refere-se às micro e pequenas empresas
Forma correta: O pacote de tributos refere-se às micros e pequenas empresas
Explicação: Por se tratar de adjetivo, micro é variável e por isso deve ser grafada no plural quando for o caso.
A partir de/ com base em
Erro: O juiz apresentou o relatório a partir dos argumentos apresentados.
Forma correta: O juiz apresentou o relatório com base nos argumentos apresentados.
Explicação: A partir de é uma expressão de valor temporal, e não no sentido de ''com base em''.
Através/ por
Erro: Fui avisada através de um email de que a reunião está cancelada.
Forma correta: Fui avisada por email de que a reunião está cancelada.
Explicação: Através de é uma expressão usada somente no sentido físico, de um lado a outro, com ideia de atravessar. Prefira mediante, por meio de, por intermédio de ou simplesmente por.
Auferir/ aferir
Erro: No fim do expediente, o gestor deve auferir se os valores pagos conferem com os números do sistema.
Forma correta: No fim do expediente, o gestor deve aferir se os valores pagos conferem com os números do sistema.
Explicação: Os verbos aferir e auferir têm sentidos distintos. Aferir: conferir de acordo com o estabelecido, avaliar, calcular. Auferir: colher, obter, ter. Exemplo: O projeto auferiu bons resultados.
Aumentar ainda mais/ aumentar muito
Erro: Precisamos aumentar ainda mais os lucros.
Forma correta: Precisamos aumentar muito os lucros.
Explicação: Aumentar é sempre mais, não existe aumentar menos, conforme explica Laurinda Grion, no livro “Erros que um executivo comete ao redigir (mas não deveria cometer)”, da editora Saraiva. Portanto são formas redundantes: aumentar mais, aumentar muito mais e aumentar ainda mais.
Bastante/ bastantes
Erro: Eles leram o relatório bastante vezes.
Forma correta: Eles leram o relatório bastantes vezes.
Explicação: Para saber se bastante deve variar conforme o número é preciso saber qual a classificação dele na frase. Quando é adjetivo (como no caso acima) deve variar. Exemplo: Já há provas bastantes para incriminá-lo (= provas suficientes). Se for advérbio é invariável. Exemplo: Compraram coisas bastante bonitas (= muito bonitas). Se for pronome indefinido é variável. Exemplo: Vimos bastantes coisas (= muitas coisas). Se for substantivo, não varia, mas pede artigo definido masculino: Não se falou ainda o bastante (= o suficiente). Convém evitar esses usos, restritos à linguagem literária.
Bi-campeão /bicampeão
Erro: Em 1993, o São Paulo Futebol Clube foi bi-campeão mundial, sob o comando de Telê Santana.
Forma correta: Em 1993, o São Paulo Futebol Clube foi bicampeão mundial, sob o comando de Telê Santana.
Explicação: A forma correta de usar os prefixos numéricos bi, tri, tetra, penta, hexa, hepta, octa, nona, enea, deca (etc) é sem hífen: bicampeão, bimensal, bimestral, tricampeão, tridimensional, triênio, tetracampeão, tetraplégico, pentacampeão, pentágono, hexacampeão, hexassílabo, etc.
Caiu em/ caiu
Erro: O lucro caiu em 10%.
Forma correta: O lucro caiu 10%.
Explicação: O verbo cair, assim como aumentar e diminuir, não admite a preposição “em”. E no sentido de descer, ir ao chão, ser demitido, o verbo cair é intransitivo.
Chegar em/ chegar a
Erro: Chegamos em São Paulo, ontem.
Forma correta: Chegamos a São Paulo, ontem.
Explicação: o verbo exige a preposição a. Quem chega, chega a algum lugar, ou a alguma coisa.
Chove/ chovem
Erro: Chove emails com reclamações de clientes.
Forma correta: Chovem emails com reclamações de clientes.
Explicação: Quando indica um fenômeno natural, o verbo chover é impessoal e fica sempre o singular. Mas no sentido figurado, como acontece acima, é pessoal e flexiona-se normalmente.
Comprimento/cumprimento
Erro: Entrou e não me comprimentou.
Forma correta: Entrou e não me cumprimentou.
Explicação: Comprimento está relacionado ao tamanho, à extensão de algo ou alguém. Exemplo: Não sei o comprimento da sala. Cumprimento relaciona-se a dois verbos diferentes: cumprimentar uma pessoa (saudar) e cumprir uma tarefa (realizar). Exemplos: Cada pessoa tem um jeito de cumprimentar. O cumprimento dos prazos contará pontos na competição.
Consiste de/ consiste em
Erro: A seleção consiste de cinco etapas.
Forma correta: A seleção consiste em cinco etapas.
Explicação: Consistir é verbo transitivo indireto e requer complemento regido da preposição em. Consistir de é influência do inglês (consist of).
Consta de/ consta em
Formas corretas: A informação consta do/ no relatório.
Explicação: Muitos confundem a regência de consistir com a de constar, no sentido de estar escrito, registrado ou mencionado. Nesse caso, admitem-se as duas preposições (de ou em). No sentido de ser composto, constituído ou formado, usa-se somente a preposição de.
Continuidade/ continuação
Erro: O sindicato optou pela continuidade da greve.
Forma correta: O sindicato optou pela continuação da greve.
Explicação: Continuidade refere-se à extensão de um acontecimento. Exemplo: dar continuidade ao governo. Continuação refere-se à duração de algo. Exemplo: continuação da sessão.
Correr atrás do prejuízo/ correr atrás do lucro
Erro: É hora de correr atrás do prejuízo.
Forma correta: É hora de correr atrás do lucro.
Explicação: Pode-se correr do prejuízo, mas nunca deve-se correr atrás dele. A forma correr atrás do prejuízo não faz o menor sentido, diz Laurinda Grion, no livro “Erros que um executivo comete ao redigir (mas não deveria cometer)”, da editora Saraiva.
Dê-me/ me dê
Erro: Me dê uma resposta.
Forma correta: Dê-me uma resposta.
Explicação: Não se inicia frase, oração, período, texto ou redação com pronome oblíquo átono, exceto sob licença poética. Esse é um caso de ênclise.
Outros usos:
Verbo no imperativo afirmativo - Amem-se uns aos outros.
Verbo no gerúndio sem preposição em - Não prestou atenção, fazendo-se de boba.
Verbo no infinitivo impessoal - Viver é adaptar-se.
De cujus/ decujo
Erro: O documento foi apresentado pelo decujo.
Forma correta: O documento foi apresentado pelo de cujus.
Explicação: Não existe a palavra decujo e as variantes decuja (para indicar a viúva) e decujinhos (para os filhos do falecido). Para indicar a pessoa falecida cuja sucessão está aberta aos herdeiros e legatários, deve-se usar a expressão latina de cujus.
De forma que/ de forma a
Formas corretas: Ele se emocionou tanto de forma que chorou/de forma a chorar.
Explicação: De forma que, de modo que e de maneira que são locuções conjuntivas consecutivas, devendo ser usadas em orações subordinadas desenvolvidas. De forma a, de modo a e de maneira a devem ser usadas em orações reduzidas de infinitivo.
Da onde/ de onde
Erro: Fortaleza é a cidade da onde vieram nossos colaboradores.
Forma correta: Fortaleza é a cidade de onde vieram nossos colaboradores.
Explicação: A forma de onde indica origem. Não existe a forma “da onde”.
Daqui/ daqui a
Erro: Farei o pagamento daqui 5 dias.
Forma correta: Farei o pagamento daqui a 5 dias.
Explicação: o advérbio daqui é usado para indicar lugar ou tempo e pede a preposição a.
De encontro aos/ ao encontro dos
Erro: A sua ideia vem de encontro ao que a empresa precisa neste momento.
Forma correta: A sua ideia vem ao encontro do que a empresa precisa neste momento.
Explicação: De encontro a é estar em sentido contrário, em oposição a. Ao encontro de é estar de acordo, ideia de conformidade.
Debitou na/ debitou à
Erro: O banco debitou na minha conta a taxa.
Forma correta: O banco debitou à minha conta a taxa.
Explicação: quem debita, debita a.
Desapercebidas/ despercebidas
Erro: As mudanças passaram desapercebidas pelos nossos executivos
Forma correta: As mudanças passaram despercebidas.
Explicação: Desapercebido significa desprovido de, desprevenido. Exemplo: Não parei para cumprimenta-lo porque estava desapercebido. Despercebido significa não notado, não percebido. Exemplo: O erro passou despercebido pela equipe da redação do jornal.
Descrição/ discrição
Erro: Ela age com descrição.
Forma correta: Ela age com discrição.
Explicação: Descrição refere-se ao ato de descrever. Exemplo: Ela fez a descrição do objeto. (ela descreveu). Discrição significa ser discreto.
Descriminar/ discriminar
Erro: Descrimine os produtos na nota fiscal e coloque todos os códigos necessários.
Forma correta: Discrimine os produtos na nota fiscal e coloque todos os códigos necessários.
Explicação: Descriminar significa absolver, inocentar. É o que o prefixo “des” faz – indica uma ação no sentido contrário – e, nesse caso, quer dizer tirar o crime. Exemplo: Ele falou em descriminar o uso de algumas drogas. Nesse caso, a palavra mais recente é descriminalizar, também correta. Discriminar significa distinguir, separar, diferenciar, especificar. Isso pode ser feito com ou sem preconceito. Quando há preconceito, o sentido é de segregação. Exemplo: A discriminação racial deve ser combatida sempre. Os substantivos correspondentes: discriminação e descriminação (ou descriminalização, forma mais recente).
Devidas providências
Erro: Peço as devidas providências.
Forma correta: Peço providências
Explicação: Trata-se de um vício de linguagem, segundo Vivien Chivalski, do Instituto Passadori – Educação Corporativa. O adjetivo (devidas) é desnecessário e redundante. “Quem pediria providências indevidas”, diz Vivien.
Dispor/dispuser
Erro: Se ele dispor de tempo, poderá atende-lo em breve.
Forma correta: Se ele dispuser de tempo, poderá atende-lo em breve.
Explicação: A conjugação correta do verbo dispor na terceira pessoa do singular no futuro do pretérito é se ele dispuser. A conjugação acompanha a do verbo pôr.
Dois por cento/ dois pontos percentuais
Erro: No ano passado, o crescimento foi de 10%. Neste ano, de 8%, tendo havido queda de 2%.
Forma correta: No ano passado, o crescimento foi de 10%. Neste ano, de 8%, tendo havido queda de 2 pontos percentuais.
Explicação: A queda de 10% para 8% não é de 2% e, sim, de 2 pontos percentuais.
Deixe-os saírem/ Deixe-os sair
Erro: Deixe-os saírem.
Forma correta: Deixe-os sair.
Explicação: Com os verbos auxiliares causativos (deixar, mandar e fazer) e sensitivos (ver, ouvir e sentir) quando o sujeito é um substantivo, a flexão é opcional: Deixe os alunos entrar (ou entrarem). Mas, quando o sujeito é um pronome oblíquo, a flexão é proibida: Não nos deixeis cair em tentação.
Dez/ décimo
Erro: Visitei a escola Pio X. (Dez)
Forma correta: Visitei a escola Pio X. (Décimo)
Explicação: Na indicação de papas, reis, imperadores, séculos e partes de uma obra, usam-se os ordinais até dez e os cardinais de onze em diante, quando vêm depois do substantivo. Quando vêm antes do substantivo, a leitura será sempre como ordinal: VI Salão do Automóvel (sexto), III Feira Literária (terceira).
E nem/ nem
Erro: O funcionário não sabe escrever e nem ler.
Forma correta: O funcionário não sabe escrever nem ler.
Explicação: A conjunção nem significa “e não”.
Em confirmação à/ em confirmação da
Erro: Em confirmação à minha proposta, envio os valores para execução do serviço.
Forma correta: Em confirmação da minha proposta, envio os valores para execução do serviço.
Explicação: Confirmação é um substantivo feminino que pede a preposição “de”.
Em mãos/ em mão
Erro: O envelope deve ser entregue em mãos.
Forma correta: O envelope deve ser entregue em mão.
Explicação: Ninguém escreve a mãos, nem fica em pés. O correto é em mão, cuja abreviatura é E. M.
Em vias de/ em via de
Erro: Estou em vias de finalizar o projeto.
Forma correta: Estou em via de finalizar o projeto.
Explicação: A locução é “em via de” e significa “a caminho de”, “prestes a”.
Eminente/ iminente
Erro: A falência é eminente.
Forma correta: A falência é iminente.
Explicação: Eminente é um adjetivo que significa alto, grande, elevado, saliente, pessoa importante, notável, célebre, insigne, ilustre, superior. Exemplos: Era um eminente orador. A montanha eminente surge na paisagem. Dica: Associe com proeminente, aquilo que se destaca. Iminente também é um adjetivo e indica que algo está prestes a acontecer, imediato, urgente. Exemplo: A sua morte é iminente.
Eis que/ porque
Erro: O réu foi absolvido, eis que não havia provas contra ele.
Forma correta: O réu foi absolvido, porque não havia provas contra ele.
Explicação: Eis que indica surpresa ou tempo, sinônimo de subitamente, de repente, eis senão quando. Para indicar causa, usa-se porque, já que, visto que, uma vez que.
Ensinar a executarem/ ensinar a executar
Erro: O bom líder deve ensinar seus colaboradores a executarem as tarefas.
Forma correta: O bom líder deve ensinar seus colaboradores a executar as tarefas.
Explicação: Não se flexiona infinitivo com preposição que funcione como complemento de substantivo, adjetivo ou do próprio verbo principal. Exemplo: As mulheres conquistaram o direito de trabalhar fora de casa. Contudo, nos verbos ''contentar'', ''tomar'' e ''ouvir'' o infinitivo deve ser flexionado.
Entre eu e ele/ entre mim e ele
Erro: Entre eu e ele não há conversa nem acordo.
Forma correta: Entre mim e ele não há conversa nem acordo.
Explicação: Os pronomes pessoais do caso reto exercem função de sujeito (ou predicativo do sujeito). Exemplo: Nós vamos sempre ao cinema. / Eu não sou ele. Os pronomes pessoais do caso oblíquo exercem as demais funções, complemento nominal, complemento verbal (objeto direto ou indireto), agente da passiva, adjunto (adnominal ou adverbial), objeto direto preposicionado, OD ou OI pleonástico ou ainda sujeito de uma oração reduzida (antigamente chamado de sujeito acusativo).
Enquanto/ como
Erro: Eu, enquanto professor, tenho por função ensinar.
Forma correta: Eu, como professor, tenho por função ensinar.
Explicação: Enquanto é uma conjunção subordinativa temporal ou proporcional que indica tempo ou proporção. Para indicar condição, usa-se como ou na qualidade de.
Este/ esse
Erro: Meu sonho é esse: viajar para Lisboa.
Forma correta: Meu sonho é este: viajar para Lisboa.
Explicação: Os pronomes demonstrativos, na função referencial, têm dois usos: esse, essa e isso, para indicar anáfora, ou seja, o que já foi mencionado no texto.. Por exemplo: Assistir ao filme do Batman, esse é meu sonho. O segundo uso: este, esta e isto para indicar catáfora, ou seja, o que será mencionado no texto. como é o caso do exemplo.
Face a/ em face de
Erro: Face a problemas, demonstrei força.
Forma correta: Em face dos problemas, demonstrei força.
A expressão face a, embora muito usada, é incorreta, devendo ser evitada. Em face de é a expressão correta. Essa expressão pode indicar uma causa, sinônimo de em virtude de, devido a, graças a, em razão de. Pode indicar também na presença de, sinônimo de diante de, perante e ante.
Falta/faltam
Erro: Falta 30 dias para minhas férias começarem
Forma correta: Faltam 30 dias para minhas férias começarem.
Explicação: O verbo deve concordar com o sujeito da frase. Laurinda Grion, autora de “Os erros que um executivo comete ao redigir (mas não deveria cometer)”, da editora Saraiva, ensina um macete para encontrar o sujeito: “pergunte, antes do verbo, quem é que…? (para pessoas) ou que é que…? (para coisas)”. No exemplo acima a resposta é: 30 dias faltam.
Fazem /faz
Erro: Fazem oito semanas que fui promovida.
Forma correta: Faz oito semanas que fui promovida.
Explicação: Verbo fazer quando sinaliza tempo que passou fica na 3ª pessoa do singular.
Fazer uma colocação/ emitir uma opinião
Erro: Deixe-me fazer uma colocação a respeito do tema da reunião.
Forma correta: Deixe-me emitir uma opinião a respeito do tema da reunião.
Explicação: o padrão formal é emitir uma opinião e não fazer uma colocação, embora esta seja uma forma bastante usada.
Ficou claro/ ficou clara
Erro: Ficou claro, após a reunião, a necessidade de corte de gastos.
Forma correta: Ficou clara, após a reunião, a necessidade de corte de gastos.
Explicação: A necessidade de corte de gastos é o que ficou clara, durante a reunião.
Foi assistida/ assistiu à
Erro: A palestra foi assistida por muita gente
Forma correta: Muita gente assistiu à palestra.
Explicação: Verbo assistir no sentido de ver, presenciar, é transitivo indireto e a voz passiva só admite verbos transitivos diretos. A voz passiva com verbos transitivos indiretos só ocorre com o verbo obedecer e seu antônimo desobedecer e com o verbo responder, desde que o sujeito seja aquilo e não aquele a que se responde.
Fosse… comprava/ fosse…compraria
Erro: Se eu fosse você eu comprava aquela gravata.
Forma correta: Se eu fosse você eu compraria aquela gravata.
Explicação: Atente à correlação verbal. Imperfeito do subjuntivo (se eu fosse) é usado com o futuro do pretérito (compraria) e não com o pretérito imperfeito, uso coloquial e literário.
A grosso modo/ grosso modo
Erro: O que quero dizer, a grosso modo, é que há mais chances de dar errado do que de dar certo.
Forma correta: O que quero dizer, grosso modo, é que há mais chances de dar errado do que de dar certo.
Explicação: A expressão é “grosso modo”, sem a preposição a.
Guincho/guinchamento
Erro: Sujeito a guincho
Forma correta: Sujeito a guinchamento
Explicação: Guincho é o veículo que faz a ação, isto é, o guinchamento.
Inobstante/ não obstante
Erro: O réu foi insultado, inobstante as obrigações assumidas.
Forma correta: O réu foi insultado, não obstante as obrigações assumidas.
Explicação: Embora seja comum na linguagem jurídica, ''inobstante'' não existe na língua portuguesa. O que existe é ''não obstante'' ou ''nada obstante''.
Há 10 anos atrás/ há 10 anos
Erro: Há 10 anos atrás, eu decidi comprar um imóvel.
Formas corretas: Há 10 anos, eu decidi comprar um imóvel. Dez anos atrás, eu decidi comprar um imóvel.
Explicação: É redundante usar “há” e “atrás” na mesma frase. O verbo haver impede a palavra atrás em seguida sempre que estiver relacionado a tempo, à ação que já se passou. Há, portanto, duas formas corretas para a frase: “há dez anos” ou “dez anos atrás”.
Hora/ora
Erro: Você pediu minha decisão, por hora ainda não a tenho.
Forma correta: Você pediu minha decisão, por ora ainda não a tenho.
Explicação: A expressão “por hora”, quando escrita com a letra “h”, refere-se ao tempo, a marcação em minutos. Exemplo: O carro estava a cento e vinte quilômetros por hora. A expressão “por ora”, quando escrita sem o “h”, dá a ideia de no momento ou agora. É um advérbio de tempo, expressa sentido de por enquanto, no momento, atualmente. Exemplo: “Por ora estou muito ocupado”. Ora pode ser uma conjunção coordenativa alternativa, indicando alternância: ''Ora conta piadas, ora resmunga''. Também pode ser uma interjeição, indicando impaciência ou irritação: ''Ora! Não seja tão sensível!''.
Horas extra/ horas extras
Erro: Você deverá fazer horas extra para terminar o relatório.
Forma correta: Você deverá fazer horas extras para terminar o relatório.
Explicação: Neste caso, extra é um adjetivo e, portanto, é variável. Como prefixo, extra é invariável: extraconjugais, extracurriculares, extrajudiciais...
Houveram/houve
Erro: Houveram rumores sobre um anúncio de demissão em massa.
Forma correta: Houve rumores sobre um anúncio de demissão em massa.
Explicação: Haver no sentido de existir não é usado no plural. Existir é usado no plural: Existiram rumores...
Implicará em/implicará
Erro: A sua atitude implicará em demissão por justa causa.
Forma correta: A sua atitude implicará demissão por justa causa.
Explicação: o verbo implicar, quando é transitivo direto, significa “dar a entender”, “pressupor” ou “trazer como consequência”, “acarretar”, “provocar”. E se a transitividade é direta, isso quer dizer que não pede preposição. No sentido de ''envolver'', ''comprometer'', ''enredar'', é transitivo direto e indireto, e aí sim é usado com a preposição em: Implicaram o assessor em uma tremenda confusão. Já no sentido de ''ter implicância'', ''demonstrar antipatia'', é usado com a preposição com: O irmão sempre implica com sua irmã caçula.
Independente/ independentemente
Erro: Independente da proposta, minha resposta é não.
Forma correta: Independentemente da proposta, minha resposta é não.
Explicação: Independente é adjetivo, usado para qualificar um substantivo: país independente, governo independente. Independentemente é advérbio, usado antes da preposição de.
Insisto que/ insisto em que
Erro: Insisto que é preciso cortar custos na cadeia produtiva.
Forma correta: Insisto em que é preciso cortar custos na cadeia produtiva.
Explicação: O verbo insistir é transito indireto, quando objeto for uma coisa usa-se a preposição em e a preposição com aparece quando há referência a uma pessoa. Exemplo: Insisto nisso com o diretor.
Junto a/ no/ ao
Erro: Solicite junto ao departamento de recursos humanos o informe de rendimentos para a Receita Federal.
Forma correta: Solicite ao departamento de recursos humanos o informe de rendimentos para a Receita Federal.
Explicação: As locuções “junto a, junto de” são sinônimas e significam “perto de”, “ao lado de”. Não cabem na frase acima. Para você lembrar, não desconte cheques junto ao banco e sim com o banco. Não renegocie uma dívida junto aos credores e sim com os credores Evite empregar a expressão “junto a” em lugar de com, de, em e para. Assim, em lugar de “conseguimos apoio junto à equipe” escreva “conseguimos apoio da equipe”. Junto com e juntamente com são pleonasmos viciosos ou redundâncias, é suficiente usar o advérbio juntamente sozinho ou somente a preposição com.
Maiores informações/ mais informações
Erro: Caso precise de maiores informações, entre em contato conosco.
Forma correta: Caso precise de mais informações, entre em contato conosco.
Explicação: Conforme explica Laila Vanetti, diretora da Scritta, o termo “maior” é comparativo, não deve ser utilizado nesse caso. Não existem maiores ou menores informações, e sim mais informações ou outras informações.
Mal/ mau
Erro: Era um mal funcionário e foi demitido.
Forma correta: Era um mau funcionário e foi demitido
Explicação: Mau e bom são adjetivos, ou seja, conferem qualidade aos substantivos, palavras que nomeiam seres e coisas. Exemplos: “Ele é bom médico” e “Ele é mau aluno”. Por outro lado, mal e bem podem exercer três funções distintas. Exercem a função de advérbios, modificam o estado do verbo, por exemplo: “Seu filho se comportou mal na escola” e “ele foi bem aceito no novo trabalho”. Como conjunção, servindo para conectar orações, como em “Mal chegou e já se foi”. Essas palavras também têm a função de substantivos, por exemplo: “Você é o meu bem” e “o mal dele é não saber ouvir”.
Mal humorado/ mal-humorado
Erro: Estava mal humorado e isso afetou a todos da equipe.
Forma correta: Estava mal-humorado e isso afetou a todos da equipe.
Explicação: Diogo Arrais, professor do Damásio Educaional, explica que as formações vocabulares com MAL- exigem hífen caso a palavra principal inicie-se por vogal, h ou l: mal-estar, mal-empregado, mal-humorado, mal-limpo.
Mão-de-obra/ mão de obra
Erro: A falta de mão-de-obra qualificada é um dos gargalos da economia brasileira.
Forma correta: A falta de mão de obra qualificada é um dos gargalos da economia.
Explicação: Em locuções substantivas, adjetivas, adverbiais, pronominais, prepositivas ou conjuntivas não se usa hífen, segundo Vivien Chivalski, facilitadora do Instituto Passadori de Educação Corporativa. São exceções à regra as locuções consagradas pelo uso: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará e à queima-roupa.
Meio-dia e meio/ meio-dia e meia
Erro: Entregarei o relatório ao meio-dia e meio.
Forma correta: Entregarei o relatório ao meio-dia e meia.
Explicação: O termo meio pode ter duas funções: adjetivo e advérbio, segundo explica Laurinda Grion no livro Erros que um executivo comete ao redigir (mas não deveria cometer). Quando advérbio, meio quer dizer “um pouco” e é invariável. Quando adjetivo, meio quer dizer “metade de” e é variável, ou seja, concorda com o termo a que se refere.
No aguardo/ ao aguardo
Erro: Fico no aguardo da sua resposta.
Forma correta: Fico ao aguardo da sua resposta.
Explicação: O certo é “ao aguardo de”, “à espera de”, segundo Laurinda Grion, autora do livro Erros que um executivo comete ao redigir (mas não deveria cometer).
No ponto de/ a ponto de
Erro: A demanda da chefia é tão alta, que estou no ponto de mandar tudo às favas.
Forma correta: A demanda da chefia é tão alta, que estou a ponto de mandar tudo às favas.
Explicação: Para dar a ideia de estar “prestes a”, “na iminência de”, use a expressão “a ponto de”, indica Laurinda Grion. ''Ao ponto de'' só existe quando ''ponto'' funciona como substantivo.
No sentido de/ a fim de
Erro: Ele agiu no sentido de melhorar a situação.
Forma correta: Ele agiu a fim de melhorar a situação.
Explicação: A expressão ''no sentido de'' usa-se para explicar o significado de um termo ou ideia anterior, e não com valor de finalidade.
Não disse-lhe/ não lhe disse
Erro: Não disse-lhe nenhuma mentira.
Forma correta: Não lhe disse nenhuma mentira.
Explicação: Há um caso de próclise, pois palavras negativas atraem o pronome para antes do verbo.
Outros casos:
Advérbios - Ele sempre nos vê na loja.
Se houver vírgula depois do advérbio, ocorrerá a ênclise: Ontem, viu-nos na loja.
Pronomes relativos, indefinidos e demonstrativos - Este é o lugar onde me sinto bem. (relativo) / Isso me fez mudar de opinião. (demonstrativo) / Todos se alegraram com a festa. (indefinido)
Conjunção subordinativa - integrante ou adverbial - Quero que me realize um milagre. / Quando me realizaram o milagre, a vitória foi um sucesso.
Frases interrogativas, exclamativas e optativas - Qual lhe interessa? (interrogativa) / Como nos odeiam! (exclamativa) / Deus te ajude! (optativa)
Preposição em seguida de gerúndio - Em se tratando de gastronomia, a comida baiana é ótima.
Numeral ambos - Ambos se comoveram com o evento de hoje.
Palavra só no sentido de somente e oração coordenada alternativa - Só me ofereceram uma novidade. / Ou se inscreve no concurso, ou desiste.
Forma verbal proparoxítona - Nós o amávamos.
Preposição + infinitivo pessoal - Será punido por me faltar ao respeito.
O mesmo/ele
Erro: Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar.
Forma correta: Antes de entrar no elevador, verifique se ele se encontra parado neste andar.
Explicação: De acordo com Laila Vanetti, diretora da Scritta, o termo “o mesmo” não serve para substituir uma palavra anteriormente dita. Quem está nas empresas, portanto, deve preferir os pronomes ele(s) ou ela(s), cuidando para adequar a partícula “se” à nova sentença. Mesmo é usado como pronome demonstrativo, como reforço de um substantivo ou pronome reto, como adjetivo, qualificando um substantivo, sinônimo de semelhante, de igual identidade ou exato, como advérbio, relacionando-se a um verbo, sinônimo de certamente, realmente, justamente ou precisamente, como conjunção, iniciando orações subordinadas reduzidas, apresentando o sentido de concessão, ou como interjeição, expressando espanto, surpresa ou admiração.
Onde/ em que
Erro: Vamos à reunião onde decidiremos os rumos da companhia.
Forma correta: Vamos à reunião em que decidiremos os rumos da companhia.
Explicação: de acordo com Vivien Chivalski, do Instituto Passadori, reunião não é lugar e as palavras onde e aonde se referem apenas a lugares. Prefira “a reunião em que” ou “na qual decidiremos sobre”.
O quanto antes/ quanto antes
Erro: Voltarei ao escritório o quanto antes.
Forma correta: Voltarei ao escritório quanto antes.
Explicação: Antes da locução adverbial “quanto antes” não se usa artigo definido “o”, diz Laurinda Grion, autora de “Erros que um executivo comete ao redigir (mas não deveria cometer)”, da editora Saraiva.
Pai nosso/ pai-nosso
Erro: O padre rezou um pai nosso.
Forma correta: O padre rezou um pai-nosso.
Explicação: Pai-nosso e ave-maria, quando substantivadas, devem ser hifenizadas. O plural das duas é diferente: em pai-nosso temos um substantivo (pai) e um pronome (nosso), logo, o plural é pais-nossos ou pai-nossos, caso facultativo. Já em ave-maria, temos uma interjeição (ave) e um substantivo (maria), logo, somente a segunda palavra vai para o plural: ave-marias. Em referência à oração, Pai Nosso e Ave Maria não são hifenizadas.
Paizinho/ paisinho
Erro: Meu paisinho é demais.
Forma correta: Meu paizinho é demais.
Explicação: Paizinho é diminutivo de pai, o mesmo que painho, logo, escreve-se com z. Paisinho é diminutivo de país, logo, escreve-se com s: Aquele paisinho faz fronteira com outros países. / Eta paisinho triste!
Parcela única/ de uma só vez
Erro: O pagamento será feito em parcela única.
Forma correta: O pagamento será feito de uma só vez.
Explicação: Parcela significa parte de um todo, diz Laurinda Grion. Logo se não há parcelamento, o certo é dizer “de uma só vez”.
Por que / porque
Erro: Não a vi ontem por que eu estava fora da cidade.
Forma correta: Não a vi ontem porque eu estava fora da cidade.
Explicação: Vivien Chivalski, do Instituto Passadori, explica: porque é uma conjunção e serve para ligar duas ideias, duas orações. É usado ando a segunda parte apresenta uma explicação ou causa em relação à primeira. A forma “por que” é um advérbio interrogativo de causa e é usada quando pedimos por uma causa ou motivo. Caso mais incomum para o uso da forma “por que” é quando ela pode ser substituída por “para que”, “pelo qual”, “pela qual”, “pelos quais”, pelas quais. Exemplos: Lutamos por que (para que) a obra terminasse antes da inauguração. Este é o caminho por que (pelo qual) passamos.
Porquê/ por quê
Erro: A diretriz mudou, não sei porquê.
Formas corretas: A diretriz mudou, não sei por quê. A diretriz mudou, não sei o porquê.
Explicação: Segundo explicação de Viven Chivalski, “porquê” substitui as palavras razão, causa ou motivo. É um substantivo e, como tal, tem plural e pode vir acompanhado por artigos, pronomes, numerais, adjetivos ou locuções adjetivas. A palavra geralmente é antecedida de artigo “o” ou “um”.
Use a expressão “por quê” quando ela estiver no fim da frase. Alguns autores dizem que isso vale também quando houver uma pausa, uma vírgula, não importa que seja pergunta ou não, diz Vivien. Exemplos: Não aprovaram a proposta e não sabemos por quê. Não temos o resultado da concorrência. Por quê? Não sabemos por quê, onde e quando tudo aconteceu.
Posto que + indicativo/ subjuntivo
Erro: Não viajou, posto que não quis.
Forma correta: Não viajou, posto que quisesse muito.
Explicação: Posto que é uma locução conjuntiva de valor conjuntivo, sinônimo de ''embora, apesar de, conquanto'' e não de valor explicativo ou causal.
Penalizado/ punido
Erro: Quem desrespeitar o código de conduta será penalizado.
Forma correta: Quem desrespeitar o código de conduta será punido.
Explicação: Penalizar significa “causar pena”, “magoar”. No sentido de castigar, o certo é usar o verbo punir, indica Laurinda Grion.
Pertine/ no que concerne a/ no tocante a
Erro: No que pertine à internet, a tecnologia mudou.
Formas corretas: No que concerne/no tocante à internet, a tecnologia mudou.
Explicação: Embora comum na linguagem jurídica, o vocábulo pertine não existe na língua portuguesa. Se existem o adjetivo pertinente e o substantivo pertinência, pertine seria a 3ª pessoa do singular do presente do indicativo do verbo pertinir, inexistente no português.
Por causa que/ porque/ por causa de
Erro: Não fui à aula por causa que está chovendo muito.
Formas corretas: Não fui à aula porque está chovendo muito. Não fui à aula por causa da chuva.
Explicação: O certo é usar “porque” ou “por causa de”.
Por cento veio/ por cento vieram
Erro: Entre os funcionários, 15% é contra a mudança de sede.
Forma correta: Entre os funcionários 15% são contra a mudança de sede.
Explicação: Números percentuais exigem concordância.
Precaver/ prevenir
Erro: É importante que a empresa se precavenha contra invasões.
Forma correta: É importante que a empresa se previna contra invasões.
Explicação: O verbo precaver é defectivo, não tem todas as conjugações. No presente do indicativo só existem a 1ª e 2ª pessoa do plural (precavemos e precaveis) e nenhuma pessoa no presente do subjuntivo, ''tu, você, nós e vocês'' do imperativo afirmativo e todo o imperativo negativo. Nos pretéritos e futuros é regular, seguindo a conjugação de vender.
Precisam-se/ precisa-se
Erro: Precisam-se de bons vendedores.
Forma correta: Precisa-se de bons vendedores.
Explicação: Com verbos transitivos indiretos, intransitivos, de ligação e transitivos diretos com objeto direto preposicionado acompanhados do pronome ''se'', o verbo ficará na 3ª pessoa do singular. Exemplo: Precisa-se de médicos. / Trabalha-se durante o dia. / Está-se feliz aqui. / Ama-se a Deus.
Prefiro … do que/ prefiro… a
Erro: Prefiro sair mais tarde do trabalho do que ficar parado no trânsito.
Forma correta: Prefiro sair mais tarde do trabalho a ficar parado no trânsito.
Explicação: Não há necessidade do comparativo “do que” porque, conforme a explicação de Diogo Arrais, professor do Damásio Educacional, não há comparação. “Não há necessidade de palavras como mais, mil vezes, do que”, diz o professor.
Preveram/ previram
Erro: Os analistas preveram tempos de crise.
Forma correta: Os analistas previram tempos de crise.
Explicação: A conjugação do verbo prever segue a do verbo ver. Logo, se o certo é dizer eles viram, é certo dizer eles previram. Outros verbos derivam de ver, como antever, rever, entrever e telever, mas não precaver, que não deriva dele, nem prover. Logo, se eles viram, eles anteviram, eles entreviram, eles televiram.
Quadriplicar/ quadruplicar
Erro: O número de funcionários quadriplicou no ano passado.
Forma correta: O número de funcionários quadruplicou no ano passado.
Explicação: Quádruplo é o numeral e significa multiplicativo de quatro, quantidade quatro vezes maior que outra. Quadruplicação, quadruplicar e quádruplo são as formas corretas, explica Laurinda Grion, autora de “Erros que um executivo comete ao redigir (mas não deveria comete)”, da editora Saraiva.
Qualquer/ nenhum
Erro: Informo-lhes que não mantenho qualquer tipo de vínculo com a Construtora XYZ Ltda.
Forma correta: Informo-lhes que não mantenho nenhum tipo de vínculo com a Construtora XYZ Ltda.
Explicação: Qualquer é pronome de sentido afirmativo. Em construções negativas, deve-se empregar nenhum ou algum, depois do substantivo. Os dicionários não dão a qualquer o valor negativo, e sim o valor de indeterminar, generalização.
Quantia/ quantidade
Erro: Informe a quantia exata de itens no estoque.
Forma correta: Informe a quantidade de itens no estoque.
Explicação: Usa-se quantia para dinheiro e quantidade para coisas. Quantia exata é pleonasmo, pois toda quantia é exata, não existe quantia inexata.
Que preciso/ de que preciso
Erro: Os documentos que preciso estão na gaveta.
Forma correta: Os documentos de que preciso estão na gaveta.
Explicação: O verbo precisar pede a preposição “de” antes do pronome relativo.
Reaveu/reouve
Erro: A homenagem reaveu nossa motivação.
Forma correta: A homenagem reouve nossa motivação.
Explicação: O verbo reaver é defectivo, só se conjuga nas formas em que o verbo haver possui a letra V. Presente do indicativo: reavemos, reaveis. Pretérito perfeito do indicativo: reouve, reouveste, reouve, reouvemos, reouvestes, reouveram.
Responder o/ responder ao
Erro: Vou responder o email daqui a pouco.
Forma correta: Vou responder ao email daqui a pouco.
Explicação: A regência do verbo responder, quando se refere a quem ou ao que produziu a pergunta, no sentido de dar resposta a ou defender-se em juízo, é sempre indireta, ou seja, pede a preposição “a”. É transitivo direto para dar o conteúdo da resposta diretamente ou no sentido de dar resposta grosseira, ser respondão ou grosseiro com e é transitivo direto e indireto quando se fornece uma resposta dupla.
Retificar/ ratificar
Erro: O homem retificou as informações perante o juiz.
Forma correta: O homem ratificou as informações perante o juiz
Explicação: Reinaldo Passadori explica o significado dos verbos ratificar e retificar. “Ratificar, do latim medieval ratificare, possui os seguintes significados: confirmar, reafirmar, validar, comprovar, autenticar. Retificar, também do latim com base na palavra rectus, se refere ao ato de corrigir, emendar, alinhar ou endireitar qualquer coisa”, explica o professor Passadori. 
Rúbrica/ rubrica
Erro: Ponha a sua rúbrica em todas as páginas do relatório, por favor.
Forma correta: Ponha a sua rubrica em todas as páginas do relatório, por favor.
Explicação: Rubrica é paroxítona, sem acento. Apesar de ser usada como proparoxítona, não é acentuada graficamente.
Senão/ se não
Erro: Senão fizer o relatório, não cumprirá a meta.
Forma correta: Se não fizer o relatório, não cumprirá a meta.
Explicação: Para dar a ideia de “caso não faça o relatório”, como no exemplo acima, o certo é utilizar a forma separada. Senão (em uma só palavra) tem vários significados: Venha rápido, senão não chegaremos a tempo. (caso contrário) / Não queria outra coisa, senão comer e dormir. (a não ser) / Não há nenhum senão no seu trabalho. (defeito)
Seríssimo/ seriíssimo
Erro: O problema é seríssimo.
Forma correta: O problema é seriíssimo.
Explicação: Os adjetivos terminados em io antecedido de consoante possuem o superlativo com ii: seriíssimo, necessariíssimo, precariíssimo. Há uma tendência de anular o hiato i-í na linguagem coloquial.
Segunda-feira/ segunda feira
Erro: Não trabalho na segunda feira.
Forma correta: Não trabalho na segunda-feira.
Explicação: Substantivos compostos em que o primeiro elemento é numeral são hifenizados: segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira...
Somos em/ somos
Erro: No escritório, somos em cinco analistas.
Forma correta: No escritório, somos cinco analistas.
Explicação: Não há necessidade de empregar a preposição “em”.
Tão pouco/ tampouco
Erro: Não fala inglês, tão pouco espanhol.
Forma correta: Não fala inglês, tampouco espanhol
Explicação: Tão pouco equivale a muito pouco. Já tampouco pode significar: também não, nem sequer e nem ao menos.
Tenho-lhe elogiado/ tenho elogiado-lhe
Erro: Tenho elogiado-lhe.
Forma correta: Tenho-lhe elogiado.
Explicação: O pronome não pode ficar depois de um verbo no particípio, somente depois do verbo auxiliar. Se houver palavra atrativa, o pronome fica antes do verbo auxiliar: Sempre lhe tenho elogiado.
O mesmo não ocorre com verbos no futuro do presente, futuro do pretérito do indicativo ou futuro do subjuntivo:
Quando ele oferecer-lhe... (correto - quando ele lhe oferecer)
Realizará-se o evento... (correto - realizar-se-á o evento)
Iniciaria-se a inscrição... (correto - iniciar-se-ia a inscrição)
Vem/ veem
Erro: Eles vem problemas em todas as inovações propostas
Forma correta: Eles veem problemas em todas as inovações propostas.
Explicação: Vivien Chivalski, do Instituto Passadori, mostra as conjugações no presente do verbo ver: ele vê (com acento), eles veem (sem acento, segundo o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa). Exemplos: Ele vê os filhos aos sábados. Eles veem o pai uma vez por semana. O verbo vir, no presente, é conjugado assim: ele vem, eles vêm (com acento). Ele não vem sempre aqui. Eles vêm a São Paulo uma vez por ano.
Vinte/ vigésimo
Erro: Ele leu o artigo XX (vigésimo).
Forma correta: Ele leu o artigo XX (vinte).
Explicação: Na linguagem jurídica, indicando leis, decretos e portarias, usa-se o ordinal até nove e o cardinal de dez em diante.
Vinte e uma/ vinte e um
Erro: página 21 (vinte e uma)
Forma correta: página 21 (vinte e um)
Explicação: Na indicação de páginas, folhas, casas e apartamentos, usam-se os cardinais que concordam com o número.
Vir/ vier
Erro: Se ele não vir amanhã, vai perder mais uma reunião importante.
Forma correta: Se ele não vier amanhã, vai perder mais uma reunião importante.
Explicação: No caso do verbo vir, temos as seguintes formas no futuro do subjuntivo, explica Vivien Chivalski: quando eu vier, ele vier, nós viermos, eles vierem.
Visar/ visar a
Erro: Augusto visa o cargo de diretor comercial da empresa.
Forma correta: Augusto visa ao de diretor comercial da empresa.
Explicação: Visar com o sentido de pretender é transitivo indireto, isto é, exige a preposição “a”. No sentido de apontar, mirar, pôr visto, rubricar, é transitivo direto, ou seja, usado sem preposição.
Zero horas/ zero hora
Erro: O novo modelo entra em vigor a partir das zero horas de amanhã.
Forma correta: O novo modelo entra em vigor a partir da zero hora de amanhã.
Explicação: Zero é singular, logo, o correto é zero hora.
“São suficientes” / “É suficiente”
Erro: Cento e cinquenta dólares são suficientes para as diárias no exterior.
Forma correta: Cento e cinquenta dólares é suficiente para as diárias no exterior.
Explicação: O verbo ser é invariável quando indicar quantidade, peso, medida, preço, tempo ou valor, nas expressões muito, pouco, bastante, suficiente, mais de, menos de...
“Acerca de” / “a cerca de”
Erro: Na reunião, discutiu-se a cerca de corte de gastos.
Forma correta: Na reunião, discutiu-se acerca de corte de gastos.
Explicação: “Acerca de” significa a respeito de. A cerca de indica aproximação. (Ex: A empresa fica a cerca de 5 km daqui.)
“Supérfluo” / “supérfulo”
Erro: Os gastos naquele setor foram supérfulos.
Forma correta: Os gastos naquele setor foram supérfluos.
Explicação: Supérfluo significa demais, desnecessário. Embora seja uma palavra que muitas vezes ouvimos, “supérfulo” não existe.
“Segmento” / “Seguimento”
Erro: O seguimento de mercado mostrou-se propício a investimentos.
Forma correta: O segmento de mercado mostrou-se propício a investimentos.
Explicação: Segmento é sinônimo de seção, parte. Seguimento é o ato de seguir. (Ex: O projeto de implantação da ciclovia não teve seguimento.)