2 de janeiro de 2020

O R e o S geminados

Vamos, hoje, tratar de um assunto que tortura muita gente escolarizada: o r e o s geminados.
Quando se usa r e rr no meio das palavras?

Entre vogais, o erre tem som brando (fraco): careta, lorota, Maricota, nora.

Se ele for vibrante (forte), há duas possibilidades:

se ele vier entre vogais, a palavra será grafada com dois erres: garrafa, marreco, arrulho, barraco, carro, torrar, turra, morrer, parricida, berro, correr, ferrar, forro, agarrar, guitarra, guerra, gorro, jarro, jorrar, murro, zurrar, zorro, torre, varrer, barra.
se ele vier entre uma consoante e uma vogal, haverá apenas um erre: honra, tenro, genro, Henrique, Conrado, bilro, palrar, melro, guelra, enredo.
O esse, quando vem entre duas vogais, tem som de z: casa, mesa, pisar, aviso, análise, asa, coisa, dose, fuso, gasoso, lousa, luso, liso, leso, nasal, pose, quisera, rosa, Sousa, tísico, vaso.

Quando o esse vier entre vogais, com som de s (ce), deverá ser geminado: assar, posse, gesso, massa, bossa, cessar, desse, disse, fosse, nesse, passou, classe, grosseiro, Rússia.
Quando o esse vier entre uma consoante e uma vogal e tiver o som de s (ce), ele será simples: manso, tenso, censo, senso, hirsuto, Barsa, cansar, conselho, curso, corso, denso, farsa, farsante, ganso, mensurar, pensar.

O ou lhe - Pronome oblíquo como objeto direto ou indireto

Existem alguns pronomes que confundem: podem ser objetos diretos ou indiretos. São eles: me/nos; te/vos e se.
Veja exemplos com objetos diretos:

As crianças me amam. Nomearam-me assistente. Acolheram-me com afeto.
O cliente vai processar-te. Ninguém quer prejudicar-te. Estimo-te muito.
Será que vão chamar-nos? Ouviram-nos com prazer. Ofenderam-nos na exposição.
Não posso esquecer-vos. As crianças devem visitar-vos brevemente. Entendo-vos bem.
Ele castigou-se, deixando de comprar o quadro. A jovem pegou-se pensando no passado. Há pessoas que se veem superiores aos outros.

Para verificar se o pronome é objeto direto, você pode substituí-lo por O (e flexões):

As crianças o amam. Nomearam-no assistente. Acolheram-no com afeto.
O cliente vai processá-lo. Ninguém quer prejudicá-lo. Estimo-a muito.
Será que vão chamá-lo? Ouviram-no com prazer. Ofenderam-no na exposição.
Não posso esquecê-la. As crianças devem visitá-lo brevemente. Entendo-a bem.
Ele castigou-a, deixando de comprar o quadro. A jovem pegou-o pensando no passado. Há pessoas que os veem superiores aos outros.

Conforme você pôde ver, o pronome o muda para lo quando o verbo terminar por r, s e z: chamá-lo, fi-lo, qui-lo e para no quando o verbo terminar por som nasal: viram-no, põe-na.

Os mesmos pronomes podem exercer função de objeto indireto:

Não me obedeceram quando lhes fiz sinal. O espetáculo não me agradou.
Comunicaram-te a renúncia do prefeito? Deram-te mais tempo que o necessário.
Informaram-nos a próxima partida do avião. Pagaram-nos o devido.
Perdoaram-vos a ofensa. Agradeceram-vos a presença.
Procuraram dizer-se a verdade. A viúva devolveu-se a alegria de viver.

Nos casos acima, os pronomes podem ser substituídos por lhe:
Não lhe obedeceram quando lhes fiz sinal. O espetáculo não lhe agradou.
Comunicaram-lhe a renúncia do prefeito? Deram-lhe mais tempo que o necessário.
Informaram-lhe a próxima partida do avião. Pagaram-lhe o devido.
Perdoaram-lhe a ofensa. Agradeceram-lhe a presença.
Procuraram dizer-lhe a verdade. A viúva devolveu-lhe a alegria de viver.

Em alguns verbos os pronomes mencionados podem funcionar como objetos diretos ou indiretos: informar, avisar, cientificar, notificar.

O oficial informou-me o dia da audiência. – OI
O oficial informou-me do dia da audiência. – OD

Informaram-te o dia da prova? – OI
Informaram-te do dia da prova? – OD

O carteiro nos notificou a entrega. – OI
O carteiro nos notificou da entrega. – OD

A secretária vos cientificou o telefonema? – OI
A secretária vos cientificou do telefonema? OD

Esses verbos exigem OD e OI. Se o fato exerce função de objeto direto, a pessoa exerce o de objeto indireto e vice-versa.

Como escrever horas e datas

COMO ESCREVER HORAS E DATAS
Para escrevermos horas, é bom lembrar que não se põe s na abreviatura; também não se põe ponto. Hora (s) é abreviado com um h; minutos, com m ou min; segundo (s) com s. Ex.: 9h20m ou min; 9h25m ou min (não há ponto). Não existem hs, hr ou hrs. H maiúsculo é o símbolo do hidrogênio. Mins, seg e segs não existem.
Há gramáticos que rejeitam a abreviatura m porque acha que alguém poderia entender como metro, que tem a mesma abreviatura. Nunca ouvi ninguém ler: “São nove horas e quinze metros”. Você já ouviu?
Não escreva, portanto: 9:25h; 9h 25´ 6´´. Os símbolos da plica representam minuto e segundo em unidades de ângulo e plano.

E datas, como abreviar? Você pode separar o dia do mês e ano com ponto, com barra ou com traço, indiferentemente. Escolha.
Hoje são: 31/12/2007 ou 31-12-2007 ou 31.12.2007.
O Manual de Redação da Presidência da República prefere ponto. Veja:

Comissão encarregada de elaborar, sem ônus, a primeira Edição do Manual de Redação da Presidência da República (Portaria SG no 2, de 11.1.91, DOU de 15.1.91): Gilmar Ferreira Mendes (Presidente), Nestor José Forster Júnior, Carlos Eduardo Cruz de Souza Lemos, Heitor Duprat de Brito Pereira, Tarcisio Carlos de Almeida Cunha, João Bosco Martinato, Rui Ribeiro de Araújo, Luis Fernando Panelli César, Roberto Furian Ardenghy.

19.6.8. Rejeição do Veto e Entrada em Vigor da Parte Mantida pelo Congresso Nacional
Considerando que a lei sancionada parcialmente entra em vigor consoante cláusula de vigência nela estabelecida, ou nos termos do disposto na Lei de Introdução ao Código Civil (Decreto-Lei no 4.567, de 4.9.1942, art. 1o), resta indagar se se aplicam, no caso de rejeição de veto parcial, as regras relativas à entrada em vigor da lei como ato normativo autônomo, ou se a parte vetada tem a vigência idêntica da parte não vetada.

ANEXO

Art. 8o
§ 1o A contagem do prazo para entrada em vigor das leis que estabeleçam período de vacância far-se-á com a inclusão da data da publicação e do último dia do prazo, entrando em vigor no dia subsequente à sua consumação integral. (Parágrafo incluído pela Lei Complementar no 107, de 26.4.2001)

Para encerrar, RISCO DE VIDA OU RISCO DE MORTE?

Use como lhe aprouver; empregue a forma de que você gostar mais.
Eu prefiro risco de vida (risco de perder a vida). De uns tempos para cá, resolveram (quem?) que risco de morte é melhor, porque não se corre risco com ocorrências positivas, todavia, conforme você já viu, o risco é de perda.

Prefixos gregos

PREFIXOS GREGOS
Você já viu prefixos e radicais latinos. Vamos, agora, ver alguns prefixos gregos.

A, an – correspondem ao in latino. Seu sentido é de negação. Ex.: acéfalo (sem cabeça), amoral (não moral, indiferente à moral, aos costumes), analfabeto, anarquia (sem governo, sem chefe), anômalo (homalós = de superfície lisa; então, que não tem a superfície lisa), anônimo (sem nome), apatia (sem sentimento, sem sensibilidade), ateu (sem deus), átono (sem força).

Anti – oposição; corresponde ao contra latino. Ex.: Antagonista (contra a força), antártica, antídoto (contra o mesmo – id), anti-higiênico, antipatia (contra emoção, sentimento), antípoda (pés opostos), antítese (tese contrária).

Arce, arque, arqui – superioridade, que está na frente. Ex.: Arcanjo, arcebispo, arquidiocese, arquiduque, arquirrabino

Auto – próprio . Ex.: autoafirmação, autoagressão, autobiografia, autoconhecimento, autodefesa, autodestruição, autodidata, autoestima, autógrafo, automóvel, autonomear-se, autopreservação, autopromoção, autoproteger-se.

Dis – dualidade (bi em latim), mau funcionamento. Ex.: dígrafo (duas letras), dilema (duas proposições), disenteria (mau funcionamento do intestino), dislalia (distúrbio da fala), dislexia (distúrbio na leitura), dispepsia (mau funcionamento da digestão), dispneia (má respiração), dístico (em duas fileiras), ditongo (som duplo).

Eu, ev (bene em latim) – bom, bonito. Ex.: eufemismo (dizer, falar, expressar bem opinião – de maneira delicada), euforia (boa tolerância), eugenia (boa raça, tronco, família), eulalia (boa fala), eupepsia (boa digestão), eutanásia (boa morte), evangelho (bom mensageiro).

Hemi – meio . Ex.: hemicrania ou hemicrânia (dor de cabeça em apenas um lado = enxaqueca), hemiplegia (paralisia da metade do corpo), hemisfério (metade da esfera), hemistíquio (metade do verso alexandrino, quer dizer, verso de doze sílabas métricas; conta-se até a última sílaba tônica). Veja um exemplo de poema com versos alexandrinos:

O SONHO – Eugênio de Castro

Na messe, que enlourece, estremece a quermesse…
O sol, o celestial girassol, esmorece…
E as cantilenas de serenos sons amenos
Fogem fluidas, fluindo à fina flor dos fenos…

(…) Três da manhã. Desperto incerto… E essa quermesse?
E a Flor que sonho? e o sonho? Ah! tudo isso esmorece!
No meu quarto uma luz luz com lumes amenos,
Chora o vento lá fora, à flor dos flóreos fenos…

Hiper – corresponde ao latim super = sobre, posição superior, excesso. Ex.: Hiperácido, hiperacusia (acuidade auditiva exagerada), hiperagressividade, hipérbole (exagero = Já disse mil vezes que hipérbole é exagero), hiperdosagem, hiperglicemia, hipermercado, hipermetropia, (metro+opia = vista, olho), hipertensão (tensão acima do normal), hipertireoidismo, hipertrofia (desenvolvimento excessivo de órgão ou parte dele), hipervalorizar, hiperventilar, hipervitaminose (estado anormal devido ao excesso de vitaminas).

Hipo – corresponde ao latim sub. Ex.: Hipocalórico, hipodérmico (subcutâneo), hipoglosso (sob a língua).

Peri – ambi em latim – movimento circular, em torno de. Ex.: Perianto (em torno da flor), periferia (em torno da esfera), perífrase (em torno da frase).

Radicais latinos

RADICAIS LATINOS

Aevu (lê-se évu) = idade, época. Ex.: Coevo, longevo, medievo.

Agri = campo. Ex.: Agrícola (que mora no campo), agricultor (que cultiva o campo).

Ambi = movimento circular, dualidade. Ex.: Ambidestro, ambiente, ambivalente, ambiguidade.

Ambulare = andar. Ex.: Ambulância, ambulante (que anda), noctâmbulo (que anda de noite), sonâmbulo.

Bellu = guerra. Ex.: Bélico, belicoso, belígero (que provoca guerra).

Cida = o que mata. Ex.: Parricida (que mata o pai), matricida (que mata a mãe), fratricida (que mata o irmão), uxoricida (que mata a esposa), formicida, inseticida, raticida, suicida (que mata a si próprio).

Cola = Que habita ou cultiva. Ex.: Agrícola, silvícola (que mora na selva), arborícola.

Collu = Pescoço. Ex.: Colar, colarinho, coleira, colo.

Oni = Todo. Ex.: Ônibus (para todos), onipotente ou omnipotente (que pode tudo), onipresente ou omnipresente (que está presente em todos os lugares), onisciente ou omnisciente (que sabe tudo), onívoro ou omnívoro (que come de tudo).

Patre = Pai. Ex.: Paternal, paterno, patrimônio, patrocínio.

Sene = Velho. Ex.: Senado, senador, senil, senilidade, senhor, sênior.

Tergu = Costas. Ex.: Tergiversar (virar as costas = fugir do assunto)

Umbra = Sombra. Ex.: Penumbra (quase sombra), umbroso (cheio de sombra).

Vermi = Verme. Ex.: Vermífugo, vermelho (vermículo, pequeno verme). Para se obter o vermelho, espremia-se um verminho (cochonilha)

Concordância nominal - grão & etc.

Mais um pouco de concordância nominal
Grão flexiona apenas em gênero. Ex.: O grão-mestre trouxe novidades. Os grão-mestres trouxeram novidades. A grã-duquesa era de uma elegância irrepreensível. As grã-duquesas eram de uma elegância irrepreensível.

Flexão de qualquer

Qualquer faz o plural quaisquer. Deve ser usado em frases afirmativas, com valor de indeterminar, generalização. Ex.: Qualquer filme tem boa aceitação naquela cidadezinha. Aceitarei o emprego, quaisquer que sejam as condições.
Observação: nunca use qualquer em frase negativa: Não tenho qualquer intenção de sair. Use: Não tenho nenhuma intenção de sair ou Não tenho intenção alguma de sair. Os dicionários não dão a qualquer essa acepção, típica da língua popular e usada por escritores renomados.

Pseudo, extra (prefixo), as preposições salvo, tirante e exceto, as locuções conjuntivas de modo que, de forma que, de maneira que e de sorte que e a locução adverbial a olhos vistos não flexionam. Ex.: Os animais são pseudo-hermafroditas. Os fenômenos extra-atmosféricos foram vistos com reserva. A criança crescia a olhos vistos.

Observações:
1- Se extra for adjetivo (abreviação de extraordinário), vai para o plural: horas extras, trabalhos extras. A pronúncia recomendável é com ê.
2- A olhos vistos quer dizer olhos que veem. É um resquício da voz depoente em latim. Depoente significa que o verbo era conjugado na voz passiva com sentido de ativa. Você, por certo, já ouviu dizer que alguém saiu almoçado de casa; que determinada pessoa é um homem lido. Isso significa, no primeiro caso, que alguém almoçou; no segundo, que leu.

As expressões “sou maior/menor” não têm de. Não se diz: Sou de maior; sou de menor. Diz-se: O infrator era maior; seu comparsa, menor.

Concordância nominal - só & cia.

Vimos, no último boletim, concordância nominal em que a flexão se fazia no feminino e no plural (em gênero e em número).
Hoje, vamos ver nomes cuja flexão se faz apenas com número (plural): só, tal, quite, bastante.
Quando só tiver o significado de sozinho, flexionará. Ex.: Os meninos vieram sós. As mulheres estavam sós no deserto. Se o nome a que se refere estiver no singular, a palavra só se manterá no singular: A criança, só, ficou no casarão.
Existe a expressão a sós, que é invariável. Ex.: Os meninos estavam a sós. As mulheres estavam a sós no deserto. O casal, a sós, ficou no casarão. Fiquei a sós, pensando no desfecho do caso.

Só, quando significar somente, não flexiona. Ex.: Só os comerciantes não gostaram da medida. As mulheres só reclamaram do serviço doméstico.

Tal faz o plural tais. Ex.: Tal pai, tais filhos. Tais atitudes escandalizaram a sociedade. Que tais os novos modelos apresentados?

Quite tem singular, embora muita gente pense que a forma quites seja uniforme, assim como os substantivos pastel e chope. É comum ouvir “um pastéis e um chopes”.
Assim: Estou quite com você. Podemos recomeçar. O pai da criança estava quite com o colégio. Estamos quites.

Bastante vai para o plural quando o substantivo que ele modifica estiver no plural. Experimente substituir bastantes por muitos. Se for possível, você deverá usar o plural. Ex.: O ator havia dirigido bastantes peças. Tenho bastantes casos para contar. Trabalhos bastantes mantêm a mente ocupada.
Se não pudermos substituir bastante por muitos, muitas, ele será invariável. Ex.: Os atletas treinaram bastante. Vocês já estão bastante grandes para essas brincadeiras.

Concordância nominal - mesmo & cia.

CONCORDÂNCIA NOMINAL
Flexionam em gênero e número, concordando com a palavra a que se referem: chão, vão, obrigado, próprio, mesmo, junto, incluso, anexo, temporão.

Ex.: O motorista fez um gesto chão no trânsito.
O motorista fez gestos chãos no trânsito.
Não se deve usar essa palavra chã: há como substituí-la.
Fiquei aparvalhada com as atitudes chãs do político.

Meu esforço foi vão.
Meus esforços foram vãos.
Sua tentativa em convencê-lo foi vã.
Suas tentativas em convencê-lo foram vãs.

Cuidado: vão significa inútil. Nos exemplos acima, você não pode usar em vão. Essa expressão significa inutilmente. Ex.: Não usar seu santo nome em vão. Corremos em vão. Discorreu sobre o assunto em vão.

O jovem despediu-se com um “muito obrigado”.
“Muito obrigados a nossos pais”, escreveram os formandos no convite.
A assinante do jornal agradeceu com um simples “obrigada”.
Todas as participantes do concurso sorriram e disseram:”Muito obrigadas”.

O rapaz disse que ele mesmo (próprio) havia feito o serviço.
Os rapazes disseram que eles mesmos (próprios) haviam feito o serviço.
Maria, você mesma (própria) pode fazer o reparo na torneira.
Crianças, vocês mesmas (próprias) podem fazer o reparo na torneira.

O documento foi anexo (junto, incluso) ao requerimento.
Os documentos foram anexos (juntos, inclusos) ao requerimento.
Você observou se a certidão está anexa (junta, inclusa)?
Você observou se as certidões estão anexas (juntas, inclusas)?

Cuidado: Não use a expressão “em anexo”, assim como você não usa “em junto”, “em incluso”.

O bebê nasceu temporão.
Os bebês nasceram temporãos.
Vamos experimentar essa fruta temporã.
Vamos experimentar essas frutas temporãs.

Concordância nominal - Metonímia e silepse

CONCORDÂNCIA NOMINAL

Você já viu um cartaz em que está escrito: “Estamos fechado”? Será que está certa a concordância? Vejamos:

O posto está fechado, não as pessoas.
Quando isso ocorre, damos-lhe o nome de metonímia: o conteúdo (o que está dentro) pelo continente (o invólucro = o que contém).
Há também o contrário: o continente pelo conteúdo: A criança comeu um prato de mingau e tomou um copo de água. Não existe prato feito de mingau nem copo feito de água. Você diz: Quero uma garrafa de coca-cola, de cerveja, uma lata de refrigerante e assim por diante.
Essa figura se chamava sinédoque. A partir de janeiro de 1959, passou a se chamar metonímia.
Portanto quando se diz: Estamos fechados, é o posto.

Agora vem outra questão:

Quando se diz: Estamos contente, está-se empregando uma figura chamada silepse.
Silepse é o nome que se dá à concordância ideológica (feita com a ideia da palavra – significado- e não com a palavra – significante).
Ex.: O Amazonas é caudaloso. Amazonas é feminino plural de cavaleiro. Você faz a concordância com rio e não com a palavra Amazonas. Aqui houve silepse de gênero e de número.
Campos é grande (de número).
São Paulo é populosa (de gênero).
As mulheres estamos satisfeitas (de pessoa). As mulheres = elas; estamos = nós.

Agora vem a pergunta final: Será que quem escreveu a placa pensou em tudo isso ou foi pura coincidência?

Conjugação do verbo reaver

Como você diria:

1 – Havia perdido meus documentos no parque, mas, felizmente, já os reavi. OU

2 – Havia perdido meus documentos no parque, mas, felizmente, já os reouve?

O correto é b. Por quê? O verbo reaver é conjugado como o verbo haver, quando haver tiver a letra V.

Basta que lhe acrescentemos o prefixo re e tiremos a letra agá. Veja:



Pretérito imperfeito
HAVER

REAVER

Eu havia

Eu reavia

Tu havias

Tu reavias

Ele havia

Ele reavia

Nós havíamos

Nós reavíamos

Vós havíeis

Vós reavíeis

Eles haviam

Eles reaviam

E os outros tempos e modos? Aí estão:

VERBO HAVER / REAVER

INDICATIVO
Presente: hei, hás, há, havemos, haveis, hão.

NÓS REAVEMOS / VÓS REAVEIS

Pretérito perfeito: houve, houveste, houve, houvemos, houvestes, houveram.

REOUVE, REOUVESTE, REOUVE, REOUVEMOS, REOUVESTES, REOUVERAM

Pretérito mais-que-perfeito: houvera, houveras, houvera, houvéramos, houvéreis, houveram.

REOUVERA, REOUVERAS, REOUVERA, REOUVÉRAMOS, REOUVÉREIS, REOUVERAM

Pretérito imperfeito: havia, havias, havia, havíamos, havíeis, haviam.

JÁ VISTO ACIMA

Futuro do presente: haverei, haverás, haverá, haveremos, havereis, haverão.

REAVEREI, REAVERÁS, REAVERÁ, REAVEREMOS, REAVEREIS, REAVERÃO

Futuro do pretérito: haveria, haverias, haveria, haveríamos, haveríeis, haveriam.

REAVERIA, REAVERIAS, REAVERIA, REAVERÍAMOS, REAVERÍEIS, REAVERIAM

SUBJUNTIVO
Presente: haja, hajas, haja, hajamos, hajais, hajam.

NÃO HÁ

Imperfeito: houvesse, houvesses, houvesse, houvéssemos, houvésseis, houvessem.

REOUVESSE, REOUVESSES, REOUVESSE, REOUVÉSSEMOS, REOUVÉSSEIS, REOUVESSEM

Futuro: houver, houveres, houver, houvermos, houverdes, houverem.

REOUVER, REOUVERES, REOUVER, REOUVERMOS, REOUVERDES, REOUVEREM

IMPERATIVO
Afirmativo: há, haja, hajamos, havei, hajam.

REAVEI VÓS

Negativo: não hajas, não haja, não hajamos, não hajais, não hajam.

NÃO HÁ

FORMAS NOMINAIS
Infinitivo impessoal: haver

REAVER

Infinitivo pessoal: haver, haveres, haver, havermos, haverdes, haverem.

REAVER, REAVERES, REAVER, REAVERMOS, REAVERDES, REAVEREM

Gerúndio: havendo

REAVENDO

Particípio: havido

REAVIDO

Observe exemplos:

Você já reouve o objeto perdido?

Ontem reouvemos a carta extraviada.

Se reouvéssemos a partitura da música, seria um sucesso.

Se você reouvesse a lista de convidados, poderíamos sobrescrever os convites.

Quando reouver a foto, faremos uma exposição.

Valores semânticos da conjunção e

Conjunção E
Você já aprendeu que a conjunção E une, liga orações ou palavras, dando-lhes a ideia de soma, de adição, daí terem o nome de aditiva. Ex.: O empresário verificou o documento e assinou-o. Verificamos torneiras e tubulações.
Você pode encontrar a conjunção QUE com sentido de E. Ex.: A criança reclama que reclama por nada.

A conjunção E pode ter outros significados. Veja alguns deles. Ela pode ser adversativa (veja informativo anterior). Ex.: O homem estava morrendo sufocado, e ninguém fazia nada. Andar nas escadas rolantes é fácil, e exige atenção. Faço tudo para lhe agradar, e você não me dá valor. Observe que é preciso pôr vírgula antes da conjunção.

Além de unir orações ou palavras com sentido oposto, adverso, a conjunção E pode expressar conclusão lógica, nesse caso, é conclusiva. Ex.: Empenhei-me com afinco na tarefa, e fui promovida (portanto).

Também a conjunção pode justificar o que foi dito anteriormente, nesse caso, é explicativa. Ex.: Dize-me com quem andas, e eu te direi quem és.

Interjeição - Blog do Concurseiro

Interjeição é a palavra invariável que serve para expressar sentimentos, emoções, sensações, estados de espírito. Não possui flexão de gênero, número e grau como os nomes, nem de pessoa, tempo, modo, voz e aspecto como os verbos.
De acordo com a NGB, não existe classificação de interjeição.

As gramáticas e a internet classificam em interjeições de advertência, de afugentamento, de alegria (ou satisfação), de alívio, de animação (ou estímulo), de aplauso (ou aprovação), de concordância, de repulsa (ou desaprovação), de desejo (ou intenção), de desculpa, de dor (ou tristeza), de dúvida (ou incredulidade), de espanto (ou admiração), de impaciência (ou contrariedade), de pedido de auxílio, de saudação, de chamamento (ou invocação), de silêncio, de medo (ou terror).

Ex.: apoiado!, oi!, viva!, puxa!, bis!, quê!, olha!, cruzes!, alto!, atenção!, credo!, oba!, xô!, ah!, arre!, firme!, vamos!, fora!, alto!, pudera!, diabo!, raios!, caramba!, barbaridade!, cuidado!, chega!, tomara!!, ai!, uau!, céus!, salve!, chega!, rua!, coragem! silêncio!, basta!, nossa!, psiu!.

Quando mais de uma palavra (expressão) é usada como interjeição, chama-se locução interjetiva.
Ex.: Deus me livre!, raios o partam!, que medo!, muito bem!, quem me dera!, ora bolas!, minha Nossa Senhora!, puxa vida!, quem diria!, ai de mim!, credo em cruz!, alto lá!, que horror!, valha-me Deus!

Ao invés de e em vez de

Diferença entre em vez de e ao invés de:
Usa-se ao invés de, quando houver ideias antagônicas:

Ao invés de subir a escada, desceu-a.

Ao invés de chorar com a situação, pôs-se a rir.

A seguir, exemplos de nossa leitora Viviane:

“Ao invés de ficar de braços cruzados, as pessoas estão percebendo que podem mudar.”

Em vez de é usado com o significado de “em substituição a” e também com o significado anterior:

Em vez de almoçar, preferiu ir ao cabeleireiro.

Ouvimos música em vez de assistirmos à televisão.

Você vai jogar água na cozinha em vez de varrê-la?

Frase de Viviane:

” Trata-se de gente que, em vez de ficar chorando as pitangas, pensa e coloca em prática soluções criativas.”

Nesses exemplos, não há contrariedade, oposição. Lamentar-se não é o oposto de agir.

Veja outros exemplos:

Em vez de comprar mais ações, vendeu as que tinha.

Em vez de baixar o tom de voz para acalmar os ânimos, aumentou-o desmesuradamente.

Nos dois últimos exemplos, em vez de embute a ideia de contrariedade.

Conclusão: Se você não tiver segurança, use sempre em vez de, que tem um uso mais abrangente. Ao invés de tem um uso mais restrito.

Pronome relativo cujo com preposição

eja a resolução do boletim anterior:

O carro do papai – Papai cujo carro
A sala da casa – A casa cuja sala
Os problemas do computador – O computador cujos problemas
As pedras do caminho – O caminho cujas pedras

O pronome relativo cujo será antecedido de preposição quando o verbo ou nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) da oração em que ele se insere assim o exigir.

Veja:

Obedecer, assistir, agradar, aspirar – exigem a preposição A
Acreditar, crer, confiar, pensar, morar – exigem a preposição EM
Discordar, duvidar, desconfiar, gostar, depender – exigem a preposição DE
Contribuir – exige preposição PARA (*)
Ansiar – exige preposição POR
Simpatizar, antipatizar, concordar, deparar – exigem preposição COM

Portanto:
A associação a cujos preceitos obedecemos fica na Avenida Paulista.
O filme, a cujo começo não assistimos, saiu de cartaz.
Marilene, a cujo namorado o perfume não agradou, resolveu mudar a fragrância.
O ministério a cujo cargo aspiramos está em polvorosa.
O funcionário em cujas palavras não acreditei está de partida.
A enfermeira em cuja habilidade confio entrará em férias amanhã.
Você, em cuja capacidade creio, é a pessoa indicada para o cargo.
O hotel em cujo quarto Marion morou no verão passado foi demolido.
O autor em cujas obras infantis penso com muito carinho foi homenageado.
Pedro, em cujo apartamento Élen morou, doutourou-se.
O professor de cujas experiências discordo está lecionando na cidade.
A inflação, de cujos resultados duvidamos, está galopando.
O rapaz de cuja fala tanto desconfiei referia-se ao passeio no parque.
O autor de cujos livros românticos gosto está lançando um livro de suspense.
A casa de cuja escritura você depende fica muito bem localizada.
A instituição de caridade para cujas obras você contribuiu espontaneamente fez bom uso da doação. *
O jogo por cujo resultado ansiamos está na iminência de acabar.
O compositor com cujas melodias você simpatiza é bem versátil.
João, com cujos trejeitos antipatizei na festa de formatura, chamou a atenção de todos.
A escola com cujos métodos de ensino concordamos está com as matrículas abertas.
A casa da gerente, com cuja reforma deparei, foi vendida há pouco tempo.

* Contribuí com trabalho para a festa.

Plural de diminutivos

Você sabe qual o plural de anelzinho? E de varalzinho?

É simples: basta colocar o nome (sem o diminutivo) no plural, separar o S e colocar no espaço o sufixo zinho.

Observe:

varai ZINHO s
caracoi ZINHO s
barri ZINHO s
capitãe ZINHO s
pãe ZINHO s
coraçõe ZINHO s
caminhõe ZINHO s
colare ZINHO s
dolare ZINHO s
Então:
Vamos arrumar os varaizinhos hoje à tarde.
Os lençoizinhos foram bordados com motivos infantis.
Vamos servir deliciosos pasteizinhos de palmito e de queijo.
Os panos de prato estão muito bonitos. Só não vou comprar os azuizinhos.
De quantos funizinhos precisamos?
Que repteizinhos engraçadinhos! ou: Que reptizinhos engraçadinhos!
Isso se dá porque o plural de réptil é répteis; o plural de reptil é reptis.
Os sabõezinhos não limparam nada.
Quantos alemãezinhos estão disputando a partida?
Seus irmãozinhos querem brincar.
Os castorezinhos observavam os caçadores.

A dúvida na formação do plural de substantivos no grau diminutivo ocorre devido à incerteza do uso da desinência pluralizadora -s no substantivo ou no sufixo diminutivo. Existem três formas distintas de construção do plural de substantivos no grau diminutivo.

Principal regra de formação do plural dos diminutivos
Para a formação do plural de um substantivo no grau diminutivo formado com o sufixo -zinho, deve ser feita a flexão em número tanto do sufixo como do substantivo, conforme as regras de formação do plural da palavra em questão. Ocorre, contudo, a supressão do -s final da forma plural do substantivo.

Bar: bare(s) + -zinhos = barezinhos
Flor: flore(s) + -zinhas = florezinhas
Pão: pãe(s) + -zinhos = pãezinhos
Coração: coraçõe(s) + -zinhos = coraçõezinhos
Farol: farói(s) + -zinhos = faroizinhos
Chapéu: chapéu(s) + -zinhos = chapeuzinhos
Animal: animai(s) + -zinhos = animaizinhos

Regra de formação do plural dos diminutivos consagrada pelo uso
Há outra regra para a formação do plural de um substantivo diminutivo formado com o sufixo -zinho. Faz-se a junção direta do sufixo diminutivo no plural ao substantivo primitivo. Esta regra ocorre maioritariamente nos substantivos terminados em -r e, embora não seja a forma mais correta de formação do plural dos substantivos diminutivos, já se encontra consagrada pelo uso.

Bar: bar + -zinhos = barzinhos
Colar: colar + -zinhos = colarzinhos
Ator: ator + -zinhos = atorzinhos
Flor: flor + -zinhas = florzinhas
Mulher: mulher + -zinhas = mulherzinhas
Talher: talher + -zinhos = talherzinhos
Colher: colher + -zinhas = colherzinhas

Nota: Os dois processos de formação do plural acima indicados ocorrem da mesma forma com o uso do sufixo diminutivo -zito e do sufixo aumentativo -zão.

Regra de formação do plural dos diminutivos com o sufixo -inho
Na formação do plural de substantivos diminutivos com o sufixo -inho ocorre apenas a junção da desinência pluralizadora -s ao sufixo, que se junta diretamente ao substantivo.

País: país + -inhos = paisinhos
Casa: casa + -inhas = casinhas
Lápis: lápis + -inhos = lapisinhos
Português: português + -inhos = portuguesinhos
Luz: luz + -inhas = luzinhas
Cruz: cruz + -inhas = cruzinhas

Crase na indicação de horas

“O horário de verão deste ano começará no dia 19 de outubro nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país. À 0h, os relógios terão que ser adiantados em uma hora.” LORENNA RODRIGUES da Folha Online, em Brasília

E aí, sofrendo muito com o horário de verão ou você está usufruindo a tarde mais longa?

Observe que não há S em zero hora. Também não há ponto para indicar a abreviatura; é apenas h minúsculo. Se fosse plural, continuaria sem S: 13h. Também não há S quando se fala em zero grau.
Veja: existe o acento em à zero hora, como em: às duas horas, às três, às dez.
Basta você substituir a hora por meio-dia: se for ao, significa que aquele a (de hora) tem acento.
Horário começa à zero hora.
Substituindo: horário começa ao meio-dia.
Cheguei às duas horas (ao meio-dia).
Estarei no gabinete das oito às dez (das oito ao meio-dia)

Não há acento:
O filme foi programado para as duas horas – para o meio-dia; não há acento grave.
Desde as duas horas da manhã ele está tentando resolver o problema. – desde o meio-dia.
Após as oito, não haverá expediente (após o meio-dia)
Entre as oito e as nove, será servido o café. (entre as oito e o meio-dia)

Se, no entanto, usarmos ATÉ, o acento será facultativo uma vez que temos a preposição até e a locução prepositiva até a. Isso não ocorre apenas com indicação de horas:

Até as nove horas, estarei aqui. Até o meio-dia estarei aqui.
Até às nove horas, estarei aqui. Até ao meio-dia, estarei aqui.

Fui até a esquina verificar a ocorrência. Fui até o largo verificar a ocorrência.
Fui até à esquina verificar a ocorrência. Fui até ao largo verificar a ocorrência.

Pronome oblíquo como sujeito

Todos sabemos que não se pode dizer O filme é para mim resumir porque mim (assim como ti) não pode funcionar como sujeito. Daí generalizarmos que pronome oblíquo é sempre objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, agente da passiva, adjunto adnominal e adjunto adverbial, portanto não pode ser sujeito, o que é um engano.
Evidentemente, mim (como ti) nunca vai ser sujeito, portanto:
Para eu saber efetivamente o que houve, preciso de dados concretos.
Comentaram sobre tu teres comprado o carro.

Os pronomes oblíquos átonos podem funcionar como sujeito de um verbo no infinitivo, com verbos causativos (deixar, mandar e fazer) e sensitivos (ver, ouvir, sentir e perceber). São eles: me/nos; te/vos; se; o (e flexões).
Ex.: Deixaram-me esperar por duas horas. O verbo esperar é objeto direto de deixaram, e me, sujeito de esperar. É o mesmo que: Deixaram que eu esperasse por duas horas.
Viram-nos ficar revoltados com a situação. Ficar é objeto direto de viram; nos, sujeito de ficar.
Fizeram-te chorar? Chorar é objeto direto de fizeram; te, sujeito de chorar.
Viram-vos enganar o povo. Enganar é objeto direto de viram; os, sujeito de enganar.
Deixe-a ficar no baile de formatura. Ficar é objeto direto de deixe; a, sujeito de ficar .
O menino estava rebelde. O pai fê-lo ir para cama. Ir é objeto direto de fez; o, sujeito de ir.
Mandaram-nos sair.
Nesse caso, nos pode referir-se a nós ou a eles: Mandaram que nós saíssemos ou: Mandaram que eles saíssem.
Quando o verbo termina por som nasal, o pronome oblíquo O transforma-se em NO:
Põe a verdura na geladeira: Põe-na.
Tirem a roupa do varal: Tirem-na.
Mandaram os garotos para casa: Mandaram-nos para casa.
Mandaram nós embora: Mandaram-nos embora.
Você deixou-se abater.
Daí concluirmos que não se deve dizer:
Deixaram eu esperar por duas horas.
Viram nós ficar revoltados com a situação.
Viram vós enganar o povo.
Deixe ela ficar no baile de formatura.
O menino estava rebelde. O pai fez ele ir para cama.
Mandaram nós sair.
Mandaram eles sair.

Regência dos verbos prevenir e convencer

Muita gente confunde a regência dos verbos prevenir e convencer com a de informar, por exemplo.

PREVENIR e CONVENCER exigem objeto direto de pessoa e indireto de coisa.

Objeto direto é o termo que completa o verbo. Não há exigência de preposição.
Ex.: Vi o filme (vi-o). Comprei a bolsa (comprei-a).

O objeto indireto também completa o verbo. Exige preposição. Ex.: Gosto de teatro.

Veja como ficam os verbos prevenir e convencer.
Preveni o diretor da falta de material.
Preveni-o disso.
Preveni o diretor de que faltava material.

Vou prevenir os moradores da cobrança indevida.
Vou preveni-los da cobrança indevida.
Vou prevenir os moradores de que cobraram indevidamente.

Preciso convencer a secretária de sua necessidade do produto.
Preciso convencê-la disso.
Preciso convencer a secretária de que ela necessita do produto.

Convenci o comerciante de aumento nos lucros com aqueles produtos.
Convenci-o disso.
Convenci o comerciante de que poderia ter lucros maiores com aqueles produtos.

Nunca a pessoa pode ser substituída pelo pronome oblíquo lhe.

Prevenir é transitivo direto no sentido de evitar dano, e transitivo direto e indireto no sentido de avisar com antecedência.

Confusão entre sujeito simples e indeterminado

APRENDA MAIS!CONFUSÃO ENTRE SUJEITO SIMPLES E INDETERMINADO :: BOLETIM 215Postado por capcursos|02 janeiro de 2012
Quando você diz: Precisa-se de novos talentos, o sujeito é indeterminado.
Sujeito indeterminado é aquele existe, porém não se quer revelar quem é ou não se pode.
Há duas maneiras de indeterminar o sujeito. Uma é colocar o verbo na terceira pessoa do plural sem termo antecedente. Ex.: Viram seu irmão na rua. Pegaram dois reféns no assalto.

A outra maneira é colocar o verbo (intransitivo, transitivo indireto, de ligação ou transitivo direto, desde que o objeto direto venha preposicionado) na terceira pessoa do singular e acrescentar-lhe o pronome se, índice de indeterminação do sujeito. A preposição pode aparecer ou não.

Veja exemplos com o SE:
Trata-se de problemas insolúveis na vida moderna.
Assiste-se ao desenrolar do caso sem entusiasmo.
Fala-se muito em amor nesta época do ano.
Vai-se aos astros quando se ama.
Chega-se de viagem com muitas novidades.

Nos períodos seguintes, o sujeito é simples:
O livro trata de problemas insolúveis na vida moderna (o livro).
Assistimos ao desenrolar do caso sem entusiasmo (nós).
Os profissionais da mídia falam muito em amor nesta época do ano (Os profissionais da mídia).
O jovem vai aos astros quando ama (O jovem).
A modelo chega de viagem com muitas novidades (A modelo).

É muito comum encontrarmos mistura do sujeito simples com o indeterminado:

O caso trata-se de mais um abuso de autoridade.
Qual o sujeito da frase? O caso. Então, não cabe o uso do se.
É preciso escolher entre duas formas:
O caso trata de mais um abuso de autoridade.
Ou: Trata-se de mais um abuso de autoridade.

Adjetivos referentes a lugar de origem

Os adjetivos referentes a lugar de origem, nacionalidade, naturalidade terão a terminação ense ou eano. Não se aceitam, após o Acordo Ortográfico de 2009, as terminações iense ou iano.
Assim: acriano (não se aceita mais acreano); torriense (de Torres).

Há, no entanto, adjetivos derivados de palavras oxítonas em que a letra E se faz presente. Nesses casos, a terminação será eano ou eense. Veja:

Andreense – Santo André – SP
Avareense – Avaré – SP
Borneano – Bornéu – Indonésia
Daomeano – Daomé (atual República de Benin)
Guineense – (Guiné)
Guaxupeano – Guaxupé – MG
Ibateense – Ibaté – SP
Icenense – Icem – SP
Iepense – Iepê – SP
lheense – Ilhéus - BA
Itambeense – Itambé – PE
Itanhaense – Itanhaém – SP
Joseense – José Bonifácio – SP
Santa-feense – de Santa Fé de Goiás
Sumareense – Sumaré – SP
Taubateano – Taubaté – SP
Tremebeense – Tremembé – SP
Urupeense – Urupês – SP

Você se lembra do que é uma palavra oxítona? É aquela que tem o acento tônico na última sílaba. Ex.: café, você, urubu, jacu, saci, caí, liquidificador, manacá, Maceió, cipó, bibelô, alguém, porém, armazéns, parabéns, cantar, beber, repor, sorrir, varal, anel, capital, carnaval, coronel, pastel, barril, funil, anzol, azul, cantarão, beberão, porão, rirão.
Para você não errar o acento de sílaba tônica, faça uma pergunta em que haja muita admiração. Ex.: Você viu o urubuuuuuuuuuuuuuuu?! Observe que a sílaba mais demorada é a última. Você viu o Jaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiir?!

As oxítonas são chamadas de agudas em alguns países lusófonos.