25 de agosto de 2019

Fim dos pronomes de tratamento - Xô, excelência!

Decreto nº 9.758, de 11 de abril de 2019, que dispõe sobre a forma de tratamento e de endereçamento nas comunicações com agentes públicos da administração pública federal, tem gerado muitas discussões nas redes sociais e naturalmente nos concursos, pois esta é uma nova mudança (em pouco mais de 6 meses) que afeta diretamente as Correspondências Oficiais.
Então, você que já vem estudando para concursos e no edital está prevista a Redação Oficial, fique atento/a: com este decreto não há mais o vocativo Excelentíssimo, nem o tratamento Vossa Excelência nas correspondências oficiais.
A partir de então, o tratamento entre agentes públicos é “Senhor”. Veja um trecho do decreto:
Pronome de tratamento adequado
Art. 2º O único pronome de tratamento utilizado na comunicação com agentes públicos federais é “senhor“,independentemente do nível hierárquico, da natureza do cargo ou da função ou da ocasião.
Parágrafo único. O pronome de tratamento é flexionado para o feminino e para o plural.
Assim, este decreto torna sem efeito o quadro que dispõe dos pronomes de tratamento no serviço público, previsto no capítulo 4, do Manual de Redação da Presidência da República.







Nesse Manual já havia a vedação do tratamento “ilustre”, “ilustríssimo”, “digno” ou “digníssimo”, “respeitável” ou “doutor”. Agora, este decreto ampliou para “Vossa Excelência”, “Vossa Senhoria”, “Excelentíssimo Senhor”. Veja:
“Art. 3º É vedado na comunicação com agentes públicos federais o uso das formas de tratamento, ainda que abreviadas:
I – Vossa Excelência ou Excelentíssimo;
II – Vossa Senhoria;
III – Vossa Magnificência;
IV – doutor;
V – ilustre ou ilustríssimo;
VI – digno ou digníssimo; e
VII – respeitável.
Interessante notar a previsão de uma possível retaliação, de que naturalmente alguns agentes públicos possam querer se valer. Tal previsão se encontra no parágrafo 1º do artigo 3º:
§ 1º O agente público federal que exigir o uso dos pronomes de tratamento de que trata o caput, mediante invocação de normas especiais referentes ao cargo ou carreira, deverá tratar o interlocutor do mesmo modo. “
Assim, se algum agente público entender que não foi abarcado por tal decreto e exigir tratamento diferenciado, deverá se dirigir ao interlocutor com o mesmo tratamento.
Portanto, caros alunos, ao estudarem o Manual de Redação da Presidência da República, desconsiderem por ora o capítulo 4, o qual se refere exatamente às formas de tratamento.
Também aconselho a não realizarem questões que dizem respeito a pronome de tratamento até que a renovação do Manual seja publicada. É claro que este decreto já entrou em vigor e torna sem efeito qualquer divergência que o Manual possa trazer, porém há necessidade de alguns ajustes no Manual e naturalmente as bancas tenderão a não colocar questões sobre este assunto até que o Manual apresente uma atualização.
Naturalmente, dessa mudança, haverá muitas consequências e eu manterei todos vocês muito bem orientados para a prova de Redação Oficial.

A regra antiga continuará valendo para autoridades do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Tribunal de Contas, da Defensoria Pública, do Ministério Público.

Pronomes de tratamento, abreviatura e interlocutores até 10 de abril de 2019:

Autoridades de Estado

  • Vossa Excelência (V. Ex.ª): Para o/a Presidente da República, senadores/as da república, ministros/as de Estado, governadores/as, deputados/as federais, estaduais e distritais, prefeitos/as, embaixadores/embaixadoras e cônsules. Somente para o Presidente da República usa-se o pronome de tratamento por extenso, nunca abreviado. Para as demais autoridades pode-se usar o pronome tanto por extenso quanto abreviado.
  • Vossa Magnificência (V. Mag.ª): Para reitores/as de Universidade.
  • Vossa Senhoria (V. S.ª): Todas as autoridades, exceto aquelas com tratamento de "Vossa Excelência".

Judiciárias

  • Vossa Excelência (V. Ex.ª): para magistrados (juízes de direito, do trabalho, federais, militares e eleitorais), membros de tribunais (de justiça, regionais federais, regionais do trabalho, regionais eleitorais), ministros de tribunais superiores (do trabalho, eleitoral, militar, superior tribunal de justiça e supremo tribunal federal), presidente do CNJ, o Defensor Público-Geral e demais membros da Defensoria Pública (Lei Complementar nº 80/94), Procurador-Geral da República, demais membros do Ministério Público[1] , Advogados habilitados (Art. 6º da Lei 8.906/1995: Não há hierarquia nem subordinação entre advogados, magistrados e membros do Ministério Público, devendo todos tratar-se com consideração e respeito recíprocos) e Delegados de Polícia (art. 3º da Lei 12.830/13: O cargo de delegado de polícia é privativo de bacharel em Direito, devendo-lhe ser dispensado o mesmo tratamento protocolar que recebem os magistrados, os membros da Defensoria Pública e do Ministério Público e os advogados).
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  • Meritíssimo Juízo (M. Juízo): para referência ao Juízo, dentro de processo judicial.

Executivo e Legislativo

  • Vossa Excelência (V. Ex.ª): para chefes do Executivo (Presidente da Repúblicagovernadores e prefeitos), ministros de Estado e secretários estaduais, para integrantes do Poder Legislativo (senadores, deputados federais, deputados estaduais e distritais, presidentes das câmaras de vereadores), ministros do Tribunal de Contas da União e para conselheiros dos tribunais de contas estaduais.

Militares

  • Vossa Excelência (V. Ex.ª): para oficiais generais - (almirantes de esquadra, generais de exército e tenentes-brigadeiros; vice-almirantes, generais de divisão e majores brigadeiros; contra-almirantes, generais de brigada e brigadeiros; coronéis chefes da Casa Militar do governador e comandantes das forças auxiliares dos estados e distrito federal (polícias militares e bombeiros militares).

Autoridades religiosas

  • Vossa Eminência Reverendíssima (V. Em.ª Revma): para cardeais
  • Vossa Beatitude: para os patriarcas das igrejas sui juris orientais e patriarcas da ortodoxia. Também é direcionada ao papa
  • Vossa Excelência Reverendíssima (V. Ex.ª Revma): para bispos em geral.
  • Vossa Paternidade: para superiores de ordens religiosas.
  • Vossa Reverendíssima (V. Revma): para sacerdotes em geral.
  • Vossa Santidade: para o papa.
  • Dom: para bispos em geral (De forma peculiar, será também concedido aos monges beneditinos).
  • Pastor (Pr.): para pastores (Em endereçamento pode ser usado Rvmo. Pr.).
  • Padre (Pe.): para padres (Em endereçamento pode ser usado Rvmo. Pe.).
  • Evangelistas (Ev.): Para Evangelistas (Em endereçamento pode ser usado Rvmo. Ev.)
  • Presbítero (Pb.): para Presbíteros
  • Diácono (Diác.): para diáconos.
  • Acólito (Ac.): Para acólitos (instituídos).

Autoridades monárquicas ou imperiais

Ver artigo principal: Estilos reais e nobres
  • Vossa Majestade Imperial (V. M. I.): para imperadores e imperatrizes
  • Vossa Majestade (V. M.) ou Vossa Majestade Real (V. M. R.) : para reis e rainhas.
  • Vossa Alteza Real & Imperial (V. A. R. & I.): para príncipes de casas reais e imperiais.
  • Vossa Alteza Imperial (V. A. I.): para príncipes de casas imperiais.
  • Vossa Alteza Real (V. A. R.): para príncipes e infantes de casas reais.
  • Vossa Alteza Sereníssima (V. A. S.): para príncipes monarcas e Arquiduques.
  • Vossa Alteza (V. A.): para duques.
  • Vossa Excelência (V. Ex.ª): para duques com Grandeza, na Espanha.
  • Vossa Graça (V. G.): para duques e condes.
  • Vossa Alteza Ilustríssima (V. A. Ilmª.): para nobres mediatizados, como condes, na Alemanha.
  • O Mui Honorável (M. Hon.): para marqueses, na Grã-Bretanha.
  • O Honorável (Hon.): para condes (The Right Hon.), viscondes, barões e filhos de duques, marqueses e condes na Grã-Bretanha.
  • Ilustríssimo (Il.mo): para membros da nobreza brasileira.
  • Dom: para alguns membros de nobreza ibérica, italiana e brasileira (em espanhol e em italiano grafa-se Don).

Tratamentos formais

  • Senhor (Sr.): para homens em geral, quando não existe intimidade
  • Senhora (Sr.ª): para mulheres casadas ou mais velhas (no Brasil) ou mulheres em geral (em Portugal).
  • Senhorita (Srt.ª): para moças solteiras, quando não existe intimidade (no Brasil).
  • Vossa Senhoria (V. S.ª): para autoridades em geral, como secretários da prefeitura, comissários de polícia ou diretores de empresas
  • Seu/Seo: abreviação de Senhor por alteração fonética (no Brasil).
  • Doutor (Dr.): É importante ressaltar que doutor via de regra não configura forma de tratamento, mas título acadêmico. Seu uso deve-se limitar apenas a comunicações dirigidas a pessoas que alcançaram o grau acadêmico de doutoramento(português europeu) ou doutorado(português brasileiro). Por razões culturais, tal título é usado para médicos, engenheiros e advogados. Deve-se usar o tratamento "Senhor" que confere a desejada formalidade às comunicações. [1]. No Brasil, os advogados freqüentemente esperam ser chamados com tal título, pois se baseiam em uma interpretação errônea do artigo 9º, da Lei do Império de 11/08/1827.[2] Entretanto não existe nenhuma força legal que garanta a esta categoria tal título a não ser por conclusão de doutoramento.[3][4] De fato o tratamento correto ao advogado é o do de Vossa Excelência, advindo do disposto no artigo 6º da Lei 8.906/1995. Importante destacar que sequer os Juízes, membros do Ministério Público membros da Defensoria Pública poderão ostentar o título de Doutor a não ser que assim sejam considerados por completarem o Doutorado, apesar de ser tratamento usual em solenidades formais e informais.
  • Arquitecto (Arq.º(ª)): para arquitetos (em Portugal, antes do Novo Acordo Ortográfico).
  • Arquiteto (Arq.º(ª)): para arquitetos (no Brasil).
  • Bibliotecário (Bib.º(ª)): para bibliotecários.
  • Engenheiro (Eng.º(ª)): para engenheiros.
  • Comendador (Com.(ª)): para comendadores
  • Professor (Prof.(ª)): para professores.
  • Desembargador (Des.dor): para desembargadores
  • Pastor (Pr.(ª)): para pastores de igrejas protestantes.
  • Vossa Magnificência (V. Mag.ª): para reitores de universidades e outras instituições de ensino superior.

Formas de Tratamento

  • acadêmico = Acad., Acadêm.
  • administrador = Adm.
  • advogado = Adv.º, Advo.
  • almirante = Alte.
  • aluno = Al.
  • apostólico = Ap. (em algumas denominações Aps.)
  • apóstolo = Ap.
  • arcebispo = Arc.º, Arco.
  • bacharel, bacharela, bacharéis, bacharelas = B.el, Bel., B.ela, Bela., B.éis, Béis., B.elas, Belas.
  • bispo = B.po, Bpo., Bp.
  • cadete = Cad.
  • capitão = Cap.
  • cardeal = Card.
  • comandante = Com., Com.te, Comte., CMT (FAB)
  • cirurgião-dentista = CD.
  • comendador = Com., Comend., Com.or, Comor.
  • cônego = Côn.º, Côno.
  • conselheiro = Cons., Consel., Conselh., Cons.º, Conso.
  • contador = Cont.dor, Contdor., Cont.or, Contor.
  • contra-almirante = CAlte.
  • coronel = C.el, Cel.
  • deputado = Dep.
  • desembargador, desembargadora = Des., Des.ª, Desa.
  • diácono = Diác., Dc.
  • Digníssimo = DD.
  • Digno, DomDona = D.
  • Dona = D.ª, Da.
  • doutor, doutores = D.r, Dr., D.rs, Drs.
  • doutora, doutoras = D.ra, Dra. D.ras, Dras.
  • editor, editores = E., EE.
  • embaixador extraordinário e plenipotenciário = E.E.P.
  • Eminência = Em.ª, Ema.
  • Eminentíssimo = Em.mo, Emmo.
  • enfermeiro, enfermeira = Enf., Enf.ª, Enfa.
  • engenheiro, engenheira = Eng., Eng.º, Engo.
  • enviado extraordinário e ministro plenipotenciário = E.E.M.P.
  • Estado-Maior = E.M., E.-M.
  • Excelência = Ex.ª, Exa.
  • Excelentíssimo, Excelentíssima = Ex.mo, Exmo. Ex.ma, Exma.
  • general = Gen., G.al, Gal.
  • ilustríssimo, Ilustríssima = Il.mo, Ilmo., Il.ma, Ilma.
  • madame (francês = senhora) = M.me, Mme.
  • mademoiselle (francês = senhorita) = M.lle, Mlle.
  • major = maj.
  • major-brigadeiro = Maj.-Brig.
  • marechal = Mar., M.al,Mal.
  • médico = Méd.
  • Meritíssimo = MM.
  • mestre, mestra = Me, Me., Mª, Ma.
  • mister (inglês = senhor) = Mr.
  • monsenhor = Mons.
  • monsieur, messieurs (francês = senhor, senhores) = M., MM.
  • Mui(to) Digno = M.D.
  • Nossa Senhora = N.Sª, N.Sa.
  • Nosso Senhor = N.S.
  • padre = P., P.e, Pe.
  • pároco = Pár.º, paro.
  • pastor = Pr.
  • pastora = Pra., Prª.
  • Philosophiae Doctor (latim = doutor de/em filosofia) = Ph.D.
  • prefeito = Pref.
  • presbítero = Presb.º, Presbo., Pb.
  • presidente = Pres., Presid.
  • procurador = Proc.
  • professor, professores = Prof., Profs.
  • professora, professoras = Prof.ª, Profa., Prof.as, Profas.
  • promotor = Prom.
  • provedor = Prov.
  • rei = R.
  • Reverendíssimo, Reverendíssima = Rev.mo, Revmo., Rev.ma, Revma.
  • Reverendo = Rev., Rev.do, Revdo., Rev.º, Revo.
  • Reverendo Padre = R.P.
  • sacerdote = Sac.
  • Santa = S., S.ta, Sta.
  • Santíssimo = SS.
  • Santo = S., S.to, Sto.
  • Santo Padre = S.P.
  • São, Santo, Santa = S.
  • sargento = Sarg., Sgtº
  • sargento-ajudante = Sarg.-aj.te,Sarg.-ajte.
  • secretário, secretária = Sec., Secr.
  • senador = Sen.
  • senhor, senhores = S.r, Sr., S.rs, Srs.
  • senhora, senhoras = S.ra, Sra., S.ras, Sras.
  • senhorita, senhoritas = Sr.ta, Srta., Sr.tas, Srtas.
  • Sênior = S.or, Sor.
  • sóror = Sór., S.or, Sor.
  • Sua Alteza Real = S.A.R.
  • Sua Alteza Senhoril = S.A.S.
  • Sua Alteza = S.A.
  • Sua Eminência = S.Em.ª, S.Ema.
  • Sua Excelência = S..Ex.ª, S.Exa.
  • Sua Excelência Reverendíssima = S.Ex.ª Rev.ma, S. Exa. Revma.
  • Sua Majestade = S.M.
  • Sua Reverência = S. Rev.ª, S.Reva.
  • Sua Reverendíssima = S.Rev.ma, S. Revma.
  • Sua Santidade = S.S.
  • Sua Senhoria = S.Sª, S.Sa.
  • tenente = Ten., T.te, Tte.
  • tenente-coronel = Ten. -c.el, Ten.-cel., t.te - c.el, Tte. - cel.
  • tesoureiro = Tes.
  • testemunha = Test.
  • vereador = Ver.
  • veterinário = Vet.
  • vice-almirante = V. -alm.
  • vigário = Vig., Vig.º, Vigo.
  • visconde = V.de, Vde.
  • viscondessa = V.dessa, Vdessa.
  • você = V.
  • Vossa Alteza = V. A.
  • Vossa Eminência, Vossas Eminências = V.Em.ª, V.Ema., V.Em.as, V.Emas.
  • Vossa Excelência Reverendíssima, Vossas Excelências Reverendíssimas = V.Ex.ª Rev.ma, V. Exa. Revma., V.Ex.as Rev.mas, V. Exas. Revmas.
  • Vossa Excelência, Vossas Excelências = V.Ex.ª, V.Exa., V.Ex.as, V.Exas.
  • Vossa Magnificência, Vossas Magnificências = V. Mag.ª, V.Maga., V.Mag.as, V.Magas.
  • Vossa Majestade = V.M.
  • Vossa Reverendíssima, Vossas Reverendíssimas = V. Rev.ma, V. Revma., V.Rev.mas, V. Revmas.
  • Vossa Reverência, Vossas Reverências = V.Rev.ª, V.Reva., V. Rev.as, V.Revas.
  • Vossa Senhoria, Vossas Senhorias = V.S.ª, V.Sa., V.S.as, V.Sas.
É excelência pra cá. Magnificência pra lá. Eminência pracolá. Eta coisa velha! O mofo centenário incomodou o senador Roberto Requião. Como o que fica parado é poste, Sua Excelência apresentou projeto de lei pra lá de bem-vindo. Propõe acabar com o tratamento cerimonioso a autoridades. Excelências & cias. entram na vala comum. Viram senhor e senhora. Como diz a Constituição, todos são iguais perante a lei. A proposta passará? Cruzemos os dedos.
Do baú real
Dizem que tudo começou no século 12. Exatamente em 1143, quando Portugal se tornou reino independente. Afonso Henriques, o primeiro rei, deu início à história. Sentia-se tão poderoso que dizia “Deus sou eu. Era proibido dirigir-se a ele. Quem ousasse perdia a cabeça. Daí, bem antes da guilhotina, surgiu o verbo decapitar, que significa cortar a cabeça. Que medão!
Como fazer? Se, no auge da paixão, a amada dissesse ao monarca “te amo”, a cabeça dela rolava. Se o médico perguntasse ao soberano o que estava sentindo, não recebia resposta. A degola vinha antes. O que fazer? O Conselho de Sábios se reuniu. Nasceu aí o jeitinho brasileiro. A mágica era esta: ninguém falaria ao rei, mas à majestade do rei. Chamá-lo-iam de Vossa Majestade. As pessoas se dirigiam ao rei sem se dirigir a ele.
O coroado ficou feliz. Os bajuladores, que existiam desde então, começaram a inventar pronomes. Dirigiam-se à excelência do rei, à magnificência do rei, à senhoria do rei. E por aí vai. Os nobres, invejosos, reivindicaram privilégios semelhantes. O clero também. Generoso, o rei se satisfez com a majestade. Os outros que se entendessem com a partilha dos demais.
Partilha
Oba! Se reis ficaram com majestade, príncipes ficaram com alteza. Reitores, com magnificência. Cardeais, com eminência. Sacerdotes em geral, com reverendíssima. Altas autoridades do Estado, com excelência. Funcionários públicos, com senhoria. E o papa? O pontífice contentou-se com santidade.
Concordância
Vossa Majestade é divino. Sou sua devota”, dizia a futura rainha. Reparou? A namorada sabida fazia a concordância como manda a gramática. Ela se dirigia à majestade do amado. Por isso o verbo (é) e o pronome (sua) estão na 3ª pessoa. Vossa Excelência, Vossa Senhoria & cia. exibida jogam no mesmo time.
Pessoa
Vossa Excelência ou Sua excelência? Depende. Vossa Excelência é o ser com quem se fala. Sua Excelência, de quem se fala: Cumprimento Vossa Excelência pelobelo gesto. O advogado dirigiu-se à Sua Excelência com o respeito habitual.
Jeitinho
E o adjetivo? Não deveria concordar com majestade, substantivo feminino? Sim. Mas quem ousaria chamar o rei, tão machão, de divina? Deu-se outro jeito. Criou-se a silepse ou concordância ideológica, figura de construção ou sintática que permite a concordância não com o que está expresso, mas sim com o que se entende ou está implícito, cuja etimologia grega significa compreensão. O adjetivo concorda com o sexo da pessoa, não com o substantivo: Sua Majestade, a rainha Elizabeth, é amada pelo povo. Sua Majestade, o rei Gustavo, também é amado.

Uso da crase

Olá, pessoal!
Hoje vamos bater um papo sobre o uso da crase!
O que é crase?
Crase é a fusão das vogais “a”: a + a = à
Vamos à sua estrutura padrão para ficar tudo mais fácil:
Assim, quando um verbo ou um nome exigir a preposição “a” e o substantivo posterior admitir artigo “a”, haverá crase. Além disso, se houver a preposição “a” seguida dos pronomes “aquele”, “aquela”, “aquilo”, “a” (=aquela) e “a qual”; ocorrerá crase.
Veja as frases abaixo e procure entendê-las com base no esquema acima:
1. Obedeço à lei.                 
2. Obedeço ao código.
3. Tenho aversão à atividade manual.    
4. Tenho aversão ao trabalho manual.
5. Refiro-me àquela casa.   
6. Refiro-me àquele livro.
7. Refiro-me àquilo.
8. Não me refiro àquela casa da esquerda, mas à da direita.
9. Esta é a casa à qual me referi.
Na frase 1, o verbo “Obedeço” é transitivo indireto e exige preposição “a”, e o substantivo “lei” é feminino e admite artigo “a”, por isso há crase.
Na frase 2, o mesmo verbo exige a preposição, porém o substantivo posterior é masculino, por isso não há crase.
Na frase 3, a crase ocorre porque o substantivo “aversão” exigiu a preposição “a” e o substantivo “atividade” admitiu o artigo feminino “a”.
Na frase 4, “aversão” exige preposição “a”, mas “trabalho” é substantivo masculino, por isso não há crase.
Nas frases 5, 6 e 7, “Refiro-me” exige preposição “a”, e os pronomes demonstrativos “aquela”, “aquele” e “aquilo” possuem vogal “a” inicial (não é artigo), por isso há crase.
Na frase 8, “me refiro” exige preposição “a”, “aquela” possui vogal “a” inicial (não é artigo) e “a” tem valor de “aquela”, por isso há duas ocorrências de crase.
Na frase 9, “me referi” exige preposição “a”, e o pronome relativo “a qual” é iniciado por artigo “a”, por isso há crase.
Vejamos abaixo algumas regras que ajudam a confirmar a estrutura-padrão da crase.
a. Quando os pronomes de tratamento estão na função de objeto indireto ou complemento nominal, antecedidos da preposição “a”, não recebem crase, pois não admitem artigo.
Refiro-me a Vossa Senhoria.                     Fiz referência a Vossa Excelência.
Observação: Dentre os pronomes de tratamento, somente senhora admite artigo “a”, por isso, se esse pronome for precedido de preposição “a”, haverá crase:
Refiro-me à senhora Gioconda.
b. Diante de topônimos (nomes de lugar) que pedem o artigo feminino, admite-se a crase:
Faremos uma excursão à Bahia, a Sergipe, a Alagoas e à Paraíba.
Um túnel ferroviário liga a França à Inglaterra.
Perceba que o substantivo “excursão” exige a preposição “a” e os topônimos “Bahia” e “Paraíba” admitem artigo “a”. Por isso há crase. Já os topônimos “Sergipe” e “Alagoas” não admitem artigo; por isso não há crase.
Modernamente, alguns gramáticos renomados aceitam o uso do artigo em Alagoas: ''farei uma excursão às Alagoas'' / ''retornamos rápido das Alagoas'', mesmo sendo um uso mais literário
Mas será que devemos decorar quais os topônimos admitem ou não o artigo “a”? Lógico que não, para isso, temos alguns macetes.
Para você saber se o topônimo pede ou não o artigo, basta trocar o verbo (que exige a preposição “a”) por outro que exija preposição diferente, para evitar a confusão da preposição com o artigo. Veja:
Fui à Bahia.              Fui a Sergipe.                        Fui a Roma.
Para termos certeza de que há artigo ou não, basta trocarmos por “vim”. Veja:
Vim da Bahia.                      Vim de Sergipe.                    Vim de Roma.
Como o verbo “Vim” exige preposição “de”, se a oração permanecer somente com essa preposição, é sinal de que, com o verbo “Fui”, também permanecerá só a preposição “a” (Vim de Sergipe→Fui a Sergipe).
Mas, se o verbo “Vim” estiver seguido de preposição mais artigo “da”, é sinal de que, com o verbo “Fui”, também ocorrerá preposição mais artigo “à” (Vim da Bahia→Fui à Bahia).
Entretanto, você vai notar que, às vezes, queremos enfatizar, determinar, especificar esses topônimos que não admitem o artigo. Quando colocamos uma locução adjetiva ou outro determinante que o caracterize, naturalmente receberá artigo. Havendo verbo que exija a preposição “a”, ocorrerá a crase. Veja:
            Viajamos a Brasília, depois fomos a São Paulo.
(Viemos de Brasília … de São Paulo)
Viajamos à Brasília de Juscelino, depois fomos à São Paulo da garoa.
(Viemos da Brasília de Juscelino  … da São Paulo da garoa)
Portanto, sem decoreba, ok? Temos que entender o uso. Vamos a outros casos.
c. A palavra casa normalmente admite artigo (a casa é linda; comprei a casa de meus sonhos; pintei a casa de azul etc). Porém, quando há um sentido de deslocamento para ou do “próprio lar”, ela não admite artigo. Mas isso não será problema para nós, pois usamos isso intuitivamente. Vamos lá:
Você diz: “vim de casa” ou “vim da casa”?
Você diz: “vou para casa” ou “vou para a casa”?
            Se é seu próprio lar, é natural dizer, “vim de casa”, “vou para casa”. Porém, quando essa casa não é a sua, naturalmente e intuitivamente, coloca-se um determinante nesse substantivo e obrigatoriamente inserimos artigo. Tudo isso para mostrar que a casa não é a nossa. Está em dúvida? Então veja:
Você diz “vim de casa da Luzia” ou “vim da casa da Luzia”?
Você diz “vou para casa da Luzia” ou “vou para a casa da Luzia”?
            Naturalmente usamos as segundas opções, correto?
Sabemos que isso não proporciona a crase. Mas, se enxergamos que a preposição “para” tem o mesmo valor da preposição “a”; na sua substituição, podemos ter crase. Veja:
                        Vou para casa.          Vou para a casa da Amélia.
                                                                    a + a
                          Vou a casa.                  Vou à casa da Amélia.
O bom filho volta a casa todos os dias.
O bom filho volta à casa dos pais todos os dias.
Note que se pode determinar a palavra “casa” colocando letra inicial maiúscula (Casa). Assim, essa palavra passa a ter outra denotação: sinônimo de Câmara dos Deputados ou representação de uma instituição. Dessa forma, poderá ocorrer a crase:         
Prestar à Casa as devidas homenagens.
d. Seguindo a mesma ideia do item anterior, a palavra “terra” admite artigo normalmente.
A terra é boa!          Ele vive da terra!
Assim, haverá crase:
                                    O agricultor dedica-se à terra.
Não há crase quando a palavra terra está em contraposição a “a bordo”. Isso porque não dizemos “ao bordo”. Não pode haver artigo nesta expressão:
Os marinheiros voltaram terra depois de um mês no mar. (estavam a bordo)
Mas, se determinamos essa palavra, passamos a ter artigo e, consequentemente, crase. Veja:
                        Viajou em visita à terra dos antepassados.
Quando os astronautas voltarão à Terra? (a letra maiúscula determina)
e. Na locução à uma, significando“unanimemente, conjuntamente”, haverá crase. Veja:
                        Os sindicalistas responderam à uma: greve já!
Vimos a estrutura de um verbo ou nome que exige preposição “a”.

Locução adverbial de base feminina: quando há uso de crase?

Agora, veremos a locução adverbial que não é exigida pelo verbo, mas possui a estrutura interna com a preposição.
Exemplo: Estive aqui de manhã.
Note que a locução adverbial “de manhã” ocorreu sem exigência do verbo, pois poderíamos dizer “Estive aqui.” Esta locução tem uma composição própria: de + manhã. Se essa estrutura fosse composta por preposição “a” seguida de nome feminino que admitisse artigo “a”, haveria crase.
Exemplo: Estive aqui à noite.
Assim, vamos à estrutura da locução adverbial:
preposição     +          artigo  +          nome
à                     noite
à tarde                       à noite                       à direita                     às claras        
às escondidas           à toa                           à beça                         à esquerda    
às vezes                     às ocultas                  à chave                      à escuta
à deriva                      às avessas                 às moscas                  à revelia        
à luz                           à larga                          às ordens                   às turras
À beça é uma locução adverbial de intensidade, não confunda com Bessa, sem a preposição a, que é um antropônimo ou topônimo, ou seja, nome próprio de uma pessoa ou de um lugar, sendo errado seu uso como locução adverbial.
Deve-se dar especial destaque às locuções adverbiais de tempo, que especificam o momento de um evento, com o núcleo expresso com o substantivo hora(s), o qual recebe o artigo definido “a”, “as”.
à meia-noite,            à uma hora              
às duas horas           às três e quarenta.
            Não se pode confundir com a indicação de tempo generalizado ou tempo futuro:
Isso acontece a qualquer hora.                 Estarei lá daqui a duas horas.
Veja a diferença nas frases abaixo:
A aula acabará a uma hora. (uma hora após o momento da fala)
A aula acabará à uma hora. (terminará às 13 horas ou à uma hora da madrugada)
A aula acabara  uma hora. (a aula acabou uma hora antes)
No último caso, não há locução adverbial, o verbo “há” marca tempo decorrido. Vimos isso na concordância, lembra?
            Nas expressões que demarcam início e fim de evento, o paralelismo deve ser conservado. Se o primeiro dos termos não possui artigo a, o segundo também não terá. Se o primeiro tiver, o segundo receberá a crase:
A reunião será de 9 a 10 horas.               A reunião será das 9 às 10 horas.
Note: se o início do evento não recebeu artigo, o término também não receberá. (de 9 a 10 horas).
Se o início do evento recebeu artigo, o término também receberá. (das 9 às 10 horas).
Merece destaque a locução adverbial de modo à moda de. Ela pode estar expressa ou subentendida; por isso, deve-se tomar muito cuidado:
                        Pedimos uma pizza à moda da casa.
                        Atrevia-se a escrever à Drummond. (à moda de)
                        Pedimos arroz à grega. (à moda)
Não confunda com as expressões frango a passarinho, bife a cavalo, as quais não possuem crase por não transmitirem modo.

Locução prepositiva e conjuntiva de base feminina: uso da crase

Haverá crase também nas locuções prepositivas e conjuntivas, que são sempre nocionais e iniciam locução adverbial:
à beira de          à sombra de  à exceção de  à força de      
à frente de         à imitação de            à procura de  à semelhança de      
à medida que     à proporção que
            O uso do acento grave é opcional nos adjuntos adverbiais que indicam meio ou instrumento, desde que o substantivo seja feminino: barco a (à) vela; escrever a (à) máquina; escrever a (à) mão; fechar a porta a (à) chave; repelir o invasor a (à) bala. Normalmente, os bons autores têm preferido sem a crase, a menos que cause ambiguidade. Modernamente, os gramáticos mais renomados admitem tal acento em qualquer circunstância, mesmo não ocorrendo ambiguidade. Tudo isso depende da intenção comunicativa. O instrumento ou o meio podem ser especificados ou não com o artigo “a”.
Nas locuções adverbiais com palavras repetidas não haverá crase, pois os substantivos estão sendo tomados de maneira geral, sem artigo definido: cara a carafrente a frente, etc. Em ''é preciso declarar guerra à guerra'' e ''é preciso dar mais vida à vida'', os substantivos são tomados de forma determinada, com artigo definido e ocorrerá crase
 A crase é obrigatória nas locuções conjuntivas adverbiais proporcionais à medida queà proporção que:
            À medida que estudamos, vamos entendendo a matéria.
            À proporção que as aulas ocorrem, os assuntos vão se acumulando.
Perceba uma diferença muito importante entre “às vezes” e “as vezes”.
Às vezes você me olha diferente.
Note que, neste caso, não há precisão de momento, entende-se “de vez em quando, por vezes, algumas vezes. Assim, há uma locução adverbial de tempo e há crase.
Porém, podemos utilizar esta estrutura sem crase, quando há uma especificação do momento:
As vezes que te vi, fiquei extasiado.
Neste caso, este termo será especificado por um termo adjetivo ou oração adjetiva. Portanto, tome cuidado!

Crase Facultativa

Emprega-se facultativamente o acento indicativo de crase quando é opcional o uso da preposição a, ou do artigo definido feminino.
Casos em que a crase é facultativa:
a. A preposição “a” é facultativa depois da preposição “até”:
O visitante foi até sala do Diretor.
O visitante foi até à sala do Diretor.
A sessão prolongou-se até à meia-noite.
A sessão prolongou-se até meia-noite.
b. O artigo definido é facultativo diante de pronome possessivo. Mas, para a crase ser facultativa, esse pronome possessivo deve ser feminino singular. Se o pronome for feminino plural, o acento só ocorrerá se houver a contração da preposição a com o artigo, se houver apenas a preposição, não ocorrerá a crase.
Crase facultativa: Refiro-me à minha amiga. Refiro-me a minha amiga.
Crase obrigatória: Refiro-me às minhas amigas.
Crase proibida: Refiro-me a minhas amigas.
c. O artigo definido é facultativo diante de nome próprio de pessoa. Se o nome for feminino e o verbo exigir preposição, a crase será facultativa:
Refiro-me à Madalena.      
Refiro-me a Madalena.      
Observações:
1)Tratando-se de pessoa célebre com a qual não se tenha intimidade, geralmente não se usa o artigo nem o acento indicativo de crase, salvo nos casos em que o nome esteja acompanhado de especificativo.
            O orador fez uma bela homenagem Rachel de Queiroz.
            O orador fez uma bela homenagem à Rachel de Queiroz de O quinze.
Nas gramáticas, são elencados os casos em que a crase será proibida. Para isso, basta apenas relembrarmos a estrutura-padrão da crase.

Resumo – uso da crase

A crase ocorre por alguns motivos, quais sejam:
a) regência verbal: quando o verbo rege a preposição “a” e o substantivo posterior admite o artigo “a”: Obedeço à lei.
b) regência nominal: quando um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) rege a preposição “a” e o substantivo posterior admite o artigo “a”:
                        Sou obediente à lei.
                        Tenho obediência à lei.
                        Falei relativamente à lei.
c) locução prepositiva de base femininaEstava à espera de você.
d) locução adverbial de base feminina, incluindo as que indicam instrumentoÀ noite, estarei em casa.
e) locução conjuntiva de base feminina:
                                   À medida que o tempo passa, o estudo é potencializado.
                                   À proporção que me dedico, o estudo é potencializado.

Subumano ou sub-humano

O certo é Sub-humano ou Subumano? Ambas as construções estão corretas.

Comumente, em nosso fórum de dúvidas e em nossas redes sociais, recebemos perguntas acerca desse par de vocábulos. Então, fique atento(a)!
De um lado, o consagrado uso subumano; de outro, as mudanças sugeridas pela Reforma Ortográfica: sub-humano.
Ficou estabelecido que os prefixos terminados em “b” trazem hífen sempre que acompanham palavras iniciadas em “b”,“r” ou “h”, como  sub-base, sub-região, etc.
Nos demais casos não há hífen: subclasse, subconjunto, subdivisão, subgrupo, subitem, subseção, subtítulo, subtotal, subentendido, subestimar, subemprego, subjacente, subnutrido, submundo, etc.
Resultado: as duas grafias são oficialmente corretas, segundo o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. O estudante, atento, questionará: tanto faz o uso de uma grafia ou de outra? Sim, você pode optar por qualquer uma delas que estará de acordo com a norma culta. Note que a pronúncia da palavra é uma só, independentemente da grafia escolhida.

Bater a porta, bater à porta ou bater na porta

Olá, meu amigos! Aqui estamos, mais uma vez, para esclarecer dúvidas frequentes de nossos alunos. As estruturas bater à portabater na portabater a porta estão corretas, porém são usadas em contextos diferentes.
Vamos à explicação de cada uma delas!

Bater à porta, bater na porta, bater a porta

Bater à porta

A expressão “bater à porta”, com o acento indicativo de crase, significa “bater para que alguém abra a porta”. Exemplo:
Bateram à porta e Joaquim imediatamente atendeu.

Bater na porta

A expressão “bater na porta”, literalmente, significa “dar pancadas na porta” ou, ainda, “surrá-la”. Exemplo: 
O policial bateu na porta com a força devida a fim de entrar na casa e encontrar o criminoso.

Bater a porta

A expressão “Bater a porta” significa “fechá-la com força”. Exemplo:
João bateu a porta com tanta força que acordou o bebê.
Neste contexto, o sujeito agente é “João”, o verbo “bateu” é transitivo direto e “a porta” é o objeto direto.
Mas também cabe o contexto em que “a porta” é o sujeito e “bater” é verbo intransitivo, em contexto como:
Com o vento forte, bateu a porta e o barulho foi grande.
Assim, esta última estrutura pode ser mais bem observada com a estrutura sintática na ordem natural: A porta bateu.
Com o vento forte, a porta bateu e o barulho foi grande.

Sob ou sobre

Muitos alunos têm dúvidas de quando empregamos as preposições sob ou sobre, mas estamos aqui para ajudá-los.
Aqui estamos, mais uma vez, para esclarecermos dúvidas frequentes de nossos alunos. Embora as palavras sob sobre sejam parecidas quanto à grafia e à pronúncia e apresentem a mesma classificação morfológica (ambas são preposições), possuem significados diferentes.
A preposição sob é empregada em situações as quais o significado corresponde a embaixo de ou sujeito à influência de algo ou alguém. Note:
O lápis está sob a carteira. (embaixo da carteira)
A tropa avançou sob o comando do General Stuart. (sujeito à influência do general)
A economia sofreu impacto negativo sob pressão do dólar. (sujeito à influência de algo)
Por outro lado, a preposição sobre é empregada em situações em que seu significado corresponde a em cima dea respeito de ou, ainda, acima de. Observe os exemplos:
O caderno está sobre a mesa. (em cima da mesa)
Estavam falando sobre a briga de ontem. (a respeito da briga)
Os pássaros voam sobre as montanhas de Minas. (acima das montanhas de Minas)