Literatura Portuguesa
Introdução
As letras de Portugal moldaram e exerceram influência direta nas produções literárias brasileiras, devido à condição do Brasil de colônia portuguesa.
Além disso, segundo críticos literários, é só a partir do Romantismo, no século XIX, que houve uma preocupação dos brasileiros com uma literatura nacional.
As primeiras produções literárias portuguesas remontam aos escritos em galego na Idade Média. Chamado de Trovadorismo, o período literário se estende de 1189 até 1434. As produções do período refletem o contexto histórico em Portugal: as Cruzadas em busca de riqueza, a luta por territórios contra os mouros, o feudalismo e seu poder descentralizado, o teocentrismo e a influência do clero na vida cultural.
As produções literárias eram as cantigas, isto é, textos poéticos acompanhados de música. Os dois tipos de cantigas predominantes eram as cantigas líricas (divididas em cantigas de amor e cantigas de amigo) e as cantigas satíricas (divididas em cantigas de escárnio e cantigas de maldizer).

A Batalha de Aljubarrota, do artista francês Jean de Wavrin, uma das batalhas mais importantes de Portugal na Idade Média.
Foi durante o Renascimento que surgiram dois de seus principais escritores: Gil Vicente, autor de diversas peças de teatro, e Luís Vaz de Camões, autor de Os Lusíadas, verdadeira obra-prima da língua portuguesa. Nessa época Portugal viveu sua era de ouro, do mercantilismo e da expansão marítima, conquistando territórios ao redor do mundo.
Autores da Literatura Portuguesa
Gil Vicente
Considerado por muitos críticos como o fundador do teatro português, o escritor faz um retrato de Portugal na passagem da Idade Média para o Renascimento.
Publicou, em 1502, seu primeiro auto, o Monólogo do Vaqueiro, também conhecido como Auto da Visitação. Sua obra é permeada por elementos populares e sátiras que criticam diversos tipos sociais, principalmente, o clero (e seus casos de amor proibido), os beatos fervorosos, os membros das classes mais altas que atendiam às missas unicamente para cumprir um requisito social e a baixa nobreza.
Vicente, no entanto, defende aqueles que seguem trabalhando honesta e arduamente na terra.

Gil Vicente (1465-1536)
Seus autos mais populares são o Auto da Barca do Inferno e a Farsa de Inês Pereira. O Auto da Barca do Inferno representa a primeira parte da “trilogia das barcas” (seguido da “Barca do Purgatório” e a “Barca da Glória”). Escrito com linguagem coloquial e versos de sete sílabas, o auto apresenta apenas um ato, dividido em vários episódios.
O enredo gira em torno de diversos personagens que são almas a ser conduzidas ou para a barca do Inferno - conduzida pelo Diabo - ou para a barca da Glória - conduzida por um anjo. Os personagens julgados são: Anrique (um fidalgo), um agiota, Joanantão (um sapateiro), Joane (um tolo), Frei Babriel e Florença (sua “dama”), Brísida Vaz (uma prostituta), Semifará (um judeu), dois representantes do judiciário (um corregedor e um procurador), um enforcado e quatro cavaleiros que lutaram nas cruzadas.
De todas as 14 almas, apenas os quatro cavaleiros embarcam na barca da Glória, pois são puros e defenderam os ideais do cristianismo. Todos os outros são enviados à barca do inferno e tentam discutir e argumentar com o Diabo os motivos pelos quais merecem ir ao céu. O auto tem um intuito moralizador e maniqueísta, mostrando o bem contra o mal, e indicando que aqueles elementos cuja moral mancharia a sociedade foram conduzidos para o inferno.
Ilustração para o Auto da Barca do Inferno
Em Farsa de Inês Pereira, Gil Vicente conta a história de uma moça simples, mas que ambiciona casar com um rapaz inteligente e sedutor. A mãe insiste para que ela se case com um rapaz chamado Lianor Vaz, mas Inês considera o moço bruto e inculto. Por intermédio de dois “casamenteiros”, Inês acaba por casar com Brás da Mata, um escudeiro.
No entanto, o casamento não dá certo, pois Brás vai à guerra e tranca Inês em casa. Com a morte de Brás na guerra, Inês descobre que seu primeiro pretendente, Lianor Vaz, está solteiro e disponível para o casamento. Os dois se casam, mas Inês acaba por arranjar um amante.
A intenção de Gil Vicente era escrever uma peça que tivesse como tema o ditado popular “mais quero um asno que me carregue a um cavalo que me derrube”. A peça não está dividida em atos, mas está estruturada em quatro partes principais. Saiba mais:
Auto é uma designação genérica para textos poéticos, geralmente em redondilhas, que são encenados como peças de teatro. Inicialmente era utilizado para peças de cunho religioso, mas foi se popularizando com o tempo. Os autos de Gil Vicente, por exemplo, não só não são religiosos como criticam muitos aspectos religiosos de sua época.
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