28 de agosto de 2019

Regência verbal e nominal - Prof. Albert Iglésia - Ponto dos Concursos

1- Chegar/ ir – deve ser introduzido pela preposição “a” e não pela preposição “em”.
Exemplos:

Vou ao dentista.
Cheguei a Belo Horizonte.

2- Morar/ residir – normalmente vêm introduzidos pela preposição “em”.
Exemplos:

Ele mora em São Paulo.
Maria reside em Santa Catarina.

Dicas:
A preposição a é aceita apenas na indicação de distância ou direção.

Ex.: Ele mora a 200 metros da praia. / Maria reside a 300 metros do cinema.

3- Namorar – não se usa com preposição.

Ex.: Joana namora Antônio.

Dicas:
Embora alguns gramáticos e dicionaristas aceitem o uso da preposição com no verbo namorar, por influência dos verbos casar e noivar, ainda é considerado um brasileirismo, ou seja, invenção do povo. Em norma culta, namorar também pode ser verbo intransitivo (no sentido de ser namorador) ou pronominal (no sentido de encantar-se).
Ex.: Beatriz namora muito. / Pedro namorou-se de Marcela.

4- Obedecer/desobedecer – exigem a preposição “a”.
Exemplos:

As crianças obedecem aos pais.
O aluno desobedeceu ao professor.

Dicas:
Segundo a linguagem formal, esse é o único verbo transitivo indireto que admite voz passiva.
Ex.: Obedecemos ao código. = O código é obedecido por nós.

5-Simpatizar/ antipatizar – exigem a preposição “com”.
Exemplos:

Simpatizo com Lúcio. 
Antipatizo com meu professor de História.

Dicas:
Estes verbos não são pronominais, portanto, determinadas construções são consideradas erradas quando tais verbos aparecem acompanhados de pronome oblíquo.
Exemplos:

Simpatizo-me com Lúcio.
Antipatizo-me com meu professor de História.

6- Preferir - este verbo exige dois complementos, sendo que um é usado sem preposição, e o outro com a preposição “a”.

Ex.: Prefiro dançar a fazer ginástica.

Dicas:
Segundo a linguagem formal, é errado usar este verbo como comparativo, com a locução conjuntiva do que ou reforçado pelos advérbios ou locuções adverbiais: antes, mais, muito mais, mil vezes mais, etc. Já o verbo gostar admite essas construções comparativas.

Ex.: Prefiro mil vezes dançar a fazer ginástica. (Inadequado)
       Gosto mais de dançar do que de fazer ginástica. (Adequado)

Verbos que apresentam mais de uma regência
1 - Aspirar
a - no sentido de cheirar, sorver: usa-se sem preposição. 
Ex.: Aspirou o ar puro da manhã.

b - no sentido de almejar, pretender: exige a preposição “a”. 
Ex.: Esta era a vida a que aspirava.

Dicas:
Segundo a linguagem formal, assim como os verbos assistir (= ver), visar (= ter em vista), aludir (= fazer alusão), anuir (= dar aprovação ou consentimento) e referir-se, como o objeto indireto não é pessoa, mas sim coisa, não se usam as formas pronominais átonas lhe e lhes como complemento, e sim as formas tônicas a ele(s), a ela(s).

Ex.: O funcionário aspira a uma vaga de emprego. (O funcionário aspira a ela, e não aspira-lhe)

2 - Assistir
a - no sentido de prestar assistência, ajudar, socorrer: usa-se sem preposição. 
Ex.: O técnico assistia os jogadores novatos.

b - no sentido de ver, presenciar: exige a preposição “a”.
Ex.: Hoje assistimos ao show.

Dicas:
Segundo a linguagem formal, assim como os verbos aspirar (= almejar), visar (= ter em vista), aludir (= fazer alusão), anuir (= dar aprovação ou consentimento) e referir-se, como o objeto indireto não é pessoa, mas sim coisa, não se usam as formas pronominais átonas lhe e lhes como complemento, e sim as formas tônicas a ele(s), a ela(s). Já no sentido de pertencer, como é pessoa, admite-se a forma oblíqua lhe.

Ex.: Ontem assisti a um documentário interessante. (Ontem assisti a ele, e não assisti-lhe)
       Votar é um direito que assiste ao povo. (É um direito que lhe assiste)

c - no sentido de caber, pertencer: exige a preposição “a”.
Ex.: Assiste ao homem tal direito.

d) no sentido de morar, residir: é intransitivo e exige a preposição “em”.
Ex.: Assistiu em Maceió por muito tempo.

3 - Esquecer/lembrar
a - Quando não forem pronominais: são usados sem preposição. 
Ex.: Esqueci o nome dela.

b - Quando forem pronominais: são regidos pela preposição “de”.
Ex.: Lembrei-me do nome de todos.

Os verbos recordar e admirar seguem a mesma regência.

4 - Visar
a - no sentido de mirar: usa-se sem preposição. 
Ex.: Disparou o tiro visando o alvo.

b - no sentido de dar visto: usa-se sem preposição. 
Ex.: Visaram os documentos.

c - no sentido de ter em vista, objetivar: é regido pela preposição “a”.
Ex.: Viso a uma situação melhor.

Dicas:
Segundo a linguagem formal, assim como os verbos aspirar (= almejar), assistir (= ver), aludir (= fazer alusão), anuir (= dar aprovação ou consentimento) e referir-se, como o objeto indireto não é pessoa, mas sim coisa, não se usam as formas pronominais átonas lhe e lhes como complemento, e sim as formas tônicas a ele(s), a ela(s).

Ex.: Visamos a um futuro importante. (Visamos a ele, e não visamos-lhe)

5 - Querer

a - no sentido de desejar: 
usa-se sem preposição. 
Ex.: Quero viajar hoje.

b - no sentido de estimar, ter afeto: usa-se com a preposição “a”. 
Ex.: Quero muito aos meus amigos.

6 - Proceder
a - no sentido de ter fundamento: usa-se sem preposição.
Ex.: Suas queixas não procedem.

b - no sentido de originar-se, vir de algum lugar: exige a preposição “de”.
Ex.: Muitos males da humanidade procedem da falta de respeito ao próximo.

c - no sentido de dar início, executar: usa-se a preposição “a”.
Ex.: Os detetives procederam a uma investigação criteriosa.

Dicas:
Segundo a linguagem formal, verbos transitivos indiretos não admitem voz passiva, com exceção dos verbos obedecer e desobedecer.

Ex.: Vossa Excelência procedeu ao julgamento. = O julgamento foi procedido por Vossa Excelência (?!)

7 - Pagar/ perdoar
a - se tem por complemento uma palavra que denote coisa: não exige preposição. 
Ex.: Ela pagou a conta do restaurante.

b - se tem por complemento uma palavra que denote pessoa: é regido pela preposição “a”. 
Ex.: Perdoou a todos.

c - se tem por complemento ambos os objetos: é regido pela preposição “a” no indireto. 
Ex.: Pagou o financiamento ao gerente. / Perdoou a ofensa ao devedor.

8 - Informar
a - no sentido de comunicar, avisar, dar informação: admite duas construções:

1 - objeto direto de pessoa e indireto de coisa (regido pelas preposições “de” ou “sobre”). Ex.: Informou todos do (ou sobre o) ocorrido.

2 - objeto indireto de pessoa (regido pela preposição “a”) e direto de coisa.Ex.: Informou a todos o ocorrido.

A mesma regência se aplica aos verbos: avisar, advertir, notificar, certificar, cientificar, prevenir, aconselhar, impedir, incumbir, proibir, encarregar, aconselhar, anunciar, alertar, comunicar, dizer, noticiar.

9 - Implicar
a - no sentido de causar, acarretar: usa-se sem preposição.
Ex.: Esta decisão implicará sérias consequências.

Dicas:
Segundo a linguagem formal, o uso da preposição em no verbo implicar no sentido de ocasionar, produzir como consequência é um brasileirismo, ou seja, invenção do povo, por influência de quatro verbos de regência indireta, com significação semelhante (resultar em, redundar em, reverter em, importar em). Muitos dicionários e gramáticas já admitem tal regência. 

Em norma culta, só se usa a preposição em quando o verbo é transitivo direto e indireto, no sentido de envolver em complicação ou embaraço.
Ex.: Medicina implica em sacrifício. (registro informal, coloquial)
       Medicina implica sacrifício. (registro formal, culto)
       Ele estava implicado em tráfico de influência. (construção jurídica e erudita, mas correta)

b - no sentido de envolver, comprometer, enredar: usa-se com dois complementos, um direto e um indireto com a preposição “em”.
Ex.: Implicou o negociante no crime.

c - no sentido de ter implicância, demonstrar antipatia: é regido pela preposição “com”.
Ex.: Implica com ela todo o tempo.

10 - Custar

a - no sentido de ser custoso, difícil: é regido pela preposição “a”. 
Ex.: Custou ao aluno entender o problema.

Dicas:
Segundo a linguagem formal, o uso da preposição a ou para no verbo custar é um brasileirismo, ou seja, invenção do povo. Em norma culta, o verbo custar tem como sujeito uma oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo.

Ex.: Custamos a perceber o sentido do texto / Ele custou para resolver a questão. (registro informal, coloquial)
       Custou-nos perceber o sentido do texto. / Custou-lhe resolver a questão. (registro formal, culto)

b - no sentido de acarretar, exigir, obter por meio de: usa-se sem preposição.
Ex.: O carro custou-me todas as economias.

c - no sentido de ter valor ou preço: 
usa-se sem preposição.
Ex.: Imóveis custam caro.


Você sabe o que é regência? Conceito abordado na sintaxe da língua portuguesa, a regência é responsável pelo processo sintático em que uma palavra determinante subordina uma palavra determinada. A regência pode ser de dois tipos: verbal e nominalNa regência verbal, o verbo é o termo regente, enquanto os objetos diretos ou indiretos cumprem a função de termos regidos. Na regência nominal, o termo regente é um nome, isto é, um substantivo, um adjetivo ou um advérbio, que sempre será acompanhado por uma preposição, cuja função é intermediar a relação entre o nome e seus complementos.
Ao contrário da regência verbal, que demanda análise sobre a transitividade dos verbos para que assim seja determinado o tipo de dependência de seus complementos (objetos diretos, indiretos ou diretos e indiretos), a regência nominal preestabelece as preposições que devem acompanhar os nomes. Conhecer a regência correta, isto é, a regência que segue os preceitos da gramática normativa, ajusta a modalidade escrita e a modalidade oral à norma-padrão, registro da língua utilizado em contextos nos quais a comunicação acontece de maneira formal.
O complemento nominal pode ser um substantivo, um pronome, um numeral, uma palavra substantivada ou, ainda, uma expressão substantivada. No caso da regência nominal, é desejável que você conheça/memorize a lista de nomes e as preposições que mais comumente eles exigem. Essas preposições são invariáveis, portanto, sempre que houver dúvidas, consulte-nos ou consulte um manual sobre regência nominal. Veja alguns exemplos mais usuais na fala e na escrita. Boa leitura e bons estudos!

O juiz agiu favoravelmente ao réu. = advérbio
Todos têm simpatia pela professora. = substantivo
Ela estava convicta de minha inocência. = adjetivo
Substantivos:
Admiração a/por
Devoção a/ para/ com/ por
Aversão a/para/por
Doutor em
Obediência a
Atentado a/contra
Bacharel em
Horror a
Proeminência sobre
Medo de
Respeito a/ com/ para com/ por
Capacidade de/ para
Impaciência com
Adjetivos:
Necessário a
Acostumado a/com
Nocivo a
Agradável a
Equivalente a
Acessível a
Entendido em
Escasso de
Paralelo a
Alheio a, de
Essencial a, para
Passível de
Análogo a
Fácil de
Preferível a
Ansioso de/ para/ por
Fanático por
Prejudicial a
Apto a, para
Favorável a
Prestes a
Ávido de
Generoso com
Propício a
Benéfico a
Grato a/ por
Próximo a
Capaz de/ para
Hábil em
Relacionado com
Compatível com
Habituado a
Relativo a
Contemporâneo a/ de
Idêntico a
Satisfeito com/ de/ em/ por
Contíguo a
Impróprio para
Semelhante a
Contrário a
Indeciso em
Sensível a
Descontente com
Insensível a
Desejoso de
Liberal com
Suspeito de
Diferente de
Natural de
Vazio de
Advérbios:
Longe de
Perto de
Obs.: Os advérbios terminados em -mente tendem a seguir o regime dos adjetivos de que são formados:

Paralela a; paralelamente a
Relativa a; relativamente a

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