25 de agosto de 2019

Isso posto ou posto isso

Ops!!! E agora?! Qual a forma correta do emprego das orações reduzidas de particípio?! 😉
Bom!!! Convém salientar que os pronomes esseessa e isso são anafóricos. O que quer dizer que se destinam a retomar algo que já foi dito no texto.
Agora, passemos a relatar sobre o particípio.
Como regra, as orações reduzidas de particípio iniciam-se pelo verbo, e não pelo sujeito. Isso indica que o verbo vem antes do sujeito.
Então, o correto a ser empregado é: Posto isso, por conta do som estranho e da cacofonia: ''e suposto''.
Vejamos outros exemplo:
à Iniciada a aula, o professor distribuiu o material.
à Passado o concurso, iniciaremos outro esquema de estudo.
à “Anulados os atos fraudulentos, a vantagem resultante reverterá…” (art. 113 do Código Civil de 1916).

Lições de concordância verbal

Recentemente, uma aluna me enviou uma questão da prova para ANALISTA DE PROCESSOS da PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPINAS elaborada pelo CETRO em 2012. Veja:
De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa e em relação à concordância verbal, assinale a alternativa correta.
(A) Mais de um reivindicaram seus direitos durante a palestra.
(B) Dançar e cantar fazem parte dos seus hobbies preferidos.
(C) Haviam crônicas interessantes naqueles livros.
(D) Agressividade e combatividade dominava suas atitudes nos últimos dias.
A banca examinadora requereu conhecimentos de concordância verbal, um assunto bastante explorado nos mais diversos concursos e cheio de regrinhas. Nossa amiga teve dúvida a respeito do gabarito (letra D) e solicitou minha ajuda.
Quero compartilhar com você algumas explicações apresentadas a ela.
A) A expressão mais de um mantém o verbo no singular, mesmo contrariando a lógica do nosso pensamento ''se é mais de um, são pelo menos dois''. Caso ela seja repetida ou indique reciprocidade, o verbo irá para o plural. Exemplos: Mais de uma flor e mais de uma árvore foram arrancadas. Mais de um casal se agrediram.
B) Quando o sujeito composto é indicado por verbos no infinitivo, o verbo que concorda com esse sujeito se mantém no singular. Caso os infinitivos sejam antônimos ou estejam determinados por um artigo, numeral, pronome ou adjetivo, o verbo se flexionará no plural. Exemplos: Cair e levantar fazem parte da vida de qualquer pessoa. O dançar e o  cantar fazem parte dos…
C) Com sentido de existir, o verbo haver é impessoal e se mantém na terceira pessoa do singular. Exemplo: Havia crônicas interessantes naqueles livros. Detalhe: o termo “crônicas” funciona como objeto direto, e não como sujeito.
D) Quando os termos que compõem o sujeito são sinônimos, o verbo pode ser mantido no singular, como foi apresentado na prova.

A lógica da Língua Portuguesa é diferente da lógica da Matemática. Ainda que, segundo a matemática, mais de um signifique dois, três, quatro, cinco etc., a concordância verbal deverá ser feita no singular.

Concordância verbal se faz com o termo, não com a ideia, exceto nos casos de silepse.

Emprego dos porquês

Neste artigo eu pretendo chamar sua atenção para um assunto recorrente em diversos concursos públicos: o emprego das expressões “por que”, “por quê”, “porque” e “porquê”. Vamos partir de uma questão recente para verificarmos o uso adequado de cada uma delas.
Cespe/2016/Funpresp-EXE/Conhecimentos Básicos
Sem prejuízo para a correção gramatical do período, a expressão “por quê” (l.23) poderia ser substituída por o porquê.
Comentário
Subentende-se que o uso da expressão “por quê”, formada por uma preposição e um advérbio, traz para o texto sentido de motivo ou razão. Da mesma forma, a expressão “porquê”, precedida do artigo definido “o” ou do indefinido ''um'', ou de um numeral, pronome demonstrativo, possessivo, indefinido ou interrogativo, adjetivo ou locução adjetiva, classifica-se como substantivo e tem como sinônimos as palavras causamotivo ou razão. Além disso, a forma junta e com acento é precedida por artigo, exatamente como a banca propôs. Assim sendo, a reescritura não prejudicaria o texto. Veja: “Não sei o porquê” (o motivoa razão). Portanto a substituição é possível nesse caso.
Não me venha com esses porquês. (motivos, razões, causas)
Belos porquês os que você me apresentou. (idem)
Vou-lhe dizer dois porquês. (causa)
Observe, agora, as diferentes situações em que cada forma pode ser empregada:

POR QUE x POR QUÊ

  1. a) Por que você não veio? (Advérbio interrogativo de causa, usado no início da oração, equivale-se a por qual motivo, o “que” é átono.)
  2. b) Quero saber por que você não veio. (A única diferença é que a frase interrogativa é indireta.)
  3. c) Você não veio por quê? (Agora a expressão aparece no final da frase, e o “que” é tônico.)
  4. d) Quero saber o motivo por que você não veio. (Temos aqui preposição + pronome relativo, equivalendo-se a pelo qual.)
Note a colocação no final da frase ou no final de oração, antes de pausa, com sentido de motivo, causarazão pela qual, deve ser acentuado, por ser um monossílabo tônico terminado em e:
O cantor estava inquieto, sem saber por quê. (Sem saber por quê, o cantor estava inquieto.)
Advertido pelo presidente da Mesa, o deputado quis saber por quê.
Ninguém lhe dava atenção. Por quê?

PORQUE x PORQUÊ

  1. a) Não vim porque estava cansado. (A expressão agora equivale-se a uma conjunção subordinativa causal e indica circunstância de causa.)
  2. b) Fique quieto, porque você está incomodando. (Aqui, ela é uma conjunção coordenativa explicativa. Uma dica útil é perceber o verbo no imperativo na oração anterior.)
  3. c) Vigiai e orai, porque não entreis em tentação. (Aqui, ela é uma conjunção subordinativa final e indica finalidade.)

O bom uso das conjunções

Seja sincero e responda à seguinte pergunta: “Você nunca ficou em dúvida sobre qual conjunção utilizar na hora de redigir uma frase e articular melhor as ideias nela contidas?”.
Neste artigo, eu pretendo ressaltar o importante papel que esses conectivos têm no estabelecimento da coesão e da coerência textual. O emprego inadequado de uma conjunção pode prejudicar a correção da frase e o sentido da mensagem que se pretende transmitir. Portanto é bom aprendermos um pouco mais sobre o assunto. Vamos lá!
Conjunções unem orações ou termos de uma oração. No desempenho desse papel, elas podem relacionar termos e orações sintaticamente equivalentes (as chamadasorações coordenadas) ou relacionar uma oração principal a uma oração que lhe ésubordinada.
Compare os exemplos abaixo:
a) Pedro e Paulo saíram. (Os vocábulos “Pedro” e “Paulo” mantêm entre si uma relação de equivalência sintática; são, pois, termos coordenados entre si e pertencentes à mesma oração.)
b) Pedro foi ao cinema, porémdesistiu no meio do caminho. (As orações “Pedro foi ao cinema” e “porém desistiu no meio do caminho” também estão em um vínculo de coordenação, embora sejam distintas.)
c) É preciso que estudemos. (Agora, a conjunção “que” estabelece uma relação de subordinação entre as duas orações: “É preciso” e “que estudemos”.)
Há palavras que podem pertencer a diferentes grupos de conjunções (eque, porque,pois, porquanto,por exemplo). Mais importante do que memorizar as conjunções será observá-las em seus contextos e, a partir dessa observação, encaixá-las em um grupo.
CONJUNÇÕES COORDENATIVAS (em negrito, desusadas ou literárias)
Aditivas
e, nem, mas, mas também, senão também, mas ainda, como também, bem como (depois de não só), além disso, ademais, outrossim, tampouco, mais (em linguagem matemática ou como regionalismo)
Adversativas
e, mas, porém, todavia, contudo, entretanto, senão, ao passo que, antes (= pelo contrário), no entanto, não obstante, apesar disso, em todo caso)
Alternativas
ou, ou… ou, ora… ora, já… já, quer… quer, seja... seja, talvez... talvez
Talvez não é advérbio de dúvida na construção ''Talvez estude, talvez seja reprovado'', pois não indica incerteza, probabilidade nem possibilidade, e sim alternância, é conjunção correlativa.
Conclusivas
logo, portanto, por conseguinte, pois (após o verbo), assim, então, por isso
Explicativas
que, porque, porquanto, pois (antes do verbo)
Não confundir com as causais. Na explicativa, há a justificativa ou explicação de uma sugestão, ordem ou suposição, e na causal, há a causa e consequência de um fato.
CONJUNÇÕES SUBORDINATIVAS
Integrantes (introduzem orações que funcionam como substantivos, com funções sintáticas de sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo, aposto e agente da passiva)
que, se
Adverbiais (introduzem orações que traduzem circunstâncias)
Causais
que, porque, pois, pois que, como, porquanto, visto que, visto como, já que, uma vez que, desde que, na medida em que
Comparativas
como, (tal) qual, tal e qual, assim como, (tal) como, (tão ou tanto) como, (mais) que ou do que, (menos) que ou do que, (tanto) quanto, que nem, feito (= como, do mesmo modo que), o mesmo que (= como)
Concessivas
embora, conquanto, que, ainda que, mesmo que, ainda quando, mesmo quando, posto que, por mais que, por muito que, por pouco que, por melhor que, por pior que, por menos que, se bem que, em que (pese), nem que, dado que, sem que (= embora não), malgrado, não obstante, inobstante
Condicionais
se, caso, contanto que, desde que, salvo se, exceto se, sem que (= se não), a não ser que, a menos que, uma vez que (com o verbo no subjuntivo), dado que.
Conformativas
como, conforme, segundo, consoante
Consecutivas
que (precedido dos termos intensivos tal, tão, tanto, tamanho, às vezes subentendidos), de sorte que, de modo que, de forma que, de maneira que, sem que, que (não)
Finais
para que, a fim de que, que, porque (= para que)
Proporcionais
à proporção que, à medida que, ao passo que, quanto mais… (tanto mais), quanto mais… (tanto menos), quanto menos… (tanto mais), quanto mais… (mais), (tanto)… quanto
Temporais
Quando, enquanto, logo que, apenas, mal (= logo que), sempre que, assim que, desde que, antes que, depois que, até que, agora que, ao mesmo tempo que, toda vez que

Vozes verbais

O assunto agora tem a ver com a flexão do verbo. Este pode se flexionar em número e pessoa; tempo e modo; e voz. É sobre o último caso que conversar com você neste artigo.
Quatro são as vozes do verbo: ativa, passiva, reflexiva e reflexiva recíproca. Vejamos como cada uma delas é caracterizada:
I. ATIVA é indica que o processo verbal foi praticado pelo sujeito do verbo.
Ex.: Cabral descobriu o Brasil.
II. PASSIVA é indica que o processo verbal foi sofrido pelo sujeito do verbo.
Ex.: O Brasil foi descoberto por Cabral.
ATENÇÃO!
Observe, de acordo com os exemplos anteriores, que o SUJEITO da voz ativa (Cabral) torna-se AGENTE DA PASSIVA, assim como o OBJETO DIRETO da voz ativa (o Brasil) torna-se SUJEITO da voz passiva.
Entretanto, quando o SUJEITO da voz ativa for INDETERMINADO, na voz passiva não haverá AGENTE DA PASSIVA.
Ex.: Resolveram as questões. – voz ativa com sujeito indeterminado.
As questões foram resolvidas. (ou Resolveram-se as questões.) – voz passiva sem agente da passiva.
A voz passiva pode ser dividida em verbal (ou analítica) e pronominal (ou sintética).
Ex.: Aquelas crianças foram abandonadas. (verbo auxiliar + verbo principal no particípio = analítica)
Abandonaram-se aquelas crianças. (verbo TRANSITIVO DIRETO + pronome SE = sintética)
Agora considere o seguinte trecho: “[…] Pacientes afetados pela síndrome ultrapassaram muito a ‘fronteira da adaptabilidade às demandas’ […]”. Novamente, vamos treinar a transformação da voz ativa para a passiva.
Há ainda alguns cuidados a respeito das vozes passiva e ativa:
a) Ficou-se feliz com o resultado. Observe a estrutura: verbo de LIGAÇÃO + SE = sujeito indeterminado e voz ativa.
b) Vive-se bem neste lugar. Agora temos verbo INTRANSITIVO + SE = sujeito indeterminado e voz ativa.
c) Precisa-se de professores. Repare: verbo TRANSITIVO INDIRETO + SE = sujeito indeterminado e voz ativa.
d) Ama-se Muito cuidado: verbo TRANSITIVO DIRETO + SE + OBJETO DIRETO PREPOSICIONADO = sujeito indeterminado e voz ativa.
III. REFLEXIVA é indica que o processo verbal é praticado e sofrido pelo sujeito ao mesmo tempo.
Ex.: Não me considero tão importante.
Reservamo-nos o direito de ficar calado.
Ele se deu um presente.
ATENÇÃO!
Observe, de acordo com os exemplos anteriores, que o verbo vem acompanhado de um pronome oblíquo que lhe serve de objeto e representa a mesma pessoa do sujeito.
Na prática, identifica-se a voz reflexiva acrescentando, conforme a pessoa, as expressões a mim mesmoa ti mesmoa si mesmo etc.
Ex.: Feri-me a mim mesmo.
Julgai-vos a vós mesmos.
No plural, a voz reflexiva pode indicar reciprocidade. No singular, indica apenas reflexividade.
Ex.: Os amigos se cumprimentaram.
Amavam-se um ao outro.

Regência nominal

No artigo de hoje, eu trago para você explicações preciosas sobre regência nominal. Esse assunto é muito relevante, pois aparece recorrentemente em provas de concursos públicos e também causa muita dúvida aos usuários da nosso gloriosa Língua Portuguesa. Quem nunca ficou com dúvidas sobre qual preposição empregar diante de um nome que exige um complemento para seu significado? Se isso também já aconteceu com você, leia tudo com bastante atenção. Creio que minhas explicações serão úteis a você. (Opa! Repare a regência.)
Regência nominal é a relação entre um substantivo abstratoadjetivo ou advérbio transitivo e seu respectivo complemento nominal. Essa relação é intermediada por uma preposição. Vejamos três exemplos do que acabei de falar:
A) Os cursos do Ponto têm sido úteis a muitos candidatos. (Observe que o adjetivo “úteis” é seguido por um termo preposicionado que lhe complementa o significado.)
B) Por causa dos cursos do Ponto, muitos candidatos estão mais perto da aprovação. (Agora é o advérbio “perto” que é complementado por um termo introduzido por uma preposição.)
C) Todos vocês têm capacidade para passar no concurso! (Por fim, é a vez do substantivo abstrato “capacidade” ter seu sentido complementado por um termo introduzido por preposição.)
É importante você notar que muitos nomes seguem o mesmo regime dos verbos correspondentes. Conhecer o regime de um verbo significa, nesses casos, conhecer o regime dos nomes cognatos.Abaixo está uma relação de nomes e suas regências que merecem nossa atenção:
 Favorável aÓdio a ou contra
Acostumado a ou comAcessível aOdioso a ou para
Alheio aGrato aPosterior a
Alusão aHábil emPreferência a ou por
Ansioso porHabituado aPreferível a
Atenção a ou paraInacessível aPrejudicial a
Atento a ou emIndeciso emPróprio de ou para
Benéfico aInvasão dePróximo a ou de
Compatível comJunto a ou deQuerido de ou por
Cuidadoso comLeal aResidente em
Desacostumado a ou comMaior deRespeito a ou por
Desatento aMorador emSensível a
Desfavorável aNatural deSimpatia por
Desrespeito aNecessário aSimpático a
Estranho aNecessidade deÚtil a ou para
Estranho aNocivo aVersado em
Atenção especial deve ser dada aos nomes que regem preposição A, por possibilitarem a ocorrência de crase.
Ex:.Você é favorável à volta da CPMF? (…favorável a + a volta…)
A seleção de uma preposição para acompanhar o nome regente parece não ter critérios bem definidos. Em consulta feita ao Dicionário de regimes substantivos e adjetivos[1], de Francisco Fernandes, observam-se, por exemplo, variadas construções possíveis para satisfazer a regência do substantivo dificuldade(s), entre elas estão:
A) “Com pouco mais estaria o Dr. Luís em dificuldades com
B) “O ar carbonifica-se duma espessura ácida, que pelas dificuldades de o respirar propende à sonolência.”
C) “Eu não tive dificuldade em mostrar que Felisbelo procurava apenas uma achega.”
D) “Nunca encontrou dificuldade na realização de seus projetos.”
Observa-se aqui apenas a obrigatoriedade de se contrair a preposição em com o artigo correspondente ao substantivo com o qual forma um constituinte. Isso é o que ocorre em (3).
Há bons dicionários que nos orientam a utilizar as preposições adequadamente. Um deles é o Dicionário prático de regência nominal, do professor Celso Pedro Luft. E é importante lê-los. A omissão ou o uso inadequado da preposição trazem prejuízo à frase.

Advérbios

No primeiro artigo deste ano que se inicia, trago para você considerações interessantes sobre uma classe gramatica quase que deixada de lado pela maioria dos estudantes, a saber, advérbios. Embora renegadas a segundo plano, às vezes essas palavrinhas surpreendem e aparecem em alguns dos concursos mais disputados do país. Tudo pode cair sobre advérbio. As bancas de grande expressão como Cespe, Esaf, Cesgranrio, Vunesp, FCC, FGV e Consulplan, não tratam muito de advérbio e quando o fazem, é dentro de concordância nominal.
Advérbios
Referem-se a um verbo, um advérbio, a um adjetivo ou a toda a oração, acrescentando-lhes informações circunstanciais, acessórias (de tempo, modo, lugar, afirmação, negação, dúvida, intensidade, causa, finalidade, matéria, preço, assunto, meio, instrumento, companhia, concessão, condição, conformidade, frequência, interesse, quantidade, referência, ordem, medida, peso, proporção, reciprocidade, substituição, exclusão, consequência, conclusão etc.). Não sofrem flexão de número e gênero, apenas de grau por meio de derivação, em alguns, como os de intensidade, de tempo, de lugar e de modo, os demais são invariáveis.
Exemplos:
a) Ele chegou cedo. (refere-se à forma verbal “chegou” e indica quando a ação verbal se realizou)
b) Você agiu bastante mal. (refere-se ao advérbio “mal”, intensificando o modo indicado pelo advérbio)
c) Essa é a atitude menos correta. (refere-se ao adjetivo “correta”, adicionando-lhe valor semântico intensificador)
d) Diariamente, resolvemos questões. (refere-se à oração, adicionando-lhe opinião ou ponto de vista)
Em alguns casos, os advérbios podem se referir a uma oração inteira. Nesse caso, normalmente transmitem juízo de valor, ou seja, a avaliação de quem fala ou escreve sobre o conteúdo da oração.
Exemplos:
d) Infelizmente, os deputados aprovaram as emendas.
e) As providências foram infrutíferas, lamentavelmente.
Os advérbios bem e mal, quando juntos a adjetivos (ou a particípios), são empregados na forma analítica para indicar o grau comparativo de superioridade.
Exemplos:
f) O quarto está mais bem pintado (do) que a sala.(a preposição é facultativa nesse tipo de comparação)
g) Joaquim é mais mal educado (do) que Pedro.
Alguns advérbios podem assumir formas diminutivas (e passam a ter valor superlativo) para indicar linguagem afetiva e não necessariamente diminuição de tamanho físico.
Exemplos:
h) Chegaram agorinha.
i) Terminei a prova rapidinho.
Ocorrendo o emprego sequencial de advérbios finalizados em mente, a terminação pode ser usada apenas no último advérbio ou em todos eles, por motivos de ênfase.
Exemplos:
j) Calma e silenciosamente, a aluna repassava os ensinamentos.
k) Calmamente e silenciosamente, a aluna repassava os ensinamentos.
ATENÇÃO! É possível que alguns adjetivos sejam empregados como advérbios. Nesse caso, aqueles ficam invariáveis.
Exemplos:
l) Não falem alto!
m) As aulas de Língua Portuguesa não custam caro.

Assinale a frase em que as palavras destacadas em negrito correspondem, pela ordem, a substantivo, adjetivo & advérbio.

a) Feliz a nação que emprega bastantes recursos na educação.
b) As escolas organizadas fazem um extraordinário bem à educação.
c) O governo que acultura seu povo passa à história.
d) Educação e cultura fazem forte um país bem promissor.
e) A preparação da juventude forja o amanhã de um país.

Resposta: D

A = adjetivo, substantivo, pronome
B = substantivo, adjetivo, substantivo
C = substantivo, pronome, substantivo
E = substantivo, substantivo, substantivo

As funções do se

O último final de semana foi realmente espantoso. Todos assistimos, perplexos, à sucessão de despachos que se sobrepuseram no episódio da tentativa de libertar Lula. Em meio às falas de juízes, advogados, promotores, jornalistas etc., uma frase atribuída a Cristiano Zanin, advogado de defesa de Lula, e publicada em https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2018/07/09/moro-se-comportou-como-se-fosse-um-inimigo-diz-advogado-de-lula.htm(acesso em 10/07/2018) me chamou a atenção: “Moro ‘se comportou como se fosse um inimigo’, diz advogado de Lula”. Não que eu queira aqui emitir um juízo de valor sobre o teor dessa declaração ou mesmo sobre a atitude do juiz Sergio Moro. Minha intenção neste artigo é simplesmente aproveitar a tal frase de Zanin para analisar aspectos morfológicos e sintáticos do “se”, que foi duplamente empregado pelo defensor do ex-presidente.
Morfologicamente, o “se” é identificado como:
  1. parte integrante do verbo (acompanha os chamados verbos reflexivos essenciais, os seja, expressam uma ação que o sujeito não pode exercer efetivamente sobre outro ser)
Ex.: A turma queixou-se da prova.
  1. partícula expletiva ou de realce (usado simplesmente por uma questão de realce ou ênfase; sua retirada da frase não afeta a coesão nem a coerência)
Ex.: Todos já se foram.
Ela riu-se com a pergunta.
  1. substantivo (acompanhado de artigo, de numeral ou de pronome adjetivo (possessivo, demonstrativo, indefinido, interrogativo ou relativo) ou especificando outro substantivo)
Ex.: Nenhum se deixará de ser estudado.
O revisor retirou o se da frase.
A palavra se possui vários usos.
  1. conjunção (conecta orações subordinadas às suas orações principais)
Ex.: Não sei se ele virá. (integrante)
Se vier, traga uma garrafa de refrigerante. (condicional; equivale-se a caso)
Se não me amas, só me resta partir. (causal; equivale-se a já que)
Se o via derrubado, nem por isso o respeitava. (concessiva; equivale a embora)
Se o estilo reflete o homem, o idioma é o espelho da cultura de um povo. (comparativa; equivale a assim como)
  1. pronome apassivador (ocorre com verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos em estrutura de voz passiva; indica que a ação verbal recai sobre o sujeito)
Ex.: Vendem-se casas.
Doaram-se alguns livros à escola.
  1. índice de indeterminação do sujeito
Ex.: Precisa-se de ajudantes. (VTI + SE)
Brinca-se muito neste lugar. (VI + SE)
É-se feliz aqui. (VL + SE)
Ama-se a Deus. (VTD + SE + PREPOSIÇÃO - objeto direto preposicionado)
  1. pronome reflexivo/recíproco (quando o sujeito praticar a ação sobre si mesmo/quando transmitir a ideia de que a ação reflete no próprio sujeito - reflexivo ou a ação é mútua entre os sujeitos - recíproco)
Ex.: O açougueiro se cortou com a faca.
Os parlamentares se insultaram em plena sessão pública.
Sintaticamente, o “se” (pronome reflexivo/recíproco) pode desempenhar as seguintes funções, retomando o sujeito da ação, substituindo-o:
  1. objeto direto (função corrente, indica que o agente e o paciente da ação verbal são os mesmos)
Ex.: A vítima medicou-se. (= a vítima)
  1. objeto indireto (função mais literária)
Ex.: Ele impôs-se severo regime. (…a ele…)
  1. sujeito (de um verbo no infinitivo; faz parte de um período composto cuja oração principal apresenta um verbo causativo – mandardeixar e fazer – ou sensitivo – verouvir, sentir e perceber)
Ex.: Deixou-se ficar na cadeira de balanço.
Na frase “Moro ‘se comportou como se fosse um inimigo’, diz advogado de Lula”, constata-se que, na primeira ocorrência, o se é parte integrante do verbo comportar-se e, na segunda, é parte de uma expressão expletiva ou de realce (“se fosse”). Experimente retirá-la e verá que não faz falta. Em ambos os casos, ele não exerce função sintática no período.