2 de janeiro de 2020

Dúvidas sobre regência verbal

Você já viu alguns verbos que exigem complemento com preposição. Vamos hoje ver os verbos
avisar, cientificar, aconselhar, informar e notificar que têm a mesma regência. Exigem
objeto direto e indireto. É indiferente que o objeto direto seja pessoa ou fato. Se a
pessoa for objeto direto, o fato será objeto indireto e vice-versa. A regra também se aplica aos verbos advertir, aconselhar, anunciar, alertar, noticiar, impedir, incumbir, proibir e encarregar.
O objeto direto é o complemento que não tem preposição exigida. O objeto indireto é ligado
ao verbo com preposição exigida. Nós já vimos verbos que exigem a preposição de: gostar de,
desconfiar de, duvidar de, depender de. Vimos também verbos que exigem a preposição em:
confiar em, acreditar em, crer em, esperar em (com o sentido de ter esperança).

Veja como se usa o verbo avisar:

Avisei os interessados do novo horário de atendimento.
O diretor avisou os pais (sem preposição) de que haverá provas mensais (com preposição de).
O diretor avisou-os de que haverá provas mensais.

O mesmo ocorre com informar:

Informamos a jovem da nova data do concurso.
Gostaríamos de informá-lo de que o horário de atendimento se estenderá até as vinte e duas
horas.
O repórter informou os ouvintes de que a vacinação seria feita no dia seguinte.

Usamos a pessoa como objeto direto (sem preposição) e o fato como objeto indireto. Vamos
agora ver o fato como objeto direto e a pessoa como objeto indireto.

Avisei o novo horário de atendimento aos interessados.
O diretor avisou aos pais que haverá provas mensais.
O diretor avisou-lhes que haverá provas mensais.

Informamos a nova data do concurso à jovem.
Gostaríamos de informar-lhe que o horário de atendimento se estenderá até as vinte e duas
horas.
O repórter informou aos ouvintes que a vacinação seria feita no dia seguinte.

Com esses verbos, note bem, se você disser informá-lo, avisá-lo, o que vem precedido
da preposição de: avisá-lo de que; informá-lo de que.
Se você usar informar-lhe, avisar-lhe, o que não vem precedido de preposição: avisar-lhe
que, informar-lhe que.

É impossível avisá-lo que ou informá-lo que, com dois objetos diretos, avisar-lhe de que ou informar-lhe de que, com dois objetos indiretos.

No boletim anterior, falamos sobre a regência dos verbos que exigem preposição em. Vamos
hoje mostrar alguns verbos que exigem preposição de: gostar, duvidar, desconfiar, precisar,
necessitar, prevenir, avisar, informar.

Gosto de você. Você é a pessoa de quem gosto.
Duvido de suas intenções. Aquelas são as intenções de que (das quais) duvido.
Desconfiamos de suas atitudes. As atitudes de que (das quais) desconfiamos foram dignas de
investigação.
Preciso de tempo. O tempo de que preciso é exíguo.
Necessito de mais informações. As informações de que necessito estão à disposição.
É preciso preveni-lo de que a vacinação será feita sábado próximo.
Aviso-o de que estamos à espera do comprovante de recebimento do produto.
Informamo-lo de que as aulas deverão iniciar-se na próxima semana.

Os verbos precisar e necessitar podem também vir sem preposição. Ex.: Preciso o livro. A
indústria precisa técnicos. Precisam-se técnicos. Necessito recibo da operação financeira.
Necessita-se secretária.
Atualmente, é preferível usar a preposição quando o complemento é um substantivo ou pronome e omiti-la quando o objeto indireto é um verbo no infinitivo.

O verbo prevenir exige complemento de pessoa (ou instituição) sem preposição e do fato com
preposição.

No próximo boletim falaremos sobre os verbos informar e avisar.

Regência verbal

Qual seria a impropriedade em dizer: “Afinal, comprei o colchão que eu sempre sonhei” e
“Comprei o adoçante que você confia.”?
O verbo sonhar exige a preposição com. Ex.: Sonhei com você. Sonho com um futuro melhor
para o Brasil.
O verbo confiar exige a preposição em. Ex.: Confio em seus projetos. Confiamos em suas
promessas.
Quando você constrói uma frase em que apareça o pronome relativo, você precisa respeitar
a regência do verbo. Então:

Afinal, comprei o colchão com que (com o qual) sempre sonhei.
Comprei o adoçante em que (no qual) você confia.

Veja outros exemplos em que a preposição em é exigida:
Verbo crer
Creio em pessoas calmas. As pessoas em que (nas quais) creio são calmas.

Verbo acreditar
Acreditávamos em suas palavras. As palavras em que acreditávamos eram falsas.

Verbo esperar (ter esperança, acreditar)
Esperava nesse candidato. O candidato em que esperava não concorrerá às eleições.

No sentido de aguardar, é transitivo direto.

Verbo morar
Moro num país tropical. O país em que moro é tropical. Cuidado: nada de morar à Rua das
Orquídeas. More na Rua das Orquídeas. Você mora em São Paulo, na Bahia, no Espírito Santo,
então, na rua.

Verbo residir
Resido numa casa aconchegante. A casa em que resido é aconchegante.

Verbo reparar (observar)
Reparei em seus modos estabanados. O rosto em que reparei não me era estranho.

No sentido de consertar ou indenizar, é transitivo direto.

Voltaremos a esse assunto.

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