31 de dezembro de 2019

Gênero ou sexo?

1) Um leitor quer saber os seguintes aspectos: a) de onde vem o sexo ou gênero em nosso idioma?; b) isso é apenas uma convenção?; c) no inglês, o the serve para tudo; d) como, em português, calcinha e cueca são usados por homens e mulheres respectivamente, mas são ambos do feminino?; e) e como explicar essa diversidade a um estrangeiro de origem anglo-saxônica?

2) Uma primeira distinção deve ser feita: a) quando se fala em sexo, quer-se referir à "conformação particular que distingue o macho da fêmea, nos animais e nos vegetais, atribuindo-lhes um papel determinado na geração e conferindo-lhes certas características distintivas" (FERREIRA, 2010, p. 1.927); b) já quando se fala em gênero, está-se no campo da estruturação que dispõe os nomes de determinada língua em classes (masculino, feminino e neutro), classifica-os de acordo com a referência pronominal (o menino/ele, a casa/ela), a concordância com os modificadores (gato/gordo, menina/estudiosa) e a presença de determinados afixos (ator/atriz).

3) Em suma: sexo é questão biológica; gênero é classificação gramatical.

4) E definir quantos e quais gêneros hão de existir ou mesmo quais nomes hão de integrar determinado gênero não é algo meramente convencional, mas é circunstância que acompanha o modo de evoluir de cada idioma. É certo que alguns aspectos acabam por espraiar-se de uma língua originária (como o latim) para as línguas dela derivadas (como o português, o francês, o espanhol, o italiano, etc.); mas essas peculiaridades nem sempre se comunicam, e mesmo quando se comunicam, não o fazem de modo necessariamente uniforme.

5) De um modo geral, em português, os seres do sexo masculino são designados por nomes do gênero masculino (gato, boi), enquanto os do sexo feminino, por nomes do gênero feminino (gata, vaca). Mas mesmo aqui algumas peculiaridades exigem atenção: a) alguns nomes, chamados comuns de dois gêneros (como pianista, artista e selvagem) designam seres tanto do sexo masculino como do sexo feminino, e a distinção se faz pela aplicação de algum determinativo ou modificativo (virtuoso pianista, conceituada artista, o selvagem); b) outros nomes, os epicenos, são substantivos formalmente de um só gênero, e a distinção dos sexos se faz pelo acréscimo dos adjetivos macho e fêmeo (a cobra macha, o jacaré fêmeo); c) também há os sobrecomuns, substantivos de um só gênero, mas que se referem a seres de ambos os sexos, sem qualquer outra distinção (a criança, o indivíduo, a testemunha).

6) E, se já existe alguma dificuldade nessa classificação quanto aos seres sexuados, a dificuldade ainda é maior entre os seres assexuados, em que a classificação segue critérios totalmente apartados da questão da sexualidade, ou mesmo não segue critério algum: assim, não há, pelo que até agora se expôs, como explicar a razão de se dizer a) o arbusto, mas a árvore, b) o garfo, mas a faca, c) o sofá, mas a cadeira, d) o lápis, mas a borracha, e) a calcinha, mas a cueca, etc. Mais uma vez, cada idioma tem seus critérios, ou, na maioria das vezes, não tem critério algum.

7) Em realidade, cada idioma, sem determinação prévia específica, desenvolve seu sistema de estruturação gramatical dos gêneros: a) no latim, havia o masculino (inicialmente empregado para os seres do sexo masculino), o feminino (na origem, para os seres do sexo feminino) e o neutro (em latim, neuter = nem um nem outro, reservado aos seres a cujo respeito não houvesse preocupação com a questão da sexualidade); b) tanto pelas dificuldades normais advenientes de tais critérios, como pelo próprio distanciamento da preocupação original, a distinção adotada foi-se perdendo gradativamente; c) e, nas línguas românicas (oriundas do latim), por questões de facilidade na fala diária, o gênero neutro foi gradativamente desaparecendo; d) mas ainda se fazem presentes no português alguns resquícios do neutro, pois, como não é difícil perceber, embora este seja masculino e esta seja feminino, isto, isso, aquilo, tudo e nada servem tanto para designar um como outro.

8) No inglês, também há o neutro. He é ele; she é ela; e it é ele neutro. Os seres humanos são he ou she, conforme o sexo; os animais, it. Mas, se alguém quer designar um homem de modo depreciativo, pode coisificá-lo e chamá-lo por it. Se, porém, alguém quer mostrar um sinal de distinção para com seu gato de estimação, pode humanizá-lo e chamá-lo por he ou she, conforme o caso.

9) E não se pode, a esta altura, esquecer o alemão, em que, além da coexistência do masculino, do feminino e do neutro, ainda há o aspecto de que são declinados os pronomes, os substantivos, os adjetivos e os artigos. Ou seja: tais palavras têm suas terminações definidas não apenas pelo gênero a que pertencem (masculino, feminino ou neutro), mas também pela função sintática que desempenham na frase (nominativo para o sujeito, acusativo para o objeto direto, dativo para o objeto indireto e genitivo para o complemento nominal). Imagine-se a dificuldade para definir todos esses aspectos à medida que se fala ou escreve.

10) Respondendo, em síntese, ao leitor: a) os termos sexo e gênero não se confundem, já que o primeiro é classificação científica, fisiológica, enquanto o segundo é categoria gramatical, fato linguístico; b) embora quase nunca haja critérios claros e definidos nos idiomas, não é aleatório nem meramente convencional atribuir o gênero masculino ou feminino a um certo substantivo; c) exatamente por se tratar de gênero e não de sexo e pela ausência de critérios claros e definidos nos idiomas é que acontecem casos, como calcinha e cueca, vestes usadas por mulheres e homens respectivamente, mas que são ambas palavras do feminino; d) o português (o menino sábio, a menina sábia) tem critérios mais minuciosos do que o inglês (the wise boy, the wise girl) para a especificação dos gêneros e para os aspectos de concordância nominal; e) isso não significa, porém, uma necessária facilidade maior da língua inglesa, na qual, por exemplo, é grande a dificuldade de regência verbal, já que, a um mesmo verbo, podem acoplar-se preposições diferentes, cada qual determinando uma regência e um significado diversos para a expressão; f) nem muito menos significa dificuldade maior do que falar e escrever o alemão, em que as palavras têm suas terminações definidas não apenas pelo gênero a que pertencem (masculino, feminino ou neutro), mas também pela função sintática que desempenham na frase (nominativo para o sujeito, acusativo para o objeto direto, dativo para o objeto indireto e genitivo para o complemento nominal); g) como se vê, não há o que explicar a um estrangeiro, muito menos a alguém de origem anglo-saxônica, como se lhe fossem devidas desculpas pelas peculiaridades do português, certo como é que as questões próprias dos idiomas deles também trazem grandes dificuldades para o usuário do vernáculo.

Onde sempre se refere a lugar

"Em fevereiro, onde houve menos falhas no fornecimento da Light, o valor a ser descontado, a partir de maio, será..."

A palavra "onde", na maior parte das vezes, é um advérbio de lugar - na verdade, um advérbio interrogativo de lugar. Assim, aparece nas interrogações (diretas e indiretas) do tipo "Onde você estava ontem à noite?" (direta) ou "Gostaria de saber onde você estava ontem à noite" (indireta).

Ocorre que há situações nas quais o "onde" funciona como pronome relativo. Nesses casos, o termo tem um antecedente. Este deve ser representado ou por um advérbio de lugar ("Lá, onde não mora ninguém...") ou por um substantivo que se refira a lugar ("Na casa onde morava...", "O país onde nasceu..." etc.).

Na frase em questão o antecedente do "onde" é o nome de um mês, uma referencial temporal. Claro fica que o "onde" está mal empregado nesse caso. Uma opção é usar o "quando", também funcionando como pronome relativo. Assim:

Em fevereiro, quando houve menos falhas no fornecimento da Light, o valor a ser descontado, a partir de maio, será...

Também seria possível criar um aposto (usando a palavra "mês") seguido da preposição "em" e do pronome "que". Assim:

Em fevereiro, mês em que houve menos falhas no fornecimento da Light, o valor a ser descontado, a partir de maio, será...

Como conjugar o verbo intervir

"O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) interviu para convencer [Andrea] Matarazzo, seu primo, de que a medida fora exagerada."

Eis uma das dúvidas que, de tempos em tempos, voltam a assombrar os redatores. Afinal, como é mesmo que se conjuga o verbo "intervir"?

Não é difícil perceber que se trata de uma palavra prefixada, ou seja, nasceu da adição do prefixo "inter-" ao verbo "vir". Assim, resta-nos seguir, passo a passo, a conjugação do verbo "vir". O equívoco mais frequente é seguir a conjugação do verbo "ver" (como ocorreu no exemplo transcrito), que não tem nada a ver com a história.

Assim, no presente do indicativo, temos o seguinte: eu venho/ eu intervenho, ele vem/ ele intervém, nós vimos/ nós intervimos, eles vêm/ eles intervêm.

Nas terceiras pessoas, vale a pena observar a acentuação: no verbo "vir", um acento circunflexo distingue a forma "vêm" (plural) da homônima singular ("vem"); no verbo "intervir", o singular recebe acento agudo ("intervém") e o plural recebe acento circunflexo ("intervêm"). As duas formas são acentuadas porque ambas são oxítonas terminadas em "-em".

No passado (pretérito perfeito), temos o seguinte: eu vim/ eu intervim, ele veio/ ele interveio, nós viemos/ nós interviemos, eles vieram/ eles intervieram.

Para não errar, basta conjugar o verbo "vir", que é a sua base. No modo subjuntivo, encontramos formas como "se eu viesse"/ "se eu interviesse", "quando ele vier"/ "quando ele intervier" etc.

Abaixo, o fragmento corrigido:

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) interveio para convencer [Andrea] Matarazzo, seu primo, de que a medida fora exagerada.

Advérbio não requer conjunção que

"Evidentemente que isso não é verdade".

A frase é das mais comuns na linguagem oral, mas, no registro escrito, o ideal é evitar o "que" inútil depois do advérbio.

É bem provável que seu emprego inadequado seja fruto de confusão com outra construção. Num período como "É evidente que isso não é verdade", o "que" é necessário, pois é a conjunção integrante, responsável pela união das duas orações: "isso não é verdade" é sujeito de "é evidente". Para que uma oração desenvolvida (com verbo conjugado) seja sujeito de outra, é necessário o uso da conjunção subordinativa integrante ("que").

No trecho em epígrafe, temos um período simples, de uma só oração. "Evidentemente" é um advérbio que introduz a oração. Poderia haver uma vírgula separando-o do restante da oração. Assim:

Evidentemente, isso não é verdade.

É evidente que isso não é verdade.

Uso do pronome quem

"São os manobristas e os seguranças quem mais parecem seguir o figurino clássico do cidadão."

O pronome "quem" normalmente é um pronome interrogativo (aparece nas interrogações diretas e nas indiretas), mas pode funcionar também como relativo (ou relativo indefinido).

De valor substantivo, pertence à terceira pessoa do singular, portanto é preciso ficar atento ao concordar os verbos com ele. No período acima, por exemplo, o verbo "parecer" deveria estar no singular - afinal, quem mais parece seguir o figurino clássico do cidadão são os manobristas e os seguranças. Note-se que, ao mudar a ordem dos termos, fica mais fácil enxergar a concordância.

Na ordem inversa (como está no trecho em epígrafe), a expressão "os manobristas e os seguranças" pode ser confundida com um antecedente de pronome relativo. É possível que esse raciocínio tenha levado o redator a usar o verbo no plural. Caso o pronome "quem" fosse desdobrado na expressão "os que" (agora com pronome relativo), o verbo iria normalmente para o plural.

Em suma, há duas construções possíveis: com o pronome "quem", o verbo permanece no singular" ("quem parece", como em frases do tipo "Hoje quem paga a conta sou eu" ou "Hoje sou eu quem paga a conta"); com o demonstrativo "os" seguido do relativo "que", o verbo vai para o plural, concordando com o antecedente do relativo ("os que parecem"). Alguns gramáticos admitem a concordância com o antecedente do pronome relativo quem ''São os seguranças que mais parecem seguir o figurino'', ''Sou eu quem pago a conta'', quando se pretende fazer uma concordância enfática, típica da linguagem informal cotidiana e literária, mas não é assim que veem os concursos.

Veja, abaixo, as duas sugestões:

São os manobristas e os seguranças quem mais parece seguir o figurino clássico do cidadão.

São os manobristas e os seguranças os que mais parecem seguir o figurino clássico do cidadão.

Deficit e superavit - Novo Acordo Ortográfico de 2009

Não estão afastados os riscos de que o país volte a incorrer em grandes deficits externos no futuro - e essa possibilidade exige atenção do governo.

Antes do último Acordo Ortográfico, usávamos as grafias "déficit" e "superávit", ambas com acento marcando a sua sílaba tônica. As palavras latinas tinham sofrido um aportuguesamento fora do padrão, que foi agora revogado.

Para entender melhor essa questão, convém observar que, na língua portuguesa, não há palavras terminadas em "t" - esse não é o nosso padrão gráfico. Um termo como "superávit" poderia receber o "e" final, adequando-se ao padrão de aportuguesamento, donde resultaria a forma "superávite".

Ocorre, entretanto, que, com "déficit", isso não seria possível sem deslocamento da sílaba tônica porque, em português, as palavras são oxítonas, paroxítonas ou proparoxítonas (estas com acento tônico na antepenúltima sílaba). Não há possibilidade, no nosso sistema, de acentuar uma sílaba anterior à antepenúltima, algo existente apenas no espanhol. Com o deslocamento, teríamos algo como "defícite").

Vê-se, assim, que o problema não é fácil de resolver. No sistema ortográfico antigo, optou-se pelas grafias "déficit" e "superávit", que podiam receber o "s" de plural depois da consoante - mais uma solução fora do padrão ortográfico do português.

Com o novo acordo, essas formas voltaram à sua grafia latina (estão, agora, na lista de estrangeirismos do "Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa", documento que registra a grafia oficial das palavras no território brasileiro).

Dessa forma, perderam o acento e passam a ser tratadas como termos latinos. Perdem, portanto, o "s" de plural e passam a ser tratadas como nomes de dois números. Temos, agora, as construções "o deficit", "os deficit", "o superavit", "os superavit" - sem o "s" de plural. O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), da Academia Brasileira de Letras (ABL), registra o aportuguesamento  "défice", com o plural "os défices". O VOLP registra as derivadas deficitário e superavitário.

Abaixo, o texto corrigido segundo a ortografia vigente:

Não estão afastados os riscos de que o país volte a incorrer em grandes deficit externos no futuro - e essa possibilidade exige atenção do governo.

Ou:

Não estão afastados os riscos de que o país volte a incorrer em grandes défices externos no futuro - e essa possibilidade exige atenção do governo.

Impronunciar ou despronunciar? / Improver ou desprover?

1) É verbo usado com frequência em Direito Penal, especificamente em processos que apuram crimes dolosos contra a vida, de competência do Tribunal do Júri.

2) Tem o sentido de julgar, considerar inadequada uma denúncia, mesmo antes de remeter o acusado para julgamento pelo Tribunal do Júri. Ex.: "O juiz, como presidente do tribunal do júri, pode pronunciar, impronunciar ou absolver sumariamente o acusado".

3) Enquanto o verbo pronunciar tem aplicação mais ampla, não se limitando à área penal, já impronunciar é um verbo específico da terminologia criminal, não servindo para ser portador de qualquer outro conteúdo semântico.

4) Acrescente-se, com Antonio Henriques e Maria Margarida de Andrade , a profunda diferença entre impronunciar ("verificar, de imediato, a ausência de provas para pronúncia") e despronunciar (que implica a "verificação posterior de dados insuficientes para a pronúncia", razão pela qual "esta deixou de existir").

5) Em outra obra, Antonio Henriques assim reforça a diferença: a) impronunciar – "não houve pronúncia por falta de base, de força, de fundamento; o indiciado não foi a julgamento"; b) despronunciar – "houve pronúncia; o indiciado foi a julgamento que, depois, se desfaz, acaba, cessa, sofre reforma".

6) Também buscando diferenciar ambos os verbos, anota Adalberto J. Kaspary que despronunciar é "alterar um julgamento anterior, em que o réu foi pronunciado", enquanto impronunciar é "julgar, desde logo, improcedente a denúncia ou queixa contra o indiciado, determinando a sua soltura".

7) Muito embora sejam empregados com frequência nos meios jurídicos e forenses, raro é o uso de ambos os verbos – impronunciar e despronunciar –nos textos legais: a) "A decisão que impronunciar ou absolver o réu fará cessar a aplicação provisória da interdição anteriormente determinada" (CPP, art. 376); b) "Quando, instaurado processo por infração penal, o juiz, absolvendo ou impronunciando o réu, reconhecer a existência de qualquer dos fatos previstos no art. 14 ou no art. 27 do Código Penal, aplicar-lhe-á, se for caso, medida de segurança" (CPP, art. 555); c) "Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença: ... que pronunciar ou impronunciar o réu" (CPP, art. 581, IV); d) "Mantém-se a culpa formada até à decisão final, a não ser que em qualquer recurso o arguido seja despronunciado ou absolvido" (CPP português, art. 308º, § 3º).

8) E se esclareça que ambos os verbos – despronunciar e impronunciar – encontram-se registrados pelo VOLP, da ABL, que é o veículo oficialmente incumbido de determinar quais palavras integram, de modo efetivo, nosso idioma, o que significa que o uso de ambos está oficialmente autorizado entre nós.

Improver ou desprover?

Trata-se do prefixo latino in-, de valor negativo, que tem servido para criar muitas celeumas, sobretudo no ambiente forense. É que, no processo de composição das palavras, ele não pode se unir a qualquer elemento. Aceita-se a união tão somente com substantivos, adjetivos e advérbios. Note os exemplos:



In + felicidade (substantivo) = infelicidade;

In + feliz (adjetivo) = infeliz;

In + felizmente (advérbio) = infelizmente.



De modo curioso, nota-se que o prefixo mencionado pode se transformar em im-, como se observa nas formações apresentadas no título do artigo:



In + provido (adjetivo) = improvido

In + mexível (adjetivo) = imexível



Ou, ainda, com outras palavras:



In + merecido (adjetivo) = imerecido

In + pagável (adjetivo) = impagável



A propósito, enquanto se aceitam, no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) - o veículo que oficialmente determina o que existe e o que não existe em nosso idioma - os termos imerecido e impagável, não se toleram as esdrúxulas formações "imerecer" e "impagar". Qual o motivo?



O prefixo in- não serve para criar verbos! Em tempo, não se encontram dicionarizados, por exemplo, verbos como "inaplicar", "induvidar" e "inexigir" (mas se admitem, respectivamente, inaplicável, induvidoso e inexigido). Aliás, da mesma forma, devem ser rechaçadas as mirabolantes formações "inacolho o pedido", "inaplico o dispositivo" ou, ainda, "verbas impagas" ("inacolher", "inaplicar" e "impagar" não existem!)



Em caráter excepcional, admitem-se alguns verbos com a referida formação condenável "in + verbo". Tais "exceções" encontram guarida no VOLP. São bons exemplos: incapacitar, inutilizar, inexistir, inadmitir, inabilitar, inadimplir, imortalizar, inobservar, inalienar, impermeabilizar, impossibilitar, improceder, impronunciar, impunir, entre outros. Trata-se de verbos aceitos.



Na análise de palavras que se iniciam pelo prefixo in-, um vocábulo que avoca reflexão é "inobstante". Trata-se de termo de largo uso nos textos jurídicos, na acepção de "apesar de, embora, conquanto". O detalhe é que a palavra não está dicionarizada! Desse modo, em seu lugar, recomendamos que se utilizem as formas vernáculas não obstante ou nada obstante.

Uma pergunta, entretanto, faz-se necessária: o vocábulo, à luz do processo de formação de palavras, é aceitável? A resposta é afirmativa, pois temos em "inobstante" a fusão do prefixo (in-) com um adjetivo (obstante), dando ensejo a uma regular formação de palavras. Em termos simples, pode-se assegurar que "inobstante" é um bom e honesto neologismo! Todavia, como o termo não é aceito pelo VOLP, ficamos obrigados a substituí-lo pelas expressões sucedâneas, apresentadas em epígrafe, a saber: não obstante ou nada obstante.



E quanto ao termo "imexível"?



O ex-ministro do Trabalho do governo Collor, Antonio Rogério Magri, ganhou fama com o termo "imexível". Afirmou, no início da década de 90, que "o direito de greve é `imexível´." (Diário do Passado, 04.03.1991).



Frise-se que o termo é o resultado da fusão do prefixo negativo (in-) com o adjetivo (mexível), obedecendo aos cânones morfológicos da Língua Portuguesa.



Com efeito, a palavra "imexível", criada pelo ex-ministro, é de formação regular, seguindo o mesmo processo de concepção de palavras vernáculas como "intocável", "indiscutível", "insubstituível", "infalível", "ilegível" - sem a necessidade de nos alongarmos nos exemplos.



Os teóricos denominam o fenômeno de "neologismo léxico", que ocorre com a formação de um termo original, concebido a partir das estruturas preestabelecidas da Língua Portuguesa. Um termo que nasce da virtualidade ou potencialidade do idioma.



O ex-sindicalista semeou uma palavra, mas colheu constrangimento. Talvez porque não fosse um João Guimarães Rosa, de cuja respeitável pena exsurgiram centenas de neologismos, que não causavam maiores celeumas... O povo não perdoou a falta de "autoridade linguística" do ex-sindicalista! Precipitação demasiada, a nosso ver. Sua sacada neológica virou chacota nacional, sem o merecer. Seu pecado foi ter se valido, à época, de termo não constante do dicionário...



Hoje, a história provou que o político, além de criativo, tinha toda a razão. A palavra, de esporádica passou a ser "institucionalizada" - e foi dicionarizada! -, integrando o rol de termos do dicionário Houaiss, desde 2001. O VOLP também a chancelou. Como já dizia Machado de Assis, o termo "ganhou cidadania".



Curiosamente, a perseguição à palavra parecia não ter fim. Em publicação datada de 17 de setembro de 2003, na Revista Isto É, leu-se o seguinte fragmento: "No horizonte da reforma ministerial, recorrendo ao neologismo do ex-ministro Rogério Magri, Lula frisou que só quatro ministros são "e;imexíveis"e; ".  Pergunta-se: a palavra veio separada por aspas (no caso, aspetas) por qual motivo, se já estava dicionarizada há um bom tempo!? O que significam ou querem significar tais aspas?



Ora, devemos ficar atentos ao constante e natural "movimento lexical" que abre alas a palavras aqui, fechando portas para outras acolá, que resvalam para o desuso. Tenho dito que a função de um dicionário é mais refletir a linguagem do falante, e menos servir como atestado de validade vocabular.



Evanildo Bechara, aliás, cita Fernão de Oliveira - o primeiro a gramaticalizar, no século XVI, o português que nós herdamos -, para quem "a língua é o que os falantes fazem dela".



Passemos, finalmente, ao termo "improvido".



É sabido que o verbo "prover", entre outros significados, tem a acepção de "receber para discussão e deferir um recurso". Em termos simples, equivale a "dar provimento a".



Não é incomum, todavia, encontrarmos nos textos jurídicos a negação de tal verbo por meio do uso do prefixo in-. Escrevem-se frases como "a Turma "e;improveu"e; o recurso" ou, ainda, "o recurso foi "e;improvido"e; pela Turma". Estariam adequadas tais construções? Sem dúvida, não.



Como já se deixou claro aqui, o prefixo in-, como regra, não serve para criar verbos! É errôneo, destarte, o uso de "improver" e até de "improvimento". Não são termos dicionarizados! Todavia, o VOLP, em sua 5ª edição, abona, com exclusivismo, o adjetivo "improvido", na acepção de "sem provimento". Pode-se afirmar, assim, que "o recurso foi "e;improvido"e;", mas não se pode dizer que "ele havia "e;improvido"e; o recurso". No primeiro caso, mostra-se como adjetivo; no segundo, como verbo.



Desse modo, recomendamos que se utilize, substitutivamente, o verbo "desprover". Este admite tanto o adjetivo desprovido como o substantivo desprovimento.



A título de curiosidade, observe as vernáculas conjugações verbais de "desprover":



- O magistrado desproveu o recurso ontem. (e não "improveu");

- Ontem eu desprovi o recurso. (e não "improvi");

- Espero que nós desprovejamos o recurso. (e não "improvejamos");

- Eu desprovejo o recurso. (e não "improvejo");

- Eles desproveem o recurso. (e não "improveem") [já com a atualização do Acordo Ortográfico]





Diante do exposto, a resposta à indagação que serviu como título do presente artigo torna-se simples. A frase "O recurso improvido tornou-se imexível" apresenta-se perfeita. O termos dicionarizados "improvido", como adjetivo, e  "imexível", de há muito dicionarizado, ofertam a ideia na frase de que "o recurso sem provimento tornou-se inalterado".



De tudo, algo ficou claro: o estudo do prefixo "in-" é inescapavelmente indispensável! Ou seria infalivelmente ininteligente? É melhor sermos infensos à incerteza, à insegurança e à insensatez...

29 de dezembro de 2019

Como estudar gramática para concursos?

Qualquer pessoa tem condições de fazer uma boa prova de português para concurso, mesmo que não goste da matéria.
Se não ficar gravando regras e macetes, isto é realmente possível.
Quem entende a forma correta de estudar português para concurso, sai na frente na luta acirrada pela aprovação.
Se você seguir essas dicas, provavelmente vai se destacar da multidão faminta por uma aprovação e ficará mais perto da vaga.

Por que português parece difícil

português para concursoA Gramática tem a função de regular a linguagem e estabelecer padrões de escrita e fala para os falantes de uma língua.
O processo de ensino da gramática na prática pedagógica atual tem sido objeto de constantes indagações quanto à sua compreensão.
A definição do conteúdo muitas vezes é feita de forma autoritária, por vezes de maneira errada e sem um planejamento adequado, não despertando o interesse dos alunos.
Trata-se de métodos ultrapassados e inadequados para o processo de estudo da língua portuguesa benefício da sociedade.
É de extrema relevância perceber o valor do ensino gramatical no âmbito escolar.
Antes de tudo, é necessário entender por que se tem que estudar gramática, ficando por conta do educador conscientizar os alunos a perceber com clareza a importância da gramática para a sua educação.
Por isso que quando vão prestar concurso público, muitos candidatos ficam preocupados porque sabem que têm dificuldade com português.

Como estudar português para concurso | por onde começar

Existe um roteiro de estudo a ser seguido na hora de estudar português de forma geral, este roteiro vai melhorar a sua compreensão no estudo da gramática consideravelmente.
Muitos alunos falham neste aspecto e passam mais tempo estudando a gramática do que deveriam.
Por exemplo, não se deve estudar de inicio a pontuação que faz parte da síntaxe, antes disso é preciso ter uma boa compreensão da morfologia.
Se você for estudar diretamente a síntaxe pode ter sérios problemas, pois a ela depende da morfologia, assim vai ser complicado estudar os termos da oração, sem saber classificar e empregar as palavras que fazem parte da morfologia.
Divisão para estudar a gramática corretamente:
  1. Fonologia
  2. Morfologia
  3. Sintaxe
  4. Semântica
  5. Estilística
  6. Produção e Interpretação de Textos
  7. Redação Oficial
  8. Literatura Brasileira
  9. Literatura Portuguesa
  10. Etimologia
  11. Comunicação (Pragmática)
Esta é a ordem que vai levar você para outro nível no aprendizado do português.
O importante é seguir a sequência para não se perder, pois você vai precisa compreender a fonologia para entender outras coisas em morfologia.
1 – Fonologia: o que é fonema, vogais, consoantes e semivogais, encontros vocálicos, encontros consonantais e dígrafos, divisão silábica, número de sílabas, acentuação gráfica, tonicidade, sílaba tônica, ortoépia, prosódia, regras de acentuação, acento diferencial e acento de insistência, ortografia e regras de ortografia.
Você vai aprender aqui tudo sobre fonemas, ou seja, vai aprender sobre os sons das palavras do ponto de vista de sua função no sistema de comunicação linguística.
2 – Morfologia: estrutura e formação das palavras, classes gramaticais.
Aqui você vai estudar a estrutura, formação, classificação, flexão e emprego das palavras. O que é peculiar na morfologia é que deve-se estudar as palavras olhando para elas isoladamente e não por sua participação na frase ou período.
A morfologia é agrupada em 10 classes gramaticais. São elas: substantivo (e locução substantiva), artigo, adjetivo (e locução adjetiva), numeral, pronome (e locução pronominal), verbo (e locução verbal), advérbio (e locução adverbial), preposição (e locução prepositiva), conjunção (e locução conjuntiva) e interjeição (e locução interjetiva). As palavras denotativas não possuem uma classe gramatical específica, segundo a NGB.
Estrutura das palavras - radical / lexema / semantema, desinência, prefixo, sufixo, tema, vogal temática, vogal e consoante de ligação / infixo
Formação das palavras - derivação (prefixal / prefixação, sufixal / sufixação, prefixal e sufixal / prefixação e sufixação, parassintética / circunfixação, regressiva / regressão e imprópria / conversão), composição (justaposição e aglutinação), hibridismo, onomatopeia, abreviação vocabular (redução), siglonimização, palavra-valise (amálgama), intensificação, reduplicação (redobro), neologismo, estrangeirismo e decalque
Substantivo - simples / composto, primitivo / derivado, comum / próprio, concreto / abstrato e coletivo
Artigo - definido / indefinido
Adjetivo - simples / composto, primitivo / derivado, pátrio ou gentílico, explicativo / restritivo e objetivo / subjetivo
Numeral - cardinal, ordinal, multiplicativo, fracionário e coletivo
Pronome - pessoal (reto, oblíquo e de tratamento), possessivo, demonstrativo, indefinido, interrogativo, relativo, reflexivo e recíproco
Verbo - regular, irregular, anômalo, defectivo, abundante, auxiliar, pronominal, reflexivo, impessoal e unipessoal
Advérbio - de tempo, de lugar, de modo, de intensidade, de afirmação, de negação e de dúvida
Preposição - essencial, acidental, combinação, contração e crase
Conjunção - coordenativa (aditiva, adversativa, alternativa, explicativa e conclusiva) e subordinativa (causal, condicional, comparativa, conformativa, consecutiva, concessiva, final, proporcional, temporal e integrante)
Interjeição - de alegria (ou satisfação), de animação (ou estímulo), de aplauso (ou aprovação), de desejo (ou intenção), de dor (ou tristeza), de espanto (ou admiração), de impaciência (ou contrariedade), de silêncio, de alívio, de medo (ou terror), de advertência, de concordância, de desaprovação (ou repulsa), de dúvida (ou incredulidade), de pedido de auxílio (ou socorro), de saudação (chamamento ou invocação), de afugentamento (ou afastamento)
3 – Sintaxe: Termos da oração, estudo das orações, pontuação, regência, concordância, crase, colocação pronominal.
Na sintaxe você vai ver a parte da gramática que estuda a disposição das palavras na frase e das frases no discurso, assim como a relação lógica entre as frases.
A sintaxe é essencial para manusear satisfatoriamente as múltiplas possibilidades existentes para combinar orações e palavras.
Elementos da sintaxe: análise sintática; frase, oração e período; termos essenciais da oração; termos integrantes da oração; termos acessórios da oração e vocativo; período composto; coordenação; subordinação; coordenação e subordinação; orações reduzidas; estudo complementar do período composto (orações justapostas, intercaladas e período misto); sintaxe de concordância; sintaxe de regência; sintaxe de colocação; emprego da crase.
Termos essenciais - sujeito (simples, composto, oculto, indeterminado, inexistente e oracional) e predicado (nominal, verbal e verbo-nominal)
Transitividade verbal - verbo de ligação, verbo intransitivo e verbo transitivo (direto, indireto e direto e indireto)
Termos integrantes - objeto direto, objeto indireto, objeto direto preposicionado, objeto direto pleonástico, objeto direto interno (ou cognato), objeto indireto pleonástico, objeto indireto por extensão, complemento nominal, agente da passiva e predicativo (do sujeito e do objeto)
Termos acessórios - adjunto adnominal, adjunto adverbial e aposto
Termo independente - vocativo
Período simples - oração absoluta
Período composto por coordenação - oração coordenada assindética e sindética (aditiva, adversativa, alternativa, explicativa e conclusiva)
Período composto por subordinação:
Oração subordinada substantiva - subjetiva, predicativa, objetiva direta, objetiva indireta, completiva nominal, apositiva, agente da passiva e reduzida
Oração subordinada adjetiva - explicativa, restritiva e reduzida
Oração subordinada adverbial - causal, condicional, comparativa, conformativa, consecutiva, concessiva, final, proporcional, temporal, modal, locativa e reduzida
Orações reduzidas - de infinitivo, de gerúndio e de particípio
Regência nominal - termo regente: nome - substantivo, adjetivo ou advérbio
Regência verbal - termo regente: verbo nocional
Verbos mais solicitados - agradar / desagradar, ajudar, apelar, aspirar, assistir, atender, chamar, chegar / ir, confraternizar, consistir, conferir, constar, custar, contribuir, comungar, dar, desculpar, deparar, declinar, entender, estimar, ensinar, esquecer / lembrar / recordar / admirar, fugir, haver, gostar, implicar, importar, informar / avisar / aconselhar / anunciar / alertar / noticiar / dizer / encarregar / advertir / prevenir / notificar / certificar / cientificar / aconselhar / impedir / incumbir / proibir, investir, morar / residir / situar / estabelecer-se, namorar, obedecer / desobedecer, pagar / agradecer / perdoar, preferir, precisar, presidir, proceder, perceber, persuadir, querer, renunciar, responder, resignar, reparar, servir, simpatizar / antipatizar, suceder, visar
Concordância verbal - sujeito e verbo em número e pessoa
Concordância nominal - substantivo e seus satélites: artigo, adjetivo, numeral adjetivo, pronome adjetivo e particípio
Colocação pronominal:
Próclise:
Palavra atrativa - palavra negativa, advérbio, pronome relativo, pronome indefinido, pronome demonstrativo, conjunção subordinativa, em + gerúndio, frase interrogativa, exclamativa ou optativa, oração sindética alternativa e forma verbal proparoxítona
Mesóclise - futuro do presente ou futuro do pretérito do indicativo
Ênclise - verbo no início da frase, verbo no imperativo afirmativo, verbo no gerúndio sem a preposição em e verbo no infinitivo impessoal
Locuções verbais - auxiliar + infinitivo e auxiliar + gerúndio
Tempos compostos - auxiliar + particípio
Pontuação - vírgula, ponto e vírgula, dois-pontos, ponto de interrogação, ponto de exclamação, reticências, aspas, parênteses, colchetes, travessão, asterisco e parágrafo
Crase - casos obrigatórios, facultativos, proibidos e polêmicos
4 – Semântica: polissemia, sinônimos e antônimos, homônimos e parônimos, hiperônimos e hipônimos, campo lexical e campo semântico, formas gráficas variantes, merônimos e holônimos, acrônimos, antropônimos, topônimos, axiônimos e oneônimos, estrangeirismo, ambiguidade, intertextualidade, problemas gerais da língua culta, escolha lexical, expressões idiomáticas e provérbios, denotação e conotação.
Na linguística a Semântica estuda e interpreta o significado de uma palavra, de uma frase, de um signo ou de uma expressão num determinado contexto. Nesse campo de estudo, também é analisado as mudanças de sentido ocorridas nas formas linguísticas devido a alguns fatores, tais como espaço geográfico e tempo.
Elementos da semântica: linguagem, sinônimo, antônimo, polissemia.
5 – Estilística
A Estilística trata os processos de manipulação da linguagem, permitindo a quem escreve ou fala sugerir conteúdos intuitivos e emotivos por meio das palavras.
Além disso, estabelece princípios que podem explicar as escolhas particulares feitas por indivíduos e grupos da sociedade no que se refere ao uso da língua.
Elementos: figuras de linguagem (figuras de palavras ou tropos, figuras de pensamento, figuras de construção ou sintaxe e figuras de som); vícios de linguagem, funções da linguagem.

Figuras de palavras ou tropos - comparação (ou símile), alegoria, metáfora, metonímia (ou sinédoque), catacrese, perífrase (ou antonomásia) e sinestesia
Figuras de pensamento - antítese (ou contraste), paradoxo (ou oxímoro), ironia (ou antífrase), eufemismo, hipérbole (ou auxese), prosopopeia (personificação ou animismo), gradação (ou clímax), apóstrofe e enálage
Figuras de construção ou sintaxe - elipse, zeugma, polissíndeto, assíndeto, hipérbato (ou inversão), sínquise, anástrofe, hipálage, anacoluto, pleonasmo e anáfora
Figuras de som - aliteração, assonância, paronomásia (ou paranomásia) e onomatopeia
Vícios de linguagem - barbarismo, solecismo, pleonasmo vicioso (redundância ou tautologia), ambiguidade (ou anfibologia), cacofonia (ou cacófato), eco, hiato, colisão, vulgarismo, plebeísmo, clichê (lugar-comum, frase feita ou chavão), estrangeirismo, neologismo, arcaísmo, preciosismo (rebuscamento ou prolixidade), gerundismo, queísmo, lheísmo e parequema
Funções da linguagem - emotiva, expressiva ou de exteriorização psíquica (emissor), conativa, apelativa ou imperativa (receptor), poética ou estética (mensagem), fática ou de contato (canal), referencial, denotativa, informativa ou cognitiva (referente), metalinguística ou metalinguagem (código)

Esta é a forma de estudar português de modo geral, certifique-se de escolher um bom material para estudar.

Estudando português necessário para passar

A opção para você conseguir ter um bom desempenho na prova de português para concurso é estudar com apostila específica do concurso que você escolheu.
As bancas organizadoras dos concursos geralmente são as mesmas e costumam repetir as disciplinas dos últimos concursos bem como o estilo de questões, logo, você pode se beneficiar estudando um conteúdo especifico para o seu concurso.
Se você está preocupado com a prova de  português do seu próximo concurso? Se você não sabe por onde começar a estudar? Ou se você não tem boas lembranças da sua ultima prova de português num concurso?
Você pode estudar como uma apostila específica de português para o seu concurso, alguns sites especializados em cursos online e apostilas comercializam esse tipo de material, como estes:
Uma vez que a disciplina língua portuguesa engloba vários tópicos e assuntos, se você for estudar português a fundo pode se deparar com coisas que nem vão cair na prova e levar tempo.
Por isso é importante estudar com um material direcionado para os assuntos mais prováveis de estarem na prova.
Quanto antes você começar a estudar, mas preparado você vai ficar, portanto, escolha o material de estudo do seu próximo concurso agora e comesse a estudar desde já.
Boa sorte na sua caminhada rumo à aprovação!

18 de dezembro de 2019

Matemática - Ângulos (3)

Ângulos adjacentes

Observe os exemplos de ângulos consecutivos vistos anteriormente e verifique que:
Os ângulos AÔC  e CÔB não possuem pontos internos comuns.

Os ângulos AÔC  e  AÔB possuem pontos internos comuns.

Os ângulos CÔB  e AÔB possuem pontos internos comuns
   
Verifique que os ângulos AÔC  e CÔB são consecutivos e não possuem pontos internos comuns. Por isso eles são denominados ângulos adjacentes.       
Assim:
Dois ângulos são adjacentes quando são consecutivos e não possuem pontos internos comuns.
Observação:
Duas retas concorrentes determinam vários ângulos adjacentes. Exemplos:

Bissetriz de um ângulo

Observe a figura abaixo:
   
m (AÔC)  = m (CÔB) = 20º
Verifique que a semirreta   divide o ângulo AÔB em dois ângulos (AÔC e CÔB) congruentes. Nesse caso, a semirreta   é denominada bissetriz do ângulo AÔB.
Assim:
Bissetriz de um ângulo é a semirreta com origem no vértice desse ângulo e que o divide em dois outros ângulos congruentes.

Utilizando o compasso na construção da bissetriz de um ângulo

Determinação da bissetriz do ângulo AÔB

Centramos o compasso em O e com uma abertura determinamos os pontos C e D sobre as semirretas , respectivamente.
Centramos o compasso em C e D e com uma abertura superior à metade da distância de C  a D traçamos arcos que se cruzam em E.
Traçamos , determinando assim a bissetriz de AÔB.

Ângulo agudo, obtuso e reto

Podemos classificar um ângulo em agudo, obtuso ou reto.
  • Ângulo agudo é o ângulo cuja medida é menor que 90º. Exemplo:
  • Ângulo obtuso é o ângulo cuja medida é maior que 90º. Exemplo:

  • Ângulo reto é o ângulo cuja medida é 90º. Exemplo:

Retas perpendiculares

As retas r e s da figura abaixo são concorrentes e formam entre si quatro ângulos retos.
Dizemos que as retas r e s são perpendiculares e indicamos:
Observação:
Duas retas concorrentes que não formam ângulos retos entre si são chamadas de oblíquas. Exemplo:  

Ângulos complementares

Observe os ângulos AÔB  e BÔC na figura abaixo:
Verifique que:
m (AÔB) + m (BÔC) = 90º
Nesse caso, dizemos que os ângulos AÔB  e BÔC são complementares. Assim:
Dois ângulos são complementares quando a soma de suas medidas é 90º.
Exemplo:
Os ângulos que medem 42º e 48º são complementares, pois 42º + 48º = 90º.
Dizemos que o ângulo de 42º é o complemento do ângulo de 48º, e vice-versa.
Para calcular a medida do complemento de um ângulo, devemos determinar a diferença entre 90º e a medida do ângulo agudo dado.
Medida do ângulo
Complemento
x
90º  - x
Exemplo:
  • Qual a medida do complemento de um ângulo de 75º?
Solução
Medida do complemento = 90º - medida do ângulo
Medida do complemento = 90º - 75º
Medida do complemento = 15º
Logo, a medida do complemento do ângulo de 75º é 15º.
Observação:
Os ângulos XÔY  e YÔZ  da figura ao lado, além de complementares, são também adjacentes. Dizemos que esses ângulos são adjacentes complementares.
                                       

Ângulos suplementares

Observe os ângulos AÔB e BÔC na figura abaixo:
As semirretas  formam um ângulo raso. Verifique que:
m (AÔB)  + m (BÔC) = 180º
Nesse caso, dizemos que os ângulos AÔB e BÔC são suplementares. Assim:
Dois ângulos são suplementares quando a soma de suas medidas é 180º.
Exemplo:
Os ângulos que medem 82º e 98º são suplementares, pois 82º + 98º = 180º.
Dizemos que o ângulo de 82º é o suplemento do ângulo de 98º, e vice-versa.
Para calcular a medida do suplemento de um ângulo, devemos determinar a diferença entre 180º e a medida do ângulo agudo dado.
Medida do ângulo
Suplemento
x
180º  - x
Exemplo:
  • Qual a medida do suplemento de um ângulo de 55º?
Solução
Medida do suplemento = 180º - medida do ângulo
Medida do suplemento = 180º - 55º
Medida do suplemento = 125º
Logo, a medida do suplemento do ângulo de 55º é 125º.
Observação:
Os ângulos XÔY e YÔZ da figura abaixo, além de suplementares, são também adjacentes. Dizemos que esses ângulos são adjacentes suplementares.

Ângulos opostos pelo vértice

Observe os ângulos AÔB e CÔD na figura abaixo:
Verifique que:
Nesse caso, dizemos que os ângulos AÔB  e CÔD são opostos pelo vértice (o.p.v). Assim:
Dois ângulos são opostos pelo vértice quando os lados de um deles são semirretas opostas aos lados do outro.
Na figura abaixo, vamos indicar:
Sabemos que:
X + Y = 180º  (ângulos adjacentes suplementares)
X  + K = 180º (ângulos adjacentes suplementares)
Então:
Logo: y = k
Assim:
m (AÔB) = m (CÔD) AÔB   CÔD
m (AÔD) = m (CÔB) AÔD   CÔB
Daí a propriedade:
Dois ângulos opostos pelo vértice são congruentes.
Observe uma aplicação dessa propriedade na resolução de um problema:
  • Dois ângulos opostos pelo vértice têm medidas, em graus, expressas por x + 60º  e 3x - 40º. Qual é o valor de x?
Solução:
x + 60º  = 3x-40º   ângulos o.p.v
x - 3x  = - 40º-60º
-2x = -100º
x = 50º
Logo, o valor de x é 50º.