2 de janeiro de 2020

Vão e em vão

Vão é adjetivo e flexiona em gênero e em número: vã, vãos, vãs. Significa inútil, vazio.
É comum substituirmos esse adjetivo por em vão. Cuidado!
Veja alguns exemplos:

Todas as tentativas para conseguir o visto foram vãs (inúteis).

Os esforços foram vãos (inúteis): nada se resolveu.

Lutar com palavras é a luta mais vã (inútil). Carlos Drummond de Andrade

Melhor que mil palavras vãs (inúteis).é uma palavra que dá paz a quem ouve Siddartha Gautama Buda

Enganosa é a graça, e vã (inútil) é a formosura; mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada”. (Pv.30:10,29 e 30).

Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs (inúteis)! Castro Alves – O navio negreiro

Exemplos de Camões em Os Lusíadas apud Wikcionário

E por trabalhos vãos nunca repousas, – V-41-4
Em vão (inutilmente) aos Deuses vãos, surdos e imotos. – X-15-8 –
E, por mais segurar-se os Deuses vãos (inúteis), – V-58-3 –
Não menos gritos vãos (inúteis) ao ar derrama – VI-75-5 –
Inventará traições e vãos (inúteis) venenos, – X-17-7 –
Farão dos Céus ao mundo vãos (inúteis) queixumes – X-68-5 –

Em vão tem função de advérbio, portanto não flexiona, e quer dizer inutilmente.
Em vão (inutilmente) aos Deuses vãos, surdos e imotos. – X-15-8 – Wikcionário

É em vão (inutilmente) que as forças cansa, e à luta
Se atira; é em vão (inutilmente)
Que brande no ar a maça bruta
A bruta mão. Profissão de Fé – Olavo Bilac

Rosas que desabrochais,/ Como os primeiros amores, / Aos suaves resplendores matinais;
Em vão (inutilmente) ostentais, em vão (inutilmente) , /A vossa graça suprema; / De pouco vale; é o diadema

Em vão (inutilmente) encheis de aroma o ar da tarde; / Em vão (inutilmente)
abris o seio úmido e fresco
Do sol nascente aos beijos amorosos; / Em vão (inutilmente) ornais a fronte à meiga virgem;
Em vão (inutilmente) , como penhor de puro afeto,/ Como um elo das almas,
Passais do seio amante ao seio amante; Da ilusão. As rosas – Machado de Assis

Em vão (inutilmente) Fabiano procura por uma raposa. Vidas Secas – Graciliano Ramos

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