2 de janeiro de 2020

Suicidar-se é um pleonasmo vicioso?

Suicidar-se: redundância?

Um assinante do boletim semanal afirma-nos que está errado dizer suicidar-se porque o
significado de suicidar-se é: se matar a si, o que traz redundância.

Veja: parricida é o que mata o pai; matricida é o que mata a mãe; fratricida é o que mata
o irmão; uxoricida é o que mata a esposa; inseticida é o que mata inseto; formicida é o
que mata formiga; então, suicida é o que mata a si. Se formos levar em consideração a
etimologia (origem) da palavra, verificaremos que, realmente, há redundância.

Ocorre que a língua é dinâmica. Tráfico significa comércio (legal ou não). Quem fala é
falante, quem pede é pedinte, quem trafica (comercia) é traficante. Experimente procurar
um emprego e, ao preencher a ficha, mencionar a profissão de seus pais: traficantes. Que
será que poderá ocorrer?

O verbo suicidar-se teve a origem esquecida. Hoje, se você não usar o pronome, estará
errando: é como se dissesse: eu queixei e arrependi. Você precisa dizer: Eu me queixei e
me arrependi.
Há outros casos em português cuja etimologia foi esquecida. Veja:

Mecum = com eu (Vade mecum)

Tecum = com tu

Secum = com si

Nobiscum = com nós

Vobiscum = com vós (Dominus vobiscum)

O povo começou a juntar novamente o cum (com) antes desses pronomes e tivemos: comigo,
contigo, consigo, conosco, convosco.

Conviver significa “viver com”, no entanto dizemos: “Convivo com esse problema há anos”.

Voltaremos a falar sobre esse assunto.

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