15 de julho de 2018

Circunstâncias expressas pelas orações subordinadas adverbiais

a) Causa
   A ideia de causa está diretamente associada àquilo que provoca um determinado fato, à razão do que se declara na oração principal. "É aquilo ou aquele que determina um acontecimento".
Principal conjunção subordinativa causal: PORQUE
Outras conjunções e locuções causais: como (sempre introduzido na oração anteposta à oração principal), porquanto, pois, pois que, já que, uma vez que, visto que, 
na medida em que.

Exemplos:

As ruas ficaram alagadas porque a chuva foi muito forte.
Como ninguém se interessou pelo projeto, não houve alternativa a não ser cancelá-lo.
Já que você não vai, eu também não vou.
Por ter muito conhecimento (= Porque/Como tem muito conhecimento), é sempre consultado. (Oração Reduzida de Infinitivo)

b) Consequência
As orações subordinadas adverbiais consecutivas expressam um fato que é consequência, que é efeito, produto, resultado do que se declara na oração principal. São introduzidas pelas conjunções e locuções: que (equivalendo a sem que), sem que e outras expressões como de forma que, de maneira que, de modo que, de sorte que, de jeito que, tanto que, etc., e pelas estruturas tal... que, tão... que, tanto... que, tamanho... que.
Principal conjunção subordinativa consecutiva: QUE (precedido de tal, tanto, tão, tamanho)
Exemplos:
É feio que dói. (É tão feio que, em consequência, causa dor.)
Nunca abandonou seus ideais, de modo que acabou concretizando-os.
Não consigo ver televisão sem bocejar. (Oração Reduzida de Infinitivo)
Sua fome era tanta que comeu com casca e tudo.

c) Condição
Condição é aquilo que se impõe como necessário para a realização ou não de um fato. As orações subordinadas adverbiais condicionais expressam o que deve ou não ocorrer para que se realize ou deixe de se realizar o fato expresso na oração principal, indicando uma hipótese, pré-requisito, suposição, algo supostamente esperado. Em resumo, é uma causa que ainda não se realizou.
Principal conjunção subordinativa condicional: SE
Outras conjunções condicionais: caso, contanto que, desde que, salvo se, exceto se, a não ser que, a menos que, sem que, uma vez que (seguida de verbo no subjuntivo).
Exemplos:
Se o regulamento do campeonato for bem elaborado, certamente o melhor time será campeão.
Uma vez que todos aceitem a proposta, assinaremos o contrato.
Caso você se case, convide-me para a festa.
Não saia sem que eu permita.
Conhecendo os alunos (= Se conhecesse os alunos), o professor não os teria punido. (Oração Reduzida de Gerúndio)

d) Concessão
   As orações subordinadas adverbiais concessivas indicam concessão às ações do verbo da oração principal, isto é, admitem uma contradição ou um fato inesperado. A ideia de concessão está diretamente ligada à ideia de contraste, de quebra de expectativa.
Principal conjunção subordinativa concessiva: EMBORA
Utiliza-se também a conjunção: conquanto e as locuções ainda que, ainda quando, mesmo que, mesmo quando, se bem que, posto que, apesar de que, nem que, por mais que, por menos que, por muito que, por pouco que, malgrado, não obstante, inobstante, em que pese.
Observe este exemplo: Só irei se ele for.
A oração acima expressa uma condição: o fato de "eu" ir só se realizará caso essa condição for satisfeita. A oração destacada é, portanto, subordinada adverbial condicional.
Compare agora com: Irei mesmo que ele não vá.
A distinção fica nítida; temos agora uma concessão: irei de qualquer maneira, independentemente de sua ida. A oração destacada é, portanto, subordinada adverbial concessiva.
Observe outros exemplos:
Embora fizesse calor, levei agasalho.
Conquanto a economia tenha crescido, pelo menos metade da população continua à margem do mercado de consumo.
Foi aprovado sem estudar (= sem que estudasse / embora não estudasse). (reduzida de infinitivo)

e) Comparação
As orações subordinadas adverbiais comparativas estabelecem uma comparação com a ação indicada pelo verbo da oração principal.
Principal conjunção subordinativa comparativa: COMO
Por Exemplo:
Ele dorme como um urso.
Utilizam-se com muita frequência as seguintes estruturas que formam o grau comparativo dos adjetivos e dos advérbios: tão... como (quanto), mais (do) que, menos (do) que. Veja os exemplos:
Sua sensibilidade é tão afinada quanto a sua inteligência.
O orador foi mais brilhante do que profundo.

Saiba que:
É comum a omissão do verbo nas orações subordinadas adverbiais comparativas, quando o verbo é o mesmo.
Por exemplo: Agem como crianças. (agem)
Oração Subordinada Adverbial Comparativa
No entanto, quando se comparam ações diferentes, isso não ocorre.
Por exemplo: Ela fala mais do que faz. (comparação do verbo falar e do verbo fazer).

f) Conformidade


As orações subordinadas adverbiais conformativas indicam ideia de conformidade, ou seja, expressam um acordo para a execução do que se declara na oração principal.
Principal conjunção subordinativa conformativa: CONFORME
Outras conjunções conformativas: como, consoante, segundo de acordo com (todas com o mesmo valor de conforme).
Exemplos:
Fiz o bolo conforme ensina a receita.
Consoante reza a Constituiçãotodos os cidadãos têm direitos iguais.
Segundo atesta recente relatório do Banco Mundial, o Brasil é o campeão mundial de má distribuição de renda.

g) Finalidade
As orações subordinadas adverbiais finais indicam a intenção, a finalidade daquilo que se declara na oração principal.
Principal conjunção subordinativa final: PARA QUE
Outras conjunções finais: que, porque (= para que) e a locução conjuntiva a fim de que.
Por Exemplo:
Aproximei-me dela a fim de que ficássemos amigos.
Felipe abriu a porta do carro para que sua namorada entrasse.

h) Proporção
As orações subordinadas adverbiais proporcionais expressam ideia de proporção, ou seja, um fato simultâneo ao expresso na oração principal.
Principal conjunção subordinativa proporcional: À MEDIDA QUE
Outras  locuções conjuntivas proporcionais:  à proporção queao passo que. Usa-se também a conjunção enquanto. Há ainda as estruturas: quanto maior... (maior), quanto maior... (menor), quanto menor... (maior), quanto menor... (menor), quanto mais... (mais), quanto mais... (menos),  quanto menos... (mais), quanto menos... (menos).
Exemplos:
À proporção que estudávamos, acertávamos mais questões.
Quanto maior for a altura, maior será o tombo.
Lembre-se:
À medida que é uma conjunção que expressa ideia de proporção; portanto, pode ser substituída por "à proporção que".
Na medida em que expressa uma ideia de causa e equivale a "tendo em vista que" e só nesse sentido deve ser usada.

Por Exemplo:
Na medida em que não há provas contra esse homem, ele deve ser solto.
Atenção: não use as formas “à medida em que” ou “na medida que”.

i) Tempo
As orações subordinadas adverbiais temporais acrescentam uma ideia de tempo ao fato expresso na oração principal, podendo expressar fatos simultâneos, anteriores ou posteriores.
Principal conjunção subordinativa temporal: QUANDO
Outras conjunções subordinativas temporais: enquantomal e locuções conjuntivas: assim que, logo que, todas as vezes que, antes que, depois que, sempre que, desde que, até que, senão quando, ao tempo que, etc.
Exemplos:
Quando você foi embora, chegaram outros convidados.
Sempre que ele vem, ocorrem problemas.
Mal você saiu, ela chegou.
Terminada a festa, todos se retiraram. (= Quando terminou a festa) (Oração Reduzida de Particípio)

Circunstâncias expressas pelos adjuntos adverbiais

Listamos abaixo algumas circunstâncias que o adjunto adverbial pode expressar.
Não deixe de observar os exemplos.

Acréscimo
Por Exemplo:
Além da tristeza, sentia profundo cansaço.

Afirmação
Por Exemplo:
Sim, realmente irei partir.
Ele irá com certeza.

Assunto
Por Exemplo:
Falávamos sobre futebol. (ou de futebol, ou a respeito de futebol).

Causa
Por Exemplo:
Com o calor, o poço secou.
Não comentamos nada por discrição.
O menor trabalha por necessidade.

Companhia
Por Exemplo:
Fui ao cinema com sua prima.
Com quem 
você saiu?
Sempre contigo irei estar.

Concessão
Por Exemplo:
Apesar do estado precário do gramado, o jogo foi ótimo.

Condição
Por Exemplo:
Sem minha autorização, você não irá.
Sem erros, não há acertos.

Conformidade
Por Exemplo:
Fez tudo conforme o combinado. (ou segundo o combinado)

Dúvida
Por Exemplo:
Talvez seja melhor irmos mais tarde.
Porventura, encontrariam a solução da crise?
Quiçá acertemos desta vez.

Fim, finalidade
Por Exemplo:
Ela vive para o amor.
Daniel estudou para o exame.
Trabalho para o meu sustento.
Viajei a negócio.

Frequência
Por Exemplo: Sempre aparecia por lá.
Havia reuniões todos os dias.

Instrumento
Por Exemplo: Rodrigo fez o corte com a faca.
O artista criava seus desenhos a lápis.

Intensidade
Por Exemplo: A atleta corria bastante.
O remédio é muito caro.

Limite
Por Exemplo: A menina andava correndo do quarto à sala.

Lugar
Por Exemplo: Nasci em Porto Alegre.
Estou em casa.
Vive nas montanhas.
Viajou para o litoral.
"Há, em cada canto de minh’alma, um altar a um Deus diferente." (Álvaro de Campos)

Matéria
Por Exemplo: Compunha-se de substâncias estranhas.
Era feito de aço.

Meio
Por Exemplo:Fui de avião.Viajei de trem. 
Enriqueceram mediante fraude.

Modo
Por Exemplo: Foram recrutados a dedo.
Fiquem à vontade. 
Esperava tranquilamente o momento decisivo.

Negação
Por Exemplo: Não há erros em seu trabalho.
Não aceito sua renúncia em hipótese alguma.

Preço
Por Exemplo: As casas estão sendo vendidas a preços muito altos.

Substituição ou troca
Por Exemplo: Abandonou suas convicções por privilégios econômicos.

Tempo
Por Exemplo: O escritório permanece aberto das 8h às 18h.
Beto e Mara se casarão em junho.
Ontem à tarde
 encontrou um velho amigo.

Além disso, na frase 'Para mim, é difícil esquecer tantas injustiças', a expressão 'para mim' é sinônima de 'na minha opinião' na classificação semântica, com função sintática controversa: alguns gramáticos consideram como objeto indireto por extensão, outros como objeto indireto de opinião, outros como dativo de opinião. A classificação de adjunto adverbial de opinião é incorreta, pois não existe.

Extra: Ocorre o adjunto adverbial de argumento nas expressões chegar de e bastar de, no imperativo. Exemplos: Chega de questionamentos. / Basta de sacrifícios.

Vícios de linguagem

Ao contrário das figuras de linguagem, que dão realce e beleza às frases, os vícios de linguagem deturpam, desvirtuam ou dificultam o entendimento da mesma.

São eles:

A) Ambiguidade ou anfibologia - Falta de clareza que acarreta sentido duvidoso.

Exemplos:

Luciana e Carlos foram à festa e levaram sua irmã. (irmã de Luciana, de Carlos ou da pessoa com quem se fala?)

O pai repreendeu a filha porque ela bateu o seu carro. (o carro do pai, da filha ou da pessoa com quem se fala?)

Venceu o Atlético o São Paulo. (quem venceu realmente, o Atlético ou o São Paulo?)

B) Cacofonia ou cacófato - União de duas ou mais palavras, formando uma terceira de sentido inconveniente.

Exemplos:

A irmã de Virgínia não era como ela.
Custa um real por cada CD.
Mande-me já a procuração assinada.
A boca dela se abriu em um grito angustiante.

C) Barbarismo - Grafia, pronúncia, flexão ou acentuação incorreta de uma palavra ou expressão.

Exemplos:

''interviu'' - em vez de interveio
''reaveram'' - em vez de reouveram
''deteram'' - em vez de detiveram
''cincoenta'' - em vez de cinquenta
''reteram'' - em vez de retiveram
''exporam'' - em vez de expuseram
''proporam'' - em vez de propuseram
''deporam'' - em vez de depuseram

''adevogado'' - em vez de advogado
''advinhar'' - em vez de adivinhar
''rúbrica'' - em vez de rubrica
''récorde'' - em vez de recorde
''íbero'' - em vez de ibero
''áustero'' - em vez de austero

''impecilho'' - em vez de empecilho
''beneficiente'' - em vez de beneficente
''progama'' - em vez de programa
''reintero'' - em vez de reitero
''excessão'' ou ''esseção'' - em vez de exceção
''exceço'' ou ''ecesso'' - em vez de excesso
''estripolia'' - em vez de estripulia
''digladiar'' - em vez de degladiar
''reinvidicar'' - em vez de reivindicar
''prazeirosamente'' - em vez de prazerosamente
''dezanove'' - em vez de dezenove
''douze'' - em vez de doze
''desinteria'' - em vez de desinteria

''retrógado'' - em vez de retrógrado
''pertubar'' - em vez de perturbar
''frustar'' - em vez de frustrar
''salchicha'' - em vez de salsicha

São também considerados os desvios semânticos (uso inadequado de homônimos e parônimos)

Ele infligiu as leis de trânsito. (infringiu = violou, desrespeitou; infligir significa aplicar pena ou castigo)

D) Estrangeirismo - Palavra ou expressão estrangeira usada para substituir uma versão de língua portuguesa, fora da linguagem da informática.

Exemplos:

Ele não conhece o métier. = ofício, função, trabalho
Essa loja é muito fashion. = moderna, elegante, ''da moda''

Muitos estrangeirismos já foram aportuguesados e incorporados à nossa língua: chofer (motorista), drink (bebida), show (espetáculo), stress (estresse), coquetel (bebida ou pequena reunião), buquê (ramalhete), shopping (centro comercial), backup (cópia de segurança), copyright (direito autoral), know-how (conhecimento), slogan (lema, divisa), lanche (merenda).

E) Pleonasmo vicioso - Repetição desnecessária de palavras diferentes com mesmo significado.

Exemplos:

prefeitura municipal, elo de ligação, acabamento final, quantia exata, sintomas indicativos, duas metades iguais, vereador da cidade, detalhes minuciosos, limite extremo, escolha opcional, surpresa inesperada, empréstimo temporário, modelo de referência, evidência concreta, consenso geral, consultoria especializada, última versão definitiva, hermeticamente fechado, si mesmo / si próprio, goteira no teto, labareda de fogo, propriedade característica, critério pessoal, resultado do laudo, deferir favoravelmente, autocontrolar-se, demasiadamente excessivo, encarar de frente, juntamente com, 24 horas por dia, feminismo libertário, climatologia geográfica, demente mental, decapitar a cabeça, infiltrar-se para dentro, hemorragia de sangue, protagonista principal, almirante da Marinha, general do Exército, brigadeiro da Aeronáutica, pessoa humana, fato real, manter o mesmo, como por exemplo, adiar para depois, antecipar para antes

F) Arcaísmo - Palavra ou expressão já ultrapassada.

Exemplos:

porta-seios = sutiã
carro de praça = táxi
boticário = farmacêutico, hoje Boticário é o nome de uma loja de perfumes e cosméticos

G) Colisão - Efeito sonoro desagradável criado pela sequência de consoantes idênticas e repetidas.

Exemplos:

Sua saia ficou suja.
Pede ao Papa paz ao povo.

H) Solecismo - Erro de sintaxe, seja de concordância verbal ou nominal, regência verbal ou nominal ou colocação pronominal.

Exemplos:

Vossa Excelência conheceis vosso problema. = errado, pronome de tratamento concorda sempre na terceira pessoa, o correto é: Vossa Excelência conhece seu problema.

Elas mesmo resolveram o caso. = errado, o pronome demonstrativo 'mesmo' concorda com o substantivo em gênero e número, o correto é: Elas mesmas resolveram o caso.

A família tem liderança nos irmãos. = errado, o substantivo 'liderança' exige a preposição 'sobre' e não a preposição 'em', o correto é: A família tem liderança sobre os irmãos.

Ele custou para chegar. = errado, o verbo custar no sentido de 'ser custoso, ser difícil' não admite a pessoa como sujeito, somente coisa, o correto é: Custou-lhe chegar.

Convidarão-me para a sessão de cinema. = errado, com o verbo no futuro do presente ou futuro do pretérito, usa-se a mesóclise - pronome no meio do verbo, o correto é: Convidar-me-ão para a sessão de cinema.

I) Eco - Efeito sonoro desagradável criado pela sequência repetida de palavras com a mesma terminação.

Exemplos:

Houve aflição e tensão durante a recepção.
O ritmo alucinante e estimulante deixou o grupo excitante e emocionante.

J) Hiato - Efeito sonoro desagradável criado pela sequência repetida de vogais.

Exemplos:

Ou eu ou outra pessoa ouvirá a outra canção.
Ela iria à aula hoje, se não chovesse.

K) Preciosismo ou rebuscamento - Exagero da linguagem, em prejuízo da naturalidade e clareza da frase. É chamado popularmente de ''falar difícil, cheio de pra quê isso''.

Exemplo:

Seu gesto altruísta e empreendedor ensombrece e, decerto, oblitera a existência dos demais mortais que o configuram como a figura exponencial de nossa organização empresarial, baluarte de nossas vitórias.

Usos dos pronomes oblíquos átonos

Os pronomes oblíquos átonos são pronomes pessoais não retos. Os retos são aqueles que funcionam sintaticamente como sujeito, e os oblíquos, como complementos, havendo exceção. Os oblíquos são subdivididos em átonos, os que não são regidos de preposição, mesmo que seja exigida por um termo regente, e os tônicos, acompanhados obrigatoriamente de preposição, mesmo que ela não seja exigida por termo algum. 
Por exemplo, o verbo obedecer é termo regente da preposição a, pois "quem obedece, obedece A algo". Se o complemento de obedecer for um pronome oblíquo átono, ela desaparecerá: "Obedeço-lhe!"; "Obedeça-me". 
Porém, o verbo conhecer não exige preposição alguma, pois "quem conhece, conhece alguém". Se o complemento de conhecer for um pronome oblíquo tônico, a preposição A terá de ser usada obrigatoriamente, pois um pronome oblíquo tônico sempre é regido por uma preposição: "Conheço a ele, mas ele não conhece a mim".

Pronomes Pessoais
Retos
Oblíquos átonos
Oblíquos tônicos
Eu
me
mim, comigo
Tu
te
ti, contigo
Ele, ela
se, o, a, lhe
si, consigo
Nós
nos
nós, conosco
Vós
vos
vós, convosco
Eles, elas
se, os, as, lhes
si, consigo

 
Os pronomes oblíquos átonos podem ser usados com as seguintes funções sintáticas:
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1- Objeto Direto: Os pron. obl. át. me, te, se, o, a, nos, vos, os, as podem exercer a função sintática de objeto direto, ou seja, podem complementar o sentido de um verbo transitivo direto (VTD).
Por exemplo, o verbo esperar é transitivo direto, pois quem espera, espera algo (ou alguém). Podem-se, então, construir frases assim:
  • Ela me esperou.
  • Eu te esperei.
  • Eu o esperei.
  • Eles a esperaram.
  • Ela nos esperou.
  • Eu vos esperei.
  • Nós os esperamos.
O pronome se funcionará como objeto direto quando for reflexivo ou recíproco:
  • Ela se feriu.
  • Eles se amam.
Observe que, quando o objeto direto for de terceira pessoa, não se usa ele, ela, eles, elas, e sim o, a, os, as. É inadequado usar Eu esperei ele, apesar de ser uso corrente no Brasil. O certo é Eu esperei-o ou Eu o esperei.
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Variantes de O, A, OS, AS:
Você observou que, nos exemplos acima, os pronomes foram colocados procliticamente, ou seja, antes do verbo. Se forem colocados encliticamente, ou seja, depois do verbo, os pronomes o, a, os, as podem sofrer mudanças. Vejamo-las:
- Se o VTD terminar em vogal ou em semivogal, usam-se os pronomes o, a, os, as:
  • Eu esperei-o.
- Se o VTD terminar em som nasal: M, -ÃO ou –ÕE, os pronomes se modificam para no, na, nos, nas:
  • Eles esperaram-no.
  • Eles sempre reservam as melhores empadinhas e dão-nas aos amigos.
  • Pega os sapatos e põe-nos no armário se não quiseres ficar de castigo.
- Se o VTD terminar em R, Z ou S (as consoantes de RAZÕES), essas terminações desaparecem, e os pronomes se transformam em lo, la, los, las:
  • Não vou esperá-lo.
  • Nós esperamo-los.
  • O padre sai com as crianças todas as manhãs e condu-las até a capela (= conduz as crianças)
  • Se tu quiseres dizer a verdade a todos, di-la (= diz a verdade)
  • A verdade? Qui-la (= quis a verdade)
  • Os animais silvestres, matamo-los.
- Se o VTD terminar em –mos, e o OD for nos ou vos, o s do verbo desaparecerá:
  • Respeitamo-nos.
  • Esperamo-vos.
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2- Sujeito acusativo (sujeito de verbo no infinitivo ou no gerúndio, que com ele constitui oração subordinada substantiva objetiva direta)
Os pron. obl. át. me, te, se, o, a, nos, vos, os, as podem exercer a função sintática de sujeito acusativo, que é o sujeito de um verbo no infinitivo ou no gerúndio, que, por sua vez, é o núcleo do objeto direto de um verbo causativo (fazer, mandar, deixar) ou de um verbo sensitivo (ver, sentir, ouvir, perceber). Destrincemos isso:
Haverá sujeito acusativo quando o complemento de fazer, mandar, deixar, ver, sentir, ouvir e perceber for uma oração cujo verbo esteja no infinitivo ou no gerúndio. O sujeito deste verbo é o acusativo. Por exemplo:
  • Fizeram o réu devolver o dinheiro.
O objeto direto de fazer não é o réu, como à primeira vista possa parecer, mas sim a oração o réu devolver o dinheiro. Alguém fez o quê? O réu devolver o dinheiro. A expressão o réu é o sujeito do verbo devolver, que está no infinitivo. Há, portanto, a constituição de uma oração subordinada substantiva objetiva direta.
O sujeito o réu pode ser substituído por um pronome, que tem de ser oblíquo átono: Fizeram-no devolver o dinheiro.
  • Mandei-o sair da frente.
  • Deixaram-me ficar naquele lugar.
  • Viram-nos pulando o muro.
  • Senti-a puxar meus cabelos.
  • Ouvi-os cantando alegremente.
Observe que ocorrem as mesmas variantes dos pronomes o, a, os, as.
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3- Objeto Indireto: Os pron. obl. át. me, te, se, lhe, nos, vos, lhes podem exercer a função sintática de objeto indireto encabeçado pela preposição a, ou seja, podem complementar o sentido de um verbo transitivo indireto (VTI) que exija a prep. a. Esta, porém, desaparece quando o objeto indireto for um pronome oblíquo átono.
Por exemplo, o verbo obedecer é transitivo indireto e exige a prep. a, pois quem obedece, obedece a algo (ou a alguém). Podem-se, então, construir frases assim:
  • Ela me obedeceu.
  • Eu te obedeci.
  • Eu lhe obedeci.
  • Elas nos obedeceram.
  • Eu vos obedeci.
  • Nós lhes obedecemos.
Apesar de ser raro o uso, o pronome se funcionará como objeto indireto quando for reflexivo ou recíproco:
  • Ela se arroga o direito de reclamar sempre.
  • Elas se obedecem.
  • Deram-se as mãos.
- Se o VTI terminar em –mos, e o OI for nos ou vos, o s do verbo desaparecerá:
  • Perdoamo-nos.
  • Obedecemo-vos.
- Se, porém, o OI for lhe ou lhes, nenhuma terminação do VTI desaparecerá:
  • A vocês, meninas, perdoamos-lhes.
  • Às leis de trânsito, obedecemos-lhes.
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4- Adjunto adnominal (aa): Os pron. obl. át. me, te, lhe, nos, vos, lhes podem exercer a função sintática de adjunto adnominal. Isso acontecerá quando houver indicação de posse: algo de alguém. A construção sintática ocorrerá da seguinte maneira:
verbo + pronome oblíquo átono + substantivo.
  • Cortaram-me os cabelos = cortaram os meus cabelos.
  • Ainda te apaziguo os ânimos = ainda apaziguo os teus ânimos.
  • Se quiser, beijo-lhe os pés = beijo os seus pés.
  • Multou-nos os carros = multou os nossos carros.
  • Pego-vos o material e não o devolvo = pego o vosso material.
  • Roubaram-lhes os documentos = roubaram os documentos deles.
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5- Complemento nominal (CN): Os pron. obl. át. me, te, lhe, nos, vos, lhes podem exercer a função sintática de complemento nominal. Isso acontecerá quando houver a expressão algo a alguém complementando um verbo, sendo que o algo é um substantivo abstrato, um adjetivo ou um advérbio e que a prep. a provém dele (do algo). Por exemplo:
Eu sou fiel. O adjetivo fiel exige a preposição a, pois quem é fiel, é fiel a algo (ou a alguém), portanto eu sou algo (fiel) a alguém.
A preposição a, portanto, encabeça um complemento nominal (complemento de um elemento que não é verbo). Pode-se, então, usar um pronome oblíquo átono como complemento desse adjetivo:
  • ― Tu me és fiel? ― Sim. Sou-te fiel.
Tenho-lhe muito mais respeito do que tem por mim. (Tenho respeito a alguém. A prep. a não provém do verbo ter, e sim do subst. abstrato respeito)