Dizemos que quem mata o pai é parricida e comete um parricídio. Quem mata a mãe é matricida e comete um matricídio. Quem mata o irmão é fratricida e comete um fratricídio. Quem mata o filho é filicida. O infanticida é o que mata criança, especialmente recém-nascida.Juridicamente falando, é a morte do filho provocada pela mãe por ocasião do parto ou durante o estado puerperal (segundo Houaiss). Quem mata a esposa é uxoricida. Quem mata o marido é mariticida. Quem mata o cônjuge é conjugicida (o VOLP registra). O que mata rato é raticida. O que mata formiga é formicida. O que mata inseto é inseticida.
E o que mata a si próprio? É o suicida.O verbo correspondente é suicidar-se. Então, reforçando, o suicida mataa alguém (a si próprio).
Veja, portanto, se você concorda com a notícia seguinte:
Britânico mata 12 nas ruas
A polícia britânica está investigando a tese de que um taxista que atirou e matou 12 pessoas na região de Cumbria, no norte da Inglaterra, na quarta-feira tenha agido motivado por uma disputa familiar.
Derrick Bird, 52, saiu de sua casa no vilarejo de Rowrah e percorreu as cidades de Whitehaven, Seascale e Egremont em seu Citroen Picasso, escolhendo suas vítimas aparentemente aleatoriamente, até tirar sua própria vida com um tiro.
Matematicamente falando, são 13, não são?
O verbo "suicidar-se" vem do latim sui ("a si" = pronome reflexivo) + cida (= que mata). Isso significa que "suicidar" já é "matar a si mesmo". Dispensaria, dessa forma, a repetição causada pelo uso do pronome reflexivo "se".
É importante lembrar que as palavras terminadas pelo elemento latino "cida" apresentam essa idéia de "matar": formicida - que mata formigas; inseticida - que mata insetos; homicida - que mata homens.
Voltando ao verbo "suicidar-se", se observarmos o uso contemporâneo deste verbo, não restará dúvida: ninguém diz "ele suicida" ou "eles suicidaram". O uso do pronome reflexivo "se" junto ao verbo está mais que consagrado em nosso idioma. É, na verdade, um pleonasmo irreversível.
Etimologicamente, seria um pleonasmo vicioso dizer ''ele suicidou'', porque seria o mesmo que ''ele se se matou'', o correto seria ''ele cometeu suicídio''.
O verbo "suicidar-se" hoje é tão pronominal quanto os verbos abster-se, ater-se, apiedar-se, atrever-se, compadecer-se, condoer-se, dignar-se, indignar-se, esvair-se, jactar-se, queixar-se, zangar-se, vangloriar-se, apropriar-se.
Diferente é o caso do verbo "autocontrolar-se". O prefixo auto vem do grego e significa "a si mesmo". Existe o substantivo "autocontrole" (= controle de si mesmo"), mas não há registro do verbo "autocontrolar-se". Se você quer "controlar a si mesmo", basta "controlar-se". O pronome se, reflexivo, dispensa o prefixo auto no verbo controlar.
É interessante, porém, saber que os nossos dicionários registram "autocriticar-se", "autodefender-se", "autodefinir-se", "autodenominar-se", "autodestruir-se", "autodisciplinar-se", "autoenganar-se", "autogovernar-se"...
E o que mata a si próprio? É o suicida.O verbo correspondente é suicidar-se. Então, reforçando, o suicida mataa alguém (a si próprio).
Veja, portanto, se você concorda com a notícia seguinte:
Britânico mata 12 nas ruas
A polícia britânica está investigando a tese de que um taxista que atirou e matou 12 pessoas na região de Cumbria, no norte da Inglaterra, na quarta-feira tenha agido motivado por uma disputa familiar.
Derrick Bird, 52, saiu de sua casa no vilarejo de Rowrah e percorreu as cidades de Whitehaven, Seascale e Egremont em seu Citroen Picasso, escolhendo suas vítimas aparentemente aleatoriamente, até tirar sua própria vida com um tiro.
Matematicamente falando, são 13, não são?
O verbo "suicidar-se" vem do latim sui ("a si" = pronome reflexivo) + cida (= que mata). Isso significa que "suicidar" já é "matar a si mesmo". Dispensaria, dessa forma, a repetição causada pelo uso do pronome reflexivo "se".
É importante lembrar que as palavras terminadas pelo elemento latino "cida" apresentam essa idéia de "matar": formicida - que mata formigas; inseticida - que mata insetos; homicida - que mata homens.
Voltando ao verbo "suicidar-se", se observarmos o uso contemporâneo deste verbo, não restará dúvida: ninguém diz "ele suicida" ou "eles suicidaram". O uso do pronome reflexivo "se" junto ao verbo está mais que consagrado em nosso idioma. É, na verdade, um pleonasmo irreversível.
Etimologicamente, seria um pleonasmo vicioso dizer ''ele suicidou'', porque seria o mesmo que ''ele se se matou'', o correto seria ''ele cometeu suicídio''.
O verbo "suicidar-se" hoje é tão pronominal quanto os verbos abster-se, ater-se, apiedar-se, atrever-se, compadecer-se, condoer-se, dignar-se, indignar-se, esvair-se, jactar-se, queixar-se, zangar-se, vangloriar-se, apropriar-se.
Diferente é o caso do verbo "autocontrolar-se". O prefixo auto vem do grego e significa "a si mesmo". Existe o substantivo "autocontrole" (= controle de si mesmo"), mas não há registro do verbo "autocontrolar-se". Se você quer "controlar a si mesmo", basta "controlar-se". O pronome se, reflexivo, dispensa o prefixo auto no verbo controlar.
É interessante, porém, saber que os nossos dicionários registram "autocriticar-se", "autodefender-se", "autodefinir-se", "autodenominar-se", "autodestruir-se", "autodisciplinar-se", "autoenganar-se", "autogovernar-se"...
Nenhum comentário:
Postar um comentário