30 de agosto de 2019

Regência Verbal - Nova Gramática Online

Seu objetivo: estudar a regência verbal dos principais verbos. 

Regência Verbal: é o estudo da transitividade verbal. Em outras palavras, a regência verbal ajuda a descobrir se um verbo é transitivointransitivo ou de ligação.

Explicando Melhor: os verbos podem ser transitivos diretos (quando exigem um complemento sem o uso da preposição), transitivos indiretos (quando exigem um complemento com o uso da preposição), intransitivos (quando não exigem nenhum complemento) ou podem ser verbos de ligação (quando expressam estado ao invés de expressarem ação).
Exemplo 1Comprei um livro. O verbo “comprar” é transitivo porque exige um complemento (“um livro”) sem o uso de nenhuma preposição.
Exemplo 2Nós precisamos de livros. O verbo “precisar” é transitivo porque exige um complemento (“livros”) com o uso de uma preposição (“de”).  
Exemplo 3Joãozinho morreu.  O verbo “morrer” é intransitivo porque não precisa de complemento.
Exemplo 4Joãozinho está feliz. O verbo “estar” é um verbo de ligação porque não expressa ação, mas sim estado. Outros exemplos de verbos de ligação: “ser”, “permanecer”, “continuar”.

Agora, vamos ver a regência de alguns verbos. Não estranhe porque alguns verbos podem ter significados que você desconhecia.

Agradar: se o verbo tiver o sentido de “dar agrado, alegrar, satisfazer, contentar”, ele será transitivo indireto. Porém, esse verbo também pode ter o sentido de “acariciar” e, nesse caso, ele será transitivo direto.
Exemplo 1A mãe agradou o filho. Nesse caso, o verbo é transitivo indireto (“dar agrado”).
Exemplo 2A mãe agradou aos cabelos do filho. Nesse caso, o verbo é transitivo direto (a mãe acariciou os cabelos do filho, ou seja: “fez carinho” nos cabelos).

Aspirar: se significar “inspirar” (ou “cheirar”) o verbo será transitivo direto. Se significar “desejar” (ou “almejar”), o verbo será transitivo indireto.
Exemplo 1Ronaldo aspirou o perfume (verbo transitivo direto).
Exemplo 2Ronaldo aspira ao cargo de diretor (verbo transitivo indireto).

Assistir: se significar “ver” ou “observar, presenciar”, o verbo será transitivo indireto.  Se significar “ajudar, socorrer, auxiliar, dar assistência”, o verbo pode ser transitivo direto ou indireto. Se significar “residir, morar”, será intransitivo, porém exigirá a preposição “em” para o adjunto adverbial de lugar. Se significar “caber, competir (direito ou razão)” ou “pertencer, dizer respeito a”, o verbo será transitivo indireto.
Exemplo 1Joãozinho assistiu ao jogo. Nesse caso, assistir é transitivo indireto porque tem o mesmo sentido de “ver”.
Exemplo 2A enfermeira assistiu ao paciente ou a enfermeira assistiu o paciente. Nesse caso, “assistir” significa “dar assistência” e, portanto, pode ser transitivo direto ou indireto. Tanto faz. 
Exemplo 3Eu assisto em Porto Alegre. Como assistir, nesse caso, tem o mesmo sentido de “morar”, o verbo é intransitivo e exige a preposição “em” para o adjunto adverbial de lugar (Porto Alegre).
Exemplo 4Esse assunto assiste ao João. Nesse caso, assistir tem o mesmo sentido de “pertencer” ou de “caber” (esse assunto cabe ou pertence ao João). Logo, o verbo é transitivo indireto.

Atender: se esse verbo significar “deferir” (ou seja: “ser favorável”), esse verbo será transitivo direto. Agora, se “atender” significar “dar atenção”, o verbo pode ser transitivo direto ou indireto.
Exemplo 1O chefe atendeu o pedido do funcionário. Nesse caso, “atender” significa “ser favorável” e o verbo é transitivo direto (não há preposição).
Exemplo 2A recepcionista atendeu ao cliente ou a recepcionista atendeu o cliente. Nesse caso, “atender” significa “dar atenção” e, portanto, o verbo pode ser transitivo direto ou indireto.

Avisar, informar, certificar, advertir, notificar, cientificar, prevenir, aconselhar, impedir, incumbir, proibir... : esses tipos de verbos são transitivos diretos e indiretos (em qualquer ordem). Ou seja: eles exigem um objeto direto e outro indireto e esses objetos podem aparecer em qualquer ordem.
ExemplosAvisei o João do problema, avisei o João sobre o problema ou avisei ao João o problema. No primeiro exemplo, o objeto direto apareceu antes do indireto. No segundo, ocorreu o contrário.

Chamar: no sentido de “convocar” ou “mandar vir”, será transitivo direto. No sentido de “invocar”, será transitivo indireto. Porém, no sentido de “dar apelido”, “qualificar”, poderá ser transitivo direto ou indireto.
Exemplo 1Chamei o João para a festa, mas ele não veio (transitivo direto).
Exemplo 2Chamei por Jesus para interceder por mim. (transitivo indireto).
Exemplo 3Chamei o João de narigudo ou chamei ao João de narigudo (transitivo direto ou transitivo indireto).

Chegar: o correto é dizer “chegar a” (é errado dizer “chegar em”).
Exemplo 1Cheguei a casa (é errado dizer “cheguei em casa”).
Exemplo 2Depois de chegar ao banheiro, ela se maquiou (é errado dizer “chegar no banheiro”).
Exemplo 3Depois de chegar à mansão, ele foi barrado pelos seguranças (a crase é a união da preposição “a” com o artigo “a”, como se fosse a “versão feminina” do “ao”, ou seja: depois de chegar a + a mansão).

Custar: se o verbo significar “valor” (custo), o verbo será intransitivo (o termo que aparece depois é um adjunto adverbial “de valor” ou “de preço”). Se o verbo tiver o sentido de “ser custoso, difícil”, então ele será transitivo indireto.
Exemplo 1O livro custa duzentos reais (intransitivo, ou seja: o verbo não precisa de complemento e “duzentos reais” é um adjunto adverbial “de valor” ou “de preço”).
Exemplo 2Custou ao aluno encontrar a resposta da questão. Nesse caso, o verbo “custar” tem o sentido de “dificuldade” (foi custoso, difícil ao aluno encontrar a resposta). Logo, o verbo é transitivo indireto.
Observação: o verbo “custar”, no sentido do exemplo 2, deve ser conjugado na terceira pessoa (custou a ele, custou-lhe, custou a mim, custou-me, custou a nós, custou-nos, custou a eles, etc). Não podemos dizer “eu custei a encontrar” ou “nós custamos a encontrar”, por exemplo.

Lembrar, Esquecer, Recordar, Admirar: esses quatro verbos serão transitivos indiretos se forem pronominais. Caso contrário, eles serão transitivos diretos.
Exemplo: Podemos dizer “João esqueceu a resposta” ou “João se esqueceu da resposta”. Se usarmos algum pronome (se esqueceu, nos esqueceu, esquecer-te, esquecemo-nos, etc) nós devemos usar a preposição “de”. Com o verbo lembrar ocorre a mesma coisa (“João lembrou a resposta” ou “João selembrou da resposta”).
Observação: o verbo “lembrar” também pode ter o mesmo sentido de “avisar”, “informar”, “certificar” e, nesse sentido, ele segue a regência desses verbos (que já foi vista anteriormente).

Namorar: o verbo “namorar” é transitivo direto, a transitividade indireta surgiu por influência dos verbos casar e noivar.
ExemploPedro namora Paula (é errado dizer “João namora com Paula”).

Obedecer, desobedecer: esses verbos são transitivos indiretos.
ExemplosOs filhos devem obedecer aos pais. Os alunos não podem desobedecer às regras.

Pagar, perdoar: esses dois verbos exigem dois objetos (um direto e outro indireto). O objeto direto é usado para a coisa que é pagada (ou perdoada) e o objeto indireto é usado para a pessoa a quem se paga (ou se perdoa).
ExemploPaguei um cachorro-quente ao meu amigo.

Preferir: não podemos usar a expressão “do que” com o verbo “preferir” (mesmo que esse uso seja comum no dia a dia). Esse verbo é transitivo indireto e exige a preposição “a”. O verbo preferir não é comparativo, não admite o advérbio mais nem a locução conjuntiva do que, mas o verbo gostar admite essas construções comparativas.
ExemplosPrefiro inverno ao verão. Prefiro o português à matemática (é errado dizer “prefiro mil vezes inverno do que verão” ou “prefiro mais português do que matemática”).

Querer: no sentido de “desejar algo ou alguém”, será transitivo direto. Porém, esse verbo também pode ter o sentido de “amar” ou de “gostar”. Nesse sentido, o verbo “querer” será transitivo indireto.
Exemplo 1Eu quero um computador novo (transitivo direto).
Exemplo 2Eu quero aos meus irmãos (transitivo indireto, com o sentido de “eu gosto de meus irmãos” ou “eu amo os meus irmãos”).

Responder: pode ser transitivo indireto se tiver o sentido de “responder a alguma coisa” ou “defender-se em juízo”, pode ser transitivo direto e indireto se tiver o sentido de “responder alguma coisa a alguém” ou pode ser transitivo direto se estiver no sentido de “responder a resposta” ou “ser grosseiro com”.
Exemplo 1Pedro respondeu a todas as questões da prova (transitivo indireto).  
Exemplo 2Pedro respondeu a um inquérito (transitivo indireto).  
Exemplo 3Pedro respondeu essa pergunta ao amigo (transitivo direto e indireto).
Exemplo 4Pedro respondeu que não poderá entregar o trabalho (transitivo direto).
Exemplo 5Pedro respondeu o diretor e foi suspenso (transitivo direto).


Simpatizar: o verbo exige a preposição “com” (transitivo indireto), mas não é pronominal, não deve ser conjugado com pronome, não se diz que João se simpatiza com Pedro.
ExemploJoão simpatiza com Pedro.

Visar: se tiver o sentido de “mirar” ou de “dar o visto”, o verbo será transitivo direto. Se tiver o sentido de “desejar”, o verbo poderá ser transitivo direto ou indireto (segundo Celso Cunha), sendo que outras gramáticas afirmam que o verbo só pode ser transitivo indireto.
Exemplo 1Eu visei o alvo (eu “mirei” o alvo). Nesse sentido, o verbo é transitivo direto.
Exemplo 2O funcionário visou os documentos (o funcionário “deu o visto”). Nesse sentido, o verbo também é transitivo direto.

Exemplo 3João visa um novo emprego ou João visa ao novo emprego. Segundo Celso Cunha, “visar” no sentido de “desejar” pode ser transitivo direto ou indireto. 

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