25 de agosto de 2019

Intertextualidade, paráfrase & paródia

Vamos hoje abordar três conceitos importantes que irão ajudá-lo a compreender e interpretar melhor um texto. Ei-los abaixo. 
O prefixo inter significa posição intermediária ou relação recíproca, por exemplo: um transporte intermunicipal é um transporte entre municípios, um interlocutor é a relação de reciprocidade entre os que participam de uma conversa, um interfone é um sistema de comunicação interna que interliga unidades de um mesmo complexo, um telefonema interurbano é um telefonema entre cidades ou localidades, interdependência é a reciprocidade entre dois seres ou coisas ligados por dependência recíproca, um comércio internacional é um comércio entre nações, um campeonato interestadual é um campeonato entre estados, um intercâmbio é o relacionamento recíproco entre países, interativo é o que permite a interação com a fonte ou o emissor, uma interseção é o cruzamento entre duas linhas, uma intercessão é uma intervenção mútua. Uma das palavras mais usadas é internet, a rede mundial de computadores, que permite a comunicação virtual entre todos, com acesso a numerosas fontes de informação, envio de e-mails, serviços comerciais etc.
Intertextualidade acontece quando há uma referência explícita ou implícita de um texto em outro. Também pode ocorrer com outras formas além do texto: música, pintura, filme, novela* etc. Toda vez que uma obra fizer alusão à outra, ocorre a intertextualidade. Apresenta-se explicitamente quando o autor informa o objeto de sua citação. Num texto científico, por exemplo, o autor do texto citado é indicado; já na forma implícita, a indicação é oculta. Por isso é importante para o leitor o conhecimento de mundo, um saber prévio, para reconhecer e identificar quando há um diálogo entre os textos. A intertextualidade pode ocorrer afirmando ou contestando as ideias da obra citada. Há duas formas: a paráfrase e a paródia.
Novela é um gênero literário que consiste em uma narrativa breve, um gênero intermediário entre o conto e o romance. Quando é adaptada para a TV e dividida em episódios ou capítulos, passa a se chamar telenovela, podendo ser uma adaptação de romances ou novelas. 
Paráfrase
Na paráfrase, as palavras são mudadas, porém a ideia do texto é confirmada pelo novo texto. A alusão ocorre para atualizar, reafirmar os sentidos ou alguns sentidos do texto citado. É dizer com outras palavras o que já foi dito. Temos um exemplo citado por Affonso Romano Sant’Anna em seu livro “Paródia, paráfrase & Cia” (p. 23):
Texto Original
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá,
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá.
(Gonçalves Dias, “Canção do exílio”).
Paráfrase
Meus olhos brasileiros se fecham saudosos
Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’.
Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’?
Eu tão esquecido de minha terra…
Ai terra que tem palmeiras
Onde canta o sabiá!
(Carlos Drummond de Andrade, “Europa, França e Bahia”).
Esse texto de Gonçalves Dias, “Canção do Exílio”, é muito utilizado como exemplo de paráfrasee de paródia. O poeta Carlos Drummond de Andrade retoma o texto primitivo conservando suas ideias. Não há mudança do sentido principal do texto, que é a saudade da terra natal.
Paródia
A paródia é uma forma de contestar ou ridicularizar outros textos, há uma ruptura com as ideologias impostas e por isso é objeto de interesse para os estudiosos da língua e das artes. Ocorre, aqui, um choque de interpretação, a voz do texto original é retomada para transformar seu sentido, leva o leitor a uma reflexão crítica de suas verdades incontestadas anteriormente. Com esse processo, há uma indagação sobre os dogmas estabelecidos e uma busca pela verdade real, concebida através do raciocínio e da crítica. Os programas humorísticos fazem uso contínuo dessa arte, frequentemente os discursos de políticos são abordados de maneira cômica e contestadora, provocando risos e também reflexão a respeito da demagogia praticada pela classe dominante. Com o mesmo texto utilizado anteriormente, teremos, agora, uma paródia.
Texto Original
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá,
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá.
(Gonçalves Dias, “Canção do exílio”).
Paródia
Minha terra tem palmares
onde gorjeia o mar
os passarinhos daqui
não cantam como os de lá.
(Oswald de Andrade, “Canto de regresso à pátria”).
O nome Palmares, escrito com letra minúscula, substitui a palavra palmeiras. Há um contexto histórico, social e racial nesse texto, Palmares é o quilombo liderado por Zumbi, foi dizimado em 1695. Há uma inversão do sentido do texto primitivo, que foi substituído pela crítica à escravidão existente no Brasil.
Outro exemplo de paródia é a propaganda que faz referência à obra prima de Leonardo Da Vinci, Mona Lisa:

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