2 de janeiro de 2020

Verbo pagar - Regência

O verbo pagar exige objeto direto da coisa e objeto indireto da pessoa física ou jurídica (ou instituição).

O pronome lhe nunca funciona como objeto direto.

É claro que você já ouviu a expressão Deus lhe pague. Lhe é objeto indireto.

Se dissermos: A fatura vence hoje; vou pagá-la, la (a fatura) funciona como objeto direto.

Somente o objeto direto pode ir para a voz passiva, na qual funcionará como sujeito.

A fatura vai ser paga.

João vai pagar o pato. O pato vai ser pago por João.

Não poderemos, então, passar para a voz passiva Deus lhe pague; não cabe aqui Deus seja pago. Somente os verbos obedecer e desobedecer, embora sejam transitivos indiretos, admitem transposição para a voz passiva.

Assim, pagamos ao banco (uma conta), ao colégio (a mensalidade), ao supermercado (uma compra), ao pedreiro (um serviço), à escola (um documento), à livraria (um dicionário). Somente o que está entre parênteses pode funcionar como sujeito da voz passiva: Uma conta é paga (ao banco); A mensalidade é paga (ao colégio); Uma compra é paga (ao supermercado), Um serviço é pago (ao pedreiro); Um documento é pago (à escola); Um dicionário é pago (à livraria).

O mesmo ocorre com o verbo comunicar, de sorte que não podemos dizer que O comandante foi comunicado. O fato pode ser comunicado, a pessoa (ou instituição), não.

Não se pode dizer: A mídia será comunicada do assalto. De acordo com a norma culta, fica: À mídia será comunicado o assalto. O assalto será comunicado à mídia. A mídia será avisada / informada do assalto.

O fato pode ser avisado ou informado, a pessoa ou instituição pode ser informada. Avisar e informar admitem duas regências: objeto direto de coisa e objeto indireto de pessoa e objeto direto de pessoa e objeto indireto de coisa.

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