31 de outubro de 2018

Regência do verbo responder / Regência do verbo lembrar

Regência do verbo responder

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O assunto que conduz este nosso maravilhoso encontro se define por apreendermos um pouco mais sobre a regência. Ela, como você sabe, trata da relação que existe entre os elementos de uma oração, mais precisamente da dependência que há entre o verbo e o complemento, o qual dará a ele o sentido de que precisa para ser completo, lógico e preciso. Assim, antes de iniciarmos, que tal fazermos uma viagem ao tempo, revendo um assunto do qual já temos conhecimento. Ele, por sua vez, encontra-se expresso por meio do texto “Regência verbal: Noções básicas”  
Parece que depois de alguns conceitos relembrados, tudo parece se tornar ainda mais fácil, não é verdade?
A regência do verbo responder se encontra relacionada a fatores específicos
A regência do verbo responder se encontra relacionada a fatores específicos
Passando adiante, imagine se fizessem a você a seguinte pergunta:
Você responde a pergunta ou à pergunta?
Para que possamos optar pela resposta correta, devemos nos ater a um aspecto muito importante, presente nos dois casos: um deles aparece sem a preposição (a pergunta), enquanto que o outro já se encontra demarcado pelo uso da preposição (à pergunta).
Quando fazemos a pergunta ao verbo, ou seja: ele respondeu o quê? A PERGUNTA. Nesse caso, o “a” atua com artigo definido, pois acompanha o substantivo “pergunta”.
Agora façamos outra pergunta: Ele respondeu a quê? À PERGUNTA, temos como resposta.
Chegamos, pois a uma conclusão surpreendente:
O verbo responder pode se classificar como transitivo direto, como ocorreu no primeiro caso; como pode também pode se classificar como transitivo indireto, ou seja, da forma como aconteceu no segundo caso, sobretudo em virtude da presença da preposição.
Mas, espere: ainda falta outro detalhe: você sabia que ele pode se classificar, também, como bitransitivo, ou seja, representar objeto direto de coisa (a pergunta) e objeto indireto de pessoa (à pergunta).
Mas, atenção: somente poderá assim se classificar quando representar os dois aspectos, juntos, ou seja, de forma simultânea.
Para finalizar nosso estudo, saiba que ele pode atuar como dicendi, isto é, aquele verbo que anuncia uma declaração, tanto no discurso direto quanto no indireto:
João respondeu que ia à reunião de pais e mestres.


Em resumo, responder é transitivo direto quando significa ser grosseiro com, mas é transitivo indireto com a preposição a no sentido de dar resposta a ou defender-se em juízo. É transitivo direto e indireto quando a resposta é dupla:


Respondi o professor e levei um tapa dele. (fui grosseiro com)
O cliente respondeu ao questionário do vendedor. (deu resposta)
A modelo responderá a um processo. (defender-se-á em juízo)
Os eleitores responderam sim ao projeto. (resposta dupla)

Regência do verbo lembrar
Alguns verbos, como o verbo lembrar, apresentam mais de uma regência porque podem ser transitivos diretos ou transitivos indireto
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Que tal estudarmos um pouco sobre regência verbal? Será que você já estudou sobre isso na escola? Se não estudou ainda, que tal ficar por dentro desse conteúdo tão importante da língua portuguesa?
regência verbal nada mais é do que a relação de subordinação que ocorre entre um verbo e seus complementos. A regência correta de um verbo impede que frases ambíguas sejam criadas, pois quando isso acontece, o sentido desejado pelo enunciador pode ficar prejudicado. Alguns verbos da língua portuguesa apresentam uma particularidade interessante, como o verbo lembrar. Afinal, o verbo lembrar é transitivo direto ou transitivo indireto? Quem lembra,lembra de algo ou lembra algo? Vamos entender melhor essa questão?
Em primeiro lugar, vamos deixar bem claro que o verbo lembrar pode ser transitivo direto ou transitivo indireto. Observe os exemplos:
O cérebro humano não consegue lembrar algo e fazer contas ao mesmo tempo.
Nesse caso, o verbo lembrar é transitivo direto, ou seja, exige complemento sem preposição.
Marcela se lembrou de pagar as contas e ir à loteria.
No exemplo acima, o verbo lembrar é pronominal, ou seja, apresenta o pronome reflexivo -se e exige complemento com a preposição “de”. Dessa maneira, podemos dizer que o verbo lembrar é transitivo indireto.
O verbo lembrar também pode ser transitivo direto e indireto ao mesmo tempo, no sentido de advertir, recomendar. Observe o exemplo:
Preciso lembrar Marina de comprar as passagens.
Além disso, o verbo lembrar também pode ser transitivo direto, no sentido de sugerir, parecer, assemelhar-se. Observe o exemplo:
Esse filme lembra um livro que eu já li.
Sendo assim, podemos dizer que o verbo lembrar possui dupla regência, isto é, existem duas formas de ele relacionar-se com o seu complemento e ambas estão corretas. É importante que você saiba acerca dessa dupla regência para fazer o uso adequado do verbo, sobretudo na modalidade escrita e em contextos formais de comunicação.

Função fática - Verificando o canal - Alô, alô, testando!

Função fática

Por Luana Castro Alves Perez
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Falar, falar e falar! Esse é um dos passatempos favoritos dos seres humanos! Seja através da linguagem verbal ou da linguagem não verbal, o tempo todo estamos envolvidos em situações em que a comunicação é a principal atividade de interação social com nossa família e amigos. Mas os atos de fala, sejam eles escritos ou orais, não acontecem por acaso. Eles podem ser explicados através das funções da linguagem.
As funções da linguagem foram criadas pelo linguista russo Roman Jakobson, estudioso da comunicação que nos explicou que cada ato de fala apresenta uma intenção específica: se a intenção é informar, existe uma função mais adequada para esse propósito; se a intenção é convencer, adequamos nosso discurso para persuadir nosso interlocutor e assim por diante. Todas as intenções de fala foram sintetizadas no seguinte esquema elaborado por Jakobson: 
Função emotiva ou expressiva > Emissor
Função apelativa, conativa ou imperativa > Receptor
Função referencial, denotativa, informativa ou cognitiva > Referente
Função poética ou estética > Mensagem
Função metalinguística > Código
Função fática > Canal
O esquema nos diz que cada função apresenta uma intencionalidade. Hoje vamos estudar um pouco mais sobre a função fática. A principal característica dessa função é conferir o funcionamento adequado do canal de comunicação. Por exemplo, quando você conversa com alguém por telefone, o tempo todo utiliza expressões para certificar-se de que seu interlocutor, que está do outro lado da linha, está te ouvindo e te compreendendo:
A função fática testa o funcionamento do contato. As conversas ao telefone são ótimos exemplos dessa função da linguagem
A função fática testa o funcionamento do contato. As conversas ao telefone são ótimos exemplos dessa função da linguagem
Quando Calvin diz “ouça”, no terceiro quadrinho, ele está testando o canal de comunicação. Outras expressões como “entende”, “alô” e “veja bem” também apresentam a mesma função. A professora, quando explica uma nova matéria na escola, também indaga seus alunos para comprovar que a mensagem transmitida foi compreendida, não é mesmo? Outra importante característica da função fática é criar uma espécie de vínculo solidário entre os falantes. Observe mais um exemplo de função fática:
Somos seres sociais, por isso elaboramos estratégias comunicativas para participar dos costumes verbais que integram as pessoas
Somos seres sociais, por isso elaboramos estratégias comunicativas para participar dos costumes verbais que integram as pessoas
Na história em quadrinhos Garfield, de Jim Davis, embora John esteja um pouco entediado, a personagem ao seu lado elabora estratégias para iniciar um possível diálogo. Esse tipo de conversa, que muitas vezes não está centrado na mensagem, mas sim no canal, é muito comum, sobretudo entre pessoas que não se conhecem, mas que têm interesse de tornar um ambiente mais amistoso e agradável através de um bate-papo descompromissado. Quem nunca entrou em um elevador e deu de cara com um desconhecido? Nessa situação, para evitar aquele silêncio constrangedor, lançamos mão, ainda que intuitivamente, da função fática.
Viu só? Todos os atos de fala podem ser explicados através do modelo de comunicação elaborado por Roman Jakobson. No caso específico da função fática, a linguagem atua como uma ferramenta que integra pessoas, possibilitando que os falantes permaneçam inseridos nos costumes verbais tão importantes em nossa sociedade.
Outro exemplo de função fática é o famoso ''Plim Plim!'' da Globo, a vinheta de intervalo dos filmes e séries. 

Função poética - Brincando com as palavras

Brincando com as palavras: função poética
Cinco funções, cinco intenções. As funções denunciam a motivação de quem fala ou escreve
Por Luana Castro Alves Perez
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Você já percebeu que por detrás de nossas palavras escondem-se nossas verdadeiras intenções? A todo momento estamos envolvidos em situações nas quais a comunicação dita nossas relações com as pessoas e, dependendo daquilo que você quer transmitir, você pode mudar o discurso de acordo com as necessidades do momento e colocar em prática as funções da linguagem.
São seis as funções da linguagem: conativa, emotiva, referencial, fática, poética e metalinguística. Nosso objeto de estudo será a função poética da linguagem, presente nos textos literários e nos textos não literários. Certamente, a função poética é uma das funções mais interessantes, aquela que nos permite produzir belíssimos textos permeados por imagens e palavras que constroem sentidos diversos!
A função poética está voltada para a própria mensagem: a palavra é a grande protagonista. Também é conhecida como função estética por sua finalidade de enfeitar a linguagem e de se usar dos recursos criativos da língua, conotação, figuras de linguagem, técnicas de composição literária e outros recursos.
Ela pode ser encontrada na Literatura, nos poemas de grandes escritores e até mesmo em um anúncio publicitário, onde é possível brincar com a palavra e com seus significados. Observe o exemplo de função poética da linguagem em um poema de Paulo Leminski:
A função poética confere novos significados às palavras, permitindo que o leitor faça interessantes experiências sensoriais
A função poética confere novos significados às palavras, permitindo que o leitor faça interessantes experiências sensoriais
Ovo do coelho
Coelho não bota ovo,
quem bota ovo é galinha.
Mas eu conheço um coelho
que é mesmo uma maravilha.

Os ovos que ele bota,
você nem imagina.
São ovos de chocolate
ou ovos de baunilha.

Por isso, nosso coelho
foi expulso da família.
O pai dele disse: - Meu filho,
isso é coisa de galinha.

O coelho respondeu rapidamente:
- Meu pai eu não tenho culpa,
botar ovo é meu destino.
Se não posso botar ovos em casa,
prefiro botar sozinho.

E foi assim que o coelho
saiu de casa para a rua,
botando ovo na Páscoa,
no sonho de todo mundo.

Paulo Leminski
Foi possível observar, após a leitura do poema de Paulo Leminski, que a função poética preocupa-se com a sonoridade das palavras, com a maneira com a qual elas são dispostas nos versos, estrofes e rimas e com os elementos que estão relacionados com as nossas sensações. Agora veja como a publicidade também pode apropriar-se da função poética:
Na propaganda do perfume Quasar, de O Boticário, podemos perceber que há uma brincadeira com as palavras “Quasar” e “casar”
Na propaganda do perfume Quasar, de O Boticário, podemos perceber que há uma brincadeira com as palavras “Quasar” e “casar”
Veja que não se trata de uma simples propaganda, pois os publicitários fizeram uso da função poética para construir os significados do texto. Você percebeu a brincadeira entre as palavras “Quasar” e “casar”? Pois é, novos sentidos foram construídos, o que permitiu que a propaganda rompesse com o modo tradicional com o qual estamos acostumados a ver as palavras. Assim é a função poética, ela nos faz ir além e enxergar nas palavras imagens e sons.

Função referencial - Linguagem e comunicação

Função referencial

Por Luana Castro Alves Perez
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Você já parou para pensar na quantidade de vezes em que nos envolvemos em atos de fala todos os dias? Desde a hora em que acordamos até a hora em que vamos dormir, estamos nos comunicando com nossa família e com nossos amigos. Talvez você ainda não saiba que, por detrás do simples ato de nos comunicar, estão envolvidos fatores linguísticos muito interessantes, que explicam as intenções dos falantes em cada situação de interação verbal.
Para que a comunicação aconteça, é preciso um sistema qualquer de sinais, desde que ele seja organizado e comum às pessoas envolvidas na situação comunicacional. Quando elaboramos nosso discurso, dependendo da intenção e sentido que a ele queremos dar, escolhemos, intuitivamente, uma das funções da linguagem. Esse termo, “funções da linguagem”, foi criado por um importante linguista russo chamado Roman Jackobson, que foi quem primeiro percebeu que na linguagem existem alguns elementos fundamentais à comunicação e assim definiu que seis fatores estão envolvidos nela. São eles:
Hoje vamos nos aprofundar naquela que é considerada a função mais comum, a função referencial. Quando alguém utiliza essa função em um ato de fala, tem por intenção transmitir ao interlocutor dados da realidade de forma objetiva e precisa, longe de recursos linguísticos como metáforas e vícios de linguagem como a ambiguidade. Ela também é conhecida como função denotativa por ser essa a sua principal característica, ou seja, usar a linguagem tal qual ela é em sua essência, objetiva, direta, denotativa, prevalecendo sempre o uso da 3ª pessoa. 
Também é conhecida como função informativa ou função cognitiva por sua finalidade de informar.
O tempo todo estamos envolvidos em atos de fala, em casa, na escola e sempre onde houver um interlocutor em potencial
O tempo todo estamos envolvidos em atos de fala, em casa, na escola e sempre onde houver um interlocutor em potencial
Vamos conhecer as principais características da função referencial? Observe as marcas linguísticas encontradas em um discurso que emprega essa função:
♦ Texto escrito em terceira pessoa;
♦ Linguagem denotativa;
♦ Frases estruturadas na ordem direta.
Observe um exemplo de função referencial na linguagem verbal:
Uma nova estrada para o turismo de natureza
“Existe um paraíso escondido no interior do país com potencial para tornar-se uma segunda Transpantaneira - a rodovia MT-060. A nova rota é conhecida como Estrada Turística e fica próxima da fronteira entre o Brasil e a Bolívia, em Cáceres, no Mato Grosso. O desafio dessa região é similar ao de muitas área naturais do Brasil: implementar o turismo de natureza para gerar desenvolvimento sócioeconômico e o empoderamento das comunidades locais. Seria possível trilhar esse sonho em uma região tão distante dos grandes centros urbanos?
O Brasil tem em seu território alguns dos ecossistemas mais ricos em biodiversidade do mundo.  O Pantanal, com seus 250 mil quilômetros quadrados de extensão, é um desses exemplos.  Segundo o Fórum Econômico Mundial, o Brasil é o líder em um ranking  de 140 países em belezas naturais. (...)”.
Revista Época. Acesso no dia 11/09/14. Disponível em Época.globo
A função referencial também pode ser encontrada na linguagem não verbal, observe o exemplo:
​Os manuais de anatomia fazem parte dos recursos de representação, cuja característica principal é a predominância da função referencial
Os manuais de anatomia fazem parte dos recursos de representação, cuja característica principal é a predominância da função referencial
A função referencial está presente nos textos dissertativos, técnicos, instrucionais, jornalísticos e todos os outros que têm a informação como principal objetivo. Ela é considerada a função mais comum porque a informação é a finalidade maior de todo ato de comunicação. Vale lembrar que em um mesmo texto várias funções podem estar presentes, mas sempre haverá uma função predominante, certo? Bons estudos!

Função metalinguística - A linguagem explicando ela mesma

Função metalinguística

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Você sabia que as palavras dialogam entre si? Pois é, esse fenômeno curioso recebe o nome de metalinguagem. A função metalinguística, como também é chamada, está entre as seis funções da linguagem e acontece quando usamos o código, que é a língua, para explicar a própria língua.
Uma criança pequena, quando já aprendeu a falar e entra na fase de questionar o significado e os conceitos das palavras, exerce a função metalinguística o tempo todo. Ela pergunta sobre o próprio código com frequência, com expressões do tipo “o que é isso” ou “não entendi direito”, entre outras sentenças que revelam o processo de aquisição da linguagem. Ela está aprendendo o significado das palavras, por isso esse tipo de pergunta torna-se corriqueiro.
Nos dicionários também encontramos a função metalinguística em ação: trata-se de um compêndio de palavras que são explicadas através dos verbetes. As gramáticas também fazem uso dessa função, pois usam palavras para explicar outras palavras. Quando você analisa e interpreta um texto, você também está fazendo uso da metalinguagem, mesmo que inconscientemente. Mas não é só com a palavra que o fenômeno acontece, ela está presente quando um filme tem por próprio tema o cinema, uma peça de teatro que tem por tema o teatro, um desenho mostrando o ato de desenhar em um poema que use as palavras para explicar o processo de criação literária, a pintura de um artista pintando ou programas de televisão que falam sobre televisão, como o Vídeo Show. Observe só um exemplo de metalinguagem:
No poema de Carlos Drummond de Andrade, podemos observar a existência da função metalinguística, pois o poeta discorre sobre o próprio fazer poético
No poema de Carlos Drummond de Andrade, podemos observar a existência da função metalinguística, pois o poeta discorre sobre o próprio fazer poético
Você percebeu que o poema de Carlos Drummond de Andrade tem como tema o próprio ato de escrever uma poesia? Nele, o poeta tenta encontrar a forma e o verso, descrevendo para o leitor a criação literária. Observe também a função metalinguística em uma tirinha do desenhista Bill Watterson, criador de Calvin e Haroldo:
A função metalinguística está presente nos dicionários, nas gramáticas, nos poemas e até mesmo nas histórias em quadrinhos
A função metalinguística está presente nos dicionários, nas gramáticas, nos poemas e até mesmo nas histórias em quadrinhos
Na tirinha, o objeto de análise é a própria história em quadrinhos, pois Calvin faz uma reflexão sobre o trabalho do artista, tecendo uma comparação entre o trabalho de um desenhista de agora e o trabalho de um desenhista de tempos atrás. Viu só? Essa é a função metalinguística, que tem por objetivo analisar o próprio código, ou seja, a língua.

Função conativa - Convencendo o receptor

Função conativa









A todo momento nós usamos a linguagem para nos comunicar, certo? Até mesmo quando não falamos, estamos nos comunicando, seja através de gestos ou de expressões faciais. O ser humano sempre está envolvido nas mais diversas situações comunicacionais e em cada uma delas utilizamos um tipo de linguagem.
Adaptar a linguagem a um determinado contexto explica o porquê da existência das funções da linguagem. Elas são classificadas em seis tipos diferentes: referencial, conativa, emotiva, metalinguística, fática e poética. Hoje falaremos sobre uma linguagem muito comum no nosso dia a dia, que apresenta características bem interessantes que podem levar o interlocutor a adotar um determinado tipo de comportamento. Estamos falando da função conativa da linguagem.
Na função conativa da linguagem, também chamada de função apelativa, função diretiva ou função imperativa, a mensagem está centrada no destinatário. Como assim, centrada no destinatário? Pois bem, isso quer dizer que a mensagem tem como objetivo influenciar, seduzir, persuadir e convencer o interlocutor. Quando pensamos nesse tipo de linguagem, podemos associá-la imediatamente à linguagem empregada nos anúncios publicitários, que usa alguns artifícios para conquistar novos consumidores. Observe:

A principal característica da função conativa é o desenvolvimento de uma linguagem centrada no destinatário.
Também é usada em discursos políticos, sermões religiosos, pregações, palestras, livros de horóscopo e autoajuda. 
Com uma leitura atenta e cuidadosa, podemos perceber que a maioria dos anúncios usa o vocativo e os verbos no imperativo, pois assim incita o leitor ou interlocutor a adotar algum tipo de comportamento, já que esse modo verbal expressa sempre uma ideia de ordem, aconselhamento ou pedido. Outra característica importante é o uso da 2ª pessoa, ou seja, o anúncio está falando diretamente com você. Agora, observe um exemplo de função conativa na linguagem poética:
Poeminha sobre insuficiência
Rapazinho
Estuda depressa
Pois burro aos trinta
É burro à beça.

Millôr Fernandes
Você percebeu os elementos da função conativa no poema de Millôr Fernandes? Eles estão ali, mas também existe outra função que predomina nos textos literários, conhecida como função poética da linguagem. Mas isso é assunto para uma outra conversa! Bons estudos!

Função emotiva - Palavras e emoções

Função emotiva









Para cada tipo de texto existe uma função da linguagem que a ele se adapta perfeitamente! Essas funções revelam as intenções do emissor ao elaborar a mensagem: se a intenção é informar, usa-se a função referencial; se a intenção é convencer alguém, usa-se a função conativa; se a intenção é usar o código para explicar a própria língua, usa-se a função metalinguística; se a intenção é enfeitar a linguagem, usa-se a função poética; se a intenção é manter o contato com o canal, iniciar ou finalizar uma conversa, usa-se a função fática. Mas e quando a intenção é emocionar e conquistar o leitor através da emoção? Qual função da linguagem é a mais adequada?
Nesse caso, a função emotiva da linguagem é a melhor escolha. A função emotiva, também chamada de função expressiva, é caracterizada por sua mensagem centrada no emissor, ou seja, encontramos nos textos que utilizam essa função a expressividade de um discurso construído na primeira pessoa. O autor tem como principal desejo buscar a adesão de quem lê, convencendo-o através de algumas marcas gramaticais peculiares. Observe as principais características da função emotiva:
♥ Verbos e pronomes em primeira pessoa;
♥ Interjeições (responsáveis por revelar o estado emocional do falante);
♥ Adjetivos subjetivos e opinativos;
♥ Sinais de pontuação como reticências e pontos de exclamação.
A função emotiva pode ser encontrada em poemas nos quais o eu lírico utiliza o discurso na primeira pessoa
A função emotiva pode ser encontrada em poemas nos quais o eu lírico utiliza o discurso na primeira pessoa
Agora observe um exemplo de função emotiva em um poema de Fernando Pessoa, principal poeta português:
(...) E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo (...)”.
(Fragmento do poema “Poema em linha reta”, de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa)
Ao lermos o poema de Fernando Pessoa, conseguimos observar as principais marcas linguísticas de um discurso que emprega a função emotiva da linguagem. No Poema em linha reta, o eu líricodemonstra uma visão crítica de si mesmo e ao mesmo tempo interroga o leitor pedindo respostas. Podemos notar também o uso de vários adjetivos pejorativos, e todos esses recursos são empregados para expressar seus sentimentos e impressões pessoais.
A função emotiva, assim como a função poética, é encontrada principalmente nos textos literários como poemas, letras de música, cartas pessoais, cordéis, novelas, textos líricos e em vários gêneros textuais, como músicas, depoimentos, entrevistas, narrativas de caráter memorialista, críticas subjetivas de cinema, teatro e demais manifestações artísticas nas quais o discurso esteja centrado no próprio emissor. É importante lembrar que nos textos não literários, como dissertações argumentativas, reportagens e notícias, o uso da função emotiva deve ser evitado, já que nesses tipos e gêneros deve predominar a função referencial com seu uso objetivo e transparente da linguagem.

Elementos da comunicação (Roman Jakobson) / Introdução às funções da linguagem

Conhecendo os principais elementos da comunicação
A comunicação nos permite interagir com as outras pessoas

Por Vânia Duarte









Como você sabe, nós somos considerados seres sociais e dispomos de um instrumento importantíssimo o qual nos permite interagir de modo efetivo com as pessoas que estão à nossa volta – a linguagem.


Pelo fato de não conseguirmos viver sozinhos, sentimos necessidade e precisamos realmente nos comunicar com nossos semelhantes. E esta comunicação somente se dá por meio da linguagem, realizada de maneiras distintas:

Pela oralidade

    



Escrita



Gestos


Cores




Símbolos



Imagens




Pois bem, agora precisamos compreender que esse processo comunicativo se constitui de elementos específicos para se realizar.  O linguista russo Roman Jakobson criou a teoria no final do século XIX. Muitas teorias modernas questionam a teoria do Jakobson e adicionam outros elementos.
Assim sendo, vamos conhecê-los?

Emissor – é aquele que transmite e codifica a mensagem.

Receptor – é a pessoa que recebe e decodifica a mensagem.

Mensagem – é tudo aquilo que o emissor envia ao receptor.

Código – é o conjunto de sinais e instrumentos usados na comunicação para transmitir a mensagem, podendo ser de várias maneiras, como as que vimos por meio dos exemplos acima.

Canal de comunicação ou contato – é o meio pelo qual é transmitida a mensagem, ou seja, pode ser pelo meio eletrônico, livros, rádio, televisão, telefone, internet, etc. Pode ser também um papel. Por exemplo: você lê um jornal de um outro país, se você conhece aquele código.

Contexto ou referente – representa o assunto ou situação a que a mensagem se refere.
Funções da linguagem
A linguagem adquire funções específicas, de acordo com as intenções do emissor
Por Vânia Duarte
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Para que possamos compreender as características relacionadas ao assunto que iremos conhecer, é preciso relembrar que a linguagem cumpre um papel social, ou seja, vivemos em meio a uma sociedade na qual compartilhamos nossas experiências, aprendemos e ensinamos, convivemos com pessoas de culturas diferentes, entre outros fatores. Tudo isso ocorre por meio da comunicação, e sempre quando nos comunicamos com alguém temos um objetivo, uma finalidade.
Há determinadas situações em que desejamos convencer nosso interlocutor (a pessoa com a qual conversamos), entretê-lo, fazendo-o sorrir, como é o caso de uma piada, informá-lo sobre um determinado acontecimento, instruí-lo a realizar uma determinada tarefa, enfim, são tantos exemplos que nem dá para citar todos eles. Sendo assim, de acordo com a intenção a que nos propomos, a linguagem adquire funções específicas, como estas que iremos conhecer agora. Então, preparado (a) para mais este desafio? Vamos lá!!!

Função fática 

Imagine-se conversando com o coleguinha no intuito de convidá-lo para ir ao cinema. Certamente a conversa seria mais ou menos assim:

- Alô, querido amigo, você gostaria de ir comigo ao cinema?
- Nossa! Que legal, adorei o convite. 

[...]

Obviamente que a conversa irá continuar, não é verdade? Então, quando há uma comunicação na qual se deseja estabelecer um contato mais prolongado com o receptor, como é o caso de um telefonema, estamos diante da função fática da linguagem.

Função metalinguística

Agora, imagine que você precise recorrer ao dicionário no intuito de saber o significado de uma determinada palavra.
Dessa forma, a língua (representada pelo dicionário) usa também da linguagem para repassar as informações ao interlocutor, por meio das palavras.

Função poética ou estética

Quando lemos um poema, percebemos o trabalho que o escritor realiza com a linguagem, utilizando-se de recursos especiais que a deixam ainda mais bela, não é mesmo? Desse modo, temos que os poemas e as canções musicais representam a função poética da linguagem.

Função apelativa, conativa ou imperativa

Nela, o objetivo do emissor é convencer o interlocutor sobre um determinado assunto. Como exemplo, podemos citar os anúncios publicitários, nos quais a intenção do anunciante é induzir o público a adquirir um determinado produto. Vejamos um caso:
Função referencial, denotativa, informativa ou cognitiva 

Uma reportagem, como você sabe, utiliza uma linguagem objetiva, pois a finalidade do emissor (a pessoa que fala) é informar o leitor a respeito de um determinado acontecimento.
Função emotiva ou expressiva 

Como o próprio nome já diz, a função emotiva se caracteriza pelos sentimentos, emoções que são próprias de quem as revela, ou seja, do emissor. Vejamos, então, um pedacinho do poema de Mário Quintana: 
Dorme ruazinha… É tudo escuro…
E os meus passos, quem é que pode ouvi-los?
Dorme teu sono sossegado e puro,
Com teus lampiões, com teus jardins tranquilos…

Dorme… Não há ladrões, eu te asseguro…
Nem guardas para acaso persegui-los…
Na noite alta, como sobre um muro,
As estrelinhas cantam como grilos…

[...]

28 de outubro de 2018

Palavras e locuções denotativas - o que raios é isso?

Preste atenção aos exemplos abaixo, especialmente às palavras destacadas:
Sei , mas parece que a turma não está animada para o jogo. 
Todos estão envolvidos na bagunça que houve no recreio, inclusive você. 
Eis que chegou o tão esperado dia: o de viajarmos. 
Gravei um vídeo, isto é, comprei uma filmadora.
Pois bem, você se lembra das classes gramaticais, não é verdade? Sim, muitas palavrinhas que conhecemos pertencem a elas, como por exemplo:
casa pertence à classe dos substantivos; bonito à dos adjetivos; primeiro à classe dos numerais; aquele à classe dos pronomes; estudar à classe dos verbos; ontem à classe dos advérbios; desde à classe das preposições; embora e porque à classe das conjunções; oba e viva à classe das interjeições, e assim por diante.
Mas, e estas que se encontram sublinhadas? Por certo todos nós já as utilizamos, mas elas pertencem a qual classe mesmo? A partir de agora saberemos como classificá-las, pois elas são palavras ou locuções denotativas. Quer saber a razão de serem assim classificadas?
Determinadas palavras, integradas de forma imprópria à classe dos advérbios, passam a obter uma classificação à parte, de acordo com a NGB (Nomenclatura Gramatical Brasileira). Porém, sem um nome especial, por isso são chamadas de palavras denotativas. Você está disposto (a) a conhecê-las?
Os diferentes sentidos das palavras e locuções denotativas
Os diferentes sentidos das palavras e locuções denotativas
Dessa forma, essas palavras revelam o sentido de:
a) Inclusão – são representadas por “até, inclusive, mesmo, também”, entre outras: 
Todos estão envolvidos na bagunça que houve no recreio, inclusive você. 
b) Exclusão – “senão, somente, apenas, só, exclusive, exceto, fora, tirante, salvo, menos, sequer”, etc.:
 você não quis comparecer à partida de futebol. 
c) Designação – eis:
Eis que chegou o tão esperado dia: o de viajarmos. 
d) Realce (expletiva) - “só, cá, lá, é, que”, etc.:
Sei , mas parece que a turma não está animada para o jogo. 
e) Retificação – “aliás, isto é, ou melhor, ou antes, digo”, entre outras.
Amanhã, ou melhor, depois de amanhã, meus primos chegam de viagem. 
f) Situação – “agora, então, afinal, mas”, etc.:
Afinal, você quer ir conosco ao cinema, ou não?
g) Explicação - “isto é, por exemplo, a saber, ou seja, na verdade, com efeito, por assim dizer”, entre outras.
O filme estreou, ou seja, foi um sucesso na primeira exibição.