25 de agosto de 2019

Os porquês da Língua Portuguesa

USO DOS PORQUÊS – Escrevo este artigo, porque sempre me perguntam, porque é junto ou separado, com acento ou sem? A resposta é: depende do contexto.
É início de pergunta direta? É uma resposta? Quer dizer “motivo” ?
Para cada contexto há um porquê diferente. Observe a tirinha abaixo e já tente perceber as diferenças.

https://mundotexto.wordpress.com/2013/09/17/para-uma-aula-de-porques-com-armandinho/

Viu que há quatro porquês diferentes? Quer entender cada um deles?
Vamos às explicações.

Porquê (junto e com acento)

Porquê (junto e com acento) é usado quando for sinônimo de motivocausarazãoindagação. Por ser substantivo, admite artigo, pronome ou numeral e pode se flexionar no plural:
  • Os considerandos são dois porquês de um decreto.
  • O Relator explicou esse porquê de cada emenda.
  • Qual é o porquê desta vez?

Por quê (separado e com acento)

Por quê (separado e com acento) é usado quando a expressão aparecer em fim de frase, ou sozinha:
  • Brigou de novo, por quê?
  • Brigou de novo? Por quê?
  • Ria, ria sem saber por quê.

Porque (junto e sem acento)

Porque (junto e sem acento) é usado nos seguintes casos:
Para introduzir explicação, causa, motivo, podendo ser substituído por conjunções causais ou explicativas como poisporquantovisto que. Para introduzir finalidade, pode ser substituído por conjunções finais como para que, a fim de que.
  • Traga agasalho, porque vai fazer frio.(conjunção coordenativa explicativa = pois).
  • A reunião foi adiada porque faltou energia.(conjunção subordinativa causal = pois).
  • Porque ainda é cedo, proponho esperarmos um pouco mais. (conjunção subordinativa causal = como).
  • Oferecei um sacrifício de louvor, porque confesseis o vosso nome. (conjunção subordinativa final = para que)
Nas frases interrogativas a que se responde com “sim” ou “não”:
  • Ele não votou o projeto porque estava de licença?
  • Essa medida provisória está na pauta de votação porque é urgente?
Na realidade, a conjunção “porque” continua sendo subordinativa adverbial causal. A diferença é que na própria pergunta já se dá a causa (oração subordinada adverbial causal).
Como conjunção de finalidade (= para que), levando o verbo para o subjuntivo. Esta construção é literária, poética, musical, bíblica, religiosa, jurídica, política ou científica, mas vez por outra tem sido encontrada, existente em discursos de posse formais, trabalhos científicos, debates eleitorais e textos estritamente cerimoniosos:
  • Rezo porque tudo corra bem.
  • Não expressou sua opinião porque não desanimasse os colegas.
Contemporaneamente, para exprimir finalidade, objetivo, prefere-se usar para que para substituir porqueRezo para que tudo corra bem.

Por que (separado e sem acento)

Por que (separado e sem acento) é usado nos seguintes casos:
Nas interrogativas diretas e indiretas:
  • Por que você demorou tanto? (interrogativa direta)
  • Quero saber por que meu dinheiro está valendo menos. (interrogativa indireta)
Sempre que se puder inserir as palavras motivorazão:
  • Não sei por que ele se ofendeu. (Não sei por que motivo ele se ofendeu.)
  • O funcionário explicou por que havia faltado. (O funcionário explicou por que motivo havia faltado.)
Quando a expressão puder ser substituída por pelo qualpela qualpelos quaispelas quais, confirma-se que há pronome relativo “que” antecedido da preposição “por”:
  • A estrada por que passamos está em péssimo estado de conservação. (A estrada pela qual passamos está em péssimo estado de conservação.)
  • Esse é o motivo por que a reunião foi adiada. (Esse é o motivo pelo qual a reunião foi adiada.)
Quando “que” for conjunção integrante iniciando oração subordinada substantiva objetiva indireta ou completiva nominal, com imposição da preposição “por” pelo verbo ou nome, respectivamente:
  • Torcemos por que tudo se resolva logo. (= torcemos por isso)
  • O Relator estava ansioso por que começasse a votação. (= ansioso por isso)
Não se pode confundir este último caso com o uso da conjunção de finalidade (conforme visto anteriormente). Veja a diferença:
  • Não expressou sua opinião porque não desanimasse os colegas.
Note que o nome opinião, anterior à conjunção, não exigiu a preposição por. Além disso, percebe-se a intenção, a finalidade de não expressar sua opinião: para que não desanimasse os colegas.
  • O Relator estava ansioso por que começasse a votação.
Aqui, o nome ansioso exige a preposição por, razão pela qual deve ser separada do que.

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