16 de julho de 2019

Julio Battisti - Figuras de linguagem

FIGURAS DE LINGUAGEM

Segundo Mauro Ferreira, a importância em reconhecer figuras de linguagem está no fato de que tal conhecimento, além de auxiliar a compreender melhor os textos literários, deixa-nos mais sensíveis à beleza da linguagem e ao significado simbólico das palavras e dos textos.
Definição: Figuras de linguagem são certos recursos não-convencionais que o falante ou escritor cria para dar maior expressividade à sua mensagem.

METÁFORA

É o emprego de uma palavra com o significado de outra em vista de uma relação de semelhanças entre ambas. É uma comparação subentendida.
Exemplo:
Minha boca é um túmulo.
Essa rua é um verdadeiro deserto.

COMPARAÇÃO

Consiste em atribuir características de um ser a outro, em virtude de uma determinada semelhança.
Exemplo:
O meu coração está igual a um céu cinzento.
O carro dele é rápido como um avião.

PROSOPOPÉIA

É uma figura de linguagem que atribui características humanas a seres inanimados. Também podemos chamá-la de personificação ou animismo, ou ainda metagoge.
Exemplo:
O céu está mostrando sua face mais bela.
O cão mostrou grande sisudez.

SINESTESIA

Consiste na fusão de impressões sensoriais diferentes.
Exemplo:
Raquel tem um olhar frio, desesperador.
Aquela criança tem um olhar tão doce.

Sinestesia na medicina
Fora do contexto gramatical, a sinestesia é um fenômeno neurológico caracterizado pela percepção de sensações distintas, provocadas por um só estímulo.

O cérebro processa as informações recebidas pelos sentidos de um modo diferente do habitual, misturando som, cor, sabor, cheiro,…

Sinestesia, cinestesia e cenestesia
Não devemos confundir sinestesia com cinestesia e cenestesia. São conceitos distintos, que não se encontram relacionados:

Cinestesia se refere ao sentido que permite a percepção dos movimentos musculares do corpo.
Cenestesia indica as impressões sensoriais que ocorrem internamente no organismo, independentemente dos órgãos dos sentidos.

CATACRESE

É uma metáfora desgastada, tão usual que já não percebemos. Assim, a catacrese é o emprego de uma palavra no sentido figurado por falta de um termo próprio.
Exemplo:
O menino quebrou o braço da cadeira.
manga da camisa rasgou.

Também ocorre por esquecimento etimológico = perda do sentido original de uma palavra: sabatina (de sábado), impostor (de imposto), azulejo (de azul), secretária (de segredo), salário (de sal), famigerado (de fama), rival (de rio), aquário (de água), piscina (de peixe), armário (de arma), barbeiro (de barba), brigadeiro (de brigada), emboscada (de bosque), escapar (de capa), expresso (de espremer), lanterna (de lampião), marmelada (de marmelo), paraninfo (de noiva), rameira (de ramo), restaurante (de restaurar), siamês (de Sião), tosco (de etrusco), tratante (de tratar), vilão (de vila). 

METONÍMIA

É a substituição de uma palavra por outra, quando existe uma relação lógica, uma proximidade de sentidos que permite essa troca. Ocorre metonímia quando empregamos:
- O autor pela obra.
Exemplo:
Li Jô Soares dezenas de vezes. (a obra de Jô Soares)
- o continente pelo conteúdo.
Exemplo:
O ginásio aplaudiu a seleção. (ginásio está substituindo os torcedores)
- a parte pelo todo.
Exemplo:
Vários brasileiros vivem sem teto, ao relento. (teto substitui casa)
- o efeito pela causa.
Exemplo:
Suou muito para conseguir a casa própria. (suor substitui o trabalho)

PERÍFRASE

É a designação de um ser através de alguma de suas características ou atributos, ou de um fato que o celebrizou.
Exemplo:
A Veneza Brasileira também é palco de grandes espetáculos. (Veneza Brasileira = Recife)
A Cidade Maravilhosa está tomada pela violência. (Cidade Maravilhosa = Rio de Janeiro)

ANTÍTESE

Consiste no uso de palavras de sentidos opostos.
Exemplo:
Nada com Deus é tudo.

Pacote de Vídeo-Aulas: Gramática para Concursos
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Atualizado com a Nova Ortografia - Curso Completo - Teoria e Prática
Duração: 44:00 | Autor: Manoel Jailton

Tudo sem Deus é nada.

EUFEMISMO

Consiste em suavizar palavras ou expressões que são desagradáveis, para evitar o impacto de uma mensagem cruel, negativa ou ofensiva. Fora do contexto gramatical, a palavra eufemismo é usada como sinônimo de suavização, moderação, atenuação, abrandamento, mitigação, comedimento e adoçamento.
Exemplo:
Ele foi repousar no céu, junto ao Pai. (repousar no céu = morrer)
Os homens públicos envergonham o povo. (homens públicos = políticos)

HIPÉRBOLE

É um exagero intencional com a finalidade de tornar mais expressiva a ideia. Fora do contexto gramatical, a palavra hipérbole é muito usada na geometria.
Exemplo:
Ela chorou rios de lágrimas.
Muitas pessoas morriam de medo da perna cabeluda.

IRONIA

Consiste na inversão dos sentidos, ou seja, afirmamos o contrário do que pensamos. Também é chamada de antífrase. Fora do contexto gramatical, a palavra ironia é usada como sinônimo de escárnio, deboche, sarcasmo, zombaria, sátira, troça, incoerência, incongruência, oposição, armadilha, surpresa, peça, logro, partida, alfinetada, crítica, picada, apreciação e farpa.
Exemplo:
Que alunos inteligentes, não sabem nem somar.
Se você gritar mais alto, eu agradeço.

ONOMATOPEIA

Consiste na reprodução ou imitação do som ou voz natural dos seres.
Exemplo:
Com o au-au dos cachorros, os gatos desapareceram.
Miau-miau. – Eram os gatos miando no telhado a noite toda.

ALITERAÇÃO

Consiste na repetição de um determinado som consonantal no início ou interior das palavras.
Exemplo:
O rato roeu a roupa do rei de Roma.

ELIPSE

Consiste na omissão de um termo que fica subentendido no contexto, identificado facilmente. Fora do contexto gramatical, a palavra elipse é muito usada na geometria.
Exemplo:
Após a queda, nenhuma fratura.

ZEUGMA

Consiste na omissão de um termo já empregado anteriormente.
Exemplo:
Ele come carne, eu verduras.

PLEONASMO


Consiste na intensificação de um termo através da sua repetição, reforçando seu significado.
Exemplo:
Nós cantamos um canto glorioso.

O pleonasmo é considerado pleonasmo literário quando reforça a mensagem, sendo, portanto, uma repetição enfática. Quando é uma repetição desnecessária de palavras diferentes, mas com mesmo sentido, torna-se um pleonasmo vicioso: elo de ligação, acabamento final, certeza absoluta, quantia exata, juntamente com, duas metades iguais, sintomas indicativos, prefeitura municipal, vereador da cidade, outra alternativa, detalhes minuciosos, anexo junto à carta, de sua livre escolha, todos foram unânimes, conviver junto, encarar de frente, multidão de pessoas, amanhecer o dia, criação nova, surpresa inesperada, gritar alto, goteira no teto, labaredas de fogo, despesas com gastos, exultar de alegria, ganhar de grátis, erário público, monopólio exclusivo, superávit positivo, déficit negativo, destaque excepcional, limite extremo, vandalismo criminoso, individualidade inigualável, palavra de honra, abertura inaugural, consenso geral, evidência concreta, protagonista principal, resultado do laudo, deferir favoravelmente, autocontrolar-se, repetir de novo, retornar de novo, seguir em frente, verdade verdadeira, escolha opcional, empréstimo temporário, modelo de referência, última versão definitiva, um mês de mensalidade, consumismo exagerado, pilar de sustentação, feminismo libertário, climatologia geográfica, hepatite do fígado, infarto do coração, hemorragia de sangue, consigo mesmo, mas mesmo assim, manter o mesmo, como por exemplo, há dois anos atrás, até mesmo, países do mundo, estrelas do céu, canja de galinha, demente mental, general do Exército, almirante da Marinha, brigadeiro da Aeronáutica, infiltrar-se para dentro, exportar para fora, importar para dentro, surdo do ouvido, cego dos olhos, regra geral, panorama geral, conclusão final, propriedade característica, baseado em fatos reais, sentidos pêsames, dupla de dois, trio de três, novidade inédita, comparecer pessoalmente, anexar junto, viver a vida, decapitar a cabeça, prever de antemão, arder em chamas, ver com os próprios olhos, pisar com os pés, sonhar um sonho, maluco da cabeça, pessoa humana, viúva do falecido, própria autobiografia, bilateral entre as partes, aprimorar para melhor, degenerar para pior, bonita caligrafia, trens ferroviários, panaceia universal, esquecimento involuntário, filho primogênito, utopia inatingível, abismo sem fundo, túnel subterrâneo, safra agrícola, programar primeiro, seus respectivos lugares, criança pequena, breve alocução, desembolsar dinheiro do bolso, pomar de frutas, plebiscito popular, emulsão de óleo, pancreatite do pâncreas, milênios de anos, lugar incerto e não sabido, recuar para trás, defecar pelo ânus, receber mensalmente pelo mês, manusear com as mãos, crise caótica, árvore oca por dentro, desejar votos de felicidade, palavra de honra, individualidade inigualável, jantar de noite, luzes acesas, filhote novo, filhote pequeno, mínimos detalhes, dois gêmeos, direito individual de cada um, transporte coletivo de todos, cair um tombo, teimar com insistência, palma das mãos, planta dos pés, voar pelos ares, descobrir primeiro, novidade inédita, ocasião favorável, pico culminante, eis aqui, reincidir de novo no mesmo erro, repetir outra vez, substituir um dispositivo por outro, manter o mesmo time, batom na boca, etc. 

POLISSÍNDETO

É a repetição da conjunção coordenativa entre as orações de um período ou entre os termos da oração.
Exemplo:
Chegamos de viagem e tomamos banho e saímos para dançar.

ASSÍNDETO

Ocorre quando há a ausência da conjunção entre duas orações.
Exemplo:
Chegamos de viagem, tomamos banho, depois saímos para dançar.

ANACOLUTO

Consiste numa mudança repentina da construção sintática da frase.
Exemplo:
Ele, nada podia assustá-lo.
Nota: o anacoluto ocorre com frequência na linguagem falada, quando o falante interrompe a frase, abandonando o que havia dito para reconstruí-la novamente.

ANÁFORA

Consiste na repetição de uma palavra ou expressão para reforçar o sentido, contribuindo para uma maior expressividade.
Exemplo:
Cada alma é uma escada para Deus,
Cada alma é um corredor-Universo para Deus,
Cada alma é um rio correndo por margens de Externo
Para Deus e em Deus com um sussurro noturno. (Fernando Pessoa)

Não confunda anáfora, figura de linguagem com pronome anafórico, coesão ou referência anafórica. O último é uma retomada de um termo que já foi mencionado no texto, o primeiro é uma repetição de palavras no início de orações, períodos ou versos.

SILEPSE

Ocorre quando a concordância é realizada com a idéia e não sua forma gramatical. Existem três tipos de silepse: gênero, número e pessoa.
De gênero.
Exemplo:
Vossa Excelência está preocupado com as notícias. (a palavra Vossa Excelência é feminina quanto à forma, mas nesse exemplo a concordância se deu com a pessoa a que se refere o pronome de tratamento e não com o sujeito).
São Paulo continua caótica, bárbara e violenta. (a palavra São Paulo é masculina, mas nesse exemplo a concordância se deu com a ideia implícita de cidade e não com o sujeito)
De número.
Exemplo:
A boiada ficou furiosa com o peão e derrubaram a cerca. (nesse caso a concordância se deu com a ideia de plural da palavra boiada).
O povo se reuniu e saíram em procissão. (nesse caso a concordância se deu com a ideia de plural da palavra povo).
De pessoa
Exemplo:
As mulheres decidimos não votar em determinado partido até prestarem conta ao povo. (nesse tipo de silepse, o falante se inclui mentalmente entre os participantes de um sujeito em 3ª pessoa).
Os irmãos pensamos em assistir ao show de Fábio Jr. e à reunião de trabalho. (está implícita a ideia de nós, irmãos, em vez de pensam)

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