3 de dezembro de 2019

Inglês - Artigos

Artigos - Articles

Artigo é a classe de palavras que se antepõe ao substantivo para definir, limitar ou modificar seu uso. Os artigos dividem-se em definido e indefinido.
A seguir, estudaremos cada um deles.

O Artigo Definido (The) -  The Definite Article (The)

O Artigo Definido The é usado antes de um substantivo já conhecido pelo ouvinte ou leitor. Significa O, A, OS, AS, mas, em Inglês, é invariável em gênero e número, ao contrário do que acontece no Português. Exemplos:
The boy - O menino
The boys - Os meninos
The girl - A menina

The girls - As meninas

Quando usar o Artigo Definido - When to use the Definite Article

Utiliza-se o The diante de:
1. Substantivos mencionados anteriormente, já definidos pelo locutor:
He wrote some letters and postcards. The letters were to his girlfriend.
Ele escreveu algumas cartas e cartões-postais. As cartas eram para sua namorada.
Mary bought a funny dress. The dress is full of small animals and big flowers.
Mary comprou um vestido engraçado. O vestido é cheio de animaizinhos e flores enormes.
2. Substantivos únicos em sua espécie:
The Sun (o sol), the Moon (a lua), the sky (o céu), the planet Earth (o planeta Terra), the universe (o universo), etc.
3. Nomes Geográficos de rios, mares, canais, oceanos, pólos, desertos, golfos, grupos de ilhas e cadeias de montanhas:
The Amazonas River, The Pacif Ocean, The English Channel (O Canal da Mancha), The North Pole, The Sahara, The Gulf of Mexico, The Bahamas, The Alps, etc.
4. Adjetivos usados como substantivos no plural:
The poor (os pobres), The powerful (os poderosos), The good (os bons), The bad (os maus)
Observação: Como podemos proceder, então, para os substantivos no singular? Como dizer, por exemplo, "o poderoso" ou "a pobre"? Veja:
The powerful man helped the poor woman.
O poderoso ajudou a pobre.
Note que especificamos a quem o adjetivo está se referindo (adjetivo + substantivo)
5. Nomes compostos de países:
The United Kingdom (o Reino Unido)
The United States (os Estados Unidos)
The United Arab Emirates (os Emirados Árabes Unidos)
The Dominican Republic (a República Dominicana)

O Artigo Definido (The) - continuação

6. Com nomes próprios para indicar a família toda ou especificar a pessoa sobre a qual se fala (mas nunca se usa artigo antes de nomes próprios e de possessivos):
The Martins went to the restaurant they like.
Os Martin foram ao restaurante que gostam.
The Kennedys are a famous family.
Os Kennedy são uma família famosa.
The John I'm talking about is Jane's brother.
O John de quem estou falando é o irmão da Jane.
Peter is my Friend. (e não "The Peter is my friend")
O Peter é meu amigo.
We are selling our house. (e não "We are selling the our house")
Estamos vendendo (a) nossa casa.
7. Antes de nomes de instrumentos musicais e ritmos/danças:
John plays the piano very well.
John toca piano muito bem.

That girl who is playing the clarinet is Martha's sister.
Aquela garota que está tocando clarinete é irmã da Martha.
Mary likes the saxophone.
Mary gosta de saxofone.
Valéria dances the samba graciously.
Valéria dança samba graciosamente.
Juan dances the tango like a professional.
Juan dança tango como um profissional.
8. Com nomes de jornais:

The Economist, The New York Times, The Washington Post
9. Com a maioria dos nomes de edifícios:

The Capitol, The Empire States, The Louvre, The Kremlin, The Taj Mahal, The Vatican

Exceções: Buckingham Palace e todos os edifícios com a palavra hall (Carnegie Hall, Lilly Hall).
10. Diante de nomes de cinemas, teatros, hotéis, restaurantes, clubes, museus, bibliotecas e galerias de arte:

There's a foreign film festival at the Paramount.
Há um festival de filmes estrangeiros no Paramount.

I saw Barbra Streisand at the Palladium in 1975.
Eu vi Barbra Streisand no Palladium em 1975.

They have a reservation at the Plaza for next week.
Eles têm uma reserva no Plaza para a semana que vem.

We are going to have dinner at the Chinese Palace.
Nós vamos jantar no Chinese Palace.

They plan to go dancing at the Apollo.
Eles planejam ir dançar no Apollo.

You must visit the British Museum.
Você precisa visitar o Museu Britânico.

The lecture at the Boston Library will start at seven o'clock.
A palestra na Boston Library começará às sete horas.
11. Com os superlativos:
Tony is the tallest guy in our group.
Tony é o cara mais alto do nosso grupo.
Hellen is the best teacher I've ever had.
A Hellen é a melhor professora que eu já tive.

12. Com o grau comparativo, para indicar que duas coisas aumentam ou diminuem na mesma proporção:
The more she gets, the more she wants.
Quanto mais ela consegue, mais ela quer.
The more I study philosophy, the less I understand it.
Quanto mais eu estudo filosofia, menos eu entendo.
13. Com numerais ordinais indicando ênfase numérica:

This is the first time she comes to Brazil.
Esta é a primeira vez que ela vem ao Brasil.

O Artigo Definido (The) - continuação

Quando NÃO usar o Artigo Definido - When NOT to use the Definite Article

Omite-se o The quando temos:
1. Nomes de cidades, estados, ilhas, países, continentes:
Brazil is a very large country.
O Brasil é um país muito extenso.
Roraima is Brazil's Northernmost state.
Roraima é o estado mais ao norte do Brasil.
Hawaii is in Oceania.
O Havaí situa-se na Oceania.
Asia is bigger than Europe.
A Ásia é maior que a Europa.
Rio is a beautiful city.
O Rio é uma cidade linda.
They will stay in Las Vegas for a while.
Eles passarão um tempo em Las Vegas.
2. Nomes próprios e pronomes possessivos:
Mary's best friend is Bob.
O melhor amigo da Mary é o Bob.
I think our gold was stolen. (E não "I think the our gold was stolen")
Acredito que o nosso ouro foi roubado.
3. Substantivos no plural utilizados em sentido genérico:
People all over the world want to be happy.
As pessoas em todos os cantos do mundo querem ser felizes.
Children like toys.
As crianças gostam de brinquedos.
Man is mortal.
O homem é mortal.
Brazilians love soccer.
Os brasileiros adoram futebol.
Importante:
Os substantivos contáveis (countable nouns) são aqueles que admitem plural, ou seja, a maioria. Ex: cat (gato), computer (computador), hot dog (cachorro-quente).
Os substantivos incontáveis (uncountable nouns) são os que, em inglês (às vezes, também, em português), não admitem plural. Exemplos: gold (ouro), information (informação), money (dinheiro), advice (conselho). Quando o substantivo é contável e está sendo usado em sentido genérico no singularemprega-se o artigo:
The cat is a domestic animal.
O gato é um animal doméstico.
Mas: Cats are domestic animals.
Os gatos são animais domésticos.
The computer is a wonder of technology.
O computador é uma maravilha da tecnologia.
Mas: Computers are wonders of technology.
Os computadores são maravilhas da tecnologia.
Note que o artigo é omitido somente no plural, mas no singular, não!

O Artigo Definido (The) - quando não usar (continuação)

4. Substantivos abstratos ou os que indicam material:
We all need some little happiness.
Todos nós precisamos de um pouquinho de felicidade.
Most people fear death.
A maioria das pessoas tem medo da morte.
Diamond is a girl's best friend.
O diamante é o melhor amigo da mulher.

Silk is much used in summer.
A seda é bastante usada no verão.
Importante: Quando esses substantivos são especificados, o artigo é sempre usado:
The happiness she feels seems to be artificial.
A felicidade que ela sente parece ser artificial.
The death of the milkman is still a mystery.
A morte do leiteiro ainda é um mistério.
The diamond Paul gave her is beautiful.
O diamante que Paul lhe deu é lindo.
The silk my aunt brought from China is expensive.
A seda que minha tia trouxe da China é cara.
5. Substantivos que denotam esportes, ciências, disciplinas acadêmicas, cores, refeições, estações do ano, meses e dias da semana:

Tennis is very popular in Australia.
O tênis é muito popular na Austrália.
Biology is an important science.
A Biologia é uma ciência importante.
Chemistry and Physics are required for that course.
Química e física são exigidas para aquele curso.
Yellow is Steve's favorite color.
O amarelo é a cor favorita de Steve.
I'm going to the bank after lunch.Vou ao banco depois do almoço.
Dinner will be served at eight.
O jantar será servido às oito.
Could you please send me the books on Monday?
Você poderia, por gentileza, me enviar os livros na segunda-feira?
Mas: The blue of her eyes is stunning.
O azul dos olhos dela é estonteante.
The lunch my grandma offered us was delicious.
O almoço que minha vó nos ofereceu estava delicioso.
The winter we spent in London was unforgettable.
O inverno que passamos em Londres foi inesquecível.
Observe que os substantivos destacados nesse último grupo estão empregados em sentido específico.
6. Títulos ou designações de cargos, apesar de levarem o artigo, como em Português, devem ser usados sem artigo quando acompanhados de nome próprio:
The president came to our city. O presidente veio à nossa cidade.
Mas: President Kennedy was murdered. O presidente Kennedy foi assassinado.
The Queen of England lives in London. A rainha da Inglaterra mora em Londres.
Mas: Queen Elizabeth II was crowned in 1953. A Rainha Elizabeth II foi coroada em 1953.
The doctor is visiting his patients. O médico está visitando seus pacientes.
Mas: Doctor Varella is visiting his patients. O doutor Varella está visitando seus pacientes.
The captain spoke to the soldiers. O capitão falou aos soldados.
Mas: Captain Smith spoke to the soldiers. O capitão Smith falou aos soldados.
7. Certos substantivos como bed, church, court, hospital, prison, college, school, market, home, society e work, quando usados para a finalidade à qual se destinam normalmente:

Our children go to bed at nine.
Nossos filhos vão para a cama às nove.
We go to church every Sunday to attend the Mass.
Nós vamos à igreja todos os domingos para participar da Missa.

He'll send them all to court.
Ele vai levá-los todos para os tribunais.

Tony is very sick. He is still in hospital.
Tony está muito doente. Ele ainda está no hospital.
The thieves were sent to prison.
Os ladrões foram mandados para a prisão.
Frank attends college in Florida.
Frank frequenta uma faculdade na Flórida.
They don't go to market on Saturdays because it's the most crowded day.
Eles não vão ao mercado aos sábados porque é o dia mais lotado.
The students went home earlier.
Os estudantes foram para casa mais cedo.

My wife goes to work on foot.
Minha esposa vai para o trabalho a pé.
8. Antes das palavras next e last, em expressões temporais:
We all plan to fly to Europe next semester.
Nós todos planejamos viajar para a Europa no semestre que vem.

Last week, Melanie didn't come to school because she was sick.
Na semana passada, Melanie não veio à escola porque estava doente.
9. Diante de palavras que se referem a idiomas:

They want to speak English fluently.
Eles querem falar Inglês fluentemente.
French and Rumanian are also romance languages.
O francês e o romeno também são línguas neolatinas.
Chinese is a very difficult language.
O Chinês é uma língua muito difícil.

Os Artigos Indefinidos (A/An) - The indefinite articles (A/An)

Os artigos indefinidos A e An acompanham o substantivo do qual o falante/leitor ainda não tem conhecimento. Siginificam, em Português, UM ou UMA, e não variam em gênero nem em número, ao contrário do português. São utilizados da seguinte forma:
1) A (um, uma) é utilizado antes de palavras que iniciem por som de consoante, ou seja, antes de consoantes, da semivogal Y e do H sonoro/audível:
A book (um livro)
house (uma casa)
A year (um ano)
university (uma universidade)
Atenção:
Note que também se deve empregar o artigo A antes de palavras que iniciem por "EU""EW" e "U", já que essas letras têm o som de consoante quando aparecem no início de palavras. Exemplos:
A Euphemism is the act of substituting a mild, indirect, or vague term for one considered harsh, blunt, or offensive.
Um Eufemismo é o ato de substituir por um termo moderado, indireto ou vago aquele considerado rude, brusco ou ofensivo.
My uncle has a ewe in his farm.
Meu tio tem uma ovelha em sua fazenda.
Nowadays, English is a universal language.
Hoje em dia, o Inglês é uma língua universal.
2) AN (um, uma) é utilizado antes de palavras que iniciem por som de vogal, ou seja, antes de vogais e do mudo/não audível:
An egg (um ovo)
An evening (uma noite)     
An opera (uma ópera)          
An
 arm (um braço)
Atenção: No Inglês existem apenas quatro palavras que iniciam por H mudo/ não-audível:

heir (herdeiro)

honest (honesto)

hour (hora)

honor (honra)
juntamente com seus derivados, que devem ser precedidas por AN. Veja os exemplos:
In Machado de Assis' Quincas Borba, Rubião is an heir of the philosopher Quincas Borba.
Em Quincas Borba, de Machado de Assis, Rubião é um herdeiro do Filósofo Quincas Borba.
There are simple things for saving the Earth that take less than an hour to be done.
Há coisas simples para salvar o planeta que levam menos de uma hora para serem feitas.
If there were an honest intention that moment, the mayor wouldn't promise so many things.
Se houvesse uma intenção honesta naquele momento, o prefeito não prometeria tantas coisas.
Ladies and Gentleman: it's an honor sharing this fantastic night with you!
Senhoras e Senhores: é uma honra dividir essa noite fantástica com vocês!

Os Artigos Indefinidos (A/An) - continuação

Quando usar o Artigo Indefinido - When to use the Indefinite Article

Empregamos o artigo indefinido A ou An diante de:
1. Substantivos que denotam profissão:
Michael wants to be a doctor.
Michael quer ser um médico.
Marcos Pontes is an astronaut.
Marcos Pontes é um astronauta.
2. Substantivos que indicam nacionalidade:
- Who won the race? (Quem ganhou a corrida?)
- It was a German. (Foi um alemão.)
Certas nacionalidades têm duas palavras diferentes: uma para o adjetivo e outra para o substantivo. Apresentamos as principais:
AdjetivoSubstantivo
inglêsEnglish / BritishEnglishman
francêsFrenchFrenchman
escocêsScottishScotsman
irlandêsIrishIrishman
suecoSwedishSwede
dinamarquêsDanishDane
holandêsDutchDutchman
espanholSpanishSpaniard
3. Substantivos que denotam religião:
Mary is devout Catholic.
Mary é uma católica devota.
4. Antes de um substantivo singular e contável, usado como exemplo de uma classe ou grupo:

A lion has a mane.
Leão tem juba.

A dog is a good companion.
O cachorro é um bom companheiro.

A politician is usually corrupt.
Político é normalmente corrupto.
5. Diante das palavras few e little com sentido positivo (algum, alguns = o suficiente):
I can see a few buildings in the distance. (a few = um pequeno número, antes de substantivos contáveis)
Posso avistar alguns prédios ao longe.
I'd like a little milk in my coffee, please. (a little = uma pequena quantidade, antes de substantivos incontáveis)
Gostaria de um pouco de leite em meu café, por favor.

6. Antes de numerais ou substantivos que implicam quantidade:

Grace Kelly has a hundred pairs of high-heeled shoes.
Grace Kelly tem uma centena de pares de sapato de saltos altos.
The President told us a thousand lies.
O Presidente nos contou mil mentiras.

She bought a dozen eggs to cook a dessert.
Ela comprou uma dúzia de ovos para fazer uma sobremesa.
Saiba mais sobre os números em inglês na seção Matemática no Inglês.
7. Depois da palavra what ("que" com sentido enfático), such (tal, tais) e half (meio / meia), precedendo substantivos contáveis:
What a terrible movie we watched!
Que filme horrível assistimos!
Mas: What complete research you presented! Congratulations! (research = substantivo incontável)
Que pesquisa completa você apresentou! Parabéns!
I've never seen such a wild storm.
Nunca vi uma tempestade tão violenta.
8. Também utiliza-se o artigo indefinido com sentido de por em expressões como "preço por quilo", "km por hora", "vezes por dia", etc.:
one real a kilo (um real por quilo)
ninety kilometers an hour (noventa quilômetros por hora)
three times a day (três vezes ao dia)
two times a week (duas vezes por semana)
four times a year (quatro vezes por ano)

Os Artigos Indefinidos (A/An) - continuação

Quando NÃO usar o Artigo Indefinido - When NOT to use the Indefinite Article

Não são empregados "A" ou o "An" quando temos:
1) Substantivos no Plural - "A" e "An" NÃO equivalem a UNS nem a UMAS. São utilizados somente com substantivos no singular!
2) Antes de substantivos incontáveis (embora façamos isso no Português). Nesses casos, usamos SOME. (Confira na seção dos uncoutable nouns quais são os substantivos incontáveis no Inglês):
I'll give you some advice: don't call him today.
Vou te dar um conselho: não ligue pra ele hoje.
Can you lend me some money?
Você pode me emprestar um (algum) dinheiro?

Numerais Um/Uma ou Artigos Indefinidos A/AN? - "One" or Indefinite Articles?

Como saber quando utilizar A/An ou ONE, se, no Inglês, os três podem ser traduzidos por Um ou Uma? Apresentamos algumas dicas que lhe ajudarão:
1. Para  nos referirmos a UMA unidade de algo podemos utilizar, antes de um Substantivo Contável no Singular, tanto o numeral ONE como os artigos indefinidos A/AN:
We'll be in New Zealand for one year. (or ...a year.)
Ficaremos na Nova Zelândia por um ano.
Wait here for one minute, and I'll be with you. (or ...a minute...)
Espere aqui por um minuto, que eu estarei com você.
2. Utilizamos ONE para enfatizar extensão de tempo, quantidade, valor, etc.
He weights one hundred and twenty kilos! Would you believe it?
Ele pesa cento e vinte quilos! Dá para acreditar?
Observe que na oração acima, ao se utilizar ONE, dá-se maior ênfase ao peso do que se utilizássemos o artigo A.
Saiba mais sobre os números em inglês na seção Matemática no Inglês.
3. Utilizamos necessariamente o ONE, em vez de A/AN, quando queremos enfatizar que estamos nos referindo a somente UMA coisa ou pessoa, em vez de duas ou mais:
Do you want one sandwich or two?
Você quer um sanduíche ou dois?
Are you staying only one day?
Você ficará somente um dia?
I just took one look at her and she started laughing. Crazy girl!
Foi só eu dar uma olhada pra ela que ela começou a rir. Garota doida!
4. Utilizamos ONE na expressão-padrão one...other/another
The choreography works just like this: give me one hand, and then the other...
A coreografia funciona bem assim: você me dá uma mão, e depois a outra...
Bees carry pollen from one plant to another.
As abelhas carregam pólen de uma planta para outra.
5. Também utilizamos ONE em expressões como one dayone eveningone spring, etc. para indicar dia, noite, primavera, etc. sem os especificar:
Hope to see you again one day.
Espero te ver novamente um (qualquer) dia.
One evening, when he was working late at the office, he receveid a call: the mysterious call...
Uma (certa) noite, em que ele trabalhava até tarde no escritório, ele recebeu um telefonema: o misterioso telefonema...

Encerramento do Último Capítulo - Páginas da Vida - Reprise no Vale a Pena Ver de Novo (estilo Globo Internacional)

Elenco:
Alexandre Barbalho – enfermeiro
Alexandre Moreno – promotor
Aline Aguiar – Luciana
Ana Botafogo – Elisa
Ana Carolina Dias – Maria
Ana Furtado – Lívia
Ana Luiza Folly – médica
Ana Paula Arósio – Olívia
Ana Roberta Gualba
André Frateschi – Dorival
Andréa Mattar – garçonete
Ângela Leal – Hilda
Ângelo Antonio – Miroel
Antonio Calloni – Gustavo
Arlete Montenegro – Yolanda
Armando Babaioff – Felipe
Arnaldo Marques
Arthur Kohl
Beatriz Blancsak – Juliana
Bete Mendes – irmã Natércia
Buza Ferraz – Ivan
Caco Ciocler – Renato
Camilo Bevilacqua
Carlos Evelyn
Carlos Meceni
Carlos Mossi
Carol Nassif – Bia
Carolina Bezerra – Margareth
Carolina Oliveira – Gabriela
Carolyna Aguiar – Carla
Christine Fernandes – Simone
Clara Garcia
Cláudia Mauro – Angélica
Cláudia Borioni – Laura
Claudia Provedel – Flávia
Daniel Zubrinsky – Celso 
Daniela Galli – Marilia
Daniela Oliverti – Laís
Danielle Winits – Sandra
Dayse Pozato
Deborah Evelyn – Anna
Domingos Meira
Douglas Simon
Duda Nagle – Fred
Edson Celulari – Silvio
Eduardo Lago – Ubirajara
Eduardo Machado
Eliane Narducci
Elisa Lucinda – Selma
Ênio Gonçalves – Oscar
Eva Wilma – participação especial
Fernanda Vasconcellos – Nanda
Fernando Eiras – Rubinho
Flávia Pucci – Juliana
Frank Borges – Tiago
Gabriel Lepsch – Tidinho
Gabriel Kaufman – Francisco
Georgiana Góes – Norma
Gigi Monteiro – Regina
Gilles Gwizdek – padre
Glória Menezes – Lalinha
Grazielli Massafera – Thelma
Haylton Faria
Helena Ranaldi – Márcia
Henrique Cesar – Dr. Moretti
Hylka Maria – Odete
Ig Vieira
Inez Viana – irmã Fátima
Isaac Bernard
Jéssica Marina – Vânia
Joana Mocarzel – Clara
Joelma Paula
Joelson Medeiros – Domingos
Jorge de Sá – Salvador
José Mayer – Gregório
Juana Garibaldi – Adtiana
Julia Carrera – tatiana
Julia Fajardo – Roberta
Julio Braga
Larissa Brascher
Leandra Leal – Sabrina
Letícia Sabatella – irmã Lavínia
Lilia Cabral – Marta
Ligia Cortez – Cecília 
Louise Cardoso – Diana
Luana Carvalho – Lili
Lucci Ferreira – Horácio
Luciano Chirolli – Eliseu Matos
Luciele di Camargo – Camila
Luma Costa – Francis
Manoela do Monte – Nina
Marcelo Novello – Américo
Marcos Caruso – Francis
Marcos Caruso – Alex
Marcos Henrique – Washington
Marcos Paulo – Diogo
Mario Cardoso
Marjorie Estiano – Marina
Marly Bueno – irmã Maria
Max Fercondini – Sérgio
Miguel Lunardi – Gabriel
Myriam Martins – Diva
Murilo Grossi
Natália do Vale – Carmen
Nathalia Timberg – Hortênsia 
Nina Morena – Vandinha
Olivetti Herrera
Orion Ximenes
Paulo César Grande – Lucas
Pedro Jordão – Tiago
Pedro Neschling – Rafael
Pérola Faria – Giselle
Pietro Mário
Quitéria Chagas – Dorinha
Rachel de Queiroz – Giselle, aos dez anos
Rafael Almeida – Luciano
Rafael Machado – Guilherme
Rafaela Amado
Regiane Alves – Alice
Regina Duarte – Helena
Renata Sorrah – Tereza
Roberta Rodrigues – Paula
Roberto Frota – Marco Aurélio 
Sabrina Rosa – Célia
Sandra Hansen – Cida
Selma Reis – irmã Zenaide
Sidney Sampaio – Vinícius
Silvia Salgado – Verônica
Silvio Pozatto
Sônia Braga – Tônia Werneck
Sthefany Brito – Kelly
Suzana Abrabches
Suzana Gonçalves – Dirce
Tâmara Taxman
Tarcísio Meira – Aristides
Tato Gabus – Leandro
Thalita Carauta – Lídia
Thayane Campos – Catarina
Thelma Reston
Thiago Lacerda – Jorge
Thiago Picchi – Marcelo
Thiago Rodrigues – Leonardo
Umberto Magnani – José Ribeiro
Ursula Simas – paciente
Viétia Zangrandi – Carol
Vinícius Manne – médico
Vinícius Marquez – Dr. Paulo
Viviane Pasmanter – Isabel
Wal Schneider
Walderez de Barros – Constância Ribeiro
Waldyr Gozzi
Walmor Chagas – participação especial
William Vita
Xuxa Lopes – Hilda
Zé Victor Castiel – Machadão
Zé Carlos Machado – Nestor

Ficha técnica:
Pesquisa de texto: Juliana Peres e Mariana Torres
Pesquisa de imagem: Madalena Prado de Mendonça
Consultoria: Virgínia Casé
Depoimentos: Gustavo Nogueira
Cenografia: Gilson Santos, Erika Lovisi, Kaka Monteiro, Ana Maria Mello, Maurício Holfs, Alexandre Gomes, Mônica Aurenção
Cenógrafos assistentes: Anne Marie, Gilmar Ventura, Paula Camargo, Wilson de Lara, Ana Paula Diniz, Diana Domingues, Sylvia Barroso, Marcia Bezerra de Melo, Débora Costa, Ana Aline, Alexis Pabliano, Luiz Pimentel, Regina Valentino, Hugo César, Cavalcante
Figurino: Marília Carneiro, Christina Gross
Consultora de estilo: Eliza Conde
Figurinistas assistentes: Claudia Damasceno, Flávia Azevedo, Paula Carneiro, Márcio Maciel, Regina Raposo
Equipe de apoio ao figurino: Luiz Correia, Carla Santos, Ângelo Fintelmanna, Benilda Conceição, Eni dos Santos, Graciela Gimenez, Júnior Miranda, Luis Carlos de Souza, Márcia Epifânia, Neide Aparecida, Nilza Rodrigues, Rildo Teodoro, Sérgio Rangel, Tony Lemos, Vânia de Lima
Consultor de fotografia: Affonso Beato
Direção de fotografia: Adriano Valentim
Equipe de iluminação: Altino Firmino do Nascimento, Carlos Eduardo Gomes, Dorgival Félix da Silva, Francisco Gonçalves da Silva, Jair Mathias, Rafael Xavier Fernandes, Alexandre C. da Silva, Alexandre R.N.da Costa, Julio Rosa, Marcio Estevão, Thiago Costa, José Rosa
Direção de arte: Mário Monteiro
Produção de arte: Tiza de Oliveira
Produção de arte assistente: Fatima Guinard, Fernanda Bedran, Myriam Mendes, Lara Tauzs, Camila Delamonica
Equipe de apoio à arte: Délio Xavier de Oliveira, Ilbernon Jorge de Faria, Marcos Tadeu de Paula Rabelo, Roberto Malvino dos Santos, Stellio Rosa de Almeida
Produção de elenco: Nelson Fonseca
Instrutora de dramaturgia: Rossela Terranova
Consultoria musical: Hermano Vianna
Produção musical: Alberto Rosenblit
Direção musical: Mariozinho Rocha
Consultoria de dublagem: Marly Santoro de Brito
Desenho de caracterização: Alê Souza
Caracterização: Celeste Randall, Graça Torres
Equipe de apoio à caracterização: Adélia Telles, Adriano Marques, Aloir Thomaz, Ancelmo Saffi, Carlos Soares, Claudia Cruz, Everton Soares, Iolanda Teixeira, Josicler Rodrigues, Maria do Socorro Baptista, Maxwell Soares, Sônia Silva, Wilma Costa
Edição: José Carlos Monteiro, Ubiraci de Motta, Paulo Jorge Correia, Luiz Eduardo Guimarães
Sonoplastia: Júlio César Corrêa, Irapuã Jardim
Efeitos sonoros: Eduardo Silva, Adailton Bernardes, Ricardo Cadila, Nelson Seródio
Mixagem: Marco Villa Nova
Computação gráfica: Toni Cid, Paula Souto, Cristina Queiroga
Videografismo: Alessandra Ovídio
Efeitos especiais: Marco de Paula
Abertura: Hans Donner, Alexandre Pit Ribeiro, Roberto Stein
Direção de iluminação: Carlos Alberto Ribeiro, Jandir Magalhães, Roberto Soares do Nascimento
Direção de imagem: Cassiano Filho
Câmeras - externa e estúdio: J. Passos, Lizanias Azevedo de Souza, Marcelo Pereira de Oliveira, Jovani Augusto de Andrade Rios, Thelso Batista Gaertner, Marco Parada, Ricardo Silveira
Equipe de apoio à operação de câmera: José Jorge Roberto Martins, José Marcos Pereira da Silva, Marcus Vinicius, Marino Vilela de Magalhães, Alex T.Muller, Marcio Willians de Oliveira Lima
Equipe de vídeo: Willian Marinho Gavião, Claudio da Silva Sargo, Carlos Eduardo de Souza Reis, Michele Soares
Equipe de áudio: Carlos Roberto Moreira de Souza, Carlos Schuchardt de Macedo, Gilberto Ramiro, Gustavo Borges L.Nunes, José Maria Batista Lucas, Josias Guimarães, Luiz Ferreira, Ronaldo Celso Tavares de Paiva
Supervisor e op. sistema: Marco Antônio Cheriff, Augusto Palmieri
Gerente de projetos: Marco Antônio Tavares
Supervisão de produção de cenografia: Guilherme Senges, Antônio Carlos Pereira, Lenilson Scarpini, Roberto Rodrigues, Uilton Nascimento, Valdeci dos Santos
Equipe de cenotécnica: Allan Branco, Ana Paula C. de Lima, Bruno Massunaga, Carlos Lengruber, Eduardo Pinheiro, Julio Batista, Luis Leal, Queila Costa, Rodrigo Almeida, Rosalie Anne, Tatiana Cunha, Altamir de O.Dias, André Luiz Vieira, Antonio Carlos Esperança, Cícero Luiz da Silva, Claudiano Ferreira, Claudionor Roberto da Silva, Cosme José da Silva, Edson Cardoso de Andrade, Edvaldo S.Egito, Eli Sandro Firmino, Emerson Vago, Ernani Moura de Souza, Fabio Candido, Fábio Rodrigues de Oliveira, Gelson Domingos, Gerson Alves de Oliveira, Gerson Nunes Filho, Gisele Laura, Helvis Mariano Celestino, João Batista O.Pinto, Joel Nascimento, Jorge Cabral da Silva, Jorge Ferreira, Luis Roberto Divino, Luiz Carlos Cardoso, Luiz Claudio Araújo, Luiz Claudio Soares, Luiz de Matos Gomes, Marcelo B.Veras, Marcelo Fernandes da Silva, Marcelo Gomes, Marcelo Oliveira Dias, Marcio S.da Silva, Marco Aurélio de Moraes, Marcos Dantas Guilherme, Maria de Fátima Almeida, Mário Durval de Almeida, Monica Santos, Nilson Miguel Leal, Oswaldo Arthur S.M.Sarmento, Paulo Sérgio Sardinha, Pedro Batista J.Braz, Reinaldo da Cruz Maciel, Rubnei da Silva Torres, Sérgio Rodrigues, Silênio de Jesus Novo, Washington Luiz Santiago, Willian Gomes Felinto, Wilson J.dos Santos
Continuidade: Silvia Moreiras, Eliane Freitas, Tatiana Lima, Joana Portes
Assistentes de direção: Maria José Rodrigues, Leonardo Nogueira, Adriano Melo, Mariana Richard, Fred Saddi-Naccache L.
Produção de engenharia: Marco Gesualdi
Equipe internet: Guilherme Dutra, Walter Dhein, Bruno Deminco, Claudia Esteves, Gabriela Duarte
Equipe de produção: Mônica Fernandes, Renata Bonora, Caren Olivieri, Carlos Herbas, Cláudio Nunes, Fábio Távora, Inã Cristina, Luiz Jovita, Nilton Canavezes, Rodrigo Lassance, Tatiana Poggi, Cindy Duarte
Coordenação de produção: Chantal Goldfinger
Supervisão executiva de produção: Erika da Matta, Anna Beatriz Besser, Cesar Nogueira, Jayme Henriques, Renato Azevedo
Supervisão executiva de produção de linha: Marília Fonseca
Produção Holanda: John Trapman, Robert Becker
Supervisão de operações: Antônio Pestana, Antônio Catarino, Wandemberg Brasil e Wagner Lopes
Gerência de operações: Augusto Seixas 
Gerente de desenvolvimento de produto: Ramona Bakker
Analista de desenvolvimento de produto: Liliane Deluiz
Edição internacional: Ludmila Victorio de Carvalho
Sonoplastia internacional: Gabriel Pinto
Gerência de produção: Claudia Braga
Direção de produção: Guilherme Bokel
Núcleo: Jayme Monjardim
Merchandising: Ricardo Eletro 

2 de dezembro de 2019

Base V - Novo Acordo Ortográfico

O emprego do e e do i, assim como o do o e do u, em sílaba átona, regula-se fundamentalmente pela etimologia e por particularidades da história das palavras. Assim se estabelecem variadíssimas grafias:

a) Com e e i:

ameaça, amealhar, antecipar, arrepiar, balnear, boreal, campeão, cardeal (prelado, ave, planta; diferente de cardial = «relativo à cárdia»), Ceará, côdea, enseada, enteado, Floreal, janeanes, lêndea, Leonardo, Leonel, Leonor, Leopoldo, Leote, linear, meão, melhor, nomear, peanha, quase (em vez de quási), real, semear, semelhante, várzea;
ameixial, Ameixieira, amial, amieiro, arrieiro, artilharia, capitânia, cordial (adjetivo e substantivo), corriola, crânio, criar, diante, diminuir, Dinis, ferregial, Filinto, Filipe (e identicamente Filipa, Filipinas, etc.), freixial, giesta, Idanha, igual, imiscuir-se, inigualável, lampião, limiar, Lumiar, lumieiro, pátio, pior, tigela, tijolo, Vimieiro, Vimioso;

Cuidado com as palavras se (cf. si), senão, sequer (cf. se quer) e irrequieto.
b) Com o e u:

abolir, Alpendorada, assolar, borboleta, cobiça, consoada, consoar, costume, díscolo, êmbolo, engolir, epístola, esbaforir-se, esboroar, farândola, femoral, Freixoeira, girândola, goela, jocoso, mágoa, névoa, nódoa, óbolo, Páscoa, Pascoal, Pascoela, polir, Rodolfo, távoa, tavoada, távola, tômbola, veio (substantivo e forma do verbo vir);
açular, água, aluvião, arcuense, assumir, bulir, camândulas, curtir, curtume, embutir, entupir, fémur/fêmur, fístula, glândula, ínsua, jucundo, légua, Luanda, lucubração, lugar, mangual, Manuel, míngua, Nicarágua, pontual, régua, tábua, tabuada, tabuleta, trégua, vitualha.
Parágrafo 2º
Sendo muito variadas as condições etimológicas e histórico-fonéticas em que se fixam graficamente e e i ou o e u em sílaba átona, é evidente que só a consulta dos vocabulários ou dicionários pode indicar, muitas vezes, se deve empregar-se e ou i, se o ou u. Há, todavia, alguns casos em que o uso dessas vogais pode ser facilmente sistematizado. Convém fixar os seguintes:

a) Escrevem-se com e, e não com i, antes da sílaba tónica/tônica, os substantivos e adjetivos que procedem de substantivos terminados em -eio e -eia, ou com eles estão em relação direta. Assim se regulam:

aldeão, aldeola, aldeota, aldeão, aldeã, aldeamento por aldeia;
areal, areeiro, areento, Areosa por areia;
aveal por aveia;
baleal por baleia;
cadeado por cadeia;
candeeiro por candeia;
centeeira e centeeiro por centeio;
colmeal e colmeeiro por colmeia;
correada e correame por correia;
b) Escrevem-se igualmente com e, antes de vogal ou ditongo da sílaba tónica/tônica, os derivados de palavras que terminam em e acentuado (o qual pode representar um antigo hiato: ea, ee):

galeão, galeota, galeote, de galé;
coreano, de Coreia;
daomeano, de Daomé;
guineense, de Guiné;
poleame e poleeiro, de polé;
c) Escrevem-se com i, e não com e, antes da sílaba tónica/tônica, os adjetivos e substantivos derivados em que entram os sufixos mistos de formação vernácula -iano e -iense, os quais são o resultado da combinação dos sufixos -ano e -ense com um i de origem analógica (baseado em palavras onde -ano e -ense estão precedidos de i pertencente ao tema: horaciano, italiano, duriense, flaviense, etc.): açoriano, acriano (de Acre), camoniano, goisiano (relativo a Damião de Góis), siniense (de Sines), sofocliano, torriano, torriense [de Torre(s)];

d) Uniformizam-se com as terminações -io e -ia (átonas), em vez de -eo e -ea, os substantivos que constituem variações, obtidas por ampliação, de outros substantivos terminados em vogal:

cúmio (popular), de cume;
hástia, de haste;
réstia, do antigo reste;
véstia, de veste;
e) Os verbos em -ear podem distinguir-se praticamente grande número de vezes dos verbos em -iar, quer pela formação, quer pela conjugação e formação ao mesmo tempo. Estão no primeiro caso todos os verbos que se prendem a substantivos em -eio ou -eia (sejam formados em português ou venham já do latim); assim se regulam: aldear, por aldeia; alhear, por alheio; cear, por ceia; encadear, por cadeia; pear, por peia; etc. Estão no segundo caso todos os verbos que têm normalmente flexões rizotónicas/rizotônicas em -eio, -eias, etc.: clarear, delinear, devanear, falsear, granjear, guerrear, hastear, nomear, semear, etc. Existem, no entanto, verbos em -iar, ligados a substantivos com as terminações átonas -ia ou -io, que admitem variantes na conjugação:

negoceio ou negocio (cf. negócio);
premeio ou premio (cf. prémio/prêmio), etc.;
f) Não é lícito o emprego do u final átono em palavras de origem latina. Escreve-se, por isso:

moto, em vez de mótu (por exemplo, na expressão de moto próprio);
tribo, em vez de tríbu;
g) Os verbos em -oar distinguem-se praticamente dos verbos em -uar pela sua conjugação nas formas rizotónicas/rizotônicas, que têm sempre o na sílaba acentuada:

abençoar com o, como abençoo, abençoas, etc.;
destoar, com o, como destoo, destoas, etc.;
mas acentuar, com u, como acentuo, acentuas, etc.

1 de dezembro de 2019

Literatura - Literatura Portuguesa (3)

Autores da Literatura Portuguesa (continuação)

Eça de Queirós

Escritor do realismo português, José Maria de Eça de Queirós (1845-1900) nasceu na cidade de Póvoa de Varzim e foi batizado como “filho natural de José Maria d'Almeida de Teixeira de Queirós e de Mãe incógnita”, o que indicava que seus pais pertenciam a classes sociais diferentes.
De fato, quando sua avó faleceu, seus pais José Maria e Carolina Augusta Pereira se casaram e tiveram outros seis filhos.
Eça estudou Direito na Universidade de Coimbra e foi para Lisboa, onde foi advogado e jornalista. Anos mais tarde, ingressou na carreira diplomática e trabalhou em Cuba, Inglaterra e Paris (onde veio a falecer).

Retrato do escritor português Eça de Queirós
Seus principais romances são:

O Crime do Padre Amaro (1875)

Livro que inaugura o Realismo em Portugal, é uma crítica à Igreja Católica e ao provincianismo português. Contém características do Naturalismo: o romance mostra como o meio corrupto em que as pessoas se encontram influencia nas suas decisões morais.
O Crime do Padre Amaro conta a história de amor entre o padre Amaro, um órfão que fora adotado por uma rica marquesa e enviado ao seminário, e Amélia, moça na vila de Leiria. Quase todos os personagens do romance têm defeitos morais - a própria mãe de Amélia é amante do cônego local.
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Capa da edição brasileira de O Crime do Padre Amaro (ed. Ática). Na imagem, o confronto entre a vida pura e beata e a vida em pecado da sociedade.
O romance entre os dois é descoberto quando o então noivo de Amélia publica um artigo criticando os religiosos que possuem amantes e não seguem o celibato. O artigo causa polêmica e Amélia decide terminar com ele para permanecer com Amaro. A moça engravida, é mantida escondida por Amaro, mas recebe amparo do Abade Ferrão, uma boa alma.
Após o nascimento da criança, Amélia morre, a criança é levada para uma “tecedeira de anjos” e é dada como morta. Amaro fica ligeiramente abalado, mas em pouco tempo retoma a sua vida e suas aventuras.

O Primo Basílio (1878)

O romance, que se passa em um ambiente urbano, conta a história de amor entre Luísa e seu primo Basílio. Os dois acabam se reencontrando após muitos anos e se envolvendo, já que Jorge, marido de Luísa, estava ausente a negócios. Basílio vai embora e os dois passam a se corresponder por cartas. No entanto, Juliana, uma empregada, descobre a troca de correspondências entre os dois amantes, rouba as cartas para si e passa a chantagear a patroa.
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Capa da edição brasileira de O Primo Basílio (ed. Ática) mostrando  a personagem Luísa com as cartas trocadas com Basílio em seu corpo.
Jorge retorna de sua viagem e Luísa consegue reaver as cartas; a empregada, ameaçada de ser levada à prisão, tem um ataque cardíaco e falece. Luísa adoece e, enquanto permanecia de cama, Basílio responde a uma de suas cartas de amor. A correspondência é entregue a Jorge, que descobre o adultério. Mesmo desesperado, Jorge leva em consideração o amor que sente e o estado frágil de Luísa, e perdoa a mulher. No entanto, ela falece.

Ao saber da notícia, Basílio se mostra surpreso, porém, indiferente. E chega à conclusão de que seu caso com Luísa havia sido absurdo. Da mesma maneira que em O Crime do Padre Amaro, o protagonista de O Primo Basílio não sente remorso com a morte da mulher com quem se envolvera.

Caricatura do romance O Primo Basílio feita pelo ilustrador português Rafael Bordalo Pinheiro em 1878.

Autores da Literatura Portuguesa (continuação)

Fernando Pessoa

Um dos maiores poetas em língua portuguesa, Fernando Pessoa (1888-1935) nasceu e morreu em Portugal, deixando uma obra vasta escrita em um dos momentos mais conturbados da história: o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX.
O poeta é conhecido por seus inúmeros heterônimos, isto é, nomes fictícios com os quais assinou diversas de suas obras. No entanto, diferentemente de um “pseudônimo”, os heterônimos são “pessoas diferentes” provenientes de um mesmo autor.
Fernando Pessoa criou diversos deles, sendo os mais conhecidos e estudados: Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Bernardo Soares. O poeta escreveu uma biografia para cada uma de suas “pessoas”, delineou suas características físicas e até mesmo inventou uma assinatura para os poetas.
fernando-pessoa
Retrato de Fernando Pessoa (1954) do artista português Almada Negreiros

Alberto Caeiro

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Alberto Caeiro ilustrado por Cristiano Sardinha
Nasceu em 1889, em Lisboa, e morreu aos 26 anos de tuberculose. Caeiro é considerado o “mestre ingênuo” dentre seus demais poetas, por ter cursado apenas o primário. É um poeta que utiliza uma linguagem simples e que é bastante ligado à natureza, avesso às filosofias e complexidades. Pode ser comparado a um poeta árcade, pois, assim como os árcades, Caeiro considera-se um pastor de rebanhos que vê a natureza em sua forma simples e bruta. O poeta também acredita que as coisas têm existências, não significados; assim, a existência seria seu próprio significado. Dentre sua vasta obra, O Guardador de Rebanhos, composta por 49 poemas, é uma das mais conhecidas. Veja, abaixo, um de seus poemas:

II (1914)

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo…

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender…

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar…
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar…

Ricardo Reis


Ricardo Reis ilustrado por Cristiano Sardinha
Um dos heterônimos mais conhecidos de Fernando Pessoa, Ricardo Reis surgiu, em 1913, quando o poeta teve a ideia de escrever “poemas de índole pagã”. Ricardo nasceu em 1887, no Porto, era formado em Medicina e monarquista. Por isso, decide viver exilado no Brasil em 1919. A obra de Ricardo Reis é conhecida por duas grandes características: o epicurismo, filosofia na qual se busca a tranquilidade da alma, a busca pelos prazeres da vida e a sobreposição da razão em detrimento da emoção; o estoicismo, filosofia na qual se busca a dominação das paixões, isto é, a recusa das paixões para que não haja nenhuma desilusão e o conformismo, isto é, aceitar as coisas como elas nos apresentam. Com relação ao estilo, Ricardo Reis se inspira na poesia clássica e utiliza vocabulário e formas eruditas. Um de seus poemas mais conhecidos é “Prazer, mas devagar”. Leia-o abaixo, na íntegra:

“Prazer, mas devagar” (1923)

Prazer, mas devagar,
Lídia, que a sorte àqueles não é grata
Que lhe das mãos arrancam.
Furtivos retiremos do horto mundo
Os depredandos pomos.
Não despertemos, onde dorme, a Erínis
Que cada gozo trava.
Como um regato, mudos passageiros,
Gozemos escondidos.
A sorte inveja, Lídia. Emudeçamos.
Curiosidade:
Como Fernando Pessoa não estipulou a data da morte de Ricardo Reis, a informação ficou em aberto. No entanto, em 1984 o escritor português José Saramago (ganhador do Prêmio Nobel de Literatura) decidiu escrever um romance intitulado O ano da morte de Ricardo Reis, em que contou, justamente, os últimos anos de vida do poeta, escolhendo 1936 como o ano da sua morte.

Álvaro de Campos


Álvaro de Campos ilustrado por Cristiano Sardinha
É considerado o alter ego de Fernando Pessoa. Nasceu em Tavira, em 1890, estudou engenharia mecânica e naval em Glasgow e, em seguida, partiu para uma viagem ao Oriente. Possui diversas “fases” poéticas, desde decadentista, passando por futurista e niilista. O próprio Pessoa explica que este heterônimo aflorava sempre que sentia um súbito ímpeto para escrever, expressando toda a sua emoção. Um de seus poemas mais conhecidos é “Passagem das Horas”, de 1916. Veja um trecho abaixo:

“Passagem das Horas” (1916)

Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.
(...)
Viajei por mais terras do que aquelas em que toquei...
Vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos...
Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti,
Porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir
E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz.
(...)
Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto de apoio na inteligência,
Consanguinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz.

Bernardo Soares

Segundo Pessoa, não é um heterônimo propriamente dito, é um “semi-heterônimo” que lhe aparecia sempre que cansado ou sonolento. Ajudante de guarda-livros, é o autor do “Livro do Desassossego”. Segundo o próprio Pessoa, os dois teriam se conhecido em uma “casa de pasto”, designação para um estabelecimento semelhante a uma taverna, que servia refeições ao longo do dia, onde Bernardo teria entregado o seu livro a Pessoa. O livro, formado por fragmentos, traz reflexões sobre o tédio da existência e a “inutilidade” da escrita. Veja a seguir um trecho:

"313" (1914)

Irrita-me a felicidade de todos estes homens que não sabem que são infelizes. A sua vida humana é cheia de tudo quanto constituiria uma série de angústias para uma sensibilidade verdadeira. Mas, como a sua verdadeira vida é vegetativa, o que sofrem passa por eles sem lhes tocar na alma, e vivem uma vida que se pode comparar somente à de um homem com dor de dentes que houvesse recebido uma fortuna - a fortuna autêntica de estar vivendo sem dar por isso, o maior dom que os deuses concedem, porque é o dom de lhes ser semelhante, superior como eles (ainda que de outro modo) à alegria e à dor.

Por isto, contudo, os amo a todos. Meus queridos vegetais!

Literatura - Literatura Portuguesa (2)

Autores da Literatura Portuguesa (continuação)

Luís Vaz de Camões

Camões (1524-1580) é considerado um dos maiores poetas não apenas da língua portuguesa, mas também da literatura universal.
Como não se sabe muito a respeito de sua vida, muitas são as histórias que permeiam sua biografia. Conta-se que estudou na Universidade de Coimbra e que serviu como militar no norte da África, onde teria perdido o olho direito. Frequentou a corte do rei João III e dizem que levou uma vida boêmia.
Foi preso ao agredir um oficial da coroa e, ao ser libertado, partiu para o Oriente, vivendo em colônias portuguesas durante 17 anos. Nesse meio tempo, escreveu “Os Lusíadas”, publicado em 1572 e dedicado ao rei Dom Sebastião, que concede a ele uma pensão pelos serviços prestados à coroa. Em razão da irregularidade do pagamento da pensão, Camões morre na miséria e é enterrado como indigente.

Retrato de Luís Vaz de Camões pintado em Goa em 1581. Nele, o poeta aparece sem seu olho direito, perdido em uma batalha no norte da África.

Os Lusíadas (1572)

O poema épico é composto por 8.816 versos decassílabos organizados em 1.102 estrofes de oito versos cada (ABABABCC).
Além disso, está organizado em dez cantos distribuídos em cinco partes: proposição (a apresentação do poema), invocação (quando o poeta pede inspiração às ninfas), dedicatória (treze estrofes dedicadas a Dom Sebastião), narração (o desenvolvimento da história) e epílogo (encerramento).
lusiadas-capa
Capa da primeira edição de Os Lusíadas, publicada em 1572.
Os Lusíadas traça a história de Vasco da Gama e dos portugueses que descobriram uma nova rota para as Índias por meio do Cabo da Boa Esperança. O título do poema faz menção ao antigo nome de Portugal: Lusitânia. Por isso, o poema não conta a história de um único herói (Vasco da Gama, o protagonista), mas sim, de todo um povo. Além disso, os heróis encontram tanto auxílio quanto obstáculos com os deuses do Olimpo.
Breve resumo dos cantos I a X de Os Lusíadas
CantoResumo
IChegada da Armada de Vasco da Gama em Moçambique. Inspirado por Baco, o chefe dos Mouros decide atacar a Armada por ela ser composta por cristãos. Os portugueses vencem, mas o piloto escolhido para guiá-los acaba conduzindo-os a uma cilada em Quiloa. No entanto, a deusa Vênus afasta a embarcação e impede que ela caia na armadilha. Chegam a Mombaça, onde o rei (também inspirado por Baco) pretende derrotá-los.
II
O rei de Mombaça chama os portugueses ao porto, mas, na verdade tem o intuito de matá-los. Vasco da Gama decide se precaver e enviar dois degredados primeiro. Baco se disfarça de sacerdote cristão e mostra um altar para os dois portugueses. Eles acreditam estar em terras cristãs e avisam Vasco da Gama. Convencido, Vasco dá ordens para avançarem, mas, novamente, são impedidos por Vênus, que sabe das armações de Baco. Os mouros, acreditando que seu plano de destruição havia sido descoberto, se atiram ao mar. Vasco agradece aos deuses e pede que guiem seu caminho. Vênus, comovida, pede a Júpiter que proteja os portugueses. Este último envia Mercúrio a Melinde para recepcionar os portugueses e mostrar o caminho. Lá, Vasco e sua armada são bem recebidos.
IIIO narrador invoca a deusa Calíope para que lhe ajude a narrar o encontro de Vasco e o rei de Melinde. A partir deste momento, Vasco da Gama assume a narrativa, passando a contar a história de seu povo e sua geografia. Fala das origens de Portugal, dando destaque para episódios ocorridos nos reinados de D. Afonso Henriques e D. Afonso IV. 
IV
Neste canto, Vasco da Gama segue sua narração ao rei de Melinde e conta sobre a guerra contra Castela, a conquista de Ceuta e D. Fernando. Em seguida, Vasco fala dos reinados desde D. João I a D. Manuel I. Este último teve um sonho profético e confiou a Vasco da Gama o descobrimento do caminho para as Índias. Vasco segue a narrativa contando ao rei sobre o dia da partida das naus na praia de Belém, onde um velho, o Velho do Restelo, critica D. Manuel por se lançar a uma terra e fazer novos inimigos.
VVasco segue a narração ao rei de Melinde, contando a ele sobre a viagem em alto-mar e os tormentos enfrentados após atravessarem a linha do Equador. Na ilha de Santa Helena, Fernão Veloso envolve-se em uma pequena luta entre os nativos e Vasco parte para socorrê-lo. Nesta aventura, Vasco é ferido na perna. De volta ao barco, a tripulação ri de Fernão Veloso. Ao passar pelo Cabo das Tormentas, a embarcação encontra o gigante Adamastor, que faz profecias para Portugal e conta a sua história. Em seguida, Vasco conta ao rei de Melinde os horrores do escorbuto.
VI
Os portugueses se despedem de Melinde, levando consigo um piloto para guiá-los. Baco, vendo que eles se aproximam de seu objetivo, chama Netuno, o rei dos mares, para se unirem contra os portugueses. Após um concílio, Netuno manda o deus Éolo enviar ventos para criar tempestades e prejudicar a navegação. A força da tempestade é tão grande que destrói os mastros, revolve a terra do fundo dos mares e arranca as árvores. Novamente, Vasco pede ajuda aos deuses. Vênus envia suas ninfas para acalmar a ação dos ventos. Com o fim da tempestade, avistam Calicute.
VII
Os portugueses entram em Calicute e Vasco elogia a força e a bravura de seu povo. Lá, são levados por pescadores para o rei da Índia. Vasco envia João Martins, um degredado, para ir à frente. João Martins encontra Moçainde, um mouro, que conhecia os portugueses e volta com ele à nau. Em seguida, Vasco e alguns nobres são recebidos pelo Catual, que leva-os ao palácio do Samorim. O Catual vai à nau e é recebido por Paulo da Gama para saber mais sobre os portugueses.
VIII
Paulo da Gama explica ao Catual sobre as figuras das bandeiras portuguesas, que parece bastante interessado. No entanto, Baco aparece no sonho de um sacerdote árabe, que instiga os seus a se revoltarem contra os portugueses.  Enquanto isso, Vasco da Gama e o Samorim conversam sobre a troca de mercadorias. Subornado, o Catual tenta convencer Vasco a aproximar sua a frota, que na realidade é uma armadilha. Vasco não se convence. Frustrado, o Catual chantageia Vasco: apenas partirá em troca de mercadorias europeias.
IX
Dois portugueses são enviados para vender as mercadorias, mas são retidos para ganhar tempo até a chegada da armada muçulmana. Vasco da Gama fica sabendo do plano por Monçaide e decide partir mesmo com mercadores indianos na embarcação (decide tomá-los como reféns). Por ordem do Samorim, os mercadores portugueses são soltos e a paz é restabelecida. Vênus decide presentear os portugueses e coloca a “Ilha dos Amores” em sua rota, para que eles pudessem repousar. Lá, os portugueses encontram conforto nos braços das ninfas.
X
As ninfas oferecem um banquete e uma delas canta os futuros feitos dos portugueses. O poeta invoca Calíope novamente para dar conta do que foi dito pela ninfa. Tétis, a mais importante das ninfas, conduz Vasco da Gama a um monte onde há uma miniatura do universo e revela uma série de profecias acerca dos feitos do povo português. Em seguida, os portugueses partem e, sem qualquer imprevisto, retornam ao Tejo.

Literatura - Literatura Portuguesa

Literatura Portuguesa

Introdução

As letras de Portugal moldaram e exerceram influência direta nas produções literárias brasileiras, devido à condição do Brasil de colônia portuguesa.
Além disso, segundo críticos literários, é só a partir do Romantismo, no século XIX, que houve uma preocupação dos brasileiros com uma literatura nacional. 
As primeiras produções literárias portuguesas remontam aos escritos em galego na Idade Média. Chamado de Trovadorismo, o período literário se estende de 1189 até 1434. As produções do período refletem o contexto histórico em Portugal: as Cruzadas em busca de riqueza, a luta por territórios contra os mouros, o feudalismo e seu poder descentralizado, o teocentrismo e a influência do clero na vida cultural.
As produções literárias eram as cantigas, isto é, textos poéticos acompanhados de música. Os dois tipos de cantigas predominantes eram as cantigas líricas (divididas em cantigas de amor e cantigas de amigo) e as cantigas satíricas (divididas em cantigas de escárnio e cantigas de maldizer).

A Batalha de Aljubarrota, do artista francês Jean de Wavrin, uma das batalhas mais importantes de Portugal na Idade Média.
Foi durante o Renascimento que surgiram dois de seus principais escritores: Gil Vicente, autor de diversas peças de teatro, e Luís Vaz de Camões, autor de Os Lusíadas, verdadeira obra-prima da língua portuguesa. Nessa época Portugal viveu sua era de ouro, do mercantilismo e da expansão marítima, conquistando territórios ao redor do mundo.

Autores da Literatura Portuguesa

Gil Vicente

Considerado por muitos críticos como o fundador do teatro português, o escritor faz um retrato de Portugal na passagem da Idade Média para o Renascimento.
Publicou, em 1502, seu primeiro auto, o Monólogo do Vaqueiro, também conhecido como Auto da Visitação. Sua obra é permeada por elementos populares e sátiras que criticam diversos tipos sociais, principalmente, o clero (e seus casos de amor proibido), os beatos fervorosos, os membros das classes mais altas que atendiam às missas unicamente para cumprir um requisito social e a baixa nobreza.
Vicente, no entanto, defende aqueles que seguem trabalhando honesta e arduamente na terra.

Gil Vicente (1465-1536)
Seus autos mais populares são o Auto da Barca do Inferno e a Farsa de Inês Pereira. O Auto da Barca do Inferno representa a primeira parte da “trilogia das barcas” (seguido da “Barca do Purgatório” e a “Barca da Glória”). Escrito com linguagem coloquial e versos de sete sílabas, o auto apresenta apenas um ato, dividido em vários episódios.
O enredo gira em torno de diversos personagens que são almas a ser conduzidas ou para a barca do Inferno - conduzida pelo Diabo - ou para a barca da Glória - conduzida por um anjo. Os personagens julgados são: Anrique (um fidalgo), um agiota, Joanantão (um sapateiro), Joane (um tolo), Frei Babriel e Florença (sua “dama”), Brísida Vaz (uma prostituta), Semifará (um judeu), dois representantes do judiciário (um corregedor e um procurador), um enforcado e quatro cavaleiros que lutaram nas cruzadas.
De todas as 14 almas, apenas os quatro cavaleiros embarcam na barca da Glória, pois são puros e defenderam os ideais do cristianismo. Todos os outros são enviados à barca do inferno e tentam discutir e argumentar com o Diabo os motivos pelos quais merecem ir ao céu. O auto tem um intuito moralizador e maniqueísta, mostrando o bem contra o mal, e indicando que aqueles elementos cuja moral mancharia a sociedade foram conduzidos para o inferno. 

Ilustração para o Auto da Barca do Inferno
Em Farsa de Inês Pereira, Gil Vicente conta a história de uma moça simples, mas que ambiciona casar com um rapaz inteligente e sedutor. A mãe insiste para que ela se case com um rapaz chamado Lianor Vaz, mas Inês considera o moço bruto e inculto. Por intermédio de dois “casamenteiros”, Inês acaba por casar com Brás da Mata, um escudeiro.
No entanto, o casamento não dá certo, pois Brás vai à guerra e tranca Inês em casa. Com a morte de Brás na guerra, Inês descobre que seu primeiro pretendente, Lianor Vaz, está solteiro e disponível para o casamento. Os dois se casam, mas Inês acaba por arranjar um amante.
A intenção de Gil Vicente era escrever uma peça que tivesse como tema o ditado popular “mais quero um asno que me carregue a um cavalo que me derrube”. A peça não está dividida em atos, mas está estruturada em quatro partes principais. Saiba mais:
Auto é uma designação genérica para textos poéticos, geralmente em redondilhas, que são encenados como peças de teatro. Inicialmente era utilizado para peças de cunho religioso, mas foi se popularizando com o tempo. Os autos de Gil Vicente, por exemplo, não só não são religiosos como criticam muitos aspectos religiosos de sua época.

Literatura - Produções Contemporâneas

Produções contemporâneas

Poesia


Poesia concretista
A partir do final da década de 1950 aos dias atuais, a poesia caracteriza-se por propostas inovadoras da linguagem poética, que se estendem à música e à cultura popular.

Concretismo

O movimento concretista brasileiro surgiu oficialmente no ano de 1956 em São Paulo, a partir da Exposição Nacional de Arte Concreta e teve como proposta o poema-objeto. O concretismo é considerado o movimento mais controverso de poesia vanguardista brasileira.
O grupo Noigrandes, liderado por Décio Pignatari e os irmãos Augusto e Haroldo Campos, foi o representante das propostas concretistas, que tinham como objetivo confrontar a produção poética de 1945, que era apontada pelo grupo como poesia subjetiva e incapaz de expressar a nova realidade gerada pela industrialização.

Grupo Noigrandes: à esquerda Augusto Campos, Décio Pignatari ao centro e Aroldo Campos à direita da imagem.
Os princípios concretistas eram:
  • Eliminação do verso tradicional, principalmente mediante a eliminação dos laços sintáticos (preposições, conjunções, pronomes, etc.). O objetivo era a produção de uma poesia objetica, concreta, produzida basicamente por substantivos e verbos.
  • Uso de linguagem necessariamente sintética, dinâmica e equivalentes à sociedade industrial (que utilizava uma comunicação mais rápida).
  • Utilização de paronomásias (com sonoridade semelhante), neologismos, estrangeirismos;  separação de prefixos e sufixos; repetições de determinados morfemas; valorização da palavra solta (som, forma visual, carga semântica), que se fragmenta e se recompõe na página.
  • Transformação do poema em objeto visual,  valendo-se do espaço gráfico como agente estrutural: usando espaços em branco, recursos tipográficos, entre outros; em função disso, o poema além de lido é visto.
Observe um exemplo dessas características no poema Terra; de Décio Pignatari:
Augusto de Campos utiliza recursos visuais no poema em que um ovo desenha a si mesmo e seu significado, observe:
O concretismo uniu vários artistas em torno de suas propostas, mas ocorreram também divergências. Mário Chamie, no ano de 1962, com o livro Lavra-lavra, lançou a Poesia Práxis, que valorizava a palavra no seu contexto linguístico. Posicionando-se contra a palavra-objeto dos poetas concretistas, propôs a palavra energia.
As principais características da poesia práxis eram:
  • Produção de múltiplas interpretações;
  • Rejeição ao formalismo e academicismo concretista;
  • Maior valorização do conteúdo em detrimento da forma;
  • Poesia Visual e Social.
Observe estas característicasno poema Agiotagem de Mário Chamie:
Agiotagem
Um
Dois
Três
o juro: o prazo
o pôr / o cento / o mês / o ágio
p o r c e n t a g i o.
dez
cem
mil
o lucro: o dízimo
o ágio / a mora / a monta em péssimo
e m p r é s t i m o.
muito
nada
tudo
a quebra: a sobra
a monta / o pé / o cento / a quota
h a j a n o t a
agiota.
Os principais representantes do movimento Poesia Práxis foram:
  • Mário Chamie (1933 – 2011)
  • Cassiano Ricardo (1895 -1974).
No ano de 1968, Wlademir Dias-Pino criou o movimento carioca que recebeu o nome de Poema/processo, que vigorou até o ano 1972. Neste movimento, a palavra deu lugar ao símbolo gráfico.

Poema visual de Wlademir Dias-Pino
Poetas que se destacaram com o poema/processo: José Cláudio, Ronaldo Werneck, Aquiles Branco, Álvaro de Sá, Dailor Varela, Neide Dias de Sá, Nei Leandro de Castro, Moacy Cirne, Celso Dias, dentre outros.

Poesia social

Os anos de ditadura no Brasil fizeram surgir uma poesia de resistência, onde se destacou Ferreira Gullar, que havia sido concretista, aderiu ao poema/processo e foi um dos fundadores do movimento Neoconcretismo no Rio de Janeiro.
Ferreira Gullar passa então a direcionar sua poesia para a temática social. Seu engajamento político cresce a partir do golpe de 64.
Observe estas características no poema Agosto 1964, do livro Dentro da noite veloz:
Agosto 1964
Entre lojas de flores e de sapatos, bares,
    mercados, butiques,
viajo
    num ônibus Estrada de Ferro-Leblon.
    Volto do trabalho, a noite em meio,
    fatigado de mentiras.
O ônibus sacoleja. Adeus, Rimbaud,
relógio de lilases, concretismo,
neoconcretismo, ficções da juventude, adeus,
    que a vida
    eu compro à vista aos donos do mundo.
    Ao peso dos impostos, o verso sufoca,
a poesia agora responde a inquérito policial-militar.
    Digo adeus à ilusão
mas não ao mundo. Mas não à vida,
meu reduto e meu reino.
    Do salário injusto,
    da punição injusta,
    da humilhação, da tortura,
    do horror,
retiramos algo e com ele construímos um artefato
um poema
uma bandeira
Ferreira Gullar também escreveu Cabra marcado para morrer (1962), Poema sujo (1976), peças teatrais e ensaios.

Ferreira Gullar

Poema sujo - Ferreira Gullar

Poesia marginal

Essa poesia surgiu na década de 1970 e recebeu esse nome em razão de sua produção, edição e distribuição serem alternativas: em off-set ou mimeografadas, as tiragens eram pequenas e a distribuição ocorria pelos próprios poetas, de mão em mão, nas portas dos teatros, escolas, restaurantes, etc.
A linguagem utilizada era próxima da oral e mantinha pontos de contato com o Concretismo e o Poema/processo.
Basicamente formada por pequenos textos, alguns com apelo visual (fotos, quadrinhos, etc.) com temática cotidiana e erótica, permeadas de sarcasmo, humor, ironia, palavrões e gírias da periferia.

Representação da poesia marginal
Poetas que mais se destacaram na nesse movimento:
  • Chacal (1951);
  • Cacaso (1944-1987);
  • Paulo Leminki (1944-1989);
  • Torquato Neto (1944-1972).

Chacal – Um dos representantes da poesia marginal
Observe alguns exemplos desse movimento:
“Marginal é quem escreve à margem,
deixando branca a página
para que a paisagem passe
e deixe tudo claro à sua passagem.
Marginal, escrever na entrelinha,
sem nunca saber direito
quem veio primeiro,
o ovo ou a galinha”.
Paulo Leminki
Papo de Índio
Veiu uns ômi di saia preta
cheiu di caixinha e pó branco
qui eles disserum qui chamava açucri
aí eles falarum e nós fechamu a cara
depois eles arrepitirum e nós fechamu o corpo
aí eles insistirum e nós comemu eles.
Chacal

Prosa

Ainda que as produções deste período apresentem diversas tendências, de modo geral a prosa seguiu as linhas tradicionais, inovando quando adotou novas técnicas ou abordou outros temas, como a violência urbana e os grupos marginalizados.
Em paralelo ao romance, a narrativa curta – conto ou crônica – foi extremamente explorada. As tendências da prosa podem ser assim agrupadas:
  • Prosa regionalista: representada por Mário Palmério (Vila dos confinsChapadão do bugre), Bernardo Élis (O tronco), José Cândido de Carvalho (O coronel e o lobisomem), entre outros;

Prosa regionalista - O coronel e o lobisomem
  • Prosa política: como reflexo do período da ditadura, que se caracteriza por:
- denúncia direta – romance reportagem: José Louzeiro (Lúcio Flávio, passageiro da agonia), Ignácio de Loyola Brandão (Zero), Márcio Souza (Galvez, o imperador do Acre), Antonio Callado (Reflexos do baile);

Prosa política – denúncia direta - Lúcio Flávio, passageiro da agonia
- denúncia indireta – realismo fantástico: Murilo Rubião (O pirotécnico Zacarias), José J. Veiga (A hora dos ruminantesSombras de reis barbudos), Moacyr Scliar (Carnaval dos animais);

Prosa política – denúncia indireta - Carnaval dos animais
  • Prosa urbana: Rubem Fonseca (A coleira do cãoFeliz ano novo), João Antônio (MalaguetaPerus e Bacanaço), Dalton Trevisan (vampiro de Curitiba);

Prosa urbana - Feliz ano novo
  • Prosa intimista:  Lygia Fagundes Teles (Ciranda de pedraAntes do baile verde), Autran Dourado (Ópera dos mortos), Osman Lins (O fiel e a pedraAvalovara);

Prosa intimista - Ópera dos mortos
  • Prosa memorialista: Pedro Nova (Baú de ossos), Érico Veríssimo (Solo de clarineta).

Prosa memorialista - Baú de ossos