17 de julho de 2019

De férias, em férias ou tanto faz?

 "De férias" ou "em férias"? Relaxe! O importante é descansar!

A dúvida, hoje, é da Gisele, aluna da Turma Regular da Federal Getussp. Ela me perguntou, em nosso último encontro, a respeito das expressões "em férias" e "de férias": quando usar uma ou outra dessas expressões e em quais contextos. A resposta, então, vem em forma de post, também, para que o conhecimento possa ser compartilhado por todos.
No cotidiano falado da língua percebemos uma infinidade de expressões das quais comumente fazemos uso, sem que, necessariamente, elas estejam de acordo com aquilo que é aconselhado ou prescrito pela gramática. Por isso a consulta a boas fontes é fundamental! Claro que, de modo geral, não há como controlarmos muito as palavras ou expressões na língua falada, uma vez que ela se caracteriza, sobretudo, pelo imediatismo e pela espontaneidade. Mas é prudente - e de muito bom tom! - que você dispense uma atençãozinha maior a tudo aquilo que for registrar por escrito, afinal, é na escrita que os erros e deslizes aparecem de maneira mais evidente. 
No caso da dúvida da Gisele, não podemos falar em erro, uma vez que, segundo consulta empreendida, ambas as formas estão corretas: de férias ou em férias. Vamos analisar alguns exemplos? Acompanhe:

A cidade ficou vazia, pois todos estão de férias
Quero que chegue logo o mês de dezembro: estaremos em férias

Entretanto, há uma ressalva a se fazer (Sim, a gramática sempre tem algum comentário de rodapé com que nos advertir!): quando resolvemos atribuir um adjetivo ao substantivo "férias", recomenda-se usar a expressão “em férias”. Como podemos observar nos exemplos seguintes: 

Os funcionários daquela empresa sairão em férias coletivas
Após o fechamento das notas finais, comunico que todos os nossos alunos estarão em merecidas férias

Demais ou de mais?

 Nossos alunos são comprometidos demais com os estudos!

Prontos para resolver mais uma dúvida recorrente da nossa amada língua?
Numa oração como: 

Sabemos que ela fala demais!
Sabemos que ela fala de mais!

Qual é a forma correta: "demais" ou "de mais"?
Você sabe diferenciar essas duas formas? Saberia, com precisão, determinar qual das versões da oração acima é a correta?
Nosso post de hoje, então, vai esclarecer essa dúvida e eliminar o problema!
Entendamos, pois, as diferenças. O que importa, de fato, para decidirmos o caso de usar a palavra "demais" ou a expressão "de mais" não é propriamente como classificamos uma ou outra, mas o significado apresentado por cada uma delas. 
De modo geral, DEMAIS, numa só palavra, funciona como advérbio de intensidade. Acentua, portanto, o valor de verbo, de um adjetivo ou mesmo de um outro advérbio, apresentando significado próximo ao de "muito", "muitíssimo", "extremamente", "excessivamente", "em demasia". 
Observe os exemplos listados abaixo: 

"A seleção de vôlei jogou demais no último campeonato." 
"Perto demais do fogo, Juanes se queimou." 
"Elisa era linda demais nas suas recordações infantis." 
"Soube que eles escrevem mal demais." 

Perceba que, em todos os casos listados acima, a palavra "demais" está associada a verbo, adjetivo ou advérbio, sempre cumprindo, em relação a todas essas palavras, a função de lhes intensificar o sentido.
Portanto, não se esqueça disso: DEMAIS, quando se refere a VERBOSADJETIVOS ou ADVÉRBIOS, é um ADVÉRBIO DE INTENSIDADE, e é uma palavra só: DEMAIS!

Só que a palavra "DEMAIS" também pode ser empregada como pronome indefinido, quase sempre precedida de artigo, com o significado de os outrosos restantesos mais. Acompanhe o exemplo:

"Foram impedidos poucos candidatos do partido; os demais se deram bem." 

Demais como adjetivo: 

"Os demais candidatos recorreram ao STF e se deram bem." 

"Demais" equivale, ainda, a "além disso", "ademais", "demais disso", "de mais a mais" - em uso pouco frequente; há quem discorde, mas, nessa acepção, alguns gramáticos classificam demais como conjunção coordenativa que introduz uma oração explicativa, às vezes, seguida de vírgula, outros classificam-no como palavra continuativa, por introduzir uma continuação do discurso. Curiosa e justificável essa osci­lação, porque a classe adverbial é um tanto difusa, como lembra Celso Cunha em sua Gramática da Língua Portuguesa (Fename, 1982). Exemplos: 

 "Dora disse que não queria mais ser parte daquele setor; demais não leva jeito mesmo." 
 "Não disse nada a ela; demais, não havia o que dizer." 

Já a expressão "DE MAIS", composta por preposição e advérbio, expressa a noção de quantidade, com significado aproximado de a mais, como oposto de de menos. Tem função adjetiva; acompanha, portanto, substantivos ou palavras substantivadas: 

"Maristela perdeu quilos de mais." 
"Está tudo em cima; nem ossos de mais, nem carne de menos." 
"Não houve nada de mais com ela." 

História ou estória... Afinal, que história é essa?

 Vou lhe contar uma história ou estória?

E agora? Você também já se viu às voltas com essa dúvida cruel?
Pois bem, você, mais uma vez, não está sozinho(a)! Perdi as contas de quantas vezes respondi a essa questão ao longo desses quase 12 anos de magistério! Será que existe a palavra "estória"? (Porque "história", temos certeza, existe! E nomeia uma ciência humana muito importante, inclusive!) Vamos entender melhor a questão que ora se nos apresenta.
Vários dicionaristas registram apenas o vocábulo "história", condenando o uso da forma "estória", cristalizada em algum momento do uso popular da língua.
Sim, muitas pessoas, durante seus anos escolares, aprenderam que "estória" se opõe à "história" por se referir a um enredo de ficçãoimaginado e não vivido por alguém. Seguindo esse raciocínio, a palavra "história" seria empregrada, então, apenas como sinônimo de "relato", conjunto de fatos reunidos num enredo efetivamente vivido, experienciado por alguém. Como os contos de fadas, por exemplo, são fantasiosos, eles constituiriam aquilo a que alguns chamariam "estórias", não "histórias". Já aquilo que lemos nos livros de "História", teoricamente, é real, justificando a nomenclatura que lhe é atribuída.
Verdade ou mito? Mito, minha gente! E vamos entender o porquê.
Em relação a mais esse quiprocó da nossa língua quero, de início, registrar minha posição pessoal: concordo com o que registra o dicionário Aurélio e uso apenas a forma "história" para me referir a enredos reais ou imaginários, indistintamente. Por quê? Segundo o professor Sérgio Rodrigues: "... a fronteira entre história real (história) e história inventada (estória) me parece fluida demais para tornar funcional a adoção de dois vocábulos. Todo mundo sabe – ou deveria saber – que a história, bem espremida, é cheia de “estórias”. E vice-versa. Acho mais inteligente deixar a distinção a cargo do contexto." 
Um dado curioso, ainda segundo o mesmo autor, é que "contrariando o que muitos imaginam, estória não é um anglicismo relativamente recente (do século 20), mas uma palavra mais antiga do que história – e, a princípio, com o mesmo significado. É o que informa também o Houaissestória foi registrada no século 13 e história, no 14. O melhor dicionário brasileiro acrescenta que, como sinônimo perfeito da segunda, a primeira caiu em desuso, sobrevivendo, hoje, como um regionalismo brasileiro que significa 'narrativa de cunho popular e tradicional'. O que me parece ao mesmo tempo vago e restritivo."
São ensinamentos interessantes de Rodrigues também os seguintes: "Resta a questão da origem da palavra estória, que o Houaiss, embora situando o fato sete séculos antes do que acredita o senso comum, confirma ser o inglês story, também esta uma palavra do século 13. No entanto, vale a pena considerar a hipótese de estória ter derivado – do mesmo modo que story, aliás – do francês arcaico storie, entre outras razões, por sua razoável precedência: data de 1105."
Os adeptos do uso de estória, conforme atestam alguns estudiosos da língua, são minoritários. E um ilustre representante das nossas letras parece ter responsabilidade parcial por essa escolha: o renomado autor regionalista Guimarães Rosa, que usou a palavra no título de um livro, “Primeiras estórias”, datado de 1962 (cujo primeiro conto, inclusive, começa com a frase “Esta é a estória”). Destarte, penso que não podemos dizer que os que grafam estória estejam desprovidos de credenciais - ao menos literárias, deixemos claro! 
Assim, para ser ortograficamente correto, prefira grafar "história" em contextos oficiais, que exijam o emprego da famigerada norma culta. Em contextos mais intimistas, que possibilitem expressão mais livre, artística e solta, a escolha, claro, fica a seu critério! Afinal de contas, como diz o sábio Luís FernandoVeríssimo: "A gramática tem que apanhar muito pra aprender quem é que manda!"

Em resumo: A forma mais aceita e correta é história. Estória está registrada no VOLP e em alguns dicionários, mas não há consenso quanto à sua aceitação.

Alguns defendem o uso do termo estória para a narração de fatos imaginários, de ficção e história para fatos reais e documentados. Outros afirmam que a palavra história abrange as duas significações, considera-se desnecessário o uso da palavra estória.

Segundo o Novo Acordo Ortográfico, é opcional o uso de letra maiúscula ou minúscula em nomes que designam domínios do saber, matérias, cursos e disciplinas: 

Geografia ou geografia, Biologia ou biologia, Química ou química, Física ou física, Gramática ou gramática, Direito ou direito, Informática ou informática, Matemática ou matemática, Administração ou administração, Filosofia ou filosofia, Inglês ou inglês, Espanhol ou espanhol, Sociologia ou sociologia, Redação ou redação, Interpretação de Textos ou interpretação de textos

História, sendo uma disciplina ou ciência, pode ser escrita com maiúscula ou minúscula. Sendo sinônimo de conto ou narração, deverá ser escrita com minúscula.

Como fazer o plural dos diminutivos?

1ª regra - Diminutivos com sufixo -inho: adiciona-se a desinência -s diretamente ao substantivo: luzinha > luzinhas

2ª regra - Diminutivos com sufixo -zinho ou -zito:

Coloca-se a palavra primitiva no plural: animal > animais
Remove-se o s do plural: animai
Adiciona-se o sufixo: animaizinho
Adiciona-se a desinência -s: animaizinhos

igual > iguais - s = iguai + zinho + s = iguaizinhos
azul > azuis - s = azui + zinho + s = azuizinhos

Tome nota! Os acentos gráficos (agudo e circunflexo), não são necessários, pois a sílaba tônica é a penúltima, a palavra é paroxítona. Em pãezinhos, o til permanece, porque não é acento, é uma marca de nasalização.

3ª regra - Regra consagrada pelo uso: Junta-se o sufixo diretamente ao plural do substantivo primitivo: colar > colarzinhos

Trava-língua, trava língua, travalíngua ou tanto faz?

Trava-língua, com hífen, é a forma correta. Escrita de forma junta ou separada não existe, pois trava não é um prefixo, elemento autônomo ou advérbio, e sim uma forma conjugada do verbo travar, na construção verbo + substantivo.

Segue a regra dos compostos por justaposição sem elemento de ligação, quando o segundo ou primeiro elemento é substantivo, adjetivo, numeral, pronome ou verbo.

Por exemplo: arco-íris, decreto-lei, ano-luz, guarda-chuva, matéria-prima, segunda-feira, médico-cirurgião, rainha-cláudia, tenente-coronel, porto-alegrense, primeiro-ministro, redator-chefe, extrema-unção, vigário-geral, cota-parte, cachorro-quente, pai-nosso, terça-feira, couve-flor, porco-espinho, guarda-roupa, padre-nosso, quarta-feira, escola-modelo, relógio-pulseira, licença-prêmio, papel-moeda, quinta-feira, cidade-estado, navio-igreja, ponto-limite, jogo-treino, sexta-feira, zé-ninguém, zé-povinho, salário-família, décimo-terceiro (salário), mesa-redonda (reunião), criado-mudo (móvel), calça-curta (inexperiente), salário-mínimo (empregado), ferro-velho (estabelecimento), casca-grossa (ignorante), etc.

Exceção: Nos compostos em que se perdeu a noção de composição, grafam-se aglutinadamente: girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedismo, paraquedista.

De olho na regência!

Chegar, ir, vir, sair, voltar, subir, trepar e todos os verbos de movimento são intransitivos, ou seja, não exigem complemento, já possuem sentido completo.

Esses verbos, geralmente, apresentam um adjunto adverbial, que pode ser de lugar, tempo, modo, intensidade, afirmação, negação, dúvida, meio, instrumento, companhia, causa, finalidade, assunto, matéria, preço, concessão, condição, conformidade, limitação, referência, medida, peso, efeito, reciprocidade, substituição, favor, proporção, consequência, conclusão, argumento, etc., mas nunca de opinião.

Quando o adjunto adverbial for de lugar, usa-se a preposição a para indicar transitoriedade de movimento e a preposição para quando se quer indicar permanência. Só se usa a preposição em para indicar lugar dentro do qual ocorre a ação.

Você não vai na pizzaria, você não vai no restaurante, você não vai no bar, construções ilógicas, porque você não vai morar naquele lugar. Você vai à pizzaria, ao restaurante, ao bar.

Se você for a São Luís, imagina-se uma viagem rápida, que você vai e volta no mesmo dia.
Se você for para São Luís, você vai ficar morando lá ou nunca mais voltará.

Rádio-relógio, radiorrelógio ou tanto faz?

Assim como rádio-vitrola, rádio-cassete e rádio-gravador, refere-se ao aparelho, e segundo o VOLP, grafa-se com hífen e não é um prefixo, e sim um substantivo composto.

Valores semânticos das preposições


Como sempre leciono em nossas aulas, pensar no "valor semântico" de uma determinada classe de palavra é pensar no seu conteúdo, no significado que ela traz consigo e que acrescenta ao contexto em que é empregada. Com as preposições não é diferente. Assim como as demais palavras da língua, elas operam mudanças de significado quando empregadas para relacionar dois termos na oração.
Lembrando que a PREPOSIÇÃO é a palavra invariável que serve para CONECTAR as palavas na oração. As preposições estabelecem também relações semânticas entre o termo regente (aquele que pede a preposição) e o termo regido (aquele que completa seu sentido). Por isso, vejamos uma relação de exemplos para entender o valor semântico das preposições em diferentes contextos:

Peguei o caderno da Letícia e vou devolvê-lo amanhã - Valor semântico de posse.

As esculturas de cerâmica fizeram o maior sucesso na exposição - Matéria

Estudar com os amigos é muito mais proveitoso - Companhia

O conhecimento é a chave para o sucesso - Finalidade

Fiz o trabalho conforme você sugeriu - Conformidade

Falamos sobre Machado de Assis durante o seminário - Assunto

O garoto se feriu com a faca - Instrumento

Aguardávamos com ansiedade o resultado do concurso - Modo

O cachorro morreu de uma epidemia desconhecida - Causa

A plateia protestou contra o alto preço da mensalidade - Oposição

O orientador estipulou um prazo de vinte dias. - Tempo

Conheci uns amigos de Maceió. - Origem 

Como sempre explico, não confunda preposição, que também significa o ato de prepor e um contrato jurídico para realizar negócios em nome de outrem, com sua parônima proposição, escrita com O, que é usada na lógica e na gramática, para indicar uma oração ou sentença, uma expressão ou enunciado que pode ser verdadeiro ou falso, e o ato de propor, ou seja, uma proposta ou sugestão.

Correlação dos tempos e modos verbais


Olívia bebeu o suco que pôs na taça.

Eu pergunto a vocês, leitores: essa frase está correta?
Trata-se, sem dúvidas, de uma frase clara, pois todo mundo que a lê entende perfeitamente o que aconteceu: em primeiro lugar, Olívia colocou suco na taça. Em segundo lugar, ela o bebeu.
Atenção para o tempo verbal que foi usado para expressar ambas as ações: o pretérito perfeito do indicativo que, como sabemos, indica uma ação passada já concluída.
No nosso exemplo, temos duas ações passadas concluídas (beber e pôr). Acontece, todavia, que não é possível que Olívia tenha bebido e posto o suco na taça simultaneamente. Uma das ações, logicamente,  aconteceu antes da outra. E qual é o tempo verbal que devemos usar para indicar uma ação passada concluída antes de outra ação também passada? Como sabemos, é pretérito mais-que-perfeito!
Como Olívia teve que pôr o suco na taça antes de bebê-lo, o ideal seria que escrevêssemos a frase assim:

Olívia bebeu o suco que pusera na taça.

Nessa nova construção, temos a correlação adequada de tempos e modos verbais. Sabemos, então, que o pretérito mais-que-perfeito do indicativo combina com o pretérito perfeito do indicativo quando queremos indicar duas ações passadas concluídas, uma anterior à outra.
Vejamos mais um exemplo:

Se eu tivesse mais tempo, viajaria sempre.

Aqui há o verbo tivesse, flexionado no imperfeito do subjuntivo, modo que expressa dúvida, hipótese. Temos que pensar na carga semântica do verbo quando escolhemos algum outro para com ele combinar. No caso em questão, podemos escolher o futuro do pretérito do indicativo (viajaria), pois ele expressa uma ação futura cuja realização depende de algo, uma ação condicionada.
A ideia transmitida pelo imperfeito do subjuntivo é de uma possibilidade bem remota. Por isso devemos usar o futuro do pretérito na combinação.
As correlações entre o pretérito mais-que-perfeito e o pretérito perfeito, ambos do indicativo, e entre o imperfeito do subjuntivo (-SSE) e o futuro do pretérito do indicativo(-RIA), são as mais comuns nas provas.
Em relação às demais, cabe ao leitor analisá-las cuidadosamente e ver se a lógica entre as informações é mantida.

Vejamos mais alguns exemplos de combinações bem feitas:

Se eu passar no vestibular, cursarei Psicologia. 
(Fut. do subjuntivo + fut. do pres. do indicativo).

Ela pediu que eu comprasse mais pães na padaria. 
(Pret. Perfeito do indicativo + imperfeito do subjuntivo).

Se Lúcia tivesse pedido, eu teria trazido os pães. 
(Pret. Mais-que-perfeito composto do subjuntivo + futuro do pretérito composto do indicativo).

Apesar de ser seguro considerar que o imperfeito do subjuntivo e o futuro do pretérito do indicativo combinam (-SSE, -RIA), o importante mesmo é treinar para conseguir compreender o sentido dos períodos formado com correlações de tempos verbais. Para isso, é preciso saber o que cada tempo e modo verbal quer dizer.

Em relação à atitude do falante, pode-se dizer que ela muda conforme o modo verbal escolhido, como no esquema abaixo:
  • MODO INDICATIVO à atitude de declaração, de certeza, de realidade, de convicção;
  • MODO SUBJUNTIVO à atitude de dúvida, de incerteza, de condição, de hipótese;
  • MODO IMPERATIVO à atitude de ordem, pedido, súplica, conselho, convite.
Quanto ao sentido dos tempos verbais do modo indicativo, podemos afirmar o seguinte (abordaremos os sentidos básicos!):

TEMPOS DO MODO INDICATIVO:


Presente do indicativo
  • Enuncia um fato que ocorre no momento em que se fala: Bebo água.
  • Dá atualidade ou dinamismos a fatos passados que são contados no presente: Em 1500, Cabral descobre o Brasil.
  • Indica ação futura e certa: Amanhã faço os exercícios de gramática.
  • Exprime dogmas, fatos cientificamente comprovados: A Terra gira em torno do solUm ângulo reto tem 90 graus.
  • Enuncia ação habitual: Aos sábados, almoçamos aqui.

Pretérito perfeito do indicativo
  • Enuncia fato passado já concluído: Compramos um apartamento espaçoso.

Pretérito mais-que-perfeito do indicativo
  • Exprime fato passado concluído antes de outro fato também passado: Comeu todos os doces que fizera. (primeiro fez, depois comeu).

Pretérito imperfeito do indicativo
  • Exprime um fato passado referindo-se ao momento em que ele ainda acontecia (ou seja, ainda não concluído): Eu cozinhava quando minha mãe chegou.
  • Indica ação frequentativa passada: Quando criança, lia Monteiro Lobato.

Futuro do presente do indicativo
  • Indica fato futuro tido como certo: Amanhã farei os trabalhos da faculdade.

Futuro do pretérito do indicativo
  • Enuncia um fato futuro relativo a um fato passado: Ontem Marta falou que compraria um par de sapatos.
 Por fim, lembremo-nos, também, dos tempos compostos:

Do indicativoDo subjuntivo
Pretérito perfeitoPres. do ind. + particípio Tenho escolhidoPres. do subj. + partícipio Tenha escolhido
Pretérito MQPPret. Imperf. do ind. + Particípio Tinha escolhidoImperfeito do subj. + particípio Tivesse escolhido
Futuro do presenteFut. do pres. do ind. + particípio Terei escolhidoFut. do subjuntivo + particípio Tiver escolhido
Futuro do pretéritoFut. do pretérito do ind. + particípio Teria escolhidoNão existe

Com base nessa tabela, por exemplo, sabemos que "Olívia tinha feito os doces quando Gabriela chegou" equivale a "Olívia fizera os doces quando Gabriela chegou."

Concordância verbal com o verbo no infinitivo

Estamos aqui para estudar ou estamos aqui para estudarmos?

O post de hoje responde à dúvida do leitor (ou leitora!) que se identifica como "aprendiz", aqui nos comentários do blog. Pergunta ele(a): "Qual é a forma correta: 'Estamos aqui para estudar ou estamos aqui para estudarmos.' ?" Em primeiríssimo lugar, agradeço a visita e a contribuição, caro(a) leitor(a): a partir das dúvidas que me chegam posso construir um espaço cada vez mais útil e interessante aos meus leitores e alunos. Em segundo lugar, você me pergunta o "assunto" dessa dúvida: trata-se de um problema de CONCORDÂNCIA VERBAL. Você quer saber sobre como proceder a concordância da forma verbal no infinitivo depois de uma preposição, no caso, a preposição "para". Esse, como você verá, é um "enrosco" bastante comum no cotidiano (principalmente escrito) da língua! Uma dúvida que, com certeza, é compartilhada por muitos falantes e estudantes da língua portuguesa. 
Para solucioná-la, contei com a ajuda valiosa dos conhecimentos colhidos ao professor Sérgio Nogueira, que leciona, a esse respeito, o seguinte:
 
USO DO INFINITIVO
 
1) Em locuções verbais, devemos usar o infinitivo impessoal (= aquele que não se flexiona):

“Os deputados DEVEM ANALISAR o caso na próxima semana.”
“Os contribuintes PODERÃO, a partir da próxima semana, PAGAR antecipadamente o IPTU.”

Observe que, nas locuções verbais, temos uma oração. O verbo auxiliar é o que concorda com o sujeito.
 
2) Em orações reduzidas, usamos o infinitivo pessoal (= aquele que se flexiona, concordando com o sujeito):
 
O professor trouxe o livro PARA EU LER (= para que eu lesse)
PARA TU LERES
PARA ELE LER
PARA NÓS LERMOS
PARA VÓS LERDES
PARA ELES LEREM 
 
Nesse caso, são duas orações. “O professor trouxe o livro” é a oração principal. A segunda oração é uma subordinada adverbial final reduzida de infinitivo.
 
Observe o exemplo a seguir:
“Houve uma ordem / PARA OS PRÓPRIOS FUNCIONÁRIOS CADASTRAREM OS CONTRIBUINTES.”

Esquema de fixação:
Locução verbal verbo auxiliar + infinitivo impessoal (= não se flexiona);
Oração principal oração reduzida de infinitivo (pessoal = concorda com o sujeito)

Dúvida do(a) leitor(a):

“Estamos aqui para estudar ou estamos aqui para estudarmos.”

São duas orações. “Estamos aqui” é a oração principal e “para estudar(mos)” é uma oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo. Aqui, portanto, temos duas orações, mas o sujeito é o mesmo (nós). Como o sujeito do infinitivo está oculto (nós), alguns autores consideram um caso facultativo, outros afirmam que é um caso de infinitivo não flexionado:

“Estamos aqui PARA ESTUDAR. ou PARA ESTUDARMOS." (uso facultativo)

Professor, o que é facultativo? Aquele que faz faculdade?
Não, é aquilo que é optativo, alternativo, eletivo, arbitrário, voluntário, dispensável, discricionário, opcional, que não é obrigatório, dependendo da vontade, rigorosamente op-opcional.

Observe mais exemplos:
“Duas novas ruas foram abertas / para FACILITAR (ou FACILITAREM) o acesso.”
“Usineiros e representantes estarão em Brasília / para PRESSIONAR (ou PRESSIONAREM) o governo federal.”

É interessante observar que, na 1ª pessoa do plural, todos preferem o infinitivo não flexionado: “Nós saímos / para ALMOÇAR”. Ninguém diria: “Nós saímos para almoçarmos.”

Observe, agora, os casos abaixo:

1) Se o sujeito estiver claramente expresso, a concordância é obrigatória:
“Trouxeram os sanduíches / para NÓS ALMOÇARMOS no escritório.”

2) Quando o infinitivo desempenha a função de complemento, usamos a forma não flexionada:
“Os paulistanos foram obrigados A PASSAR quatro horas no saguão do aeroporto.”
“A falta de informação leva outros meninos A FAZER a mesma coisa todos os dias.”
“A lei proíbe os brasileiros DE FUMAR na ponte aérea.”
“Os músicos foram impedidos DE PARTICIPAR de qualquer tipo de trabalho em discos.”

3) Quando o verbo for de ligação (= SER, ESTAR, FICAR, TORNAR-SE…) ou estiver na voz passiva, a concordância é facultativa:
“Elas tiveram que suar muito PARA SE TORNAR (ou TORNAREM) as campeãs.”
“Elas têm que malhar muito PARA FICAR (ou FICAREM) magrinhas.”
“O TSE liberou duas das quatro parcelas PARA SER (ou SEREM) DIVIDIDAS por 26 partidos.”
“O porta-voz francês informou que as medidas A SER (ou SEREM) TOMADAS contra o terror são iguais às da Inglaterra.”
 
4) O verbo no plural enfatiza o agente em vez do fato. Em caso de ambiguidade, preferimos o plural para evitar a dúvida:
“Presidente liberou seus ministros PARA SUBIREM em palanque.” (= quem vai subir em palanque são os ministros, não o presidente). Se o verbo estivesse no singular, poder-se-ia imaginar que quem subiria em palanque seria o presidente e não os ministros.

Porta-retrato ou portarretrato? Ou tanto faz?

O correto é: porta-retrato, com hífen. Não há um prefixo, para duplicar a consoante r, e sim a construção verbo + substantivo (porta, forma conjugada do verbo portar), o que justifica o emprego do hífen. Não houve alterações a essa regra com o Novo Acordo Ortográfico.

Em minirretrato e autorretrato, tem-se o prefixo mini e auto + o substantivo retrato. Pela nova regra, o hífen desaparece e duplica-se a consoante r para manter o som forte do r, para evitar o som fraco de 'miniretrato' e 'autoretrato'.

Patrulha ortográfica! - Ao encontro de ou de encontro a?

Ao encontro de - a favor de, na direção de
Sua proposta vai ao encontro de meus objetivos.

De encontro a - contra, em sentido contrário
Isso vai de encontro a meus princípios.

A pronúncia da palavra subsídio


A PRONÚNCIA DA PALAVRA "SUBSÍDIO"

O "s" dessa palavra soa como "ss", e não como "z", do mesmo modo que "subsaariano", "subsecretário",“subserviente, "subsistência", "subsolo". Em outras palavras, subsistir, subsistência e subsistente, no VOLP de 2004, apresentam pronúncia oscilante, s ou z.
Para ter o som de “z”, o “s” precisa ficar entre duas vogais, o que, como vemos, o é o caso.
Conforme alguns etimologistas, a palavra "subsídio" designava uma corporação do exército romano, "sub sedio".
Formada por soldados estrangeiros, essa corporação somente atuava quando havia necessidade de socorro, de auxílio, o que explica o sentido moderno de "subsídio".

E QUANTO À PALAVRA "OBSÉQUIO"?

Das palavras com o encontro “-bs-”, o “s” tem som de “z” apenas em “obséquio” e derivadas (obsequiar, obsequioso, obsequiosidade). E a razão para isso é etimológica.
“Obséquio” é da família de “exéquias”. Elas não são sinônimas nem equivalentes, são diferentes, a primeira significa “favor”, a segunda, “cerimônias fúnebres”. A relação de parentesco, porém,  fica clara em “obséquias”, sinônimo de “exéquias”, e no latim: “obsequiae”, plural de “obsequium” (serviço), do verbo “obsequi” (ceder a, obedecer), com a base “sequi” (seguir), também presente em “exsequiae”.

Acentos diferenciais que desapareceram - Nova ortografia

pára (verbo parar) / para (preposição)
pêra (substantivo) / pera (preposição arcaica)
pólo (substantivo) / polo (preposição arcaica)
pélo (verbo pelar) / pêlo (substantivo) / pelo (preposição)
côa (verbo coar) / coa (preposição contraída comum na linguagem literária)

Acentos diferenciais que restaram:

pôr (verbo) / por (preposição)
pôde (pretérito perfeito) / pode (presente)
têm e vêm (plural) / tem e vem (singular)
retém, provém... (singular) / retêm, provêm... (plural)
fôrma (substantivo) / forma (substantivo ou verbo formar) - facultativo, uso contextual por coerência 

Língua pátria, pátria língua - Dia a dia, dia-a-dia ou tanto faz?


A forma correta de escrita da locução é dia a dia, sem o hífen. A locução dia-a-dia passou a estar errada desde a entrada em vigor do Novo Acordo Ortográfico, em janeiro de 2009. 
Devemos utilizar a locução adverbial ou substantiva dia a dia sempre que quisermos nos referir a uma ação realizada diariamente ou uma ação que vai sendo realizada à medida que os dias passam. A expressão dia a dia, em seu uso como substantivo composto, significa cotidiano
Segundo o Novo Acordo Ortográfico, o hífen não deverá ser utilizado nas palavras compostas que possuem, entre seus termos, um elemento de ligação, em resumo, locuções substantivas, adjetivas, pronominais, adverbiais, prepositivas ou conjuntivas. São exemplos dessa nova regra as seguintes palavras: dia a dia, fim de semanapé de moleque, lua de mel, sala de jantarcão de guardacor de vinhocafé com leiteà toa, etc.
Assim como a expressão “dia a dia”, muitas outras expressões já tradicionais na língua portuguesa perderam o hífen. Confira:

corpo a corpo (substantivo e advérbio), passo a passo (substantivo e advérbio), arco e flechageneral de divisão, lua de mel, pé de moleque, ponto e vírgula, não me toques (melindres), um disse me disse, um deus nos acudaum(a) maria vai com as outras, um pega pra capar, carne de sol, dor de cotovelo, pau de sebo, (um) faz de conta, queda de braço, (forró/trio) pé de serra, fim de semana, bicho de sete cabeças, mão de obra, quarta de final, oitava de final, ponto de vista e dia a dia (substantivo e advérbio).

Exemplos de uso da expressão dia a dia

A funcionária atualizava a lista de presença dia a dia
Dia a dia vai melhorando a saúde do paciente. 
Meu dia a dia às vezes é tão aborrecido! 

Atenção às exceções! (Sempre elas...)

1) água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia (as economias de uma pessoa), ao deus-dará e à queima-roupa;
2) os nomes de espécies botânicas e zoológicas, como andorinha-do-mar, bem-te-vi, cana-de-açúcar, coco-da-baía, dente-de-leão, feijão-carioca, feijão-verde, joão-de-barro, limão-taiti e mamão-havaí;
3) os adjetivos pátrios derivados de topônimos compostos, como cruzeirense-do-sul, florentino-do-piauí, espírito-santense, porto-alegrense e mato-grossense-do-sul.

Língua pátria, pátria língua - Verbos terminados em EAR e IAR

VERBOS TERMINADOS EM "-EAR" E "-IAR"

"Ó, e agora quem poderá remedIAR a situação?"

Você sabe conjugar os verbos terminados em “-ear” e os terminados em “-iar”?

O certo é “Eu ARREIO ou ARRIO”?

Os dois estão certos.

Eu ARREIO é do verbo ARREAR (=pôr os arreios);
Eu ARRIO é do verbo ARRIAR (=abaixar, descer).

1) Todos os verbos terminados em “-EAR” (ARREAR, CEAR, FREAR, PASSEAR, PENTEAR, RECEAR, RECREAR, SABOREAR…) são irregulares: fazem um ditongo “EI” nas formas rizotônicas (1ª, 2ª, 3ª do singular e 3ª do plural, nos tempos do presente):

PRESENTE DO INDICATIVO

Eu arrEIo
Tu arrEIas
Ele arrEIa
Nós arreamos
Vós arreais
Eles arrEIam

PRESENTE DO SUBJUNTIVO (=que…)

Eu arrEIe
Tu arrEIes
Ele arrEIe
Nós arreemos
Vós arreeis
Eles arrEIem

IMPERATIVO AFIRMATIVO

arrEIa tu
arrEIe você
arreemos nós
arreai vós
arrEIem vocês

IMPERATIVO NEGATIVO

não arrEIes tu
não arrEIe você
não arreemos nós
não arreeis vós
não arrEIem vocês

2) Os verbos terminados em “-IAR” (ARRIAR, ANUNCIAR,COPIAR, MIAR, PREMIAR, VARIAR…) são regulares, exceto: ANSIAR, INCENDIAR, ODIAR, MEDIAR, INTERMEDIAR e REMEDIAR, que são irregulares (= ditongo “EI” nas formas rizotônicas):

Observe a diferença:

PRESENTE DO INDICATIVO

ARRIAR (=verbo regular)
Eu arrio
Tu arrias
Ele arria
Nós arriamos
Vós arriais
Eles arriam

ANSIAR (=verbo irregular)
Eu ansEIo
Tu ansEIas
Ele ansEIa
Nós ansiamos
Vós ansiais
Eles ansEIam

PRESENTE DO SUBJUNTIVO

eu arrie
tu arries
ele arrie
nós arriemos
vós arrieis
eles arriem

eu ansEIe
tu ansEIes
ele ansEIe
nós ansiemos
vós ansieis
eles ansEIem

IMPERATIVO AFIRMATIVO

arria tu
arrie você
arriemos nós
arriai vós
arriem vocês

ansEIa tu
ansEIe você
ansiemos nós
ansiai vós
ansEIem vocês

IMPERATIVO NEGATIVO

não arries tu
não arrie você
não arriemos nós
não arrieis vós
não arriem vocês

não ansEIes tu
não ansEIe você
não ansiemos nós
não ansieis vós
não ansEIem vocês

Portanto, o certo é:

Ele anseiaincendeiaodeiamedeiaintermedeia e remedeia (=irregulares); mas…

Ele arriaanunciacopiamiapremiavaria

O verbo MAQUIAR (=maquilar) também é regular: maquio, maquias, maquia…

Resumindo:

VERBOS TERMINADOS EM -EAR E -IAR

1. -EAR: recebem "i" depois do "e", nas formas rizotônicas.

Recear: recEIo, recEIas, recEIa, receamos, receais, recEIam.
recEIe, recEIes, recEIe, receemos, receeis, recEIem
recEIa, recEIe, receemos, receai, recEIem
não recEIes, não recEIe, não receemos, não receeis, não recEIem
receei, receaste, receou, receamos, receastes, recearam

Errado: freiar, estreiar e ceiar, pois o único verbo que termina em EIAR é veiar, formar riscas ou estrias.
Correto: FREAR, ESTREAR e CEAR

2. -IARregulares.

Arriar: arrio, arrias, arria, arriamos, arriais, arriam.
Maquiar: maquio, maquias, maquia, maquiamos, maquiais, maquiam.

Os verbos irregulares Mediar, Ansiar, Remediar, Intermediar, Incendiar e Odiar: recebem um "e" antes do "i" nas formas rizotônicas:

Odiar: odEIo, odEIas, odEIa, odiamos, odiais, odEIam.
odEIe, odEIes, odEIe, odiemos, odieis, odEIem.
odEIa, odEIe, odiemos, odiai, odEIem
não odEIes, não odEIe, não odiemos, não odieis, não odEIem

Língua pátria, pátria língua - Os sete pecados mortais da crase

1 - Antes de palavra masculina - Exceção: quando a locução prepositiva 'à moda de' ou 'à maneira de' estiver implícita

2 - Antes de artigo indefinido ou verbo no infinitivo

3 - Antes da maioria dos pronomes (pessoal, de tratamento, demonstrativo, indefinido, interrogativo e relativo) - Exceção: Com os pronomes senhora, senhorita, dona e madame, ocorrerá a crase

4 - Quando houver preposição antes do a - Exceção: Com a preposição até, a crase será facultativa

5 - Antes de palavra feminina no plural em sentido genérico, se o a estiver desacompanhado de artigo - Exceção: No sentido específico, o a estará acompanhado de artigo, logo, ocorrerá a crase.

6 - Antes de palavras repetidas, com valor adverbial - Exceção: É preciso declarar guerra à guerra / É preciso dar mais vida à vida (objeto direto e objeto indireto)

7 - Na expressão 'a distância' indeterminada, quando funciona como locução adverbial - Exceção: Quando se tornar uma locução prepositiva e estiver determinada, ocorrerá a crase.

8 - Antes de numeral cardinal - Exceção: quando o numeral indicar horas, ou quando houver um substantivo feminino implícito, ou explícito junto ao numeral, ou quando se tratar de um numeral ordinal feminino

Língua pátria, pátria língua - Às vezes, à vontade, à esquerda... com ou sem crase?

Sempre ocorrerá crase nas locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas que têm por núcleo palavra feminina, com exceção dos adjuntos adverbiais que indicam meio ou instrumento, cujo acento só ocorrerá quando houver ambiguidade na frase. Alguns gramáticos renomados, porém, admitem esse uso em qualquer circunstância, mesmo não ocorrendo ambiguidade.

Estava à toa na vida, meu amor me chamou.

Locuções adverbiais:

Tempo: às vezes, à tarde, à noite...
Lugar: à direita, à esquerda, à frente, à deriva...
Modo: à vontade, às claras, às pressas, às escuras, à francesa, à la carte...
Intensidade: à beça, às pampas

Locuções prepositivas: à procura de, à espera de, à custa de, à beira de, à força de, à sombra de, à exceção de, à semelhança de, à imitação de

Locuções conjuntivas: à medida que, à proporção que

Mas: Fizemos a redação a caneta. / Escrevi a receita a mão. (não há ambiguidade, sem crase, indica instrumento)
Segundo alguns gramáticos: Escrevi a receita a/à mão. / Fizemos a redação a/à caneta. (caso facultativo)

Matou-o a bala. / Matou-o à bala. (há risco de dupla interpretação, a mensagem não é clara: a bala matou o João ou o João matou o José a bala? Colocando o acento, há mais clareza.)

O cozinheiro cheirava a gordura. / O cozinheiro cheirava à gordura. (risco de duplicidade de sentido, a mensagem não é clara: o cozinheiro exalava cheiro de gordura ou aspirava o cheiro da gordura? Colocando o acento, a clareza aumenta.)

Outros exemplos: matar a fome (saciar a fome) / matar à fome (deixar sem comer); pintar a mão (passar tinta ou esmalte na mão) / pintar à mão (usar a mão para pintar); receber a bala (ganhar uma guloseima) / receber à bala (ganhar atirando)

bater a máquina (golpear ou espancar na máquina) / bater à máquina (digitar usando a máquina); cortar a navalha (dividir a navalha em metades) / cortar à navalha (usar a navalha para cortar); comprar a vista (comprar os olhos); comprar à vista (comprar totalmente no ato da compra); pagar a prestação (pagar a prestação do dia) / pagar à prestação (pagar mensalmente)