2 de janeiro de 2020

Infinitivo flexionado

Hoje, vamos falar um pouquinho sobre um assunto controverso: é o uso do infinitivo
flexionado ou não. Infinitivo é o nome do verbo: cantar, beber, pôr, partir. O infinitivo
flexionado é aquele acompanhado dos pronomes pessoais do caso reto: eu, tu, ele (e pronome
de tratamento você e os começados por vossa: Vossa Senhoria, Vossa Excelência), nós, vós,
eles (e pronome de tratamento vocês e os começados por vossas: Vossas Senhorias, Vossas
Excelências). Veja pegar eu, pegares tu, pegar ele (você), pegarmos nós, pegardes vós,
pegarem eles (vocês).
No caso dos verbos regulares, o infinitivo pessoal e o futuro do subjuntivo são iguais:
partir (infinitivo), quando eu partir (futuro do subjuntivo). Para que você use no
dia a dia, vamos apresentar apenas alguns casos (em que há mais consenso). Futuramente,
falaremos mais um pouco sobre o assunto. Sintetizando o assunto, grosso modo:

1- sujeitos iguais – não há flexão do infinitivo

2- sujeitos diferentes – há flexão do infinitivo

Exemplos com sujeitos iguais: Julgamos (nós) ter (nós) feito o que nossa consciência ditou.
Dizem (os políticos) os políticos lutar (os políticos) pelo bem comum.

Exemplos com sujeitos diferentes: Afirmamos (nós) estarem (eles, vocês) tolhendo nossos
movimentos. Acredito (eu) podermos (nós) sair logo. Penso (eu) seres (tu) eficiente.
Peço-lhes (eu ) não acreditarem (eles, vocês) no que está havendo.

Quando os sujeitos forem diferentes, e o verbo for causativo (mandar, fazer, deixar) ou sensitivo (ver, ouvir, sentir, perceber), o infinitivo não flexionará quando o sujeito do infinitivo for pronome oblíquo (é o chamado sujeito acusativo). Mandei-os entrar. Não nos deixeis (vós) cair (sujeito = nós) em tentação. . Você deve fazer-nos ficar à vontade. Ouvi-os chorar. Ela viu-nos chegar. Os presentes nos sentiram tremer.

Quando o sujeito do infinitivo for um substantivo, o infinitivo pode ou não vir flexionado: Deixai (vós) vir (sujeito = os pequeninos) a mim os pequeninos. De tanto ver triunfar (sujeito = as nulidades) as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. (Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)

Você verá, no próximo boletim, que não há unanimidade; há muita polêmica em torno desse
assunto.

Nenhum comentário: