30 de agosto de 2019

Vírgula - Nova Gramática Online

Seu objetivo: aprender as principais regras do uso da vírgula.

Regra Geral: de modo geral, não usamos a vírgula quando a oração está na ordem direta (sujeito, verbo, complementos, adjuntos).
ExemploNós compramos duas camisas na semana passada.

Trocando de Lugar: Se o termo “na semana passada” (um adjunto adverbial de tempo) for trocado de lugar, então a vírgula será usada para sinalizar essa troca.
Exemplos: Na semana passada, nós compramos duas camisas ou nós, na semana passada,compramos duas camisas.
Reforçando: usamos a vírgula para sinalizar que algum adjunto adverbial trocou de lugar, saindo de sua posição original na ordem direta.

Aposto e Vocativo: a vírgula também é usada para isolar o vocativo ou o aposto. Lembre que o vocativo é a expressão usada para nos referirmos a alguém, enquanto que o aposto é um tipo de explicação ou detalhamento adicional. O aposto especificativo não tem vírgula.
Exemplo com VocativoMãe, eu comprei duas camisas ou eu comprei duas camisas, mãe.
Exemplo com Apostoeu, um simples jovem de 23 anos, comprei duas camisas.
Mas: Visitei a cidade de São Luís. (aposto especificativo, liga-se diretamente ao núcleo)

Enumeração: usamos a vírgula para separar elementos de mesma função sintática, como se nós estivéssemos as enumerando. Entre o último e o penúltimo elemento nós usamos a conjunção “e” ao invés da vírgula.
Exemploeu comprei duas camisas, duas calças, um óculos e um par de tênis.

Orações Coordenadas Assindéticas: se os elementos enumerados (caso anterior) forem orações coordenadas assindéticas (orações independentes sem elementos de ligação entre elas), nós também as separamos com vírgulas.
Exemplo 1: Eu acordei, me levantei da cama, tomei café, me arrumei e fui trabalhar.

Conjunções Adversativas ou Conclusivas: usamos vírgula antes de conjunções ou locuções adversativas (mas, porém, todavia, contudo, entretanto, no entanto, não obstante) ou antes de locuções ou conjunções conclusivas (logo, portanto, então, assim, por isso, por conseguinte).   
Exemplo 1Estudei muito, portanto espero me sair bem na prova.
Exemplo 2Estudei muito, mas não fui bem na prova.

Conjunção “e”: usamos vírgula antes da conjunção “e” caso as orações envolvidas tenham sujeitos diferentes.
Exemplo Coreto: João tropeçou, e Maria escorregou. Nesse caso, a conjunção “e” liga orações com sujeitos diferentes (o sujeito da primeira oração é “João” e o sujeito da segunda oração é “Maria”).
Exemplo Errado: João tropeçou, e escorregou. Nesse caso, a conjunção “e” liga duas orações que possuem o mesmo sujeito (João). Logo, é errado usarmos a vírgula.

Não Separe o Verbo: não podemos separar o sujeito de seu predicado, o verbo de seu complemento, o nome de seu complemento nominal ou adjunto adnominal, a locução verbal da voz passiva de seu agente da passiva, a oração adjetiva restritiva ou adverbial consecutiva da oração principal, a oração subordinada substantiva da oração principal, exceto a substantiva apositiva, com vírgula ou dois-pontos.
Exemplo CorretoPatrícia comprou um biscoito.
Exemplo ErradoPatrícia, comprou um biscoito ou Patrícia comprou, um biscoito.
Observação: o verbo pode se separar do seu complemento ou do seu sujeito caso algum termo seja intercalado. Exemplo: Patrícia, a filha do padeirocomprou um biscoito.

Supressão do Verbo: usamos a vírgula (junto com o ponto e vírgula) quando omitimos um verbo para evitar a repetição dele.
ExemploEu fui comprar sapatos; Ana, botas. Nesse caso, a vírgula depois de “Ana” foi usada para evitar a repetição do verbo “comprar”.

Data e Endereço: usamos a vírgula nas datas e nos endereços.
Exemplo 1: São Paulo, 4 de janeiro de 2015. 
Exemplo 1: Rua da Várzea, 180.

Pleonasmo e Anacoluto: usamos a vírgula em repetições e rupturas (irregularidades sintáticas).
Exemplo 1: Ao vendedor, devo-lhe dinheiro.
Exemplo 1: Esses políticos de hoje, não se pode confiar.

Extra:

Orações coordenadas - sempre se separam por vírgula, exceto as aditivas com a conjunção e
Exemplos: Foi à farmácia, mas não encontrou o remédio. (adversativa)
                  O time venceu, portanto está classificado. (conclusiva)
                  Lute, pois você consegue sua vitória. (explicativa)
                  Ou viaja de avião, ou viaja de carro. (alternativa)

Subordinadas substantivas - somente a substantiva apositiva é separada por vírgula, dois-pontos ou travessão da oração principal, por ter função de aposto. As subjetivas, objetivas diretas, objetivas indiretas, completivas nominais, predicativas e agente da passiva, não.
Exemplo: Ele fez um convite, que comparecêssemos à sua formatura.

Subordinadas adjetivas - somente a adjetiva explicativa é separada por vírgula, travessão ou parênteses da oração principal, as restritivas não, a menos que o verbo seja muito longo ou esteja lado a lado.
Exemplo: Porto Alegre, que é a capital do Rio Grande do Sul, é muito divertida.

Subordinadas adverbiais - com exceção da adverbial consecutiva, em todas, a vírgula é facultativa na ordem direta, e obrigatória quando estão antes da oração principal ou intercaladas, ou são reduzidas.
Exemplos: Embora estivesse chovendo, fomos ao parque.
                 Eles, se conseguirem dinheiro, vão ao teatro assistir à peça.
                 Começaremos a exposição quando todos chegarem.
                Terminado o encontro, retiraram-se os participantes. (reduzida de particípio - adverbial temporal)

Pontuação - Nova Gramática Online

Seu objetivo: aprender as principais regras de pontuação.

Observação: para aprender as regras de uso da vírgulaclique aqui.

Ponto e Vírgula

1) Empregamos o ponto e vírgula para separar termos e expressões coordenadas (independentes).
ExemploEu fui à churrascaria e depois voltei para casa; eles foram à pizzaria e depois foram ao cinema.

2) Empregamos o ponto e vírgula nas listagens e nas enumerações.
Exemplo:

Para organizarmos o estudo, devemos seguir as seguintes etapas:

a) definir o objetivo do estudo;
b) definir o local e o material de estudo;
c) definir a duração do estudo.  

3) Usamos ponto e vírgula quando omitimos o verbo (para não repeti-lo).
Exemplo: Ela prefere gatos; eu, cães. Nesse caso, o ponto e vírgula (juntamente com a vírgula) evitam a repetição do verbo “preferir”.

Dois-Pontos: é usado para apresentar uma nova informação, que pode ser um exemplo (por exemplo: blá-blá-blá), uma fala (Ronaldo disse: “blá-blá-blá”), uma observação (observação: blá-blá-blá) ou qualquer outro tipo de informação.

Ponto: o ponto é usado no final de uma frase, de uma oração, de um período ou no final de uma abreviatura (exceto nas abreviaturas técnicas, como de distância, que pode ser “cm”, “m”, “km”, por exemplo, ou então de tempo, que pode ser “s”, “h”, por exemplo, entre outros).  

Reticências: as reticências são três pontos juntos (...) que podem indicar: hesitação, interrupção de uma ideia ou continuidade de alguma ideia (como se fosse um “suspiro”).
Exemplo 1Eu pensei que você era... (interrupção)
Exemplo 2Eu... eh... pensei que... você estava solteira (hesitação)
Exemplo 3Ah... O tempo passa... Tudo passa...

Aspasas aspas são usadas em citações (quando usamos alguma expressão dita por outra pessoa) e também são usadas para destacar expressões ou palavras estrangeiras, além de gírias, informalidades, neologismos (palavras inventadas que não existem oficialmente) ou arcaísmos (palavras antigas e já ultrapassadas). As aspas também são usadas em erros gramaticais propositais (ex: O garotinho disse “chielo” ao invés de chinelo).

Travessão: é usado para indicar a mudança de interlocutor em algum diálogo (― Quem é você? ― perguntou Manoel). Além disso, também é usado para destacar alguma palavra ou expressão, podendo, assim, funcionar como vírgula ou parêntesis.
ExemploO dono da empresa  um excelente empreendedor  revelou-me os seus planos. Nesse caso, a expressão “um excelente empreendedor”, que está entre dois travessões, é uma expressão explicativa que está intercalada e ela poderia estar entre vírgulas ou dentro de parênteses.

Par de Parênteses (ou um parêntesis): os parênteses são usados para acrescentar palavras ou expressões, dar uma explicação ou chamar a atenção.
Exemplo: Temos um ótimo emprego (hospital qualificado, profissionais especializados), e uma equipe invejável.

Você se pergunta: e os colchetes? Têm emprego semelhante ao dos parênteses, por isso são chamados de parênteses retos. Seu uso se restringe a textos de natureza didática, filológica, científica, linguística. O uso mais largo desse sinal ocorre na matemática, quando precedem os parênteses em uma equação.

Ponto de Exclamação e Ponto de Interrogação: usamos o ponto de exclamação em expressões exclamativas (Meu Deus!) e usamos o ponto de interrogação em perguntas diretas (Você vem hoje?).

Acentuação - Nova Gramática Online

Seu objetivo: estudar as regras de acentuação segundo a Nova Ortografia. 

Revisão de Sílabas Tônica

As palavras oxítonas são aquelas que possuem a última sílaba como a tônica.
As palavras paroxítonas são aquelas que possuem a penúltima sílaba como a tônica.
As palavras proparoxítonas são aquelas que possuem a antepenúltima sílaba como a tônica.
Nossa língua, ao contrário do espanhol, não admite acentuação antes da antepenúltima sílaba, com exceção de algumas formas verbais seguidas de pronome oblíquo.

Regras de Acentuação

As regras de acentuação foram feitas para acentuarem o menor número possível de palavras sem causar confusão na pronúncia (tanto que apenas 20% das palavras da Língua Portuguesa são acentuadas). Essas regras se baseiam na quantidade de palavras oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas que existem, bem como as suas terminações.

A maior parte das palavras paroxítonas da Língua Portuguesa termina em A, E, O, EM (ou plurais: as, es, os, ens). Logo, para economizar acento (já que a maioria tem uma dessas terminações), não acentuamos as palavras paroxítonas terminadas em A(S), E(S), O(S), EM ou ENS. Portanto, para diferenciarmos as paroxítonas das oxítonas, nós devemos acentuar as palavras oxítonas terminadas em A(S), E(S), O(S), EM ou ENS.

Ou seja:

Oxítonas: são acentuadas se terminarem em A(S), E(S), O(S), EM ou ENS.
Exemplos: jacaré, você, armazéns, alguém, paletó, vovô, sofás, ninguém, etc.

Paroxítonas: não são acentuadas se terminarem em A(S), E(S), O(S), EM ou ENS.
Exemploshifens, polens, barata, dente, bolo, jovem.
Reforçando: se a palavra paroxítona tiver outra terminação, nós devemos acentuá-la: lápis, câncer, órgão, amável, hífen, álbum, pônei, colégio, vírus, bônus, táxi, revólver, pólen, túnel, bíceps, etc.

Outras regras: 

Proparoxítonas: todas são acentuadas, sem exceção, independentemente de suas terminações.
Exemplosônibus, lâmpada.

Monossílabos Tônicos: são acentuados se terminarem em A(S), E(S) ou O(S).
Exemplospá, pé, pós.

Ditongo Tônico: devemos acentuar os ditongos abertos (éi, éis, éu, éus, ói, óis) nas oxítonas ou nos monossílabos tônicos.
Exemplostroféus, herói, céu, réu, dói.

Reforçando: caso o ditongo tônico não esteja na última sílaba da palavra, então não o acentuaremos. Exemplos: ideia, heroico, assembleia.

Ênclise e Mesóclise: nas ênclises e nas mesóclises (quando usamos o hífen com um pronome ao final do verbo ou no meio do verbo) nós devemos usar a regra de acentuação desconsiderando o pronome átono.
Exemplosvendê-lo (“vendê” é uma palavra oxítona terminada em E e, portanto deve ser acentuada), parti-la-á (“parti” é uma palavra oxítona terminada em I e, portanto, não deve ser acentuada), instruí-lo-ia (“instruí” é uma palavra oxítona que possui um hiato cuja segunda vogal é um I e portanto, deve ser acentuada)

Na próclise, essa regra não se aplica, pois não há hífen, a união é maior na ênclise.

Considere apenas o verbo, desprezando o pronome e aplique a regra, verifique se há ou não acento.
Em separá-lo, separá é oxítona terminada em A, portanto tem acento. Em recebê-lo, recebê é oxítona terminada em E, portanto tem acento. Em compô-la, compô é oxítona terminada em O, portanto tem acento. Em contraí-lo, contraí é uma oxítona que possui um hiato cuja segunda vogal é um I, portanto, tem acento. Em Em traduzi-lo, traduzi é oxítona terminada em I, portanto não tem acento.

Hiato Tônico: devemos acentuar as vogais I e U se elas forem tônicas, se forem a segunda letra de um hiato (encontro de duas vogais em sílabas separadas) e se estiverem sozinhas na sílaba ou então acompanhadas da letra S.
Exemplossaúde, faísca, saída.
Cuidado 1:  a vogal I não será acentuada se depois dela aparecer NH. Exemplo: moinho.
Cuidado 2: não acentuamos o hiato tônico se ele aparecer depois de um ditongo numa palavra paroxítona. Exemplo: feiura, baiuca, bocaiuva, feiume.
Pegadinha 1juiz (a letra “i” é a segunda vogal do hiato “ui”, mas está acompanhada pela letra “z” e, portanto não é acentuada), juíza (a letra “i” é a segunda vogal do hiato “ui” e está sozinha na sílaba, então a palavra é acentuada). Outros exemplos: raiz e raízes.
Pegadinha 2Piauí é uma palavra oxítona terminada com a letra I. Portanto, não podemos acentuá-la por causa da regra das oxítonas, porém a acentuamos por causa da regra do hiato (a letra “I” é tônica, é a segunda letra de um hiato e está sozinha na sílaba). Ou seja: se pelo menos uma regra de acentuação justificar o acento, então a palavra será acentuada.   O mesmo ocorre em tuiuiú, oxítona terminada em U, na regra do hiato, o U é tônico, é segunda vogal do hiato e está sozinho na sílaba.

Acento Diferencial: usamos o acento diferencial para diferenciar algumas palavras que são escritas iguais em contextos diferentes. Vamos ver cada caso:
Verbo Ter: o verbo “ter” e seus derivados (deter, conter, manter, reter, entreter, obter, abster-se, ater-se, suster, etc) recebem o acento circunflexo para diferenciar a conjugação da 3ª pessoa do singular (ele) da 3ª pessoa do plural (eles). Exemplos: “ele tem” e “eles têm”, “ele detém” e “eles detém”, “ele contém” e “eles contêm”
Verbo Vir: o verbo “vir” e seus derivados (provir, convir, advir, intervir, desavir-se, sobrevir) recebem o acento diferencial pelo mesmo motivo do verbo “ter”. Exemplos: “ele vem” e “eles vêm”, “ele convém” e “eles convêm”.
Verbo Pôr: o verbo “pôr” recebe acento diferencial para diferenciá-lo da preposição “por”. Exemplos: “quero pôr (verbo) seu nome no trabalho”, “venha por (preposição) aqui”.
Verbo Poder: o verbo “poder” recebe acento diferencial para diferenciar a conjugação do pretérito perfeito do presente. Exemplos: “ele pôde jogar na semana passada (pretérito perfeito)” e “ele pode jogar agora (presente)”.
Substantivo Forma: o substantivo “forma” pode receber acento diferencial para distinguir seus dois significados, recipiente e formato. Exemplos: “ponha a massa dentro da fôrma” e “fez a escultura em forma de pássaro”. Nesse caso, o acento é facultativo (você pode usá-lo só se quiser).

Trema: o trema (os dois pontinhos colocados em cima da letra “u”) foi banido. Isso significa que nós devemos escrever “linguiça”, “tranquilo”, “aguentar”, “cinquenta”, “frequente”, “consequência”, “sequestro”, “pinguim”, “ambiguidade” (veja que coisa horrível). Os poucos tremas que sobreviveram ao extermínio podem ser encontrado em nomes estrangeiros (ou derivados desses), como Müller ou Hübner, por exemplo.

Vogais Repetidas: não acentuamos vogais repetidas (não importa se isso ocorra com ditongos ou com hiatos).

Exemplos: voo, enjoo, leem, vadiice (sim, essa palavra existe). 

Mas, em friíssimo e seriíssimo, são proparoxítonas, portanto, são acentuadas, não se consideram hiatos.

Hífen - Nova Gramática Online

Seu objetivo: estudar as regras gerais do uso do hífen.

Para usarmos a Regra Geral do hífen nas palavras compostas, precisamos saber, primeiramente, qual é o tipo de palavra composta.

Palavra Composta por Prefixo: É a palavra que é composta por um prefixo. Os prefixos são as partes que ficam no início das palavras, ou seja: os prefixos são usados junto com as palavras (eles não podem ficar sozinhos). Exemplos de prefixos: micro, mini, auto, anti, socio, eco, pré.

Regra Geral: nas palavras compostas por prefixos, nós usamos o hífen para separar vogais iguais (micro-ondas) ou para separar o prefixo das palavras iniciadas com a letra “h” (pré-história). Além disso, se as letras “r” e “s” vierem depois de alguma vogal elas são misteriosamente duplicadas (semirreta, minissaia).

Exceções: essa regra não funciona se usarmos os prefixos “re” seguido por “e” ou “co” seguido por “o”. Nesses casos, os prefixos apenas se juntam às palavras, repetindo as vogais (esquece a ideia de separar vogais iguais). Exemplos: reescrevercooperar. Caso o prefixo “co” se junte a uma palavra iniciada com a letra “h”, a letra “h” some misteriosamente. Exemplo: co + habitar = coabitar.

Observação: Com os prefixos intersuper e hiper (que terminam com a letra “r”), vale a mesma regra da separação de vogais iguais. Portanto, nós devemos usar hífen caso a palavra comece com “r”. Exemplo: “inter-regional”.

Palavra Composta por Palavras Independentes: é aquela que é composta por palavras autônomas ou independentes (que podem ficar sozinhas, ao contrário dos prefixos). Exemplo: beija-flor (beija + flor). Tanto “beija” quanto “flor” são palavras independentes.

Regra Geral: nas palavras compostas por outras palavras, nós devemos usar hífen caso não haja algum elemento de ligação as ligando. Exemplos: não usamos hífen em “pé de moleque” porque a preposição “de” está ligando as duas palavras (pé e moleque), assim como em dia a dia, fim de semana e ponto e vírgula. Por outro lado devemos usar vírgula em “couve-flor”, já que as duas palavras (couve e flor) estão ligadas diretamente, sem elemento de ligação.  

Exceções: água-de-colônia, cor-de-rosa, arco-da-velha, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa.

Exemplos das Regras Gerais (palavras compostas por prefixos)

Exemplo 1: Escrevemos “micro-ondas” para separar as vogais iguais (já que a palavra é formada pelo prefixo “micro” e pela palavra “ondas”).

Exemplo 2: Escrevemos “autoescola”, já que as vogais são diferentes (é o exemplo inverso do exemplo anterior).

Exemplo 3: Escrevemos “super-homem” com hífen para separar o prefixo (super) da palavra que começa com a letra “h”.

Exemplo 4: Escrevemos “minissaia” sem hífen e com a letra “s” repetida porque essa letra aparece depois de uma vogal (vogal “i”).

Exemplos das Regras Gerais (palavras compostas por outras palavras)

Exemplo 1: Escrevemos “guarda-roupa” com hífen porque não existe elemento de ligação unindo as duas palavras (“guarda” e “roupa”).

Exemplo 2: Escrevemos “maria vai com as outras” sem hífen porque existem elementos de ligação entre as palavras (“maria”, “vai”, “outras”).

Seu objetivo: entender as regras específicas do uso do hífen.

Na primeira parte do nosso estudo (clique aqui para rever) nós estudamos as regras gerais do hífen (as regras que são aplicadas na maior parte dos casos). Agora, nós vamos ver os casos mais específicos.

1) Com os prefixos “circum” ou “pan”, nós devemos usar hífen se a palavra começar com “m”, “n”, “h” ou vogal. Exemplo: circum-navegação.

2) Usamos hífen se depois de “mal” aparecer uma palavra iniciada com “h”, “l” ou vogal. Exemplos: mal-humorado.  

3) Usamos hífen se depois do prefixo “ad” aparecer “h”, “d” ou “r”. Exemplo: ad-rogar.

4) Devemos usar hífen com os prefixos “ab”, “ob”, “sob” e “sub” se depois aparecer “h”, “b” ou “r”.

5) Usamos hífen em adjetivos pátrios (palavras que indicam o lugar de origem, por exemplo: mato-grossense) e também nas palavras compostas que indicam espécies zoológicas (joão-de-barro) ou botânicas (flor-de-lis).

6) Algumas palavras perderam a noção de composição: paraquedas (e palavras derivadas, como paraquedista e paraquedismo), pontapé, mandachuva, parabrisa, paralama.


7) Devemos usar hífen com os prefixos bem, sem, vice, ex, pós, pré, pró, além, aquém, sota, soto

Dúvida: re-hidratar ou reidratar?
O certo é: reidratar. Explicação: Com os prefixos des, in e re, perde-se o H e não se usa o hífen.

Dúvida: super-mercado ou supermercado?
O certo é: supermercado. Explicação: Com os prefixos hiper, inter e super, só se usa o hífen quando a próxima palavra começar por H ou R, não por consoante diferente ou vogal.

Dúvida: contrargumento ou contra-argumento?
O certo é: contra-argumento. Explicação: Usa-se hífen quando o primeiro elemento termina em vogal (contra) e o segundo elemento começa com vogal igual (argumento).

Dúvida: micro-informática ou microinformática?
O certo é: microinformática. Explicação: Não se usa hífen quando o primeiro elemento termina em vogal (micro) e o segundo elemento começa com vogal diferente (informática).

Dúvida: neorrealismo ou neo-realismo?
O certo é: neorrealismo. Explicação: Se o primeiro elemento terminar em vogal (neo), e o segundo elemento começar com R ou S (realismo), deve-se dobrar as consoantes.

Dúvida: extra-conjugal ou extraconjugal?
O certo é: extraconjugal. Explicação: Não se usa hífen quando o prefixo termina em vogal (extra) e o segundo elemento começa por consoante diferente de H (conjugal).

Dúvida: co-ordenação ou coordenação?
O certo é: coordenação. Explicação: Nas formações com o prefixo co, este perde o hífen e se aglutina com o segundo elemento.

Dúvida: cor-de-vinho ou cor de vinho?
O certo é: cor de vinho. Explicação: Não se usa hífen em locuções substantivas, adjetivas, adverbiais, pronominais, prepositivas ou conjuntivas.

Dúvida: panamericano ou pan-americano?
O certo é: pan-americano. Explicação: Com os prefixos circum e pan, usa-se hífen quando o segundo elemento começar por H, M, N ou vogal.

Dúvida: sub-divisão ou subdivisão? sub-grupo ou subgrupo?
O certo é: subdivisão e subgrupo. Explicação: Com o prefixo sub, só se usa o hífen quando o segundo elemento começar por H, B ou R.

Dúvida: Grão Pará ou Grão-Pará?
O certo é: Grão-Pará. Explicação: Usa-se hífen nos topônimos compostos por grã, grão, ou ligados por artigo. Os demais, com exceção de Guiné Bissau, não são separados por hífen.

Dúvida: tamanduá bandeira ou tamanduá-bandeira?
O certo é: tamanduá-bandeira. Explicação: Usa-se hífen nos compostos que designam vegetais ou animais.

Dúvida: tupi-guarani ou tupi guarani?
O certo é: tupi-guarani. Explicação: Usa-se hífen nos sufixos de origem tupi, como açu, mirim, guaçu e mor.

Dúvida: ofereceramnos ou ofereceram-nos? oferecernosão ou oferecer-nos-ão?
O certo é: oferecer-nos-ão e ofereceram-nos. Explicação: Usa-se hífen com os pronomes enclíticos e mesoclíticos.

Dúvida: porto-alegrense ou porto alegrense?
O certo é: porto-alegrense. Explicação: Usa-se hífen nos compostos que designam povo ou nação.

Crase Obrigatória, Proibida e Facultativa - Nova Gramática Online

Seu objetivo: aprender os casos onde a crase é obrigatória, é proibida e é facultativa.  

Casos onde a crase é obrigatória

1) Devemos usar crase para expressar o horário. Exemplo: “A reunião será às cinco horas”.

Observações: Para tempo passado, devemos usar o verbo “haver”. Exemplo: “a reunião foi há cinco horas”. Para tempo futuro, não usamos crase (apenas a preposição “a”). Exemplo: “a reunião será daqui a cinco horas”.

2) Devemos usar crase nas locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas formadas por palavras femininas. Exemplos: às vezes, às pressas, à força, à toa, à procura, às custas de, à vontade, à solta, às segundas (às terças, às quartas, às quintas, às sextas, mas não aos sábados nem aos domingos), à toa, à la carte, à beça, à chave, à beira de, à custa de, à espera de, à procura de, à exceção de, à semelhança de, à imitação de, à força de, à sombra de, às escondidas, à medida que, à proporção que, etc.

Antes que você pergunte: as locuções adverbiais são expressões formadas por duas ou mais palavras que funcionam como advérbios, enquanto que locuções prepositivas são expressões que funcionam como preposições e as locuções conjuntivas são aquelas que funcionam como conjunções.

Observação: alguns autores dizem que não devemos usar crase em adjuntos adverbiais que expressam instrumento, a menos que cause ambiguidade. Exemplo: “matou a facada” (e não “à facada”), “escreveu a caneta” (e não “à caneta”). Porém, alguns gramáticos dizem que, nesses casos, pode-se usar o acento grave em qualquer circunstância, mesmo não ocorrendo ambiguidade.

Casos onde a crase é proibida

1) Não usamos crase antes de verbos no infinitivo, antes de pronomes pessoais, demonstrativosde tratamento, interrogativos ou indefinidos ou antes de palavras masculinas.

ExemplosPôs-se a vender biscoitos (verbo no infinitivo), isto interessa a esta pessoa (pronome demonstrativo), dê o envelope a ele (pronome pessoal), peça o carimbo a Vossa Senhoria (pronome de tratamento), a quem você deve dinheiro? (pronome interrogativo), dê o relatório a algum diretor (pronome indefinido), vamos a pé mesmo (palavra masculina).

Observação: usamos crase antes dos seguintes pronomes de tratamento: senhorasenhoritadamamadame e dona (caso a regência exija a preposição “a”).

Observação: Mesmo antes de palavras masculinas, usamos crase quando a locução prepositiva à moda de está subentendida. ExemploOs sapatos com salto alto e fino são à Luís XV.

2) Não usamos crase antes da palavra “distância” se a distância não for relevada. Exemplo: “seguiu o rapaz a distância”. Caso a distância seja especificada, então usamos crase. Exemplo: “ficou à distância de dez metros”.

3) Não usamos crase antes da palavra “terra” quando estiver significando chão, solo. Exemplo: “Depois de cruzar o Atlântico, voltei a terra”. Se “terra” significar outra coisa, então usaremos crase. Exemplo: “Depois de cruzar a galáxia, voltei à Terra (planeta)”. Outro exemplo: “Depois de passar vários anos em outro país, eu voltei à terra natal (lugar de origem)”.

4) Não usamos crase entre palavras repetidasExemplos: “boca a boca”, “cara a cara”.

Observação: Expressões como “é preciso declarar guerra à guerra” e “é preciso dar mais vida à vida” são exceções.


Casos onde a crase é facultativa (pode usá-la ou não)

1) A crase é facultativa antes de nomes próprios femininosExemplo: “Entregue isso à Paula” ou “entregue isso a Paula”.

Observação: será obrigatória a crase antes de nomes próprios femininos qualificados Exemplo: “Entreguei os relatórios à ilustre Paula”. Se for uma pessoa com quem não se tem intimidade, a crase só ocorrerá se houver um adjunto adnominal determinando-aExemplo: “Fiz homenagem a Bruna Karla”. Mas: “Fiz homenagem à impressionante Bruna Karla”.

2) A crase é facultativa antes de pronomes possessivos adjetivos femininos no singular (minha, dela, tua, sua, nossa, vossa). Exemplo: “Escrevemos à sua mãe” ou “escrevemos a sua mãe”. Se estiver no plural, devemos escrever “a” ou “às”. Exemplo: “Escrevemos a suas mães” ou “escrevemos às suas mães”.

Observação: será obrigatória a crase antes de pronomes possessivos substantivos femininos Exemplo: “Escrevemos à sua mãe, mas não à tua”

3) A crase é facultativa depois da preposição até. Exemplo: “Caminharemos até à loja” ou “caminharemos até a loja”.

Regras Principais da Crase - Nova Gramática Online

Seu objetivo: aprender as regras principais do uso da crase.

No post anterior (clique aqui para rever), você aprendeu o que é crase. Agora, você vai aprender as regras principais do uso da crase.

Regra da Troca: como a crase é a versão feminina do “ao”, devemos usar a crase se nós usarmos o “ao” caso a palavra feminina seja trocada por uma masculina. Porém, tome cuidado para fazer a troca de modo correto (se você alterar a classe gramatical a regra pode dar errada).   

Exemplo 1: Será que devemos usar crase em “vou a praia”? Se trocarmos “praia” por uma palavra masculina (exemplo: teatro), nós usaremos “ao”. Veja: “vou ao teatro” (não podemos dizer “vou a teatro” ou “vou o teatro”). Então, como usamos “ao” com a palavra masculina, devemos usar a crase com a palavra feminina. Logo, devemos usar a crase em “vou à praia”.  A menos que nós sejamos alemães, não dizemos a teatro, e sim o teatro.

Exemplo 2: Será que devemos usar crase em “eu disse a ela”? Vamos, então, trocar “ela” por uma palavra masculina: “eu disse a ele”. Como não escrevemos “ao”, então devemos escrever “eu disse a ela” (sem crase).

Exemplo 3: Será que devemos usar crase em “eu disse a mulher”? Vamos, então, trocar “mulher” por uma palavra masculina: “eu disse ao homem”. Como usamos “ao”, então devemos usar a crase: “eu disse à mulher”.

Observação: se você fizer a troca com uma palavra de outra classe gramatical (exemplo: trocar “mulher”, um substantivo, por “ele”, um pronome), essa troca levará ao erro. Veja que os exemplos 2 e 3 são idênticos, mas as palavras femininas são de classes gramaticais diferentes (“ela” e “mulher”), fazendo um dos exemplos usar crase e outro não.

Exemplo 4: Será que devemos usar a crase em “eu disse a você”? Resposta: não. Afinal, qual é o feminino de “você”? Aliás, “você” é uma palavra feminina ou masculina? Nós nunca usamos artigo antes de “você” (não existe “o você comprou livros” nem “a você comprou livros”). Se nós não usamos artigos antes de “você”, então a preposição “a” (exigida pelo verbo “dizer”) fica sozinha. Logo, não há crase.

Conclusão: a Regra da Troca é a regra clássica da crase, mas tenha cuidado ao aplicá-la. Não adianta decorar essa regra e aplicá-la às cegas, sem analisar o caso. Você precisa saber o significado da crase, que é a união de uma preposição exigida por um verbo com um artigo que define uma palavra feminina. A regra é apenas a generalização prática dessa ideia.

Regra “Vou a, volto da”: para verbos que dão ideia de deslocamento (ir de um lugar para o outro), devemos usar a crase se, ao usarmos o verbo “voltar”, nós usarmos “da”.


Exemplo 1: Será que vai crase em “Vou a Florianópolis”? Vamos usar o verbo voltar: “volto de Florianópolis”. Como não usamos “da”, então não usamos crase. Escrevemos “vou a Florianópolis”.
Em “Vou à Florianópolis dos meus sonhos”? Vamos usar o verbo voltar: “volto da Florianópolis dos meus sonhos”. Como usamos “da”, e o nome está determinado, qualificado, especificado com um adjunto adnominal, não usamos crase. Escrevemos “vou à Florianópolis dos meus sonhos”.

Exemplo 2: Será que vai crase em “Vou a Bahia”? Vamos usar o verbo “voltar”: “volto da Bahia”. Como usamos “da”, então devemos usar a crase. Escrevemos “vou à Bahia”.

Regra do Pronome Demonstrativo: usamos crase nos pronomes demonstrativos que começam com a letra “a” (aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo, aqueloutro, aqueloutra, aqueloutros, aqueloutras) se aparecer a preposição “a” ao serem substituídos por outros pronomes demonstrativos (isto, este, esta, estes, estas, esse, essa, esses, essas etc).

Exemplo 1: Será que usamos crase em “Nada importa aquele jovem”? Vamos substituir o pronome demonstrativo por outro: “nada importa a esse jovem”. Apareceu a preposição “a”. Logo, devemos usar crase: “nada importa àquele jovem”.

Exemplo 2: Será que usamos crase em “comprei aqueles sapatos”? Vamos substituir o pronome demonstrativo por outro: “comprei estes sapatos”. Como a preposição “a” não apareceu, então não usamos a crase: “comprei aqueles sapatos”.

Crase - Nova Gramática Online

Seu objetivo: entender o significado da crase.

Crase: é a fusão da preposição “a” com o artigo “a” ou também com os pronomes demonstrativos e relativos iniciados com a letra “a” (àquele, àquela, à qual, às quais, etc).  

Explicação

Quando uma preposição “a” (exigida por algum verbo) se encontra com o artigo “a” (que está diante de um nome feminino), a união da preposição com o artigo forma a crase (à). Portanto, para sabermos se nós devemos usar a crase ou não, nós precisamos analisar se ocorre essa união ou não.

O acento é grave, é o contrário do acento agudo, crasear significa contrair, fundir os dois AA, juntar, e não acentuar com crase. O acento não se chama crase.

O povo, no entanto, pensa: ''tem crase ou não'', ''bota crase ou não'', como se crase fosse ovo, mas quem bota é galinha. Ou ''quando vou usar a crase'', você vai usar roupa, ou qualquer outra coisa, mas usar crase não.

O que eu vou perguntar: ''quando ocorre ou existe crase?'', ''houve crase, existiu ou ocorreu a crase?''

Veja os exemplos:

Exemplo 1: “Eu vou a + o teatro = Eu vou ao teatro”. Nesse caso, a preposição “a” (exigida pelo verbo “ir”) se junta com o artigo “o” (da palavra “teatro”), formando “ao”.

Exemplo 2: “Eu vou a + a praia = eu vou à praia”. Nesse caso, a preposição “a” (exigida pelo verbo “ir”) se encontra com o artigo “a” (da palavra “praia”). Como não existe “aa”, usamos a crase (à) para indicar o encontro dessas duas letras iguais. Em outras palavras, é como se a crase fosse a versão feminina do “ao”, ou seja: é o “ao” usado em palavras femininas (“o” vira “a”, formando a crase).

Exemplo 3: “Dei a notícia a + a mulher = dei a notícia à mulher”. Nesse caso, a preposição “a” (exigida pelo verbo “dar”) se junta com o artigo “a” (da palavra “mulher”), formando, assim, a crase.

Exemplo 4: “Dei a notícia a + ele = dei a notícia a ele”. Nesse caso, só existe a preposição “a”: não existe artigo (“ele” está sozinho). Logo, a preposição fica sozinha, sem se juntar com ninguém. Portanto, não há crase.

Exemplo 5: “Dei a notícia a + você = dei a notícia a você”. Esse é o mesmo caso do exemplo anterior. 

Por exemplo, imaginamos que estamos lendo uma narrativa, ou poema na literatura infantil: ''o elefante elegante'', juntamos o E final com o E inicial. Isso é crase, existe crase de E com E, de I com I, de O com O e de U com U.
Quando se pensa em crase de A com A, saímos do narrativo e do literário e retornamos ao contexto gramatical.

Existem algumas regras que nos ajudam a usar a crase e nós veremos essas regras no próximo post. Clique no link abaixo para continuar o seu estudo.