25 de agosto de 2019

Afim ou a fim de

Muita gente se confunde quanto ao emprego correto. Afinal, a forma correta é afim ou a fim de?
E aí? você já se declarou para alguém por escrito? ❤ Se sim, como você escreveu? Estou afim de você ou Estou a fim de você?
E se você quisesse falar para um amigo que fez de tudo para conquistar uma pessoa, como você escreveria? “Fiz tudo aquilo a fim de conquistá-la” ou “fiz tudo aquilo afim de conquistá-la“?
Então, fique atento ao nosso artigo de hoje, que iremos esclarecer essas dúvidas.😉

Uso de afim

Afim é um adjetivo que significa “semelhança” ou “afinidade”, mas também pode ser um substantivo masculino que indica “pertencer ao mesmo grupo”. Além disso, poderá ser flexionado no plural, de acordo com o contexto:
Possuem temperamentos afins, por isso se relacionam tão bem.
Foram convidados para o coquetel, os funcionários do banco e afins.

Uso de a fim de

Já a expressão a fim de é uma locução prepositiva que significa “com o propósito de” ou “com a finalidade de”. Pode ser seguida da conjunção que, formando a locução conjuntiva ''a fim de que''. Numa linguagem informal, esta expressão será muito utilizada no sentido de “querer”, sendo que em alguns casos pode ser substituída pela preposição “para”:
Fez tudo aquilo a fim de nos convencer de sua inocência.
O aluno estudou muito para o concurso a fim de ter sua aprovação.
Viajou a fim de que conhecesse novos lugares.

Mal criado ou malcriado?

Bom dia, meus amigos! Recebo muitas vezes em meu Instagram perguntas do tipo “Professor, meu filho é malcriado ou mal criado?”, ou “Professor, meu primo foi mal criado pelos meus avós ou ele foi malcriado pelos meus avós.
Pois bem, primeiro eu preciso saber de uma coisa: Você já me segue no Instagram? NÃÃÃÃOOOO? Então está esperando o quê? Corra e siga o “Malvado Favorito” para ficar por dentro de todas as nossas dicas.
Voltando ao filho mal( )criado, você acha que o certo é junto ou separado?
A verdade é que ambas as grafias estão corretas👍. Venha comigo!
Malcriado é um adjetivo usado para caracterizar alguém sem educação, grosseiro ou desrespeitoso.
A aluna foi muito malcriada ao responder a professora. 🤬
Já mal criado é uma expressão constituída do advérbio “mal” (oposto de bem) e do particípio da voz passiva “criado”, quando se quer qualificar o tipo de educação que foi ou que está sendo dada a alguém.
O fato de terem sido mal criados (por alguém) explica o comportamento daqueles meninos.
Os meninos foram mal criados por Tereza, pois eles não pedem a bênção quando se aproximam dos avós!
Alguns gramáticos conceituados, como Evanildo Bechara (sou muito fã), citam, ainda, o significado de algo ser mal tratado. Vejamos a seguir:
É um cafezal mal criado (poderá trocar mal criado por mal tratado e não perderá o sentido da frase).
Porém, NUNCA, EM NENHUMA HIPÓTESE, coloque hífen ok? Mal-criado não existe na língua portuguesa , pois, segundo o atual acordo ortográfico, que entrou em vigor em janeiro de 2009, o hífen apenas é utilizado em palavras compostas com os advérbios bem mal quando a segunda palavra começa por vogal ou h; como, por exemplo, mal-estar e mal-humorado. Ao contrário de mal, o advérbio bem pode não se aglutinar com palavras iniciadas por consoante: bem-sucedido, bem-vindo, bem-criado, bem-mandado, bem-falante, bem-ditoso, etc.

Tipologia textual

O assunto do artigo de hoje é de suma importância para a sua preparação para concursos públicos. A tipologia textual está presente tanto nas provas de língua portuguesa quanto nas redações.
Iremos apresentar as principais características de cada tipologia textual para evitar que você caia em pegadinhas durante a sua prova.

1- Qual é a diferença entre a Tipologia Textual e o Gênero Textual?

Resolvemos iniciar o artigo já trazendo uma das dúvidas mais comuns: a diferença entre tipologia textual e gênero textual.
Gênero Textual está relacionado a um contexto histórico e cultural e são diversos os exemplos, como uma carta, e-mail, receita culinária, telefonemas, etc.
Por outro lado, a Tipologia Textual se relaciona com a estrutura, o conteúdo e a forma como um texto se apresenta, e os quatro principais tipos que abordaremos são os seguintes:
  • Narração;
  • Dissertação;
  • Descrição; e
  • Injunção.
Depois de conhecer melhor a diferença entre tipo e gênero textual, vamos ver as características de cada uma das quatro principais tipologias textuais.

2- Narração

Tipologia Textual – Narração
A narração é uma tipologia textual muito conhecida. Trata-se, de maneira singela, de uma história contada por um narrador, a qual é construída em torno de um ou mais personagens, em um determinado local e em um determinado tempo.
Ao ler uma narrativa, sempre encontraremos uma sequência lógica sendo apresentada para o seu leitor.
Em um primeiro momento, há uma introdução, apresentando os personagens, o lugar em que ocorre a história e em determinado tempo.
Após o momento introdutório, essa tipologia textual apresentará uma situação conflitante, momento em que normalmente há o suspense. E, assim, a narrativa chega a um momento de clímax, o qual costuma prender a atenção do leitor pelo desfecho do enredo.
Por fim, há o desfecho da história, encerrando o suspense apresentado no decorrer da narrativa.

3- Dissertação

Dissertação - tipologia textual
Dissertação – tipologia textual
A dissertação é extremamente utilizada no dia a dia. Trata-se de uma tipologia textual que objetiva exporanalisar e defender uma tese ou ponto de vista acerca de um determinado assunto.
Além disso, essa é a tipologia mais cobrada em provas de vestibulares e concursos públicos, pelo fato de explorar a fundo o conhecimento do examinando. Numa dissertação, o aluno terá que organizar, em estruturas lógicas, um texto apresentando seu ponto de vista a respeito de um determinado assunto.
Por conta dessas características, a linguagem utilizada nessa tipologia textual costuma ser objetiva e com baixíssimo grau de pessoalidade, uma vez que o objetivo não é o autor, mas sim o assunto que está sendo explorado.
Por isso, é muito comum ouvirmos falar que a dissertação é dividida em três estruturas lógicas: a introdução, o desenvolvimento e uma conclusão.
Vamos entender um pouco cada etapa!
Na introdução, o autor apresenta o tema objeto da dissertação e introduz, de maneira singela, seu ponto de vista.
Já no desenvolvimento, há a exposição dos argumentos, a fim de comprovar a tese introduzida pelo autor no início do texto, fundamentando todo o seu ponto de vista.
Por fim, temos a conclusão, na qual encerra-se o tema, trazendo uma síntese dos fatos expostos no decorrer da dissertação.

4- Descrição

Descrição - tipologia textual
Descrição – tipologia textual
A terceira tipologia textual é a descrição. Nesses tipos de textos, o autor se coloca na posição de mero observador e explica como é determinada coisa. Há a exposição de uma opinião ou sentimentos.
Normalmente, a partir da descrição, é possível que o leitor crie, em sua mente, uma imagem do que está sendo descrito. É muito comum vermos forte presença dos cinco sentidos durante o texto, com marcante descrição de tato, audição, visão, olfato e paladar.

5- Injunção

A última tipologia textual que abordaremos é a injunção. Esses textos apresentam comandos ou instruções ao seu leitor, podendo ser com viés de ordem ou conselho, mas sempre buscando controlar a ação do interlocutor utilizando-se, para tanto, da forma imperativa.
Costumeiramente vemos a presença de uma linguagem muito mais objetiva e direta.
Como exemplos dessa tipologia textual, temos as bulas de remédios, receitas culinárias, manuais de instruções, leis, códigos, regras de trânsito, constituição, cláusulas contratuais e até mesmo os editais de concursos públicos.

Há, a ou à?

E aí, pessoal, vocês já sabem quando empregamos as expressões , a ou à em seus diversos modos? NÃÃÃÃOOO????!!!!, então está na hora de aprender e apreender com a gente.
Primeiro, complete as lacunas a seguir com as expressões , a ou à:
___ muito tempo eu não via ___ Maria. ___ última vez que ___ vi, é a irmã que ___ encontrei, fomos assistir ___ peça de teatro “O Mágico de Oz”.
Antes de vermos a resposta, veremos algumas informações.

HÁ:

Emprega-se o  por dois motivos: o primeiro, quando queremos fazer referência ao verbo fazer, indicando tempo decorrido, como, por exemplo, nas expressões:
Não o vejo há quinze dias.”; “Eles não se encontram há tempos.” “Saiu da empresa há duas horas.”.
A outra opção ocorre o verbo haver encontra-se no sentido de existir, como, por exemplo: “Há um artigo interessante nesta revista”.

A (preposição):

Emprega-se o a (preposição) também de duas formas, sendo a primeira com referência a tempo futuro, como no caso:
A dois minutos da peça, o ator ainda retocava a maquiagem“.
Ainda, poderá fazer referência a uma distância, como no caso:
Morava cinco quadras daqui“.

A (artigo):

Emprega-se o a (artigo) quando se antepõe a substantivo feminino, como na seguinte forma:
A apólice tornou-se grande trunfo na mão do advogado

À:

Emprega-se o  à  quando houver crase da preposição com o artigo ou com o pronome demonstrativo a, com a vogal a inicial dos pronomes demonstrativos àquele, àquela, àquilo ou do pronome relativo à qual ou às quais, como, por exemplo:
Isso rendeu à colega uma homenagem semelhante à que recebera“.

A (Pronome oblíquo):

Emprega-se o a (pronome oblíquo) quando substituímos um nome na função de objeto direto, como na seguinte estrutura:
Quando a vi, fiquei paralisado“.
Agora que já vimos todas as formas de empregos das expressões, você com certeza já consegue preencher as lacunas, certo?
Vamos explicar cada uma delas:
A primeira lacuna deve ser preenchida pelo verbo “”, pois indica tempo decorrido. Já a segunda lacuna deve ser preenchida pelo artigo “a”, pois está anteposto ao nome próprio feminino “Maria”. Por conseguinte, a terceira lacuna será preenchida pelo artigo “a” pois está anteposto ao substantivo feminino “vez”.
Por fim, a quarta e a quinta lacunas serão preenchidas pelo pronome oblíquo “a”, pois é objeto direto do verbo “vi” e refere-se à Maria; e por “à”, pois o verbo “assistir” rege a preposição “a” e o substantivo “peça” admite artigo “a”, ocorrendo a crase, respectivamente.

A (Pronome demonstrativo):

Emprega-se o a (pronome demonstrativo) quando substituímos por aquela, antes do pronome relativo que:
Esta redação é a que corrigi“.
 Agora, vamos ver a sentença com as lacunas preenchidas:
 muito tempo eu não via a Maria. A última vez que a vi, é a irmã que a encontrei, fomos assistir à peça de teatro “O Mágico de Oz”.

Adjetivo & advérbio

No artigo de hoje, vamos falar sobre uma dúvida muito comum: a diferença entre adjetivo e advérbio.
Bem, vamos começar com o básico: o conceito de cada uma dessas classes de palavras.
Adjetivo é a classe gramatical que caracteriza um substantivo, atribuindo-lhe qualidade, estado ou modo de ser:
A casa amarela é linda.
Já o advérbio é palavra que não varia e transmite circunstância:
Esta casa é muito linda!
Deu uma clareada? Se sim, eu fico feliz. Se não deu, espere aí que já vai clarear mais, porque agora nós vamos falar das diferenças entre adjetivo e advérbio.

Resultado de imagem para começando a amanhecer

Diferenças entre adjetivo e advérbio

A primeira diferença é que o adjetivo varia, isto é, muda a sua forma para caracterizar um substantivo, mas o advérbio não varia, ou seja, não muda a sua forma para modificar o verbo, o adjetivo, outro advérbio e também toda uma oração inteira.
A única flexão existente nos advérbios é a de grau: comparativo e superlativo absoluto.
A segunda diferença é que o adjetivo caracteriza apenas os substantivos e o advérbio pode modificar verbos, adjetivos, outros advérbios e uma oração inteira.
Clareou mais? Mas pode continuar lendo que vai ficar ainda melhor.

Resultado de imagem para claridade
Você deve estar se perguntando: “Meu Deus, Terror, o que é essa tal variação que acontece com o adjetivo, mas não acontece com o advérbio?” e eu vou lhe responder.
Para concordar com o substantivo, o adjetivo deve mudar a sua forma, ou variar.  

Variações do adjetivo

Observe como os adjetivos variam:
a. Gênero: masculino ou feminino
Um comportamento estranho   /    uma atitude estranha
b. Número: singular ou plural
Comportamentos estranhos     /     Atitudes estranhas
c. Grau:
Comparativo: compara uma qualidade entre dois elementos ou duas qualidades de um mesmo elemento. São três os comparativos:
De superioridade:
Para alguns alunos, Português é mais fácil (do) que Química.
De igualdade:
Para alguns alunos, Português é tão fácil quanto Química.
Ele é tão exigente quanto (ou como) seu irmão.
De inferioridade:
Para alguns alunos, Português é menos fácil (do) que Química.
Superlativo: nesse grau, a característica atribuída pelo adjetivo é intensificada de forma relativa ou absoluta.
No grau superlativo relativo, essa intensificação é feita em relação a todos os demais seres de um conjunto que a possuem. O superlativo relativo pode exprimir superioridade ou inferioridade e é sempre expresso de forma analítica:
Superlativo relativo de superioridade:
Ele é o mais atento da sala.     /      Ele é o mais exigente de todos os irmãos.
Superlativo relativo de inferioridade:
Você é o menos crítico do grupo.  / Você é o menos importante da firma.
Note que usamos o artigo definido (o, a, os, as) e a preposição (de), para especificar o ser (papel fundamental do artigo) dentro de um grupo (uso da preposição para indicar limitação).
Além disso, perceba que as formas do superlativo relativo de superioridade dos adjetivos bom, mau, grande pequenosão sintéticas: o melhor, o pior, o maior e o menor.
Superlativo absoluto:
Intensifica-se a característica atribuída pelo adjetivo a um determinado ser, transmitindo ideia de excesso. O superlativo absoluto pode ser analítico ou sintético:
superlativo absoluto analítico é formado normalmente com a participação de um advérbio:
Você é muito crítico.
Ele é demasiadamente exigente.
Somos excessivamente tolerantes.
superlativo absoluto sintético é expresso com a participação de sufixos. O mais comum deles é –íssimo; nos adjetivos terminados em vogal, esta desaparece ao ser acrescentado o sufixo do superlativo:
Trata-se de um artista originalíssimo.
Ele é exigentíssimo.
Seremos tolerantíssimos.
Você pode perceber que o adjetivo muda de acordo com o substantivo, ou seja, o adjetivo concorda com o substantivo em gênero, número e grau.

Advérbio

Como o advérbio não varia, vamos exemplificar como ele pode modificar verbos, adjetivos, outros advérbios e uma oração.
Meu irmão estuda muito. (o advérbio “muito” modifica o verbo “estuda”, atribuindo-lhe intensidade)
Ela é muito alta. (o advérbio “muito” modifica o adjetivo “alta”, atribuindo-lhe intensidade)
Seu colega escreve muito bem. (o advérbio “muito” modifica o advérbio “bem”, atribuindo-lhe intensidade)
Infelizmente, não poderei comparecer à reunião. (o advérbio “infelizmente” modifica toda a oração)
Nesses casos, o advérbio geralmente carrega a opinião do falante. Veja outro exemplo:
Lamentavelmente, a empresa não pagou a indenização a seus funcionários.

Resumindo

Como todo mundo gosta de um resumão, lá vamos nós:
O adjetivo é variável em gênero, número e grau e caracteriza apenas os substantivos. Já o advérbio é invariável em gênero e número, só se flexiona em grau por meio de derivação e pode modificar verbos, adjetivos, outros advérbios e uma oração inteira.

Através de e por meio de

As expressões através de e por meio de são um equívoco muito comum na nossa língua, tão comum que muitas pessoas nem sabem que existe diferença entre elas. Mas você verá que é muito fácil entender e vai aprender a usar cada expressão em seu contexto correto.

através de

A locução através de possui sentido de atravessar algo. É sinônimo de pelo interior depor dentro dede um lado a outrotranspor, cruzarao longo de. Veja os exemplos para entender melhor:
  • Joana olhou através da janela para espiar seu vizinho.
  • Lúcia passou através do armário para chegar à Nárnia.
  • A luz entrava através da janela.
  • Os soldados marcharam através dos campos.

por meio de

Já a locução por meio de possui a ideia de instrumento, isto é, utilizar algo para realizar uma ação.  É sinônimo de por intermédio demediante, graças a. Observe os exemplos:
  • Por meio da explicação do professor Rosenval, eu entendi toda a matéria.
  • Ana foi avisada sobre sua demissão por meio de um telegrama.
  • João conheceu sua namorada por meio de um amigo em comum.
Percebeu a diferença? Note que, se eu falar que João conheceu sua atual namorada através de sua ex-namorada, dará a entender que a ex-namorada é transparente, como o vidro de uma janela, e que João olhou através dela e conheceu sua atual namorada.
Resultado de imagem para mulher invisivel
Fica mais ou menos assim!!!
Portanto, nessa frase, deveria ser utilizada a expressão por meio de, para ter mais coerência, pois João não atravessou sua namorada.

O que é plural metafônico?

Plural metafônico, o que raios é isso?
Hoje eu estava comentando questões e me deparei com uma questão sobre plural metafônico, algo pouco cobrado em provas, mas que nunca é demais aprender, não é mesmo? Afinal, conhecimento nunca é demais.✌
Mas que é plural metafônico?
O prefixo grego meta significa “mudança, o mesmo de metamorfose, metáfora, metacarpo, metonímia, metáfase” e o radical fônico significa “som, o mesmo de fonema, fonologia, fonética”. Assim, o plural metafônico ocorre quando uma palavra, ao ser pluralizada, muda o som da vogal “o” presente na sílaba tônica.
Explicando melhor, o som da vogal “o”, no singular, apresenta timbre fechado, mas, quando a palavra vai para o plural, apresenta timbre aberto. Veja alguns exemplos:
Observação: coloquei entre barras o som da palavra, por isso você verá a indicação de timbre aberto com /ó/ e a indicação de timbre fechado com /ô/, mesmo que a palavra não apresente acento, ok?!
  • /ô/lho > /ó/lhos
  • p/ô/sto > p/ó/stos
  • car/ô/ço > car/ó/ços
  • /ô/sso > /ó/ssos
  • p/ô/vo > p/ó/vos
  • tij/ô/lo > tij/ó/los
  • p/ô/rco > p/ó/rcos
Em todas as palavras terminadas em “-oso” e “-posto” ocorre o plural metafônico. Veja os exemplos:
  • Amist/ô/so > amist/ó/sos
  • Coraj/ô/so > coraj/ó/sos
  • Teim/ô/so > teim/ó/sos

Vírgula com a conjunção mas

A vírgula antes da conjunção mas, a depender do seu emprego, será facultativa ou obrigatória.

Vírgula obrigatória

A vírgula antes da conjunção mas é obrigatória quando esta possui valor adversativo, isto é, de oposição. Veja os exemplos:
  • Estudou muito, mas não passou.
  • Ele teve aumento salarial, mas não quis continuar na empresa.

Resultado de imagem para charge sobre conjunção mas

Vírgula facultativa

A vírgula antes da conjunção mas é facultativa quando esta integra expressões correlativas de adição como: não só… mas tambémnão apenas…mas também e não somente…mas também. Veja os exemplos:
  • Ele não só ajuda financeiramente, mas também aconselha os amigos.
  • Ele leu não só o livro mas também assistiu à série.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é charge.jpg
Observação: Tratamos anteriormente da vírgula antes da conjunção “mas”, mas quero deixar claro que não cabe vírgula após essa conjunção.
É certo que seus sinônimos “porém”, “contudo”, “entretanto”, “todavia”, “no entanto”, quando iniciam períodos, podem ser seguidos de vírgula:
Ele se dedicou muito ao trabalho. Porém, não conseguiu boa remuneração.
Ele se dedicou muito ao trabalho. Contudo, não conseguiu boa remuneração.
Ele se dedicou muito à empresa. Todavia, não foi promovido.
Ele se dedicou muito à empresa. Entretanto, não foi promovido.
Mas note que não cabe vírgula após a conjunção “mas”:
Ele se dedicou muito ao trabalho. Mas não conseguiu boa remuneração.

Errou a vírgula, torna-se um Zé Maranhão no concurso, ou melhor, um Zé Paraíba.

As conjunções porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, assim como as conclusivas portanto, por isso e por conseguinte, com exceção de mas e logo, podem ser deslocadas.

O carro bateu; ninguém, todavia, feriu-se.
O carro bateu; ninguém se feriu, todavia.

O carro bateu; todos, portanto, feriram-se.
O carro bateu; todos se feriram, portanto.

Observe uma construção ilógica:
O carro bateu; ninguém, mas, feriu-se. / O carro bateu; todos, logo, feriram-se.

Logo deixa de ser conjunção conclusiva para ser advérbio de tempo.

Concordância do verbo haver

A concordância do verbo haver é uma dúvida recorrente que recebo dos alunos, como, por exemplo:
  • “Professor, o verbo haver flexiona-se ou não no plural?
Bem, depende do significado dele no contexto da frase.
Vamos às explicações.
O verbo haver, com sentido de existir, sempre faz concordância no singular, mesmo em locução verbal, quando é o verbo principal. Veja os exemplos:
  • Havia muitas pessoas na sala.                 
  • Há vários problemas na empresa.
  • Deve haver vários problemas na empresa. (“vários problemas” é apenas um objeto direto do verbo)
  • Tem havido vários problemas na empresa. (“vários problemas” é apenas um objeto direto do verbo)
  • Está havendo vários problemas na empresa. (“vários problemas” é apenas um objeto direto do verbo)
O mesmo acontece com a noção de tempo decorrido. Observe:
  • Há três anos não vejo minha família. (três anos é um objeto direto, e não sujeito)
  • Há quatro dias não a vejo. (quatro dias é um objeto direto, e não sujeito)
Portanto, os sujeitos dessas orações são inexistentes, ou seja, as orações não possuem sujeito e o verbo haver é impessoal.
Por outro lado, as orações em que o verbo haver possui outros significados concordará com o sujeito. Veja os exemplos:
  • Os sentenciados houveram do poder público a comutação da pena.” (Carlos Góis) – sentido de obter, conseguir, alcançar.
  • As famílias haviam chegado cedo para o almoço. – verbo auxiliar de um verbo pessoal.
  • Alguns haviam-no por culpado. – sentido de pensar, julgar, entender.
  • Houve-se como uma princesa. – verbo pronominal com o sentido de proceder, comportar-se, desincumbir-se e sair-se.
  • Você terá de haver-se com o meu pai. – com o sentido de entender-se, avir-se, acertar contas, usado com a preposição com.
  • A mãe houve por bem reconsiderar sua decisão sobre o castigo. – expressão haver por bem (dignar-se, resolver, considerar bom).
  • Bem hajam os que protegem nossas crianças. – expressão bem haja (seja feliz, seja abençoado, tenha bom êxito).

Os porquês da Língua Portuguesa

USO DOS PORQUÊS – Escrevo este artigo, porque sempre me perguntam, porque é junto ou separado, com acento ou sem? A resposta é: depende do contexto.
É início de pergunta direta? É uma resposta? Quer dizer “motivo” ?
Para cada contexto há um porquê diferente. Observe a tirinha abaixo e já tente perceber as diferenças.

https://mundotexto.wordpress.com/2013/09/17/para-uma-aula-de-porques-com-armandinho/

Viu que há quatro porquês diferentes? Quer entender cada um deles?
Vamos às explicações.

Porquê (junto e com acento)

Porquê (junto e com acento) é usado quando for sinônimo de motivocausarazãoindagação. Por ser substantivo, admite artigo, pronome ou numeral e pode se flexionar no plural:
  • Os considerandos são dois porquês de um decreto.
  • O Relator explicou esse porquê de cada emenda.
  • Qual é o porquê desta vez?

Por quê (separado e com acento)

Por quê (separado e com acento) é usado quando a expressão aparecer em fim de frase, ou sozinha:
  • Brigou de novo, por quê?
  • Brigou de novo? Por quê?
  • Ria, ria sem saber por quê.

Porque (junto e sem acento)

Porque (junto e sem acento) é usado nos seguintes casos:
Para introduzir explicação, causa, motivo, podendo ser substituído por conjunções causais ou explicativas como poisporquantovisto que. Para introduzir finalidade, pode ser substituído por conjunções finais como para que, a fim de que.
  • Traga agasalho, porque vai fazer frio.(conjunção coordenativa explicativa = pois).
  • A reunião foi adiada porque faltou energia.(conjunção subordinativa causal = pois).
  • Porque ainda é cedo, proponho esperarmos um pouco mais. (conjunção subordinativa causal = como).
  • Oferecei um sacrifício de louvor, porque confesseis o vosso nome. (conjunção subordinativa final = para que)
Nas frases interrogativas a que se responde com “sim” ou “não”:
  • Ele não votou o projeto porque estava de licença?
  • Essa medida provisória está na pauta de votação porque é urgente?
Na realidade, a conjunção “porque” continua sendo subordinativa adverbial causal. A diferença é que na própria pergunta já se dá a causa (oração subordinada adverbial causal).
Como conjunção de finalidade (= para que), levando o verbo para o subjuntivo. Esta construção é literária, poética, musical, bíblica, religiosa, jurídica, política ou científica, mas vez por outra tem sido encontrada, existente em discursos de posse formais, trabalhos científicos, debates eleitorais e textos estritamente cerimoniosos:
  • Rezo porque tudo corra bem.
  • Não expressou sua opinião porque não desanimasse os colegas.
Contemporaneamente, para exprimir finalidade, objetivo, prefere-se usar para que para substituir porqueRezo para que tudo corra bem.

Por que (separado e sem acento)

Por que (separado e sem acento) é usado nos seguintes casos:
Nas interrogativas diretas e indiretas:
  • Por que você demorou tanto? (interrogativa direta)
  • Quero saber por que meu dinheiro está valendo menos. (interrogativa indireta)
Sempre que se puder inserir as palavras motivorazão:
  • Não sei por que ele se ofendeu. (Não sei por que motivo ele se ofendeu.)
  • O funcionário explicou por que havia faltado. (O funcionário explicou por que motivo havia faltado.)
Quando a expressão puder ser substituída por pelo qualpela qualpelos quaispelas quais, confirma-se que há pronome relativo “que” antecedido da preposição “por”:
  • A estrada por que passamos está em péssimo estado de conservação. (A estrada pela qual passamos está em péssimo estado de conservação.)
  • Esse é o motivo por que a reunião foi adiada. (Esse é o motivo pelo qual a reunião foi adiada.)
Quando “que” for conjunção integrante iniciando oração subordinada substantiva objetiva indireta ou completiva nominal, com imposição da preposição “por” pelo verbo ou nome, respectivamente:
  • Torcemos por que tudo se resolva logo. (= torcemos por isso)
  • O Relator estava ansioso por que começasse a votação. (= ansioso por isso)
Não se pode confundir este último caso com o uso da conjunção de finalidade (conforme visto anteriormente). Veja a diferença:
  • Não expressou sua opinião porque não desanimasse os colegas.
Note que o nome opinião, anterior à conjunção, não exigiu a preposição por. Além disso, percebe-se a intenção, a finalidade de não expressar sua opinião: para que não desanimasse os colegas.
  • O Relator estava ansioso por que começasse a votação.
Aqui, o nome ansioso exige a preposição por, razão pela qual deve ser separada do que.