25 de agosto de 2019

Adjunto adnominal ou complemento nominal - como diferenciar?

O assunto de hoje é uma dúvida muito frequente: como diferenciar adjunto adnominal de complemento nominal?
Você verá que não é um bicho de sete cabeças, na verdade, é só você se guiar pelos três critérios que explicaremos adiante que não tem erro.
Então vamos lá?
Primeiro, é bom lembrar que o adjunto adnominal é todo termo sintático da oração que pode caracterizar, determinar, modificar, especificar ou restringir um substantivo.
Esse termo pode ser representado por:
1) um artigo:                                    O carro parou.
2) um pronome adjetivo:               Encontrei meu relógio.
3) um numeral adjetivo:                 Recebi a segunda parcela.
4) um adjetivo:                                Tive ali grandes amigos.
5) uma locução adjetiva:                Tenho uma mesa de pedra.
Já o complemento nominal é sempre precedido de preposição e completa o sentido de substantivos, adjetivos e advérbios que apresentam transitividade.
Observe os exemplos a seguir:
1) complemento nominal de um substantivo:
Você fez uma boa leitura do texto.
Note que o substantivo “leitura” é o nome da ação de “ler”. Como é natural o verbo ser transitivo, o substantivo também fica transitivo e exige complemento nominal.
2) complemento nominal de um adjetivo:
Você precisa ser fiel aos seus ideais.
Quem é fiel é fiel a alguém ou a alguma coisa. Assim, o adjetivo “fiel” é transitivo, ou seja, necessita de complemento.
3) Complemento nominal de advérbio:
Você mora perto de Maria.
Note que o advérbio de lugar “perto” necessita de um complemento: perto de algo ou de alguém.

Visto isso, agora podemos entender como distinguir o adjunto adnominal do complemento nominal.
adjunto adnominal formado por uma locução adjetiva pode ser confundido com o complemento nominal. Normalmente não haverá dúvida, pois, segundo o que explicamos acima, o adjunto adnominal é constituído de vocábulo de valor restritivo que caracteriza o núcleo do termo de que faz parte. Já o complemento nominal é termo que completa o sentido de um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio).
A dúvida ocorre, portanto, quando os dois termos são preposicionados. Por exemplo:
A leitura do livro é instigante.       A leitura do aluno foi boa.
Para percebermos a diferença, é importante passarmos por três critérios:
1º critério:
👉adjunto adnominal quando preposicionado caracteriza apenas o substantivo.
👉complemento nominal complementa um substantivo,  adjetivo ou advérbio.
            Assim, em orações como “Estava cheio de problemas.”, “Moro perto de você.”, logo no primeiro critério, já sabemos que “de problemas” e “de você” são complementos nominais, pois completam o sentido do adjetivo “cheio” e do advérbio “perto”, respectivamente.

2º critério:
👉substantivo caracterizado por um adjunto adnominal pode ser concreto ou abstrato.
👉substantivo completado por um complemento nominal deve ser abstrato.
Sabendo-se que um substantivo abstrato normalmente é o nome de uma ação (corrida, pesca) ou de uma característica (tristeza, igualdade) e que o substantivo concreto é o nome de um ser independente, que conseguimos visualizar, pegar (casa, copo). Nas orações “Trouxe copos de vidro.” e “Vi a casa de pedra.”, os termos “de vidro” e “de pedra” são adjuntos adnominais, pois caracterizam os substantivos concretos “copos” e “casa”, respectivamente. Fazendo uma associação com a informática, o substantivo concreto é o hardware e o substantivo abstrato é o software.

E se o substantivo seguido do termo preposicionado for abstrato?
Neste caso, passamos para o 3º critério:
3º critério:
👉O adjunto adnominal preposicionado é agente. Ele é um termo acessório, desnecessário, ou seja, dispensável, exerce uma função secundária na oração, contém uma informação adicional, extra.
👉O complemento nominal é paciente. Ele é um termo integrante, necessário, ou seja, é indispensável para a compreensão da frase.
Este último normalmente é o cobrado em prova. Se os termos abaixo sublinhados são agentes, automaticamente serão os adjuntos adnominais. Se pacientes, serão complementos nominais. Veja:
Adjuntos adnominais:
O amor de mãe é especial.                                    (agente: a mãe ama)
A invenção do cientista mudou o mundo.            (agente: o cientista inventou)
A leitura do aluno foi boa.                                      (agente: o aluno leu)
Complementos nominais:
O amor à mãe também é especial.           (paciente: a mãe não ama, e sim é amada)
A invenção do rádio mudou o mundo.     (paciente: o rádio não inventou, e sim foi inventado)
A leitura do livro é instigante.                   (paciente: o livro não lê, e sim é lido)

Posto que - locução causal ou concessiva?

Galera, frequentemente muitas pessoas vêm empregado a locução conjuntiva POSTO QUE em contexto de causa/consequência ou explicação.
Exemplo: Não compareci à festa posto que não fui convidado.
No período acima, a locução POSTO QUE foi incorretamente empregada como sinônimo de UMA VEZ QUE (locução conjuntiva causal ou explicativa).
Logo, a reescrita adequada é Não compareci à festa uma vez que não fui convidado.


Para aprender definitivamente o matiz semântico da locução POSTO QUE, compartilho com vocês as seguintes lições:


NAPOLEÃO MENDES DE ALMEIDA (Dicionário de Questões Vernáculas, Editora Ática,4ª ed., 1998, p. 432)
"Posto que - é locução conjuntiva, de sentido concessivo, e não causal nem explicativo; significa ainda que, bem que, embora, apesar de:
Um simples cavaleiro posto que ilustre. (=Um simples cavaleiro ainda que ilustre)
E, posto que a luta fosse longa e encarniçada, venceram." (=E, mesmo que a luta fosse longa e escarniçada, venceram)

DOMINGOS PASCHOAL CEGALLA (Dicionário de Dificuldades de Língua Portuguesa, Editora Nova Fronteira, 2ª ed., 1999, pp. 324-325)
"Posto que - locução equivalente de ainda que, se bem que, embora:
Embora o primeiro a entrar no jardim, e pisava firme, posto que cauteloso. (Carlos Drummond de Andrade, Obras Completas, p. 439)
(...)
Esta locução não tem o sentido de porque, visto que. Não serve, portanto, para exprimir ideia de causa ou explicação."

Novo Manual de Redação da Presidência da República

Esse recado de hoje vai para quem precisa estudar REDAÇÃO OFICIAL. No apagar das luzes do governo Temer, houve a publicação da 3ª edição do Manual de Redação da Presidência da República.
Mas não se assuste! Não houve nenhuma alteração drástica. Essa edição serviu para atualizar o manual em relação às inovações tecnológicas dos últimos anos e, principalmente, alterar uma coisinha de nada do Padrão Ofício.
Vamos ver o que, em resumo, interessa saber.
Antes, consideravam-se atributos da Redação Oficial: impessoalidade, clareza, concisão, formalidade e uniformidade.
Nessa nova edição, consta que a redação oficial deve caracterizar-se por:
· clareza e precisão;
· objetividade;
· concisão;
· coesão e coerência;
· impessoalidade;
· formalidade e padronização; e
· uso da norma padrão da língua portuguesa.
Em seguida, apresentam-se, de forma pormenorizada, a definição e objetivo de cada um desses atributos.
Em relação ao PADRÃO OFÍCIO, até a 2ª edição, havia três tipos de expedientes do padrão ofício que se diferenciavam somente pela finalidade, e não pela forma: AVISO (expedido exclusivamente por Ministros de Estado para autoridades de mesma hierarquia), OFÍCIO (expedido para e pelas demais autoridades) e MEMORANDO (expedido entre unidades administrativas de um mesmo órgão).
Agora, tudo isso passa a se chamar OFÍCIO, como um conjunto unitário, com as seguintes variações:
– CIRCULAR: Quando um órgão envia o mesmo expediente para mais de um órgão receptor. A sigla na epígrafe será apenas do órgão remetente (Ex.: OFÍCIO CIRCULAR Nº 652/2019/MEC);
– CONJUNTO: Quando mais de um órgão envia, conjuntamente, o mesmo expediente para um único órgão receptor. Nesse caso, as siglas dos órgãos remetentes constarão da epígrafe (Ex.: OFÍCIO CONJUNTO Nº 652/2019/SECEX/RFB);
– CONJUNTO CIRCULAR: Quando mais de um órgão envia, conjuntamente, o mesmo expeciente para mais de um órgão receptor. Do mesmo modo que o Ofício Conjunto, todas as siglas constarão da epígrafe (OFÍCIO CONJUNTO CIRCULAR Nº 652/2019/CC/MJ/MRE).
Outra alteração é que, antes, a fonte a ser usada deveria ser Times New Roman, e, a partir da nova edição, devemos usar Calibri ou Carlito.
Finalmente, não há menção a formas de comunicação em desuso, como o telegrama e o fax.
No novo manual de redação, não há a menção quanto aos pronomes de tratamento para reitores de universidades nem para religiosos, até a 2ª edição, somente aos pronomes para autoridades do Poder Executivo, Legislativo, Judiciário e demais autoridades / particulares. Nos demais casos, deve-se consultar uma gramática ou a internet.

Palavras e locuções denotativas

Eu Preciso Aprender a Só Ser
Composição: Gilberto Gil – Texto de Isabel Câmara
Sabe, gente
É tanta coisa pra gente saber
O que cantar, como andar, aonde ir
O que dizer, o que calar, a quem querer
Sabe, gente
É tanta coisa que eu fico sem jeito
Sou eu sozinha e esse nó no peito
Já desfeito em lágrimas que eu luto pra esconder
Sabe, gente
Eu sei que no fundo o problema é só da gente
É só do coração dizer não quando a mente
Tenta nos levar pra casa do sofrer
E quando escutar um samba-canção
Assim como “Eu preciso aprender a ser só”
Reagir e ouvir o coração responder:
“Eu preciso aprender a só ser”
</font>
A partir dessa linda canção de Gilberto Gil, vamos analisar como a posição de certos vocábulos pode alterar o seu sentido na oração (e, algumas vezes, sua classificação morfológica também, ou seja, a classe de palavras a que pertencem).
Esse assunto já foi abordado em uma prova da Fundação Getúlio Vargas – Agente Tributário Estadual de Mato Grosso do Sul – e suscitou inúmeros debates.
Qual é a diferença entre “Eu preciso aprender a ser só” e “Eu preciso aprender a só ser”?
Bem, no primeiro caso, o vocábulo “só” é um adjetivo que equivale a “sozinho”. Assim, o que se precisa aprender é a ficar sozinho.
Já a resposta do coração dá outra sugestão: “é preciso aprender a só ser”, ou seja, é preciso aprender a simplesmente “ser”. Esse “só” tem valor circunstancial e recebe a classificação de “palavra denotativa”. Tem valor de exclusão – é preciso aprender nada além de SER.
Apesar de não reconhecidas pela Nomenclatura Gramatical Brasileira (que as classifica à parte dos advérbios, mas sem denominação específica), as palavras & locuções denotativas diferenciam-se destes em função das palavras que podem modificar.
Os advérbios podem modificar verbos, adjetivos, outros advérbios ou orações, enquanto que as palavras e locuções denotativas podem se referir a vocábulos de qualquer classificação, ou até mesmo a nenhum vocábulo especificamente.
Podem designar, dentre outras circunstâncias:
– INCLUSÃO: até, inclusive, mesmo, também etc.
– EXCLUSÃO: apenas, salvo, exceto, só, somente, salvante, fora, tirante, sequer etc.
– DESIGNAÇÃO: eis
– REALCE / EXPLETIVA: cá (“Eu cá tenho de perguntar”), lá (“E eu lá sei isso!”), é que, só, ainda, mas, embora, porque etc.
– RETIFICAÇÃO: isto é, ou melhor, aliás, ou antes, digo etc.
– EXPLICAÇÃO: isto é, ou melhor (a diferença entre este e o anterior depende da construção).
– SITUAÇÃO – afinal (Afinal, o que você quer?), agora, então (“Então, diga se já compreendeu a lição.”)
– ADIÇÃO: ainda, além disso
– AFASTAMENTO: embora
– AFETIVIDADE: ainda bem, felizmente, infelizmente
– APROXIMAÇÃO: quase, lá por, uns, bem, cerca de, por volta de
– LIMITAÇÃO: apenas, só, somente, unicamente
Veja um outro emprego da palavra denotativa “só”:
 eu sei / as esquinas por que passei /  eu sei” (letra da música “Esquinas”, de Djavan).
Esse “só” se refere ao pronome “eu” com idéia de exclusão – “ninguém além de mim” ou “de todas as pessoas do mundo, só eu sei…”.
Note que não poderíamos classificar esse vocábulo como advérbio, uma vez que altera o sentido de um pronome (eu).
A questão da prova da FGV explorava a alteração de sentido e de classe gramatical de vocábulos em relação à sua posição.
“Outras vezes ela passa por mim na rua entre os camelôs.
“Vezes outras a entrevejo no espelho de uma joalheria.
No trecho acima, a inversão das palavras grifadas não provocou alteração de sentido. Assinale a alternativa em que a inversão dos termos provoca alteração gramatical e semântica.
  • novos papéis / papéis novos
  • várias idéias / idéias várias
  • lúcidas lembranças / lembranças lúcidas
  • tristes dias / dias tristes
  • poucas oportunidades / oportunidades poucas
O gabarito foi a letra (B). Antes do substantivo, o vocábulo “várias” é um pronome que atribui a “idéias” um valor indefinido – não se pode precisar quantas idéias.
Já posposto ao substantivo, passa a ser um adjetivo, equivalente a “variadas”.
Alguns questionaram a alteração gramatical provocada pela inversão dos vocábulos na opção (E). Note que o enunciado exige que a inversão tenha provocado alteração gramatical Esemântica.
Em “poucas oportunidades”, o vocábulo “poucas” é também um pronome indefinido – segundo Aurélio: “em quantidade ou em grau menor do que o habitual ou o esperado”.
Já em “oportunidades poucas”, o vocábulo passa a ser um adjetivo – segundo Aurélio: “em pequena quantidade; escasso, reduzido”.
Houve, portanto, mudança na classificação morfológica da palavra (de pronome para adjetivo).
Contudo, não houve alteração semântica (sentido, significado) – ambos os vocábulos apresentam a idéia de algo reduzido, em quantidade pequena ou menor que a necessária ou esperada.

Para mim ou para eu?

Hoje vamos falar sobre algumas construções que podem gerar dúvidas em relação à correção gramatical.
Já disse que o candidato percebe que está “no ponto” para ser aprovado é quando ele começa a ver por todo lado aquilo que está sendo estudado, e a Língua Portuguesa está o tempo todo ao alcance de nossos olhos. Seja em manchetes de jornal, seja em outdoors espalhados pela cidade, o candidato fica igualzinho àquela criança que aprendeu a ler: nota e analisa tudo o que lê por onde passa….rs…
Enfim, chegou a mim uma manchete de jornal, acompanhada de críticas em relação ao emprego da forma pronominal.
Reproduzo abaixo, para trocarmos algumas ideias sobre isso.
Muitos acreditarão que a forma correta seria “seria muito difícil PARA EU FAZER”, já que, como se costuma afirmar, “quem fala PARA MIM FAZER é índio”, mas cuidado! Não se precipite na análise sintática (nem seja tão preconceituoso com os índios…rs…).
A oração está em ordem inversa, ou seja, não se apresenta da forma “tradicional”: SUJEITO > VERBO > COMPLEMENTO.
Para começar, um adjunto adverbial deslocado, indicado por vírgula: “No Brasil”. O próximo passo é identificar o sujeito da forma verbal “seria”. O que “seria muito difícil”? Resposta: “FAZER UM CURSO DE MEDICINA”.
Note que o verbo FAZER está na forma IMPESSOAL, isto é, não possui um sujeito específico (ainda que, de acordo com o contexto, possamos entender que quem irá “fazer o curso” seja o emissor da mensagem).
Se realizarmos a troca de toda essa oração (FAZER UM CURSO DE MEDICINA) pelo pronome ISSO, perceberemos que o pronome “mim” exerce um papel que NÃO É o de sujeito:
FAZER UM CURSO DE MEDICINA = ISSO
ISSO seria muito difícil PARA MIM.
Pronto! Agora, ficou bem claro que “para mim” é complemento do adjetivo “difícil”, e o complemento de um adjetivo exerce a função sintática de COMPLEMENTO NOMINAL.
Alguns gramáticos consideram como objeto indireto por extensão, outros como objeto indireto de opinião, outros como dativo de opinião.

Semântica - adjetivo anteposto ou posposto ao substantivo

Os aspectos semânticos de um texto estão associados à articulação e à utilização correta das classes gramaticais. Também não podemos deixar de realçar que a significação de um enunciado se relaciona com a posição desses vocábulos na oração.
É o caso dos adjetivos!!! Por quê, professora?!
Vejamos!!!
Os adjetivos costumam ficar posposto ao substantivo: homem honrado, casa maravilhosa, mulher elegante.
E se alterarmos essa ordem: Honrado homem, maravilhosa casa, elegante mulher?
Ao empregarmos o adjetivo antes do substantivo, atribuiremos um valor enfático à ideia expressa.
Além da ênfase, a ordem do adjetivo na oração (posposto ou anteposto) dará outro valor semântico. Observe:
  • Amigo velho: amigo idoso;
  • Velho amigo: amizade antiga;
  • Oficial alto: homem de estatura elevada;
  • Alto oficial: cargo importante;
  • Pobre criança: criança digna de pena;
  • Criança pobre: criança sem recursos financeiros.
Também pode haver alteração de função sintática:
o cético Marx (adjunto adnominal)
Marx, o cético (aposto, título de filme, obra literária ou peça de teatro)

Onde ou aonde

Em uma matéria veiculada pelo Correio Braziliense, havia a chamada:
Momento de reflexão! Hehehehhehehe…. A preposição a expressa movimento. Mas…. não era para parar. Hehehehehehe…
Exatamente! A diferença entre o emprego de onde aonde consiste nisto: representar movimento ou não. Como assim, professora?!
Bem simples!!!
Onde completa o sentido de verbos que indicam permanência ou lugar fixo. Esses verbos exigem preposição em. Por sua vez, aonde é a junção da preposição onde e indica movimento. Completa verbos que indicam movimento e que exigem preposição a.
Percebeu a diferença?! O Correio se equivocou, não é mesmo?!
Sabe como cai em prova? Vou mostrar.
FGV – CODEBA – ANALISTA PORTUÁRIO/ADVOGADO – 2016
A frase em que se trocou o emprego de onde/aonde é:
a) Não sei aonde vou, mas já estou a caminho.
b) Quantas vezes eu descobri onde deveria ir apenas por partir para algum outro lugar.
c) Se você não sabe para onde vai, todos os caminhos o levam para lugar nenhum.
d) Eu irei, não importa aonde, desde que seja para frente.
e) A coisa mais importante não é de onde se veio, mas aonde se vai.
Bom! O verbo ir indica movimento. Então, exige preposição a.
Observe que, na alternativa B – Quantas vezes eu descobri onde deveria ir apenas por partir para algum outro lugar. –, houve o emprego do verbo ir, mas se empregou onde (= em que). Está inadequado, não é mesmo?! O verbo exige preposição a. Então, deveria ter sido emprego aonde em lugar de onde.

Dentre ou entre

Com certa frequência, encontramos em textos o emprego inadequado dos vocábulos dentre e entre.
O termo dentre é formado pela contração da preposição “de” + a preposição entre e tem valor de “do meio de”.
Não se esqueça de que esse vocábulo só é empregado quando a oração solicitar tanto a preposição “de” como o vocábulo entre.
Assim, é preciso um verbo que exija a preposição de para que esse vocábulo ocorra.
Veja:
Surgiu um grito rouco dentre a multidão.
Por sua vez, entre é utilizado para indicar relação de espaço ou tempo, no meio de.
Estou entre os corretores.
O sujeito da oração ocupa um lugar em meio aos corredores.

Detalhes da língua portuguesa

A nossa língua traz vários detalhes. E precisamos estar atentos a cada um deles. Há alguns erros bem comuns em redações e provas de concurso. Já ciente disso, vou esboçar brevemente sobre alguns tópicos. Fique atento! Faça revisão com frequência.
Você os comete? Vamos, então, aprender a regra e evitar deslizes. Hehehehehe….
 Ao encontro de x de encontro a
Bem simples! As expressões ao encontro de de encontro a expressam sentidos diferenciados.
Vamos memorizar o valor semântico de cada uma.
Ao encontro de significa: estar de acordo com, favorável, em direção a. E de encontro a tem outra significação: em oposição a, contra.
Associe com A de acordo e D de desacordo
Veja como esse conteúdo foi cobrado pela banca IBFC no concurso do EBSERH para o cargo de advogado.
ü  Assinale a alternativa que completa, corretamente, as lacunas.
Há um conflito, pois as ideias dele vão __________ minhas. 
Observe que a ideia é de posição contrária. Então, devemos empregar: de encontro às.
Ficou fácil, não é mesmo?!
Continuemos….
A par x ao par
Em nossa língua, as duas expressões existem e possuem significados diferentes.
Putz! Só para complicar nossa vida, né, professora?!
É nada! Kkkkkkkkkk
Vamos matar todas as questões com este conteúdo.
A par significa estar informado, ciente sobre algo. E ao par, para equivalência monetária ou igualdade cambial, usado em linguagem financeira, quando dois valores se negociam reciprocamente.
À par é uma expressão inexistente, pois par é uma palavra masculina. Não existe crase antes de palavra masculina, a menos que esteja subentendida a palavra moda: estilo à (moda de) Drummond.
Este conteúdo foi abordado pela banca IBFC ( EBSERH/). Repare!
 ü  Assinale a alternativa que completa, corretamente, a lacunas.
O doutor não estava ___________ do caso.
No caso, o doutor não estava informado do caso. Ou seja, a par do caso.
Outros dois conteúdos que merecem atenção é quando empregar esquecer ouesquecer-se de e faz/fazem.
Este conteúdo despeeeeeeca em provas! Estejamos atentos!
O verbo esquecer, quando empregado sem pronome, é verbo transitivo direto e não exige preposição. Agora, esquecer-se exige preposição “de”.

O Cespe cobrou este conteúdo na prova para analista de seguro social (serviço social) do INSS ano passado. Veja como:

”Mas lembrei-me de que, ao ir ali pela primeira vez, observara que, apesar de ficar em frene ao do Mário, havia uma diferença na numeração.”
A correção gramatical e o sentido do texto seriam preservados, caso se substituísse o trecho “lembrei-me de que” por lembrei que.
Podemos afirmar que o item está correto, não é mesmo?! Neste caso, temos duas construções possíveis: Mas lembrei-me de que… ou Mas lembrei que

E, para completar nossa revisão, vamos rever o emprego do verbo fazer.

Precisamos ter em mente que o verbo fazer, quando expressar tempo decorrido, é impessoal. Isso quer dizer que ficará flexionado no singular.

A banca Cespe cobrou com propriedade o emprego deste verbo (Analista Legislativo/Consultor de Orçamento e Fiscalização Financeira – Câmara dos Deputados). Repare!

O trecho “O aumento da frequência (…) afirmam há anos”  poderia ser corretamente reescrito da seguinte maneira: Faz anos que os cientistas vêm afirmando que o aumento da frequência dos eventos extremos é o principal sintoma das mudanças climáticas — que vão muito além do calor.
Tanto o verbo haver quanto fazer foram empregados no contexto com sentido de tempo decorrido. Neste caso, a oração é sem sujeito, e o verbo fica sempre na terceira pessoa do singular.

Onde ou em que

Hoje vamos revisar em que momento devemos empregar onde e em que.

Onde é um advérbio relativo de lugar. Em que é pronome relativo precedido de preposição: em.

Dessa maneira, empregamos o advérbio onde quando estiver relacionado a lugar físico, virtual ou figurado. Se não for lugar físico nem virtual ou figurado, use em que, no qual, na qual ou no caso de uma ideia de causa, efeito ou conclusão, portantoEssa é a casa onde/em que/na qual acontecerá a festa. / A inflação aumentou, portanto os preços também sumiram.

Na frase acima, podemos empregar qualquer uma das expressões.

Por sua vez, na frase – O governo divulgou nota onde(em que) nega irregularidades nos contratos com empreiteiras.– devemos empregar a expressão em que ou na qual. Não há possibilidade de empregar o advérbio onde, pois o substantivo ao qual se refere não designa lugar físico nem virtual ou figurado.

Observe como a banca FCC cobrou este conteúdo na prova da SABESP  para Controlador de Sistemas de Saneamento!

As filmagens de Vidas Secas foram no sertão, em Palmeira dos Índios (AL), cidade …… o escritor morou e …… foi prefeito.

Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na ordem dada: 
a)   a qual − que 
b)   em que − da qual 
c)   no qual − onde 
d)   onde − cuja 
e)   que − a que 
Após revisão do conteúdo, com tranquilidade, afirmamos que a primeira lacuna tanto pode ser preenchida por onde quanto por em que: O escritor morou na cidade.
Como a segunda lacuna deve ser completada por da qual – O escritor foi prefeito dacidade –, corretamente marcaremos a alternativa B como correta.

Fim de ano ou final de ano

How, how, how!!! Chegaram as  festas de fim de ano!
Ops!!! Ou será: final de ano?!?!
Bom! Aí estão elas. E nesta época também não há descanso, professora?
Nunca! Hehehehehehe…
Todo dia é dia de aprendizado.
Na estrutura em análise: festa de fim de ano, podemos perceber que há a estrutura “de ano”, adjunto adnominal de especificação. E empregamos especificador apenas com substantivo. Bingoooooooo!
Matamos, então!!! Fim é substantivo. Por sua vez, final  é adjetivo.
Para facilitar, podemos fazer analogia com a expressão início e inicial.
Se empregarmos os termos acima, usamos: início do ano e, não, inicial do ano, não é mesmo?!
Então, percebe-se que o substantivo se encaixa melhor nessa construção.
A mesma regra também vale para fim de semanafim do texto … Todo mundo aprendendo português, menos Luiza, que está no Canadá.
Português não é Matemática, existem várias formas de se dizer a mesma coisa!

Verbo tratar-se

Estudar não é coisa muito fácil! Mas garanto! É a forma mais eficaz de vencer na vida.
E, como diz o Igor, se estudar é nossa única opção, viramos monstros!!! Fato!
Bom! Vamos lá, né?!
Alguns verbos são muito cobrados nas provas de concursos. Um deles é o verbo tratar.
Mas o que tem de especial nesse verbo, professora?!
Atentemos para os detalhes.
Quando o verbo tratar for sinônimo de “ser”, é verbo impessoal. E sabe o que isso quer dizer?! Simples! Ele não tem sujeito. E, assim, fica sempre na terceira pessoa do singular.
Trata-se de recursos administrativos intempestivos.
Neste caso, o “se” é parte integrante do verbo.
Agora, se referido verbo tiver valor de discutirmencionar, o “se” é índice de indeterminação do sujeito, e o verbo fica no singular.
Tratou-se de problemas administrativos durante a reunião.
Mas, professora, está fácil!!! Hehehheheheh… O verbo fica sempre no singular.
Claro que não, né?!
Quando o verbo for sinônimo de dar tratamento, o “se” é partícula apassivadora. A oração tem sujeito, e o verbo concorda com ele.
Tratou-se o problema administrativo com seriedade.

Se não ou senão

Bom! E o que temos para hoje?! Hehehehehe… E cai em prova! Então, estejamos atentos.
Vamos falar do emprego de “senão” e “se não”.
Sugiro que faça a seguinte associação: quando houver valor de condição, grava-se o vocábulo com a conjunção “se” mais o advérbio negativo não: se não. Ou também quando o se funciona como conjunção integrante.
Se não for para ir ao cinema, vou ficar em casa mesmo.
Perguntei se não tinha outra opção. (oração subordinada substantiva objetiva direta)
Tenho uma dúvida: se não há alternativa. (oração subordinada substantiva apositiva)
Por sua vez, se houver valor de oposição, exclusão ou imperfeição, será grafado junto: senão. Podemos substitui-lo por “caso contrário”, “a não ser”, “mas sim” ou “defeito”.
Vamos nos apressar, senão chegaremos atrasados.
Não queria outra coisa, senão ir à igreja.
Ele só tem um senão: é muito curioso.
Não tive a intenção de ofender, senão de elogiar.

Advérbio interrogativo ou pronome interrogativo?

Você sabe qual é a diferença entre advérbio interrogativo e pronome relativo?!
Nãããããooooo!!! Vamos aprender, então.
Bem simples!!! Observe.
Os advérbios interrogativos introduzem uma pergunta e, claro, exprime uma circunstância: quando, onde, como, porque. Como assim, professora?!
Vejamos.
Quando é o seu aniversário?
Onde sua sogra mora?
Por sua vez, os pronome interrogativos introduzem também uma pergunta.
Uhummmmmm…. Novidade, né, professora?!
Calma lá!!! Hehehehehehe…
Eles realmente introduzem uma pergunta. O grande lance é que ele designa algo do grupo nominal. Repare.
Quem faz aniversário? O Roberto.
O que você comprou ontem, no supermercado? Pão.
Em resumo, os vocábulos quandoondecomo são advérbios interrogativos, porque exprimem circunstância e não substituem nenhum nome. Por sua vez, os vocábulos quemquequal e quanto são pronomes interrogativos, uma vez que substituem nomes.
Se você chegar ao concurso e errar uma questão fácil, você se tornará um Zé Maranhão, ou melhor, um Zé Paraíba.

Verbos terminados em ear

Não erraremos mais!!!
Prestemos atenção nos verbos terminados em “ear”. Cai em prova e só os insuportáveis acertam: você, aluno do Ponto!!!Hehehehehehehhe…
Vejamos.
Todos os verbos terminados em ear têm um padrão de conjugação. Como assim, professora?!
Vou exemplificar.
Eu pleiteio, mas ele pleiteará.
Eu ceio, mas ele ceará.
Eu freio, mas ele freará.
Eu pleiteiarei. X
Eu ceiarei.  X
Só existe um verbo terminado em eiar: veiar (formar riscas ou estrias).