18 de dezembro de 2018

Explicação das partes da Santa Missa





Momento de ficarmos ainda mais próximos de Nosso Senhor. Entenda os significados dessa celebração e viva ainda mais intensamente essa experiência religiosa.


missa
Por Beatriz Albuquerque - 08/11/2016
FOTO: istock
A missa é uma celebração em que podemos ficar ainda mais próximos de Nosso Senhor. Neste momento especial, podemos reviver os mistérios da vida de Cristo: sua vida, paixão, morte e ressurreição. Com isso, recebemos as bênçãos dos Céus, livramo-nos dos pecados e ficamos com a sensação de estarmos mais leves. A Santa missa segue um ritual, repleto de significado. Entenda cada detalhe dessa celebração e viva ainda mais intensamente essa experiência religiosa.
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Ritos iniciais

Canto de entrada: ele cria um clima festivo e de comunhão com Deus e os fiéis, além de acolher o padre e os ministros. Este é o momento em que devemos abrir o nosso coração para receber Jesus em nossa vida. O canto também está em sintonia com o tema que será celebrado na santa missa.
Sinal da cruz: ele é realizado no início e no final da celebração. Com esse símbolo, marcamos o nosso corpo, consagrando-o à santíssima trindade. Para ressaltar esse ato, alguns sacerdotes preferem cantá-lo.
Saudação: é a parte em que o padre recebe e saúda a comunidade anunciando a presença de Jesus. Normalmente, a saudação é retirada de uma das cartas do Novo Testamento. Os fiéis louvam a Deus por estarem reunidos no amor de Cristo.
Ato penitencial: é o momento reservado a todos os presentes para que possam pedir perdão pelos seus pecados a Deus. Nesta hora, é importante que estejamos dispostas a perdoar e ser perdoadas. Este ato também pode ser feito em forma de canção.
Hino de louvor: também conhecido como Glória, é o grande momento de louvar a Deus durante a missa. Aproveite para cantar e agradecer ao Senhor pelas inúmeras bênçãos que ele vem derramando sobre a sua vida. Omitido nos domingos da Quaresma, do Advento, nas missas pelos falecidos e no Dia de Finados, pois não são tempos para expressar alegria.
Oração chamada “coleta”: após pronunciar a palavra “oremos”, o sacerdote faz uma pausa para que cada um de nós coloque as suas intenções. Em seguida, o padre faz a oração do dia. Os fiéis demonstram que estão de acordo ao dizerem o “amém”.

Liturgia da palavra

Primeira leitura: com exceção, por exemplo, dos domingos do Tempo Pascal, a primeira leitura é normalmente retirada do Antigo Testamento.
Salmo responsorial: é quando os fiéis, em coro, dão a sua resposta. Por exemplo: ao ouvir a palavra de Deus, a comunidade responde com um salmo. É bem provável que os números dos salmos usados na celebração não correspondam com os da sua Bíblia, pois a Liturgia ainda baseia-se na numeração latina.
Segunda leitura: diferentemente da primeira leitura, a segunda leitura é feita com base no Novo Testamento. Ela, não necessariamente, combina com a primeira leitura ou com o Evangelho. Ela é feita por meio de uma das cartas dos apóstolos: Filipenses, Gálatas, Romanos, I Coríntios, II Coríntios e muitos outros.
Aclamação ao Evangelho: é o momento da comunidade manifestar toda a sua alegria pela presença de Jesus entre os fiéis. É cantando o “Aleluia” que a assembleia acolhe a palavra sagrada. Na Quaresma, em vez de cantar Aleluia, canta-se um versículo proposto no Lecionário. 
Sequência: Nas missas de Páscoa, Pentecostes, Corpus Christi e Nossa Senhora das Dores, o Missal Romano prevê após a segunda leitura um hino cristão chamado ''sequência'', cantado antes do Aleluia, as duas primeiras são obrigatórias e as duas últimas são facultativas.
Proclamação do Evangelho: quando o sacerdote ou diácono proclama o Evangelho do dia. Marcamos com uma cruz (persignação) a testa (simbolizando a nossa mente), a boca (nossas palavras) e o peito (nossos sentimentos). 
Nos domingos do Tempo Comum, lemos um a cada ano. Mateus (Ano A), Marcos (Ano B) e Lucas (Ano C). O Evangelho de João entra particularmente na Quaresma e no Tempo Pascal, e em festas e solenidades da Igreja.
Extra: Antes de iniciar a leitura do Evangelho, se estiver sendo usado incenso, em alguma solenidade ou festa, o sacerdote ou diácono incensa a Bíblia e inicia a leitura do texto.
Homilia: quando o padre esclarece os ensinamentos divinos. Para que possamos compreender o significado da palavra de Deus, é importante que prestemos atenção com respeito e tenhamos o nosso coração aberto. É obrigatória nos domingos e solenidades da Igreja. Nos outros dias, é recomendável, mas não obrigatória.
Profissão de fé: ao rezar o Credo, os fiéis assumem o seu compromisso com a Igreja Católica e com Deus. É a hora em que se fecha, praticamente, a liturgia da palavra.
Oração da assembleia: unida, a comunidade reza não só pela Igreja, mas também por todas as pessoas do mundo, pelos que sofrem necessidades e dificuldades, pelas autoridades públicas e pela comunidade local.
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Liturgia eucarística

Canto e preparação das oferendas (Ofertório): o padre apresenta ao Pai as ofertas do pão e do vinho, que se tornam no altar o verdadeiro símbolo do Corpo e do Sangue de Cristo. Durante o canto, os fiéis oferecem as necessidades da comunidade e da Igreja.
Orai, irmãos e irmãs: após o canto, o padre convida a assembleia a se unir em uma só oração para que o Senhor aceite o sacrifício oferecido.
Oração sobre as oferendas: em nome dos presentes, o padre pede a Deus que acolha e aceite as ofertas da comunidade, que consente com o “amém”.
Oração eucarística (Anáfora): momento em que recordamos a morte e a ressurreição de Cristo. Não é apenas uma lembrança de algo ocorrido no passado, mas de um fato que acontece hoje, na hora da Eucaristia. A oração eucarística possui oito elementos importantes:
1) Prefácio: quando damos graças ao Pai por nos ter dado seu Filho, Jesus. O prefácio é iniciado com um diálogo entre o padre e os presentes.
2) Santo: todos cantam a santidade, majestade e imanência de Deus com este louvor:  “Santo, Santo, Santo…”.
3) Epiclese: o sacerdote coloca suas mãos sobre o pão e o vinho e pede que, pela ação do Espírito Santo, eles se transformem no corpo e sangue de Cristo.
A assembleia responde: ''Santificai nossa oferenda, ó Senhor''.
4) Narrativa da instituição e consagração: é o momento em que todos os fiéis adoram em segredo a hora em que o padre repete os gestos e as palavras de Cristo em sua última ceia, mostrando aos presentes a hóstia e o vinho consagrados.
5) Anamnese (ou memorial): Jesus ordenou:  “Fazei isto em memória de mim”. E o apóstolo Paulo recebeu a esse respeito:  “Toda vez que se come deste pão, toda vez que se bebe deste vinho, se recorda a Paixão de Jesus Cristo e se fica esperando Sua volta”. É exatamente isso que toda comunidade celebra neste momento de oração, recordando a paixão e morte de Cristo, sua gloriosa ressurreição e sua ascensão aos céus.
6) Oblação: quando é pedido aos presentes que fiquem em unidade com Cristo. Ao receber o corpo de Jesus, nos tornamos o próprio filho de Deus, por obra do Espírito Santo. Oferece-se a hóstia imaculada e o próprio Cristo é oferecido ao pai pelo padre, em nome de toda a assembleia. Já não se trata de pão e vinho, mas do próprio corpo e sangue de Jesus.
A assembleia responde: ''Recebei, ó Senhor, a nossa oferta''.
7) Segunda epiclese: Novamente o Espírito Santo é invocado, agora sobre toda a assembleia, que se torna em Cristo um só corpo e um só espírito. 
A assembleia responde: ''Fazei de nós um só corpo e um só espírito''.
8) Intercessões: neste momento, o sacerdote faz todas as intercessões pela Igreja, pela comunidade, pelos mortos e pelo mundo. 
Dentre essas intercessões, a primeira delas é pelo Papa, Bispo, seus auxiliares e ministros, o clero e todo o povo que conquistaram. 
A assembleia responde: ''Lembrai-vos, ó Pai, da vossa Igreja''. 
A segunda é pelos nossos falecidos, é um ato de caridade, nossos irmãos e irmãs que morreram na esperança da ressurreição e de todos os que partiram desta vida, pede-se que se acolham junto a nós na luz da face. 
A assembleia responde: ''Lembrai-vos, ó Pai, dos vossos filhos''.
A terceira e última é por todos nós, como povo santo e pecador, que estaremos reunidos um dia no céu com a Virgem Maria, mãe de Deus e da Igreja e seu esposo são José, os santos Apóstolos e Mártires e todos os que neste mundo nos serviram, a fim de louvar e glorificar por Jesus Cristo.
A assembleia responde: ''Concedei-nos o convívio dos eleitos''.
9) Doxologia final: como este pequeno hino de louvor, “Por Cristo, com Cristo e em Cristo…”, encerra-se a oração eucarística. No final, canta-se, repetidas vezes, o “amém”. Esse é o verdadeiro e próprio ofertório da Missa, pois é o próprio Cristo que oferece e é oferecido.
Pai-Nosso: como Jesus nos deixou apenas essa oração, ela é chamada de a “Oração do Senhor”. Com ela, ele nos ensina que somos uma única família e temos um único Pai. Não se diz o Amém pois a Oração Eucarística ainda não terminou, ainda há uma continuação ''Livrai-nos de todos os males, ó Pai...'', chamada de embolismo, rezada pelo sacerdote ou diácono, com a resposta da assembleia: ''Vosso é o reino, o poder e a glória para sempre''.
Abraço da paz: após rezar a oração pela paz, o sacerdote ou diácono nos convida a nos saudarmos com um abraço ou aperto de mão, um costume que nasceu com os primeiros cristãos.
Fração do pão: ao partir o pão, o gesto do padre nos compromete com a partilha. Nesta hora, os participantes invocam o Senhor com as palavras do Evangelho de João: “Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo…”.
Convite à ceia: ao mostrar a hóstia consagrada à assembleia, o padre nos faz um importante convite: “Felizes os convidados para a ceia do Senhor…”. As pessoas respondem: “Senhor, eu não sou digno/digna de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei salvo/salva”.
Comunhão e canto: para recebermos o corpo de Cristo, um canto nos acompanha até a Mesa Eucarística. Neste momento, entramos em total sintonia com Cristo. Acompanhando o canto, elevando a nossa voz, expressamos a nossa unidade com nossos irmãos. A comunhão pode ser dada sobre as duas espécies, pão e vinho, em missas mais solenes.
Ação de graças: após a distribuição da Eucaristia, iniciamos a ação de graças, momento em que agradecemos em silêncio as bênçãos de Deus. Pode-se entoar algum salmo ou canto de louvor.
Depois da comunhão: por meio de uma oração, pedimos ao Senhor que renove sempre a nossa vida, a nossa fé e a nossa esperança. Essa oração se liga a liturgia eucarística, e é seu encerramento, pedindo a Deus as graças necessárias por tudo o que se manifestou perante a assembleia durante a celebração.

Ritos finais

Avisos: o padre ou algum membro da comunidade divulga os eventos religiosos do mês ou informa algo de interesse à comunidade.
Bênção final: marcamos o corpo com o sinal da cruz. Na bênção final, é a própria Santíssima Trindade que nos acompanha pela vida inteira.
Despedida: o padre se despede dos fiéis e inicia-se o canto final. Os fiéis devem esperar a saída do celebrante e dos ministros.

Caso haja outra ação litúrgica, como em Corpus Christi ou Quinta-feira Santa, omitem-se os ritos finais.

Escolha dos cantos na Missa:
Não é qualquer canto que se escolhe para as celebrações. Existem cantos litúrgicos (para as missas) e cantos mensagem (para outras ocasiões, encontros, etc...). As características do Canto litúrgico são:
1.      Conteúdo ou inspiração bíblica;
2.      Qualquer salmo cantado é litúrgico;
3.      Deve ter melodia fácil;
4.      Todos os cânticos litúrgicos são personalizados (ritmo próprio, letra própria e momento próprio);
5.      Ter cuidado com as músicas destinadas às partes fixas da Celebração (Glória, Santo, Pai Nosso, Cordeiro), pois cada um tem o seu conteúdo próprio e isto é da Tradição da Igreja.
As características a serem levadas em consideração são:
1. Canto de entrada:
Letra: Deve ser um convite à celebração! Deve falar do motivo da celebração.
Música: De ritmo alegre, festivo, que expresse a abertura da celebração.
2. Canto penitencial:
De cunho introspectivo, a ser cantado com expressão de piedade. Deve expressar confiança no perdão de Deus.
Letra: Deve conter um pedido de perdão, sem necessariamente seguir a fórmula do Missal. Deve conter a seguinte sequência: 'Senhor', 'Cristo' e 'Senhor' ou 'Kyrie eleison', 'Christe eleison' e 'Kyrie eleison'.
Música: Lenta, que leve à introspecção. Sejam usados especialmente instrumentos mais suaves.
3. Canto do glória:
Letra: O texto deve seguir o conteúdo próprio da Tradição da Igreja.
Música: Festiva, de louvor a Deus. Podem ser usados vários instrumentos.
4. Salmo Responsorial:
Letra: Faz parte integrante da liturgia da palavra: tem que ser um salmo. Deve ser cantado, revezando solo e povo, ou, ao menos o refrão. Pode ser trocado pelo próprio salmo cantado, porém nunca por um canto de meditação.
Letra: Salmo próprio do dia
Música: Mais suave. Instrumentos mais doces.
5. Aclamação ao Evangelho:
Letra: Tem que ter ALELUIA (louvor a Javé), exceto na Quaresma. É um convite para ouvir; é o anúncio da Palavra de Jesus. Deve ser curto, e tirado do lecionário, próprio do dia.
Música: De ritmo vibrante, alegre, festivo e acolhedor. Podem ser usados outros instrumentos.
6. Creio (Profissão de Fé):
Pode ser cantado, mas desde que seja com as mesmas palavras da oração.
7. Canto do ofertório:
Acompanha a procissão das oferendas. Caso não seja cantado, é oportuno um fundo musical (exceto Advento, Quaresma, missas pelos falecidos e Dia de Finados), até que as ofertas cheguem até o altar, cessando então, para que se ouça as orações de oferecimento que o padre rezará, então, em voz alta.
Letra: Não é tão necessário que se fale de pão e vinho nem de ofertório ou oblação. Pode expressar o louvor ou referência ao tempo litúrgico.
Música: Melodia calma, suave. Uso de instrumentos suaves.
8. Santo:
É um canto vibrante por natureza.
Letra: Se possível seguir o texto original, indicado pela Tradição da Igreja.
Música: Que os instrumentos expressem a exultação desse momento e a santidade “Tremenda de Deus”. Deve ser sempre cantado.
9. Doxologia: “Por Cristo, com Cristo e em Cristo”
É uma hora muito importante e solene. É o verdadeiro e próprio ofertório da missa, pois é o próprio Cristo que oferece e é oferecido. Encerra-se a Oração Eucarística (Anáfora), mas não a Liturgia Eucarística, que ainda continua.
É rezada somente pelo presidente da celebração, seja pelo sacerdote ou pelo diácono, e pelos concelebrantes, mas nunca pelos fiéis.
O AMÉM conclusivo, aí sim cantado pelo povo é o mais importante da Missa e deve ser cantado ao menos aos finais de semana.
10.      Pai-Nosso:
Pode ser cantado, mas desde que com as mesmas e exatas palavras da oração. Não se diz o Amém, mesmo quando cantado.
11. Cordeiro de Deus:
Pode ser cantado com melodia não muito rápida e sempre com as mesmas palavras da oração.
12. Canto de Comunhão:
É um canto processional, para se cantar andando.
Letra: Preferência que tenha sintonia com o Evangelho e que seja “Eucarística”.
Música: Processional, toada, balada, etc...
13. Ação de Graças:
Se for o caso, se canta dando graças, louvando e agradecendo o encontro com o Senhor e com os Irmãos. No entanto, que se tenha tempo de silêncio profundo e de adoração e intimidade com o Senhor. Instrumentos mais doces e melodia lenta e que leve a adoração.
14. Canto final:
É para ser cantado após a Bênção Final, enquanto o povo se retira da Igreja: é o canto de despedida.
Letra: Deve conter uma mensagem que levaremos para a vida, se possível, referente ao Evangelho do dia.
Música: Alegre, vibrante. Podem ser usados outros instrumentos.
O USO DO INCENSO NA MISSA
A incensação pode ter os seguintes significados:
1. Sagração das oblatas à imitação dos sacrifícios do AT;
2. Uma oferta simbólica das orações da Igreja;
3. Na Incensação das pessoas, vê-se uma participação coletiva nos dons;
4. Símbolo de respeito e de veneração para com os dons;
5. Símbolo da Graça, o bom odor de Cristo, que d’Ele chega aos fiéis pelo ministério do Sacerdote;
Usa-se o incenso na Liturgia da Missa nos seguintes momentos:
1.      Ritos Iniciais: Na entrada à frente da Cruz processional e para a incensação do Altar e da Cruz;
2.      Liturgia da Palavra: À frente na procissão do Evangelho e na proclamação do mesmo;
3.    Liturgia Eucarística: Na incensação das Oferendas e do Altar e da Cruz, na incensação da Igreja (Celebrante e Povo), e na Consagração;
A palavra "liturgia" é uma palavra da língua grega: LEITURGUIA de leiton-érgon que significa "ação do povo", "serviço da parte do povo e em favor do povo". Na tradição cristã, ele quer significar que o povo de Deus torna parte na "obra de Deus". Pela Liturgia, Cristo, nosso redentor e sumo sacerdote, continua em sua Igreja, com ela e por ela, a obra de nossa redenção.

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