25 de agosto de 2019

Usa-se vírgula em orações adjetivas restritivas?

Começo meu artigo com a seguinte pergunta trivial:
Usa-se vírgula em orações adjetivas restritivas?🤔
Bom, primeiramente, vamos observar a diferença entre oração adjetiva restritiva e explicativa.
A oração restritiva tem o papel de delimitar o sentido do vocábulo anterior, normalmente um substantivo.
Veja como exemplo um candidato à presidência do Brasil, afirmando o seguinte:
O país que não cuida da educação como prioridade não consegue desenvolver-se.
É natural percebermos neste contexto que não estamos falando ainda de um país específico, mas daquele que possa se enquadrar na característica de não cuidar da educação como prioridade.
Assim, dentre vários países, somente o que não cuida da educação como prioridade não consegue desenvolver-se e naturalmente o candidato poderia afirmar que o Brasil não pode estar no rol desses que não cuidam da educação como prioridade, concorda?
Dessa forma, há um valor restritivo e  a oração subordinada adjetiva “que não cuida da educação como prioridade” não é separada por vírgulas.
Agora, vamos falar das orações subordinadas adjetivas explicativas. Elas apresentam uma característica básica do ser e por isso são separadas por vírgulas.
Veja o mesmo exemplo, agora com dupla vírgula:
O país, que não cuida da educação como prioridade, não consegue desenvolver-se.
Neste novo contexto, não há mais uma delimitação do sentido. Há uma característica básica, imanente do ser.
O candidato está literalmente criticando nosso país (o Brasil), por ser conhecido como aquele que não cuida da educação como prioridade.
Assim, não estamos falando mais de qualquer país, mas de um que já é conhecido num contexto.
Percebeu a diferença?
Bom, é fácil notar que as orações adjetivas restritivas não apresentam vírgulas, e as explicativas apresentam.
Vamos a mais alguns exemplos:
O homem cujos princípios não são sólidos pode se corromper.
Neste caso, há uma delimitação de sentido, pois a oração adjetiva “cujos princípios não são sólidos” não apresenta vírgula. Assim, é restritiva. Por isso, entendemos que alguns homens têm princípios sólidos, outros não.
Agora, vamos inserir a vírgula?
O homem, cujos princípios não são sólidos, pode se corromper.
Neste caso, entendemos que o autor da afirmação tem uma postura pessimista da conduta dos homens. Para ele é característica básica dos homens não ter princípios sólidos, por isso todos podem se corromper, cada um tem seu preço. Todos são corrompíveis.
Notou novamente a diferença?
Assim, temos como princípio que as orações subordinadas adjetivas restritivas não são separadas por vírgulas e as explicativas são.

Reformulando a explicação: Alguns gramáticos mais renomados admitem a vírgula nas orações restritivas no fim da oração, de grande extensão e com verbos próximos às orações do período: O mundo que pessoas mais sensatas sempre desejaram, começa finalmente a surgir. Quem abona essas construções são Evanildo Bechara e Luiz Antônio Sacconi.

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