30 de agosto de 2019

Concordância Nominal - Nova Gramática Online

Seu objetivo: estudar os principais casos de concordância nominal.

Concordância Nominal: é a concordância estabelecida entre o substantivo e as palavras ligadas a ele (artigo, numeral, pronome, adjetivo, particípio).

Regra Geral: as palavras ligadas ao substantivo concordam em gênero (masculino e feminino) e número (plural e singular) com o ele.
ExemploHomem alto, homens altos, mulher alta, mulheres altas.

Vamos ver, agora, os principais casos de Concordância Nominal.

1) Substantivos antes do adjetivo

Quando dois ou mais substantivos aparecem antes de um adjetivo, nós podemos fazer a concordância de duas maneiras: podemos concordar por proximidade (concordar o adjetivo com o substantivo mais próximo) ou então podemos concordar no plural (plural masculino se pelo menos um dos substantivos for masculino).
Exemplo 1Professora e professor dedicado (concordância por proximidade).
Exemplo 2Professor e professora dedicada (concordância por proximidade).
Exemplo 3Professora e professor dedicados (concordância no plural masculino, já que pelo menos um dos substantivos é masculino).
Exemplo 4Professora e aluna dedicadas (concordância no plural feminino, já que todos os substantivos são femininos).
Reforçando: esse tipo de concordância é válido para dois, três ou mais substantivos.

2) Substantivos depois do adjetivo

Se os substantivos (dois ou mais) aparecerem depois do adjetivo, então o adjetivo vai concordar com o substantivo mais próximo.
Exemplo 1O mendigo tinha longa barba e cabelo.
Exemplo 2Comi uma saborosa gelatina e fruta.

Observação: Se o adjetivo estiver funcionando como predicativo, então ele também poderá concordar no plural.
Exemplo: É carismático o prefeito e a sua esposa ou são carismáticos o prefeito e a sua esposa.  

Antes que você pergunte: o predicativo ocorre quando usamos verbo de ligação (ou seja: verbos que expressam estado ao invés de ação, como os verbos “ser”, “continuar”, “estar”, “permanecer”, ''parecer'', ''andar'', ''ficar'', ''acabar'', ''viver'', ''achar-se'', ''encontrar-se'', ''persistir'', ''tornar-se'', ''virar'',entre outros).

3) “Alerta” e “Menos”: são palavras invariáveis (sempre concordam com o substantivo sem se flexionarem em número ou gênero).
ExemplosEle está alerta, eles estão alerta, ele está com menos dinheiro, eles estão com menosdinheiro.

Observação: se “alerta” for uma palavra substantivada por algum artigo então ele se tornará um substantivo e, portanto, poderá ficar no plural. Exemplos: ele ouviu os alertas, ele ouviu uns alertas.

Também são invariáveis palavras como exceto, tirante e salvo, preposições, e locuções como de forma que, de modo que, de sorte que e de maneira que, locuções conjuntivas consecutivas.

4) “Anexo”, “obrigado”, “incluso”, “quite”, “mesmo”, “próprio”, “todo”: essas palavras são variáveis (concordam com a palavra a quem se referem).
Exemplos: Os relatórios estão anexos, os relatórios estão inclusos, eles estão quites, a mulher disse “muito obrigadaa mulher falou com ela mesma, a mulher falou com ela própriaelas ficaram todas encharcadas com a chuva.

Obrigado, como interjeição de agradecimento, é invariável, não concorda com o emissor, mesmo que você seja travesti e fale do jeito que se sentir melhor.

A expressão em dia, sinônima de quite, é invariável:
Minhas contas estão em dia.
Os clientes da loja estão em dia.

Mesmo como advérbio de afirmação (= realmente), como conjunção subordinativa concessiva (= embora) ou como interjeição (= Nossa!) é invariável:
Os professores foram mesmo à reunião. (realmente, de fato, com certeza, sem dúvida, na verdade)
Mesmo não querendo, eles ofenderam Lucas. (apesar de, embora, conquanto, ainda que, não obstante, independentemente de)
Vou acertar na loteria. Mesmo?! (espanto, surpresa, admiração)

Observação: a expressão “em anexo” é invariável. Exemplo: os relatórios estão em anexo.

5) “Um e outro”, “nem um, nem outro”: depois dessas expressões o substantivo deve ficar no singular.
Exemplo: Um ou outro aluno se esqueceu de entregar o trabalho.

6) Verbo “ser”: os adjetivos só variam com o verbo “ser” se o sujeito estiver determinado por algum artigo, pronome ou numeral.  
ExemplosÉ proibido entrada de pessoas não autorizadas, é proibida a / esta / sua / aquela entrada / duas / três / quatro entradas de pessoas não autorizadas, maçã é boma / minha / essa / nossa maçã é boa, cinco / seis / sete maçãs são boas, sua opinião é necessárioa sua opinião é necessária, oito / nove / dez opiniões são necessárias.

7) “Bastante”, “meio”, “caro”, “barato”: se estiverem funcionando como advérbio então eles serão invariáveis.
Exemplo 1Eles estão bastante animados. Nesse caso, “bastante” está funcionando como advérbio de intensidade (eles estão muito animados) e, portanto, não varia (continua no singular).
Exemplo 2Eles compraram bastantes coisas. Nesse caso, “bastantes” não está funcionando como advérbio, mas sim está funcionando como pronome indefinido (eles compraram várias coisas) e, portanto, varia (vai para o plural, concordando com “coisas”).
Exemplo 2Eles têm razões bastantes para acreditar nisso. Nesse caso, “bastantes” não está funcionando como advérbio, mas sim está funcionando como adjetivo (eles têm razões suficientes) e, portanto, varia (vai para o plural, concordando com “razões”).
Exemplo 4Ela está meio triste. Nesse caso, “meio” está funcionando como advérbio (ela está mais ou menos triste) e, portanto, não varia (continua no masculino, não varia no feminino nem no plural, sem concordar com “ela”).
Exemplo 5Comprei meia melancia. Nesse caso, “meia” está funcionando como numeral fracionário (comprei metade da melancia). Portanto, a palavra varia (nesse caso, para concordar com “melancia”, devemos escrever “meia”).
Exemplo 6Há um meio mais fácil de resolver o problema. / Estudei sobre os meios de comunicação em massa. / Os fins não justificam os meios. Nesse caso, “meio” está funcionando como substantivo. Portanto, a palavra varia em número.
Exemplo 7Paguei caro pelos livros. Os livros não custam barato. Nesses casos, as palavras “caro” e “barato” estão funcionando como advérbios e, portanto, são invariáveis.
Exemplo 8Os livros estão caros. Os livros não são baratos. Nesses casos, as palavras “caros” e “baratos” não funcionam como advérbios (funcionam como adjetivos) e, portanto, são palavras variáveis (vão para o plural para concordarem com “livros”).

8) “Só”: essa palavra será invariável quando tiver o mesmo significado de “somente”, funcionando como palavra denotativa de exclusão.
Exemplo 1 eles jogaram o lixo na lixeira. Nesse caso, “só” tem o mesmo sentido de “somente” e, por isso, é invariável.
Exemplo 2Eles ficaram a sós. Nesse caso, “só” não tem o mesmo sentido de “somente” e, portanto, varia (para o plural para concordar com “eles”).

9) “Tal”, “qual”: “tal” concorda com o termo que aparece antes dele e “qual” concorda com o termo que aparece depois.
ExemploO filho é tal qual o pai, os filhos são tais qual o pai, os filhos são tais quais os primos.

10) “Possível”: é variável e concorda com o artigo.
ExemplosA pior situação possívelas piores situações possíveis

Concordância Verbal - Nova Gramática Online

Seu objetivo: estudar os principais casos de concordância verbal.

Concordância Verbal: é a concordância estabelecida entre o verbo e o seu sujeito ou predicativo.

1) Sujeito Composto: com o sujeito composto (aquele que tem mais de um núcleo), a concordância é feita no plural.
Exemploprofessor e os alunos estão em férias. Nesse caso, o sujeito é composto (tem dois núcleos: “professor” e “alunos”) e, portanto, a concordância é feita no plural (estão).
Observação 1: caso o sujeito composto apareça depois do verbo, a concordância, além do plural, também pode ser por aproximação (o verbo pode concordar com a palavra mais próxima). Exemplos: “fui eu e ela ao teatro”, “foi ela e eu ao teatro” ou ”fomos eu e ela ao teatro”.
Observação 2: caso o sujeito composto tenha núcleos semelhantes, sinônimos ou dispostos em gradação, a concordância poderá ser no singular. Exemplo: “alegria e a felicidade faz bem” / “uma brisa, um vento, um furacão não o inquietava”.

2) “Que”: o verbo concorda com o antecedente do pronome.
ExemploFui eu que quebrei a janela.
Observação: cuidado para não falar “foi eu que quebrei”. A conjugação correta é “eu fui” (e não “eu foi”). Portanto, devemos dizer “fui eu”.

3) “Quem”: o verbo poderá ficar na 3ª pessoa do singular ou com o antecedente do pronome, para fazer uma concordância enfática.
Exemplos: “fui eu quem quebrou a janela” ou “fui eu quem quebrei a janela”.

4) Verbo “Haver”: o verbo “haver” é invariável se estiver significando “tempo decorrido” ou “existência”. Nesses caso, ele também é considerado um verbo impessoal.
Exemplo 1Eu viajei para a Europa  dois anosEu viajei para a Europa  um ano. Nesse caso, o verbo “haver” expressa tempo decorrido e, portanto, permanece invariável (tanto para palavras no plural quanto para palavras no singular).
Exemplo 2 uma pessoa na sala duas pessoas na sala. Nesse caso, o verbo “haver” expressa existência (existem duas pessoas na sala) e, por isso, permanece invariável, independentemente se houver apenas uma ou mais pessoas na sala.
Observação: se o verbo “haver” for o verbo principal de uma locução verbal e estiver em um desses casos de invariabilidade (tempo decorrido ou existência), o verbo auxiliar também será invariável. Exemplo: “deve haver muitas pessoas na sala”. Nesse caso, o verbo “deve”, que acompanha o verbo “haver”, também não varia.

5) Verbo “Fazer”: o verbo “fazer” é invariável quando ele indica tempo. Nesse caso, ele é considerado um verbo impessoal.
ExemploFaz um ano que eu viajei. Faz dois anos que eu viajei. Nesses casos, o verbo “fazer” indica tempo e, por causa disso, permanece no singular (é errado dizer “fazem dois anos”).
Observação: do mesmo modo do verbo “haver”, o verbo “fazer”, se estiver numa locução, também deixa o verbo auxiliar invariável. Exemplo: “deve fazer vinte dias que eu não viajo”.

6) Verbo “Ser” (tempo ou data): o verbo “ser”, quando for usado para expressar tempo ou data, deve concordar com o numeral.
ExemplosÉ uma hora. São duas horas. Hoje são dois de janeiro.
Observação: para indicar o horário, os verbos “dar”, “bater”, “tocar” e “soar” também concordam com o numeral. Exemplos: já deram duas horas da tarde. Porém, tome cuidado: “o relógio deu duas horas” (o sujeito é “o relógio”, logo é errado dizer “o relógio deram duas horas”)

7) Verbo “Ser” (concordância com o predicativo): o verbo “ser” concorda com o predicativo se o sujeito for os pronomes interrogativos (“quem”, “que”, “qual”) ou então os pronomes “isso”, “isso”, “aquilo”, “o” ou “tudo”.
ExemplosQuem era o vendedor? Quem eram os vendedores? Tudo é difícil. Tudo são flores. Isso é errado. Isso são casos de polícia.

8) Verbo “Ser” (concordância com o sujeito): se o sujeito do verbo “ser” for um substantivo ou um  pronome pessoal, então o verbo concorda com o sujeito.
ExemplosOs professores são o segredo daquela escola.

9) Verbo “Ser” (invariável): o verbo “ser” é invariável em expressões de peso, medida, preço, tempo ou valor do tipo “é pouco”, “é muito”, “é o suficiente”, “é o bastante”, “é menos”, “é mais”, “é o preço”, etc.
ExemplosUm é pouco, dois é bom, três é demais.

10) “Se” (partícula apassivadora): o “se” é uma partícula apassivadora quando ela se liga a um verbo transitivo direto (verbo que não exige preposição), característica da oração que se encontra na voz passiva (veja mais sobre vozes verbais clicando aqui). Quando isso acontece, o verbo faz a concordância normalmente, flexionando-se no singular ou no plural.
ExemplosAlugam-se apartamentosAluga-se apartamento. Observe que o verbo “alugar” concorda normalmente com “apartamento”, concordando com ele no plural ou no singular.

11) “Se” (índice de indeterminação do sujeito): o “se” é um índice de indeterminação do sujeito quando ele se liga a um verbo que não seja transitivo direto. Nesse caso, o verbo não concorda com ninguém: ele fica invariável, sempre flexionado na terceira pessoa do singular.
ExemplosPrecisa-se de um voluntárioPrecisa-se de vários voluntários. Observe que, nesse caso, o verbo não é transitivo direto (o verbo “precisar” exige a preposição “de”). Portanto, o “se” que se liga a esse verbo é um índice de indeterminação do sujeito. Logo, o verbo “precisar” permanece na terceira pessoa do singular (“ele” precisa), independente de “voluntário” estar no singular ou no plural.

12) Fração: quando o sujeito for expresso por fração, a concordância será feita com o numerador ou com o especificador.
ExemplosUm centésimo dos políticos é honestoDois centésimos dos políticos são honestos

13) Porcentagem: a concordância com porcentagens é feita com o termo expresso pela porcentagem. Caso contrário, a concordância será feita com o número da porcentagem.
Exemplo 1Noventa por cento da turma está aprovada. Nesse caso, devemos concordar o verbo com “turma”.
Exemplo 2Noventa por cento dos alunos estão aprovados. Nesse caso, devemos concordar o verbo com “alunos”.
Exemplo 3Noventa por cento estão aprovados. Nesse caso, como não há nenhum termo definido pela porcentagem, nós devemos fazer a concordância com o número da porcentagem (noventa estão aprovados).

14) Expressões de dupla concordância: algumas expressões podem ter duas concordâncias (no singular ou no plural). São elas: a maioria, a minoria, grande parte, a maior parte (e outras expressões semelhantes a essas).
Exemplo 1A maioria dos alunos faltou ou a maioria dos alunos faltaram.
Exemplo 2A maior parte dos políticos é corrupta ou a maior parte dos políticos são corruptos. Observe que, nesse exemplo, nós devemos escrever “é corrupta” (concordando com “a maior parte”) ou “são corruptos” (concordando com “políticos”). Na verdade, o mais ideal seria escrever que os políticos são honestos, mas isso é uma mentira.

15) Expressões Aproximadas: em expressões que expressam aproximações (do tipo “cerca de”, “perto de”, “mais de”, “menos de”), os verbos concordam com o numeral.
ExemplosMais de um aluno reprovou. Mais de dois alunos reprovaram. Cerca de oitenta pessoas foram à festa.

16) Nomes Próprios no Plural: se um nome próprio aparecer no plural, o verbo concordará no plural caso esse nome apareça com um artigo no plural.
Exemplo 1Os Estados Unidos assinaram o novo decreto. Nesse caso, o verbo vai para o plural por causa do artigo “os” (que está no plural).
Exemplo 2Estados Unidos fica na América do Norte. Nesse caso, o verbo permanece no singular porque não foi usado nenhum artigo no plural antes do nome próprio.
Observação 1: o professor Evanildo Bechara considera essa regra facultativa se usarmos o verbo “ser” (podemos usar o verbo “ser” tanto no singular quanto no plural, independente de ter artigo ou não). Portanto, podemos dizer: “Estados Unidos ficam na América do Norte” ou “Estados Unidos fica na América do Norte”.
Observação 2: em se tratando do nome de alguma obra artística ou literária (livro, pintura, revista, jornal, filme, programa, etc), podemos fazer sempre a concordância no singular por causa da palavra “obra” (que fica omitida). Exemplo: (a obra) Memórias Póstumas de Brás Cubas marcou a literatura brasileira.

17) Coletivos: a concordância é feita com o coletivo.
ExemplosO grupo de alunos ficou perdido no passeio. Os grupos de alunos ficaram perdidos no passeio.

18) Pronome de Tratamento: quando usamos os pronomes de tratamento, o verbo é conjugado na terceira pessoa (ele) e não na segunda pessoa (vós).
ExemplosVossa Excelência precisa assinar o documento. O senhor pode me dar um aumento? Você anda muito estressado.  

19) Pessoas do Discurso: se as três pessoas do discurso (eu, tu, ele) se misturarem no sujeito, o verbo concordará com a pessoa mais adiantada (eu = primeira pessoa, tu = segunda pessoa, ele = terceira pessoa). A primeira pessoa (eu) é mais adiantada que a segunda (tu), que é mais adiantada que a terceira (ele). Como a concordância é estabelecida com duas ou mais pessoas, a concordância será feita no plural.
Exemplo 1: Em “ele e eu”, a pessoa mais adiantada é a primeira pessoa (“eu”), já que “ele” é terceira pessoa. Então, o verbo concordará com a primeira pessoa do plural, ou seja: “ele e eu = nós”. Portanto, devemos concordar o verbo com “nós”, como por exemplo: “ele e eu fizemos o trabalho da escola (nós fizemos)”.
Exemplo 2: Em “tu e ela”, a pessoa mais adianta entre as duas é a segunda pessoa (“tu”), já que “ela” é terceira pessoa. Então, a concordância será com a segunda pessoa do plural (“vós”), como por exemplo: “Tu e ela ireis à reunião (vós ireis)”. Observação: como o uso do “vós” é pouco usual em nossa língua, restrito a textos litúrgicos, ultraformais, literários, políticos ou jurídicos, nós podemos usar a terceira pessoa do plural (eles). Ou seja: “Tu e ela irão à reunião (eles irão)”.
Exemplo 3: Em “nós e eles”, a pessoa mais adiantada entre as duas é a segunda pessoa (“nós”), já que “eles” é terceira pessoa (do plural). Então, a concordância será com a segunda pessoa (“nós”), como por exemplo: “Nós e eles iremos à reunião (nós iremos à reunião)”.
Exemplo 4: Em “ela e eles”, o pronome “ela” é terceira pessoa e o pronome “eles” também é terceira pessoa (do plural). Então, a concordância será com a terceira pessoa, como por exemplo: “ela e eles irão à reunião (eles foram)”. 

Regência Verbal - Nova Gramática Online

Seu objetivo: estudar a regência verbal dos principais verbos. 

Regência Verbal: é o estudo da transitividade verbal. Em outras palavras, a regência verbal ajuda a descobrir se um verbo é transitivointransitivo ou de ligação.

Explicando Melhor: os verbos podem ser transitivos diretos (quando exigem um complemento sem o uso da preposição), transitivos indiretos (quando exigem um complemento com o uso da preposição), intransitivos (quando não exigem nenhum complemento) ou podem ser verbos de ligação (quando expressam estado ao invés de expressarem ação).
Exemplo 1Comprei um livro. O verbo “comprar” é transitivo porque exige um complemento (“um livro”) sem o uso de nenhuma preposição.
Exemplo 2Nós precisamos de livros. O verbo “precisar” é transitivo porque exige um complemento (“livros”) com o uso de uma preposição (“de”).  
Exemplo 3Joãozinho morreu.  O verbo “morrer” é intransitivo porque não precisa de complemento.
Exemplo 4Joãozinho está feliz. O verbo “estar” é um verbo de ligação porque não expressa ação, mas sim estado. Outros exemplos de verbos de ligação: “ser”, “permanecer”, “continuar”.

Agora, vamos ver a regência de alguns verbos. Não estranhe porque alguns verbos podem ter significados que você desconhecia.

Agradar: se o verbo tiver o sentido de “dar agrado, alegrar, satisfazer, contentar”, ele será transitivo indireto. Porém, esse verbo também pode ter o sentido de “acariciar” e, nesse caso, ele será transitivo direto.
Exemplo 1A mãe agradou o filho. Nesse caso, o verbo é transitivo indireto (“dar agrado”).
Exemplo 2A mãe agradou aos cabelos do filho. Nesse caso, o verbo é transitivo direto (a mãe acariciou os cabelos do filho, ou seja: “fez carinho” nos cabelos).

Aspirar: se significar “inspirar” (ou “cheirar”) o verbo será transitivo direto. Se significar “desejar” (ou “almejar”), o verbo será transitivo indireto.
Exemplo 1Ronaldo aspirou o perfume (verbo transitivo direto).
Exemplo 2Ronaldo aspira ao cargo de diretor (verbo transitivo indireto).

Assistir: se significar “ver” ou “observar, presenciar”, o verbo será transitivo indireto.  Se significar “ajudar, socorrer, auxiliar, dar assistência”, o verbo pode ser transitivo direto ou indireto. Se significar “residir, morar”, será intransitivo, porém exigirá a preposição “em” para o adjunto adverbial de lugar. Se significar “caber, competir (direito ou razão)” ou “pertencer, dizer respeito a”, o verbo será transitivo indireto.
Exemplo 1Joãozinho assistiu ao jogo. Nesse caso, assistir é transitivo indireto porque tem o mesmo sentido de “ver”.
Exemplo 2A enfermeira assistiu ao paciente ou a enfermeira assistiu o paciente. Nesse caso, “assistir” significa “dar assistência” e, portanto, pode ser transitivo direto ou indireto. Tanto faz. 
Exemplo 3Eu assisto em Porto Alegre. Como assistir, nesse caso, tem o mesmo sentido de “morar”, o verbo é intransitivo e exige a preposição “em” para o adjunto adverbial de lugar (Porto Alegre).
Exemplo 4Esse assunto assiste ao João. Nesse caso, assistir tem o mesmo sentido de “pertencer” ou de “caber” (esse assunto cabe ou pertence ao João). Logo, o verbo é transitivo indireto.

Atender: se esse verbo significar “deferir” (ou seja: “ser favorável”), esse verbo será transitivo direto. Agora, se “atender” significar “dar atenção”, o verbo pode ser transitivo direto ou indireto.
Exemplo 1O chefe atendeu o pedido do funcionário. Nesse caso, “atender” significa “ser favorável” e o verbo é transitivo direto (não há preposição).
Exemplo 2A recepcionista atendeu ao cliente ou a recepcionista atendeu o cliente. Nesse caso, “atender” significa “dar atenção” e, portanto, o verbo pode ser transitivo direto ou indireto.

Avisar, informar, certificar, advertir, notificar, cientificar, prevenir, aconselhar, impedir, incumbir, proibir... : esses tipos de verbos são transitivos diretos e indiretos (em qualquer ordem). Ou seja: eles exigem um objeto direto e outro indireto e esses objetos podem aparecer em qualquer ordem.
ExemplosAvisei o João do problema, avisei o João sobre o problema ou avisei ao João o problema. No primeiro exemplo, o objeto direto apareceu antes do indireto. No segundo, ocorreu o contrário.

Chamar: no sentido de “convocar” ou “mandar vir”, será transitivo direto. No sentido de “invocar”, será transitivo indireto. Porém, no sentido de “dar apelido”, “qualificar”, poderá ser transitivo direto ou indireto.
Exemplo 1Chamei o João para a festa, mas ele não veio (transitivo direto).
Exemplo 2Chamei por Jesus para interceder por mim. (transitivo indireto).
Exemplo 3Chamei o João de narigudo ou chamei ao João de narigudo (transitivo direto ou transitivo indireto).

Chegar: o correto é dizer “chegar a” (é errado dizer “chegar em”).
Exemplo 1Cheguei a casa (é errado dizer “cheguei em casa”).
Exemplo 2Depois de chegar ao banheiro, ela se maquiou (é errado dizer “chegar no banheiro”).
Exemplo 3Depois de chegar à mansão, ele foi barrado pelos seguranças (a crase é a união da preposição “a” com o artigo “a”, como se fosse a “versão feminina” do “ao”, ou seja: depois de chegar a + a mansão).

Custar: se o verbo significar “valor” (custo), o verbo será intransitivo (o termo que aparece depois é um adjunto adverbial “de valor” ou “de preço”). Se o verbo tiver o sentido de “ser custoso, difícil”, então ele será transitivo indireto.
Exemplo 1O livro custa duzentos reais (intransitivo, ou seja: o verbo não precisa de complemento e “duzentos reais” é um adjunto adverbial “de valor” ou “de preço”).
Exemplo 2Custou ao aluno encontrar a resposta da questão. Nesse caso, o verbo “custar” tem o sentido de “dificuldade” (foi custoso, difícil ao aluno encontrar a resposta). Logo, o verbo é transitivo indireto.
Observação: o verbo “custar”, no sentido do exemplo 2, deve ser conjugado na terceira pessoa (custou a ele, custou-lhe, custou a mim, custou-me, custou a nós, custou-nos, custou a eles, etc). Não podemos dizer “eu custei a encontrar” ou “nós custamos a encontrar”, por exemplo.

Lembrar, Esquecer, Recordar, Admirar: esses quatro verbos serão transitivos indiretos se forem pronominais. Caso contrário, eles serão transitivos diretos.
Exemplo: Podemos dizer “João esqueceu a resposta” ou “João se esqueceu da resposta”. Se usarmos algum pronome (se esqueceu, nos esqueceu, esquecer-te, esquecemo-nos, etc) nós devemos usar a preposição “de”. Com o verbo lembrar ocorre a mesma coisa (“João lembrou a resposta” ou “João selembrou da resposta”).
Observação: o verbo “lembrar” também pode ter o mesmo sentido de “avisar”, “informar”, “certificar” e, nesse sentido, ele segue a regência desses verbos (que já foi vista anteriormente).

Namorar: o verbo “namorar” é transitivo direto, a transitividade indireta surgiu por influência dos verbos casar e noivar.
ExemploPedro namora Paula (é errado dizer “João namora com Paula”).

Obedecer, desobedecer: esses verbos são transitivos indiretos.
ExemplosOs filhos devem obedecer aos pais. Os alunos não podem desobedecer às regras.

Pagar, perdoar: esses dois verbos exigem dois objetos (um direto e outro indireto). O objeto direto é usado para a coisa que é pagada (ou perdoada) e o objeto indireto é usado para a pessoa a quem se paga (ou se perdoa).
ExemploPaguei um cachorro-quente ao meu amigo.

Preferir: não podemos usar a expressão “do que” com o verbo “preferir” (mesmo que esse uso seja comum no dia a dia). Esse verbo é transitivo indireto e exige a preposição “a”. O verbo preferir não é comparativo, não admite o advérbio mais nem a locução conjuntiva do que, mas o verbo gostar admite essas construções comparativas.
ExemplosPrefiro inverno ao verão. Prefiro o português à matemática (é errado dizer “prefiro mil vezes inverno do que verão” ou “prefiro mais português do que matemática”).

Querer: no sentido de “desejar algo ou alguém”, será transitivo direto. Porém, esse verbo também pode ter o sentido de “amar” ou de “gostar”. Nesse sentido, o verbo “querer” será transitivo indireto.
Exemplo 1Eu quero um computador novo (transitivo direto).
Exemplo 2Eu quero aos meus irmãos (transitivo indireto, com o sentido de “eu gosto de meus irmãos” ou “eu amo os meus irmãos”).

Responder: pode ser transitivo indireto se tiver o sentido de “responder a alguma coisa” ou “defender-se em juízo”, pode ser transitivo direto e indireto se tiver o sentido de “responder alguma coisa a alguém” ou pode ser transitivo direto se estiver no sentido de “responder a resposta” ou “ser grosseiro com”.
Exemplo 1Pedro respondeu a todas as questões da prova (transitivo indireto).  
Exemplo 2Pedro respondeu a um inquérito (transitivo indireto).  
Exemplo 3Pedro respondeu essa pergunta ao amigo (transitivo direto e indireto).
Exemplo 4Pedro respondeu que não poderá entregar o trabalho (transitivo direto).
Exemplo 5Pedro respondeu o diretor e foi suspenso (transitivo direto).


Simpatizar: o verbo exige a preposição “com” (transitivo indireto), mas não é pronominal, não deve ser conjugado com pronome, não se diz que João se simpatiza com Pedro.
ExemploJoão simpatiza com Pedro.

Visar: se tiver o sentido de “mirar” ou de “dar o visto”, o verbo será transitivo direto. Se tiver o sentido de “desejar”, o verbo poderá ser transitivo direto ou indireto (segundo Celso Cunha), sendo que outras gramáticas afirmam que o verbo só pode ser transitivo indireto.
Exemplo 1Eu visei o alvo (eu “mirei” o alvo). Nesse sentido, o verbo é transitivo direto.
Exemplo 2O funcionário visou os documentos (o funcionário “deu o visto”). Nesse sentido, o verbo também é transitivo direto.

Exemplo 3João visa um novo emprego ou João visa ao novo emprego. Segundo Celso Cunha, “visar” no sentido de “desejar” pode ser transitivo direto ou indireto. 

Encontros Vocálicos, Consonantais e Dígrafos - Nova Gramática Online

Seu objetivo: entender o que é tritongohiatoencontros vocálicosencontros consonantaisdígrafos e nasalizações.

Vimos que o ditongo é o encontro de uma vogal e de uma semivogal na mesma sílaba. Hoje nós vamos falar a respeito de outros conceitos importantes e terminar a matéria.
Aprendemos que como o ditongo precisa do apoio de uma vogal para formar uma sílaba, ele é indivisível silabicamente.

Hiato: é o encontro de duas vogais em sílabas separadas. Ex: sda (sa-í-da), hiato (hi-a-to). Como no hiato só contém uma vogal, as vogais do hiato se separam e ficam em sílabas distintas.

Tritongo: é o encontro entre duas semivogais e uma vogal (a vogal fica entre as duas semivogais). Ex: Uruguai, Paraguai, saguão. Como no tritongo só contém uma vogal, ele não pode ser dividido silabicamente.

Encontros Vocálicos: são os encontros de vogais (ou de vogais com semivogais) numa palavra. Portanto, os ditongos, os tritongos e os hiatos são encontros vocálicos.

Dígrafo: ocorre quando duas letras passam a ter um único fonema. São elas: RR, SS, CH, LH, NH, GU, QU, SC, XC, SÇ. Ex: carroça, passarinho, chato, alho, foguete, nascer.

Encontros Consonantais: são os encontros entre consoantes numa mesma palavra (na mesma sílaba ou não). Ex: praia, pneu, advogado, ritmo, digno.
Os encontros consonantais perfeitos ou próprios são inseparáveis, como em Brasil, flores e claro, os imperfeitos ou impróprios são separáveis, como em magnético, objetivo e almoço, os mistos misturam os dois modos descritos, como em filtração, displicência, destruição e destreza.

Observação 1: quando a letra X tem som de “CS” (como em “táxi” ou “tórax”) ele também passa a ser um encontro consonantal fonético, ou seja, um dífono.

Observação 2: RR, SS, CH, LH, NH, SC, SÇ, XC não são encontros consonantais, mas sim são dígrafos.

Nasalizações: as letras M e N nasalizam a letra anterior, alterando, assim, os fonemas, podendo formar ditongos (encontro entre uma vogal e uma semivogal) ou dígrafos (duas letras formando um único fonema). Vamos ver, agora, esses dois casos.

Caso 1 – “AM” e “EM”, em final de palavra, formam ditongos. Ex: CANTAVAM (pois se entende “CANTAVÃU”, com o A nasalizado), BEM (pois se entende “BÊI”, com o E nasalizado).

Caso 2 – “M” e “N” formam dígrafos quando nasalizam a vogal anterior (vogal nasal). Ex: A palavra TONTO tem cinco letras, porém tem quatro fonemas, porque entendemos “TÕTO”, ou seja: o “N” nasaliza a vogal “O”. Isso quer dizer que o som de “ON” é um só. Duas letras (ON) com um som (Õ) formam um dígrafo.  

Semivogal e Ditongo - Nova Gramática Online

Seu objetivo: entender o que é semivogal e o que é ditongo.

Você já sabe que existem dois tipos de letras: as vogais (a,e,i,o,u) e as consoantes (que formam o resto do alfabeto). Porém, em determinadas situações, uma vogal pode se transformar numa semivogal. Vamos ver, agora, o que é isso.
Semivogal: é a vogal que tem som de “i” ou de “u” quando ela aparece ao lado de outra vogal numa mesma palavra (leia isso até entender bem porque esse conceito é muito importante).

Exemplo 1: Na palavra REI, a vogal “I” aparece ao lado da vogal “E”. Então, o “I” é, na verdade, uma semivogal.

Exemplo 2: Na palavra ÁGUA, a vogal “U” aparece ao lado da vogal “A”. Logo, a vogal “U” é, na verdade, uma semivogal.

Exemplo 3: Na palavra CAOS, a vogal “O” está ao lado da vogal “A”. Como a vogal “O” tem o som de “U” (“CAUS”), então a semivogal é a vogal “O”.

Se você realmente entendeu o que é uma semivogal, então o próximo assunto vai ser muito fácil.

Ditongo: é o encontro de uma vogal com uma semivogal na mesma sílaba. Exemplos: rei, água, céu, boi, pátria, pai, baixo, etc.

Ditongo Crescente: a semivogal aparece antes da vogal. Ex: água, quadro, trégua.
Ditongo Decrescente: a semivogal aparece depois da vogal. Ex: pai, flauta, caixa, fortuito, sótão.
Ditongo Nasal: o som sai parcialmente pelas fossas nasais. Ex: mãe, esperam, vem, comunhão.
Ditongo Oral: o som sai totalmente pela boca . Ex: boi, chapéu, enfeite.


Os ditongos orais podem ser fechados (boi, doido) quando o som é fechado (“bôi”, “dôido”) ou abertos (pai, ideia) quando o som é aberto (“pái”, “idéia”). 

Fonema - Nova Gramática Online

Seu objetivo: entender o que é fonema.

Letra e fonema: o fonema é o som verdadeiro das palavras (do modo em que as pronunciamos) e a letra é a representação gráfica desses fonemas.

Exemplo 1: Nós escrevemos CASA, mas na realidade falamos CAZA (o “s” tem o som de “z”). Portanto, CASA é a representação gráfica com letras e CAZA é o modo que nós realmente pronunciamos a palavra, já que, nesse caso, a letra “s” tem o mesmo fonema da letra “z” (mesmo som).

Exemplo 2: A palavra HOTEL tem cinco letras (h, o, t, e, l), mas tem quatro fonemas (porque nós falamos OTEL, ou seja: a letra “h” não tem som e, portanto, não conta como fonema). O h inicial nas palavras é meramente histórico.

Exemplo 3: A palavra CARRO tem cinco letras (c, a, r, r, o), mas o RR tem um único som, ou seja: um único fonema. Portanto, as letras RR correspondem a um mesmo som. Logo, se separarmos os fonemas entre barras, nós pronunciamos a palavra assim: /C/  /A/  /RR/  /O/. Ou seja: a palavra CARRO tem quatro fonemas (porque RR conta como um fonema só, um som só). 

Exemplo 4: A palavra TÁXI tem quatro letras, porém ela tem cinco fonemas (porque nós falamos TÁCSI). Ou seja: a letra “x”, quando pronunciada em TÁXI, tem o som de “CS”. Isso significa que uma letra pode ter mais de um fonema.


Conclusão: o número de fonemas não tem relação com o número de letras. Uma palavra pode ter mais ou menos letras do que fonemas (ou então pode ter o mesmo número de letras e de fonemas). Para saber o número de fonemas, você precisa pensar na palavra exatamente como ela é pronunciada (CAZA, OTEL, TÁCSI). Então, basta contar (CAZA tem quatro fonemas, OTEL tem quatro fonemas e TÁKSI tem cinco fonemas).