17 de julho de 2019

Concordância do verbo ser

"Ser ou não ser?" A clássica pergunta de Shakespeare poderia dar lugar, neste momento a "Entender ou não entender" mais uma questão referente à concordância verbal?! (risos) Isso fica a seu critério, lógico! A explicação abaixo, contudo, contém tudo o que você precisa saber acerca da concordância desse idiossincrático verbo da nossa amada língua portuguesa.

A CONCORDÂNCIA DO VERBO SER:
O verbo de ligação ser apresenta uma concordância particularíssima, já que, em vez de concordar sempre com o sujeito, oscila frequentemente entre o sujeito e o predicativo do sujeito:

Tua vida são essas ilusões. (concordância feita com o predicativo do sujeito "vida")

Seguem algumas regras importantes:

01 - Na indicação de horasdatas e distâncias o verbo ser é impessoal, não tem sujeito e concordará com a expressão designativa da horadata ou distância, ou seja, com a expressão numérica (predicativo):

Da estação à fazenda são três léguas a cavalo.
Hoje são vinte e um do mês, não é?
Seriam seis e meia da tarde?
É uma hora e meia. ¹
É meio-dia e meia.
Hoje são 31 de março. ²

[¹] - A forma adequada é meia e não meio, porque a palavra hora está subentendida.
[²] - Se aparece a palavra dia antes da expressão numérica, o verbo com ela concorda. Assim diremos: Hoje é dia 31 de outubro (porque aí o predicativo é a palavra dia).

Observação: Estando a expressão que designa hora precedida da locução perto de, hesitam os escritores entre o plural e o singular:

Eram perto de oito horas.
Era perto de duas horas.

► Como se pergunta as horas? Assim é que se pergunta:

Que (= quantas) horas são? (= são quantas horas?)

Pois em tais frases, não há sujeito, e o predicativo é que (pronome-adjetivo equivalente a quantas).

E responder-se-á:
É uma hora.
São três horas.

02 - Quando o verbo ser é acompanhado de muitopouco, bastantesuficiente etc., indicando quantidade: peso, medida, preço, tempo, valor, usa-se apenas é, independentemente do número em que estiver o sujeito:

Dois dias é pouco tempo para aprender tudo isso.
Três mil reais é bastante por esta casa.
Vinte quilos é muito para uma criança carregar.
Dois metros de tecido é suficiente para fazer o seu terno.
Seis é demais para fazer o trabalho.

► Há quem ache estranha a concordância do verbo ser em construções como: Seis é demais. E acham que deveria ser: Seis são demais. A concordância no singular, embora estranha, acontece normalmente com as expressões que denotam excesso (é demais), suficiência (é bastante), insuficiência (é pouco), etc. É mais um caso de concordância ideológica: o sujeito, embora no plural, guarda a ideia coletiva e o verbo no singular sintoniza com essa ideia.

O3
 - Como elemento de realce, vale-se a língua da locução é que, de grande poder expressivo. Tal locução é invariável, e, por isso, não alteramos a concordância do verbo com o sujeito:

Eu é que mantenho a ordem aqui.
Nós é que mantemos a ordem aqui.
Tu é que manténs a ordem aqui.

Da mesma forma se diz, com ênfase:

Vocês são muito é atrevidos.

04 - Quando o sujeito for um dos pronomes indefinidos e demonstrativos neutros tudoo queistoisso, ou aquilo, o verbo ser concordará com seu predicativo:
Tudo eram hipóteses.
Aquilo eram sintomas graves.
O que atrapalha bastante são as discussões.

Atenção! O verbo ser fica no singular quando o predicativo é formado de dois núcleos singulares:

Tudo o mais é saudade e silêncio.

05 - Quando o sujeito e o predicativo são nomes de coisas e pertencem a números diferentes, o verbo ser concorda, de preferência, com o que está no plural:

cama (coisa) são umas palhas (coisa).
Essas vaidades são o seu segredo.
causa eram seus projetos.
vida não são rosas.

sujeito ou predicativo sendo nome de pessoa ou pessoa, a concordância se faz com a pessoa:

O homem é cinzas.
Paulo era só problemas.
Você é suas decisões.
Seu orgulho eram os velhinhos.

06 - Quando um dos dois termos da frase – sujeito ou predicativo – for um pronome pessoal, o verbo ser concordará com este pronome:

Todo eu era olhos e coração.
Nas minhas terras, o rei sou eu.

O que é morfologia?


Chamamos de Morfologia o estudo das formas existentes na língua.
Quando pensamos em analisar morfologicamente um texto, um enunciado ou mesmo um sintagma, estamos preocupados em reconhecer quais são as classes gramaticais a que pertencem as palavras ali existentes.
A análise morfológica leva em consideração A PALAVRA POR ELA MESMA, ou seja, quem ela é; a qual família ou grupo de palavras ela pertence.
Vale lembrar que são 10 as classes gramaticais em língua portuguesa - será que você se lembra bem de cada uma delas? Se não estiver seguro quanto à resposta a esta pergunta, vale a pena conferir o resuminho que incluo logo abaixo:

SUBSTANTIVOS: são palavras que designam tanto seres (visíveis ou não, animados ou não, reais ou não), quanto as ações, estados, desejos, sentimentos e ideias. Todas as palavras de nossa língua que desempenham a função de NOMEAR as coisas, pessoas, lugares, eventos etc. são substantivos. 
Classificam-se em: simples, compostos, primitivos, derivados, comuns, próprios, concretos, abstratos e coletivos
Função sintática exercida: núcleo do sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, agente da passiva, predicativo do sujeito, predicativo do objeto, adjunto adnominal, adjunto adverbial, aposto e vocativo
Locução existente: locução substantiva
Flexionam-se em: gênero (masculino e feminino), número (singular e plural) e grau (aumentativo e diminutivo)

ADJETIVOS: são as palavras que caracterizam os seres, indicando qualidade, defeito, aspecto, estado ou local de origem. Referem-se sempre a um substantivo explícito ou subentendido na frase, com o qual concordam em gênero e número.
Classificam-se em: simples, compostos, primitivos, derivados, pátrios, explicativos e restritivos
Função sintática exercida: adjunto adnominal, predicativo do sujeito ou predicativo do objeto
Locução existente: locução adjetiva
Flexionam-se em: gênero (masculino e feminino), número (singular e plural) e grau (comparativo e superlativo)

NUMERAIS: são palavras que expressam quantidade exata de pessoas ou coisas ou o lugar que elas ocupam numa determinada sequência, multiplicação ou divisão de uma quantidade, ou um conjunto de seres, com número delimitado.
Classificam-se em: cardinais, ordinais, multiplicativos, fracionários e coletivos
Função sintática exercida: adjunto adnominal (numeral adjetivo) ou função própria do substantivo (numeral substantivo)
Flexionam-se em: gênero, número e grau, esse último na linguagem informal

ARTIGOS: são as palavras que precedem o substantivo, indicando-lhe o gênero e o número, ao mesmo tempo que também determinam ou generalizam esse substantivo.
Classificam-se em: definidos e indefinidos
Função sintática exercida: adjunto adnominal
Flexionam-se em: gênero e número

ADVÉRBIOS: são palavras que, basicamente, modificam o verbo, o adjetivo, outros advérbios e uma frase inteira; sempre acrescentando a eles uma circunstância (tempo, modo, intensidade, lugar, afirmação, negação, dúvida, meio, companhia, instrumento, finalidade, assunto, matéria, preço, concessão, condição, conformidade, limitação, referência, reciprocidade, substituição, efeito, ordem, medida, peso, favor, proporção, consequência, conclusão, argumento, etc.)
Classificam-se em: tempo, modo, lugar, causa, finalidade etc.
Função sintática exercida: adjunto adverbial
Locução existente: locução adverbial
Flexionam-se em: grau (para alguns)

PRONOMES: são as palavras que substituem ou acompanham o substantivo, indicando a sua posição em relação às pessoas do discurso ou mesmo situando-o no espaço e no tempo.
Classificam-se em: pessoais retos, pessoais oblíquos, de tratamento, possessivos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos, relativos, reflexivos e recíprocos
Função sintática exercida: adjunto adnominal (pronome adjetivo) ou função própria do substantivo (pronome substantivo)
Locução existente: locução pronominal
Flexionam-se em: gênero, número e pessoa

PREPOSIÇÕES: são palavras invariáveis que unem termos de uma oração, estabelecendo entre eles variadas relações.
Classificam-se em: essenciais e acidentais, além das locuções prepositivas, combinações e contrações
Função sintática exercida: nenhuma (é um conectivo)
Locução existente: locução prepositiva
Flexiona-se em: nenhuma flexão (palavra invariável)

CONJUNÇÕES
: são palavras invariáveis usadas para ligar orações ou termos semelhantes de uma oração, estabelecendo relações de tempo, consequência, causa, oposição, adição etc.
Classificam-se em: coordenativas e subordinativas
Divisão das coordenativas: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas e explicativas
Divisão das subordinativas: causais, consecutivas, concessivas, condicionais, comparativas, conformativas, proporcionais, finais, temporais e integrantes
Função sintática exercida: nenhuma (é um conectivo)
Locução existente: locução conjuntiva
Flexiona-se em: nenhuma flexão (palavra invariável)

INTERJEIÇÕES: são palavras invariáveis usadas para exprimir sensações ou estados de espírito. Comumente as chamamos de "elementos afetivos da linguagem".
Classificam-se quanto ao sentimento expresso
Função sintática exercida: nenhuma (é uma palavra-frase, não racional)
Locução existente: locução interjetiva
Flexiona-se em: nenhuma flexão (palavra invariável)

VERBOS: são palavras que se flexionam em númeropessoatempo, modo, voz e aspecto. Em termos significativos, o verbo costuma indicar uma ação, um estado, uma mudança de estado, um fenômeno da natureza ou a simples existência dos seres.
Classificam-se em: regulares, irregulares, anômalos, defectivos, abundantes, auxiliares, principais, pronominais, reflexivos, impessoais e unipessoais
Função sintática exercida: núcleo do predicado verbal ou do predicado verbo-nominal, exceto o verbo de ligação
Locução existente: locução verbal
Flexionam-se em: número (singular e plural), pessoa (primeira - falante, segunda - interlocutor e terceira - referente), tempo (presente, pretérito e futuro), modo (indicativo, subjuntivo e imperativo), voz (ativa, passiva, reflexiva e recíproca) e aspecto (aumentativo, diminutivo, frequentativo ou iterativo, incoativo ou inceptivo, conclusivo ou cessativo e imitativo ou onomatopaico).

''Que nem'' pode?

Pode. Essa locução existe e é perfeitamente empregável, inclusive no domínio culto da língua. É só você prestar muita atenção no contexto em que você irá utilizá-la e no significado que ela assume dentro dele. Perceba:

1. Significando "tal qual", "exatamente como", "exatamente igual", "sem diferença", "igual a":

Ele comportou-se que nem um louco.
"A saudade bateu, foi que nem maré..."

2. Significando "o qual nem", "o qual nem mesmo":

Foi um problema que nem o professor soube resolver.

3. Dentro de outras expressões como "em que nem", "em que nem mesmo", "no qual nem mesmo":

“Estamos retornando a um momento em que nem mesmo os anjos ainda tinham sido criados, não havia anjos de Deus nem anjos caídos, nem ainda havia menção do nome de Lúcifer.” (Cristianismo): Bíblia - Gênesis 1.1.

Luiz Antônio Sacconi, na Novíssima Gramática Ilustrada, no capítulo sobre vícios de linguagem, só admite uso dessa expressão com ideia de consequência:

Essa mulher é perigosa que nem uma cobra! / Esse jogador é liso que nem quiabo!

É possível o subentendimento:

Essa mulher é perigosa que nem mesmo cobra é tão perigosa!
Esse jogador é liso que nem mesmo quiabo é tão liso!

As dificuldades da conjugação verbal


Ao chegar na lição das conjugações verbais, professor de Português e alunos se divertem, porque há cada forma verbal muito esquisita. Outras que existem apenas para azucrinar o aluno e deixar o professor estressado, caso este não conduza a lição para o campo do humor.
A primeira dificuldade é a existência da segunda pessoa “tu” e “vós”. Logo gritam: “Ninguém usa isso, professor, a não ser os gaúchos!”. E acrescento que os gaúchos o usam erroneamente, pois colocam o verbo na terceira pessoa do singular: ‘tu foi” (em vez de “tu foste”)
“Eu cri”, “ele creu” – pretérito perfeito do indicativo. Se alguém usar essas duas formas verbais numa conversa será, no mínimo, questionado. A primeira pessoa do presente do indicativo verbo rir: rio, também é muito engraçada e todos os falantes fogem dela.
Ao conjugar o verbo “pôr”, o aluno fica indignado com a forma “pus”, primeira pessoa do pretérito perfeito do indicativo. “Pus não é aquele negócio de ferida, professor”. Explico que sim, mas também é uma forma verbal. E a saída vem imediatamente: “É melhor usar ‘coloquei!’”
Explico que os verbos derivados são conjugados de acordo com os primitivos: refazer (de acordo com fazer), repor (de acordo com pôr), reaver (de acordo com haver). O livro ou apostila põe um exercício com o verbo “requerer”. O aluno quer conjugá-lo de acordo com o “querer”, mas não pode, porque “re” não é prefixo indicativo de repetição nesse verbo. Em vez de “requis” é “requereu”.
Raramente um verbo é irregular nos futuros do indicativo: do presente e do pretérito, porque é um tempo derivado do infinitivo impessoal, em que o radical permanece inalterado, mas os verbos “fazer” e “dizer” conseguem ser irregulares neles, pois perdem a sílaba “ze”; por isso, alunos conjugam: fazerei, dizerei, quando é “farei” e “direi”.
Nesses mesmos tempos, futuros do indicativo, conjugar o verbo “querer” com os alunos é uma lástima. Não aceitam as duas sílabas “re”: quererei, quereresquereráquereremosquerereisquererão.
Dar a formação do imperativo exige malabarismo do professor, principalmente o afirmativo: uma parte vem do presente do indicativo menos a letra “s” (tu/vós) e a outra do presente do subjuntivo.
pretérito mais-que-perfeito (tempo simples) é uma loucura no ensino da conjugação verbal. Ninguém o usa na linguagem cotidiana, preferem o tempo composto: comprara (tinha comprado). Nem as pessoas de bom nível intelectual têm a paciência de usá-lo. Mas existem os textos mais antigos, além disso, na língua portuguesa, os gramáticos demoram para enterrar um defunto, ficam curtindo o mau cheiro, gostam de ver o professor de Português se descabelar.
Problema maior é ensinar o verbo “ver” no futuro do subjuntivovir, vires, vir, virmos, virdes, virem. “Esse não é o verbo ‘vir’, professor”. Explico que o verbo “vir” faz o futuro do subjuntivo assim: vier, vieres, vier, viermos, vierdes, vierem.
Na conjugação dos verbos nos futuros do indicativo, aproveita-se para dar a colocação pronominal: mesóclise. Exercício: conjugue o verbo conduzir nos tempos futuro do presente e futuro do pretérito, ambos do indicativo, aplicando a mesóclise com o pronome pessoal, oblíquo e átono “o”: conduzi-lo-ei, conduzi-lo-ás, conduzi-lo-á, conduzi-lo-emos, conduzi-lo-eis, conduzi-lo-ão/ conduzi-lo-ia, conduzi-lo-ias, conduzi-lo-ia, conduzi-lo-íamos, conduzi-lo-íeis, conduzi-lo-iam.
Os verbos “ir” e “ser” são iguais nos tempos derivados do pretérito perfeito do indicativofui, foste, foi, fomos, fostes, foram. Pretérito mais-que-perfeito: fora, foras, fora, fôramos, fôreis, foram. Futuro do subjuntivo: for, fores, for, formos, fordes, forem. Pretérito imperfeito do subjuntivo: fosse, fosses, fosse, fôssemos, fôsseis, fossem.
Tenho conscientizado meus alunos de que os dicionários, como Aurélio e Houaiss, principalmente as versões eletrônicas, são ótimos como fontes de pesquisa gramatical, pois, dentre outras coisas, apresentam a conjugação de todos os verbos.

Verbos irregulares - dica


Diferentemente dos regulares, os verbos irregulares não seguem um modelo de conjugação, apresentando alterações em seu radical ou em suas terminações.

Veja o que ocorre com o verbo perder, que já na primeira pessoa do singular do presente do indicativo apresenta irregularidade bastante comum: a troca do radical do infinitivo perd- por perc-: eu perco.

Com o verbo estar, também no presente do indicativo, não temos mudança no radical (est-). As terminações e a posição da sílaba tônica em nada se parecem com as da maioria dos verbos terminados em -ar:

eu estou
tu estás
ele está
nós estamos
vós estais
eles estão 

Se o verbo estar fosse regular, seu presente do indicativo seria: eu esto, tu estas, ele esta, nós estamos, vós estais, eles estam.

Mas é claro que ninguém o conjuga assim.

Vamos agora prestar muita atenção na conjugação de alguns verbos irregulares que normalmente causam dúvidas.

Verbos terminados em -IAR:

Quase todos os verbos terminados em -iar são regulares, como anunciar, denunciar, variar, reverenciar, maquiar, policiar, noticiar, angustiar, negociar:

eu anuncio ele anuncia nós anunciamos eles anunciam

eu vario ele varia nós variamos eles variam

eu negocio ele negocia nós negociamos eles negociam 

No entanto, há cinco verbos terminados em -iar cuja conjugação é irregular: mediar, ansiar, remediar, incendiar e odiar.

Mediar - medeio, medeias, medeia... que eu medeie, medeies, medeie...
Ansiar - anseio, anseias, anseia... que eu anseie, anseies, anseie...
Remediar - remedeio, remedeias, remedeia...que eu remedeie, remedeies...
Incendiar - incendeio, incendeias, incendeia...que eu incendeie...
Odiar - odeio, odeias, odeia... que eu odeie, odeies, odeie... 
Como você deve ter notado, a inicial de cada verbo permite formar uma ótima dica: a nome próprio "MARIO".
Veja de novo:

Mediar
Ansiar
Remediar
Incendiar
Odiar

O verbo intermediar, derivado de mediar, também é irregular:

eu intermedeio, tu intermedeias, ele intermedeia;
que eu intermedeie, que ele intermedeie, que nós intermediemos, que eles intermedeiem, nós intermediamos, vós intermediais, eles intermedeiam

Cuidado com o presente do subjuntivo desses verbos. Tome como modelo odiar:

que eu odeie, que tu odeies, que ele odeie, que nós odiemos, que vós odieis, que eles odeiem;

Verbos terminados em -EAR:

Responda já: o time deve estrear ou estreiar?
Eis um dos grandes nós da ortografia da língua portuguesa: o substantivo correspondente ao verbo é estreia, mas o adjetivo é estreante e o verbo é estrear; assim como o substantivo é receio, mas o adjetivo é receoso e o verbo é recear.

Agora, anote: só existe um único verbo terminado em -eiar: veiar (formar riscas ou estrias).

Há verbos terminados em -iar, como variar, anunciar e tantos outros já citados, e verbos terminados em -ear, como frear, passear, pentear, recear, estrear.

Todos os verbos terminados em -ear são conjugados com as mesmas terminações. Vamos tomar como exemplo e modelo o verbo frear.

Presente do Indicativo

eu freio
tu freias
ele freia
nós freamos
vós freais
eles freiam 

Pretérito Perfeito do Indicativo

eu freei
tu freaste
ele freou
nós freamos
vós freastes
eles frearam 

Você já sabe que os dois tempos dados acima são primitivos. E já conhece os esquemas de conjugação dos tempos derivados. Aplique-os, agora, com qualquer tempo de qualquer verbo terminado em -ear.

Não esqueça: todos - absolutamente todos - os verbos terminados em -ear apresentam as mesmas terminações.