31 de outubro de 2018

Função referencial - Linguagem e comunicação

Função referencial

Por Luana Castro Alves Perez
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Você já parou para pensar na quantidade de vezes em que nos envolvemos em atos de fala todos os dias? Desde a hora em que acordamos até a hora em que vamos dormir, estamos nos comunicando com nossa família e com nossos amigos. Talvez você ainda não saiba que, por detrás do simples ato de nos comunicar, estão envolvidos fatores linguísticos muito interessantes, que explicam as intenções dos falantes em cada situação de interação verbal.
Para que a comunicação aconteça, é preciso um sistema qualquer de sinais, desde que ele seja organizado e comum às pessoas envolvidas na situação comunicacional. Quando elaboramos nosso discurso, dependendo da intenção e sentido que a ele queremos dar, escolhemos, intuitivamente, uma das funções da linguagem. Esse termo, “funções da linguagem”, foi criado por um importante linguista russo chamado Roman Jackobson, que foi quem primeiro percebeu que na linguagem existem alguns elementos fundamentais à comunicação e assim definiu que seis fatores estão envolvidos nela. São eles:
Hoje vamos nos aprofundar naquela que é considerada a função mais comum, a função referencial. Quando alguém utiliza essa função em um ato de fala, tem por intenção transmitir ao interlocutor dados da realidade de forma objetiva e precisa, longe de recursos linguísticos como metáforas e vícios de linguagem como a ambiguidade. Ela também é conhecida como função denotativa por ser essa a sua principal característica, ou seja, usar a linguagem tal qual ela é em sua essência, objetiva, direta, denotativa, prevalecendo sempre o uso da 3ª pessoa. 
Também é conhecida como função informativa ou função cognitiva por sua finalidade de informar.
O tempo todo estamos envolvidos em atos de fala, em casa, na escola e sempre onde houver um interlocutor em potencial
O tempo todo estamos envolvidos em atos de fala, em casa, na escola e sempre onde houver um interlocutor em potencial
Vamos conhecer as principais características da função referencial? Observe as marcas linguísticas encontradas em um discurso que emprega essa função:
♦ Texto escrito em terceira pessoa;
♦ Linguagem denotativa;
♦ Frases estruturadas na ordem direta.
Observe um exemplo de função referencial na linguagem verbal:
Uma nova estrada para o turismo de natureza
“Existe um paraíso escondido no interior do país com potencial para tornar-se uma segunda Transpantaneira - a rodovia MT-060. A nova rota é conhecida como Estrada Turística e fica próxima da fronteira entre o Brasil e a Bolívia, em Cáceres, no Mato Grosso. O desafio dessa região é similar ao de muitas área naturais do Brasil: implementar o turismo de natureza para gerar desenvolvimento sócioeconômico e o empoderamento das comunidades locais. Seria possível trilhar esse sonho em uma região tão distante dos grandes centros urbanos?
O Brasil tem em seu território alguns dos ecossistemas mais ricos em biodiversidade do mundo.  O Pantanal, com seus 250 mil quilômetros quadrados de extensão, é um desses exemplos.  Segundo o Fórum Econômico Mundial, o Brasil é o líder em um ranking  de 140 países em belezas naturais. (...)”.
Revista Época. Acesso no dia 11/09/14. Disponível em Época.globo
A função referencial também pode ser encontrada na linguagem não verbal, observe o exemplo:
​Os manuais de anatomia fazem parte dos recursos de representação, cuja característica principal é a predominância da função referencial
Os manuais de anatomia fazem parte dos recursos de representação, cuja característica principal é a predominância da função referencial
A função referencial está presente nos textos dissertativos, técnicos, instrucionais, jornalísticos e todos os outros que têm a informação como principal objetivo. Ela é considerada a função mais comum porque a informação é a finalidade maior de todo ato de comunicação. Vale lembrar que em um mesmo texto várias funções podem estar presentes, mas sempre haverá uma função predominante, certo? Bons estudos!

Função metalinguística - A linguagem explicando ela mesma

Função metalinguística

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Você sabia que as palavras dialogam entre si? Pois é, esse fenômeno curioso recebe o nome de metalinguagem. A função metalinguística, como também é chamada, está entre as seis funções da linguagem e acontece quando usamos o código, que é a língua, para explicar a própria língua.
Uma criança pequena, quando já aprendeu a falar e entra na fase de questionar o significado e os conceitos das palavras, exerce a função metalinguística o tempo todo. Ela pergunta sobre o próprio código com frequência, com expressões do tipo “o que é isso” ou “não entendi direito”, entre outras sentenças que revelam o processo de aquisição da linguagem. Ela está aprendendo o significado das palavras, por isso esse tipo de pergunta torna-se corriqueiro.
Nos dicionários também encontramos a função metalinguística em ação: trata-se de um compêndio de palavras que são explicadas através dos verbetes. As gramáticas também fazem uso dessa função, pois usam palavras para explicar outras palavras. Quando você analisa e interpreta um texto, você também está fazendo uso da metalinguagem, mesmo que inconscientemente. Mas não é só com a palavra que o fenômeno acontece, ela está presente quando um filme tem por próprio tema o cinema, uma peça de teatro que tem por tema o teatro, um desenho mostrando o ato de desenhar em um poema que use as palavras para explicar o processo de criação literária, a pintura de um artista pintando ou programas de televisão que falam sobre televisão, como o Vídeo Show. Observe só um exemplo de metalinguagem:
No poema de Carlos Drummond de Andrade, podemos observar a existência da função metalinguística, pois o poeta discorre sobre o próprio fazer poético
No poema de Carlos Drummond de Andrade, podemos observar a existência da função metalinguística, pois o poeta discorre sobre o próprio fazer poético
Você percebeu que o poema de Carlos Drummond de Andrade tem como tema o próprio ato de escrever uma poesia? Nele, o poeta tenta encontrar a forma e o verso, descrevendo para o leitor a criação literária. Observe também a função metalinguística em uma tirinha do desenhista Bill Watterson, criador de Calvin e Haroldo:
A função metalinguística está presente nos dicionários, nas gramáticas, nos poemas e até mesmo nas histórias em quadrinhos
A função metalinguística está presente nos dicionários, nas gramáticas, nos poemas e até mesmo nas histórias em quadrinhos
Na tirinha, o objeto de análise é a própria história em quadrinhos, pois Calvin faz uma reflexão sobre o trabalho do artista, tecendo uma comparação entre o trabalho de um desenhista de agora e o trabalho de um desenhista de tempos atrás. Viu só? Essa é a função metalinguística, que tem por objetivo analisar o próprio código, ou seja, a língua.

Função conativa - Convencendo o receptor

Função conativa









A todo momento nós usamos a linguagem para nos comunicar, certo? Até mesmo quando não falamos, estamos nos comunicando, seja através de gestos ou de expressões faciais. O ser humano sempre está envolvido nas mais diversas situações comunicacionais e em cada uma delas utilizamos um tipo de linguagem.
Adaptar a linguagem a um determinado contexto explica o porquê da existência das funções da linguagem. Elas são classificadas em seis tipos diferentes: referencial, conativa, emotiva, metalinguística, fática e poética. Hoje falaremos sobre uma linguagem muito comum no nosso dia a dia, que apresenta características bem interessantes que podem levar o interlocutor a adotar um determinado tipo de comportamento. Estamos falando da função conativa da linguagem.
Na função conativa da linguagem, também chamada de função apelativa, função diretiva ou função imperativa, a mensagem está centrada no destinatário. Como assim, centrada no destinatário? Pois bem, isso quer dizer que a mensagem tem como objetivo influenciar, seduzir, persuadir e convencer o interlocutor. Quando pensamos nesse tipo de linguagem, podemos associá-la imediatamente à linguagem empregada nos anúncios publicitários, que usa alguns artifícios para conquistar novos consumidores. Observe:

A principal característica da função conativa é o desenvolvimento de uma linguagem centrada no destinatário.
Também é usada em discursos políticos, sermões religiosos, pregações, palestras, livros de horóscopo e autoajuda. 
Com uma leitura atenta e cuidadosa, podemos perceber que a maioria dos anúncios usa o vocativo e os verbos no imperativo, pois assim incita o leitor ou interlocutor a adotar algum tipo de comportamento, já que esse modo verbal expressa sempre uma ideia de ordem, aconselhamento ou pedido. Outra característica importante é o uso da 2ª pessoa, ou seja, o anúncio está falando diretamente com você. Agora, observe um exemplo de função conativa na linguagem poética:
Poeminha sobre insuficiência
Rapazinho
Estuda depressa
Pois burro aos trinta
É burro à beça.

Millôr Fernandes
Você percebeu os elementos da função conativa no poema de Millôr Fernandes? Eles estão ali, mas também existe outra função que predomina nos textos literários, conhecida como função poética da linguagem. Mas isso é assunto para uma outra conversa! Bons estudos!

Função emotiva - Palavras e emoções

Função emotiva









Para cada tipo de texto existe uma função da linguagem que a ele se adapta perfeitamente! Essas funções revelam as intenções do emissor ao elaborar a mensagem: se a intenção é informar, usa-se a função referencial; se a intenção é convencer alguém, usa-se a função conativa; se a intenção é usar o código para explicar a própria língua, usa-se a função metalinguística; se a intenção é enfeitar a linguagem, usa-se a função poética; se a intenção é manter o contato com o canal, iniciar ou finalizar uma conversa, usa-se a função fática. Mas e quando a intenção é emocionar e conquistar o leitor através da emoção? Qual função da linguagem é a mais adequada?
Nesse caso, a função emotiva da linguagem é a melhor escolha. A função emotiva, também chamada de função expressiva, é caracterizada por sua mensagem centrada no emissor, ou seja, encontramos nos textos que utilizam essa função a expressividade de um discurso construído na primeira pessoa. O autor tem como principal desejo buscar a adesão de quem lê, convencendo-o através de algumas marcas gramaticais peculiares. Observe as principais características da função emotiva:
♥ Verbos e pronomes em primeira pessoa;
♥ Interjeições (responsáveis por revelar o estado emocional do falante);
♥ Adjetivos subjetivos e opinativos;
♥ Sinais de pontuação como reticências e pontos de exclamação.
A função emotiva pode ser encontrada em poemas nos quais o eu lírico utiliza o discurso na primeira pessoa
A função emotiva pode ser encontrada em poemas nos quais o eu lírico utiliza o discurso na primeira pessoa
Agora observe um exemplo de função emotiva em um poema de Fernando Pessoa, principal poeta português:
(...) E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo (...)”.
(Fragmento do poema “Poema em linha reta”, de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa)
Ao lermos o poema de Fernando Pessoa, conseguimos observar as principais marcas linguísticas de um discurso que emprega a função emotiva da linguagem. No Poema em linha reta, o eu líricodemonstra uma visão crítica de si mesmo e ao mesmo tempo interroga o leitor pedindo respostas. Podemos notar também o uso de vários adjetivos pejorativos, e todos esses recursos são empregados para expressar seus sentimentos e impressões pessoais.
A função emotiva, assim como a função poética, é encontrada principalmente nos textos literários como poemas, letras de música, cartas pessoais, cordéis, novelas, textos líricos e em vários gêneros textuais, como músicas, depoimentos, entrevistas, narrativas de caráter memorialista, críticas subjetivas de cinema, teatro e demais manifestações artísticas nas quais o discurso esteja centrado no próprio emissor. É importante lembrar que nos textos não literários, como dissertações argumentativas, reportagens e notícias, o uso da função emotiva deve ser evitado, já que nesses tipos e gêneros deve predominar a função referencial com seu uso objetivo e transparente da linguagem.

Elementos da comunicação (Roman Jakobson) / Introdução às funções da linguagem

Conhecendo os principais elementos da comunicação
A comunicação nos permite interagir com as outras pessoas

Por Vânia Duarte









Como você sabe, nós somos considerados seres sociais e dispomos de um instrumento importantíssimo o qual nos permite interagir de modo efetivo com as pessoas que estão à nossa volta – a linguagem.


Pelo fato de não conseguirmos viver sozinhos, sentimos necessidade e precisamos realmente nos comunicar com nossos semelhantes. E esta comunicação somente se dá por meio da linguagem, realizada de maneiras distintas:

Pela oralidade

    



Escrita



Gestos


Cores




Símbolos



Imagens




Pois bem, agora precisamos compreender que esse processo comunicativo se constitui de elementos específicos para se realizar.  O linguista russo Roman Jakobson criou a teoria no final do século XIX. Muitas teorias modernas questionam a teoria do Jakobson e adicionam outros elementos.
Assim sendo, vamos conhecê-los?

Emissor – é aquele que transmite e codifica a mensagem.

Receptor – é a pessoa que recebe e decodifica a mensagem.

Mensagem – é tudo aquilo que o emissor envia ao receptor.

Código – é o conjunto de sinais e instrumentos usados na comunicação para transmitir a mensagem, podendo ser de várias maneiras, como as que vimos por meio dos exemplos acima.

Canal de comunicação ou contato – é o meio pelo qual é transmitida a mensagem, ou seja, pode ser pelo meio eletrônico, livros, rádio, televisão, telefone, internet, etc. Pode ser também um papel. Por exemplo: você lê um jornal de um outro país, se você conhece aquele código.

Contexto ou referente – representa o assunto ou situação a que a mensagem se refere.
Funções da linguagem
A linguagem adquire funções específicas, de acordo com as intenções do emissor
Por Vânia Duarte
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Para que possamos compreender as características relacionadas ao assunto que iremos conhecer, é preciso relembrar que a linguagem cumpre um papel social, ou seja, vivemos em meio a uma sociedade na qual compartilhamos nossas experiências, aprendemos e ensinamos, convivemos com pessoas de culturas diferentes, entre outros fatores. Tudo isso ocorre por meio da comunicação, e sempre quando nos comunicamos com alguém temos um objetivo, uma finalidade.
Há determinadas situações em que desejamos convencer nosso interlocutor (a pessoa com a qual conversamos), entretê-lo, fazendo-o sorrir, como é o caso de uma piada, informá-lo sobre um determinado acontecimento, instruí-lo a realizar uma determinada tarefa, enfim, são tantos exemplos que nem dá para citar todos eles. Sendo assim, de acordo com a intenção a que nos propomos, a linguagem adquire funções específicas, como estas que iremos conhecer agora. Então, preparado (a) para mais este desafio? Vamos lá!!!

Função fática 

Imagine-se conversando com o coleguinha no intuito de convidá-lo para ir ao cinema. Certamente a conversa seria mais ou menos assim:

- Alô, querido amigo, você gostaria de ir comigo ao cinema?
- Nossa! Que legal, adorei o convite. 

[...]

Obviamente que a conversa irá continuar, não é verdade? Então, quando há uma comunicação na qual se deseja estabelecer um contato mais prolongado com o receptor, como é o caso de um telefonema, estamos diante da função fática da linguagem.

Função metalinguística

Agora, imagine que você precise recorrer ao dicionário no intuito de saber o significado de uma determinada palavra.
Dessa forma, a língua (representada pelo dicionário) usa também da linguagem para repassar as informações ao interlocutor, por meio das palavras.

Função poética ou estética

Quando lemos um poema, percebemos o trabalho que o escritor realiza com a linguagem, utilizando-se de recursos especiais que a deixam ainda mais bela, não é mesmo? Desse modo, temos que os poemas e as canções musicais representam a função poética da linguagem.

Função apelativa, conativa ou imperativa

Nela, o objetivo do emissor é convencer o interlocutor sobre um determinado assunto. Como exemplo, podemos citar os anúncios publicitários, nos quais a intenção do anunciante é induzir o público a adquirir um determinado produto. Vejamos um caso:
Função referencial, denotativa, informativa ou cognitiva 

Uma reportagem, como você sabe, utiliza uma linguagem objetiva, pois a finalidade do emissor (a pessoa que fala) é informar o leitor a respeito de um determinado acontecimento.
Função emotiva ou expressiva 

Como o próprio nome já diz, a função emotiva se caracteriza pelos sentimentos, emoções que são próprias de quem as revela, ou seja, do emissor. Vejamos, então, um pedacinho do poema de Mário Quintana: 
Dorme ruazinha… É tudo escuro…
E os meus passos, quem é que pode ouvi-los?
Dorme teu sono sossegado e puro,
Com teus lampiões, com teus jardins tranquilos…

Dorme… Não há ladrões, eu te asseguro…
Nem guardas para acaso persegui-los…
Na noite alta, como sobre um muro,
As estrelinhas cantam como grilos…

[...]

28 de outubro de 2018

Palavras e locuções denotativas - o que raios é isso?

Preste atenção aos exemplos abaixo, especialmente às palavras destacadas:
Sei , mas parece que a turma não está animada para o jogo. 
Todos estão envolvidos na bagunça que houve no recreio, inclusive você. 
Eis que chegou o tão esperado dia: o de viajarmos. 
Gravei um vídeo, isto é, comprei uma filmadora.
Pois bem, você se lembra das classes gramaticais, não é verdade? Sim, muitas palavrinhas que conhecemos pertencem a elas, como por exemplo:
casa pertence à classe dos substantivos; bonito à dos adjetivos; primeiro à classe dos numerais; aquele à classe dos pronomes; estudar à classe dos verbos; ontem à classe dos advérbios; desde à classe das preposições; embora e porque à classe das conjunções; oba e viva à classe das interjeições, e assim por diante.
Mas, e estas que se encontram sublinhadas? Por certo todos nós já as utilizamos, mas elas pertencem a qual classe mesmo? A partir de agora saberemos como classificá-las, pois elas são palavras ou locuções denotativas. Quer saber a razão de serem assim classificadas?
Determinadas palavras, integradas de forma imprópria à classe dos advérbios, passam a obter uma classificação à parte, de acordo com a NGB (Nomenclatura Gramatical Brasileira). Porém, sem um nome especial, por isso são chamadas de palavras denotativas. Você está disposto (a) a conhecê-las?
Os diferentes sentidos das palavras e locuções denotativas
Os diferentes sentidos das palavras e locuções denotativas
Dessa forma, essas palavras revelam o sentido de:
a) Inclusão – são representadas por “até, inclusive, mesmo, também”, entre outras: 
Todos estão envolvidos na bagunça que houve no recreio, inclusive você. 
b) Exclusão – “senão, somente, apenas, só, exclusive, exceto, fora, tirante, salvo, menos, sequer”, etc.:
 você não quis comparecer à partida de futebol. 
c) Designação – eis:
Eis que chegou o tão esperado dia: o de viajarmos. 
d) Realce (expletiva) - “só, cá, lá, é, que”, etc.:
Sei , mas parece que a turma não está animada para o jogo. 
e) Retificação – “aliás, isto é, ou melhor, ou antes, digo”, entre outras.
Amanhã, ou melhor, depois de amanhã, meus primos chegam de viagem. 
f) Situação – “agora, então, afinal, mas”, etc.:
Afinal, você quer ir conosco ao cinema, ou não?
g) Explicação - “isto é, por exemplo, a saber, ou seja, na verdade, com efeito, por assim dizer”, entre outras.
O filme estreou, ou seja, foi um sucesso na primeira exibição.

Entenda o meme da Luiza do Canadá


Vários internautas vêm aderindo a um novo meme, menos a Luiza, que está no Canadá. Para você que não entendeu a brincadeira, nós vamos explicar! Tudo começou com um anúncio sobre o lançamento de um prédio residencial veiculado na Paraíba.
Na propaganda, Gerardo Rabello, colunista social famoso e pai de Luiza, fala sobre o empreendimento Boulevard Saint Germain no Altiplano nobre e cita que convidou toda a família reunida para falar da novidade e para recomendar o apartamento, menos Luíza, de 17 anos, que estava no Canadá, fazendo intercâmbio. Bastou uma frase para que um novo meme fosse gerado.
Segundo Gerardo, os produtores do comercial colocaram a frase porque a família Rabello (Gerardo, Gerardo Filho, Luiza, Beatriz e Patrícia) é bem conhecida na Paraíba e as pessoas perceberiam a ausência da adolescente. Bastou a propaganda começar a ser veiculada, na quarta-feira passada (11/01), para o assunto ser o mais comentado no Twitter, liderando os Trending Topics do Brasil com a hashtag #LuizaEstanoCanada, além de diversas montagens que foram veiculadas no Facebook.
Repercussão no YouTube
Assim como todo meme de respeito, este também ganhou várias montagens em vídeo no YouTube com diálogos editados que repetem o comercial da TV. Houve uma versão com um trecho do filme A Queda de Hitler, o apresentador do Balanço Geral do Rio Grande do Sul (na Record RS), um forró, um falso Plantão da Globo e outras tantas manifestações.
E o meme conquistou até mesmo o cantor Lenine. Em seu show, realizado no dia 13 em João Pessoa, ele brincou no palco agradecendo ao público, menos a Luiza que está no Canadá. "Que maravilha, está todo mundo aqui, rapaz. Só não está a Luíza, que está lá no Canadá”, disse o cantor antes de começar o show.
Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=FI2mU_AfS7M
E essa expressão também conquistou a TV por assinatura. Até mesmo a Rede Telecine, uma rede de canais de cinema, gravou uma chamada com o meme. ''É por isso que todo mundo assiste Telecine, menos a Luíza, que está no Canadá.''
Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=wgtiwwxJuUI

Em uma questão de concurso na prefeitura de Jaboticabal (SP) realizada no domingo (29/01), ''Um fato pitoresco que aconteceu recentemente nas redes sociais da Internet, foi a frase extraída de um filme de publicidade. O meme 'menos a Luíza, que está no Canadá' fez tanto sucesso, que a autora do nome, a jovem Luíza, de apenas 17 anos, acabou retornando para o Brasil, depois de inúmeros convites para fazer comerciais. A garota, motivo de toda a reviravolta nas redes sociais, reside em qual estado brasileiro?. A pergunta contava com cinco opções: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Paraíba. O gabarito oficial informava que a resposta correta era a última.

Repercussão no Twitter
Diversos perfis do Twitter, que trabalham com humor ou não, também entraram na onda do mais novo meme. O @oclebermachado, por exemplo, publicou: "BOMBA: Elenco do Flamengo viajará para a Bolívia completo, menos Alex Silva e Luiza, que estão no Canadá." Já o @ocriador disse em seu perfil: "O bom filho à casa torna. Menos a Luiza, que está no Canadá."
O sucesso repentino deste meme pode ser medido pelo grande número de menções no Twitter. Confira a lista com mais de 18 mil tuítes que citam a adolescente que se tornou a mais nova celebridade instantânea da web.
Tweets com a Luiza no Canadá (Foto: Reprodução)Tweets com a Luiza no Canadá (Foto: Reprodução)
Flash game para jogar online
Fuze, empresa sediada em João Pessoa que cria e desenvolve aplicativos para Android e iOS, já criou um jogo na web para homenagear o viral. No game, Luiza precisa superar obstáculos em uma pista de esqui, no Canadá, para chegar intacta ao Brasil.
Flash game da Luiza no Canadá (Foto: Reprodução)Flash game da Luiza no Canadá (Foto: Reprodução)
Repercussão no Tumblr
Para os que não querem ficar perdidos com tantas manifestações sobre o tema, uma boa pedida é acompanhar o Tumblr "Menos Luíza, que está no Canadá". Ele reúne diversos vídeos e montagens com o meme que virou hit. Entre eles, a imagem abaixo com a dupla de apresentadores do Jornal Hoje.
Jornal Hoje falando de Luiza no Canadá (Foto: Reprodução)Jornal Hoje falando de Luiza no Canadá(Foto: Reprodução

21 de outubro de 2018

Falsos sinônimos - O que raios é isso?


Uma perguntinha para quem adora estudar a língua portuguesa: você sabe o que são falsos sinônimos? O assunto parece novidade até mesmo para os mais curiosos! Pode ser que pelo nome você não reconheça os falsos sinônimos, mas certamente você já deve ter encontrado muitos deles por aí em suas produções textuais e em outras situações que envolvem a comunicação. Eles costumam usar disfarces, e essa estratégia confunde muitas pessoas, além de provocar erros linguísticos que podem prejudicar o entendimento de uma mensagem. Que tal entender melhor essa história? Vamos lá!
Os falsos sinônimos são aquelas palavras que, de tão parecidas com outras, acabam confundindo os falantes. Eles costumam apresentar sons e características morfológicas similares, mas isso não significa que sejam iguais. Algumas, inclusive, não só são diferentes, como também apresentam ideias opostas: isso quer dizer que, se você não ficar atento, pode estar sujeito a dizer exatamente o contrário daquilo que você pretendia! Parece confuso? Fique tranquilo, confusão mesmo quem apronta são os falsos sinônimos, mas o Escola Kids vai desmascará-los agora mesmo! Observe os exemplos a seguir:
Exemplos de falsos sinônimos:
Ao invés de x Em vez de:
→ Ao invés de = significa “ao contrário de”, expressa ideia de “oposição.
Ao invés de ficar triste, a menina ficou alegre com a notícia que recebeu.
Confundiu-se e, ao invés de subir as escadas, desceu.
→ Em vez de = significa “em lugar de”, expressa ideia de “substituição”.
Em vez de descansar, ficou jogando até o dia raiar.
Preferi ficar em casa 
em vez de ir à festa da Carolina.
Onde x Aonde:
→ Onde = em que lugar. Expressa ideia de permanência:
Onde você mora?
Não sei 
onde fica a cidade natal de meus pais.
→ Aonde = a que lugar. Expressa ideia de movimento, lugar para o qual se vai:
Aonde você vai com tanta pressa?
Ainda estamos decidindo 
aonde iremos depois da aula.
Conflito x Confronto:
 Conflito = confusão. Divergência de posição, de postura, de ideias.
conflito entre as lideranças esquentou o debate.
conflito de ideias entre os professores deixou os alunos confusos.
 Confronto = enfrentamento, combate, comparação, acareação.
confronto entre os bandidos e a polícia deixou uma pessoa ferida.
confronto dos depoimentos das testemunhas elucidou o caso.
De encontro a x Ao encontro de:
 De encontro a = contra, confrontar.
O aumento da passagem de ônibus vai de encontro às reivindicações da população.
Essa atitude vai de encontro aos meus princípios.
 Ao encontro de = a favor, ir no sentido de alguma coisa ou alguém.
As obras sociais da Igreja vão ao encontro dos mais necessitados.
Os deputados aprovaram leis que vão 
ao encontro das necessidades da população carente.

Os falsos sinônimos podem provocar um efeito indesejado na fala e na escrita: a ambiguidade
A princípio x em princípio:
 A princípio = no início, antes de mais nada.
A princípio, queria ser advogado, mas resolvi ser professor.
A princípio, os professores acreditaram que os alunos alcançariam um bom desempenho nas provas.
 Em princípio = em tese, teoricamente, de modo geral.
Em princípio, quase todas as equipes de futebol têm chances no campeonato brasileiro.
Em princípio, o voo sairá no horário marcado.

→ Alguns dicionários aceitam o uso de 'em princípio' como sinônimo de 'no início, antes de mais nada', equivalendo à expressão 'a princípio'. 

Todo x Todo o:
 Todo (a) = qualquer, cada.
Toda criança tem direito à educação e ao lazer.
Todo brasileiro tem o dever de zelar pela ordem da nação.
 Todo o = inteiro.
Todo o colégio mobilizou-se na arrecadação de brinquedos para as crianças carentes.
Toda a sociedade está revoltada com o aumento da violência.

Em resumo:
Ao invés de = significa ''ao contrário de''; Em vez de = significa ''em lugar de''.
Onde = em que lugar (ideia de permanência); Aonde = a que lugar (ideia de movimento)
Conflito = confusão, divergência de posição; Confronto = enfrentamento
De encontro a = contra; Ao encontro de = a favor
A princípio = no início, antes de mais nada; Em princípio = em tese, teoricamente
Todo / toda = qualquer, cada; Todo o = inteiro