25 de agosto de 2019

Adjetivo & advérbio

No artigo de hoje, vamos falar sobre uma dúvida muito comum: a diferença entre adjetivo e advérbio.
Bem, vamos começar com o básico: o conceito de cada uma dessas classes de palavras.
Adjetivo é a classe gramatical que caracteriza um substantivo, atribuindo-lhe qualidade, estado ou modo de ser:
A casa amarela é linda.
Já o advérbio é palavra que não varia e transmite circunstância:
Esta casa é muito linda!
Deu uma clareada? Se sim, eu fico feliz. Se não deu, espere aí que já vai clarear mais, porque agora nós vamos falar das diferenças entre adjetivo e advérbio.

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Diferenças entre adjetivo e advérbio

A primeira diferença é que o adjetivo varia, isto é, muda a sua forma para caracterizar um substantivo, mas o advérbio não varia, ou seja, não muda a sua forma para modificar o verbo, o adjetivo, outro advérbio e também toda uma oração inteira.
A única flexão existente nos advérbios é a de grau: comparativo e superlativo absoluto.
A segunda diferença é que o adjetivo caracteriza apenas os substantivos e o advérbio pode modificar verbos, adjetivos, outros advérbios e uma oração inteira.
Clareou mais? Mas pode continuar lendo que vai ficar ainda melhor.

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Você deve estar se perguntando: “Meu Deus, Terror, o que é essa tal variação que acontece com o adjetivo, mas não acontece com o advérbio?” e eu vou lhe responder.
Para concordar com o substantivo, o adjetivo deve mudar a sua forma, ou variar.  

Variações do adjetivo

Observe como os adjetivos variam:
a. Gênero: masculino ou feminino
Um comportamento estranho   /    uma atitude estranha
b. Número: singular ou plural
Comportamentos estranhos     /     Atitudes estranhas
c. Grau:
Comparativo: compara uma qualidade entre dois elementos ou duas qualidades de um mesmo elemento. São três os comparativos:
De superioridade:
Para alguns alunos, Português é mais fácil (do) que Química.
De igualdade:
Para alguns alunos, Português é tão fácil quanto Química.
Ele é tão exigente quanto (ou como) seu irmão.
De inferioridade:
Para alguns alunos, Português é menos fácil (do) que Química.
Superlativo: nesse grau, a característica atribuída pelo adjetivo é intensificada de forma relativa ou absoluta.
No grau superlativo relativo, essa intensificação é feita em relação a todos os demais seres de um conjunto que a possuem. O superlativo relativo pode exprimir superioridade ou inferioridade e é sempre expresso de forma analítica:
Superlativo relativo de superioridade:
Ele é o mais atento da sala.     /      Ele é o mais exigente de todos os irmãos.
Superlativo relativo de inferioridade:
Você é o menos crítico do grupo.  / Você é o menos importante da firma.
Note que usamos o artigo definido (o, a, os, as) e a preposição (de), para especificar o ser (papel fundamental do artigo) dentro de um grupo (uso da preposição para indicar limitação).
Além disso, perceba que as formas do superlativo relativo de superioridade dos adjetivos bom, mau, grande pequenosão sintéticas: o melhor, o pior, o maior e o menor.
Superlativo absoluto:
Intensifica-se a característica atribuída pelo adjetivo a um determinado ser, transmitindo ideia de excesso. O superlativo absoluto pode ser analítico ou sintético:
superlativo absoluto analítico é formado normalmente com a participação de um advérbio:
Você é muito crítico.
Ele é demasiadamente exigente.
Somos excessivamente tolerantes.
superlativo absoluto sintético é expresso com a participação de sufixos. O mais comum deles é –íssimo; nos adjetivos terminados em vogal, esta desaparece ao ser acrescentado o sufixo do superlativo:
Trata-se de um artista originalíssimo.
Ele é exigentíssimo.
Seremos tolerantíssimos.
Você pode perceber que o adjetivo muda de acordo com o substantivo, ou seja, o adjetivo concorda com o substantivo em gênero, número e grau.

Advérbio

Como o advérbio não varia, vamos exemplificar como ele pode modificar verbos, adjetivos, outros advérbios e uma oração.
Meu irmão estuda muito. (o advérbio “muito” modifica o verbo “estuda”, atribuindo-lhe intensidade)
Ela é muito alta. (o advérbio “muito” modifica o adjetivo “alta”, atribuindo-lhe intensidade)
Seu colega escreve muito bem. (o advérbio “muito” modifica o advérbio “bem”, atribuindo-lhe intensidade)
Infelizmente, não poderei comparecer à reunião. (o advérbio “infelizmente” modifica toda a oração)
Nesses casos, o advérbio geralmente carrega a opinião do falante. Veja outro exemplo:
Lamentavelmente, a empresa não pagou a indenização a seus funcionários.

Resumindo

Como todo mundo gosta de um resumão, lá vamos nós:
O adjetivo é variável em gênero, número e grau e caracteriza apenas os substantivos. Já o advérbio é invariável em gênero e número, só se flexiona em grau por meio de derivação e pode modificar verbos, adjetivos, outros advérbios e uma oração inteira.

Através de e por meio de

As expressões através de e por meio de são um equívoco muito comum na nossa língua, tão comum que muitas pessoas nem sabem que existe diferença entre elas. Mas você verá que é muito fácil entender e vai aprender a usar cada expressão em seu contexto correto.

através de

A locução através de possui sentido de atravessar algo. É sinônimo de pelo interior depor dentro dede um lado a outrotranspor, cruzarao longo de. Veja os exemplos para entender melhor:
  • Joana olhou através da janela para espiar seu vizinho.
  • Lúcia passou através do armário para chegar à Nárnia.
  • A luz entrava através da janela.
  • Os soldados marcharam através dos campos.

por meio de

Já a locução por meio de possui a ideia de instrumento, isto é, utilizar algo para realizar uma ação.  É sinônimo de por intermédio demediante, graças a. Observe os exemplos:
  • Por meio da explicação do professor Rosenval, eu entendi toda a matéria.
  • Ana foi avisada sobre sua demissão por meio de um telegrama.
  • João conheceu sua namorada por meio de um amigo em comum.
Percebeu a diferença? Note que, se eu falar que João conheceu sua atual namorada através de sua ex-namorada, dará a entender que a ex-namorada é transparente, como o vidro de uma janela, e que João olhou através dela e conheceu sua atual namorada.
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Fica mais ou menos assim!!!
Portanto, nessa frase, deveria ser utilizada a expressão por meio de, para ter mais coerência, pois João não atravessou sua namorada.

O que é plural metafônico?

Plural metafônico, o que raios é isso?
Hoje eu estava comentando questões e me deparei com uma questão sobre plural metafônico, algo pouco cobrado em provas, mas que nunca é demais aprender, não é mesmo? Afinal, conhecimento nunca é demais.✌
Mas que é plural metafônico?
O prefixo grego meta significa “mudança, o mesmo de metamorfose, metáfora, metacarpo, metonímia, metáfase” e o radical fônico significa “som, o mesmo de fonema, fonologia, fonética”. Assim, o plural metafônico ocorre quando uma palavra, ao ser pluralizada, muda o som da vogal “o” presente na sílaba tônica.
Explicando melhor, o som da vogal “o”, no singular, apresenta timbre fechado, mas, quando a palavra vai para o plural, apresenta timbre aberto. Veja alguns exemplos:
Observação: coloquei entre barras o som da palavra, por isso você verá a indicação de timbre aberto com /ó/ e a indicação de timbre fechado com /ô/, mesmo que a palavra não apresente acento, ok?!
  • /ô/lho > /ó/lhos
  • p/ô/sto > p/ó/stos
  • car/ô/ço > car/ó/ços
  • /ô/sso > /ó/ssos
  • p/ô/vo > p/ó/vos
  • tij/ô/lo > tij/ó/los
  • p/ô/rco > p/ó/rcos
Em todas as palavras terminadas em “-oso” e “-posto” ocorre o plural metafônico. Veja os exemplos:
  • Amist/ô/so > amist/ó/sos
  • Coraj/ô/so > coraj/ó/sos
  • Teim/ô/so > teim/ó/sos

Vírgula com a conjunção mas

A vírgula antes da conjunção mas, a depender do seu emprego, será facultativa ou obrigatória.

Vírgula obrigatória

A vírgula antes da conjunção mas é obrigatória quando esta possui valor adversativo, isto é, de oposição. Veja os exemplos:
  • Estudou muito, mas não passou.
  • Ele teve aumento salarial, mas não quis continuar na empresa.

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Vírgula facultativa

A vírgula antes da conjunção mas é facultativa quando esta integra expressões correlativas de adição como: não só… mas tambémnão apenas…mas também e não somente…mas também. Veja os exemplos:
  • Ele não só ajuda financeiramente, mas também aconselha os amigos.
  • Ele leu não só o livro mas também assistiu à série.

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Observação: Tratamos anteriormente da vírgula antes da conjunção “mas”, mas quero deixar claro que não cabe vírgula após essa conjunção.
É certo que seus sinônimos “porém”, “contudo”, “entretanto”, “todavia”, “no entanto”, quando iniciam períodos, podem ser seguidos de vírgula:
Ele se dedicou muito ao trabalho. Porém, não conseguiu boa remuneração.
Ele se dedicou muito ao trabalho. Contudo, não conseguiu boa remuneração.
Ele se dedicou muito à empresa. Todavia, não foi promovido.
Ele se dedicou muito à empresa. Entretanto, não foi promovido.
Mas note que não cabe vírgula após a conjunção “mas”:
Ele se dedicou muito ao trabalho. Mas não conseguiu boa remuneração.

Errou a vírgula, torna-se um Zé Maranhão no concurso, ou melhor, um Zé Paraíba.

As conjunções porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, assim como as conclusivas portanto, por isso e por conseguinte, com exceção de mas e logo, podem ser deslocadas.

O carro bateu; ninguém, todavia, feriu-se.
O carro bateu; ninguém se feriu, todavia.

O carro bateu; todos, portanto, feriram-se.
O carro bateu; todos se feriram, portanto.

Observe uma construção ilógica:
O carro bateu; ninguém, mas, feriu-se. / O carro bateu; todos, logo, feriram-se.

Logo deixa de ser conjunção conclusiva para ser advérbio de tempo.

Concordância do verbo haver

A concordância do verbo haver é uma dúvida recorrente que recebo dos alunos, como, por exemplo:
  • “Professor, o verbo haver flexiona-se ou não no plural?
Bem, depende do significado dele no contexto da frase.
Vamos às explicações.
O verbo haver, com sentido de existir, sempre faz concordância no singular, mesmo em locução verbal, quando é o verbo principal. Veja os exemplos:
  • Havia muitas pessoas na sala.                 
  • Há vários problemas na empresa.
  • Deve haver vários problemas na empresa. (“vários problemas” é apenas um objeto direto do verbo)
  • Tem havido vários problemas na empresa. (“vários problemas” é apenas um objeto direto do verbo)
  • Está havendo vários problemas na empresa. (“vários problemas” é apenas um objeto direto do verbo)
O mesmo acontece com a noção de tempo decorrido. Observe:
  • Há três anos não vejo minha família. (três anos é um objeto direto, e não sujeito)
  • Há quatro dias não a vejo. (quatro dias é um objeto direto, e não sujeito)
Portanto, os sujeitos dessas orações são inexistentes, ou seja, as orações não possuem sujeito e o verbo haver é impessoal.
Por outro lado, as orações em que o verbo haver possui outros significados concordará com o sujeito. Veja os exemplos:
  • Os sentenciados houveram do poder público a comutação da pena.” (Carlos Góis) – sentido de obter, conseguir, alcançar.
  • As famílias haviam chegado cedo para o almoço. – verbo auxiliar de um verbo pessoal.
  • Alguns haviam-no por culpado. – sentido de pensar, julgar, entender.
  • Houve-se como uma princesa. – verbo pronominal com o sentido de proceder, comportar-se, desincumbir-se e sair-se.
  • Você terá de haver-se com o meu pai. – com o sentido de entender-se, avir-se, acertar contas, usado com a preposição com.
  • A mãe houve por bem reconsiderar sua decisão sobre o castigo. – expressão haver por bem (dignar-se, resolver, considerar bom).
  • Bem hajam os que protegem nossas crianças. – expressão bem haja (seja feliz, seja abençoado, tenha bom êxito).

Os porquês da Língua Portuguesa

USO DOS PORQUÊS – Escrevo este artigo, porque sempre me perguntam, porque é junto ou separado, com acento ou sem? A resposta é: depende do contexto.
É início de pergunta direta? É uma resposta? Quer dizer “motivo” ?
Para cada contexto há um porquê diferente. Observe a tirinha abaixo e já tente perceber as diferenças.

https://mundotexto.wordpress.com/2013/09/17/para-uma-aula-de-porques-com-armandinho/

Viu que há quatro porquês diferentes? Quer entender cada um deles?
Vamos às explicações.

Porquê (junto e com acento)

Porquê (junto e com acento) é usado quando for sinônimo de motivocausarazãoindagação. Por ser substantivo, admite artigo, pronome ou numeral e pode se flexionar no plural:
  • Os considerandos são dois porquês de um decreto.
  • O Relator explicou esse porquê de cada emenda.
  • Qual é o porquê desta vez?

Por quê (separado e com acento)

Por quê (separado e com acento) é usado quando a expressão aparecer em fim de frase, ou sozinha:
  • Brigou de novo, por quê?
  • Brigou de novo? Por quê?
  • Ria, ria sem saber por quê.

Porque (junto e sem acento)

Porque (junto e sem acento) é usado nos seguintes casos:
Para introduzir explicação, causa, motivo, podendo ser substituído por conjunções causais ou explicativas como poisporquantovisto que. Para introduzir finalidade, pode ser substituído por conjunções finais como para que, a fim de que.
  • Traga agasalho, porque vai fazer frio.(conjunção coordenativa explicativa = pois).
  • A reunião foi adiada porque faltou energia.(conjunção subordinativa causal = pois).
  • Porque ainda é cedo, proponho esperarmos um pouco mais. (conjunção subordinativa causal = como).
  • Oferecei um sacrifício de louvor, porque confesseis o vosso nome. (conjunção subordinativa final = para que)
Nas frases interrogativas a que se responde com “sim” ou “não”:
  • Ele não votou o projeto porque estava de licença?
  • Essa medida provisória está na pauta de votação porque é urgente?
Na realidade, a conjunção “porque” continua sendo subordinativa adverbial causal. A diferença é que na própria pergunta já se dá a causa (oração subordinada adverbial causal).
Como conjunção de finalidade (= para que), levando o verbo para o subjuntivo. Esta construção é literária, poética, musical, bíblica, religiosa, jurídica, política ou científica, mas vez por outra tem sido encontrada, existente em discursos de posse formais, trabalhos científicos, debates eleitorais e textos estritamente cerimoniosos:
  • Rezo porque tudo corra bem.
  • Não expressou sua opinião porque não desanimasse os colegas.
Contemporaneamente, para exprimir finalidade, objetivo, prefere-se usar para que para substituir porqueRezo para que tudo corra bem.

Por que (separado e sem acento)

Por que (separado e sem acento) é usado nos seguintes casos:
Nas interrogativas diretas e indiretas:
  • Por que você demorou tanto? (interrogativa direta)
  • Quero saber por que meu dinheiro está valendo menos. (interrogativa indireta)
Sempre que se puder inserir as palavras motivorazão:
  • Não sei por que ele se ofendeu. (Não sei por que motivo ele se ofendeu.)
  • O funcionário explicou por que havia faltado. (O funcionário explicou por que motivo havia faltado.)
Quando a expressão puder ser substituída por pelo qualpela qualpelos quaispelas quais, confirma-se que há pronome relativo “que” antecedido da preposição “por”:
  • A estrada por que passamos está em péssimo estado de conservação. (A estrada pela qual passamos está em péssimo estado de conservação.)
  • Esse é o motivo por que a reunião foi adiada. (Esse é o motivo pelo qual a reunião foi adiada.)
Quando “que” for conjunção integrante iniciando oração subordinada substantiva objetiva indireta ou completiva nominal, com imposição da preposição “por” pelo verbo ou nome, respectivamente:
  • Torcemos por que tudo se resolva logo. (= torcemos por isso)
  • O Relator estava ansioso por que começasse a votação. (= ansioso por isso)
Não se pode confundir este último caso com o uso da conjunção de finalidade (conforme visto anteriormente). Veja a diferença:
  • Não expressou sua opinião porque não desanimasse os colegas.
Note que o nome opinião, anterior à conjunção, não exigiu a preposição por. Além disso, percebe-se a intenção, a finalidade de não expressar sua opinião: para que não desanimasse os colegas.
  • O Relator estava ansioso por que começasse a votação.
Aqui, o nome ansioso exige a preposição por, razão pela qual deve ser separada do que.

Eu ou mim

Para começarmos a dica de hoje, vou contar um caso para vocês:
Um casal de namorados terminou um relacionamento. Veja um trecho do diálogo:

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 Ok, João! Entre mim e você não existe mais nada!  disse Helena irritada.
João respondeu:
 Não! Entre eu e você é que não existe mais nada!
Helena respondeu com mais raiva ainda, enfatizando as palavras:
 É entre MIM e VOCÊ! Aprendi isso estudando com o professor Décio Terror, enquanto você não me apoiava nos meus estudos e saía todo fim de semana para balada. Se você estivesse estudado junto comigo, saberia.
Depois disso, João saiu sem graça e Helena saiu feliz, pois havia passado no concurso de seus sonhos, estava se mudando e nunca mais veria João.

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Helena, que sabiamente estudou com o professor Décio Terror, estava certa sobre o uso da expressão “entre mim e você” e você sabe o porquê?

Vamos à explicação:

O pronome pessoal do caso reto é empregado na função de sujeito. Já o pronome pessoal do caso oblíquo pode ocupar as funções de objeto indireto, complemento nominal, agente da passiva, adjunto adnominal, sujeito de verbo no infinitivo, OD ou OI pleonástico ou adjunto adverbial. Veja:
Você trouxe o almoço para eu comer mais tarde? [“eu” é pronome pessoal do caso reto por ser o sujeito do verbo “comer”]
Você trouxe o almoço para mim? [“mim” é pronome pessoal do caso oblíquo tônico, por ser o objeto indireto do verbo “trazer”]
Entre mim e você não existe mais nada! [“mim” é pronome pessoal do caso oblíquo tônico e constitui um dos núcleos do adjunto adverbial “mim e você”]
Da mesma forma como ocorre com o pronome pessoal do caso reto “eu“, também ocorre com “tu“. Tal pronome é empregado na função de sujeito:
Tu estás cansado de tanto estudar?
Quando na função de objeto direto preposicionado, objeto indireto, complemento nominal, agente da passiva, ou adjunto adverbial, emprega-se o pronome pessoal do caso oblíquo tônico “ti“. Veja:
Nada há entre mim e ti.
Note que “mim e ti” ocupa a função de adjunto adverbial. Assim, tal termo é constituído dos pronomes pessoais oblíquos tônicos “mim” e “ti”.
Mas aí vem uma dúvida: É “entre mim e ti” ou “entre mim e você“?
Ambas as construções estão corretas neste adjunto adverbial, haja vista que “ti” é um pronome pessoal do caso oblíquo tônico e “você” é um pronome de tratamento, o qual pode ocupar qualquer função sintática.
Portanto, aprendemos 2 lições hoje:
  1. Se seu(sua) companheiro (a) não apoia você nos estudos, tome cuidado e perceba se ele(a) realmente gosta de você.
  2. O correto é “Entre mim e você não existe mais nada” ou “Entre mim e ti não existe mais nada”, e não “Entre eu e você não existe mais nada“.

Está ou estar

Nossa dica de hoje é sobre uma confusão muito comum: quando usamos o verbo estar e quando usamos está?
Para começar, a diferença entre os dois é que o verbo estar encontra-se na forma nominal infinitiva, ou seja, não possui as flexões de modo e tempo. Já o verbo está é flexionado na terceira pessoa do singular no presente do indicativo.
A partir disso, já podemos conversar sobre o uso de cada um deles.

Empregamos o verbo estar:

  • Em locuções verbais como verbo principal;
Obs.: o verbo auxiliar indica o tempo e o modo da ação. O verbo principal indica a ação em si, é o verbo que contém o significado da locução.
O Rômulo ainda não chegou, deve estar atrasado. [verbo principal]
  • Em sentenças em que o verbo rege preposição.
Joana gosta de estar sempre arrumada em seu trabalho. [o verbo “gosta” rege a preposição “de”]

Empregamos o verbo está:

  • Quando queremos falar de algo no presente, ou que acontece com frequência, como um hábito, ou uma situação permanente;
Está chovendo. [tempo presente]
Ela está por aqui todos os dias caminhando com seu cachorro. [hábito]
A Terra está girando em torno do Sol. [situação permanente]

Mais comum como presente do indicativo. Em textos literários, também pode ser uma forma do imperativo afirmativo, indicando uma ordem: Está sossegado!
  • Como verbo auxiliar em locuções verbais.
João está chegando de viagem.
Ana já está preparada para a prova de domingo.
Agora observe o exemplo abaixo. Ele está correto?
Ela está muito vermelha, deve estar com febre.
Sim! Pois o verbo está encontra-se flexionado no presente do indicativo, demonstrando uma constatação no momento da fala. Já o verbo estar é o verbo principal da locução verbal deve estar.

Dica de ouro

Na dúvida, troque esse verbo por outro no infinitivo. Se ele se flexionar, utilize está. Se não se flexionar, utilize estar. Veja os exemplos:
Joana parece estar tristeEstar ou está? Troque o verbo > Joana parece comer muito.  O infinitivo foi mantido, logo, o correto é o verbo “estar”.
Joana está tristeEstar ou está? Troque o verbo > Joana continua triste.  A flexão no tempo presente foi mantida, logo, o correto é o verbo “está”.

E esta?

Existe o pronome demonstrativo esta, forma feminina de esta, usado quando o ser demonstrado está perto da pessoa que fala, ou no tempo presente em relação a quem fala, ou como pronome catafórico, para se referir ao que será mencionado no discurso.

Adjunto adnominal ou complemento nominal - como diferenciar?

O assunto de hoje é uma dúvida muito frequente: como diferenciar adjunto adnominal de complemento nominal?
Você verá que não é um bicho de sete cabeças, na verdade, é só você se guiar pelos três critérios que explicaremos adiante que não tem erro.
Então vamos lá?
Primeiro, é bom lembrar que o adjunto adnominal é todo termo sintático da oração que pode caracterizar, determinar, modificar, especificar ou restringir um substantivo.
Esse termo pode ser representado por:
1) um artigo:                                    O carro parou.
2) um pronome adjetivo:               Encontrei meu relógio.
3) um numeral adjetivo:                 Recebi a segunda parcela.
4) um adjetivo:                                Tive ali grandes amigos.
5) uma locução adjetiva:                Tenho uma mesa de pedra.
Já o complemento nominal é sempre precedido de preposição e completa o sentido de substantivos, adjetivos e advérbios que apresentam transitividade.
Observe os exemplos a seguir:
1) complemento nominal de um substantivo:
Você fez uma boa leitura do texto.
Note que o substantivo “leitura” é o nome da ação de “ler”. Como é natural o verbo ser transitivo, o substantivo também fica transitivo e exige complemento nominal.
2) complemento nominal de um adjetivo:
Você precisa ser fiel aos seus ideais.
Quem é fiel é fiel a alguém ou a alguma coisa. Assim, o adjetivo “fiel” é transitivo, ou seja, necessita de complemento.
3) Complemento nominal de advérbio:
Você mora perto de Maria.
Note que o advérbio de lugar “perto” necessita de um complemento: perto de algo ou de alguém.

Visto isso, agora podemos entender como distinguir o adjunto adnominal do complemento nominal.
adjunto adnominal formado por uma locução adjetiva pode ser confundido com o complemento nominal. Normalmente não haverá dúvida, pois, segundo o que explicamos acima, o adjunto adnominal é constituído de vocábulo de valor restritivo que caracteriza o núcleo do termo de que faz parte. Já o complemento nominal é termo que completa o sentido de um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio).
A dúvida ocorre, portanto, quando os dois termos são preposicionados. Por exemplo:
A leitura do livro é instigante.       A leitura do aluno foi boa.
Para percebermos a diferença, é importante passarmos por três critérios:
1º critério:
👉adjunto adnominal quando preposicionado caracteriza apenas o substantivo.
👉complemento nominal complementa um substantivo,  adjetivo ou advérbio.
            Assim, em orações como “Estava cheio de problemas.”, “Moro perto de você.”, logo no primeiro critério, já sabemos que “de problemas” e “de você” são complementos nominais, pois completam o sentido do adjetivo “cheio” e do advérbio “perto”, respectivamente.

2º critério:
👉substantivo caracterizado por um adjunto adnominal pode ser concreto ou abstrato.
👉substantivo completado por um complemento nominal deve ser abstrato.
Sabendo-se que um substantivo abstrato normalmente é o nome de uma ação (corrida, pesca) ou de uma característica (tristeza, igualdade) e que o substantivo concreto é o nome de um ser independente, que conseguimos visualizar, pegar (casa, copo). Nas orações “Trouxe copos de vidro.” e “Vi a casa de pedra.”, os termos “de vidro” e “de pedra” são adjuntos adnominais, pois caracterizam os substantivos concretos “copos” e “casa”, respectivamente. Fazendo uma associação com a informática, o substantivo concreto é o hardware e o substantivo abstrato é o software.

E se o substantivo seguido do termo preposicionado for abstrato?
Neste caso, passamos para o 3º critério:
3º critério:
👉O adjunto adnominal preposicionado é agente. Ele é um termo acessório, desnecessário, ou seja, dispensável, exerce uma função secundária na oração, contém uma informação adicional, extra.
👉O complemento nominal é paciente. Ele é um termo integrante, necessário, ou seja, é indispensável para a compreensão da frase.
Este último normalmente é o cobrado em prova. Se os termos abaixo sublinhados são agentes, automaticamente serão os adjuntos adnominais. Se pacientes, serão complementos nominais. Veja:
Adjuntos adnominais:
O amor de mãe é especial.                                    (agente: a mãe ama)
A invenção do cientista mudou o mundo.            (agente: o cientista inventou)
A leitura do aluno foi boa.                                      (agente: o aluno leu)
Complementos nominais:
O amor à mãe também é especial.           (paciente: a mãe não ama, e sim é amada)
A invenção do rádio mudou o mundo.     (paciente: o rádio não inventou, e sim foi inventado)
A leitura do livro é instigante.                   (paciente: o livro não lê, e sim é lido)