Neste artigo eu pretendo chamar sua atenção para um assunto recorrente em diversos concursos públicos: o emprego das expressões “por que”, “por quê”, “porque” e “porquê”. Vamos partir de uma questão recente para verificarmos o uso adequado de cada uma delas.
Cespe/2016/Funpresp-EXE/Conhecimentos Básicos

Sem prejuízo para a correção gramatical do período, a expressão “por quê” (l.23) poderia ser substituída por o porquê.
Comentário
Subentende-se que o uso da expressão “por quê”, formada por uma preposição e um advérbio, traz para o texto sentido de motivo ou razão. Da mesma forma, a expressão “porquê”, precedida do artigo definido “o” ou do indefinido ''um'', ou de um numeral, pronome demonstrativo, possessivo, indefinido ou interrogativo, adjetivo ou locução adjetiva, classifica-se como substantivo e tem como sinônimos as palavras causa, motivo ou razão. Além disso, a forma junta e com acento é precedida por artigo, exatamente como a banca propôs. Assim sendo, a reescritura não prejudicaria o texto. Veja: “Não sei o porquê” (o motivo, a razão). Portanto a substituição é possível nesse caso.
Não me venha com esses porquês. (motivos, razões, causas)
Belos porquês os que você me apresentou. (idem)
Vou-lhe dizer dois porquês. (causa)
Observe, agora, as diferentes situações em que cada forma pode ser empregada:
POR QUE x POR QUÊ
- a) Por que você não veio? (Advérbio interrogativo de causa, usado no início da oração, equivale-se a por qual motivo, o “que” é átono.)
- b) Quero saber por que você não veio. (A única diferença é que a frase interrogativa é indireta.)
- c) Você não veio por quê? (Agora a expressão aparece no final da frase, e o “que” é tônico.)
- d) Quero saber o motivo por que você não veio. (Temos aqui preposição + pronome relativo, equivalendo-se a pelo qual.)
Note a colocação no final da frase ou no final de oração, antes de pausa, com sentido de motivo, causa, razão pela qual, deve ser acentuado, por ser um monossílabo tônico terminado em e:
O cantor estava inquieto, sem saber por quê. (Sem saber por quê, o cantor estava inquieto.)
Advertido pelo presidente da Mesa, o deputado quis saber por quê.
Ninguém lhe dava atenção. Por quê?
PORQUE x PORQUÊ
- a) Não vim porque estava cansado. (A expressão agora equivale-se a uma conjunção subordinativa causal e indica circunstância de causa.)
- b) Fique quieto, porque você está incomodando. (Aqui, ela é uma conjunção coordenativa explicativa. Uma dica útil é perceber o verbo no imperativo na oração anterior.)
- c) Vigiai e orai, porque não entreis em tentação. (Aqui, ela é uma conjunção subordinativa final e indica finalidade.)
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