25 de agosto de 2019

Uso da crase

Olá, pessoal!
Hoje vamos bater um papo sobre o uso da crase!
O que é crase?
Crase é a fusão das vogais “a”: a + a = à
Vamos à sua estrutura padrão para ficar tudo mais fácil:
Assim, quando um verbo ou um nome exigir a preposição “a” e o substantivo posterior admitir artigo “a”, haverá crase. Além disso, se houver a preposição “a” seguida dos pronomes “aquele”, “aquela”, “aquilo”, “a” (=aquela) e “a qual”; ocorrerá crase.
Veja as frases abaixo e procure entendê-las com base no esquema acima:
1. Obedeço à lei.                 
2. Obedeço ao código.
3. Tenho aversão à atividade manual.    
4. Tenho aversão ao trabalho manual.
5. Refiro-me àquela casa.   
6. Refiro-me àquele livro.
7. Refiro-me àquilo.
8. Não me refiro àquela casa da esquerda, mas à da direita.
9. Esta é a casa à qual me referi.
Na frase 1, o verbo “Obedeço” é transitivo indireto e exige preposição “a”, e o substantivo “lei” é feminino e admite artigo “a”, por isso há crase.
Na frase 2, o mesmo verbo exige a preposição, porém o substantivo posterior é masculino, por isso não há crase.
Na frase 3, a crase ocorre porque o substantivo “aversão” exigiu a preposição “a” e o substantivo “atividade” admitiu o artigo feminino “a”.
Na frase 4, “aversão” exige preposição “a”, mas “trabalho” é substantivo masculino, por isso não há crase.
Nas frases 5, 6 e 7, “Refiro-me” exige preposição “a”, e os pronomes demonstrativos “aquela”, “aquele” e “aquilo” possuem vogal “a” inicial (não é artigo), por isso há crase.
Na frase 8, “me refiro” exige preposição “a”, “aquela” possui vogal “a” inicial (não é artigo) e “a” tem valor de “aquela”, por isso há duas ocorrências de crase.
Na frase 9, “me referi” exige preposição “a”, e o pronome relativo “a qual” é iniciado por artigo “a”, por isso há crase.
Vejamos abaixo algumas regras que ajudam a confirmar a estrutura-padrão da crase.
a. Quando os pronomes de tratamento estão na função de objeto indireto ou complemento nominal, antecedidos da preposição “a”, não recebem crase, pois não admitem artigo.
Refiro-me a Vossa Senhoria.                     Fiz referência a Vossa Excelência.
Observação: Dentre os pronomes de tratamento, somente senhora admite artigo “a”, por isso, se esse pronome for precedido de preposição “a”, haverá crase:
Refiro-me à senhora Gioconda.
b. Diante de topônimos (nomes de lugar) que pedem o artigo feminino, admite-se a crase:
Faremos uma excursão à Bahia, a Sergipe, a Alagoas e à Paraíba.
Um túnel ferroviário liga a França à Inglaterra.
Perceba que o substantivo “excursão” exige a preposição “a” e os topônimos “Bahia” e “Paraíba” admitem artigo “a”. Por isso há crase. Já os topônimos “Sergipe” e “Alagoas” não admitem artigo; por isso não há crase.
Modernamente, alguns gramáticos renomados aceitam o uso do artigo em Alagoas: ''farei uma excursão às Alagoas'' / ''retornamos rápido das Alagoas'', mesmo sendo um uso mais literário
Mas será que devemos decorar quais os topônimos admitem ou não o artigo “a”? Lógico que não, para isso, temos alguns macetes.
Para você saber se o topônimo pede ou não o artigo, basta trocar o verbo (que exige a preposição “a”) por outro que exija preposição diferente, para evitar a confusão da preposição com o artigo. Veja:
Fui à Bahia.              Fui a Sergipe.                        Fui a Roma.
Para termos certeza de que há artigo ou não, basta trocarmos por “vim”. Veja:
Vim da Bahia.                      Vim de Sergipe.                    Vim de Roma.
Como o verbo “Vim” exige preposição “de”, se a oração permanecer somente com essa preposição, é sinal de que, com o verbo “Fui”, também permanecerá só a preposição “a” (Vim de Sergipe→Fui a Sergipe).
Mas, se o verbo “Vim” estiver seguido de preposição mais artigo “da”, é sinal de que, com o verbo “Fui”, também ocorrerá preposição mais artigo “à” (Vim da Bahia→Fui à Bahia).
Entretanto, você vai notar que, às vezes, queremos enfatizar, determinar, especificar esses topônimos que não admitem o artigo. Quando colocamos uma locução adjetiva ou outro determinante que o caracterize, naturalmente receberá artigo. Havendo verbo que exija a preposição “a”, ocorrerá a crase. Veja:
            Viajamos a Brasília, depois fomos a São Paulo.
(Viemos de Brasília … de São Paulo)
Viajamos à Brasília de Juscelino, depois fomos à São Paulo da garoa.
(Viemos da Brasília de Juscelino  … da São Paulo da garoa)
Portanto, sem decoreba, ok? Temos que entender o uso. Vamos a outros casos.
c. A palavra casa normalmente admite artigo (a casa é linda; comprei a casa de meus sonhos; pintei a casa de azul etc). Porém, quando há um sentido de deslocamento para ou do “próprio lar”, ela não admite artigo. Mas isso não será problema para nós, pois usamos isso intuitivamente. Vamos lá:
Você diz: “vim de casa” ou “vim da casa”?
Você diz: “vou para casa” ou “vou para a casa”?
            Se é seu próprio lar, é natural dizer, “vim de casa”, “vou para casa”. Porém, quando essa casa não é a sua, naturalmente e intuitivamente, coloca-se um determinante nesse substantivo e obrigatoriamente inserimos artigo. Tudo isso para mostrar que a casa não é a nossa. Está em dúvida? Então veja:
Você diz “vim de casa da Luzia” ou “vim da casa da Luzia”?
Você diz “vou para casa da Luzia” ou “vou para a casa da Luzia”?
            Naturalmente usamos as segundas opções, correto?
Sabemos que isso não proporciona a crase. Mas, se enxergamos que a preposição “para” tem o mesmo valor da preposição “a”; na sua substituição, podemos ter crase. Veja:
                        Vou para casa.          Vou para a casa da Amélia.
                                                                    a + a
                          Vou a casa.                  Vou à casa da Amélia.
O bom filho volta a casa todos os dias.
O bom filho volta à casa dos pais todos os dias.
Note que se pode determinar a palavra “casa” colocando letra inicial maiúscula (Casa). Assim, essa palavra passa a ter outra denotação: sinônimo de Câmara dos Deputados ou representação de uma instituição. Dessa forma, poderá ocorrer a crase:         
Prestar à Casa as devidas homenagens.
d. Seguindo a mesma ideia do item anterior, a palavra “terra” admite artigo normalmente.
A terra é boa!          Ele vive da terra!
Assim, haverá crase:
                                    O agricultor dedica-se à terra.
Não há crase quando a palavra terra está em contraposição a “a bordo”. Isso porque não dizemos “ao bordo”. Não pode haver artigo nesta expressão:
Os marinheiros voltaram terra depois de um mês no mar. (estavam a bordo)
Mas, se determinamos essa palavra, passamos a ter artigo e, consequentemente, crase. Veja:
                        Viajou em visita à terra dos antepassados.
Quando os astronautas voltarão à Terra? (a letra maiúscula determina)
e. Na locução à uma, significando“unanimemente, conjuntamente”, haverá crase. Veja:
                        Os sindicalistas responderam à uma: greve já!
Vimos a estrutura de um verbo ou nome que exige preposição “a”.

Locução adverbial de base feminina: quando há uso de crase?

Agora, veremos a locução adverbial que não é exigida pelo verbo, mas possui a estrutura interna com a preposição.
Exemplo: Estive aqui de manhã.
Note que a locução adverbial “de manhã” ocorreu sem exigência do verbo, pois poderíamos dizer “Estive aqui.” Esta locução tem uma composição própria: de + manhã. Se essa estrutura fosse composta por preposição “a” seguida de nome feminino que admitisse artigo “a”, haveria crase.
Exemplo: Estive aqui à noite.
Assim, vamos à estrutura da locução adverbial:
preposição     +          artigo  +          nome
à                     noite
à tarde                       à noite                       à direita                     às claras        
às escondidas           à toa                           à beça                         à esquerda    
às vezes                     às ocultas                  à chave                      à escuta
à deriva                      às avessas                 às moscas                  à revelia        
à luz                           à larga                          às ordens                   às turras
À beça é uma locução adverbial de intensidade, não confunda com Bessa, sem a preposição a, que é um antropônimo ou topônimo, ou seja, nome próprio de uma pessoa ou de um lugar, sendo errado seu uso como locução adverbial.
Deve-se dar especial destaque às locuções adverbiais de tempo, que especificam o momento de um evento, com o núcleo expresso com o substantivo hora(s), o qual recebe o artigo definido “a”, “as”.
à meia-noite,            à uma hora              
às duas horas           às três e quarenta.
            Não se pode confundir com a indicação de tempo generalizado ou tempo futuro:
Isso acontece a qualquer hora.                 Estarei lá daqui a duas horas.
Veja a diferença nas frases abaixo:
A aula acabará a uma hora. (uma hora após o momento da fala)
A aula acabará à uma hora. (terminará às 13 horas ou à uma hora da madrugada)
A aula acabara  uma hora. (a aula acabou uma hora antes)
No último caso, não há locução adverbial, o verbo “há” marca tempo decorrido. Vimos isso na concordância, lembra?
            Nas expressões que demarcam início e fim de evento, o paralelismo deve ser conservado. Se o primeiro dos termos não possui artigo a, o segundo também não terá. Se o primeiro tiver, o segundo receberá a crase:
A reunião será de 9 a 10 horas.               A reunião será das 9 às 10 horas.
Note: se o início do evento não recebeu artigo, o término também não receberá. (de 9 a 10 horas).
Se o início do evento recebeu artigo, o término também receberá. (das 9 às 10 horas).
Merece destaque a locução adverbial de modo à moda de. Ela pode estar expressa ou subentendida; por isso, deve-se tomar muito cuidado:
                        Pedimos uma pizza à moda da casa.
                        Atrevia-se a escrever à Drummond. (à moda de)
                        Pedimos arroz à grega. (à moda)
Não confunda com as expressões frango a passarinho, bife a cavalo, as quais não possuem crase por não transmitirem modo.

Locução prepositiva e conjuntiva de base feminina: uso da crase

Haverá crase também nas locuções prepositivas e conjuntivas, que são sempre nocionais e iniciam locução adverbial:
à beira de          à sombra de  à exceção de  à força de      
à frente de         à imitação de            à procura de  à semelhança de      
à medida que     à proporção que
            O uso do acento grave é opcional nos adjuntos adverbiais que indicam meio ou instrumento, desde que o substantivo seja feminino: barco a (à) vela; escrever a (à) máquina; escrever a (à) mão; fechar a porta a (à) chave; repelir o invasor a (à) bala. Normalmente, os bons autores têm preferido sem a crase, a menos que cause ambiguidade. Modernamente, os gramáticos mais renomados admitem tal acento em qualquer circunstância, mesmo não ocorrendo ambiguidade. Tudo isso depende da intenção comunicativa. O instrumento ou o meio podem ser especificados ou não com o artigo “a”.
Nas locuções adverbiais com palavras repetidas não haverá crase, pois os substantivos estão sendo tomados de maneira geral, sem artigo definido: cara a carafrente a frente, etc. Em ''é preciso declarar guerra à guerra'' e ''é preciso dar mais vida à vida'', os substantivos são tomados de forma determinada, com artigo definido e ocorrerá crase
 A crase é obrigatória nas locuções conjuntivas adverbiais proporcionais à medida queà proporção que:
            À medida que estudamos, vamos entendendo a matéria.
            À proporção que as aulas ocorrem, os assuntos vão se acumulando.
Perceba uma diferença muito importante entre “às vezes” e “as vezes”.
Às vezes você me olha diferente.
Note que, neste caso, não há precisão de momento, entende-se “de vez em quando, por vezes, algumas vezes. Assim, há uma locução adverbial de tempo e há crase.
Porém, podemos utilizar esta estrutura sem crase, quando há uma especificação do momento:
As vezes que te vi, fiquei extasiado.
Neste caso, este termo será especificado por um termo adjetivo ou oração adjetiva. Portanto, tome cuidado!

Crase Facultativa

Emprega-se facultativamente o acento indicativo de crase quando é opcional o uso da preposição a, ou do artigo definido feminino.
Casos em que a crase é facultativa:
a. A preposição “a” é facultativa depois da preposição “até”:
O visitante foi até sala do Diretor.
O visitante foi até à sala do Diretor.
A sessão prolongou-se até à meia-noite.
A sessão prolongou-se até meia-noite.
b. O artigo definido é facultativo diante de pronome possessivo. Mas, para a crase ser facultativa, esse pronome possessivo deve ser feminino singular. Se o pronome for feminino plural, o acento só ocorrerá se houver a contração da preposição a com o artigo, se houver apenas a preposição, não ocorrerá a crase.
Crase facultativa: Refiro-me à minha amiga. Refiro-me a minha amiga.
Crase obrigatória: Refiro-me às minhas amigas.
Crase proibida: Refiro-me a minhas amigas.
c. O artigo definido é facultativo diante de nome próprio de pessoa. Se o nome for feminino e o verbo exigir preposição, a crase será facultativa:
Refiro-me à Madalena.      
Refiro-me a Madalena.      
Observações:
1)Tratando-se de pessoa célebre com a qual não se tenha intimidade, geralmente não se usa o artigo nem o acento indicativo de crase, salvo nos casos em que o nome esteja acompanhado de especificativo.
            O orador fez uma bela homenagem Rachel de Queiroz.
            O orador fez uma bela homenagem à Rachel de Queiroz de O quinze.
Nas gramáticas, são elencados os casos em que a crase será proibida. Para isso, basta apenas relembrarmos a estrutura-padrão da crase.

Resumo – uso da crase

A crase ocorre por alguns motivos, quais sejam:
a) regência verbal: quando o verbo rege a preposição “a” e o substantivo posterior admite o artigo “a”: Obedeço à lei.
b) regência nominal: quando um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) rege a preposição “a” e o substantivo posterior admite o artigo “a”:
                        Sou obediente à lei.
                        Tenho obediência à lei.
                        Falei relativamente à lei.
c) locução prepositiva de base femininaEstava à espera de você.
d) locução adverbial de base feminina, incluindo as que indicam instrumentoÀ noite, estarei em casa.
e) locução conjuntiva de base feminina:
                                   À medida que o tempo passa, o estudo é potencializado.
                                   À proporção que me dedico, o estudo é potencializado.

Subumano ou sub-humano

O certo é Sub-humano ou Subumano? Ambas as construções estão corretas.

Comumente, em nosso fórum de dúvidas e em nossas redes sociais, recebemos perguntas acerca desse par de vocábulos. Então, fique atento(a)!
De um lado, o consagrado uso subumano; de outro, as mudanças sugeridas pela Reforma Ortográfica: sub-humano.
Ficou estabelecido que os prefixos terminados em “b” trazem hífen sempre que acompanham palavras iniciadas em “b”,“r” ou “h”, como  sub-base, sub-região, etc.
Nos demais casos não há hífen: subclasse, subconjunto, subdivisão, subgrupo, subitem, subseção, subtítulo, subtotal, subentendido, subestimar, subemprego, subjacente, subnutrido, submundo, etc.
Resultado: as duas grafias são oficialmente corretas, segundo o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. O estudante, atento, questionará: tanto faz o uso de uma grafia ou de outra? Sim, você pode optar por qualquer uma delas que estará de acordo com a norma culta. Note que a pronúncia da palavra é uma só, independentemente da grafia escolhida.

Bater a porta, bater à porta ou bater na porta

Olá, meu amigos! Aqui estamos, mais uma vez, para esclarecer dúvidas frequentes de nossos alunos. As estruturas bater à portabater na portabater a porta estão corretas, porém são usadas em contextos diferentes.
Vamos à explicação de cada uma delas!

Bater à porta, bater na porta, bater a porta

Bater à porta

A expressão “bater à porta”, com o acento indicativo de crase, significa “bater para que alguém abra a porta”. Exemplo:
Bateram à porta e Joaquim imediatamente atendeu.

Bater na porta

A expressão “bater na porta”, literalmente, significa “dar pancadas na porta” ou, ainda, “surrá-la”. Exemplo: 
O policial bateu na porta com a força devida a fim de entrar na casa e encontrar o criminoso.

Bater a porta

A expressão “Bater a porta” significa “fechá-la com força”. Exemplo:
João bateu a porta com tanta força que acordou o bebê.
Neste contexto, o sujeito agente é “João”, o verbo “bateu” é transitivo direto e “a porta” é o objeto direto.
Mas também cabe o contexto em que “a porta” é o sujeito e “bater” é verbo intransitivo, em contexto como:
Com o vento forte, bateu a porta e o barulho foi grande.
Assim, esta última estrutura pode ser mais bem observada com a estrutura sintática na ordem natural: A porta bateu.
Com o vento forte, a porta bateu e o barulho foi grande.

Sob ou sobre

Muitos alunos têm dúvidas de quando empregamos as preposições sob ou sobre, mas estamos aqui para ajudá-los.
Aqui estamos, mais uma vez, para esclarecermos dúvidas frequentes de nossos alunos. Embora as palavras sob sobre sejam parecidas quanto à grafia e à pronúncia e apresentem a mesma classificação morfológica (ambas são preposições), possuem significados diferentes.
A preposição sob é empregada em situações as quais o significado corresponde a embaixo de ou sujeito à influência de algo ou alguém. Note:
O lápis está sob a carteira. (embaixo da carteira)
A tropa avançou sob o comando do General Stuart. (sujeito à influência do general)
A economia sofreu impacto negativo sob pressão do dólar. (sujeito à influência de algo)
Por outro lado, a preposição sobre é empregada em situações em que seu significado corresponde a em cima dea respeito de ou, ainda, acima de. Observe os exemplos:
O caderno está sobre a mesa. (em cima da mesa)
Estavam falando sobre a briga de ontem. (a respeito da briga)
Os pássaros voam sobre as montanhas de Minas. (acima das montanhas de Minas)

Afim ou a fim de

Muita gente se confunde quanto ao emprego correto. Afinal, a forma correta é afim ou a fim de?
E aí? você já se declarou para alguém por escrito? ❤ Se sim, como você escreveu? Estou afim de você ou Estou a fim de você?
E se você quisesse falar para um amigo que fez de tudo para conquistar uma pessoa, como você escreveria? “Fiz tudo aquilo a fim de conquistá-la” ou “fiz tudo aquilo afim de conquistá-la“?
Então, fique atento ao nosso artigo de hoje, que iremos esclarecer essas dúvidas.😉

Uso de afim

Afim é um adjetivo que significa “semelhança” ou “afinidade”, mas também pode ser um substantivo masculino que indica “pertencer ao mesmo grupo”. Além disso, poderá ser flexionado no plural, de acordo com o contexto:
Possuem temperamentos afins, por isso se relacionam tão bem.
Foram convidados para o coquetel, os funcionários do banco e afins.

Uso de a fim de

Já a expressão a fim de é uma locução prepositiva que significa “com o propósito de” ou “com a finalidade de”. Pode ser seguida da conjunção que, formando a locução conjuntiva ''a fim de que''. Numa linguagem informal, esta expressão será muito utilizada no sentido de “querer”, sendo que em alguns casos pode ser substituída pela preposição “para”:
Fez tudo aquilo a fim de nos convencer de sua inocência.
O aluno estudou muito para o concurso a fim de ter sua aprovação.
Viajou a fim de que conhecesse novos lugares.

Mal criado ou malcriado?

Bom dia, meus amigos! Recebo muitas vezes em meu Instagram perguntas do tipo “Professor, meu filho é malcriado ou mal criado?”, ou “Professor, meu primo foi mal criado pelos meus avós ou ele foi malcriado pelos meus avós.
Pois bem, primeiro eu preciso saber de uma coisa: Você já me segue no Instagram? NÃÃÃÃOOOO? Então está esperando o quê? Corra e siga o “Malvado Favorito” para ficar por dentro de todas as nossas dicas.
Voltando ao filho mal( )criado, você acha que o certo é junto ou separado?
A verdade é que ambas as grafias estão corretas👍. Venha comigo!
Malcriado é um adjetivo usado para caracterizar alguém sem educação, grosseiro ou desrespeitoso.
A aluna foi muito malcriada ao responder a professora. 🤬
Já mal criado é uma expressão constituída do advérbio “mal” (oposto de bem) e do particípio da voz passiva “criado”, quando se quer qualificar o tipo de educação que foi ou que está sendo dada a alguém.
O fato de terem sido mal criados (por alguém) explica o comportamento daqueles meninos.
Os meninos foram mal criados por Tereza, pois eles não pedem a bênção quando se aproximam dos avós!
Alguns gramáticos conceituados, como Evanildo Bechara (sou muito fã), citam, ainda, o significado de algo ser mal tratado. Vejamos a seguir:
É um cafezal mal criado (poderá trocar mal criado por mal tratado e não perderá o sentido da frase).
Porém, NUNCA, EM NENHUMA HIPÓTESE, coloque hífen ok? Mal-criado não existe na língua portuguesa , pois, segundo o atual acordo ortográfico, que entrou em vigor em janeiro de 2009, o hífen apenas é utilizado em palavras compostas com os advérbios bem mal quando a segunda palavra começa por vogal ou h; como, por exemplo, mal-estar e mal-humorado. Ao contrário de mal, o advérbio bem pode não se aglutinar com palavras iniciadas por consoante: bem-sucedido, bem-vindo, bem-criado, bem-mandado, bem-falante, bem-ditoso, etc.

Tipologia textual

O assunto do artigo de hoje é de suma importância para a sua preparação para concursos públicos. A tipologia textual está presente tanto nas provas de língua portuguesa quanto nas redações.
Iremos apresentar as principais características de cada tipologia textual para evitar que você caia em pegadinhas durante a sua prova.

1- Qual é a diferença entre a Tipologia Textual e o Gênero Textual?

Resolvemos iniciar o artigo já trazendo uma das dúvidas mais comuns: a diferença entre tipologia textual e gênero textual.
Gênero Textual está relacionado a um contexto histórico e cultural e são diversos os exemplos, como uma carta, e-mail, receita culinária, telefonemas, etc.
Por outro lado, a Tipologia Textual se relaciona com a estrutura, o conteúdo e a forma como um texto se apresenta, e os quatro principais tipos que abordaremos são os seguintes:
  • Narração;
  • Dissertação;
  • Descrição; e
  • Injunção.
Depois de conhecer melhor a diferença entre tipo e gênero textual, vamos ver as características de cada uma das quatro principais tipologias textuais.

2- Narração

Tipologia Textual – Narração
A narração é uma tipologia textual muito conhecida. Trata-se, de maneira singela, de uma história contada por um narrador, a qual é construída em torno de um ou mais personagens, em um determinado local e em um determinado tempo.
Ao ler uma narrativa, sempre encontraremos uma sequência lógica sendo apresentada para o seu leitor.
Em um primeiro momento, há uma introdução, apresentando os personagens, o lugar em que ocorre a história e em determinado tempo.
Após o momento introdutório, essa tipologia textual apresentará uma situação conflitante, momento em que normalmente há o suspense. E, assim, a narrativa chega a um momento de clímax, o qual costuma prender a atenção do leitor pelo desfecho do enredo.
Por fim, há o desfecho da história, encerrando o suspense apresentado no decorrer da narrativa.

3- Dissertação

Dissertação - tipologia textual
Dissertação – tipologia textual
A dissertação é extremamente utilizada no dia a dia. Trata-se de uma tipologia textual que objetiva exporanalisar e defender uma tese ou ponto de vista acerca de um determinado assunto.
Além disso, essa é a tipologia mais cobrada em provas de vestibulares e concursos públicos, pelo fato de explorar a fundo o conhecimento do examinando. Numa dissertação, o aluno terá que organizar, em estruturas lógicas, um texto apresentando seu ponto de vista a respeito de um determinado assunto.
Por conta dessas características, a linguagem utilizada nessa tipologia textual costuma ser objetiva e com baixíssimo grau de pessoalidade, uma vez que o objetivo não é o autor, mas sim o assunto que está sendo explorado.
Por isso, é muito comum ouvirmos falar que a dissertação é dividida em três estruturas lógicas: a introdução, o desenvolvimento e uma conclusão.
Vamos entender um pouco cada etapa!
Na introdução, o autor apresenta o tema objeto da dissertação e introduz, de maneira singela, seu ponto de vista.
Já no desenvolvimento, há a exposição dos argumentos, a fim de comprovar a tese introduzida pelo autor no início do texto, fundamentando todo o seu ponto de vista.
Por fim, temos a conclusão, na qual encerra-se o tema, trazendo uma síntese dos fatos expostos no decorrer da dissertação.

4- Descrição

Descrição - tipologia textual
Descrição – tipologia textual
A terceira tipologia textual é a descrição. Nesses tipos de textos, o autor se coloca na posição de mero observador e explica como é determinada coisa. Há a exposição de uma opinião ou sentimentos.
Normalmente, a partir da descrição, é possível que o leitor crie, em sua mente, uma imagem do que está sendo descrito. É muito comum vermos forte presença dos cinco sentidos durante o texto, com marcante descrição de tato, audição, visão, olfato e paladar.

5- Injunção

A última tipologia textual que abordaremos é a injunção. Esses textos apresentam comandos ou instruções ao seu leitor, podendo ser com viés de ordem ou conselho, mas sempre buscando controlar a ação do interlocutor utilizando-se, para tanto, da forma imperativa.
Costumeiramente vemos a presença de uma linguagem muito mais objetiva e direta.
Como exemplos dessa tipologia textual, temos as bulas de remédios, receitas culinárias, manuais de instruções, leis, códigos, regras de trânsito, constituição, cláusulas contratuais e até mesmo os editais de concursos públicos.

Há, a ou à?

E aí, pessoal, vocês já sabem quando empregamos as expressões , a ou à em seus diversos modos? NÃÃÃÃOOO????!!!!, então está na hora de aprender e apreender com a gente.
Primeiro, complete as lacunas a seguir com as expressões , a ou à:
___ muito tempo eu não via ___ Maria. ___ última vez que ___ vi, é a irmã que ___ encontrei, fomos assistir ___ peça de teatro “O Mágico de Oz”.
Antes de vermos a resposta, veremos algumas informações.

HÁ:

Emprega-se o  por dois motivos: o primeiro, quando queremos fazer referência ao verbo fazer, indicando tempo decorrido, como, por exemplo, nas expressões:
Não o vejo há quinze dias.”; “Eles não se encontram há tempos.” “Saiu da empresa há duas horas.”.
A outra opção ocorre o verbo haver encontra-se no sentido de existir, como, por exemplo: “Há um artigo interessante nesta revista”.

A (preposição):

Emprega-se o a (preposição) também de duas formas, sendo a primeira com referência a tempo futuro, como no caso:
A dois minutos da peça, o ator ainda retocava a maquiagem“.
Ainda, poderá fazer referência a uma distância, como no caso:
Morava cinco quadras daqui“.

A (artigo):

Emprega-se o a (artigo) quando se antepõe a substantivo feminino, como na seguinte forma:
A apólice tornou-se grande trunfo na mão do advogado

À:

Emprega-se o  à  quando houver crase da preposição com o artigo ou com o pronome demonstrativo a, com a vogal a inicial dos pronomes demonstrativos àquele, àquela, àquilo ou do pronome relativo à qual ou às quais, como, por exemplo:
Isso rendeu à colega uma homenagem semelhante à que recebera“.

A (Pronome oblíquo):

Emprega-se o a (pronome oblíquo) quando substituímos um nome na função de objeto direto, como na seguinte estrutura:
Quando a vi, fiquei paralisado“.
Agora que já vimos todas as formas de empregos das expressões, você com certeza já consegue preencher as lacunas, certo?
Vamos explicar cada uma delas:
A primeira lacuna deve ser preenchida pelo verbo “”, pois indica tempo decorrido. Já a segunda lacuna deve ser preenchida pelo artigo “a”, pois está anteposto ao nome próprio feminino “Maria”. Por conseguinte, a terceira lacuna será preenchida pelo artigo “a” pois está anteposto ao substantivo feminino “vez”.
Por fim, a quarta e a quinta lacunas serão preenchidas pelo pronome oblíquo “a”, pois é objeto direto do verbo “vi” e refere-se à Maria; e por “à”, pois o verbo “assistir” rege a preposição “a” e o substantivo “peça” admite artigo “a”, ocorrendo a crase, respectivamente.

A (Pronome demonstrativo):

Emprega-se o a (pronome demonstrativo) quando substituímos por aquela, antes do pronome relativo que:
Esta redação é a que corrigi“.
 Agora, vamos ver a sentença com as lacunas preenchidas:
 muito tempo eu não via a Maria. A última vez que a vi, é a irmã que a encontrei, fomos assistir à peça de teatro “O Mágico de Oz”.