2 de janeiro de 2020

Dúvidas sobre regência verbal

Você já viu alguns verbos que exigem complemento com preposição. Vamos hoje ver os verbos
avisar, cientificar, aconselhar, informar e notificar que têm a mesma regência. Exigem
objeto direto e indireto. É indiferente que o objeto direto seja pessoa ou fato. Se a
pessoa for objeto direto, o fato será objeto indireto e vice-versa. A regra também se aplica aos verbos advertir, aconselhar, anunciar, alertar, noticiar, impedir, incumbir, proibir e encarregar.
O objeto direto é o complemento que não tem preposição exigida. O objeto indireto é ligado
ao verbo com preposição exigida. Nós já vimos verbos que exigem a preposição de: gostar de,
desconfiar de, duvidar de, depender de. Vimos também verbos que exigem a preposição em:
confiar em, acreditar em, crer em, esperar em (com o sentido de ter esperança).

Veja como se usa o verbo avisar:

Avisei os interessados do novo horário de atendimento.
O diretor avisou os pais (sem preposição) de que haverá provas mensais (com preposição de).
O diretor avisou-os de que haverá provas mensais.

O mesmo ocorre com informar:

Informamos a jovem da nova data do concurso.
Gostaríamos de informá-lo de que o horário de atendimento se estenderá até as vinte e duas
horas.
O repórter informou os ouvintes de que a vacinação seria feita no dia seguinte.

Usamos a pessoa como objeto direto (sem preposição) e o fato como objeto indireto. Vamos
agora ver o fato como objeto direto e a pessoa como objeto indireto.

Avisei o novo horário de atendimento aos interessados.
O diretor avisou aos pais que haverá provas mensais.
O diretor avisou-lhes que haverá provas mensais.

Informamos a nova data do concurso à jovem.
Gostaríamos de informar-lhe que o horário de atendimento se estenderá até as vinte e duas
horas.
O repórter informou aos ouvintes que a vacinação seria feita no dia seguinte.

Com esses verbos, note bem, se você disser informá-lo, avisá-lo, o que vem precedido
da preposição de: avisá-lo de que; informá-lo de que.
Se você usar informar-lhe, avisar-lhe, o que não vem precedido de preposição: avisar-lhe
que, informar-lhe que.

É impossível avisá-lo que ou informá-lo que, com dois objetos diretos, avisar-lhe de que ou informar-lhe de que, com dois objetos indiretos.

No boletim anterior, falamos sobre a regência dos verbos que exigem preposição em. Vamos
hoje mostrar alguns verbos que exigem preposição de: gostar, duvidar, desconfiar, precisar,
necessitar, prevenir, avisar, informar.

Gosto de você. Você é a pessoa de quem gosto.
Duvido de suas intenções. Aquelas são as intenções de que (das quais) duvido.
Desconfiamos de suas atitudes. As atitudes de que (das quais) desconfiamos foram dignas de
investigação.
Preciso de tempo. O tempo de que preciso é exíguo.
Necessito de mais informações. As informações de que necessito estão à disposição.
É preciso preveni-lo de que a vacinação será feita sábado próximo.
Aviso-o de que estamos à espera do comprovante de recebimento do produto.
Informamo-lo de que as aulas deverão iniciar-se na próxima semana.

Os verbos precisar e necessitar podem também vir sem preposição. Ex.: Preciso o livro. A
indústria precisa técnicos. Precisam-se técnicos. Necessito recibo da operação financeira.
Necessita-se secretária.
Atualmente, é preferível usar a preposição quando o complemento é um substantivo ou pronome e omiti-la quando o objeto indireto é um verbo no infinitivo.

O verbo prevenir exige complemento de pessoa (ou instituição) sem preposição e do fato com
preposição.

No próximo boletim falaremos sobre os verbos informar e avisar.

Regência verbal

Qual seria a impropriedade em dizer: “Afinal, comprei o colchão que eu sempre sonhei” e
“Comprei o adoçante que você confia.”?
O verbo sonhar exige a preposição com. Ex.: Sonhei com você. Sonho com um futuro melhor
para o Brasil.
O verbo confiar exige a preposição em. Ex.: Confio em seus projetos. Confiamos em suas
promessas.
Quando você constrói uma frase em que apareça o pronome relativo, você precisa respeitar
a regência do verbo. Então:

Afinal, comprei o colchão com que (com o qual) sempre sonhei.
Comprei o adoçante em que (no qual) você confia.

Veja outros exemplos em que a preposição em é exigida:
Verbo crer
Creio em pessoas calmas. As pessoas em que (nas quais) creio são calmas.

Verbo acreditar
Acreditávamos em suas palavras. As palavras em que acreditávamos eram falsas.

Verbo esperar (ter esperança, acreditar)
Esperava nesse candidato. O candidato em que esperava não concorrerá às eleições.

No sentido de aguardar, é transitivo direto.

Verbo morar
Moro num país tropical. O país em que moro é tropical. Cuidado: nada de morar à Rua das
Orquídeas. More na Rua das Orquídeas. Você mora em São Paulo, na Bahia, no Espírito Santo,
então, na rua.

Verbo residir
Resido numa casa aconchegante. A casa em que resido é aconchegante.

Verbo reparar (observar)
Reparei em seus modos estabanados. O rosto em que reparei não me era estranho.

No sentido de consertar ou indenizar, é transitivo direto.

Voltaremos a esse assunto.

Dúvidas sobre substantivos compostos

Substantivos compostos – parte 7

Estamos na última parte de substantivos compostos.
Veremos casos especiais. Observe:

O arco-íris Os arco-íris
O bota-fora Os bota-fora
O cola-tudo Os cola-tudo
O joão-ninguém Os joões-ninguém
O louva-a-deus Os louva-a-deus
O padre-nosso Os padres-nossos, os padre-nossos (substantivo e pronome)
O papai-noel* Os papais-noéis, os papais-noel (presente de Natal)
O pisa-mansinho Os pisa-mansinho
O salva-vidas Os salva-vidas
O topa-tudo Os topa-tudo

*papai-noel (com hífen) é presente natalino. Você já deu seu papai-noel?
No outro caso, significando o bom velhinho que dá presentes no Natal, flexiona normalmente.
Ex.: A loja contratou cinco papais noéis.
E assim, encerramos esse longo capítulo.

Substantivos compostos – parte 6
Gostaríamos de abrir nosso boletim, cumprimentando nossos leitores Alice e Armindo, que
nos alertaram pela falta de S em tenentes-brigadeiros e altos-relevos.
Muito obrigada.
Neste penúltimo boletim sobre o plural dos substantivos compostos, vamos falar sobre:
1- palavras onomatopaicas (que reproduzem som) ou repetidas;
2- verbos repetidos.

O último elemento variará quando se tratar desses casos. Ex.:

Bangue-bangue Bangue-bangues
Bem-te-vi Bem-te-vis
Chape-chape Chape-chapes
Pingue-pongue Pingue-pongues
Teco-teco Teco-tecos
Tico-tico Tico-ticos
Reco-reco Reco-recos
Terém-terém Terém-teréns
Tero-tero Tero-teros
Teu-téu Teu-téus
Xique-xique Xique-xiques

Há gramáticos que aceitam a flexão dos dois componentes, quando se tratar de verbos
(repetidos):

Corre-corre Corre-corres ou corres-corres
Empurra-empurra Empurra-empurras ou empurras-empurras
Lambe-lambe Lambe-lambes ou lambes-lambes
Luze-luze Luze-luzes ou luzes-luzes
Pinga-pinga Pinga-pingas ou pingas-pingas
Pisca-pisca Pisca-piscas ou piscas-piscas
Quebra-quebra Quebra-quebras ou quebras-quebras
Ruge-ruge Ruge-ruges ou ruges-ruges

No próximo boletim, encerraremos esse assunto.

Substantivos compostos – parte 5
Você já viu que nomes compostos por substantivos, substantivos e adjetivos ou adjetivos e
substantivos, numeral e substantivo têm os componentes flexionados (guardas-noturnos,
primeiras-damas). Ocorre que existe um tipo de composição em que o segundo elemento indica
finalidade ou semelhança, com função adjetiva. Nesse caso, o segundo componente pode ou não ir para o plural.
Ex.:
Banana-maçã Bananas-maçãs ou bananas-maçã
Café-concerto Cafés-concertos ou cafés-concerto
Caneta-tinteiro Canetas-tinteiros ou canetas-tinteiro
Cidade-satélite Cidades- satélites ou cidades-satélite
Escola-modelo Escolas-modelos ou escolas-modelo
Fruta-pão Frutas-pães ou frutas-pão
Pombo-correio Pombos-correios ou pombos-correio
Navio-escola Navios-escolas ou navios-escola
Salário-cheque Salários-cheques ou salário-cheque
Salário-família Salários-famílias ou salários-família
Vagão-leito Vagões-leitos ou vagões-leito

Estamos quase chegando ao fim dessas explanações sobre substantivos compostos.

Continuando com os substantivos compostos
Perguntamos-lhe, no último boletim, se você tem guarda-chuva. A palavra guarda-chuva é
formada por um verbo (guarda) e por um substantivo. Quando isso ocorrer, somente o último
componente sofrerá modificação. Veja:
bate-boca bate-bocas
bate-bola bate-bolas
bate-papo bate-papos
bate-pé bate-pés
beija-flor beija-flores
beija-mão beija-mãos
cata-vento cata-ventos
guarda-chuva guarda-chuvas
guarda-louça guarda-louças
guarda-pó guarda-pós
guarda-roupa guarda-roupas
pega-gelo pega-gelos
pega-mosca pega-moscas
pega-rapaz pega-rapazes
pica-flor pica-flores
pica-fumo pica-fumos
pica-pau pica-paus
quebra-cabeça quebra-cabeças
quebra-gelo quebra-gelos
quebra-luz quebra-luzes
quebra-pedra quebra-pedras
quebra-queixo quebra-queixos
tapa-boca tapa-bocas
tapa-luz tapa-luzes
tapa-missa tapa-missas

Você viu, então, que o plural de guarda-roupa é guarda-roupas; guarda-comida,
guarda-comidas; guarda-pó, guarda-pós. E o plural de guarda-noturno? Veja no próximo
boletim como fica.

Mais substantivos compostos
Numa sociedade com base no conhecimento, por definição é necessário que você seja
estudante a vida toda. Tom Peters
Você já redigiu um abaixo-assinado? Sabe qual a diferença entre abaixo-assinado e abaixo
assinado?
Abaixo-assinado (com hífen) é o documento coletivo que representa interesse (s) de quem o
assina. Abaixo assinado é quem se assina. O plural de abaixo-assinado é abaixo-assinados.
O primeiro componente da palavra não flexiona. O mesmo ocorre quando a palavra composta
começar por bem: O plural de substantivos compostos por bem têm somente o segundo elemento
flexionado, pois o advérbio bem é invariável. Os adjetivos podem vir substantivados. Ex.:

bem-acabado bem-acabados
bem-aceito bem-aceitos
bem-acostumado bem-acostumados
bem-afamado bem-afamados
bem-afortunado bem-afortunados
bem-amado bem-amados
bem-apanhado bem-apanhados
bem-apessoado bem-apessoados
bem-arrumado bem-arrumados
bem-aventurado bem-aventurados
bem-casado bem-casados
bem-comportado bem-comportados
bem-conceituado bem-conceituados
bem-criado bem-criados
bem-disposto bem-dispostos
bem-educado bem-educados
bem-estar bem-estares
bem-humorado bem-humorados
bem-ido bem-idos
bem-intencionado bem-intencionados
bem-nascido bem-nascidos
bem-posto bem-postos
bem-sucedido bem-sucedidos
bem-vindo bem-vindos

A regra para a formação do plural de substantivos compostos é: quando houver preposição no meio do substantivo
composto, só o primeiro elemento varia. Ex.:

Água-de-colônia Águas-de-colônia
Alface-d’água Alfaces-d’água
Arco-da-velha Arcos-da-velha
Barba-de-bode Barbas-de-bode
Barriga-d’água Barrigas-d’água
Bicho-da-seda Bichos-da-seda
Bicho-de-pé Bichos-de-pé
Brinco-de-princesa Brincos-de-princesa
Caixão-de-defunto Caixões-de-defunto
Calção-de-velho Calções-de-velho
Cana-de-açúcar Canas-de-açúcar
Canário-da-terra Canários-da-terra
Carne-de-vaca Carnes-de-vaca (coisa comum)
Cravo-de-defunto Cravos-de-defunto
Erva-de-bicho Ervas-de-bicho
Flor-de-cera Flores-de-cera
Flor-de-maio Flores-de-maio
Maria-sem-vergonha Marias-sem-vergonha
Noz-do-pará Nozes-do-pará
Olho-de-cabra Olhos-de-cabra
Onça-d’água Onças-d’água
Pimenta-do-reino Pimentas-do-reino
Rabo-de-galo Rabos-de-galo
Rato-do-mato Ratos-do-mato
Sabiá-do-sertão Sabiás-do-sertão
Salsa-do-campo Salsas-do-campo
Semente-do-paraíso Sementes-do-paraíso
Tainha-de-rio Tainhas-de-rio
Trevo-da-areia Trevos-da-areia
Unha-de-gato Unhas-de-gato
Uva-da-serra Uvas-da-serra
Vassoira-de-bruxa Vassoiras-de-bruxa
Vespa-do-figo Vespas-do-figo

Futuro do subjuntivo ou infinitivo pessoal

Quando se pode dizer se ver e quando trazer? Não é se vir e quando trouxer?
Para responder a essa questão, é preciso identificar o infinitivo e o futuro do subjuntivo.
Quando tivermos futuro do subjuntivo (veja boletim 28), tirado do pretérito perfeito do
indicativo, o correto é: se vir, quando trouxer; se for infinitivo, é se ver e se trazer
ou quando ver, quando trazer.

Veja exemplos com infinitivo:
Se saber confere prestígio, é aconselhável que procuremos adquirir conhecimento.
Se ver o que está errado angaria antipatia, pense antes de dizer que viu.
Se querer melhorar de vida é sonho para muitos, vamos procurar ajudá-los.
Se pôr os cotovelos na mesa é deselegante, vamos evitar pô-los.
Se dizer o que o outro quer ouvir é sedutor, realizemos o desejo do próximo.
Se fazer bem aos outros é um bálsamo, não hesitemos em fazê-lo.
Se poder estudar não é para todos, procuremos ampliar a rede dos que podem.
Se trazer boas notícias é simpático, seja arauto da simpatia.
Se ir de metrô é mais rápido, por que escolher outro meio de transporte?
Quando ser bom é motivo de riso, o mundo está precisando revisar valores.
Se haver é verbo transitivo direto, ele exige objeto direto.
Se ter brio é característica daquela família, você estará bem, fazendo parte dela.
Se estar bem de saúde é fonte de alegria, procuremos ser saudáveis.
Quando se abster de votar é considerado inteligente, a política vai mal.
Se conter o riso é educado em certas situações, é recomendável que o contenhamos.
Quando deter suspeitos é necessário, sejamos compreensivos.
Se manter duas casas é dispendioso, que tal alugarmos uma casa na praia?
Se opor resistência é próprio de adolescentes, o garoto é normal.
Se repor mercadoria é sua profissão, deixe-o desempenhar a função em paz.
Se transpor obstáculos é nossa missão diária, imitemos Sísifo.
Se intervir em brigas violentas é sinal de maturidade, peça-lhe que o faça.
Se provir de família humilde é desdouro naquele círculo social, é bom que nos afastemos
dele.
Se reaver bens furtados ou roubados é competência da polícia, vamos procurá-la.

Gênero dos substantivos

Hoje, vamos falar um pouquinho sobre gênero dos substantivos. Você, por certo, já ouviu
dizer que o mascote do time foi escolhido com muito critério. Eu já ouvi isso inúmeras
vezes. Pois bem, mascote é palavra feminina, portanto o correto é a mascote. Você também
já deve ter ouvido falar (infelizmente) na quadrilha dos sanguessugas; sanguessuga é
feminino, logo devemos falar na quadrilha das sanguessugas.
Há muitas outras palavras que nos deixam indecisos quanto ao gênero. Veja algumas mais
comuns:

MASCULINAS: o beliche (forma parzinho com a cama), o cataclismo (não é cataclisma), o
champanhe (vinho), o coma, o dó (não diga que teve uma dozinha da Maricota!), o eclipse,
o guaraná, o lança-perfume, o milhar, o telefonema, o trema.
Diga, pois: dois milhares de pessoas e não duas milhares de pessoas.

FEMININAS: a acne, a agravante, a alface, a atenuante, a bacanal, a cal (forma parzinho
com cimento), a comichão, a ênfase, a filigrana, a hortelã, a ioga, a libido, a omoplata,
a rês, a omelete, a trama.
Então: Sua situação apresenta duas agravantes e apenas uma atenuante.
Gosto de alface americana, crespinha, romana, fresquinha. Muita gente fala o alface talvez
por causa do pé de alface.

MASCULINAS OU FEMININAS: o xérox, a xérox ou o xerox, a xerox; o personagem ou a personagem
(para homem ou mulher); o diabete ou a diabete, o diabetes ou a diabetes; o tapa, a tapa
(pancada); o pijama ou a pijama, o usucapião ou a usucapião.

Quanto à palavra personagem, é preferível que seja usado o feminino, uma vez que, em
português, as palavras terminadas em agem são femininas, com exceção de selvagem. Ex.: a folhagem, a ramagem, a mensagem, a imagem, a roupagem.

Plural dos nomes terminados em ão

Existem algumas dúvidas quanto ao plural dos nomes terminados em ão.
O certo será cristões? Cidadões? Irmões?

1- Os nomes terminados em ão podem formar o plural de três maneiras:
com o acréscimo de s (latim anu = paganu).
com a mudança do ão em ões (latim one = leone).
Com a mudança do ão em ães (latim ane = pane).

ÃO ÃOS
Acórdão Acórdãos
Artesão (homem que faz artesanato) Artesãos
Bênção Bênçãos
Chão Chãos
Cidadão Cidadãos
Coirmão Coirmãos
Cristão Cristãos
Demão Demãos
Desvão Desvãos
Gólfão Gólfãos
Grão Grãos
Irmão Irmãos
Mão Mãos
Órfão Órfãos
Órgão Órgãos
Pagão Pagãos
Parmesão Parmesãos
Quartão Quartãos (pessoa ou animal de pouca altura)
Rechão Rechãos (planalto)
Socavão Socavãos (grande cova subterrânea)
Sótão Sótãos
Temporão Temporãos
Vão Vãos
Zângão Zângãos

Divisão silábica - Regras e dicas

Você sabe dividir as palavras em sílabas?

Veja como é fácil:

1- Respeite a pronúncia da palavra, não a etimologia. Ex.: transatlântico =
tran-sa-tlân-ti-co, bi-sa-vô. Se você fosse respeitar a etimologia (origem, nascimento),
separaria em trans e em bis.

2- Os grupos consonantais (br, cl, dr, pr) não são separados. Ex. credo = cre-do; bruxa =
bru-xa

3- Os ditongos seguidos de vogal são separados da seguinte forma: o ditongo fica numa
sílaba, e a vogal que o segue, em outra. Ex.: plateia = pla-tei-a; tipoia = ti-poi-a.
Ditongo é o encontro de uma vogal e uma semivogal ou uma semivogal e uma vogal pronunciadas
numa só emissão de voz (você só abre a boca uma vez para pronunciá-lo). Ex.: pai, mãe,
irmão, gratuito, circuito, lei, deixar, desdouro, trouxa, chapéu, dói, anéis, paulista.

4- Os dígrafos são separados. Dígrafo são duas letras com um som = di = dois, grafo =
letra. Ex.: massa = mas-sa; carro = car-ro; exceção = ex-ce-ção; nascer = nas-cer.
OBSERVE: ch, nh, lh, gu, qu não se separam. Ex.: fechadura = fe-cha- du-ra; caminhão =
ca-mi-nhão; destelhado = des-te-lha-do; esquentar = es-quen-tar; esquilo = es-qui-lo;
daguerreótipo = da-guer-re-ó-ti-po; joguinho = jo-gui-nho.

5- A consoante sem vogal no meio da palavra, fica na sílaba anterior, quer dizer, ela cai
para trás. Ex.: capta = cap-ta; digno = dig-no.

6- A consoante inicial sem vogal fica na sílaba que a segue; ela não pode cair para trás.
Ex.: pneumático = pneu-má-ti-co; gnóstico = gnós-ti-co; gnomo = gno-mo; Ptolomeu =
Pto-lo-meu; psíquico = psí-qui-co.

A NGB (Nomenclatura Gramatical Brasileira) não se manifestou a respeito de palavras como:
Sônia, Sérgio, pátio.
Se você a considerar ditongo crescente, a palavra será paroxítona; você a dividirá assim:
Sô-nia; Sér-gio; pá-tio.
Se você a considerar hiato, a palavra será proparoxítona; você a dividirá assim:
Sô-ni-a; Sér-gi-o; pá-ti-o.

Crase e numerais

Crase e Numerais
Ocorre crase diante de numerais? Depende. Vejamos:

1- Contarei a verdade às duas investigadoras.
2- Comunicarei o ocorrido à segunda pessoa da fila.
3- Não me referi à dupla jornada de trabalho da jovem.
4- Voltaremos às duas horas.
5- Das duas às três, estaremos à disposição de quem precisar de nossos serviços.
6- O filme terá a duração de duas a três horas.
7- A apresentação de filmes vencedores vai de terça a sexta.
8- Estaremos aqui após as dezoito horas.
9- A dezoito quilômetros daqui, há uma cachoeira encantadora.

Nos exemplos 1, 2 e 3, se passarmos as orações para o masculino, teremos:

1- Contarei a verdade aos dois investigadores.
2- Comunicarei o ocorrido ao segundo integrante da fila.
3- Não me referi ao duplo sentido do texto.

Isso significa que, quando no masculino tivermos ao (a+o), no feminino teremos aa (a+a) =
à. Se for plural, o procedimento é o mesmo: aos (a+as) = às.
Conforme você pôde verificar, não importa que o numeral seja cardinal (um, dois, três),
ordinal (primeiro, segundo, terceiro) ou multiplicativo (duplo, triplo, quádruplo, quíntuplo, sêxtuplo, sétuplo, óctuplo, nônuplo, décuplo, undécuplo, duodécuplo, cêntuplo).

Nos exemplos 4 e 5, experimente substituir as horas por meio-dia:

4- Voltaremos ao meio-dia.
5- Das duas ao meio-dia, estaremos à disposição de quem precisar de nossos serviços.

Observe que, no exemplo 5, há artigo diante do primeiro número, portanto ele estará
presente também diante do segundo.
Nos exemplos 6 e 7, isso não ocorre. Não há artigo diante do primeiro número nem diante do
segundo. É o que ocorre com palavras repetidas: cara a cara, frente a frente, face a face.

No exemplo 8, vamos substituir a hora por meio-dia, novamente.
Estaremos aqui após o meio-dia.
Por quê?
Porque a preposição diante do artigo não é a.
Veja outros exemplos em que a preposição não é a, não ocorrendo, portanto, fusão:

Desde as onze horas que ela não sai da janela.
O almoço ficou marcado para as quatorze horas.

Finalmente, no exemplo 9, é fácil constatar a inexistência do artigo. Se ele existisse,
deveria estar no plural para concordar com quilômetros. Assim sendo, sempre que houver a,
seguido de palavra plural, não ocorrerá crase.

Além disso, quilômetro é masculino.
Veja outros exemplos:

A dois dias do batizado, a mãe resolveu dar uma festa.
Daqui a duas horas, mesmo que chova, sairemos. (plural)
Estávamos a cinco metros da fonte.

Conforme você viu, há recursos para verificação da existência do acento gráfico.

Substantivos comuns coletivos

Você sabe o que é um substantivo?
Substantivo é a palavra que dá nome a tudo. Se você não souber expressar-se, usando a
palavra adequada, provavelmente usará a palavra coisa, ou negócio, ou treco: Ela foi ao
médico porque teve um “treco”. Treco é o nome de alguma doença ou mal-estar cujo nome se
desconhece. Ela sente um negócio por ele que não sei o que é. A palavra coisa é curinga. A
revista “Língua Portuguesa”, nº12, ano I, pág. 18, traz um artigo interessantíssimo,
escrito por Francicarlos Diniz. Ele diz que a palavra coisa é o bombril da língua: tem 1001
utilidades. Ele fala sobre músicas (compositores e intérpretes) de Roberto Carlos, Jobim,
Vinicius, Geraldo Vandré, Chico Buarque, Beth Carvalho, Maria Bethânia. Recomendamos-lhe a
leitura do texto, que é muito divertido.

Você já viu o que é substantivo. E substantivo comum?
Substantivo comum é aquele que nomeia seres da mesma espécie: cachorro, gato, caderno,
televisão. Se você vir um desses, certamente saberá de que se trata.
E coletivo? O próprio nome indica: coletivo indica coleção.
Em geral, ouve-se dizer “um monte de”, “uma porção de” para o coletivo. Em vez de espicha,
ouve-se comumente “um monte, uma porção de camarões”.

Você sabe qual o coletivo de búfalos, caranguejos, camelos, dinheiro, porcos, soldados?
Veja:

búfalos – manada, rebanho
caranguejos – cambada, cambulha (coisas enfiadas presas)
camelos – cáfila, caravana
dinheiro – bolaço, bolada, bolo, dinheirama
de porcos – vara
soldados – artilharia, batalhão, brigada, coluna, companhia, coorte, destacamento,
esquadra, falange, guarda, guarnição, legião, milícia, piquete, polícia

E de abelhas?

abelhas colmeia (éi ou êi) cortiço, enxame, apiário

Antigamente, não tão antigamente, dizia-se apenas colmeia (ê). Com o tempo, a forma
colmeia (é) firmou-se e ficaram as duas pronúncias.

Muitas vezes, usamos um coletivo seguido de especificação porque ele pode referir-se a
mais de um objeto, de um ser.
Podemos dizer manada de girafas, de elefantes, de rinocerontes, enfim, de animais
pesados.
É comum o pastor chamar seus fiéis de rebanho: o rebanho de fiéis ouvia atentamente o
pastor.
Veja que exemplo interessante em “Travessuras da menina má” de Mario Vargas Llosa,
pág.16:

“As festas de Marirosa sempre tinham orquestra e um enxame de garçons servindo salgados,
canapés, sanduíches, sucos e todo tipo de bebidas não alcoólicas a noite inteira, festas
para as quais os convidados se preparavam para entrar no céu.”

O autor usou enxame (coletivo de abelhas, conforme você já viu) seguido de especificação,
exatamente por não ser de abelhas.

Usar bem a língua é aproveitar a versatilidade que ela apresenta.

Voltaremos a falar de coletivos.

Verbos pronominais

Você sabe conjugar verbos pronominais? E você sabe o que é um verbo pronominal?
Verbo pronominal é aquele que se conjuga com pronomes oblíquos átonos (me/nos; te/vos; se).
Os verbos pronominais podem ser acidentais ou essenciais.
Acidentais são os que podem vir com pronomes em determinados contextos. Ex. sentar-se,
levantar-se, deitar-se, indignar-se.
Ex.: Maria sentou a pobre senhora desfalecida. Maria sentou-se porque estava desanimada.
Os homens levantaram a cabeça altivamente. Os homens levantaram-se de supetão.
A mãe deitou o bebê delicadamente. A mãe deitou-se junto ao bebê.
O cantor indignou a plateia. O cantor indignou-se com a plateia.
Conforme você pôde ver, o verbo pronominal acidental pode aparecer sem o pronome átono.
Os pronominais essenciais obrigatoriamente são conjugados com o pronome átono. Ex.:
suicidar-se, queixar-se, dignar-se, arrepender-se.

Veja como se conjuga um verbo pronominal:

Arrependo-me Queixei-me Dignar-me-ei
Arrependes-te Queixaste-te Dignar-te-ás
Arrepende-se Queixou-se Dignar-se-á
Arrependemo-nos Queixamo-nos Dignar-nos-emos
Arrependeis-vos Queixastes-vos Dignar-vos-eis
Arrependem-se Queixaram-se Dignar-se-ão

Ou:

Eu me arrependo Eu me queixei Eu me dignarei
Tu te arrependes Tu te queixaste Tu te dignarás
Ele se arrepende Ele se queixou Ele se dignará
Nós nos arrependemos Nós nos queixamos Nós nos dignaremos
Vós vos arrependeis Vós vos queixastes Vós vos dignareis
Eles se arrependem Eles se queixaram Eles se dignarão

O prefixo in-

Às vezes, esse prefixo pode significar “não”. Nessa acepção, é a forma erudita a que
corresponde o prefixo popular “des”. Ex.: Ignorância (gno = conhecer), ilegal, ilícito,
iludir (ludere = jogar), imberbe, impolido, ímprobo (cuidado com a pronúncia), imutável,
inábil, incapaz, incógnito, incolor, inconfortável, incrédulo, indecente, indelével,
inerme, infeliz, infiel, infrene, inimigo, insípido (que não é sápido; não tem sabor),
inútil, inválido.

Em imberbe (in+barba), inerme (in+arma), inimigo, insípido (in+sápido), houve mudança do
“a” da primeira sílaba para “e” ou “i” , por causa do prefixo. Essa mudança tem o nome de
apofonia. O mesmo ocorreu em di+fácil = difícil, em que o a variou para i em função do prefixo.
A apofonia não ocorre apenas com o prefixo in. Veja outros casos: acento (ad+cantu),
perfeito (per+factu), sujeito (sub+jactu).
Em ilegal, ilícito, iludir, temos o metaplasmo chamado assimilação, que consiste em um
fonema tornar outro parecido ou igual a ele. Quando ele se torna parecido, dizemos que
ocorreu assimilação parcial; quando igual, a assimilação é total. Ex.: adversu* = avesso;
amar+lo = amallo = amá-lo; auru = ouro; calente = caente = queente = quente (crase do e);
deixaram+o = deixaram+lo = deixaram-no; factu = faito = feito; ipse = esse; lauru = louro;
maiore = maor, moor, mor; palomba; = paomba = poomba = pomba; paucu = pouco; per+lo = perlo =
pelo; persicu (fructu persicu) = pêssego; persona = pessoa; ver+lo = vello = vê-lo.

Lembra-se da conjunção coordenativa adversativa? É aquela que introduz uma oração que é o
avesso, o contrário do que seria lógico. As conjunções coordenativas adversativas são: mas,
porém, todavia, contudo, entretanto, no entanto. Ex.: Acordei tarde, mas não perdi o bonde
nem a esperança. Trabalhamos muito, porém não enriquecemos.
Como você viu, é impossível ater-nos apenas a um tópico. Voltaremos a esse assunto
apaixonante.

Acentuação gráfica dos verbos

Os verbos seguem as regras de acentuação comuns.
As oxítonas terminadas em a, e, o, em, ens levam acento. Ex.: vatapá, Paraná, Pará, Amapá,
Macapá, Ceará, mugunzá; você, dendê, rapé, ralé; jiló, cipó, Maceió; armazém, vintém,
refém, alguém, ninguém, porém; armazéns, parabéns, reféns.
Então: será, dará, fará, contará, fingirá, manterá, reporá, intervirá; relê, revê, descrê;
repô-la; dispô-la; avém (singular), avêm (plural); convém (singular), convêm (plural);
desavém (singular), desavêm (plural); intervém (singular), intervêm (plural); provém
(singular), provêm (plural); contém (singular), contêm (plural); mantém (singular),
mantêm (plural); detém (singular), detêm (plural); atém (singular), atêm (plural);
entretém (singular), entretêm (plural); retém (singular), retêm (plural); conténs, manténs,
deténs, aténs, entreténs.

Os monossílabos tônicos terminados em a, e, o (seguidos ou não de s) também serão
acentuados. Ex.: pá (s), pé (s), pó (s), Sé, ré (s), má (s), lá, cá, já, fé, chá (s), xá(s),
dó, só (s), nó (s), Jô, Jó.
Então: vá, dá, crê, dê, lê, vê, pô-lo.

Vimos, em boletim anterior, que as palavras (incluindo os verbos) oxítonas levam acento
quando terminarem pelas vogais a, e, o. O mesmo ocorre com os monossílabos.
Quando o verbo terminar por i ou u, não levará acento. Ex.: parti, sorri, vi, pus, quis,
cobri-la, engoli-lo.
Se, no entanto, a vogal i formar hiato com a vogal anterior, levará acento. Ex.: traí,
caí, saímos, arruíno, destruímos, concluímos, destruí-la, excluí-los.

As palavras proparoxítonas levam acento. Não há exceção. Ex.: tráfego, cético, lúdico,
paralelepípedo. Os verbos também seguem a regra. Ex.: saçaricávamos, saçaricáramos,
saçaricássemos, tagarelávamos, requerêssemos, devêssemos, crêssemos, fingíssemos,
transigíamos, valíamos.

As palavras paroxítonas levam acento quando terminarem por ditongo oral. Ex.: jóqueis,
fôsseis, fósseis, incríveis. O mesmo ocorre com os verbos. Ex.: saçaricáveis, saçaricaríeis,
saçaricáreis, chantageáveis, transigíeis, fingíeis, dormíeis, trouxéreis.

Os verbos que têm ditongo aberto ói tônico levam acento. Ex.: mói, dói, rói, condói.Eles
só podem ser seguidos de S: móis, róis.
Assim, apoia não leva acento.

Verbo adequar - defectivo

Verbo adequar
“Todos os nossos modelos se adéquam ao tempo.”

Será que o verbo adequar está correto? Não, não está. O verbo adequar nunca é conjugado com a sílaba tônica no de. Então, o correto seria adequa (com acento tônico no u)? Também não. O verbo adequar nunca é conjugado com o acento tônico no u. Como corrigir a frase acima? O verbo adequar é defectivo. Verbo defectivo é aquele que não é conjugado em sua totalidade. Chover é um exemplo.
Não se diz: eu chovo. Há outros verbos defectivos: nevar, trovejar, latir, grugulejar, reaver, precaver, falir, ressarcir, computar, viger, imergir, abolir, colorir, demolir, explodir, extorquir.
Para que a frase acima fique correta, é preciso substituir o verbo adequar por adaptar, acomodar, ajustar. A frase fica: Todos os nossos modelos se adaptam (se acomodam ou ajustam) ao tempo.

Presente do indicativo: nós adequamos, vós adequais
Pretérito perfeito do indicativo: eu adequei, tu adequaste, ele adequou, nós adequamos, vós adequastes, eles adequaram
Pretérito imperfeito do indicativo: eu adequava, tu adequavas, ele adequava, nós adequávamos, vós adequáveis, eles adequavam
Pretérito mais-que-perfeito do indicativo: eu adequara, tu adequaras, ele adequara, nós adequáramos, vós adequáreis, eles adequaram
Futuro do presente do indicativo: eu adequarei, tu adequarás, ele adequará, nós adequaremos, vós adequareis, eles adequarão
Futuro do pretérito do indicativo: eu adequaria, tu adequarias, ele adequaria, nós adequaríamos, vós adequaríeis, eles adequariam
Presente do subjuntivo: que nós adequemos, que vós adequeis
Pretérito imperfeito do subjuntivo: se eu adequasse, se tu adequasses, se ele adequasse, se nós adequássemos, se vós adequásseis, se eles adequassem
Futuro do subjuntivo: quando eu adequar, quando tu adequares, quando ele adequar, quando nós adequarmos, quando vós adequardes, quando eles adequarem
Imperativo afirmativo: adequemos nós, adequai vós
Imperativo negativo: não adequemos nós, não adequeis vós

Para o dicionário Houaiss, esse verbo é regular:

Presente do indicativo: eu adéquo / adequo, tu adéquas / adequas, ele adéqua / adequa, nós adequamos, vós adequais, eles adéquam / adequam
Presente do subjuntivo: que eu adéque / adeque, que tu adéques / adeques, que ele adéque / adeque, que nós adequemos, que vós adequeis, que eles adéquem / adequem
Imperativo afirmativo: adéqua / adequa tu, adéque / adeque você, adequemos nós, adequai vós, adéquem / adequem vocês
Imperativo negativo: não adéques / adeques tu, não adéque / adeque você, não adequemos nós, não adequeis vós, não adéquem / adequem vocês

O R e o S geminados

Vamos, hoje, tratar de um assunto que tortura muita gente escolarizada: o r e o s geminados.
Quando se usa r e rr no meio das palavras?

Entre vogais, o erre tem som brando (fraco): careta, lorota, Maricota, nora.

Se ele for vibrante (forte), há duas possibilidades:

se ele vier entre vogais, a palavra será grafada com dois erres: garrafa, marreco, arrulho, barraco, carro, torrar, turra, morrer, parricida, berro, correr, ferrar, forro, agarrar, guitarra, guerra, gorro, jarro, jorrar, murro, zurrar, zorro, torre, varrer, barra.
se ele vier entre uma consoante e uma vogal, haverá apenas um erre: honra, tenro, genro, Henrique, Conrado, bilro, palrar, melro, guelra, enredo.
O esse, quando vem entre duas vogais, tem som de z: casa, mesa, pisar, aviso, análise, asa, coisa, dose, fuso, gasoso, lousa, luso, liso, leso, nasal, pose, quisera, rosa, Sousa, tísico, vaso.

Quando o esse vier entre vogais, com som de s (ce), deverá ser geminado: assar, posse, gesso, massa, bossa, cessar, desse, disse, fosse, nesse, passou, classe, grosseiro, Rússia.
Quando o esse vier entre uma consoante e uma vogal e tiver o som de s (ce), ele será simples: manso, tenso, censo, senso, hirsuto, Barsa, cansar, conselho, curso, corso, denso, farsa, farsante, ganso, mensurar, pensar.

O ou lhe - Pronome oblíquo como objeto direto ou indireto

Existem alguns pronomes que confundem: podem ser objetos diretos ou indiretos. São eles: me/nos; te/vos e se.
Veja exemplos com objetos diretos:

As crianças me amam. Nomearam-me assistente. Acolheram-me com afeto.
O cliente vai processar-te. Ninguém quer prejudicar-te. Estimo-te muito.
Será que vão chamar-nos? Ouviram-nos com prazer. Ofenderam-nos na exposição.
Não posso esquecer-vos. As crianças devem visitar-vos brevemente. Entendo-vos bem.
Ele castigou-se, deixando de comprar o quadro. A jovem pegou-se pensando no passado. Há pessoas que se veem superiores aos outros.

Para verificar se o pronome é objeto direto, você pode substituí-lo por O (e flexões):

As crianças o amam. Nomearam-no assistente. Acolheram-no com afeto.
O cliente vai processá-lo. Ninguém quer prejudicá-lo. Estimo-a muito.
Será que vão chamá-lo? Ouviram-no com prazer. Ofenderam-no na exposição.
Não posso esquecê-la. As crianças devem visitá-lo brevemente. Entendo-a bem.
Ele castigou-a, deixando de comprar o quadro. A jovem pegou-o pensando no passado. Há pessoas que os veem superiores aos outros.

Conforme você pôde ver, o pronome o muda para lo quando o verbo terminar por r, s e z: chamá-lo, fi-lo, qui-lo e para no quando o verbo terminar por som nasal: viram-no, põe-na.

Os mesmos pronomes podem exercer função de objeto indireto:

Não me obedeceram quando lhes fiz sinal. O espetáculo não me agradou.
Comunicaram-te a renúncia do prefeito? Deram-te mais tempo que o necessário.
Informaram-nos a próxima partida do avião. Pagaram-nos o devido.
Perdoaram-vos a ofensa. Agradeceram-vos a presença.
Procuraram dizer-se a verdade. A viúva devolveu-se a alegria de viver.

Nos casos acima, os pronomes podem ser substituídos por lhe:
Não lhe obedeceram quando lhes fiz sinal. O espetáculo não lhe agradou.
Comunicaram-lhe a renúncia do prefeito? Deram-lhe mais tempo que o necessário.
Informaram-lhe a próxima partida do avião. Pagaram-lhe o devido.
Perdoaram-lhe a ofensa. Agradeceram-lhe a presença.
Procuraram dizer-lhe a verdade. A viúva devolveu-lhe a alegria de viver.

Em alguns verbos os pronomes mencionados podem funcionar como objetos diretos ou indiretos: informar, avisar, cientificar, notificar.

O oficial informou-me o dia da audiência. – OI
O oficial informou-me do dia da audiência. – OD

Informaram-te o dia da prova? – OI
Informaram-te do dia da prova? – OD

O carteiro nos notificou a entrega. – OI
O carteiro nos notificou da entrega. – OD

A secretária vos cientificou o telefonema? – OI
A secretária vos cientificou do telefonema? OD

Esses verbos exigem OD e OI. Se o fato exerce função de objeto direto, a pessoa exerce o de objeto indireto e vice-versa.

Como escrever horas e datas

COMO ESCREVER HORAS E DATAS
Para escrevermos horas, é bom lembrar que não se põe s na abreviatura; também não se põe ponto. Hora (s) é abreviado com um h; minutos, com m ou min; segundo (s) com s. Ex.: 9h20m ou min; 9h25m ou min (não há ponto). Não existem hs, hr ou hrs. H maiúsculo é o símbolo do hidrogênio. Mins, seg e segs não existem.
Há gramáticos que rejeitam a abreviatura m porque acha que alguém poderia entender como metro, que tem a mesma abreviatura. Nunca ouvi ninguém ler: “São nove horas e quinze metros”. Você já ouviu?
Não escreva, portanto: 9:25h; 9h 25´ 6´´. Os símbolos da plica representam minuto e segundo em unidades de ângulo e plano.

E datas, como abreviar? Você pode separar o dia do mês e ano com ponto, com barra ou com traço, indiferentemente. Escolha.
Hoje são: 31/12/2007 ou 31-12-2007 ou 31.12.2007.
O Manual de Redação da Presidência da República prefere ponto. Veja:

Comissão encarregada de elaborar, sem ônus, a primeira Edição do Manual de Redação da Presidência da República (Portaria SG no 2, de 11.1.91, DOU de 15.1.91): Gilmar Ferreira Mendes (Presidente), Nestor José Forster Júnior, Carlos Eduardo Cruz de Souza Lemos, Heitor Duprat de Brito Pereira, Tarcisio Carlos de Almeida Cunha, João Bosco Martinato, Rui Ribeiro de Araújo, Luis Fernando Panelli César, Roberto Furian Ardenghy.

19.6.8. Rejeição do Veto e Entrada em Vigor da Parte Mantida pelo Congresso Nacional
Considerando que a lei sancionada parcialmente entra em vigor consoante cláusula de vigência nela estabelecida, ou nos termos do disposto na Lei de Introdução ao Código Civil (Decreto-Lei no 4.567, de 4.9.1942, art. 1o), resta indagar se se aplicam, no caso de rejeição de veto parcial, as regras relativas à entrada em vigor da lei como ato normativo autônomo, ou se a parte vetada tem a vigência idêntica da parte não vetada.

ANEXO

Art. 8o
§ 1o A contagem do prazo para entrada em vigor das leis que estabeleçam período de vacância far-se-á com a inclusão da data da publicação e do último dia do prazo, entrando em vigor no dia subsequente à sua consumação integral. (Parágrafo incluído pela Lei Complementar no 107, de 26.4.2001)

Para encerrar, RISCO DE VIDA OU RISCO DE MORTE?

Use como lhe aprouver; empregue a forma de que você gostar mais.
Eu prefiro risco de vida (risco de perder a vida). De uns tempos para cá, resolveram (quem?) que risco de morte é melhor, porque não se corre risco com ocorrências positivas, todavia, conforme você já viu, o risco é de perda.

Prefixos gregos

PREFIXOS GREGOS
Você já viu prefixos e radicais latinos. Vamos, agora, ver alguns prefixos gregos.

A, an – correspondem ao in latino. Seu sentido é de negação. Ex.: acéfalo (sem cabeça), amoral (não moral, indiferente à moral, aos costumes), analfabeto, anarquia (sem governo, sem chefe), anômalo (homalós = de superfície lisa; então, que não tem a superfície lisa), anônimo (sem nome), apatia (sem sentimento, sem sensibilidade), ateu (sem deus), átono (sem força).

Anti – oposição; corresponde ao contra latino. Ex.: Antagonista (contra a força), antártica, antídoto (contra o mesmo – id), anti-higiênico, antipatia (contra emoção, sentimento), antípoda (pés opostos), antítese (tese contrária).

Arce, arque, arqui – superioridade, que está na frente. Ex.: Arcanjo, arcebispo, arquidiocese, arquiduque, arquirrabino

Auto – próprio . Ex.: autoafirmação, autoagressão, autobiografia, autoconhecimento, autodefesa, autodestruição, autodidata, autoestima, autógrafo, automóvel, autonomear-se, autopreservação, autopromoção, autoproteger-se.

Dis – dualidade (bi em latim), mau funcionamento. Ex.: dígrafo (duas letras), dilema (duas proposições), disenteria (mau funcionamento do intestino), dislalia (distúrbio da fala), dislexia (distúrbio na leitura), dispepsia (mau funcionamento da digestão), dispneia (má respiração), dístico (em duas fileiras), ditongo (som duplo).

Eu, ev (bene em latim) – bom, bonito. Ex.: eufemismo (dizer, falar, expressar bem opinião – de maneira delicada), euforia (boa tolerância), eugenia (boa raça, tronco, família), eulalia (boa fala), eupepsia (boa digestão), eutanásia (boa morte), evangelho (bom mensageiro).

Hemi – meio . Ex.: hemicrania ou hemicrânia (dor de cabeça em apenas um lado = enxaqueca), hemiplegia (paralisia da metade do corpo), hemisfério (metade da esfera), hemistíquio (metade do verso alexandrino, quer dizer, verso de doze sílabas métricas; conta-se até a última sílaba tônica). Veja um exemplo de poema com versos alexandrinos:

O SONHO – Eugênio de Castro

Na messe, que enlourece, estremece a quermesse…
O sol, o celestial girassol, esmorece…
E as cantilenas de serenos sons amenos
Fogem fluidas, fluindo à fina flor dos fenos…

(…) Três da manhã. Desperto incerto… E essa quermesse?
E a Flor que sonho? e o sonho? Ah! tudo isso esmorece!
No meu quarto uma luz luz com lumes amenos,
Chora o vento lá fora, à flor dos flóreos fenos…

Hiper – corresponde ao latim super = sobre, posição superior, excesso. Ex.: Hiperácido, hiperacusia (acuidade auditiva exagerada), hiperagressividade, hipérbole (exagero = Já disse mil vezes que hipérbole é exagero), hiperdosagem, hiperglicemia, hipermercado, hipermetropia, (metro+opia = vista, olho), hipertensão (tensão acima do normal), hipertireoidismo, hipertrofia (desenvolvimento excessivo de órgão ou parte dele), hipervalorizar, hiperventilar, hipervitaminose (estado anormal devido ao excesso de vitaminas).

Hipo – corresponde ao latim sub. Ex.: Hipocalórico, hipodérmico (subcutâneo), hipoglosso (sob a língua).

Peri – ambi em latim – movimento circular, em torno de. Ex.: Perianto (em torno da flor), periferia (em torno da esfera), perífrase (em torno da frase).

Radicais latinos

RADICAIS LATINOS

Aevu (lê-se évu) = idade, época. Ex.: Coevo, longevo, medievo.

Agri = campo. Ex.: Agrícola (que mora no campo), agricultor (que cultiva o campo).

Ambi = movimento circular, dualidade. Ex.: Ambidestro, ambiente, ambivalente, ambiguidade.

Ambulare = andar. Ex.: Ambulância, ambulante (que anda), noctâmbulo (que anda de noite), sonâmbulo.

Bellu = guerra. Ex.: Bélico, belicoso, belígero (que provoca guerra).

Cida = o que mata. Ex.: Parricida (que mata o pai), matricida (que mata a mãe), fratricida (que mata o irmão), uxoricida (que mata a esposa), formicida, inseticida, raticida, suicida (que mata a si próprio).

Cola = Que habita ou cultiva. Ex.: Agrícola, silvícola (que mora na selva), arborícola.

Collu = Pescoço. Ex.: Colar, colarinho, coleira, colo.

Oni = Todo. Ex.: Ônibus (para todos), onipotente ou omnipotente (que pode tudo), onipresente ou omnipresente (que está presente em todos os lugares), onisciente ou omnisciente (que sabe tudo), onívoro ou omnívoro (que come de tudo).

Patre = Pai. Ex.: Paternal, paterno, patrimônio, patrocínio.

Sene = Velho. Ex.: Senado, senador, senil, senilidade, senhor, sênior.

Tergu = Costas. Ex.: Tergiversar (virar as costas = fugir do assunto)

Umbra = Sombra. Ex.: Penumbra (quase sombra), umbroso (cheio de sombra).

Vermi = Verme. Ex.: Vermífugo, vermelho (vermículo, pequeno verme). Para se obter o vermelho, espremia-se um verminho (cochonilha)

Concordância nominal - grão & etc.

Mais um pouco de concordância nominal
Grão flexiona apenas em gênero. Ex.: O grão-mestre trouxe novidades. Os grão-mestres trouxeram novidades. A grã-duquesa era de uma elegância irrepreensível. As grã-duquesas eram de uma elegância irrepreensível.

Flexão de qualquer

Qualquer faz o plural quaisquer. Deve ser usado em frases afirmativas, com valor de indeterminar, generalização. Ex.: Qualquer filme tem boa aceitação naquela cidadezinha. Aceitarei o emprego, quaisquer que sejam as condições.
Observação: nunca use qualquer em frase negativa: Não tenho qualquer intenção de sair. Use: Não tenho nenhuma intenção de sair ou Não tenho intenção alguma de sair. Os dicionários não dão a qualquer essa acepção, típica da língua popular e usada por escritores renomados.

Pseudo, extra (prefixo), as preposições salvo, tirante e exceto, as locuções conjuntivas de modo que, de forma que, de maneira que e de sorte que e a locução adverbial a olhos vistos não flexionam. Ex.: Os animais são pseudo-hermafroditas. Os fenômenos extra-atmosféricos foram vistos com reserva. A criança crescia a olhos vistos.

Observações:
1- Se extra for adjetivo (abreviação de extraordinário), vai para o plural: horas extras, trabalhos extras. A pronúncia recomendável é com ê.
2- A olhos vistos quer dizer olhos que veem. É um resquício da voz depoente em latim. Depoente significa que o verbo era conjugado na voz passiva com sentido de ativa. Você, por certo, já ouviu dizer que alguém saiu almoçado de casa; que determinada pessoa é um homem lido. Isso significa, no primeiro caso, que alguém almoçou; no segundo, que leu.

As expressões “sou maior/menor” não têm de. Não se diz: Sou de maior; sou de menor. Diz-se: O infrator era maior; seu comparsa, menor.

Concordância nominal - só & cia.

Vimos, no último boletim, concordância nominal em que a flexão se fazia no feminino e no plural (em gênero e em número).
Hoje, vamos ver nomes cuja flexão se faz apenas com número (plural): só, tal, quite, bastante.
Quando só tiver o significado de sozinho, flexionará. Ex.: Os meninos vieram sós. As mulheres estavam sós no deserto. Se o nome a que se refere estiver no singular, a palavra só se manterá no singular: A criança, só, ficou no casarão.
Existe a expressão a sós, que é invariável. Ex.: Os meninos estavam a sós. As mulheres estavam a sós no deserto. O casal, a sós, ficou no casarão. Fiquei a sós, pensando no desfecho do caso.

Só, quando significar somente, não flexiona. Ex.: Só os comerciantes não gostaram da medida. As mulheres só reclamaram do serviço doméstico.

Tal faz o plural tais. Ex.: Tal pai, tais filhos. Tais atitudes escandalizaram a sociedade. Que tais os novos modelos apresentados?

Quite tem singular, embora muita gente pense que a forma quites seja uniforme, assim como os substantivos pastel e chope. É comum ouvir “um pastéis e um chopes”.
Assim: Estou quite com você. Podemos recomeçar. O pai da criança estava quite com o colégio. Estamos quites.

Bastante vai para o plural quando o substantivo que ele modifica estiver no plural. Experimente substituir bastantes por muitos. Se for possível, você deverá usar o plural. Ex.: O ator havia dirigido bastantes peças. Tenho bastantes casos para contar. Trabalhos bastantes mantêm a mente ocupada.
Se não pudermos substituir bastante por muitos, muitas, ele será invariável. Ex.: Os atletas treinaram bastante. Vocês já estão bastante grandes para essas brincadeiras.

Concordância nominal - mesmo & cia.

CONCORDÂNCIA NOMINAL
Flexionam em gênero e número, concordando com a palavra a que se referem: chão, vão, obrigado, próprio, mesmo, junto, incluso, anexo, temporão.

Ex.: O motorista fez um gesto chão no trânsito.
O motorista fez gestos chãos no trânsito.
Não se deve usar essa palavra chã: há como substituí-la.
Fiquei aparvalhada com as atitudes chãs do político.

Meu esforço foi vão.
Meus esforços foram vãos.
Sua tentativa em convencê-lo foi vã.
Suas tentativas em convencê-lo foram vãs.

Cuidado: vão significa inútil. Nos exemplos acima, você não pode usar em vão. Essa expressão significa inutilmente. Ex.: Não usar seu santo nome em vão. Corremos em vão. Discorreu sobre o assunto em vão.

O jovem despediu-se com um “muito obrigado”.
“Muito obrigados a nossos pais”, escreveram os formandos no convite.
A assinante do jornal agradeceu com um simples “obrigada”.
Todas as participantes do concurso sorriram e disseram:”Muito obrigadas”.

O rapaz disse que ele mesmo (próprio) havia feito o serviço.
Os rapazes disseram que eles mesmos (próprios) haviam feito o serviço.
Maria, você mesma (própria) pode fazer o reparo na torneira.
Crianças, vocês mesmas (próprias) podem fazer o reparo na torneira.

O documento foi anexo (junto, incluso) ao requerimento.
Os documentos foram anexos (juntos, inclusos) ao requerimento.
Você observou se a certidão está anexa (junta, inclusa)?
Você observou se as certidões estão anexas (juntas, inclusas)?

Cuidado: Não use a expressão “em anexo”, assim como você não usa “em junto”, “em incluso”.

O bebê nasceu temporão.
Os bebês nasceram temporãos.
Vamos experimentar essa fruta temporã.
Vamos experimentar essas frutas temporãs.