2 de janeiro de 2020

Voz passiva analítica e sintética

Com palavras
VEJA publica nesta edição um levantamento pormenorizado de um fenômeno de alto interesse
para quem precisa entrar ou se manter no mercado de trabalho brasileiro.
A reportagem especial de quinze páginas é um empreendimento que, pelo rigor,
pela profundidade e pela metodologia, ultrapassa o escopo das incursões jornalísticas
tradicionais sobre o tema. Ela mostra que no quadro adverso da economia do país, em que o
desemprego bate recordes a cada nova medição dos institutos especializados,
um grupo de pessoas consegue se manter à tona no mercado e
ainda progredir na carreira. (…) – Carta ao leitor – Edição 1 805 – 4 de junho de 2003

A apuração dessa denúncia é fundamental para a moral do país. Se for falsa, que se punam
os ímprobos delatores. Se for verdadeira, que se condenem os autores e se busque o dinheiro.
O que as autoridades não podem fazer é jogar esse descalabro para debaixo do tapete.
Câmara dos Deputados apura o maior assalto do país
Antônio Ermírio de Morais – Folha – 4-6-03

Pormenorizado = minuciado, minudenciado, detalhado

Empreendimento = projeto, realização, cometimento

Metodologia = regras estabelecidas para a realização de pesquisa; conjunto de técnicas e processos para a pesquisa; método

Escopo = objetivo, alvo, intenção

Incursão = estudo, pesquisa

Adverso = desfavorável, impróprio, malpropício, hostil

Recorde = que ultrapassa o que já ocorreu, superação

Manter-se à tona = manter-se em evidência, emergir, aparecer

Ímprobo = desonesto, indigno, torpe, desonrado,

Delator = acusador, denunciante

Descalabro = dano, prejuízo

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Espaço do leitor

Um leitor pede-nos ajuda em voz passiva.

Veja: Se dissermos: O povo odeia juros altos. O povo é o sujeito ? nesse período,
ele pratica a ação. Se passarmos a oração para a voz passiva, vai ficar:
Juros altos são odiados pelo povo. Aí, o sujeito é “juros altos”, que sofre a ação de ser
odiado. Quem pratica a ação é “pelo povo”: agente da passiva.

Agente = que age; falante = que fala; pedinte = que pede; ouvinte = que ouve;
amante = que ama; depoente = que depõe; paciente = que sofre.
Sim, paciente, paixão, passivo, passo têm o mesmo radical, que significa sofrimento.
Então, agente da passiva é o que age, o que faz quando o verbo está na voz passiva
(Quem sofre? O sujeito).

Há dois tipos de passiva: a analítica, que acabamos de ver, e a sintética,
que é formada com o pronome apassivador se:
Odeiam-se juros altos. Quando se põe o verbo na passiva sintética,
o agente da passiva não costuma aparecer. Já houve época em que ele aparecia com
frequência. Ex.: Esta terra se habita de gente selvagem.

Observe os tempos verbais:

O povo odiava juros altos – Juros altos eram odiados pelo povo. Odiavam-se juros altos.
O povo odiará juros altos – Juros altos serão odiados pelo povo. Odiar-se-ão juros altos.
O povo odiaria juros altos – Juros altos seriam odiados pelo povo. Odiar-se-iam juros altos.
O povo odiou juros altos – Juros altos foram odiados pelo povo. Odiaram-se juros altos.
O povo terá odiado juros altos – Juros altos terão sido odiados pelo povo.
O povo teria odiado juros altos – Juros altos teriam sido odiados pelo povo.

Observe também a concordância com a voz passiva sintética:

Compra-se uma casa. Aluga-se este apartamento. Aceita-se pedido de desculpas.
Compram-se casas. Alugam-se apartamentos. Aceitam-se pedidos de desculpas.

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