2 de janeiro de 2020

Emprego da vírgula em orações subordinadas adjetivas - formas gráficas variantes

Vamos acertar!

Continuando nossa viagem ao mundo da vírgula, responda: você vê diferença entre:

a- Os pais engenheiros compareceram à reunião.

b- Os pais, engenheiros, compareceram à reunião?

Em “a”, somente os pais engenheiros compareceram à reunião.

Em “b”, todos os pais são engenheiros.

Veja outros exemplos:
As mães inteligentes estavam atentas ao comportamento dos filhos.
As mães, inteligentes, estavam atentas ao comportamento dos filhos.

Meus primos atletas chegaram ontem à tarde.
Meus primos, atletas, chegaram ontem à tarde.

Que diferença, não é?

Já comentamos a vírgula com orações subordinadas adjetivas. Vamos recapitular? Observe a
diferença entre as orações “a” e “b”:

a- As meninas, que sempre foram exemplo de boa educação, deixavam os pais orgulhosos.

b- As meninas que sempre foram exemplo de boa educação deixavam os pais orgulhosos.

a- Os brasileiros, que se habituaram à inflação, adoram futebol e samba.

b- Os brasileiros que se habituaram à inflação adoram futebol e samba.

Nas orações “a”, estamos falando de todos: todas as meninas, todos os brasileiros, sem exceção, generaliza, universaliza o sentido, ela é adjetiva explicativa.

Nas
orações “b”, estamos falando somente de alguns: somente as meninas que (…); somente os
brasileiros que (…).

A oração que se refere a “somente aqueles que” restringe, delimita, particulariza o sentido; ela é adjetiva restritiva.
Veja no singular:

a- A namorada de Pedro, que cursa Turismo, esteve no circuito das águas, sábado passado.

b- A namorada de Pedro que cursa Turismo esteve no circuito das águas, sábado passado.

Em “a”, Pedro tem apenas uma namorada; em “b”, Pedro tem mais de uma namorada; a que cursa
Turismo é uma delas.

Quando você se referir a alguém indefinido, pode dizer: fulano, sicrano, beltrano. Já ouviu o provérbio: “Quem ama fuão, ama seu cão”? Fuão quer dizer fulano, isto é, uma pessoa qualquer. Estranhou cicrano? É isso mesmo, não há engano; não é ciclano nem siclano, assim como não é Cleusa. É Creusa. Na “Eneida”, de Virgílio, epopeia sobre Eneias, a esposa do herói (Eneias) se chama Creúsa, portanto não tenha medo de dizer Creusa. Ciclano é um hidrocarboneto saturado cíclico, pertencente à Química e não ao coloquialismo do nosso português.

Complementando, você sabia que existem palavras que podem ser ditas de duas maneiras? Veja: clina ou crina, flauta ou frauta, flecha ou frecha, flocos ou frocos, neblina ou nebrina, aluguel ou aluguer. São formas gráficas variantes, apresentam mais de uma grafia correta. Embora haja uma forma preferida e mais usada, todas as formas são corretas.

Prefira a forma corrente, quer dizer, a mais comum, embora coexistam ambas as formas.

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