30 de agosto de 2019

Sujeito - Nova Gramática Online

Seu objetivo: entender o que é sujeito e também os tipos de sujeito.

Sujeito: é o responsável pela ação descrita pelo verbo da oração.

Exemplo 1: “Eu dancei ontem”. Quem realizou a ação de dançar? Resposta: eu. Portanto, o pronome “eu” é o sujeito da oração.

Exemplo 2: “João e Maria viajaram para longe”. Quem realizou a ação de viajar para longe? Resposta: “João e Maria”. Portanto, “João e Maria” é o sujeito da oração.

Exemplo 3: “O dono do Fusca azul está pedindo ajuda”. Quem realizou a ação de pedir ajuda? Resposta: “o dono do Fusca azul”. Portanto, “o dono do Fusca azul” é o sujeito da oração.

Exemplo 4: “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heroico o brado retumbante”. Quem foi que ouviu o brado retumbante de um povo heroico? Resposta: as margens do Ipiranga. Portanto, “as margens do Ipiranga” é o sujeito da oração.

Núcleo do Sujeito: é a principal palavra do sujeito (aquela que guarda todo o seu significado).

Exemplo 1: O sujeito da oração “o dono do Fusca azul está pedindo ajuda” é “o dono do Fusca azul” e o núcleo desse sujeito é “dono”. As outras palavras apenas são características do “dono” (doFusca azul). O núcleo é aquela palavra capaz de substituir o sujeito inteiro. Não podemos entender que “o Fusca está pedindo ajuda” nem que “o azul está pedindo ajuda”, mas podemos entender que “o dono está pedindo ajuda”. Portanto, “dono” é o núcleo do sujeito.

Exemplo 2: Se o sujeito for “João e Maria”, então o sujeito possui dois núcleos: “João” e “Maria”, já que ambos são centrais e decisivos para o significado do sujeito.

Exemplo 3: Na oração “os atores profissionais e algumas pessoas da plateia pediram silêncio”, o sujeito é “os atores profissionais e algumas pessoas da plateia”. Esse sujeito tem dois núcleos: atores e pessoas.  As outras palavras apenas os caracterizam.

Classificação dos Sujeitos: o sujeito pode ser classificado em: simples, composto, implícito, indeterminado, inexistente.

Sujeito Simples: é aquele que possui apenas um núcleo. Exemplos: “dono do Fusca azul está pedindo ajuda”, “João está perdido”, “plateia aplaudiu forte”.

Sujeito Composto: é aquele que possui dois ou mais núcleos. Exemplos: “Paulo e Ana estão perdidos”, “apresentador e os telespectadores estão ansiosos pela chegada do convidado”.

Sujeito Implícito: é aquele que foi omitido da oração, mas pode ser encontrado pela conjugação do verbo. Exemplo: “Comprei um par de camisas”. Quem comprou um par de camisas? Resposta: “eu”, porque o pronome “eu” é o único que conjuga o verbo “comprar” como “comprei”.

Outros nomes para o sujeito implícito: sujeito desinencialsujeito ocultosujeito elípticosujeito subentendido (é tudo a mesma coisa, não se preocupe).

Observação: se o verbo estiver conjugado na 3ª pessoa do plural (disseram, viram, falaram, dançaram, etc) e o sujeito não aparecer, então o sujeito não será classificado como implícito, mas sim como indeterminado (veremos mais adiante).

sujeito simples, o sujeito composto e o sujeito oculto são sujeitos determinados, já que eles existem e podem ser identificados.

Sujeito Indeterminado: é aquele que existe, mas não pode ser identificado. Ele ocorre em dois casos:

1) Verbos conjugados na terceira pessoa do plural. Exemplo: “Falaram mal de você”. Quem é que falou mal de você? Resposta: não sabemos. O sujeito existe, mas não pode ser identificado porque o verbo “falar” está conjugado na terceira pessoa e o sujeito que o conjuga não aparece na oração.

Antes que você pergunte: Não é pelo fato de aparecer o verbo conjugado na 3ª pessoa do plural que o sujeito será sempre indeterminado. Não esqueça que o sujeito não pode aparecer (apenas o verbo aparece). Exemplo: “Os vizinhos falaram mal de você”. O sujeito é “os vizinhos”, mesmo o verbo estando conjugado na 3ª pessoa. Para o sujeito ser indeterminado, o sujeito não pode aparecer com o verbo (somente o verbo aparece). Exemplo: “falaram mal de você” (sujeito indeterminado). 

2) Verbos transitivos indiretos, intransitivos e de ligação na terceira pessoa do singular acompanhados do “SE” (antes ou depois do verbo). Exemplos: “confia-se em teses estranhas”, “era-se mais feliz naquela casa”, “ainda se vai à missa no interior”. Em todos esses exemplos, os verbos estão conjugados na terceira pessoa do singular (ele confia, ele era, ele vai) e estão acompanhados do SE, indeterminando o sujeito das orações. Portanto, em cada uma dessas orações o sujeito é indeterminado.

Observação: nesses casos, o pronome “SE” é chamado de índice de indeterminação do sujeito.

Existem dois casos extras de sujeito indeterminado:
Verbo transitivo direto + SE + objeto direto preposicionado. Exemplo: ''Ama-se aos pais'' / ''Estima-se aos mais velhos''
Verbo no infinitivo impessoal: ''É bom caminhar todas as manhãs''

Sujeito Inexistente ou Sujeito Zero: o sujeito não existe na oração, provocando a oração sem sujeito. Isso acontece nos seguintes casos:

1) O sujeito é inexistente quando o verbo expressa fenômenos da natureza. Exemplos: “Anoiteceu ontem”, “está chovendo muito”, “nevará amanhã”, “ventou muito durante a noite”. 
Quem é o sujeito: é a neve? é a chuva? é a noite? é São Pedro? é as nuvens? É impossível identificar.

Antes que você pergunte: se esse tipo de verbo for usado em outro sentido (ao invés do sentido original), então poderemos determinar o sujeito. Exemplo: “Choveram relatórios em minha mesa”. O sentido da palavra “chover” foi alterado (não caiu água em cima da mesa, mas sim relatórios). Então, o sujeito é “relatórios” (relatórios choveram em minha mesa). Sujeito simples.

2) Verbo FAZER indicando tempo decorrido. Exemplo: “Faz duas horas que eu estou na fila”. O sujeito da primeira oração (Faz duas horas) é inexistente.

3) Verbo HAVER indicando tempo decorrido ou então indicando existência, acontecimento ou realização de fato. Exemplo 1: “Estou na fila  duas horas” (o sujeito da oração “há duas horas” é inexistente). Exemplo 2: “Havia vinte alunos na sala”. O verbo “haver” tem o mesmo sentido de “existir”. Por isso, o sujeito é inexistente (oração sem sujeito). Exemplo 3: “Houve muitos imprevistos na reunião”. O verbo “haver” tem o mesmo sentido de “ocorrer, acontecer”. Por isso, o sujeito é zero. Exemplo 4: “Haverá uma grande exposição no shopping”. O verbo “haver” tem o mesmo sentido de “realizar-se”. Por isso, o sujeito é zero.


Esses verbos são chamados de verbos impessoais (eles provocam a oração sem sujeito). 

O prefixo in significa negação, portanto, é um verbo que não tem sujeito, não tem pessoa, ou seja, não é conjugado.

Observe o verbo existir, ele é um verbo regular, tem pessoas, conjugamos: eu existo, tu existes, ele existe, nós existimos, vós existis, eles existem.

Agora, o verbo haver no sentido de existir, pode-se conjugar: quando se fala eu existo é o mesmo que eu hei? Não. Ele existe é o mesmo que ele há? Não.

O verbo haver nesse sentido não é conjugável, portanto é impessoal. A única estratégia oferecida pela língua, visto que ele é um verbo, designa alguma ação, mas não tem pessoa, precisa estar conjugado é uma pessoa. Por questão de convenção, designou-se a terceira pessoa. Os falantes pensaram que esses verbos só podem aparecer na 3ª pessoa do singular. Esses verbos não têm plural, pois não têm sujeito para concordar, por questão de adequação ao sistema linguístico.

Se dizemos sempre que o sujeito é um termo essencial, por que existem orações sem sujeito? Se o bolo é de chocolate, precisa levar chocolate.

Esses verbos exigiriam na língua um sujeito invariável, que não abrangesse nem fosse superior aos gêneros, como existe em outras línguas. Por exemplo, no inglês existem os pronomes he, she e it. O he e o she servem somente para pessoas, seres personificados ou animais sexuados. O it serve para animais sem sexo, objetos, fenômenos da natureza, e seres indeterminados que praticam a ação.

No português antigo, a forma antiga era o pronome ele, semelhante ao da língua inglesa. Até o século XVII, falava-se ''ele nevou'', ''ele trovejou'', ''ele geou'', ''ele relampejou'', usando-se o pronome ele como sujeito. Com o passar dos tempos, passou a se imaginar que aquele pronome não exercia nenhuma função. Ele nevou, quem é ele? São Pedro? não se sabe. Se não há sujeito para praticar a ação, vamos suspender o uso do pronome ele.

A lacuna ''sujeito + verbo + complemento + adjunto adverbial'' ficou vazia. Existe o espaço do sujeito, não se preenche. Em outras línguas, continua-se a preencher.

Por exemplo, no francês, o sujeito é composto pelo pronome il. O il ocupa o lugar do sujeito, embora não identifique ninguém no especial. O mesmo ocorre no inglês, no qual o it ocupa o lugar do sujeito, sem identificar o sujeito. O ele como sujeito deixou de ser usado. Desde o século XVIII temos uma fórmula de oração sem sujeito, porque nós ''usurpamos'' o lugar do pronome.

Se eu falo ''choveu frequentemente em Nova York'', o verbo é intransitivo, seguido de adjuntos adverbiais: tempo e lugar.

Se eu falo ''no Rio de Janeiro faz verões quentíssimos'', o verbo é transitivo direto seguido de objeto direto. É uma situação clima.

Se estivéssemos no século XVI, compartilhando a época de Camões quando escreveu Os Lusíadas, ele escreveria: ''em Lisboa, ele faz verões quentíssimos''.

Nós teríamos o sujeito, o verbo transitivo direto e o objeto direto.

Em ''está muito calor aqui'', o verbo é de ligação seguido de predicativo do sujeito, embora semanticamente possa parecer estranho. Preferimos classificar como predicativo neutro.

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