Estamos aqui para estudar ou estamos aqui para estudarmos?
O post de hoje responde à dúvida do leitor (ou leitora!) que se identifica como "aprendiz", aqui nos comentários do blog. Pergunta ele(a): "Qual é a forma correta: 'Estamos aqui para estudar ou estamos aqui para estudarmos.' ?" Em primeiríssimo lugar, agradeço a visita e a contribuição, caro(a) leitor(a): a partir das dúvidas que me chegam posso construir um espaço cada vez mais útil e interessante aos meus leitores e alunos. Em segundo lugar, você me pergunta o "assunto" dessa dúvida: trata-se de um problema de CONCORDÂNCIA VERBAL. Você quer saber sobre como proceder a concordância da forma verbal no infinitivo depois de uma preposição, no caso, a preposição "para". Esse, como você verá, é um "enrosco" bastante comum no cotidiano (principalmente escrito) da língua! Uma dúvida que, com certeza, é compartilhada por muitos falantes e estudantes da língua portuguesa.
Para solucioná-la, contei com a ajuda valiosa dos conhecimentos colhidos ao professor Sérgio Nogueira, que leciona, a esse respeito, o seguinte:
USO DO INFINITIVO
1) Em locuções verbais, devemos usar o infinitivo impessoal (= aquele que não se flexiona):
“Os deputados DEVEM ANALISAR o caso na próxima semana.”
“Os contribuintes PODERÃO, a partir da próxima semana, PAGAR antecipadamente o IPTU.”
Observe que, nas locuções verbais, temos uma oração. O verbo auxiliar é o que concorda com o sujeito.
“Os deputados DEVEM ANALISAR o caso na próxima semana.”
“Os contribuintes PODERÃO, a partir da próxima semana, PAGAR antecipadamente o IPTU.”
Observe que, nas locuções verbais, temos uma oração. O verbo auxiliar é o que concorda com o sujeito.
2) Em orações reduzidas, usamos o infinitivo pessoal (= aquele que se flexiona, concordando com o sujeito):
O professor trouxe o livro PARA EU LER (= para que eu lesse)
PARA TU LERES
PARA ELE LER
PARA NÓS LERMOS
PARA VÓS LERDES
PARA ELES LEREM
PARA TU LERES
PARA ELE LER
PARA NÓS LERMOS
PARA VÓS LERDES
PARA ELES LEREM
Nesse caso, são duas orações. “O professor trouxe o livro” é a oração principal. A segunda oração é uma subordinada adverbial final reduzida de infinitivo.
Observe o exemplo a seguir:
“Houve uma ordem / PARA OS PRÓPRIOS FUNCIONÁRIOS CADASTRAREM OS CONTRIBUINTES.”
Esquema de fixação:
Locução verbal = verbo auxiliar + infinitivo impessoal (= não se flexiona);
Oração principal + oração reduzida de infinitivo (pessoal = concorda com o sujeito)
Dúvida do(a) leitor(a):
“Estamos aqui para estudar ou estamos aqui para estudarmos.”
São duas orações. “Estamos aqui” é a oração principal e “para estudar(mos)” é uma oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo. Aqui, portanto, temos duas orações, mas o sujeito é o mesmo (nós). Como o sujeito do infinitivo está oculto (nós), alguns autores consideram um caso facultativo, outros afirmam que é um caso de infinitivo não flexionado:
“Estamos aqui PARA ESTUDAR. ou PARA ESTUDARMOS." (uso facultativo)
“Houve uma ordem / PARA OS PRÓPRIOS FUNCIONÁRIOS CADASTRAREM OS CONTRIBUINTES.”
Esquema de fixação:
Locução verbal = verbo auxiliar + infinitivo impessoal (= não se flexiona);
Oração principal + oração reduzida de infinitivo (pessoal = concorda com o sujeito)
Dúvida do(a) leitor(a):
“Estamos aqui para estudar ou estamos aqui para estudarmos.”
São duas orações. “Estamos aqui” é a oração principal e “para estudar(mos)” é uma oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo. Aqui, portanto, temos duas orações, mas o sujeito é o mesmo (nós). Como o sujeito do infinitivo está oculto (nós), alguns autores consideram um caso facultativo, outros afirmam que é um caso de infinitivo não flexionado:
“Estamos aqui PARA ESTUDAR. ou PARA ESTUDARMOS." (uso facultativo)
Professor, o que é facultativo? Aquele que faz faculdade?
Não, é aquilo que é optativo, alternativo, eletivo, arbitrário, voluntário, dispensável, discricionário, opcional, que não é obrigatório, dependendo da vontade, rigorosamente op-opcional.
Observe mais exemplos:
“Duas novas ruas foram abertas / para FACILITAR (ou FACILITAREM) o acesso.”
“Usineiros e representantes estarão em Brasília / para PRESSIONAR (ou PRESSIONAREM) o governo federal.”
É interessante observar que, na 1ª pessoa do plural, todos preferem o infinitivo não flexionado: “Nós saímos / para ALMOÇAR”. Ninguém diria: “Nós saímos para almoçarmos.”
Observe, agora, os casos abaixo:
1) Se o sujeito estiver claramente expresso, a concordância é obrigatória:
“Trouxeram os sanduíches / para NÓS ALMOÇARMOS no escritório.”
2) Quando o infinitivo desempenha a função de complemento, usamos a forma não flexionada:
“Os paulistanos foram obrigados A PASSAR quatro horas no saguão do aeroporto.”
“A falta de informação leva outros meninos A FAZER a mesma coisa todos os dias.”
“A lei proíbe os brasileiros DE FUMAR na ponte aérea.”
“Os músicos foram impedidos DE PARTICIPAR de qualquer tipo de trabalho em discos.”
3) Quando o verbo for de ligação (= SER, ESTAR, FICAR, TORNAR-SE…) ou estiver na voz passiva, a concordância é facultativa:
“Elas tiveram que suar muito PARA SE TORNAR (ou TORNAREM) as campeãs.”
“Elas têm que malhar muito PARA FICAR (ou FICAREM) magrinhas.”
“O TSE liberou duas das quatro parcelas PARA SER (ou SEREM) DIVIDIDAS por 26 partidos.”
“O porta-voz francês informou que as medidas A SER (ou SEREM) TOMADAS contra o terror são iguais às da Inglaterra.”
Observe mais exemplos:
“Duas novas ruas foram abertas / para FACILITAR (ou FACILITAREM) o acesso.”
“Usineiros e representantes estarão em Brasília / para PRESSIONAR (ou PRESSIONAREM) o governo federal.”
É interessante observar que, na 1ª pessoa do plural, todos preferem o infinitivo não flexionado: “Nós saímos / para ALMOÇAR”. Ninguém diria: “Nós saímos para almoçarmos.”
Observe, agora, os casos abaixo:
1) Se o sujeito estiver claramente expresso, a concordância é obrigatória:
“Trouxeram os sanduíches / para NÓS ALMOÇARMOS no escritório.”
2) Quando o infinitivo desempenha a função de complemento, usamos a forma não flexionada:
“Os paulistanos foram obrigados A PASSAR quatro horas no saguão do aeroporto.”
“A falta de informação leva outros meninos A FAZER a mesma coisa todos os dias.”
“A lei proíbe os brasileiros DE FUMAR na ponte aérea.”
“Os músicos foram impedidos DE PARTICIPAR de qualquer tipo de trabalho em discos.”
3) Quando o verbo for de ligação (= SER, ESTAR, FICAR, TORNAR-SE…) ou estiver na voz passiva, a concordância é facultativa:
“Elas tiveram que suar muito PARA SE TORNAR (ou TORNAREM) as campeãs.”
“Elas têm que malhar muito PARA FICAR (ou FICAREM) magrinhas.”
“O TSE liberou duas das quatro parcelas PARA SER (ou SEREM) DIVIDIDAS por 26 partidos.”
“O porta-voz francês informou que as medidas A SER (ou SEREM) TOMADAS contra o terror são iguais às da Inglaterra.”
4) O verbo no plural enfatiza o agente em vez do fato. Em caso de ambiguidade, preferimos o plural para evitar a dúvida:
“Presidente liberou seus ministros PARA SUBIREM em palanque.” (= quem vai subir em palanque são os ministros, não o presidente). Se o verbo estivesse no singular, poder-se-ia imaginar que quem subiria em palanque seria o presidente e não os ministros.

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