16 de julho de 2019

Julio Battisti - Substantivo: Parte 2

SUBSTANTIVO

No tutorial anterior vimos que o substantivo sofre flexões para indicar o gênero (masculino ou feminino), número (singular ou plural) e grau (diminutivo ou aumentativo) das palavras.
Vimos apenas o substantivo sendo flexionado em gênero, ou seja, indicando se a palavra é masculina ou feminina. Nesse tutorial veremos o substantivo sendo flexionado em número e grau.

NÚMERO DO SUBSTANTIVO

O substantivo quando indicar apenas um ser significa que ele está no singular. Caso apresente dois ou mais seres, significa que ele está no plural.
Exemplo:
A bola » singular    As bolas » plural
Observação: o substantivo coletivo indica vários seres da mesma espécie, também pode aparecer no singular ou no plural.
Exemplo:
A esquadrilha fez um belo espetáculo. (a esquadrilha » singular)
As esquadrilhas fizeram um belo espetáculo. (as esquadrilhas » plural)

FORMAÇÃO DO PLURAL

PLURAL DOS SUBSTANTIVOS SIMPLES

Em geral o plural dos substantivos é feito com o acréscimo do S.
Exemplo:
Casa      casas      cadeira      cadeiras

Seguem essa regra os seguintes substantivos:
- substantivos terminados em vogal:
copo      copos
caderno      cadernos
garfo      garfos
- substantivos terminados em ditongo oral:
domínio      domínios
pai      pais
lírio      lírios
- substantivos terminados em N:
exemplo:
íon      íons
hífen      hífens
próton      prótons
Existem substantivos que fazem o plural de outra forma, ou seja, não seguem a regra anterior. Vejamos:
- substantivos terminados em R ou Z:
acrescenta-se ES no final.
Cor      cores      talher      talheres
Voz      vozes      cruz      cruzes
- substantivos terminados em AL, EL, OL, UL:
troca-se o L por IS.
Exemplo:

Pombal      pombais
Anzol      anzóis
Paul      pauis

Exceções: mal      males      cônsul      cônsules
- substantivos terminados em IL:
o plural é feito de duas formas:
Oxítonas troca-se o IL por IS: fuzil, fuzis
Paroxítonas troca-se o IL por EIS: réptil, répteis.
- substantivos terminados em M:
troca-se o M por NS.
Exemplo:
Bombom      bombons
Item      itens
- substantivos terminados em S:
se forem monossílabos e oxítonos acrescenta-se ES.
Exemplo:
Gás      gases      país      países      português      portugueses
Se forem paroxítonas e proparoxítonas são invariáveis.
Exemplo:
O ônibus      os ônibus      o vírus      os vírus      o pires      os pires
- substantivos terminados em X:
ficam invariáveis.
Exemplo:
Tórax      xerox      ônix
- substantivos terminados em ÃO:
há três formas de plural:
I - acrescenta-se S.
Exemplo:
Mão      mãos      grão      grãos      anão      anãos
II – troca-se o ÃO por ÕES.
Exemplo:
Anão      anões      vulcão      vulcões      espião      espiões
III – troca-se ÃO por ÃES.
Exemplo:
Pão      pães      cão      cães      alemão      alemães
Alguns substantivos terminados em ÃO não encontraram um plural definitivo, por isso têm mais de uma forma para fazê-lo, por razões históricas. Vejamos alguns exemplos:
Ermitão      ermitões      ermitãos      ermitães
Vilão      vilões      vilãos      vilães
Sultão      sultões      sultãos      sultães
Verão      verões      verãos

PLURAL DOS SUBSTANTIVOS COMPOSTOS

Os substantivos compostos, não separados por hífen, fazem o plural como um substantivo simples, acrescentando-se S.

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Duração: 44:00 | Autor: Manoel Jailton

Exemplo:
Pernilongo      pernilongos
Pontapé      pontapés
Os substantivos separados por hífen seguem as seguintes normas:
I – os dois elementos irão para o plural, quando houver:
Substantivo + substantivo
Exemplo:
Couve-flor      couves-flores
Abelha-mestra      abelhas-mestras
Substantivo + adjetivo
Exemplo:
Cajá-mirim      cajás-mirins
Guarda-civil      guardas-civis
Adjetivo + substantivo
Exemplo:
Curta-metragem      curtas-metragens
Má-língua      más-línguas
Numeral + substantivo
Terça-feira      terças-feiras
quarta-feira      quartas-feiras
Substantivo + pronome
Pai-nosso      pais-nossos
João-ninguém     joões-ninguéns ou joões-ninguém
II – varia apenas o primeiro elemento, quando houver:
- Elementos ligados por preposição.
Exemplo:
Pé-de-moleque      pés-de-moleque
Pão-de-ló      pães-de-ló
- segundo elemento limita ou determina o primeiro (segundo alguns dicionários, também podem variar ambos os elementos).
Exemplo:
Fruta-pão      frutas-pão ou frutas-pães
Caneta-tinteiro      canetas-tinteiro ou canetas-tinteiros
III – varia apenas o segundo elemento, quando houver:
- verbo + substantivo
exemplo:
guarda-roupa      guarda-roupas
beija-flor      beija-flores
- elemento invariável (prefixo, preposição, advérbio ou interjeição) + palavra variável
exemplo:
autosserviço      autosserviços
alto-falante      alto-falantes
contra-ataque      contra-ataques
ave-maria          ave-marias
- palavras repetidas ou onomatopaicas.
Exemplo:
Teco-teco      teco-tecos      tique-taque      tique-taques
- substantivo constituído de formas reduzidas, tais como: grão, grã e bel.
Grão-mestre      grão-mestres
Grã-cruz      grã-cruzes
Bel-prazer    bel-prazeres
IV – os dois elementos permanecem invariáveis.
Verbo + palavra invariável.
Exemplo:
Os bota-fora      os ganha-pouco
- verbos com sentidos opostos.
Exemplo:
Os perde-ganha      os leva-e-traz

PLURAL COM MUDANÇAS DE TIMBRE

Chama-se plural metafônico a mudança de timbre da vogal tônica O (o fechado » o aberto) que ocorre em certos substantivos. No singular pronunciamos Ô, quando a palavra vai para o plural a pronúncia muda para Ó.
Exemplo:
Jogo (ô)      jogos (ó)      ovo (ô)      ovos (ó)
Porto (ô)      portos (ó)      corpo (ô)      corpos (ó)
Não mudam o timbre: almoços, bolos, globos, repolhos, gostos, esgotos, etc.

GRAU DO SUBSTANTIVOS

Grau é a propriedade que o substantivo tem de exprimir as variações de tamanho dos seres.
NORMALAUMENTATIVODIMINUTIVO
GatoGatãoGatinho
LivroLivrãoLivrinho
Aumentativo » é quando o tamanho do ser aumenta.
Diminutivo » é quando o tamanho do ser diminui.

FORMAÇÃO DO GRAU

A formação do grau do substantivo é feito de duas formas:
                           Analítico                                             Analítico
AUMENTATIVO <                                    DIMINUTIVO <
                           Sintético                                            Sintético

AUMENTATIVO

Analítico » é feito com o auxílio de palavras que dão idéia de ampliação de tamanho.
Exemplo:
Buraco enorme      planície imensa
Sintético » é feito como o auxílio de sufixos.
Exemplo:
Buracão      fogaréu
Abaixo alguns sufixos com sentido aumentativo.
ÃO – casarão
AÇA- barcaça
AÇO – corpaço
ONA – mulherona
ÁZIO – copázio

GRAU DIMINUTIVO

Analítico » é formado com o auxílio de palavras que dão idéia de diminuição.
Exemplo:
Casa pequena      chip minúsculo
Sintético » é feito com o auxílio de sufixos.
Exemplo:
Menininho      riacho      folheto
Abaixo alguns sufixos com sentido diminutivo.
INHO – pratinho, patinho.
CULO – partícula.
EJO – lugarejo.
OTA – ilhota.
OTE – velhote, meninote.
ULO – fórmula, célula.

Atenção! Em alguns casos usam-se substantivos no aumentativo ou diminutivo sintético não para indicar aumento ou diminuição de tamanho, mas sim uma carga afetiva ou pejorativa, como em paizinho, amigão, gentalha ou filminho, indicando carinho, ironia, admiração ou desprezo. A flexão de grau é mais nítida quando se faz uso do processo analítico.

Em outros casos, o aumentativo e o diminutivo são formados por prefixos, como em supermercado ou minidicionário.

Julio Battisti - Substantivo: Classificação e formação

SUBSTANTIVO

Colômbia, bola, medo, trovão, paixão, etc. Essas palavras estão dando nome a lugar, objeto, sensação física, fenômenos da natureza, emoções, enfim as coisas em geral. Esses nomes são chamados SUBSTANTIVOS.
Assim, podemos dizer que substantivo é a palavra que dá nome aos seres. Eles podem ser classificados da seguinte forma:
Concreto;
Abstrato;
Comuns;
Próprios.

CLASSIFICAÇÃO DO SUBSTANTIVO

CONCRETO

É aquele que indica a existência de seres reais ou imaginários.
Exemplos:
Reais    imaginários
Brasil     bruxa
Recife    curupira

ABSTRATO

É aquele que indica sentimentos, qualidades, ações, estados e sensações.
Exemplo:
Sentimento: amor, ódio, paixão;
Qualidade: honestidade, fidelidade, perfeccionismo;
Ações: trabalho, doação;
Estado: vida, solidão, morte;
Sensação: calor, frio.

COMUNS

É aquele que indica elementos de uma mesma espécie.
Exemplo:
Criança, cidade, livro.

PRÓPRIO

É aquele que indica um ser em particular.
Exemplo:
Roberto, Pernambuco, Capibaribe, Brasil.
Os nomes próprios são utilizados principalmente em:
Rios: Capibaribe, Amazonas;
Cidades: Recife, Porto Alegre;
Estados: Pernambuco, Rio Grande do Sul;
Países: Brasil, Austrália;
Pessoas: Rubem, Antônio;
Empresas: Intel, Oracle;
Programas de televisão: Esporte Espetacular, Auto Esporte;
Filmes: As Coisas Impossíveis do Amor, Skyline - A Invasão;
Novelas: Fina Estampa, Amor Eterno Amor.
Ou até mesmo uma simples informação.

Observação: o substantivo coletivo é um substantivo comum que, mesmo no singular indica um agrupamento, multiplicidade de seres de uma mesma espécie.
Constelação » estrelas;
Cáfila » camelos.
Vejamos alguns substantivos coletivos:
Alcateia » lobos;
Arquipélago » ilhas;
Banca » examinadores, advogados;
Boiada » bois;
Cacho » bananas, uvas;
Década » período de dez anos;
Discoteca » discos;
Enxame » abelhas de uma colmeia, insetos;
Esquadrilha » aviões;
Fauna » animais de uma região;
Frota » carros, ônibus;
Lustro » período de cinco anos;
Manada » bois, porcos;
Pinacoteca » quadros;
Quadrilha » ladrões;
Rebanho » gado, ovelhas;
Resma » quinhentas folhas de papel;
Século » período de cem anos;
Triênio » período de três anos;
Vocabulário » palavras.

FORMAÇÃO DO SUBSTANTIVO

Quanto à formação o substantivo pode ser:
Primitivo;

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Derivado;
Simples;
Composto.

PRIMITIVO

Dá origem a outras palavras.
Exemplo:
Pedra, ferro, vidro.

DERIVADO

É originado através de outra palavra.
Exemplo:
Pedreira, ferreiro, vidraçaria.

SIMPLES

Apresenta apenas um radical na sua formação.
Exemplo:
Vidro, pedra.

COMPOSTO

Apresenta dois ou mais radicais na sua formação.
Exemplo:
Pernilongo, couve-flor.

FLEXÃO DO SUBSTANTIVO

Por ser uma palavra variável o substantivo sofre flexões para indicar:
Gênero: masculino ou feminino;
Número: singular ou plural;
Grau: aumentativo ou diminutivo.

GÊNERO DO SUBSTANTIVO

Na língua portuguesa há dois gêneros: masculino e feminino. Será masculino o substantivo que admitir o artigo o e feminino aquele que admitir o artigo a.
Exemplo:
O avião o calçado o leão
A menina a camisa a cadeira

SUBSTANTIVO BIFORME

Na indicação de nomes de seres vivos o gênero da palavra está ligado, geralmente, ao sexo do ser, havendo, portanto, uma forma para o masculino e outra para o feminino.
Exemplo:
Garoto – substantivo masculino indicando pessoa do sexo masculino;
Garota – substantivo feminino indicando pessoa do sexo feminino.

FORMAÇÃO DO FEMININO

O feminino pode ser formado das seguintes formas:
- trocando a terminação o por a:
exemplo:
moço moça
menino menina
- trocando a terminação e por a:
exemplo:
gigante giganta
mestre mestra
- acrescentando a letra a:
exemplo:
português portuguesa
cantor cantora
- mudando-se ao final para ãaoona:
exemplo:
catalão catalã
valentão valentona
leão leoa
- com esaessaisainatriz:
exemplo:
conde condessa
príncipe princesa
poeta poetisa
czar czarina
ator atriz
por palavras diferentes:
exemplo:
cavaleiro amazona
padre madre
homem mulher

SUBSTANTIVOS UNIFORMES

Há substantivos que possuem uma só forma para indicar tanto o masculino quanto o feminino. Podemos classificá-los em:
EPICENOS
SOBRECOMUNS
COMUNS DE DOIS GÊNEROS

EPICENOS

São substantivos que designam alguns animais e têm um só gênero. Para indicar o sexo são utilizadas as palavras macho ou fêmea.
Exemplo:
Cobra macho cobra fêmea
Peixe macho peixe fêmea
Jacaré macho jacaré fêmea

Ninguém usa isso para chamar um amigo dizendo o José macho e o José fêmea.

SOBRECOMUNS

São substantivos que designam pessoas e tem um só gênero tanto para o masculino como para o feminino.
Exemplo:
A criança – masculino ou feminino
O indivíduo – masculino ou feminino
A vítima – masculino ou feminino

COMUNS DE DOIS GÊNEROS

São substantivos que apresentam uma só forma para o masculino e para o feminino. A distinção se dá através do artigo, adjetivo, pronome ou numeral.
Exemplo:
O motorista - a motorista
Meu colega - minha colega
Bom estudante - boa estudante
Dois clientes - duas clientes

Julio Battisti - Colocação pronominal

COLOCAÇÃO PRONOMINAL

Em relação ao verbo os pronomes oblíquos átonos (me, nos, te, vos, o, a, os, as, lhe, lhes, se) podem aparecer em três posições distintas:
Antes do verbo – PRÓCLISE;
No meio do verbo – MESÓCLISE;
Depois do verbo – ÊNCLISE.

PRÓCLISE

Esse tipo de colocação pronominal é utilizada quando há palavras que atraiam o pronome para antes do verbo. Tais palavras são:
- Advérbio ou palavra negativa (não seguido de vírgula)
Exemplo:
Não me arrependo de nada.
Hoje lhe contaram vários segredos.
Observação: Se houver vírgula depois do advérbio, ocorrerá a ênclise.
Hoje, contaram-lhe vários segredos.
- Pronomes
Relativos
Exemplo:
Saio com pessoas que me agradam.
Indefinidos
Exemplo:
Ninguém me deu apoio.
Demonstrativo
Exemplo:
Isso me deixou irritado.
Aquilo me  arrepios.
Conjunções subordinativas
Exemplo:
Embora me interesse pelo carro, não posso comprá-lo.
Frases interrogativas
Exemplo:
Como se faz isso?
Quem lhe deu o caderno?
Frases exclamativas
Exemplo:
Isso me deixou feliz!
Frases optativas
Exemplo:
Deus o ilumine.
Existem casos que se pode utilizar tanto a próclise como a ênclise:
- Pronomes pessoais do caso reto. Se houver palavra atrativa, usa-se a próclise.
Exemplos:
Ele lhe entregou a carta. / Ele não lhe entregou a carta.
Ele entregou-lhe a carta. 
- Com infinitivo não flexionado precedido de palavra negativa ou preposição.
Exemplo:
Vim para te ajudar. / Espero não te incomodar.
Vim para ajudar-te. / Espero não incomodar-te.

Atenção! Se a preposição for a e o pronome for o (e flexões), não há saída: ocorrerá somente a ênclise: Voltou a conhecê-los na última semana.

MESÓCLISE

Essa colocação pronominal é usada apenas com verbos no futuro do presente ou futuro do pretérito, desde que não haja uma palavra que exija a próclise.
É uma colocação estritamente literária, poética, musical, religiosa, litúrgica, bíblica, jurídica e científica, não ocorrendo na fala espontânea, a menos que seja intencional. Geralmente substituída por uma locução verbal formada pelo verbo auxiliar ir.

Contar-te-ei um grande segredo. (futuro do presente)
Jamais te contarei um grande segredo.
Palavra atrativa
Observação: nunca ocorrerá a ênclise quando a oração estiver no futuro do presente ou no futuro do pretérito do indicativo, no particípio ou no futuro do subjuntivo.

ÊNCLISE

Sempre ocorre ênclise nos casos abaixo:
- A oração é iniciada por verbo, desde que não esteja no futuro.
Exemplo:
Informei-o sobre o resultado do vestibular.
Esperava-se mais desse computador.
- Com o verbo no imperativo afirmativo.
Exemplo:
Levanta-te.
- Orações reduzidas de infinitivo.
Exemplo:
Espero contar-lhe tudo.

ALTERAÇÕES SOFRIDAS PELOS PRONOMES O, A, OS, AS QUANDO COLOCADOS EM ÊNCLISE

Dependendo da terminação verbal os pronomes O, A, OS, AS, podem sofrer alterações em sua forma. Veja:
- Quando o verbo terminar em vogal ou ditongo oral, os pronomes não sofrem alterações.
Exemplo:
Ouvindo-o
Partindo-o
- Se o verbo terminar em R, Z ou S (consoantes de RaZõeS), perde essas consoantes e os pronomes assumem a forma LO, LA, LOS, LAS.
Exemplo:
Compôs » compô-lo.
Perder » perde-lo.
- Se o verbo terminar em som nasal (am, em, -ão), os pronomes assumem a forma NO, NA, NOS, NAS.
Exemplo:
Praticam » praticam-nas.
Dispõe » dispõe-nos.

COLOCAÇÃO PRONOMINAL NAS LOCUÇÕES VERBAIS E TEMPOS COMPOSTOS

Podem ocorrer as seguintes colocações pronominais:
1 – VERBO AUXILIAR + INFINITIVO OU GERÚNDIO
- depois do verbo auxiliar, se não houver justificativa para o uso da próclise.
Exemplo:
Devo-lhe entregar a carta.
Vou-me arrastando pelos becos escuros.
- depois do infinitivo ou gerúndio.
Exemplo:
Devo entregar-lhe a carta.
Vou arrastando-me­ pelos becos escuros.
Se houver alguma palavra que justifique a próclise, o pronome poderá ser colocado:
Antes do verbo auxiliar;

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Duração: 44:00 | Autor: Manoel Jailton

Depois do infinitivo ou gerúndio.
- antes do verbo auxiliar
Exemplo:
Não se deve jogar comida fora.
Não me vou arrastando pelos becos escuros.
- depois do infinitivo ou gerúndio.
Exemplo:
Não devo calar-me.
Não vou arrastando-me pelos becos escuros.

VERBO AUXILIAR + PARTICÍPIO

Se não houver palavras que justifique o uso da próclise, o pronome ficará depois do verbo auxiliar. Caso a locução verbal não inicie a oração, pode-se colocar o pronome oblíquo em duas posições: antes do verbo auxiliar ou entre os dois verbos. Não se coloca o pronome oblíquo após o particípio.
Exemplo:
Haviam-me ofertado um alto cargo executivo.
Não me haviam ofertado nada de bom.

Julio Battisti - Pontuação

PONTUAÇÃO

Os sinais de pontuação são recursos variados e representam as pausas e entonações da fala. A pontuação dá à escrita maior clareza e simplicidade.
A seguir veremos os principais empregos de alguns sinais de pontuação.

PONTO FINAL

É utilizado na finalização de frases declarativas ou imperativas.
Exemplo:
Lembrei-me de um caso antigo.
Vamos animar a festa.
O ponto final também é utilizado em abreviaturas.
Exemplo:
Sr. (senhor), Sra. (senhora), Srta. (senhorita), pág. (página).

PONTO DE INTERROGAÇÃO (?)

É utilizado no fim de uma palavra, oração ou frase, indicando uma pergunta direta.
Exemplo:
Quem é você?
Por que ninguém ligou?
Não deve ser usado nas perguntas indiretas, mas sim o ponto final.
Exemplo:
Perguntei a você quem estava no quarto.

PONTO DE EXCLAMAÇÃO (!)

É usado no final de frases exclamativas, optativas ou imperativas, depois de interjeições ou locuções interjetivas.
Exemplo:
Ah! Deixa isso aqui.
Nossa! Isso é demais!

VÍRGULA

A vírgula é usada nos seguintes casos:
- para separar o nome de localidades das datas.
Recife, 28 de junho de 2005.
- para separar vocativo.
Exemplo:
Meu filho, venha tomar seus remédios.
- para separar aposto explicativo ou comparativo, exceto o aposto especificativo.
Exemplo:
Brasil, país do futebol, é um grande centro de formação de jogadores.
- para separar expressões explicativas ou retificadoras, tais como: isto é, aliás, além, por exemplo, além disso, então, ou melhor, ou antes, a saber, digo, com efeito, por assim dizer, na verdade, etc.
Exemplo:
O nosso sistema precisa de proteção, isto é, de um bom antivírus.
Além disso, precisamos de um bom firewall.
- para separar orações coordenadas assindéticas.
Exemplo:
Ela ganhou um carro, mas não sabe dirigir.
- para separar orações coordenadas sindéticas, desde que não sejam iniciadas por e, ou e nem.
Exemplo:
Cobram muitos impostos, poucas obras são feitas.
- para separar orações adjetivas explicativas.
Exemplo:
A Amazônia, que é o pulmão mundial, está sendo devastada.
- para separar o adjunto adverbial deslocado, anteposto ou intercalado.
Exemplo:
Com a pá, retirou a sujeira.
Retirou, com a pá, a sujeira.

PONTO E VÍRGULA

O ponto e vírgula indica uma pausa mais longa que a vírgula, porém mais breve que o ponto final.
Emprega-se o ponto e vírgula nos seguintes casos:
- para itens de uma enumeração.
Exemplo:
As vozes do verbo são:
  1. voz ativa;
  2. voz passiva;
  3. voz reflexiva.
- para aumentar a pausa antes das conjunções adversativas – mas, porém, contudo, todavia – e substituir a vírgula.
Exemplo:
Deveria entregar o documento hoje; porém só o entregarei amanhã à noite.

DOIS PONTOS

Os dois pontos são empregados nos seguintes casos:
- para iniciar uma enumeração.
Exemplo:
O computador tem a seguinte configuração:
- memória RAM 256 MB;
- HD 40 GB;
- fax-modem;
- placa de rede;

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Duração: 44:00 | Autor: Manoel Jailton

- som.
- antes de uma citação.
Exemplo:
Já diz o ditado: tal pai, tal filho.
Como já diz a música: o poeta não morreu.
- para iniciar a fala de uma pessoa, personagem.
Exemplo:
O repórter disse: - Nossa reportagem volta à cena do crime.
- para indicar esclarecimento, um resultado ou resumo do que já foi dito.
Exemplo:
O Ministério de Saúde adverte: fumar é prejudicial à saúde.
Nota de esclarecimento:
Nossa empresa não envia e-mail a seus clientes. Quaisquer informações devem ser tratadas em nosso escritório.

RETICÊNCIAS

Indicam uma interrupção ou suspensão na seqüência normal da frase. São usadas nos seguintes casos:
- para indicar suspensão ou interrupção do pensamento.
Exemplo:
Estava digitando quando...
Guiava tranquilamente quando passei pela cidade e...
- para indicar hesitações comuns na língua falada.
Exemplo:
Não vou ficar aqui por que... por que... não quero problemas.
- para indicar movimento ou continuação de um fato.
Exemplo:
E a bola foi entrando...
- para indicar dúvida ou surpresa na fala da pessoa.
Exemplo:
Rodrigo! Você... passou no vestibular!
Antônio... você vai viajar?

ASPAS

São usados nos seguintes casos:
- na representação de nomes de livros e legendas.
Exemplo:
Já li “O Ateneu” de Raul Pompéia.
“Os Lusíadas” de Camões tem grande importância literária.
- nas citações ou transcrições.
Exemplo:
“Tudo começou com um telefonema da empresa, convidando-me para trabalhar lá na sede. Já havia mandado um currículo antes, mas eles nunca entraram em contato comigo. Quando as seleções recomeçaram mandei um currículo novamente”, revelou Cleber.
- destacar palavras que representem estrangeirismo, vulgarismo, ironia.
Exemplo
Que “belo” exemplo você deu.
Vamos assistir a “show” de mágica.

PARÊNTESES

São usados nos seguintes casos:
- na separação de qualquer indicação de ordem explicativa.
Exemplo:
Predicado verbo-nominal é aquele que tem dois núcleos: o verbo (núcleo verbal) e o predicativo (núcleo nominal).
- na separação de um comentário ou reflexão.
Exemplo:
Os escândalos estão se proliferando (a imagem política do Brasil está manchada) por todo o país.
- para separar indicações bibliográficas.
Pra que partiu?
Estou sentado sobre a minha mala
No velho bergantim desmantelado...
Quanto tempo, meu Deus, malbaratado
Em tanta inútil, misteriosa escala!
(Mario Quintana, A Rua dos Cata-Ventos, Porto Alegre, 1972).

Nota: Os colchetes têm emprego semelhante ao dos parênteses, e também são chamados de parênteses retos. Seu uso se restringe a textos de cunho didático, filológico, científico, linguístico. São uma variedade de parênteses, mas de uso restrito.

Seu uso mais largo se configura na matemática, quando os colchetes precedem os parênteses em uma equação.

Julio Battisti - Regência

Regência

A sintaxe de regência estuda as relações entre um nome ou um verbo e seus complementos. Há dois tipos de regência:
Regência nominal;
Regência verbal.

Regência nominal

Estuda as relações em que os nomes – substantivos, adjetivos e advérbios – exigem complemento para completar-lhes o sentido. Geralmente, essa relação entre o nome e seus complementos é estabelecida pela presença de preposição.
Exemplo:
Ele tem aversão à altura.
                TR         Tr
Ficamos contentes por você.
                  TR             Tr
Os alunos votaram favoravelmente ao projeto.
                    TR                         Tr
Observação: Há nomes que admitem mais de uma preposição.
Exemplo:
Tenha amor a seus filhos.
Renato não morria de amor por Paula.
A seguir veremos a relação de alguns nomes e as suas preposições mais usuais:
Acostumado com, a.Alheio a.
Ansioso para, por.Apto a, para.
Contente com, por, de, em.Falta a, com, para com.
Inofensivo a, para.Preferível a, para.
Próximo a, de.Situado a, em, entre.

REGÊNCIA VERBAL

É o modo pelo qual o verbo se relaciona com os seus complementos.
Exemplo:
Todos criticaram a professora.
               TR                Tr
Há verbos que admitem mais de uma regência:
Ela não esquecia as flores recebidas.
Ela não se esquecia das flores recebidas.
A seguir veremos a regência de alguns verbos:

ABDICAR

Pode significar renunciar, desistir. Pode ser um verbo intransitivo, transitivo direto ou transitivo indireto.
Exemplo:
O rei abdicou.
VI
Não abdicarei dos meus direitos.
VTI

AGRADAR

No sentido de contentar, satisfazer é transitivo indireto.
Exemplo:
O jogo não agradou ao técnico.
O convite não lhe agradou.
Observação: também é possível aparecer com objeto direto.

AGRADECER

Pode aparecer como transitivo direto, transitivo indireto e transitivo direto e indireto.
Exemplo:
Agradeci as flores.
VTD
Agradeci aos diretores.
VTI
Agradeci o presente ao amigo.

Pacote de Vídeo-Aulas: Gramática para Concursos
Pacote de Vídeo-Aulas: Gramática para Concursos
Atualizado com a Nova Ortografia - Curso Completo - Teoria e Prática
Duração: 44:00 | Autor: Manoel Jailton

VTDI

ASPIRAR

Será transitivo direto quando significar sorver, respirar.
Exemplo:
Aspirou gás carbônico.
É transitivo indireto no sentido de almejar, pretender. Como o objeto indireto não é pessoa, mas sim coisa, não se usam as formas pronominais átonas lhe e lhes como complemento, mas sim as formas tônicas a ele(s), a ela (s).
Exemplo:
Os trabalhadores aspiravam ao aumento salarial.

AJUDAR

Aparece como transitivo direto e transitivo direto e indireto.
Exemplo:
Ela ajudava a minha irmã.
         VTD
Nós ajudávamos papai a limpar o quintal.
            VTDI

ASSISTIR

Será transitivo direto quando significar prestar assistência, ajudar.
Exemplo:
O médico assistiu o pequeno garoto.
Será transitivo indireto quando significar presenciar, ver. Nesse sentido o verbo ASSISTIR não admite o uso dos pronomes oblíquos átonos LHE, LHES como objeto indireto, devendo ser usados os pronomes tônicos A ELE(s), A ELA(s).
Exemplo:
Nós assistimos ao jogo da seleção.
Ele assistiu ao espetáculo.
Será transitivo indireto - eminentemente jurídico e científico - quando significar caber, pertencer, dizer respeito a. Nesse sentido admite as formas oblíquas LHE(s).
Exemplo:
Assiste aos governantes o bem-estar social.
No sentido de morar, residir – eminentemente literário e religioso – será intransitivo.
Exemplo:
Ele assiste no Recife há muito tempo.

CHAMAR

Será transitivo direto no sentido de convidar, convocar.
Exemplo:
Nós chamamos todos os presentes.
Será transitivo indireto no sentido de invocar.
Exemplo:
Ela chamava por Santo Antônio.
No sentido de denominar, qualificar, apelidar, dar nome, há 4 construções:
Chamaram -no trambiqueiro. à transitivo direto;
Chamaram -no de trambiqueiro. à transitivo direto;
Chamaram -lhe trambiqueiro. à transitivo indireto;
Chamaram -lhe de trambiqueiro. à transitivo indireto.

CUSTAR

No sentido de ter determinado valor ou preço será intransitivo.
Exemplo:
O DVD custou trinta reais.
No sentido de ser custoso, ser difícil será transitivo indireto.
Exemplo:
Custou ao governo aquela difícil meta.
No sentido de acarretar será transitivo direto e indireto.
Exemplo:
A insensatez custou-lhe os bens.

ESQUECER

LEMBRAR

Serão transitivos diretos se não forem pronominais.
Exemplo:
Esqueci o nome da rua.
Lembrei um caso antigo.
Serão transitivos indiretos se forem pronominais.
Exemplo:
Esqueci -me do nome da rua.
Lembrei -me de um caso antigo.
Transitivos indiretos quando aparecerem nos sentidos de cair no esquecimento e vir à lembrança.
Exemplo:
Esqueceram-me de alguns fatos marcantes (Eu esqueci de alguns fatos marcantes – frase equivalente)

Os verbos recordar e admirar seguem a mesma regência.

OBEDECER

DESOBEDECER

São transitivos indiretos, e admitem voz passiva.
Exemplo:
O jogador desobedeceu ao regulamento. = O regulamento foi desobedecido pelo jogador.
Os juristas obedecem ao Código Civil. = O Código Civil é obedecido pelos juristas.

PRECISAR

No sentido de marcar com precisão é transitivo direto.
Exemplo:
Ele precisou a hora e o local da consulta.
No sentido de necessitar, carecer é transitivo indireto quando o complemento é um substantivo ou pronome. A preposição é omitida quando o complemento é um verbo no infinitivo.
Exemplo:
Nós precisamos de bons políticos.

PREFERIR

É um verbo transitivo direto e indireto.
Exemplo:
Preferia o computador ao notebook.
Preferia o vinho à cerveja.

O verbo preferir não é um comparativo, não admite construções com a conjunção ou locução conjuntiva (do) que, isso ocorre por influência da construção 'gostar mais de carboidrato do que de proteína', usada com o verbo gostar. Preferir antes, mais, muito mais, mil vezes, um milhão de vezes são pleonasmos viciosos, o verbo preferir não admite intensificadores, pois a ênfase já é dada pelo próprio prefixo do verbo (pre-), que denota posição anterior.