31 de outubro de 2018

Estudando a regência do verbo ''implicar'' / Regência de alguns verbos

Estudando a regência do verbo “implicar”

Por Luana Castro Alves Perez
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Antes de começarmos a falar sobre a regência do verbo “implicar”, temos uma perguntinha: você sabe o que raios é regência verbal?
Bom, é importante que você saiba que a regência verbal nada mais é do que a relação sintática de dependência que existe entre um verbo – termo regente – e o seu complemento – termo regido. A regência determinará a necessidade – ou não – de uma preposição para ligar o verbo a seu complemento. Quando o termo regente for um verbo, ocorrerá a regência verbal; quando o termo regente for um nome (substantivo, advérbio ou adjetivo), ocorrerá a regência nominal.
Existem alguns verbos da língua portuguesa que frequentemente estão envolvidos em problemas quanto à regência, entre eles o verbo “implicar”. Afinal, esse verbo exige ou não preposição? Ele é um verbo transitivo direto ou transitivo indireto? A resposta é: depende, pois esse verbo possui diferentes significados, sendo assim, haverá situações em que ele exigirá a preposição e, em outras, não. Que tal conhecer cada um de seus diferentes empregos em uma oração? Fique atento aos exemplos e bons estudos!
O verbo “implicar” pode ter diferentes significados em uma oração: a regência correta dependerá de cada um deles
O verbo “implicar” pode ter diferentes significados em uma oração: a regência correta dependerá de cada um deles
► Quando o verbo “implicar” possuir sentido de “acarretar”, “ocasionar”, “trazer consequências”, será transitivo direto, isto é, seu complemento não exigirá uma preposição. Observe:
Dirigir sem carteira implica em multa. = (uso informal, coloquial)
Dirigir sem carteira implica multa. = (uso formal, culto)

Sua atitude positiva não implica em nenhum sacrifício. = (uso informal, coloquial)

Sua atitude positiva não implica nenhum sacrifício. = (uso formal, culto)
 Quando o verbo “implicar” for pronominal: Verbos pronominais são acompanhados por pronomes oblíquos átonos (me, te, se, nos, vos, se), portanto, quando o verbo “implicar” assumir a forma implicar-se, ele terá o sentido de “envolver-se, comprometer-se, enredar-se em complicação ou embaraço” e deverá ser introduzido pela preposição em:
O infrator implicou-se em tráfico de influência.
Ou
O infrator envolveu-se em tráfico de influência.
► Quando o verbo “implicar” assumir o sentido de “ter implicância com algo ou alguém”, “tomar aversão”, “embirrar” (essa certamente é a significação mais usada para o verbo “implicar”), será transitivo indireto, já que a preposição com deverá ser empregada. Observe:
Os jogadores implicaram com o time adversário.
O cliente implicou com o vendedor.
Regência de alguns verbos
Em se tratando da linguagem formal, conhecer a regência de alguns verbos torna-se imprescindível
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Por certo, falar sobre a regência verbal não representa algo inusitado, haja vista que disponível a você se encontra o texto Regência verbal: noções básicas”, trabalhado em um dos tantos encontros que já tivemos. No entanto, parece nunca ser demais revisarmos alguns conceitos, mesmo porque, agindo dessa maneira, ampliamos os conhecimentos de que já dispomos, bem como nos sentimos mais bem preparados para aprimorarmos ainda mais os conhecimentos que estão por vir. Assim, com você já sabe, a regência verbal caracteriza-se pela relação estabelecida entre os verbos e aqueles termos que lhes completam o sentido, podendo ser ou não intermediados pelo uso da preposição.
Partindo desse princípio, sobretudo porque você precisa estar preparado (a) para exercer suas habilidades nas situações comunicativas tidas como específicas (e isso se dá tanto na fala quanto na escrita), é que a partir de agora passará a conhecer um pouco mais a regência de alguns verbos, de modo a fazer bom uso, sempre.  Assim, perceba alguns deles, considerados como os principais:
NAMORAR
Ao contrário do que muitas pessoas acreditam ser a forma correta, quem namora, namora alguém, NÃO COM ALGUÉM. Dessa forma, afirmamos que esse verbo se caracteriza como transitivo direto, não como indireto. Observe o exemplo:
Pedro namora Beatriz.
Joana namora Antônio.
PREFERIR
Isso também ocorre com esse caso, pois na linguagem coloquial (oralidade), temos o hábito de dizer que “preferimos isso mais do que aquilo”, o que significa um desvio ao padrão formal (culto) da linguagem. Preferir mais, em termos de linguagem formal, é pleonasmo vicioso, ou seja, tautologia, redundância.  Preferir não é um verbo comparativo, não significa gostar mais de algo, e sim escolher, pôr alguma coisa antes de outra, antepor. Rege dois objetos: o direto, representado pelo que se escolhe, e o indireto, iniciado pela preposição A, representado pelo que se deixa em segundo plano. Não admite comparação, mas o verbo gostar admite construções comparativas. Assim, perceba a forma correta:
Prefiro pizza a lasanha. ou: Gosto mais de pizza do que de lasanha.

Prefiro cinema a teatro. ou: Gosto mais de cinema do que de teatro.
OBEDECER/DESOBEDECER
Ambos os verbos classificam-se como transitivos indiretos, pois quem obedece, obedece a alguém, e quem desobedece, desobedece a alguém. Note os exemplos que seguem:
Devemos obedecer aos nossos pais.
Não devemos desobedecer aos nossos pais.
ESQUECER/LEMBRAR
Em se tratando desses dois verbos, há duas observações para as quais devemos atentar: a primeira delas diz respeito ao fato de que não são considerados pronominais, ou seja, quando não trazem junto de si o pronome oblíquo, não exigem a presença da preposição, ou seja:
Eu já havia esquecido o presente.
Eu não lembro o dia em que fomos premiados.
Já no caso de esses verbos serem concebidos como pronominais, isto é, trazerem para junto de si o pronome oblíquo, aí, necessariamente, temos de fazer uso da preposição.   Vamos constatar?
Eu já havia ME esquecido DO presente.
Eu não ME lembro DO dia em que fomos premiados.

O uso com a preposição e sem o pronome oblíquo (Lembrei da sua data de aniversário / Esqueci do dia da prova) é um neologismo, ou seja, invenção do povo.

Uma construção literária é essa: ''Não me lembra a hora da festa / Esqueci-me o horário do teste''.   
SIMPATIZAR
Sempre devemos nos conscientizar de que esse verbo se classifica como transitivo indireto, devendo, necessariamente, ser acompanhado do uso da preposição.  Constate:
Nós simpatizamos com os novos professores.
Observação importante: Esse verbo nunca deverá ser  expresso como pronominal. Não deve vir acompanhado de pronome. Dessa forma, construções como esta se tornam incorretas:
Nós nos simpatizamos com os novos professores.

Um dicionário registra erradamente esse verbo como pronominal. Alguns gramáticos renomados e modernos registram-no erradamente como pronominal.

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