21 de julho de 2019

E a gramática que se exploda!

A consagração da forma “exploda”, até então manifestada pela oralidade, se deu por intermédio do personagem Justo Veríssimo, passando a ser registrada por modernos dicionários.


A consagração da forma “exploda” se deu por meio de um personagem de uma TV brasileira chamado Justo Veríssimo, que tanto a proferia
A consagração da forma “exploda” se deu por meio de um personagem de uma TV brasileira chamado Justo Veríssimo, que tanto a proferia
A consagração da forma “exploda” nos remete a um importante fato relacionado aos postulados gramaticais  – os verbos defectivos, cuja principal característica se revela pela sua não conjugação completa, levando-se em conta os tempos e modos verbais. Sendo assim, a inexistência de algumas formas se deve a dois fatores elementares: a eufonia (relativa ao som de forma agradável) e a homofonia (relativa ao som igual). Por essa razão é que determinados verbos, tais como “computar”, não possuem conjugação completa, em razão, da sonoridade ''erótica''. Outro exemplo, fazendo referência ao som idêntico, é o verbo “falir”, que em algumas pessoas verbais confunde-se com o verbo “falar”.
Dessa feita, o verbo “explodir”, tradicionalmente considerado como defectivo, começou a ser proferido mediante as formas “expludo” e a variante “explodo”, por intermédio do personagem Justo Veríssimo, protagonizado pelo humorista Chico Anysio. Formas essas manifestadas somente na oralidade e raras as vezes na escrita – dado seu caráter classificatório (defectivas).
O fato é que, a partir da contribuição do nobre personagem (no caso do verbo “explodir”), e, sobretudo, com o passar do tempo (como é o caso do verbo “erodir”), algumas formas defectivas foram se regularizando, como bem nos retratam os dicionários modernos. Entretanto, o dicionário Aurélio, de forma indiscutível, concebe-os como sendo autenticamente defectivos – além disso, alguns autores evitam as formas discutíveis. O dicionário Houaiss concebe-os como regulares, aceitando as formas explodo e exploda como válidas no português brasileiro, e o dicionário Priberam aceita as formas expludo e expluda como aceitas no português europeu.
No entanto, os verbos “eclodir” e “implodir” ainda permanecem tratados como defectivos, não sendo conjugados nas primeiras pessoas, tanto do presente do modo indicativo (eclodo/implodo), quanto do presente do modo subjuntivo (ecloda/imploda), sendo regulares os pretéritos e futuros, até porque o verbo “eclodir” só se conjuga nas terceiras pessoas: eclode, eclodia, eclodiu, eclodira, eclodirá, eclodiria, eclodisse, etc.
Portanto, mediante dizeres como “Eu quero é que o povo se exploda”, constatamos o dinamismo do qual a língua se perfaz, e que aos poucos esse mesmo caráter que a envolve acaba se tornando formalizado. Tal percepção se define justamente pelo fato de o verbo “explodir” se encontrar demarcado pela sua forma flexionada – “exploda” (representada pela terceira pessoa do presente do modo subjuntivo).

Na redação ou na questão de concurso ou vestibular, o melhor é substituir o verbo explodir em suas formas inexistentes, segundo a tradição gramatical, por um sinônimo: estourar, detonar ou arrebentar por exemplo. “Eu quero é que o povo se estoure, detone ou arrebente”, seria a forma mais adequada no dia da prova ou na redação do Enem.

Pontuação - usando o ponto final e a vírgula




17 de julho de 2019

Curiosidades sobre alguns verbos


* EU "PRETIRO"
O verbo "preterir", que significa "deixar de parte, desprezar, rejeitar", é conjugado como tantos verbos portugueses que terminam em "-erir" (ferir, conferir, preferir, aderir).

Exemplos:

Eu firo, eu confiro, eu aufiro, eu difiro, eu interfiro, eu transfiro, eu prefiro, eu adiro, eu pretiro.

Lembre-se de que "preterir" é antônimo de "preferir". Assim, se alguém deve escolher entre morar no Rio de Janeiro ou em São Paulo e acaba optando pelo Rio, esta pessoa está preterindo a cidade de São Paulo. Não se vá confundir preferir e preterir com proferir, que significa expressar-se oralmente, manifestar em voz alta, anunciar em voz alta, publicar, decretar. Preferir significa dar primazia a uma pessoa ou coisa em detrimento de outras, determinar-se por ou em favor de, querer antes, gostar mais de. Preterir significa ultrapassar, ir além, desprezar alguém ou algo, favorecendo outrem ou outra coisa, deixar de lado deliberadamente, menosprezar, deixar de abstrair, mencionar ou omitir algo, omitir um herdeiro no testamento, deixar de promover a posto sem motivo legal. Vários significados para vários verbos.

* HÁ ou HAVIA?

Qual é a forma correta?

"Ela estava em cena  mais de uma hora."
ou
"Ela estava em cena havia mais de uma hora."

Segundo o princípio da correspondência dos tempos verbais, devemos dizer que "Ela estava em cena havia mais de uma hora", porque o verbo que acompanha a forma "havia" está no pretérito imperfeito (= estavafaziaera). Assim também se daria se estivesse no pretérito mais-que-perfeito (= estiverafizerasouberatinha estadohavia feito).

Em caso de dúvida, podemos usar o seguinte "truque": substituir o verbo "haver" pelo "fazer". Se o resultado da troca for "fazia" (e não "faz"), use "havia" (e não "").

Exemplos:

Estava sem comer havia (= fazia) três dias."
Havia (= fazia) dez anos que o clube não era campeão."
"Ela estivera naquela cidade havia (= fazia) muito tempo."

É importante observar que a ação se encerrou. A forma  (= faz) indica que a ação verbal prossegue. Veja a diferença:

"Havia dez anos que o clube não era campeão." (= o clube acabou de ganhar o campeonato);

" dez anos que o clube não é campeão." (= o clube continua sem ganhar o campeonato).

* COMO É CORRETO DIZER?

"Ele disse que chegaria cedo, mas chegou às 5h";
ou
"Ele tinha dito que chegaria cedo, mas chegou às 5h".

A diferença entre disse e tinha dito é o tempo verbaldisse está no pretérito perfeito e tinha dito, no pretérito mais-que-perfeito do indicativo.

pretérito perfeito indica uma ação concluída no passado: "Ele dissesaiufez..."; o pretérito mais-que-perfeito indica uma ação anterior a outra ação que já está no passado: "Quando eu cheguei (pretérito perfeito = ação já passada), ele já tinha dito ou dissera ou havia ditotinha saído ou saíra ou havia saídotinha feito ou fizera ou havia feito(pretérito mais-que-perfeito = ação anterior à ação já passada)".

Assim sendo, a frase correta é: "Ele tinha dito que chegaria cedo, mas chegou às 5h". A ação de "dizer" é anterior a ação de "chegar". O pretérito mais-que-perfeito é o "passado do passado".

* EU ARGUO

O verbo "arguirnão é defectivo. A primeira pessoa do singular do presente do indicativo é "eu arguo". O detalhe é que não há acento agudo na vogal "u", embora a sílaba tônica seja a penúltima (="gu"). Devemos pronunciar e escrever "arguo". O verbo redarguir segue a mesma lógica do verbo arguir. Ou seja, escreve-se e pronuncia-se "eu redarguo".

* O VERBO SOER

Você já ouviu alguém dizer "como sói acontecer"? "Ele chegou atrasado, como sói acontecer." A frase é erudita, e você precisa conhecê-la. "Sói" é a terceira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo "soer". E o que significa "soer"? Vamos aos dicionários: "ser comum, freqüente; ocorrer geralmente; costumar". Então "sói" significa "é comum", "ocorre geralmente": "Ele chegou atrasado, como é comum acontecer."

Verbos ''anômalos''


Calma! Não precisa ficar assustado!
Vamos parar pra pensar acerca desta exótica nomenclatura?
O que a palavra "anômalo" sugere para você?
Fácil, hum? "Anômalo" é algo "esquisitão", "fora do comum", "estranho"!
Pois bem: assim são os chamados "VERBOS ANÔMALOS", também: verbos "esquisitões" que, ao longo de sua conjugação, sofrem profundas alterações em seu radical (sua raiz) e nas suas desinências.
Na nossa língua portuguesa existem apenas dois verbos nesta categoria: o verbo SER e o verbo IR:

Verbo SER (originário das formas latinas "sedere" e "essere"): sou, és, é, somos, sois, são.

Verbo IR (originário das formas latinas "ire", "vadere" e "fugere"): vou, vais, vá... irei, irás, irá... fui, foste, foi...

Observação: Os verbos SER e IR são iguais nos pretéritos Perfeito e Mais-que-Perfeito do Indicativo; no Imperfeito e no Futuro do Subjuntivo. Nesses casos, é sempre o contexto frasal que vai dar conta de distinguir um verbo do outro:

Ele fora meu amigo, na infância. (fora = verbo SER)
Ele fora embora chateado naquele dia. (fora = verbo IR)

Conjugação - Futuro do subjuntivo


"Quando você vir com os olhos da Imaginação, o mundo todo, ao seu redor, ficará mais colorido."

Conjugação verbal é sempre motivo para dores de cabeça em se tratando de exercícios sobre verbo, certo?
Não se você souber como trabalhar com ela! As conjugações verbais são nossas aliadas, não inimigas, e podem nos ajudar a solucionar diversos problemas. Veja só:

futuro do subjuntivo indica um futuro hipotético. É usado principalmente em orações condicionais (se ...) e temporais (quando ...). Esse tempo verbal deriva da terceira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo (troca-se a terminação "-ram" por "-r").
Quer ver como é fácil? Acompanhe os exemplos abaixo:

Fazer: Eles fize(-ram)--- fize(+r) = se eu fizer... / quando eu fizer...;

Trazer: Eles trouxe(-ramtrouxe(+r) = se eu trouxer... / quando eu trouxer...;

Querer: Eles quise(-ram) _ quise(+r) = se eu quiser... / quando eu quiser...;

Dizer: Eles disse(-ram) _ disse(+r) = se eu disser... / quando eu disser...;

Pôr: Eles puse(-ram) _ puse(+r) = se eu puser... / quando eu puser...;

Ser e Ir: Eles fo(-ram) _ fo(+r) = se eu for... / quando eu for...;

Vir: Eles vie(-ram) _ vie(+r) = se eu vier... / quando eu vier;

Ver: Eles vi(-ram) _ vi(+r) = se eu vir... / quando eu vir...

É por isso que o futuro do subjuntivo do verbo "ver" fica: "se eu vir o filme..."; "quando você vir o resultado do teste..."; "quando nos virmos novamente..."; "se vocês virem a verdade...".

Eu só compito se as regras forem alteradas!


Que brasileiro, em sã consciência (que frase mais clichê!), diria essa frase sem titubear? Acredito que poucos, pois a maioria não teria certeza de que forma do verbo competirdeveria utilizar na primeira pessoa do singular do presente do indicativo, tempo que indica ação cotidiana, caracterizado pela frase "Todos os dias eu..."

Se você acha que competir é verbo defectivo, está redondamente enganado! Competir é somente verbo irregular. Pois bem, a frase apresentada está CERTA!

O verbo competir deve ser assim conjugado no presente do indicativo:

Eu compito,
Tu competes,
Ele compete,
Nós competimos,
Vós competis,
Eles competem.

No presente do subjuntivo, tempo que indica hipótesedesejodúvida no momento presente, caracterizado pela expressão "Espero que eu..." , deve ser assim conjugado:

Que eu compita,
Que tu compitas,
Que ele compita,
Que nós compitamos,
Que vós compitais,
Que eles compitam.

Conjugações semelhantes ocorrem com os verbos:

aderir, despir, inserir, repelir, advertir, diferir, interferir, ressentir, aferir, digerir, investir, revestir, aspergir, discernir, mentir, seguir, assentir, divergir, perseguir, sentir, auferir, divertir, preferir, servir, compelir, expelir, pressentir, sugerir, concernir, ferir, preterir, transferir, consentir, impelir, prosseguir

Discurso direto, indireto e indireto livre


Em uma narrativa, o narrador pode apresentar a fala das personagens através do discurso direto ou do discurso indireto.

No discurso direto, conhecemos a personagem através de suas próprias palavras. Para construir o discurso direto, usamos o travessão e certos verbos especiais, que chamamos de verbos "de dizer" ou verbos dicendi.

São exemplo de verbos dicendi os verbos falardizerresponderretrucarindagardeclararexclamar e assim por diante.

Na seguinte passagem do romance "Vidas Secas", de Graciliano Ramos, ficamos sabendo do sofrimento e da rudeza de Fabiano, o protagonista, através da forma como ele se dirige ao filho:

"Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se. O menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão.
- Anda, condenado do diabo! - gritou-lhe o pai
."

No discurso indireto, o narrador "conta" o que a personagem disse. Conhecemos suas palavras indiretamente. A passagem mencionada acima ficaria assim:

"O pai gritou-lhe que andasse, chamando-o de condenado do diabo."

Há ainda, uma terceira forma de conhecer o que as personagens dizem. É o discurso indireto livre. Nesse caso, o narrador passa do discurso indireto para o direto sem usar nenhum verbo dicendi ou travessão.

Por exemplo, numa outra passagem de Vidas Secas, o narrador usa o discurso indireto livre para caracterizar a personagem de seu Tomé:

"Seu Tomé da bolandeira falava bem, estragava os olhos em cima de jornais e livros, mas não sabia mandar: pedia. Esquisitice de um homem remediado ser cortês. Até o povo censurava aquelas maneiras. Mas todos obedeciam a ele. Ah! Quem disse que não obedeciam?"

Podemos observar que a última reflexão não é do narrador, e sim da personagem, pensando sobre a questão.

Concordância nominal

Regra geral: o artigo, o numeral, o adjetivo e o pronome adjetivo (e o particípio) concordam com o substantivo a que se referem em gênero e número.

Ex.: Dois pequenos goles de vinho e um calçado certo deixam qualquer mulher irresistivelmente alta.

Concordâncias especiais: 

Ocorrem quando algumas palavras variam sua classe gramatical, ora se comportando como um adjetivo (variável) ora como um advérbio (invariável).

Já comemos meia maçã e meio sanduíche de atum.
Flora está meio preocupada com a situação.

Mais de um vocábulo determinado:

1- Pode ser feita a concordância gramatical ou a atrativa.

Ex.: Comprei um sapato e um vestido pretos. (gramatical, o adjetivo concorda com os dois substantivos)
Comprei um sapato e um vestido preto. (atrativa, apesar do adjetivo se referir aos dois substantivos ele concordará apenas com o núcleo mais próximo)

Um só vocábulo determinado: 

1- Um substantivo acompanhado (determinado) por mais de um adjetivo: os adjetivos concordam com o substantivo.

Ex.: Seus lábios eram doces e macios.

2- Bastante- bastantes.

Quando adjetivo, será variável e quando advérbio, será invariável.

Ex.: Há bastantes razões para sua ausência. (bastantes é adjetivo de razões)
recursos bastantes para a conclusão do projeto. (bastantes é adjetivo de recursos)
Os alunos falam bastante. ( bastante é advérbio de intensidade, referindo-se ao verbo)

3- As palavras: anexo, incluso, obrigado, mesmo, próprio:

São adjetivos que devem concordar com o substantivo a que se referem.

Ex.: A fotografia vai anexa ao curriculum.
Os documentos irão anexos ao relatório.

CUIDADO! Quando precedida da preposição em, a palavra anexo fica invariável.
Ex.: As fotografias vão em anexo.

Envio-lhes, inclusas, as certidões./ Incluso segue o documento.
A professora disse: muito obrigada./ O professor disse: muito obrigado.
Ele próprio fará o pedido ao diretor./ Ela própria fará o pedido ao diretor.
Ele mesmo fará o trabalho./ Ela mesma fará o trabalho.

A palavra mesmo pode ser advérbio quando significa realmentede fato. Também pode ser uma conjunção quando significa embora, conquanto, apesar de, ainda que ou uma interjeição, indicando surpresa, espanto, admiração. Nos três casos será, portanto, invariável.
Ex.: Maria viajará mesmo para os EUA. / Mesmo não precisando, agendei o atendimento. / Vou a um salão de beleza. Mesmo?!

4- As palavras muito, pouco, caro, barato, longe, meio, sério e alto:
São palavras que variam seu comportamento funcionando ora como advérbios (sendo assim, invariáveis), ora como adjetivos, pronomes indefinidos ou numerais (variáveis).

Ex.: Os homens eram altos./ Os homens falavam alto.
Poucas pessoas acreditavam nele./ Eu ganho pouco pelo meu trabalho.
Os sapatos custam caro./ Os sapatos estão caros.
água é barata./ A água custa barato.
Viajaram por longes terras./ Eles vivem longe.
Eles são homens sérios./ Eles falavam sério.
Muitos homens morreram na guerra./ João fala muito.
Ele não usa meias palavras./ Estou meio gorda.

5 - As expressões: É bom, é necessário, é proibido:
Só variam se o sujeito vier precedido de artigo ou outro determinante.

Ex.: É proibido entrada de estranhos./ É proibida a entrada de estranhos.
É necessário chegar cedo./ É necessária sua chegada.

6 - As palavras menos, alerta e pseudo: São sempre invariáveis.
Ex.: Havia menos professores na reunião./Havia menos professoras na reunião.
O aluno ficou alerta./ Os alunos ficaram alerta.
Era um pseudomédico./ Era uma pseudomédica.

Pseudo = prefixo - invariável
Alerta e menos = advérbios - invariáveis

Salvo, tirante e exceto = preposições - invariáveis
De forma que, de modo que, de sorte que, de maneira que = locuções conjuntivas consecutivas - invariáveis

7 - Só, sós: Quando adjetivos, serão variáveis, quando advérbios, serão invariáveis.
Ex.: A criança ficou ./ As crianças ficaram sós. (adjetivo)
Depois da briga,  restaram copos e garrafas quebrados. (advérbio - palavra denotativa de exclusão)

ATENÇÃO:
 A locução adverbial a sós é invariável.

Ex.: Preciso falar a sós com ele.

8 - A concordância dos particípios que funcionam como adjetivos: Os particípios da voz passiva ou em orações reduzidas concordarão com o substantivo a que se referem.

Ex.: Os livros foram comprados a prazo.
Compradas à vista, as mercadorias foram trazidas rapidamente.

Se o particípio pertencer a um tempo composto, será invariável:
Ex.: O juiz tinha iniciado o jogo de vôlei./ A juíza tinha iniciado o jogo de vôlei.