30 de agosto de 2019

Estrutura das Palavras - Nova Gramática Online

Seu objetivo: entender o que é radicalvogal temáticatema e afixos.

Observação: É importante que você leia todos os exemplos porque eles foram criados de modo a evitar confusões e dúvidas futuras.

Hoje nós vamos começar a estudar a estrutura das palavras, ou seja: vamos entender como as palavras são formadas e criadas. As palavras são formadas por letras e as letras formam sílabas. Porém, as letras também formam outras estruturas chamadas de morfemas. Vamos, então, estudar os morfemas. 

Radicaltambém chamado de lexema, semantema ou morfema lexical, é a parte da palavra que guarda o significado original da palavra. 

Exemplo 1: Nas palavras FERRO, FERREIRO e FERRUGEM, o termo FERR guarda o significado original das palavras. Portanto, FERR é o radical.

Exemplo 2: O radical de LINDA é LIND, assim como em LINDÍSSIMA e LINDO. Todas essas palavras estão associadas ao significado do radical LIND.

Exemplo 3: Na palavra PEDRA, o radical é PEDR (é o termo que guarda o significado da palavra). Outras palavras que tenham esse radical também estarão associadas a esse significado: PEDRADA, PEDREIRA. Porém, o radical pode sofrer pequenas variações de uma palavra para outra. É o caso de PETRIFICAR (o radical mudou de PEDR para PETR).

Vogal temáticaela aparece logo depois do radical desde que a palavra não seja atemática, ou seja: desde que não seja oxítona ou termine com consoante. Ela pode ser verbal ou nominal. Será verbal se a palavra for um verbo e será nominal se a palavra for um nome (ou seja: se não for verbo).

Exemplo 1Na palavra FERRO, o radical é FERR e a vogal temática é O, que aparece logo depois do radical. Como “ferro” é um nome (não é verbo), então a vogal temática é nominal.

Exemplo 2: Na palavra FERREIRO, o radical é FERR e a vogal temática é E (aparece logo depois do radical). Como “ferreiro” é um nome (não é verbo), então a vogal temática é nominal.

Exemplo 3: Na palavra CAFEZAL, o radical é CAFE e a vogal temática é A.

Exemplo 4: Na palavra CAFÉ, o radical é CAFE e como a palavra é oxítona (a última sílaba é tônica) ela não tem vogal temática (só tem radical). Portanto, como CAFÉ não tem vogal temática, CAFÉ é uma palavra atemática.
Exemplo 5: A palavra BÔNUS termina em consoante, portanto é uma palavra atemática (não tem vogal temática). Outros exemplos: lápis, fêmur.

Exemplo 6: Na palavra CANTAR, o radical é CANT e a vogal temática é A (aparece logo depois do radical). Como “cantar” é um verbo, a vogal temática é verbal.

Observação: A vogal temática verbal indica a conjugação do verbo, ou seja: se o verbo é de primeira conjugação (termina em AR e a vogal temática é o A), segunda conjugação (termina em ER e a vogal temática é o E) ou de terceira conjugação (termina em IR e a vogal temática é o I).

Exemplo: Em “eles CANTARAM”, o radical do verbo é CANT e a vogal temática é A. Essa vogal temática indica que o verbo (CANTARAM) é uma conjugação de um verbo (CANTAR) que pertence à primeira conjugação (CANTAR – termina em AR).

Agora que você entendeu o que é radical e vogal temática, vai ser muito simples entender o que é tema.

Tema: é simplesmente a união do radical com a vogal temática.

Exemplo: O tema de FERREIRO é FERRE (FERR + E = radical + vogal temática).

Afixos: são elementos que se juntam ao radical e eles podem ser de dois tipos: prefixos (aparecem antes do radical) e sufixos (aparecem depois do radical).

Exemplo 1: Na palavra BISNETO, o radical é NET e o prefixo é BIS (porque aparece antes do radical). 
Exemplo 2: Na palavra BELEZA, o radical é BEL e o sufixo é EZA. (porque aparece depois do radical).

Seu objetivo: entender o que é desinência nominal e saber diferenciá-la da vogal temática.

No artigo anterior você aprendeu o que é radicalvogal temáticatema e afixos (ver artigo anterior). Agora nós vamos continuar o nosso estudo e vamos começar a falar das desinências.

Desinências: podem ser nominais (presentes nos nomes, ou seja: nas palavras que não são verbos) ou podem ser verbais (presentes nos verbos). Hoje nós vamos falar sobre as desinências nominais.

Desinência Nominal de Gênero: é o elemento que indicam o gênero (masculino ou feminino) das palavras. Portanto, essa desinência só existe para indicar quando a palavra é feminina ou masculina. Logo, se a palavra não tiver variações de gênero (se não tiver uma versão feminina ou uma versão masculina) então essa palavra não terá desinência nominal de gênero. Tome cuidado para não confundir essa desinência com vogal temática.

Exemplo 1: Na palavra MENINA, a letra A é uma desinência nominal de gênero que indica que a palavra MENINA é feminina.

Exemplo 2: Na palavra MENINO, a letra O é uma desinência nominal de gênero que indica que a palavra MENINO é do gênero masculino.

Exemplo 3: Na palavra MESA, a letra A não é desinência nominal, já que a palavra MESA não tem a sua versão masculina (não existe “MESO”). A vogal A é apenas uma vogal que se junta ao radical MES. Portanto, a vogal A é uma vogal temática (como visto no artigo anterior).

Em cama, não existe camo, escola, não existe escolo, tribo, não existe triba, carro, não existe carra, a vogal temática, a palavra é apenas o radical.
Não confunda desinência com sufixo, os sufixos alteram o sentido dos radicais indicando sua categoria gramatical. Desinências não alteram o sentido dos radicais, apenas indicam flexões de gênero, número, modo, tempo e pessoa.

Morfemas são elementos linguísticos que, isolados, não possuem nenhum valor, servindo apenas para relacionar radicais na oração, para definir a categoria gramatical etc.

Grau é flexão ou derivação? Derivação, pois o elemento que o forma não é desinência, mas sim sufixo. Lojão e lojinha são novas palavras criadas a partir de loja. Netão, netinho, netona e netinha são novas palavras criadas a partir de neto e neta.

 Ministra, ministros e ministras, são formas de uma mesma palavra, ministro. As flexões são obrigatórias, mas os afixos não são uma obrigatoriedade, mas sim uma opção semântica ou estilística. Em ex-ministro, o uso do prefixo ex- é opcional, em reuniãozinha (e seu plural: reuniõezinhas), o uso do sufixo zinh(a)- é opcional. Reuniões é forma de uma mesma palavra, reunião.

As flexões de voz (ativa, passiva, reflexiva e recíproca) são indicadas por outros processos, e não por desinências nem por sufixos.
As flexões quanto ao aspecto (pontual / momentâneo, durativo / cursivo / progressivo, permansivo, incoativo / inceptivo, conclusivo / cessativo, iterativo / frequentativo, resultativo / consecutivo e iminencial) são indicadas por processos sintáticos, e não morfológicos.

Desinência X Vogal Temática: como visto no Exemplo 3 no tópico anterior, palavras que possuem um único gênero (isto é: só podem ser femininas ou só podem ser masculinas) não terão desinência nominal de gênero (elas podem ter vogal temática).

Exemplo 1: A palavra POEIRA não tem desinência nominal de gênero porque não existe “POEIRO”. Essa palavra possui um radical (POEIR) e uma vogal temática (A). 

Exemplo 2: A palavra PATO tem desinência nominal do gênero masculino (O) e a palavra PATA tem desinência nominal do gênero feminino (A). O radical é PAT.

Desinência Nominal de Número: é o elemento que indica o número da palavra, ou seja: indica se a palavra está no singular ou no plural.

Exemplo 1: Na palavra MENINOS, a letra S indica que a palavra está no plural. Portanto, a letra S é uma desinência nominal de número.

Exemplo 2: Na palavra MARES, a letra S é uma desinência nominal de número (que indica que a palavra está no plural). Observe que a letra E é uma vogal temática.

Observação: da mesma forma que existem palavras que não têm desinência nominal de gênero por não variarem quanto ao gênero (masculino e feminino), existem palavras que não têm desinência nominal de número por não variarem quanto ao número (só existirem no singular ou no plural). Exemplo: lápis, ônibus, vírus, pires. Nessas palavras, o “s” não está indicando o plural das palavras e, por isso, não pode ser desinência nominal de número.

Seu objetivo: saber identificar a desinência verbal e revisar os verbos.

Desinência Verbal: é o elemento que indica o número, a pessoa, o tempo e o modo da conjugação do verbo. Portanto, para entender esse assunto, você precisa saber os conceitos básicos de conjugação verbal.
A desinência verbal pode ser de dois tipos: número-pessoal (indica o número e a pessoa do verbo conjugado) e modo-temporal (indica o modo e o tempo do verbo conjugado).

Revisão de Verbos: número e pessoa (pule esse tópico se considerá-lo desnecessário)

Os verbos são conjugados de acordo com as pessoas do discurso. “Eu” é a primeira pessoa, “tu” é a segunda pessoa e “ele” é a terceira pessoa. Essas pessoas podem estar no singular (eu, tu, ele) ou então no plural (nós, vós, eles). Portanto, temos: primeira pessoa do singular (eu), primeira pessoa do plural (nós), segunda pessoa do singular (tu), segunda pessoa do plural (vós), terceira pessoa do singular (ele), terceira pessoa do plural (eles). 

Desinência Verbal Número-Pessoal: como foi dito antes, essa desinência indica somente o número (singular ou plural) e a pessoa (eu, tu ou ele) da conjugação de algum verbo. Ela não indica qual é o modo nem o tempo (pode ser futuro, presente ou pretérito).

Exemplo: A letra “o” ao final dos verbos indica que o verbo está conjugado na primeira pessoa do singular (eu): eu canto, eu parto, eu viajo, eu compro, eu vendo, etc. Portanto, essa letra “o” é uma desinência verbal número-pessoal (indica o número e a pessoa).
A letra “s” ao final dos verbos indica que o verbo está conjugado na segunda pessoa do singular (tu): tu cantas, tu partes, tu viajas, tu compras, tu vendes, etc. Nesses casos, a letra “s” é uma desinência verbal número-pessoal.
A desinência “mos” indica a conjugação na primeira pessoa do plural (nós): nós cantamos, nós partimos, nós viajamos, etc. A desinência “is” indica a conjugação na segunda pessoa do plural (vós): vós cantais, vós partis, vós viajais, etc. A desinência “m” indica a conjugação na terceira pessoa do plural (eles): eles cantam, eles vendem, etc.

Observação: a desinência número-pessoal não indica o tempo nem o modo que o verbo está conjugado.

Exemplo: vimos que a desinência “m” indica que o verbo está sendo conjugado na terceira pessoa do plural (eles cantam, eles viajam). Isso pode acontecer no tempo presente do modo indicativo (eles cantam) ou no futuro do pretérito do modo subjuntivo (eles cantariam). Ou seja: o “m” não indica o tempo nem o modo: só indica que o verbo está sendo conjugado por “eles”, indicando, assim, o número e a pessoa (terceira pessoa do plural).


Revisão de Verbos: Tempo e Modo (pule esse tópico se considerá-lo desnecessário)

Os verbos, além do número (singular ou plural) e da pessoa (eu, tu, ele), também podem variar quanto ao tempo ou quanto ao modo. O tempo pode determinar uma ação no futuro (cantarei), no presente (canto) ou no passado (cantei), sendo que o passado é chamado de “pretérito”. Já o modo indica o modo em que a ação verbal está sendo executada: pode ser uma ordem ou um pedido no modo imperativo (canta tu), pode ser uma dúvida (se eu cantar) ou então uma afirmação (eu canto).

Desinência Verbal Modo-Temporal: é a desinência verbal que indica o modo e o tempo da conjugação do verbo.

Exemplo1: o verbo CANTAVA está conjugado no pretérito imperfeito do modo indicativo e sabemos disso por causa do VA (desinência que existe nos verbos conjugados no pretérito imperfeito do modo indicativo). Portanto, o VA é uma desinência verbal que indica que o verbo CANTAR está conjugado no modo indicativo do pretérito imperfeito (CANTAVA). Entretanto, não é possível saber o número e a pessoa: “ele cantava” ou “eu cantava”?

Exemplo 2“Se eu cantar” ou “se ele chegar: o “r” não indica o número e a pessoa (“eu” ou “ele”?), mas ele indica a conjugação do verbo no futuro do subjuntivo. Portanto, é uma desinência verbal modo-temporal.

Vogais e Consoantes de Ligação: são elementos que apenas ligam os morfemas entre si, para facilitar a pronúncia da palavra. 

Exemplo: gasômetro, pontiagudo, cafezinho.

Alguns gramáticos consideram essas denominações inadequadas, pois muitas vezes há vogal e consoante juntas, como em diversificar, planificar, fortalecer, prateleira, ratazana e colheitadeira, preferindo a denominação interfixos, como Luiz Antônio Sacconi. A NGB, assim como os concursos, prefere a visão tradicional.

Os interfixos não são infixos, visto que os conceitos são diferentes. O interfixo é um elemento de ligação que se antepõe ao sufixo, e o infixo se intercala no radical.

Em hemorragia, frutífero, criminologia, voltímetro, camoniano, parisiense, a vogal elimina encontros vocálicos e consonantais desagradáveis ao ouvido, por razões eufônicas.
Em simultaneidade, instantaneidade, heterogeneidade, obrigatoriedade, hereditariedade, transitoriedade, solidariedade, seriedade, variedade e contrariedade, a vogal elimina a ligação desagradável do radical com o sufixo.

Em motorneiro, padeiro, sonolento, sabichão, paulada, cafezal, friorento, chaleira e pezinho, a consoante elimina encontros vocálicos desagradáveis ao ouvido, por eufonia.

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