31 de outubro de 2018

Introdução à regência verbal / Uso das preposições / Verbos com mais de uma regência

Regência verbal
A regência verbal se caracteriza pela relação que se estabelece entre os verbos e os complementos
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Regência verbal... Porventura, esse assunto lhe causa alguma estranheza? Caso sua resposta tenha sido afirmativa, não se preocupe, pois neste nosso encontro iremos abordar somente algumas noções básicas, justamente para que você possa assimilar, compreender da melhor forma possível mais um assunto relacionado à gramática. E saiba que ele é tão importante quanto tantos outros que já estudamos, combinado?

Regência tem vários significados, na Música, na História..., mas a acepção que nos interessa é na Gramática.

Na sintaxe, existem cinco tipos de relações:

as relações entre as orações e seus termos (essenciais, integrantes, acessórios e vocativo) - análise sintática interna
as relações entre as orações (coordenadas (assindéticas e sindéticas), subordinadas (substantivas, adjetivas e adverbiais), reduzidas, justapostas, intercaladas e período misto) - análise sintática externa
as relações de dependência das palavras, sob o aspecto da subordinação - sintaxe de regência
as relações de dependência das palavras, sob o ângulo da flexão - sintaxe de concordância
as relações da ordem e disposição das palavras da frase - sintaxe de colocação
Pois bem, gostaríamos que você primeiramente entendesse que regência verbal se caracteriza pela relação que se estabelece entre os VERBOS e os complementos que o acompanham, certo?

Reger tem vários sentidos: 1 - administrar, dirigir, governar; 2 - conduzir, guiar; 3 - ensinar, lecionar; 4 - subordinar
Os complementos podem ser representados pelo objeto direto (sem preposição) e pelo objeto indireto (com preposição). Dessa forma, entenda que um mesmo verbo pode aparecer acompanhado dela (da preposição), como pode ser descrito sem a presença da nossa querida, que pertence a uma das classes gramaticais, lembra-se?
E dos pronomes oblíquos, você se lembra?
Caso não, recorde que alguns deles, tais como “o, a, os, as” podem funcionar como objeto direto.
E como objeto indireto? Quem assume esse lugar? Obviamente que é o pronome oblíquo “lhe”, não é verdade?
Vejamos, pois dois exemplos:
Regência verbal se caracteriza pela relação que existe ente o verbo e seus complementos
Eu o vi passeando pelo parque. Vi quem: “ELE”, portanto, objeto direto.
Entreguei-lhe o livro. Entreguei o livro a quem? A ELE, logo, objeto indireto.
Por meio de tudo que falamos você agora possui condições de aprender um pouco mais sobre a regência verbal, uma vez que algumas noções básicas foram recordadas, concorda?
Então saiba que nossos estudos não param por aqui, pois veremos a respeito do uso das preposições em se tratando desse importante estudo: regência verbal, por meio do texto “Uso das preposições na regência verbal”.
Preposições na regência verbal
Em se tratando da regência verbal, o uso das preposições é muito importante
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Por meio do texto “Regência verbal” você pôde compreender um pouquinho mais sobre as características relacionadas à regência verbal. A partir de agora irá ampliar ainda mais seus conhecimentos sobre o uso das preposições em se tratando desse assunto (regência verbal).

Na linguagem informal, coloquial, sempre se ''come'' a preposição antes do pronome relativo. Mas, na linguagem formal, culta, a preposição deve ser colocada antes do pronome relativo, se existir, em uma oração adjetiva, restritiva ou explicativa, desde que não seja reduzida. É o que a gramática normativa, a norma culta, a tia Norminha determina.
Você se lembra de que falamos do objeto indireto? Claro que sim, pois alguns verbos precisam ser complementados, porém com o uso da preposição, certo?
Dessa forma, para que a importância do uso dela na regência verbal fique bem clara, observe o exemplo abaixo, retirado de um comercial da Mercedes-Benz:
Essa é a marca que o mundo confia.
Agora eu perdi a confiança. Se quando confiamos, confiamos em alguém?
Por isso, preste bastante atenção: o que falta nesta oração para que ele se torne correta, adequada? Obviamente que você já descobriu: a preposição. Assim, reformulando, temos:
Essa é a marca na qual o mundo confia.
Vamos a outro exemplo?
Era esse o livro que precisava.
Analise se você concorda: Quem precisa, precisa de algo, não é verdade? Então, perceba:
Era esse o livro do qual eu precisava.
Aquele era o assunto que eu me referi na aula anterior.
Da mesma forma, perguntamos a você: quando fazemos referência, fazemos a algo, não é verdade? Assim, observe a mudança:
Aquele era o assunto ao qual eu me referi na aula anterior.
Verbos com mais de uma regência
Há determinados verbos que apresentam mais de uma regência
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Aqui, juntinhos novamente, estamos nós a conhecer um pouco mais acerca do que a nossa língua nos reserva, haja vista que a importância destes tantos encontros que temos é justamente para deixá-lo(a) hábil para falar e escrever (sobretudo este procedimento) nas situaçõs que assim exigirem, não é verdade?
Pois bem, a partir de agora passaremos a estabelecer um pouco mais de familiaridade com um assunto que provavelmente não representa assim muita novidade: a regência verbal. Esse fenômeno linguístico, por sua vez, caracteriza-se pela relação que se estabelece entre os nossos amiguinhos verbos, uma vez que o complemento que a eles podemos atribuir pode estar ou não acompanhado de preposição.
Sim, aspectos relembrados, partamos agora para reconhecer o porquê de alguns verbos possuírem mais de uma regência, justamente porque dependendo da situação de comunicação a que pertencer, ora podem adquirir um sentido, ora outro.  Assim, com base justamente nesse sentido que apresentam é que o uso da preposição se encontra atrelado, relacionado. Que tal conhecermos alguns exemplos?
Distintos são os verbos que apresentam mais de uma regência
Distintos são os verbos que apresentam mais de uma regência
Lembrando sempre que esse fato de um mesmo verbo apresentar mais de uma regência se encontra relacionado ao contexto, ou seja, à situação comunicativa. Quem determina esses usos é a tia Norminha, tam-bém, 'que nem' a Sônia Abrão.

Na regência verbal, o termo regente é um verbo significativo ou nocional, seja ele transitivo ou intransitivo, e indica ação. Transitividade verbal só existe para verbo significativo, verbo de ligação não possui regência nem transitividade. Diferentemente da regência nominal, em que o termo regente é um nome, substantivo, adjetivo ou advérbio.

Um único verbo, dependendo da acepção, pode ter várias transitividades. Conheceremos os verbos aspirar, assistir, querer, custar, informar, chamar, suceder e proceder, os que dão 'dor de cabeça' nos candidatos a concursos e vestibulares, além do Enem. Mas vejamos alguns exemplos:
Márcia aspira o perfume das flores.
Notamos que o verbo aqui possui o sentido de sorver, cheirar. Nesse sentido, ele não aparece acompanhado do uso da preposição, somente do artigo, portanto, classifica-se como transitivo direto.
Márcia aspira a um cargo melhor na empresa.
Nesse contexto, já podemos dizer que se trata de um verbo transitivo indireto, pois o sentido se refere a desejar, pretender, almejar. Como seu objeto indireto não é pessoa, mas sim coisa, não se usam as formas pronominais átonas lhe e lhes como complemento, mas sim as formas tônicas a ele(s), a ela(s): aspira a ele, e não aspira-lhe.
O médico assistiu ao doente.
O médico ajudou o doente. Assim, pelo fato de o verbo carregar consigo esse sentido de 'ajudar, prestar assistência', ele se classifica como transitivo direto.

Alguns gramáticos admitem seu uso como transitivo indireto: ''O médico assistiu ao doente'', no sentido de vigiar, monitorar, observar, estar sob observação. Outros afirmam que é um objeto direto preposicionado, mas é um caso divergente, não há consenso entre os autores.
Pedro assistiu ao filme.
Já nesse contexto, Pedro estava presente, ou seja, ele presenciou a exibição do filme. Assim, no sentido de 'ver, presenciar' classificamos tal verbo como transitivo indireto.
Assisti em São Luís há três anos.
Nesse contexto, ele morou em São Luís (cidade do Maranhão) há três anos. No sentido de 'viver, morar, residir, habitar' ele se classifica como intransitivo, com adjunto adverbial de lugar, e não objeto indireto nem objeto direto preposicionado. 
Essa acepção é pouco usada no dia a dia, está mais presente na linguagem literária, não em uma fala espontânea. Não há consenso entre os gramáticos entre a aceitação dessa acepção, mas pode ser usada no dia da prova ou na redação sem problemas.
Não lhe assiste o direito de fazer propaganda no dia da eleição.
Já nesse contexto, é um direito que pertence a ele. Assim, no sentido de 'pertencer, caber, dizer respeito a', também se classifica como transitivo indireto. Pode-se dizer que é um direito que lhe assiste, nesse caso admite a forma oblíqua lhe, mas pode ser usada na prova de redação ou nas questões sem problemas.
Os alunos queriam muito bem à professora.
O sentido aqui se refere a estimar, ter apreço por alguém. Nesse caso, certamente que você percebeu o uso da preposição – o que faz com que o verbo querer se classifique como transitivo indireto.
Os alunos queriam sair bem na avaliação.
Constatamos que aqui ele não vem acompanhado do uso da preposição, visto o sentido fazer referência a desejar, pretender. Dessa forma, ele se classifica como transitivo direto.

O relógio custou setenta reais.
O sentido aqui se refere a ter valor, preço. Nesse caso, certamente que você percebeu o uso da preposição – iniciando adjunto adverbial de preço, o que faz com que o verbo custar se classifique como intransitivo.
Custa a um eleitor exigir qualidade para o consumidor.
Constatamos que aqui ele vem acompanhado do uso da preposição, visto o sentido fazer referência a ser custoso, difícil. Dessa forma, ele se classifica como transitivo indireto.

Informei o imprevisto ao funcionário.
Informei o funcionário do imprevisto.
Informei o funcionário sobre o imprevisto.
Constatamos que aqui ele vem acompanhado de um complemento com preposição e outro sem preposição, visto o verbo informar ter várias transitividades. Dessa forma, ele se classifica como transitivo direto e indireto.

Informei-o do imprevisto.
Informei-lhe o imprevisto.
A regência também se altera caso se usem pronomes como complementos.

Informei-o de que ocorreu um imprevisto.
Informei-lhe que ocorreu um imprevisto.
A regência também se altera se o complemento for oracional.

Avisei-o/notifiquei-o/certifiquei-o/cientifiquei-o/preveni-o do imprevisto.
Avisei-lhe/notifiquei-lhe/certifiquei-lhe/cientifiquei-lhe/preveni-lhe do imprevisto.
A regência também se aplica aos verbos: avisar, notificar, certificar, cientificar, prevenir.

Vamos chamar o médico para sermos atendidos.
Constatamos que aqui ele não vem acompanhado do uso da preposição, visto o sentido fazer referência a reunir, convocar. Dessa forma, ele se classifica como transitivo direto.
O padre chamava por Maria para pedir sua intercessão.

Constatamos que aqui ele vem acompanhado do uso da preposição, visto o sentido fazer referência a invocar, clamar. Dessa forma, ele se classifica como transitivo indireto.


Os apresentadores chamam o locutor de famoso. / chamam o locutor famoso. / chamam ao locutor de famoso. / chamam ao locutor famoso.
Constatamos que aqui ele pode ou não vir acompanhado do uso da preposição, visto o sentido fazer referência a qualificar, apelidar, dar nome. Dessa forma, ele se classifica como transitivo direto ou indireto, caso facultativo. Mas, será usado com predicativo do objeto.


Afirmou-se que a república sucedeu à monarquia.
Ela sucederá ao atual diretor.
Constatamos que aqui ele vem acompanhado do uso da preposição, visto o sentido fazer referência a substituir, sobrevir, vir depois, continuar, prosseguir, seguir. Dessa forma, ele se classifica como transitivo indireto.


Sucederam vários fatos após a vitória.
Constatamos que aqui ele não exige complemento e já possui sentido completo, visto o sentido fazer referência a ocorrer, acontecer, dar-se um fato. Dessa forma, ele se classifica como intransitivo.


O jornalista William procede de uma família italiana.
Luís procederá à reunião de trabalho.
Constatamos que aqui ele vem acompanhado do uso da preposição, visto o sentido fazer referência a derivar, provir, executar, iniciar, realizar, originar-se. Dessa forma, ele se classifica como transitivo indireto.


Seu argumento não procede.
João procedeu muito mal com sua irmã.
Aquele é o avião que procede de Maceió.
Constatamos que aqui ele não exige complemento e já possui sentido completo, visto o sentido fazer referência a ter fundamento ou razão, comportar-se, agir ou indicar local de origem. Dessa forma, ele se classifica como intransitivo.
Constatou quantas surpresas a língua que falamos nos reserva?

Essa tia Norminha, hein!

Dica de expert: Visto é uma preposição acidental que significa devido a, por causa de, em virtude de, em razão de.

Dica de expert 2: Em ''Fui ao cinema'', o verbo ir é intransitivo para a maioria dos gramáticos, e para outros é transitivo adverbial ou transitivo circunstancial, classificação correta, mas não há um consenso entre os autores. Nos concursos, a tradição é considerá-lo como intransitivo.

Regência do verbo responder / Regência do verbo lembrar

Regência do verbo responder

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O assunto que conduz este nosso maravilhoso encontro se define por apreendermos um pouco mais sobre a regência. Ela, como você sabe, trata da relação que existe entre os elementos de uma oração, mais precisamente da dependência que há entre o verbo e o complemento, o qual dará a ele o sentido de que precisa para ser completo, lógico e preciso. Assim, antes de iniciarmos, que tal fazermos uma viagem ao tempo, revendo um assunto do qual já temos conhecimento. Ele, por sua vez, encontra-se expresso por meio do texto “Regência verbal: Noções básicas”  
Parece que depois de alguns conceitos relembrados, tudo parece se tornar ainda mais fácil, não é verdade?
A regência do verbo responder se encontra relacionada a fatores específicos
A regência do verbo responder se encontra relacionada a fatores específicos
Passando adiante, imagine se fizessem a você a seguinte pergunta:
Você responde a pergunta ou à pergunta?
Para que possamos optar pela resposta correta, devemos nos ater a um aspecto muito importante, presente nos dois casos: um deles aparece sem a preposição (a pergunta), enquanto que o outro já se encontra demarcado pelo uso da preposição (à pergunta).
Quando fazemos a pergunta ao verbo, ou seja: ele respondeu o quê? A PERGUNTA. Nesse caso, o “a” atua com artigo definido, pois acompanha o substantivo “pergunta”.
Agora façamos outra pergunta: Ele respondeu a quê? À PERGUNTA, temos como resposta.
Chegamos, pois a uma conclusão surpreendente:
O verbo responder pode se classificar como transitivo direto, como ocorreu no primeiro caso; como pode também pode se classificar como transitivo indireto, ou seja, da forma como aconteceu no segundo caso, sobretudo em virtude da presença da preposição.
Mas, espere: ainda falta outro detalhe: você sabia que ele pode se classificar, também, como bitransitivo, ou seja, representar objeto direto de coisa (a pergunta) e objeto indireto de pessoa (à pergunta).
Mas, atenção: somente poderá assim se classificar quando representar os dois aspectos, juntos, ou seja, de forma simultânea.
Para finalizar nosso estudo, saiba que ele pode atuar como dicendi, isto é, aquele verbo que anuncia uma declaração, tanto no discurso direto quanto no indireto:
João respondeu que ia à reunião de pais e mestres.


Em resumo, responder é transitivo direto quando significa ser grosseiro com, mas é transitivo indireto com a preposição a no sentido de dar resposta a ou defender-se em juízo. É transitivo direto e indireto quando a resposta é dupla:


Respondi o professor e levei um tapa dele. (fui grosseiro com)
O cliente respondeu ao questionário do vendedor. (deu resposta)
A modelo responderá a um processo. (defender-se-á em juízo)
Os eleitores responderam sim ao projeto. (resposta dupla)

Regência do verbo lembrar
Alguns verbos, como o verbo lembrar, apresentam mais de uma regência porque podem ser transitivos diretos ou transitivos indireto
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Que tal estudarmos um pouco sobre regência verbal? Será que você já estudou sobre isso na escola? Se não estudou ainda, que tal ficar por dentro desse conteúdo tão importante da língua portuguesa?
regência verbal nada mais é do que a relação de subordinação que ocorre entre um verbo e seus complementos. A regência correta de um verbo impede que frases ambíguas sejam criadas, pois quando isso acontece, o sentido desejado pelo enunciador pode ficar prejudicado. Alguns verbos da língua portuguesa apresentam uma particularidade interessante, como o verbo lembrar. Afinal, o verbo lembrar é transitivo direto ou transitivo indireto? Quem lembra,lembra de algo ou lembra algo? Vamos entender melhor essa questão?
Em primeiro lugar, vamos deixar bem claro que o verbo lembrar pode ser transitivo direto ou transitivo indireto. Observe os exemplos:
O cérebro humano não consegue lembrar algo e fazer contas ao mesmo tempo.
Nesse caso, o verbo lembrar é transitivo direto, ou seja, exige complemento sem preposição.
Marcela se lembrou de pagar as contas e ir à loteria.
No exemplo acima, o verbo lembrar é pronominal, ou seja, apresenta o pronome reflexivo -se e exige complemento com a preposição “de”. Dessa maneira, podemos dizer que o verbo lembrar é transitivo indireto.
O verbo lembrar também pode ser transitivo direto e indireto ao mesmo tempo, no sentido de advertir, recomendar. Observe o exemplo:
Preciso lembrar Marina de comprar as passagens.
Além disso, o verbo lembrar também pode ser transitivo direto, no sentido de sugerir, parecer, assemelhar-se. Observe o exemplo:
Esse filme lembra um livro que eu já li.
Sendo assim, podemos dizer que o verbo lembrar possui dupla regência, isto é, existem duas formas de ele relacionar-se com o seu complemento e ambas estão corretas. É importante que você saiba acerca dessa dupla regência para fazer o uso adequado do verbo, sobretudo na modalidade escrita e em contextos formais de comunicação.

Função fática - Verificando o canal - Alô, alô, testando!

Função fática

Por Luana Castro Alves Perez
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Falar, falar e falar! Esse é um dos passatempos favoritos dos seres humanos! Seja através da linguagem verbal ou da linguagem não verbal, o tempo todo estamos envolvidos em situações em que a comunicação é a principal atividade de interação social com nossa família e amigos. Mas os atos de fala, sejam eles escritos ou orais, não acontecem por acaso. Eles podem ser explicados através das funções da linguagem.
As funções da linguagem foram criadas pelo linguista russo Roman Jakobson, estudioso da comunicação que nos explicou que cada ato de fala apresenta uma intenção específica: se a intenção é informar, existe uma função mais adequada para esse propósito; se a intenção é convencer, adequamos nosso discurso para persuadir nosso interlocutor e assim por diante. Todas as intenções de fala foram sintetizadas no seguinte esquema elaborado por Jakobson: 
Função emotiva ou expressiva > Emissor
Função apelativa, conativa ou imperativa > Receptor
Função referencial, denotativa, informativa ou cognitiva > Referente
Função poética ou estética > Mensagem
Função metalinguística > Código
Função fática > Canal
O esquema nos diz que cada função apresenta uma intencionalidade. Hoje vamos estudar um pouco mais sobre a função fática. A principal característica dessa função é conferir o funcionamento adequado do canal de comunicação. Por exemplo, quando você conversa com alguém por telefone, o tempo todo utiliza expressões para certificar-se de que seu interlocutor, que está do outro lado da linha, está te ouvindo e te compreendendo:
A função fática testa o funcionamento do contato. As conversas ao telefone são ótimos exemplos dessa função da linguagem
A função fática testa o funcionamento do contato. As conversas ao telefone são ótimos exemplos dessa função da linguagem
Quando Calvin diz “ouça”, no terceiro quadrinho, ele está testando o canal de comunicação. Outras expressões como “entende”, “alô” e “veja bem” também apresentam a mesma função. A professora, quando explica uma nova matéria na escola, também indaga seus alunos para comprovar que a mensagem transmitida foi compreendida, não é mesmo? Outra importante característica da função fática é criar uma espécie de vínculo solidário entre os falantes. Observe mais um exemplo de função fática:
Somos seres sociais, por isso elaboramos estratégias comunicativas para participar dos costumes verbais que integram as pessoas
Somos seres sociais, por isso elaboramos estratégias comunicativas para participar dos costumes verbais que integram as pessoas
Na história em quadrinhos Garfield, de Jim Davis, embora John esteja um pouco entediado, a personagem ao seu lado elabora estratégias para iniciar um possível diálogo. Esse tipo de conversa, que muitas vezes não está centrado na mensagem, mas sim no canal, é muito comum, sobretudo entre pessoas que não se conhecem, mas que têm interesse de tornar um ambiente mais amistoso e agradável através de um bate-papo descompromissado. Quem nunca entrou em um elevador e deu de cara com um desconhecido? Nessa situação, para evitar aquele silêncio constrangedor, lançamos mão, ainda que intuitivamente, da função fática.
Viu só? Todos os atos de fala podem ser explicados através do modelo de comunicação elaborado por Roman Jakobson. No caso específico da função fática, a linguagem atua como uma ferramenta que integra pessoas, possibilitando que os falantes permaneçam inseridos nos costumes verbais tão importantes em nossa sociedade.
Outro exemplo de função fática é o famoso ''Plim Plim!'' da Globo, a vinheta de intervalo dos filmes e séries. 

Função poética - Brincando com as palavras

Brincando com as palavras: função poética
Cinco funções, cinco intenções. As funções denunciam a motivação de quem fala ou escreve
Por Luana Castro Alves Perez
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Você já percebeu que por detrás de nossas palavras escondem-se nossas verdadeiras intenções? A todo momento estamos envolvidos em situações nas quais a comunicação dita nossas relações com as pessoas e, dependendo daquilo que você quer transmitir, você pode mudar o discurso de acordo com as necessidades do momento e colocar em prática as funções da linguagem.
São seis as funções da linguagem: conativa, emotiva, referencial, fática, poética e metalinguística. Nosso objeto de estudo será a função poética da linguagem, presente nos textos literários e nos textos não literários. Certamente, a função poética é uma das funções mais interessantes, aquela que nos permite produzir belíssimos textos permeados por imagens e palavras que constroem sentidos diversos!
A função poética está voltada para a própria mensagem: a palavra é a grande protagonista. Também é conhecida como função estética por sua finalidade de enfeitar a linguagem e de se usar dos recursos criativos da língua, conotação, figuras de linguagem, técnicas de composição literária e outros recursos.
Ela pode ser encontrada na Literatura, nos poemas de grandes escritores e até mesmo em um anúncio publicitário, onde é possível brincar com a palavra e com seus significados. Observe o exemplo de função poética da linguagem em um poema de Paulo Leminski:
A função poética confere novos significados às palavras, permitindo que o leitor faça interessantes experiências sensoriais
A função poética confere novos significados às palavras, permitindo que o leitor faça interessantes experiências sensoriais
Ovo do coelho
Coelho não bota ovo,
quem bota ovo é galinha.
Mas eu conheço um coelho
que é mesmo uma maravilha.

Os ovos que ele bota,
você nem imagina.
São ovos de chocolate
ou ovos de baunilha.

Por isso, nosso coelho
foi expulso da família.
O pai dele disse: - Meu filho,
isso é coisa de galinha.

O coelho respondeu rapidamente:
- Meu pai eu não tenho culpa,
botar ovo é meu destino.
Se não posso botar ovos em casa,
prefiro botar sozinho.

E foi assim que o coelho
saiu de casa para a rua,
botando ovo na Páscoa,
no sonho de todo mundo.

Paulo Leminski
Foi possível observar, após a leitura do poema de Paulo Leminski, que a função poética preocupa-se com a sonoridade das palavras, com a maneira com a qual elas são dispostas nos versos, estrofes e rimas e com os elementos que estão relacionados com as nossas sensações. Agora veja como a publicidade também pode apropriar-se da função poética:
Na propaganda do perfume Quasar, de O Boticário, podemos perceber que há uma brincadeira com as palavras “Quasar” e “casar”
Na propaganda do perfume Quasar, de O Boticário, podemos perceber que há uma brincadeira com as palavras “Quasar” e “casar”
Veja que não se trata de uma simples propaganda, pois os publicitários fizeram uso da função poética para construir os significados do texto. Você percebeu a brincadeira entre as palavras “Quasar” e “casar”? Pois é, novos sentidos foram construídos, o que permitiu que a propaganda rompesse com o modo tradicional com o qual estamos acostumados a ver as palavras. Assim é a função poética, ela nos faz ir além e enxergar nas palavras imagens e sons.

Função referencial - Linguagem e comunicação

Função referencial

Por Luana Castro Alves Perez
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Você já parou para pensar na quantidade de vezes em que nos envolvemos em atos de fala todos os dias? Desde a hora em que acordamos até a hora em que vamos dormir, estamos nos comunicando com nossa família e com nossos amigos. Talvez você ainda não saiba que, por detrás do simples ato de nos comunicar, estão envolvidos fatores linguísticos muito interessantes, que explicam as intenções dos falantes em cada situação de interação verbal.
Para que a comunicação aconteça, é preciso um sistema qualquer de sinais, desde que ele seja organizado e comum às pessoas envolvidas na situação comunicacional. Quando elaboramos nosso discurso, dependendo da intenção e sentido que a ele queremos dar, escolhemos, intuitivamente, uma das funções da linguagem. Esse termo, “funções da linguagem”, foi criado por um importante linguista russo chamado Roman Jackobson, que foi quem primeiro percebeu que na linguagem existem alguns elementos fundamentais à comunicação e assim definiu que seis fatores estão envolvidos nela. São eles:
Hoje vamos nos aprofundar naquela que é considerada a função mais comum, a função referencial. Quando alguém utiliza essa função em um ato de fala, tem por intenção transmitir ao interlocutor dados da realidade de forma objetiva e precisa, longe de recursos linguísticos como metáforas e vícios de linguagem como a ambiguidade. Ela também é conhecida como função denotativa por ser essa a sua principal característica, ou seja, usar a linguagem tal qual ela é em sua essência, objetiva, direta, denotativa, prevalecendo sempre o uso da 3ª pessoa. 
Também é conhecida como função informativa ou função cognitiva por sua finalidade de informar.
O tempo todo estamos envolvidos em atos de fala, em casa, na escola e sempre onde houver um interlocutor em potencial
O tempo todo estamos envolvidos em atos de fala, em casa, na escola e sempre onde houver um interlocutor em potencial
Vamos conhecer as principais características da função referencial? Observe as marcas linguísticas encontradas em um discurso que emprega essa função:
♦ Texto escrito em terceira pessoa;
♦ Linguagem denotativa;
♦ Frases estruturadas na ordem direta.
Observe um exemplo de função referencial na linguagem verbal:
Uma nova estrada para o turismo de natureza
“Existe um paraíso escondido no interior do país com potencial para tornar-se uma segunda Transpantaneira - a rodovia MT-060. A nova rota é conhecida como Estrada Turística e fica próxima da fronteira entre o Brasil e a Bolívia, em Cáceres, no Mato Grosso. O desafio dessa região é similar ao de muitas área naturais do Brasil: implementar o turismo de natureza para gerar desenvolvimento sócioeconômico e o empoderamento das comunidades locais. Seria possível trilhar esse sonho em uma região tão distante dos grandes centros urbanos?
O Brasil tem em seu território alguns dos ecossistemas mais ricos em biodiversidade do mundo.  O Pantanal, com seus 250 mil quilômetros quadrados de extensão, é um desses exemplos.  Segundo o Fórum Econômico Mundial, o Brasil é o líder em um ranking  de 140 países em belezas naturais. (...)”.
Revista Época. Acesso no dia 11/09/14. Disponível em Época.globo
A função referencial também pode ser encontrada na linguagem não verbal, observe o exemplo:
​Os manuais de anatomia fazem parte dos recursos de representação, cuja característica principal é a predominância da função referencial
Os manuais de anatomia fazem parte dos recursos de representação, cuja característica principal é a predominância da função referencial
A função referencial está presente nos textos dissertativos, técnicos, instrucionais, jornalísticos e todos os outros que têm a informação como principal objetivo. Ela é considerada a função mais comum porque a informação é a finalidade maior de todo ato de comunicação. Vale lembrar que em um mesmo texto várias funções podem estar presentes, mas sempre haverá uma função predominante, certo? Bons estudos!

Função metalinguística - A linguagem explicando ela mesma

Função metalinguística

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Você sabia que as palavras dialogam entre si? Pois é, esse fenômeno curioso recebe o nome de metalinguagem. A função metalinguística, como também é chamada, está entre as seis funções da linguagem e acontece quando usamos o código, que é a língua, para explicar a própria língua.
Uma criança pequena, quando já aprendeu a falar e entra na fase de questionar o significado e os conceitos das palavras, exerce a função metalinguística o tempo todo. Ela pergunta sobre o próprio código com frequência, com expressões do tipo “o que é isso” ou “não entendi direito”, entre outras sentenças que revelam o processo de aquisição da linguagem. Ela está aprendendo o significado das palavras, por isso esse tipo de pergunta torna-se corriqueiro.
Nos dicionários também encontramos a função metalinguística em ação: trata-se de um compêndio de palavras que são explicadas através dos verbetes. As gramáticas também fazem uso dessa função, pois usam palavras para explicar outras palavras. Quando você analisa e interpreta um texto, você também está fazendo uso da metalinguagem, mesmo que inconscientemente. Mas não é só com a palavra que o fenômeno acontece, ela está presente quando um filme tem por próprio tema o cinema, uma peça de teatro que tem por tema o teatro, um desenho mostrando o ato de desenhar em um poema que use as palavras para explicar o processo de criação literária, a pintura de um artista pintando ou programas de televisão que falam sobre televisão, como o Vídeo Show. Observe só um exemplo de metalinguagem:
No poema de Carlos Drummond de Andrade, podemos observar a existência da função metalinguística, pois o poeta discorre sobre o próprio fazer poético
No poema de Carlos Drummond de Andrade, podemos observar a existência da função metalinguística, pois o poeta discorre sobre o próprio fazer poético
Você percebeu que o poema de Carlos Drummond de Andrade tem como tema o próprio ato de escrever uma poesia? Nele, o poeta tenta encontrar a forma e o verso, descrevendo para o leitor a criação literária. Observe também a função metalinguística em uma tirinha do desenhista Bill Watterson, criador de Calvin e Haroldo:
A função metalinguística está presente nos dicionários, nas gramáticas, nos poemas e até mesmo nas histórias em quadrinhos
A função metalinguística está presente nos dicionários, nas gramáticas, nos poemas e até mesmo nas histórias em quadrinhos
Na tirinha, o objeto de análise é a própria história em quadrinhos, pois Calvin faz uma reflexão sobre o trabalho do artista, tecendo uma comparação entre o trabalho de um desenhista de agora e o trabalho de um desenhista de tempos atrás. Viu só? Essa é a função metalinguística, que tem por objetivo analisar o próprio código, ou seja, a língua.

Função conativa - Convencendo o receptor

Função conativa









A todo momento nós usamos a linguagem para nos comunicar, certo? Até mesmo quando não falamos, estamos nos comunicando, seja através de gestos ou de expressões faciais. O ser humano sempre está envolvido nas mais diversas situações comunicacionais e em cada uma delas utilizamos um tipo de linguagem.
Adaptar a linguagem a um determinado contexto explica o porquê da existência das funções da linguagem. Elas são classificadas em seis tipos diferentes: referencial, conativa, emotiva, metalinguística, fática e poética. Hoje falaremos sobre uma linguagem muito comum no nosso dia a dia, que apresenta características bem interessantes que podem levar o interlocutor a adotar um determinado tipo de comportamento. Estamos falando da função conativa da linguagem.
Na função conativa da linguagem, também chamada de função apelativa, função diretiva ou função imperativa, a mensagem está centrada no destinatário. Como assim, centrada no destinatário? Pois bem, isso quer dizer que a mensagem tem como objetivo influenciar, seduzir, persuadir e convencer o interlocutor. Quando pensamos nesse tipo de linguagem, podemos associá-la imediatamente à linguagem empregada nos anúncios publicitários, que usa alguns artifícios para conquistar novos consumidores. Observe:

A principal característica da função conativa é o desenvolvimento de uma linguagem centrada no destinatário.
Também é usada em discursos políticos, sermões religiosos, pregações, palestras, livros de horóscopo e autoajuda. 
Com uma leitura atenta e cuidadosa, podemos perceber que a maioria dos anúncios usa o vocativo e os verbos no imperativo, pois assim incita o leitor ou interlocutor a adotar algum tipo de comportamento, já que esse modo verbal expressa sempre uma ideia de ordem, aconselhamento ou pedido. Outra característica importante é o uso da 2ª pessoa, ou seja, o anúncio está falando diretamente com você. Agora, observe um exemplo de função conativa na linguagem poética:
Poeminha sobre insuficiência
Rapazinho
Estuda depressa
Pois burro aos trinta
É burro à beça.

Millôr Fernandes
Você percebeu os elementos da função conativa no poema de Millôr Fernandes? Eles estão ali, mas também existe outra função que predomina nos textos literários, conhecida como função poética da linguagem. Mas isso é assunto para uma outra conversa! Bons estudos!