O assunto a ser tratado neste artigo é, especificamente, o emprego de pronomes pessoais do caso reto e do caso oblíquo. Quais os motivos que nos fazem escolher um em vez do outro em determinadas frases?
Antes de esclarecer o ponto conflitante, eis uma breve exposição sobre a conceituação e a classificação dessa rica classe gramatical.
| Pronome | Palavra que substitui o nome (pronome substantivo) ou que o acompanha (pronome adjetivo) para tornar claro o seu significado. Existem seis classes distintas: |
| 1) pessoal | Indica diretamente as pessoas do discurso (no singular ou no plural): 1ª pessoa: quem fala; 2ª pessoa: com quem se fala; 3ª pessoa: de quem se fala. Eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles, elas(do caso reto). Me, te, se, lhe, o, a, nos, vos, se, lhes, os, as(do caso oblíquo átono). Mim, comigo, ti, contigo, si, consigo, conosco, convosco(do caso oblíquo tônico). Também são pessoais os pronomes de tratamento (de uso familiar, cortês, cerimonioso ou oficial): você (intimidade), senhor, senhora (para demonstrar respeito e distância), senhorita (para moças solteiras), Vossa Senhoria (funcionários graduados), Vossa Excelência (altas autoridades), Vossa Majestade (reis e imperadores), Vossa Santidade (papa), Vossa Alteza (príncipes e duques), etc. Também são pessoais os pronomes reflexivos: me, mim, te, ti, se, si, consigo, nos, vos, se, si, consigo e os pronomes recíprocos: nos, vos, se |
| 2) possessivo | Refere-se às pessoas gramaticais, atribuindo-lhes a posse de algo: meu, minha, meus, minhas, nosso, nossa, nossos, nossas, teu, tua, teus, tuas, vosso, vossa, vossos, vossas, seu, sua, seus, suas. Dele, dela, deles, delas não são pronomes possessivos. |
| 3) demonstrativo | Indica a posição dos seres em relação às pessoas do discurso, situando-os no tempo, no espaço e no próprio texto. 1ª pessoa: este, esta, estes, estas, isto. 2ª pessoa: esse, essa, esses, essas, isso. 3ª pessoa: aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo. |
| 4) relativo | É aquele que, em uma oração, se refere a um termo constante em oração anterior, chamado antecedente. Introduz sempre uma oração subordinada adjetiva, restritiva ou explicativa, Exemplo: O avião que chegou estava danificado. São pronomes relativos: que, quem, onde, como, quando, quanto(s), quanta(s), cujo(s), cuja(s), o qual, a qual, os quais, as quais. |
| 5) indefinido | Refere-se à terceira pessoa do discurso num sentido vago ou exprimindo quantidade indeterminada. Exemplos: Quem espera sempre alcança. Alguns podem flexionar-se em gênero e número. São pronomes indefinidos: algum, alguma, alguns, algumas, certo, certa, certos, certas, muito, muita, muitos, muitas, nenhum, nenhuma, nenhuns, nenhumas, outro, outra, outros, outras, todo, toda, todos, todas, pouco, pouca, pouco, poucas, bastante, bastantes, qualquer, quaisquer, tanto, tanta, tantos, tantas, quanto, quanta, quantos, quantas, vário, vária, vários, várias, algo, nada, tudo, alguém, ninguém, outrem, cada, mais, menos, demais, fulano, sicrano, beltrano. |
| 6) interrogativo | É aquele usado para formular uma pergunta direta ou indireta: que, quem, qual, quanto. |
Diferenças quanto ao emprego dos pronomes pessoais do caso reto e do caso oblíquo:
a) Ele virou ela. / Meu pai, apenas ele, é o melhor pai do mundo. – Na função de sujeito, de predicativo do sujeito e de aposto, o pronome pessoal utilizado será, via de regra, do caso reto.
b) Quero falar com ele.
Sou útil a ele.
Vi-o na rua.
Serão empregados os do caso oblíquo nas demais funções sintáticas (objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, agente da passiva, adjunto adnominal, adjunto adverbial, sujeito de verbo no infinitivo, etc.).
Atente para o fato de que esses pronomes são frequentemente utilizados para promover a coesão e a coerência textual.
c) Eu contei a ti o que acontecera.
Você terá de viajar com nós dois.
Você terá de viajar conosco. (= com + nós)
Os pronomes oblíquos tônicos são precedidos de preposição. Usa-se com nós ou com vós quando tais expressões vêm acompanhadas de elementos de realce, numeral, pronome, aposto explicativo ou oração adjetiva.
Cuidado! Não vá sem eu saber. / Todos saíram, exceto eu [saí].
As preposições essenciais (a, ante, até, após, com, contra, de, desde, em, entre, para, per, perante, por, sem, sob, sobre, trás) regem pronomes oblíquos tônicos.
As preposições acidentais (afora, como, conforme, consoante, durante, exceto, feito, fora, mediante, menos, não obstante, salvante, salvo, segundo, tirante, visto) regem pronomes retos.
Mesmo diante de preposição, o pronome pessoal do caso reto será empregado quando for sujeito de verbo, ainda que este esteja elíptico.
d) Maria fez aniversário. Pedro deu-lhe um presente. (“deu” = VTDI; “um presente” = OD)
Maria fez aniversário. Pedro a presenteou. (“presenteou” = VTD)
Como complementos verbais, o(s) e a(s) desempenham função de objeto direto; lhe(s), de objeto indireto.
O pronome lhe pode equivaler a 'a ele(s), a ela(s)', caso em que completa o sentido de um nome, atuando como complemento nominal: A sentença foi-lhe favorável. / A sentença foi favorável a ele. / A sentença foi favorável a ela.
Atenção! O pronome oblíquo lhe pode equivaler-se a um possessivo, caso em que transmitirá noção de posse, caso em que atua como adjunto adnominal, e não objeto indireto: Pediu-lhe os brinquedos emprestados. / Pediu os seus brinquedos emprestados / Pediu os brinquedos dele/dela emprestados.
e) Mandei-o sair da sala.
Ouvi-as bater na porta.
Em construções cujo verbo principal é causativo (mandar, deixar, fazer) ou sensitivos (ver, ouvir, sentir, perceber), o(s) e a(s) desempenham função de sujeito do verbo (infinitivo) da oração subordinada. É o único caso em que o pronome oblíquo átono funciona como sujeito, chamado de sujeito acusativo.
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