20 de junho de 2019

Estudo dos pronomes

Observe as ilustrações a seguir e atente para as frases que as acompanham:







Agora, observe atentamente os termos destacados nas frases seguintes:

Quando ele mostrou as pesquisas, eu caí do cavalo.

A não compreensão do público me assustou.

A meta é atingir aquele patamar.

O sucesso justifica qualquer coisa.

Nos dois primeiros exemplos, a função desses termos é substituir o nome (substantivo); já nos dois últimos, sua função é acompanhar o substantivo, determinando a extensão de seu significado. Tais palavras são denominadas pronomes.

Pronome é a palavra variável em gênero, número e pessoa que representa, retoma ou acompanha o substantivo, indicando sua posição em relação às pessoas do discurso ou situando-o no espaço, no tempo ou no discurso.

Quando o pronome representa ou retoma o substantivo, dizemos tratar-se de pronome substantivo:

Ele não veio.

Convidei-o para a festa.

Quando o pronome acompanha o substantivo, dizemos tratar-se de pronome adjetivo:

Esta casa é antiga.

Meu livro está rabiscado.

Muitos livros são interessantes.

Isoladamente, o pronome não tem significado, pois não temos condições de identificar o ser a que ele se refere. Portanto, o pronome expressa um ser apenas quando inserido num contexto.

Paulo é uma pessoa divertida. Convidei-o para a festa, mas ele não veio.

Há em português, seis espécies de pronomes: pessoais; interrogativos; demonstrativos; relativos; indefinidos; interrogativos. Um tipo secundário dos pronomes pessoais são os pronomes reflexivos e recíprocos.

As pessoas do discurso

Como o pronome, via de regra, está relacionado às pessoas do discurso (ou seja, às pessoas que participam de uma fala, de uma conversação), é fundamental identificá-las.

São três as pessoas do discurso:

primeira pessoa – aquela que fala.
segunda pessoa – aquela com quem se fala.
terceira pessoa – aquela de quem (ou de que) se fala.

Imaginemos um fragmento de conversa em que José (primeira pessoa) fala com Juliana (segunda pessoa) sobre Tiago (terceira pessoa):

-Eu já te disse: não quero falar sobre ele!

Eu é um pronome que indica a primeira pessoa, a pessoa que fala (José); te é um pronome que indica a segunda pessoa, no caso, Juliana, com quem José fala; ele é um pronome que indica a terceira pessoa, de quem se fala, ou seja, Tiago.

1) Pronomes pessoais

Pronomes pessoais são aqueles que representam as pessoas do discurso. Além das flexões de pessoa (primeira, segunda e terceira), gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural), o pronome pessoal apresenta variação de forma (reto ou oblíquo), dependendo da função que desempenhar na oração.
O pronome pessoal será reto quando desempenhar a função de sujeitopredicativo do sujeito ou vocativo* da oração e será oblíquo quando desempenhar a função de complemento verbal (objeto direto ou indireto), complemento nominal, agente da passiva, adjunto adnominal, adjunto adverbial ou sujeito de uma oração reduzida (antigamente chamado de sujeito acusativo).

Os pronomes pessoais são os seguintes:


As formas sintéticas comigocontigoconoscoconvosco, e consigo resultam da combinação da preposição com + os pronomes oblíquos correspondentes.

Pronomes de tratamento

Na categoria dos pronomes pessoais, incluem-se os pronomes de tratamento. Eles se referem à pessoa com quem se fala (portanto, segunda pessoa), mas a concordância gramatical deve ser feita na terceira pessoa. Convém notar que, com exceção de você, esses pronomes são empregados no tratamento cerimonioso.

Veja alguns deles:


São também pronomes de tratamento: senhor, senhora, senhorita, dom, dona, madamevocê.

Emprego dos pronomes pessoais:

1. Os pronomes oblíquos conosco e convosco são utilizados normalmente em sua forma sintética. Caso haja palavra de reforço, tais pronomes devem ser substituídos pela forma analítica:

Queriam falar conosco.
Queriam falar com nós dois.

2. Os pronomes oblíquos oaosas, quando precedidos de verbos que terminam em –r-s, - z, assumem a forma lolalos, las, e os verbos perdem aquelas terminações.

Vou amá-lo por toda a minha vida. (amar + o)
As nossas crianças, amemo-las com intensidade. (amemos + as)
O jogo, fi-lo sozinho. (fiz + o)

3. Os pronomes oblíquos oaosas, quando precedidos de verbos que terminam em –m- ão-õe, assumem a forma nonanos, nas.

Entregaram-no ao professor.
O assunto, dão-no por encerrado.
Abençõem-nos para que partam tranqüilos.

4. Na primeira pessoa do plural (nós), a forma verbal perde o s final quando seguida do pronome oblíquo nos.

queixamos + nos = queixamo-nos
referimos + nos = referimo-nos

5. As formas plurais nós e vós podem ser empregadas para representar uma única pessoa(singular), adquirindo valor cerimonioso ou de modéstia.

Nós – disse o prefeito – procuramos resolver o problema das enchentes. (plural de modéstia)
Vós sois minha salvação, meu Deus! (plural de majestático)

6. Os pronomes de tratamento devem vir precedidos de vossa, quando nos dirigimos à pessoa representada pelo pronome, e por sua, quando nos referimos a essa pessoa.

Vossa Excelência já aprovou os projetos? – perguntou o assessor.
Sua Excelência, o governador, deverá estar presente à inauguração – relatou o repórter.

Na primeira frase, empregou-se Vossa Excelência porque o interlocutor falava com o governador. Na Segunda, o repórter utilizou a forma Sua Excelência porque falava do governador.

7. No português moderno falado no Brasil, você deixou de ser pronome de tratamento e assumiu todas as características e funções de um pronome pessoal de segunda pessoa substituindo o tu e o vós. No entanto, continua fazendo a concordância com o verbo na terceira pessoa.

Você irá ao cinema? (você: segunda pessoa; irá: terceira pessoa)
Vocês irão ao cinema? (vocês: segunda pessoa; irão: terceira pessoa)

8. Sobre as palavras “senhor, senhora, senhorita, dom, dona, madame” (e outros termos que servem de títulos ou que são meramente respeitosos), é importante dizer que há uma polêmica muito grande a respeito do “encaixe” de tais palavras na nomenclatura formas de tratamento ou pronomes de tratamento. Alguns gramáticos dizem que são formas de tratamento, outros dizem que são pronomes de tratamento, ainda há outros que dizem que são meros títulos. A maneira que encontrei de resolver isso foi perguntando a opinião do órgão máximo relativo à língua portuguesa (a ABL) sobre a classificação de tais palavras, que é a seguinte: elas podem ser meros substantivos (Ela é dona de si.) ou formas de tratamento (e não pronomes de tratamento): Dona Carlota Joaquina era polêmica! 

9. Os verdadeiros pronomes de tratamento são os seguintes, com sua abreviatura e seu interlocutor:

Dividimos em 3 grupos:

Nobreza:

Pronome / Abreviatura singular / Abreviatura plural / Usado para se dirigir a
Vossa Alteza / V. A. / VV. AA. / Príncipes, duques e arquiduques
Vossa Majestade / V. M. / VV. MM. / Reis e imperadores

Clero:

Pronome / Abreviatura singular / Abreviatura plural / Usado para se dirigir a
Vossa Santidade / V. S. / - / Papa e Dalai Lama
Vossa Eminência / V. Ema. / V. Emas. / Cardeais
Vossa Excelência Reverendíssima / V. Exa. Revma. / V. Exas. Revmas. / Bispos e arcebispos
Vossa Paternidade / V. P. / VV. PP. / Abades, superiores dos conventos
Vossa Reverendíssima / V. Revma. / V. Revmas. / Sacerdotes e religiosos em geral

Outros casos:

Pronome / Abreviatura singular / Abreviatura plural / Usado para se dirigir a
Vossa Senhoria / V. Sa. / V. Sas. / Funcionários públicos graduados, oficiais até coronel, pessoas de cerimônia, como vereadores, advogados, chefes, secretários, diretores de autarquias, cônsules, presidentes e diretores de empresa e de escola, chefes de seção, profissionais liberais e comerciantes em geral, além de funcionários de igual categoria. Normalmente se usa em textos escritos, como correspondências comerciais, ofícios, requerimentos, etc.
Vossa Excelência / V. Exa. / V. Exas. / Altas autoridades e oficiais-generais, como presidente da República (sempre por extenso), ministros, governadores, prefeitos, embaixadores, secretários, oficiais de patente superior à de coronel, deputados, senadores, conselheiros do Tribunal de Contas da União, presidentes da Câmara dos Vereadores, juízes, desembargadores, ministros de tribunais superiores, auditores da Justiça Militar, membros e presidentes de tribunais, etc.
Vossa Magnificência / V. Maga. / V. Magas. / Reitores de universidades e outras instituições de ensino superior:

2) Pronomes possessivos

Pronomes possessivos são aqueles que se referem às pessoas do discurso, indicando idéia de posse.

Meu chapéu é vermelho
Posso ler teu jornal?

Os pronomes possessivos são os seguintes:


Concordância dos pronomes possessivos:

Os pronomes possessivos concordam em gênero e número com a coisa possuída, e em pessoa com o possuidor.

(Eu) Vendi meus discos.
(Eu) Vendi minha coleção de discos.

(Tu) Releste teus papéis?
(Tu) Releste tua prova?

(Nós) Emprestamos nossos discos.
(Nós) Emprestamos nossa casa.

Quando o pronome possessivo determina mais de um substantivo, ele deverá concordar em gênero e número com o substantivo mais próximo.

Fiquei ouvindo meus discos e fitas.

Emprego dos pronomes possessivos:

1. Em muitos casos, a utilização do possessivo de terceira pessoa (seu e flexões) pode deixar a frase ambígua, ou seja, podemos ter dúvidas quanto o possuidor:

A professora disse ao diretor que concordava com sua nomeação. (nomeação de quem? Da professora ou do diretor?)

Para evitar essa ambiguidade, deve-se, sempre que possível, substituir o pronome seu (e flexões) pela forma dele (e flexões), ou de você, do senhor, da senhora.

A professora disse ao diretor que concordava com a nomeação dela. (da professora)
A professora disse ao diretor que concordava com a nomeação dele. (do diretor)

2. Há casos em que o pronome possessivo não exprime propriamente idéia de posse. Ele pode ser utilizado pra indicar aproximaçãoafetorespeito ou ofensa.

Aquele senhor deve ter seus cinqüenta anos. (aproximação)
Meu caro aluno, procure esforçar-se mais. (afeto)
Minha senhora, permita-me um aparte. (respeito)
Pare de perturbar, seu inútil, você me incomoda! (ofensa)

3. A palavra seu que antecede nomes de pessoas não é pronome possessivo, pois não indica posse, mas alteração fonética do pronome de tratamento senhor.

Seu Humberto, o senhor poderia emprestar-me a furadeira?

4. Antes de nomes que indicam partes do corpo, peças de vestuário ou faculdades do espírito, não se usa o pronome possessivo quando se referem ao próprio sujeito, nesse caso, o uso do artigo já denota posse.
A palavra casa, quando significa lar, moradia, habitação própria, dispensa o possessivo.

Ontem eu torci o pé. (e não o meu pé)
A menina rasgou o vestido. (e não o seu vestido)
Perdemos a confiança. (e não a nossa confiança)
Tu estás em casa? (e não na tua casa)

Porém, quando se deseja dar ênfase à expressão, empregar-se-á o possessivo.

Você não vai dormir na vossa casa.

5. Os pronomes possessivos geralmente vêm antes do substantivo; quando vêm depois deste, mudam de significado a expressão de que fazem parte.

Minhas lembranças da viagem com Beatriz são nítidas. (lembranças que eu sinto)
Beatriz enviou lembranças minhas? (lembranças que Beatriz sente)

Ela viu minha foto. (foto que me pertence)
Ela pediu umas fotos minhas. (eu estou na foto)

Minha raiva passou rapidamente. (raiva que eu sinto)
Patrícia ainda sente raiva minha? (raiva que Patrícia sente)

3) Pronomes demonstrativos

Pronomes demonstrativos são aqueles que indicam a posição de um ser em relação às pessoas do discurso, situando-o no espaço, no tempo ou no próprio texto, no discurso.
Dependendo do contexto, também podem funcionar como pronomes demonstrativos as seguintes palavras: oaosas, mesmoprópriosemelhante, tal.

Falaram tudo o que queriam.
As atletas convocadas não eram as que estavam em melhor forma.

Tal é pronome demonstrativo quando equivale a esteesseisso (e respectivas flexões):

Não havia motivos reais para tal comportamento.
Jamais consegui compreender tais decisões.

Semelhante é pronome demonstrativo quando equivale a este, essetal (e respectivas
reflexões).

Não diga semelhante asneira!

Mesmo e Próprio são demonstrativos de reforço. Estarão sempre se referindo a um substantivo ou pronome com o qual deverão concordar:

Ele mesmo preparou o jantar.
Ela própria autorizou a viagem do filho.
Fizeram as mesmas reclamações ao síndico.
Não se deve fazer justiça pelas próprias mãos.

Os pronomes demonstrativos, com exceção de mesmo, própriosemelhante e tal, podem aparecer unidos a preposições.

deste, desta, disto (= de + este, esta, isto)
nesse, nessa, nisso (= em + esse, essa, isso)
daquele, daquela, daquilo (= de + aquele, aquela, aquilo)
naquele, naquela, naquilo (= em + aquele, aquela, aquilo)
àquele, àquela, àquilo (= a + aquele, aquela, aquilo)

Emprego dos pronomes demonstrativos:

1. Os pronomes demonstrativos podem ser utilizados para indicar a posição espacial de um ser em relação às pessoas do discurso.

Os demonstrativos de primeira pessoa (este e flexões, isto) indicam que o ser está próximo à pessoa que fala:

Esta menina que está aqui ao meu lado se chama Lúcia.
Este livro que trago comigo é um romance.
Isto que eu tenho nas mãos é uma chave.

Os demonstrativos de segunda pessoa (esse e flexões, isso) indicam que o ser está próximo à
pessoa com quem se fala.

Essa menina que está aí ao teu lado se chama Lúcia.
Esse livro que tu trazes contigo é um romance.
Isso que você tem nas mãos é uma chave.

Os demonstrativos de terceira pessoa (aquele e flexões, aquilo) indicam que o ser está próximo à pessoa de quem se fala, ou distante dos interlocutores.

Aquela menina que estuda na outra sala se chama Lúcia.
Aquele livro que está lá na biblioteca é um romance.
Aquilo que está ali nas mãos de Pedro é uma chave.

2. os demonstrativos servem para indicar a posição temporal, revelando proximidade ou distanciamento no tempo, em relação à pessoa que fala.

O demonstrativo de primeira pessoa este (e flexões) revela tempo presente, ou bastante
próximo do momento em que se fala:

Hoje é feriado, por isso desejo aproveitar este dia.
Desejo viajar ainda nesta semana.

O demonstrativo de segunda pessoa esse (e flexões) revela tempo passado relativamente
próximo ao momento em que se fala, mas pode-se usar também no futuro:

Na quarta-feira passada fiz aniversário; nesse dia reuni-me com os amigos.
No mês passado completei dezoito anos; nesse mesmo mês tirei a carteira de habilitação.
Em 2040, o Brasil terá vários habitantes; nesse ano, teremos mais riquezas...

O demonstrativo de terceira pessoa aquele (e flexões) revela tempo remoto ou bastante vago:

Em 1970, a seleção brasileira de futebol era imbatível. Resultado: naquele ano o Brasil se
sagrou tricampeão mundial.
Em 1922 realizou-se a semana da Arte Moderna em São Paulo; naquela época, muitas
pessoas criticaram as propostas modernistas.

3. Os pronomes demonstrativos podem indicar o que ainda vai ser dito e aquilo que já foi dito.

Quando se redige um texto:

Devemos empregar este (e flexões) e isto quando queremos indicar catáfora, ou seja, fazer referência a alguma coisa que ainda vai ser dita:

Espero sinceramente isto: que sejam chamados os melhores.
Estas são as qualidades de um bom texto: clareza, correção, elegância e concisão.

Devemos empregar esse (e flexões) e isso quando queremos indicar anáfora, ou seja, fazer referência alguma coisa que já foi dita:

Que sejam chamados os melhores; é isso que espero.
Clareza, correção, elegância e concisãoessas são as qualidades de um bom texto.

Em um período ou parágrafo:

Emprega-se este em oposição a aquele quando se quer fazer referência a elementos já
mencionados. Este se refere ao mais próximo; aquele, ao mais distante.

Matemática e Literatura são matérias que me agradam: esta me desenvolve a sensibilidade;
aquela, o raciocínio.

Apesar de alguns concursos aceitarem o uso de ''este, esse e aquele'' para retomar o primeiro elemento, o elemento intermediário e o último elemento, não há registro em nenhum gramático. Recomenda-se o uso de numerais: o primeiro, o segundo, o terceiro.

4) Pronomes relativos

Pronomes relativos são aqueles que retomam um termo anterior (antecedente) da oração, projetando-o numa outra oração.

Não conhecemos os alunos. Os alunos saíram.
Não conhecemos os alunos que saíram.

Observe: o pronome relativo que retoma o termo antecedente (os alunos), projetando-o na
oração seguinte.

Os pronomes relativos são os seguintes:


Emprego dos pronomes relativos:

1. Os pronomes relativos virão precedidos de preposição se a regência assim determinar.

Este é o autor a cuja obra me refiro. (me refiro a)
Este é o autor de cuja obra gosto. (gosto de)
São opiniões em que penso. (penso em)

2. O pronome relativo quem é empregado com referência a pessoas e é precedido de preposição:

Não conheço a menina de quem você falou.
Este é o rapaz a quem você se referiu.

3. É comum empregar o relativo quem sem antecedente claro. Nesse caso, ele é classificado como relativo indefinido e não é antecedido de preposição:

Quem cala consente. (= Aquele que cala, consente)

4. O pronome relativo que pode ser empregado com referência a pessoas ou coisas:

Não conheço o rapaz que saiu. (pessoa)
Não li o livro que você me indicou. (coisa)

5. Quando precedido de preposição monossilábica, emprega-se o pronome relativo que. Com preposições de mais de uma sílaba, ou após sem e sob, usa-se o relativo o qual (e flexões).

Esta é a pessoa de que lhe falei.
Esta é a pessoa sobre a qual lhe falei.
Aquela é a ferramenta com que trabalho.
Aquele é o empreiteiro para o qual trabalho.

6. O pronome relativo que pode ter por antecedente o pronome demonstrativo (e flexões).

Cesse tudo o que a Musa antiga canta...” (Camões)
Sei o que estou dizendo.
Calou o que sentia.

Nesses casos o pronome o equivale a aquilo.

7. O pronome relativo cujo (e flexões) é relativo possessivo, equivalendo a do qual (e flexões). Deve concordar com a coisa possuída, não com o possuidor:

Esta é a pessoa em cuja casa me hospedei. (casa da pessoa)
Esta é a cidade cujas praias são lindas. (praias da cidade)
Feliz o pai cujos filhos são ajuizados. (filhos do pai)

8. O pronome relativo quanto (e flexões) normalmente tem por antecedentes os pronomes indefinidos tudotantos, tantas, todos, todas etc.; daí seu valor indefinido.

Falou tudo quanto queria.
Coloque tantas quantas forem necessárias.

Também pode ser empregado sem antecedente. Esse emprego é comum em certos documentos jurídicos:

Saiba quantos lerem esta escritura...

9. O relativo onde é usado para indicar lugar e equivale a em que, no qual.

Esta é a casa onde moro.
Não conheço o lugar onde você está

Onde é empregado com verbos que não dão idéia de movimento. Pode ser usado sem
antecedente.

Sempre morei na cidade onde nasci.
Fique onde está.

Aonde é empregado com verbos que dão idéia de movimento e equivale a para onde, sendo resultado da combinação da preposição a + onde.

Não conheço o lugar aonde você irá.
Voltei àquele lugar aonde meu pai costumava me levar quando criança.

10. Segundo a gramática normativa, onde só pode ser usado para indicar lugar (físico ou virtual). Quando não houver essa indicação, usa-se em que, no qual (e suas flexões) e nos casos da ideia de causa/efeito ou de conclusão, portanto.

O ministro divulgou a entrevista onde foi anunciado o corte de custos. (errado)
O ministro divulgou a entrevista na qual/em que foi anunciado o corte de custos. (correto)

O Brasil enfrenta muitos problemas, os impactos são muito frequentes, onde a sociedade deve se conscientizar. (errado)
O Brasil enfrenta muitos problemas, os impactos são muito frequentes, portanto/por isso a sociedade deve se conscientizar. (correto)

5) Pronomes indefinidos

Pronomes indefinidos são aqueles que se referem à terceira pessoa do discurso de modo
vago e impreciso.

Alguém me contou a verdade.
Algo me diz que não é este o caminho.

Os principais pronomes indefinidos são os seguintes:


Os pronomes indefinidos também podem aparecer sob forma de locução pronominal: cada qualquem quer quequalquer um.

Emprego dos pronomes indefinidos:

1. O indefinido algum, quando posposto ao nome, assume valor negativo, equivalendo a nenhum. Na linguagem popular, pode significar dinheiro.

Motivo algum me fará desistir do cargo.
Livro algum faz referência a este episódio.
Você tem algum para pagar a conta e comprar o que preciso?

2. O pronome indefinido cada não deve ser utilizado desacompanhado de substantivo ou numeral, pois não é pronome substantivo, mas sim pronome adjetivo:

Recebemos cem reais cada um.

3. Certo é pronome indefinido quando anteposto ao nome a que se refere. Quando posposto, será adjetivo:

Não entendi certos exercícios. (pronome indefinido)
Os exercícios certos valerão nota. (adjetivo, com sentido de “corretos, exatos”)

4. Todo, toda (singular), quando desacompanhados de artigo, significam qualquer.

Todo homem é mortal. (qualquer homem)

Quando acompanhados de artigo, passam a dar a idéia de totalidade.

Ele comeu todo o bolo. (o bolo inteiro)

No plural, todostodas sempre virão seguidos de artigo, exceto se houver pronome ou numeral não seguido de substantivo. Se o numeral substantivo se transformar em um numeral adjetivo, usar-se-á o artigo:

Todos os alunos compareceram.
Todos estes alunos compareceram.
Todos cinco compareceram. (Mas: Todos os cinco alunos compareceram.)

5. Qualquer tem por plural quaisquer.

Acabaram acolhendo quaisquer soluções.

A palavra qualquer, quando posposta ao substantivo, assume valor pejorativo:

Era um malandrinho qualquer.

6) Pronomes interrogativos

São aqueles usados para formular alguma pergunta, de forma direta ou indireta.

Que impacto a rejeição do público causou em você? (interrogativa direta)
Gostaria muito de saber quem fez isso. (interrogativa indireta)

Isso é uma indireta? Precisamente uma interrogativa indireta.

Por suas características, os pronomes interrogativos assemelham-se aos pronomes indefinidos.

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