28 de agosto de 2019

O que evitar na dissertação

• Após o título de uma redação não coloque ponto.
• Ao terminar o texto, não coloque qualquer coisa escrita ou riscos de qualquer natureza. Detalhe: não precisa autografar no final também, e ainda assim será uma obra-prima.
• Prefira usar palavras de língua portuguesa a estrangeirismos, a menos que seja algo relativo à linguagem da informática, da internet ou do mundo dos negócios.
• Não use chavões, provérbios, ditos populares ou frases feitas.
• Não use questionamentos em seu texto, sobretudo em sua conclusão.
• Jamais usar a primeira pessoa do singular, a menos que haja solicitação do tema (Exemplos: O que você acha sobre o aborto - ainda assim, pode-se usar a 3ª pessoa)
• Evite usar palavras como "coisa" e "algo", por terem sentido vago, segundo Bechara, palavras-ônibus. Prefira: elemento, fator, tópico, índice, item etc.
• Repetir muitas vezes as mesmas palavras empobrece o texto. Lance mão de sinônimos, pronomes, hiperônimos e hipônimos, advérbios e numerais e expressões que representem a ideia em questão. Evite os pleonasmos, expressões supérfluas e clichês.
• Só cite exemplos de domínio público, sem narrar seu desenrolar. Faça somente uma breve menção.
• A emoção não pode perpassar nem mesmo num adjetivo, advérbio ou superlativo empregado no texto. Atenção à imparcialidade. Prefira verbos e substantivos a adjetivos, advérbios e superlativos, eles tornam pesado o texto.
• Evite o uso de etc. e jamais abrevie palavras, a menos que se trate de um texto didático, científico, filológico, legal, fiscal, jurídico, cartorial, literário, bíblico ou religioso.
• Não analisar assuntos polêmicos sob apenas um dos lados da questão.
• No primeiro contato com a redação surge algo que torna importante o nosso ato de escrever que se mantém na forma de passar a mensagem ao nosso leitor e a estética do trabalho redacional, que mostra o quanto estamos interessados em que nosso pensamento seja bem compreensível com lógica e clareza.
• Surge então a busca por um trabalho mais limpo e com estética para a estrutura.
• Ao formar um plano de trabalho para escrever sua redação, você deve visualizar também a sua estética:
• Nunca comece uma redação com períodos longos. Basta fazer uma frase-núcleo que será a sua ideia geral a ser desenvolvida nos parágrafos que se seguirão;
• Nunca coloque uma expressão que desconheça, pois o erro de ortografia e acentuação é o que mais tira pontos em uma redação;
• Nunca use gírias, regionalismos ou internetês na redação, pois a dissertação é a explicação racional do que vai ser desenvolvido e uma gíria, regionalismo ou linguagem de internet pode cortar totalmente a sequência do que vai ser desenvolvido, além de ofender a norma culta da Língua Portuguesa;
• Nunca se esqueça dos pingos nos "is", pois bolinha não vale;
• Nunca coloque vírgulas onde não são necessárias (o que tem de erro de pontuação!);
• Nunca entregue uma redação sem verificar a separação silábica das palavras;
• Nunca comece a escrever sem estruturar o que vai passar para o papel;
• Tenha calma na hora de dissertar e sempre volte à frase-núcleo para orientar seus argumentos;
• Verifique sempre a estética: Parágrafo, acentuação, vocabulário, separação silábica e principalmente a pontuação que é a maior dificuldade de quem escreve e a maioria acha que é tão fácil pontuar!
• Respeite as margens do papel e procure sempre fazer uma letra constante sem diminuir a letra no final da redação para ganhar mais espaço ou aumentar para preencher espaço;
• A letra tem que ser visível e compreensível para quem lê;
• Prepare sempre um esquema lógico em cima da estrutura intrínseca e extrínseca;
• Não inicie nem termine uma redação com expressões do tipo: "... Eu acho... Parece ser... Acredito mesmo... Quem sabe..." mostra dúvidas em seus argumentos anteriores;

Regência verbal e nominal - Prof. Albert Iglésia - Ponto dos Concursos

1- Chegar/ ir – deve ser introduzido pela preposição “a” e não pela preposição “em”.
Exemplos:

Vou ao dentista.
Cheguei a Belo Horizonte.

2- Morar/ residir – normalmente vêm introduzidos pela preposição “em”.
Exemplos:

Ele mora em São Paulo.
Maria reside em Santa Catarina.

Dicas:
A preposição a é aceita apenas na indicação de distância ou direção.

Ex.: Ele mora a 200 metros da praia. / Maria reside a 300 metros do cinema.

3- Namorar – não se usa com preposição.

Ex.: Joana namora Antônio.

Dicas:
Embora alguns gramáticos e dicionaristas aceitem o uso da preposição com no verbo namorar, por influência dos verbos casar e noivar, ainda é considerado um brasileirismo, ou seja, invenção do povo. Em norma culta, namorar também pode ser verbo intransitivo (no sentido de ser namorador) ou pronominal (no sentido de encantar-se).
Ex.: Beatriz namora muito. / Pedro namorou-se de Marcela.

4- Obedecer/desobedecer – exigem a preposição “a”.
Exemplos:

As crianças obedecem aos pais.
O aluno desobedeceu ao professor.

Dicas:
Segundo a linguagem formal, esse é o único verbo transitivo indireto que admite voz passiva.
Ex.: Obedecemos ao código. = O código é obedecido por nós.

5-Simpatizar/ antipatizar – exigem a preposição “com”.
Exemplos:

Simpatizo com Lúcio. 
Antipatizo com meu professor de História.

Dicas:
Estes verbos não são pronominais, portanto, determinadas construções são consideradas erradas quando tais verbos aparecem acompanhados de pronome oblíquo.
Exemplos:

Simpatizo-me com Lúcio.
Antipatizo-me com meu professor de História.

6- Preferir - este verbo exige dois complementos, sendo que um é usado sem preposição, e o outro com a preposição “a”.

Ex.: Prefiro dançar a fazer ginástica.

Dicas:
Segundo a linguagem formal, é errado usar este verbo como comparativo, com a locução conjuntiva do que ou reforçado pelos advérbios ou locuções adverbiais: antes, mais, muito mais, mil vezes mais, etc. Já o verbo gostar admite essas construções comparativas.

Ex.: Prefiro mil vezes dançar a fazer ginástica. (Inadequado)
       Gosto mais de dançar do que de fazer ginástica. (Adequado)

Verbos que apresentam mais de uma regência
1 - Aspirar
a - no sentido de cheirar, sorver: usa-se sem preposição. 
Ex.: Aspirou o ar puro da manhã.

b - no sentido de almejar, pretender: exige a preposição “a”. 
Ex.: Esta era a vida a que aspirava.

Dicas:
Segundo a linguagem formal, assim como os verbos assistir (= ver), visar (= ter em vista), aludir (= fazer alusão), anuir (= dar aprovação ou consentimento) e referir-se, como o objeto indireto não é pessoa, mas sim coisa, não se usam as formas pronominais átonas lhe e lhes como complemento, e sim as formas tônicas a ele(s), a ela(s).

Ex.: O funcionário aspira a uma vaga de emprego. (O funcionário aspira a ela, e não aspira-lhe)

2 - Assistir
a - no sentido de prestar assistência, ajudar, socorrer: usa-se sem preposição. 
Ex.: O técnico assistia os jogadores novatos.

b - no sentido de ver, presenciar: exige a preposição “a”.
Ex.: Hoje assistimos ao show.

Dicas:
Segundo a linguagem formal, assim como os verbos aspirar (= almejar), visar (= ter em vista), aludir (= fazer alusão), anuir (= dar aprovação ou consentimento) e referir-se, como o objeto indireto não é pessoa, mas sim coisa, não se usam as formas pronominais átonas lhe e lhes como complemento, e sim as formas tônicas a ele(s), a ela(s). Já no sentido de pertencer, como é pessoa, admite-se a forma oblíqua lhe.

Ex.: Ontem assisti a um documentário interessante. (Ontem assisti a ele, e não assisti-lhe)
       Votar é um direito que assiste ao povo. (É um direito que lhe assiste)

c - no sentido de caber, pertencer: exige a preposição “a”.
Ex.: Assiste ao homem tal direito.

d) no sentido de morar, residir: é intransitivo e exige a preposição “em”.
Ex.: Assistiu em Maceió por muito tempo.

3 - Esquecer/lembrar
a - Quando não forem pronominais: são usados sem preposição. 
Ex.: Esqueci o nome dela.

b - Quando forem pronominais: são regidos pela preposição “de”.
Ex.: Lembrei-me do nome de todos.

Os verbos recordar e admirar seguem a mesma regência.

4 - Visar
a - no sentido de mirar: usa-se sem preposição. 
Ex.: Disparou o tiro visando o alvo.

b - no sentido de dar visto: usa-se sem preposição. 
Ex.: Visaram os documentos.

c - no sentido de ter em vista, objetivar: é regido pela preposição “a”.
Ex.: Viso a uma situação melhor.

Dicas:
Segundo a linguagem formal, assim como os verbos aspirar (= almejar), assistir (= ver), aludir (= fazer alusão), anuir (= dar aprovação ou consentimento) e referir-se, como o objeto indireto não é pessoa, mas sim coisa, não se usam as formas pronominais átonas lhe e lhes como complemento, e sim as formas tônicas a ele(s), a ela(s).

Ex.: Visamos a um futuro importante. (Visamos a ele, e não visamos-lhe)

5 - Querer

a - no sentido de desejar: 
usa-se sem preposição. 
Ex.: Quero viajar hoje.

b - no sentido de estimar, ter afeto: usa-se com a preposição “a”. 
Ex.: Quero muito aos meus amigos.

6 - Proceder
a - no sentido de ter fundamento: usa-se sem preposição.
Ex.: Suas queixas não procedem.

b - no sentido de originar-se, vir de algum lugar: exige a preposição “de”.
Ex.: Muitos males da humanidade procedem da falta de respeito ao próximo.

c - no sentido de dar início, executar: usa-se a preposição “a”.
Ex.: Os detetives procederam a uma investigação criteriosa.

Dicas:
Segundo a linguagem formal, verbos transitivos indiretos não admitem voz passiva, com exceção dos verbos obedecer e desobedecer.

Ex.: Vossa Excelência procedeu ao julgamento. = O julgamento foi procedido por Vossa Excelência (?!)

7 - Pagar/ perdoar
a - se tem por complemento uma palavra que denote coisa: não exige preposição. 
Ex.: Ela pagou a conta do restaurante.

b - se tem por complemento uma palavra que denote pessoa: é regido pela preposição “a”. 
Ex.: Perdoou a todos.

c - se tem por complemento ambos os objetos: é regido pela preposição “a” no indireto. 
Ex.: Pagou o financiamento ao gerente. / Perdoou a ofensa ao devedor.

8 - Informar
a - no sentido de comunicar, avisar, dar informação: admite duas construções:

1 - objeto direto de pessoa e indireto de coisa (regido pelas preposições “de” ou “sobre”). Ex.: Informou todos do (ou sobre o) ocorrido.

2 - objeto indireto de pessoa (regido pela preposição “a”) e direto de coisa.Ex.: Informou a todos o ocorrido.

A mesma regência se aplica aos verbos: avisar, advertir, notificar, certificar, cientificar, prevenir, aconselhar, impedir, incumbir, proibir, encarregar, aconselhar, anunciar, alertar, comunicar, dizer, noticiar.

9 - Implicar
a - no sentido de causar, acarretar: usa-se sem preposição.
Ex.: Esta decisão implicará sérias consequências.

Dicas:
Segundo a linguagem formal, o uso da preposição em no verbo implicar no sentido de ocasionar, produzir como consequência é um brasileirismo, ou seja, invenção do povo, por influência de quatro verbos de regência indireta, com significação semelhante (resultar em, redundar em, reverter em, importar em). Muitos dicionários e gramáticas já admitem tal regência. 

Em norma culta, só se usa a preposição em quando o verbo é transitivo direto e indireto, no sentido de envolver em complicação ou embaraço.
Ex.: Medicina implica em sacrifício. (registro informal, coloquial)
       Medicina implica sacrifício. (registro formal, culto)
       Ele estava implicado em tráfico de influência. (construção jurídica e erudita, mas correta)

b - no sentido de envolver, comprometer, enredar: usa-se com dois complementos, um direto e um indireto com a preposição “em”.
Ex.: Implicou o negociante no crime.

c - no sentido de ter implicância, demonstrar antipatia: é regido pela preposição “com”.
Ex.: Implica com ela todo o tempo.

10 - Custar

a - no sentido de ser custoso, difícil: é regido pela preposição “a”. 
Ex.: Custou ao aluno entender o problema.

Dicas:
Segundo a linguagem formal, o uso da preposição a ou para no verbo custar é um brasileirismo, ou seja, invenção do povo. Em norma culta, o verbo custar tem como sujeito uma oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo.

Ex.: Custamos a perceber o sentido do texto / Ele custou para resolver a questão. (registro informal, coloquial)
       Custou-nos perceber o sentido do texto. / Custou-lhe resolver a questão. (registro formal, culto)

b - no sentido de acarretar, exigir, obter por meio de: usa-se sem preposição.
Ex.: O carro custou-me todas as economias.

c - no sentido de ter valor ou preço: 
usa-se sem preposição.
Ex.: Imóveis custam caro.


Você sabe o que é regência? Conceito abordado na sintaxe da língua portuguesa, a regência é responsável pelo processo sintático em que uma palavra determinante subordina uma palavra determinada. A regência pode ser de dois tipos: verbal e nominalNa regência verbal, o verbo é o termo regente, enquanto os objetos diretos ou indiretos cumprem a função de termos regidos. Na regência nominal, o termo regente é um nome, isto é, um substantivo, um adjetivo ou um advérbio, que sempre será acompanhado por uma preposição, cuja função é intermediar a relação entre o nome e seus complementos.
Ao contrário da regência verbal, que demanda análise sobre a transitividade dos verbos para que assim seja determinado o tipo de dependência de seus complementos (objetos diretos, indiretos ou diretos e indiretos), a regência nominal preestabelece as preposições que devem acompanhar os nomes. Conhecer a regência correta, isto é, a regência que segue os preceitos da gramática normativa, ajusta a modalidade escrita e a modalidade oral à norma-padrão, registro da língua utilizado em contextos nos quais a comunicação acontece de maneira formal.
O complemento nominal pode ser um substantivo, um pronome, um numeral, uma palavra substantivada ou, ainda, uma expressão substantivada. No caso da regência nominal, é desejável que você conheça/memorize a lista de nomes e as preposições que mais comumente eles exigem. Essas preposições são invariáveis, portanto, sempre que houver dúvidas, consulte-nos ou consulte um manual sobre regência nominal. Veja alguns exemplos mais usuais na fala e na escrita. Boa leitura e bons estudos!

O juiz agiu favoravelmente ao réu. = advérbio
Todos têm simpatia pela professora. = substantivo
Ela estava convicta de minha inocência. = adjetivo
Substantivos:
Admiração a/por
Devoção a/ para/ com/ por
Aversão a/para/por
Doutor em
Obediência a
Atentado a/contra
Bacharel em
Horror a
Proeminência sobre
Medo de
Respeito a/ com/ para com/ por
Capacidade de/ para
Impaciência com
Adjetivos:
Necessário a
Acostumado a/com
Nocivo a
Agradável a
Equivalente a
Acessível a
Entendido em
Escasso de
Paralelo a
Alheio a, de
Essencial a, para
Passível de
Análogo a
Fácil de
Preferível a
Ansioso de/ para/ por
Fanático por
Prejudicial a
Apto a, para
Favorável a
Prestes a
Ávido de
Generoso com
Propício a
Benéfico a
Grato a/ por
Próximo a
Capaz de/ para
Hábil em
Relacionado com
Compatível com
Habituado a
Relativo a
Contemporâneo a/ de
Idêntico a
Satisfeito com/ de/ em/ por
Contíguo a
Impróprio para
Semelhante a
Contrário a
Indeciso em
Sensível a
Descontente com
Insensível a
Desejoso de
Liberal com
Suspeito de
Diferente de
Natural de
Vazio de
Advérbios:
Longe de
Perto de
Obs.: Os advérbios terminados em -mente tendem a seguir o regime dos adjetivos de que são formados:

Paralela a; paralelamente a
Relativa a; relativamente a

26 de agosto de 2019

Colocação pronominal, crase e regência verbal

Colocação pronominal
É o modo como se dispõem os pronomes pessoais oblíquos átonos (me, te, se, lhe(s), o(s), a(s), nos e vos) em relação ao verbo. Trata-se de um dos assuntos popularmente "espinhosos" da língua portuguesa, os quais somos "forçados" a entender na escola. Mas basicamente, basta lembrar que as posições dos pronomes pessoais oblíquos átonos em relação ao verbo ao qual se ligam denominam-se:
  • Ênclise (depois do verbo)
É a posposição do pronome átono ao vocábulo tônico ao que se liga. Ex: Empreste-me o livro de matemática.
  • Próclise (antes do verbo)
É a colocação do pronome quando antes do verbo há palavras que exercem atração sobre ele, como:
- Não, nunca, jamais, ninguém, nada. Ex: Não o vi hoje.
- Advérbios, locuções adverbiais, pronomes interrogativos, demonstrativos ou indefinidos. Ex: Sempre te amarei.
- Pronomes relativos. Ex: Há filmes que nos fazem chorar.
- Orações optativas, aquelas que exprimem desejo. Ex: Deus te ouça!
- Com gerúndio precedido da preposição ‘em’. Ex: Em se tratando desse tema...
  • Mesóclise (no meio do verbo)
É a colocação do pronome quando o verbo se encontra no futuro do presente ou no futuro do pretérito desde que não haja palavras que exerçam atração. Ex: Entregar-lhe-ei as informações. Na linguagem falada brasileira, o uso é quase inexistente.
Crase
Crase é mais um assunto "espinhoso" do português, mas dito de forma simples é o nome que geralmente se dá à fusão da preposição 'a" com o artigo "a(s)" ou com os demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo. É representada graficamente pelo acento grave (`).

Crase Obrigatória

  • Para nomes femininos com artigos: Fui à feira.
  • Aquele(s)/ a + aquela(s)/ aquilo: Entreguei o livro àquele menino.
  • Para locuções adverbiais femininas do tipo: Às cegas; À noite; Às pressas.
  • Com a palavra moda ou maneira subentendida: Camarão à baiana.
  • Antes de horas: Sairei às 2h.
  • Com pronomes possessivos: Irei à minha fazenda ou Irei a minha fazenda.
  • Com nomes próprios de mulher: Dê o livro à Maria ou Dê o livro a Maria.
  • Para nomes masculinos: Amor a Deus.
  • Antes de verbos: Saiu a passear.
  • Antes de pronomes pessoais: Dirigiu-se a ela.
  • Antes de pronomes de tratamento: Dei a Vossa Senhoria.
  • Entre palavras repetidas: Cara a cara.

Crase Optativa

  • Com pronomes possessivos femininos: Irei à minha fazenda ou Irei a minha fazenda.
  • Com nomes próprios femininos: Dê o livro à Maria ou Dê o livro a Maria.
  • Depois da preposição até: Vou até a igreja ou Vou até à igreja.

Crase Proibida

  • Para nomes masculinos, desde que não haja a palavra moda implícita: Amor a Deus.
  • Antes de verbos no infinitivo: Saiu a passear.
  • Antes de pronomes pessoais: Dirigiu-se a ela.
  • Antes de pronomes de tratamento: Enviei os ofícios a Vossa Senhoria.
  • Antes de pronomes demonstrativos: Dei nota dez a esta aluna.
  • Antes de pronomes indefinidos: Nunca devi dinheiro a ninguém.
  • Antes de pronomes interrogativos: A quem você se dedicará?
  • Antes de pronomes relativos: Ele é meu tio, a quem sempre obedeço.
  • Entre palavras repetidas: Cara a cara.
Regência Verbal
Há verbos, na língua portuguesa, que exigem a presença de outros termos na oração a que pertencem. Quando o verbo (termo regente) se relaciona com os seus complementos (termos regidos) acontece um "fenômeno" ao qual damos o nome de regência verbal. Selecionamos a seguir alguns verbos em que há diferença de contexto na hora de se "fazer" a regência:
  • Agradecer
Alguma coisa (sem preposição): O palestrante agradeceu suas intervenções.
A alguém (preposição A): O paciente agradeceu ao médico.
  • Assistir
Ajudar (sem preposição): O médico assistiu o doente.
Pertencer (preposição A): Exigir qualidade é um direito que assiste ao consumidor.
Ver (preposição A): Assisti a um bom filme.
Morar (preposição EM): Aquele homem assiste em São Paulo.
  • Obedecer (desobedecer)
Sujeitar-se (preposição A): Ele não obedeceu ao regulamento.
  • Preferir
Ter preferência por (preposição A, e não locução conjuntiva do que ou conjunção que nem o advérbio mais): Prefiro correr a nadar.
  • Visar
Visar (preposição A): O comerciante visa ao lucro.
Assinar (sem preposição): O gerente do banco visou o cheque.
Mirar (sem preposição): O atirador visou o alvo e errou.
Regência Nominal
Já a regência nominal é a relação de um nome (substantivo, adjetivo, advérbio) com outro termo. E a relação pode vir ou não acompanhada de preposições. Por exemplo:
  • Horror a
  • Impaciência com
  • Atentado contra, a
  • Medo de
  • Idêntico a
  • Prestes a
  • Longe de
  • Benéfico a
Podemos arriscar a dizer que - apesar de todas as "pegadinhas" da língua e apesar de que na fala praticamos uma coisa e na escrita outra - de certa forma, já estamos um pouquinho acostumados a utilizar a regência correta (ou pelo menos a mais aceita). É por essa razão que determinadas pessoas - principalmente aquelas que ao longo da vida escolar demonstraram um pouco mais de "afinidade" com língua portuguesa - chegam a perceber mais facilmente se uma construção está correta ou não.
Vale lembrar, por fim, que "correto" ou "incorreto" para nós não possui a conotação de "certo" ou "errado", mas apenas a de "ser mais aceito socialmente" ou "não ser bem aceito socialmente", do ponto de vista do chamado "padrão culto da língua portuguesa", utilizado no Brasil (aquela língua defendida pelos nossos melhores gramáticos).

25 de agosto de 2019

Existe a forma verbal houvera escolhido?

Hoje, ao responder a um aluno no fórum, pensei em compartilhar aqui esta resposta, pois é dúvida que alguns alunos apresentam.
O questionamento foi a respeito de uma questão da FCC que havia inserido a locução verbal “houvera escolhido”. Dentre as locuções verbais apresentadas nas gramáticas, esta não aparece e normalmente não comentamos em nossas aulas.
Mas e aí? Existe a locução verbal “houvera escolhido”?
É o seguinte: muitas vezes, por questões de estilo, alguns autores empregam o pretérito mais-que-perfeito do indicativo (houvera) no lugar do pretérito imperfeito do subjuntivo (houvesse). Por exemplo, cito um verso do clássico poeta português Luís Vaz de Camões: “E, se mais mundo houvera, lá chegara“.
Camões emprega “houvera” (pretérito mais-que-perfeito do indicativo) no lugar de “houvesse” (pretérito imperfeito do subjuntivo). Por extensão, “chegara” está sendo empregado no lugar do futuro do pretérito do indicativo “chegaria”.
Certamente, ao estilo clássico, não seria tão bem vista a forma já bem conhecida “E, se mais mundo houvesse, lá chegaria“. Essa é a combinação de modo e tempo verbal número 2, como tenho apresentado em minhas aulas de emprego de modo e tempo verbal.
Mas Camões ampliou! Estilisticamente, soa agradável, não é?!
Também vemos essa construção em passagens bíblicas, como em: “Se eu viera, nem lhes houvera falado, não teriam pecado, mas, agora, não têm desculpa do seu pecado.” (João 15: 22)
Neste caso,  foi realizada essa troca no verbo auxiliar (“houvera” no lugar de “houvesse”). Assim, também no tempo composto se admite tal troca estilística.
Por fim, voltando à pergunta do aluno, a locução verbal “houvera escolhido” estaria no lugar de “houvesse escolhido”. Estilisticamente e, se bem dosada, é estilo de linguagem!
Um grande abraço a todos e um final de semana de muito estudo!

Essa construção ''pretérito mais-que-perfeito do verbo ter ou haver + particípio'' chama-se ''pretérito mais-que-perfeito anterior''.

Idéia ou ideia

Vamos falar hoje sobre a nova ortografia oficial e como isso vem caindo nos concursos.

Ideia tem acento?

Não, ideia não tem acento. A grafia “idéia”, com acento, era a forma correta e obrigatória até o dia 31 de dezembro de 2008. Entre 1º de janeiro de 2009 e 31 de dezembro de 2015 estávamos num período de transição. A partir de 1º de janeiro deste ano de 2016, só se aceita a forma “ideia” como para todas paroxítonas terminadas em vogais “a” e “o”.
ideia ou idéia
A forma correta é “ideia“!
A grafia “idéia” (com acento) era a forma correta e obrigatória até o dia 31 de dezembro de 2008. Isso ocorria porque até então acentuávamos as palavras com ditongos abertos tônicos “éi”, “ói” e “éu”, como “jibóia”, “assembléia”, “heróico”, “bóia” etc.
Porém, a partir de 1º de janeiro de 2009, tais palavras, por serem paroxítonas terminadas em “a” ou “o”, perderam o acento, justamente para se fazer um ajuste e seguir o padrão das demais nações falantes da Língua Portuguesa.
Entre 1º de janeiro de 2009 e 31 de dezembro de 2015, estávamos num período de transição, em que se podia empregar a regra antiga e a nova.
Nesse período, os concursos evitavam cobrar a acentuação das palavras que tiveram a mudança!
dicas-estrategicas-2-06-1
A partir de 1º de janeiro deste ano de 2016, só se aceita a forma “ideia”, “boia”, “heroico”, “assembleia”, por serem paroxítonas terminadas em vogais “a” e “o”.

Quando usar o acento gráfico?

Vale lembrar que o acento gráfico permaneceu nas oxítonas e monossílabos tônicos com ditongos abertos tônicos “éi”, “ói” e “éu”, seguidos ou não de “s”, como as seguintes:
Oxítonas: herói, anéis, chapéu, troféus
Monossílabos tônicos: véu, mói, rói, méis, dói
Veja um detalhe interessante: a palavra “herói” é acentuada por ser oxítona, mas a palavra “heroico” perdeu o acento por ser paroxítona terminada em “o”.
Também é relevante observar que as palavras “Méier” e “destróier”, por exemplo, apesar de apresentarem os ditongos abertos tônicos “éi” e “ói” e serem paroxítonas, devem ser acentuadas, porque não terminam em vogal “a” ou “o”. Elas terminam em “r”. Assim, são acentuadas pela mesma regra básica de “mártir”, “câncer” (paroxítonas terminadas em “r”).