2 de janeiro de 2020

Colocação pronominal - Mesóclise e ênclise

Vamos, então, passar à última parte da colocação pronominal dos tempos simples.
Que quer dizer meso? Meso significa meio, daí Mesopotâmia (no meio dos rios), mesosfera (camada intermediária da atmosfera acima da estratosfera) e mesoderma (camada germinativa média do embrião). Em topologia (ou colocação pronominal), mesóclise significa o pronome no meio do verbo. Quando isso ocorre? Apenas com o futuro.
Existem dois futuros: o futuro do presente, tempo que indica ocorrência futura em relação
ao presente: farei, direi, trarei, amarei, sorrirei, virei e o futuro do pretérito, tempo
que indica um futuro em relação ao passado: cantaria, falaria, somaria, diria, correria.
Quando houver pronome oblíquo átono com esses dois tempos verbais, ocorre, então, a
mesóclise. Veja: Dir-lhe-ei a verdade no momento oportuno. Contar-nos-ia o fato se lhe
possibilitassem. O livro está com boa cotação: comprá-lo-ei imediatamente. Se o recurso
foi acatado, sabê-lo-ei prontamente.

Como colocar o pronome no meio do verbo? Abra o verbo e coloque o pronome dentro, semelhante a uma operação cirúrgica.

É fácil. Você deve separar o verbo no R: dir………. ei; contar……….ia; comprar……
ei. Basta, então, que você ponha o pronome nos pontilhados. Isso ocorre com os pronomes:
me, nos, te, vos, se, lhe, lhes. Caso o pronome seja o (e flexões), você começará com o
mesmo procedimento; a seguir, você eliminará o R e modificará o pronome o para lo.

Veja: verei + a = vê-la-ei; destruirei + o = destruí-lo-ei; alugaria + os = alugá-los-ia;
reporíamos + as = repô-las-íamos.

Caso haja palavra de atração, o pronome não poderá ficar no meio do verbo: Não lhe direi o
que ocorreu. Nunca nos contaria o fato mesmo que lhe possibilitassem. O livro é ótimo; não
o comprarei, porém, de forma alguma.

Para terminar, vamos ver ênclise. O pronome deve ser colocado depois do verbo em início de
oração. Ex.: Deixe-me quieto no meu canto. Conte-me o que houve de tão grave. Encontrei-te
várias vezes na praia. Acharam-nos prontos para desempenhar o papel. O garoto correu,
deixando-nos preocupados (depois da vírgula, inicia-se outra oração).

Infinitivo flexionado

Hoje, vamos falar um pouquinho sobre um assunto controverso: é o uso do infinitivo
flexionado ou não. Infinitivo é o nome do verbo: cantar, beber, pôr, partir. O infinitivo
flexionado é aquele acompanhado dos pronomes pessoais do caso reto: eu, tu, ele (e pronome
de tratamento você e os começados por vossa: Vossa Senhoria, Vossa Excelência), nós, vós,
eles (e pronome de tratamento vocês e os começados por vossas: Vossas Senhorias, Vossas
Excelências). Veja pegar eu, pegares tu, pegar ele (você), pegarmos nós, pegardes vós,
pegarem eles (vocês).
No caso dos verbos regulares, o infinitivo pessoal e o futuro do subjuntivo são iguais:
partir (infinitivo), quando eu partir (futuro do subjuntivo). Para que você use no
dia a dia, vamos apresentar apenas alguns casos (em que há mais consenso). Futuramente,
falaremos mais um pouco sobre o assunto. Sintetizando o assunto, grosso modo:

1- sujeitos iguais – não há flexão do infinitivo

2- sujeitos diferentes – há flexão do infinitivo

Exemplos com sujeitos iguais: Julgamos (nós) ter (nós) feito o que nossa consciência ditou.
Dizem (os políticos) os políticos lutar (os políticos) pelo bem comum.

Exemplos com sujeitos diferentes: Afirmamos (nós) estarem (eles, vocês) tolhendo nossos
movimentos. Acredito (eu) podermos (nós) sair logo. Penso (eu) seres (tu) eficiente.
Peço-lhes (eu ) não acreditarem (eles, vocês) no que está havendo.

Quando os sujeitos forem diferentes, e o verbo for causativo (mandar, fazer, deixar) ou sensitivo (ver, ouvir, sentir, perceber), o infinitivo não flexionará quando o sujeito do infinitivo for pronome oblíquo (é o chamado sujeito acusativo). Mandei-os entrar. Não nos deixeis (vós) cair (sujeito = nós) em tentação. . Você deve fazer-nos ficar à vontade. Ouvi-os chorar. Ela viu-nos chegar. Os presentes nos sentiram tremer.

Quando o sujeito do infinitivo for um substantivo, o infinitivo pode ou não vir flexionado: Deixai (vós) vir (sujeito = os pequeninos) a mim os pequeninos. De tanto ver triunfar (sujeito = as nulidades) as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. (Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)

Você verá, no próximo boletim, que não há unanimidade; há muita polêmica em torno desse
assunto.

Plural dos adjetivos compostos

Já vimos o plural de adjetivos compostos formados por adjetivos. E se houver um substantivo
na composição, como fica?

É facílimo: nenhum componente flexiona. Veja: cabelos vermelho-vulcão, olhos cinza-claro,
tapetes cinza-escuro, panos amarelo-gema, vestidos verde-espinafre, esmaltes
vermelho-tomate.

Em caso de cor, subentende-se da cor de.

Quando o adjetivo for simples, ocorre o mesmo. Ex. bolsas palha (da cor de); blusas creme
(da cor de); olhos violeta (da cor de); saias rosa (da cor de); sapatos manteiga
(da cor de); vestidos cenoura (da cor de); roupas abóbora (da cor de); paredes ouro
(da cor de), tons pastel (da cor de); ternos cinza (da cor de); roupas gelo (da cor de);
cabelos prata (da cor de).

Conforme você pôde ver, há somente duas regras para o plural de adjetivos compostos:

1- se os componentes forem adjetivos, o último apenas flexiona: socioeconômico > socioeconômicos; político-administrativo > político-administrativos; histórico-cultural > histórico-culturais; técnico-científico > técnico-científico; literário-musical > literário-musicais; médico-cirúrgico > médico-cirúrgicos.

2- se houver substantivo na composição do adjetivo, ele fica invariável.

Muito simples, não é? No próximo, veremos o plural de substantivos compostos, um pouquinho
mais complexo, porém fácil.

Superlativo de magro

Muita gente nos tem perguntado se o superlativo absoluto sintético (aquele que se faz com
sufixo) erudito (que não é popular) de magro é magérrimo ou macérrimo.

Ultimamente, tem-se ouvido nas ruas o povo dizer magérrimo. Veja:

Macérrimo:

Aurélio , no verbete macérrimo, diz que é anormal magérrimo, apesar de muito comum.

Michaelis diz que macérrimo: é o superlativo erudito de magro. Diz que magérrimo é anormal.

VOLP (VOCABULÁRIO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA) : diz que magérrimo é o superlativo
alatinado de magro. É estranho porque, em latim, magro é adjetivo de primeira classe: macer,
macra, macrum e não mager, magra, magrum. É de perguntar de onde se tirou essa aberração.



Pasquale Cipro Neto: diz que os dicionários dão essa forma como popular.

Luiz Antônio Sacconi – diz que quem usa magérrimo está macérrimo na língua.

Domingos Paschoal Cegalla : diz que a forma magérrimo não tem tradição na língua.

Muitos adjetivos possuem uma forma alatinada erudita do grau superlativo absoluto sintético, como nigérrimo, libérrimo, paupérrimo, dulcíssimo.

Celso Cunha: “Modernamente, no Centro do País, vem-se generalizando a forma anormal
magérrimo como superlativo de magro.” Então, é brasileirismo, ou seja, uma invenção do povo, inadmissível em norma culta.

Diante de tudo isso, conclui-se que, se se pretende usar o superlativo erudito, o correto
é macérrimo.

Plebeísmo - o que raios é isso?

Dia 30 de setembro é comemorado o Dia das Secretárias

Você sabe de onde vem a palavra secretário?

Vem do latim secretariu, ii, que quer dizer lugar retirado; sala de reunião dos juízes,
tribunal secreto; sacristia. No latim medieval, passou a ser aquele em quem se pode confiar
segredos.

Como bom (boa) secretário (a), é bom que se mantenha a linguagem formal; o excesso de
informalidade (plebeísmo) passa a impressão de incompetência. Veja alguns casos que podem
comprometer a elegância de seu texto, além de sua credibilidade.

Plebeísmo
Substitua:
Fique de olho nos próximos acontecimentos. Esteja atento aos próximos acontecimentos.
Como é chato aguentar puxa-sacos! Como é desagradável aturar bajuladores!
Expliquei-lhe várias vezes o que ocorrera, e ele neca de entender. Expliquei-lhe várias
vezes o que ocorrera, e ele não conseguiu entender.
Estou com um pé atrás com o programa apresentado. Estou apreensivo com o programa
apresentado.
Ela me deu uma desculpa esfarrapada, mas não acreditei. Ela veio com um pretexto, mas não
acreditei.
A colega não tinha jogo de cintura para enfrentar o problema. A colega não tinha habilidade
para enfrentar o problema.
Pedro reduziu a pó o adversário. Pedro aniquilou o adversário.
Vamos combater essas maracutaias. Vamos combater essas falcatruas.
Ela precisa arregaçar as mangas e não pregar o olho se quiser acabar de ler o livro. Ela
precisa empenhar-se e não dormir se quiser acabar de ler o livro.

O oposto do plebeísmo é o preciosismo. Voltaremos a falar sobre ele.

Segundo o Dicionário Eletrônico Houaiss:

plebeísmo
substantivo masculino
1.
qualidade de quem é plebeu.
2.
maneira de proceder, de falar da plebe.
LEXICOGRAFIA•LEXICOLOGIA
vocábulo, locução ou expressão típicos do dialeto das classes populares ou dos registros distensos da fala culta, e tidos freq. pela comunidade falante como grosseiros, algo grosseiros, vulgares ou triviais, mas que não chegam a ser tabuizados, como gírias, expressões populares, regionalismos, palavras de baixo calão e internetês [São plebeísmos no Brasil, p.ex., avacalhar, de saco cheio, aporrinhar, bunda-suja etc.].
3.
m.q. POPULARISMO.
Origem
⊙ ETIM plebe(u) + -ismo

Inadequação de conectivos

Vamos acertar

Notícia ouvida no dia 6-10-05:

O comerciante libanês assassinado era casado com uma brasileira, mas não tinha filhos.

Você concorda com o conectivo mas?

Que quer dizer mas? É o mesmo que porém, entretanto, no entanto, todavia, contudo. É uma
conjunção coordenativa adversativa. E que quer dizer adversativa? Quer dizer contrário.
Veja adversário, adversidade. Então, conjunção adversativa é a que inicia uma oração que
tem ideia contrária ao que se espera que normalmente ocorra. Veja: Corri muito, logo
consegui embarcar no metrô. É a conclusão lógica. Se eu dissesse: Corri muito, mas não
consegui embarcar no metrô, seria o contrário do que logicamente deveria ocorrer..

Diante disso, fica a pergunta: Você concorda com a conjunção mas? Ser casado implica
necessariamente ter filhos?

Dúvidas sobre emprego do hífen segundo o Novo Acordo Ortográfico de 2009

Com hífen ou sem ele?
O hífen é um dos assuntos mais espinhosos da língua portuguesa. É preciso que nos
empenhemos nele; é impossível fazer pouco caso de sua importância. O não cumprimento
das normas vigentes desperta em nosso leitor a impressão de que somos semianalfabetos.

Você observou que não cumprimento perdeu o hífen? As palavras compostas por não perderam o hífen.
Veja: não agressão, não comparecimento, não conformismo, não cooperação, não cumprimento,
não essencial, não existente, não ficção, não fumante, não localizado, não ser, não violência.

A regra também se aplica às palavras compostas pelo advérbio quase com função prefixal, como quase domicílio, quase equilíbrio, quase delito, quase irmão.

Usa-se o hífen também com os seguintes prefixos- bem*: bem-acabado, bem-aceito, bem-amado,
bem-apanhado, bem-apessoado, bem-arrumado, bem-aventurado; bem-educado; bem-vindo; recém:
recém-casado, recém-chegado, recém-falecido, recém-nascido, recém-nomeado, recém-publicado;
vice: vice-campeão, vice-chanceler, vice-diretor, vice-gerente, vice-governador.
* com o verbo fazer, as palavras compostas por bem não têm hífen: refeição benfeita. Com querer, pode haver ou não o hífen: benquerer ou bem-querer.

A partir do Acordo Ortográfico de 2009, as expressões à toa e dia a dia não terão hífen.
Veja: A criança estava com uma dorzinha à toa (insignificante). Estávamos à toa durante o
carnaval. Sua filha está, dia a dia, mais bonita. O dia a dia (rotina) de uma jovem é bem
interessante.

Mais um pouco de hífen

RE (repetição, reforço) – NUNCA COM HÍFEN.

reabastecer, reabertura, reabraçar, treabsorção, reabsorver, reacender, reacusar,
reacomodar, reacusação, reacusar, readaptação, readaptar, readmissão, readoção,
readormecer, readquirição, reafirmação, reagradecer, reagrupamento, reagrupar,
reajustamente, realegrar, realimentar, realinhamento, realojamento, reamanhecer,
reanimador, reaparecer, reapoderar-se, reprender, reaproveitar, reaproximar, reaquisição,
rearborizar, rearmamento, reascender, reassegurar, reassumir, reassunção, reativação,
reatualizar, reavaliação, rebulir, recair, recantar, recolocar, recomeçar, reconstruir,
recopiar, recoser, recriar, reedição, reedificação, reeditar, reeducação, reelaborar,
reeleger, reeleição, reembarcar, reembolsar, reembolso, reemenda, reemergir, reempossar,
reempregar, reencaixar, reencarcerar, reencarnar, reencetar, reencher, reencontrar,
reendireitar, reengenharia, reensinar, reentrância, reentregar, reenviar, reequilibrar,
reequipagem, reerguer, reescrever, reespumas, reestampar, reestudar, reexaminar,
reexpedição reexpedir, reexplicar, reexpor, reexporta, refazer, refornecer, reimplantação,
reimportar, reimpressão, reimprimir, reincorpoar, reinscrição, reinvestir, renascer,
repavimentação, reperguntar, repesar, rerranger, rerratificação, ressaber, ressalgar,
ressegurar, ressemeadura, ressoprar, reurbanizar, reusar, reúso, reutilizar, revacinar.

APRENDA MAIS!USO DO HÍFEN – PARTE 3 :: BOLETIM 89Postado por capcursos|02 janeiro de 2012
MAIS SOBRE HÍFEN

Outro emprego de hífen simples é o do MAL.
Esse prefixo só pedirá hífen quando as palavras que vierem depois dele começarem
com h, l e vogal. Olhe um processo mnemônico: Maricota é mal-humorada porque é mal-amada.
Então: mal-acabado, mal-amado, mal-adaptado, mal-afamado, mal-afortunado, mal-agradecido, mal-ajeitado, mal-apessoado, mal-arrumado, mal-assombrado, mal-aventurado, mal-educado, mal-empregado, mal-encarado, mal-ensinado, mal-entendido,mal-estar, mal-educado, mal-empregado, mal-encarado, mal-ensinado, mal-entendido,
mal-estar, mal-intencionado, mal-habituado, mal-humorado, mal-limpo.

MAL SEM HÍFEN: malcasado, malcheiroso, malcomportado, malconceituado, malconduzido,
malconservado, malcozido, malcuidado, maldisposto, maldormido, maldotado, malfalado,
malfeito, malganho, malnascido, malnutrido, malpassado, malposto, malsucedido, pansexual.

O prefixo PAN (totalidade, universalidade) exigirá hífen quando a palavra que o seguir começar com h, vogal, m ou n. Ex.:
pan-africano, pan-americano, pan-helênico, pan-islâmico, pan-mítico.
Para você memorizar bem, é interessante que você escolha umas palavras e redija orações
com elas; de preferência, usando a emoção, a afetividade.

CIRCUM (movimento em volta, em torno, ao redor de) (mesma regra de PAN)

Com hífen: circum-adjacência, circum-ambiente, circum-anal, circum-articular, circum-áxil,circum-hospital, circum-
-hospitalar, circum-oral, circum-orbital, circum-mediterrâneo, circum-meridiano,circum-murado, circum-murar, circum–navegabilidade, circum-navegação, circum-navegar, circum-uretral.

Sem hífen: circumboreal, circumbulbar, circuncentro, circuncírculo, circunlabial, circunsessão, circunsoante, circunvagar, circunver, circunvizinho, circunvoar,circunvolver.

No próximo boletim, vamos descansar um pouquinho de prefixos. Depois, voltaremos a eles.

Suicidar-se é um pleonasmo vicioso?

Suicidar-se: redundância?

Um assinante do boletim semanal afirma-nos que está errado dizer suicidar-se porque o
significado de suicidar-se é: se matar a si, o que traz redundância.

Veja: parricida é o que mata o pai; matricida é o que mata a mãe; fratricida é o que mata
o irmão; uxoricida é o que mata a esposa; inseticida é o que mata inseto; formicida é o
que mata formiga; então, suicida é o que mata a si. Se formos levar em consideração a
etimologia (origem) da palavra, verificaremos que, realmente, há redundância.

Ocorre que a língua é dinâmica. Tráfico significa comércio (legal ou não). Quem fala é
falante, quem pede é pedinte, quem trafica (comercia) é traficante. Experimente procurar
um emprego e, ao preencher a ficha, mencionar a profissão de seus pais: traficantes. Que
será que poderá ocorrer?

O verbo suicidar-se teve a origem esquecida. Hoje, se você não usar o pronome, estará
errando: é como se dissesse: eu queixei e arrependi. Você precisa dizer: Eu me queixei e
me arrependi.
Há outros casos em português cuja etimologia foi esquecida. Veja:

Mecum = com eu (Vade mecum)

Tecum = com tu

Secum = com si

Nobiscum = com nós

Vobiscum = com vós (Dominus vobiscum)

O povo começou a juntar novamente o cum (com) antes desses pronomes e tivemos: comigo,
contigo, consigo, conosco, convosco.

Conviver significa “viver com”, no entanto dizemos: “Convivo com esse problema há anos”.

Voltaremos a falar sobre esse assunto.

Dúvidas sobre regência verbal

Você já viu alguns verbos que exigem complemento com preposição. Vamos hoje ver os verbos
avisar, cientificar, aconselhar, informar e notificar que têm a mesma regência. Exigem
objeto direto e indireto. É indiferente que o objeto direto seja pessoa ou fato. Se a
pessoa for objeto direto, o fato será objeto indireto e vice-versa. A regra também se aplica aos verbos advertir, aconselhar, anunciar, alertar, noticiar, impedir, incumbir, proibir e encarregar.
O objeto direto é o complemento que não tem preposição exigida. O objeto indireto é ligado
ao verbo com preposição exigida. Nós já vimos verbos que exigem a preposição de: gostar de,
desconfiar de, duvidar de, depender de. Vimos também verbos que exigem a preposição em:
confiar em, acreditar em, crer em, esperar em (com o sentido de ter esperança).

Veja como se usa o verbo avisar:

Avisei os interessados do novo horário de atendimento.
O diretor avisou os pais (sem preposição) de que haverá provas mensais (com preposição de).
O diretor avisou-os de que haverá provas mensais.

O mesmo ocorre com informar:

Informamos a jovem da nova data do concurso.
Gostaríamos de informá-lo de que o horário de atendimento se estenderá até as vinte e duas
horas.
O repórter informou os ouvintes de que a vacinação seria feita no dia seguinte.

Usamos a pessoa como objeto direto (sem preposição) e o fato como objeto indireto. Vamos
agora ver o fato como objeto direto e a pessoa como objeto indireto.

Avisei o novo horário de atendimento aos interessados.
O diretor avisou aos pais que haverá provas mensais.
O diretor avisou-lhes que haverá provas mensais.

Informamos a nova data do concurso à jovem.
Gostaríamos de informar-lhe que o horário de atendimento se estenderá até as vinte e duas
horas.
O repórter informou aos ouvintes que a vacinação seria feita no dia seguinte.

Com esses verbos, note bem, se você disser informá-lo, avisá-lo, o que vem precedido
da preposição de: avisá-lo de que; informá-lo de que.
Se você usar informar-lhe, avisar-lhe, o que não vem precedido de preposição: avisar-lhe
que, informar-lhe que.

É impossível avisá-lo que ou informá-lo que, com dois objetos diretos, avisar-lhe de que ou informar-lhe de que, com dois objetos indiretos.

No boletim anterior, falamos sobre a regência dos verbos que exigem preposição em. Vamos
hoje mostrar alguns verbos que exigem preposição de: gostar, duvidar, desconfiar, precisar,
necessitar, prevenir, avisar, informar.

Gosto de você. Você é a pessoa de quem gosto.
Duvido de suas intenções. Aquelas são as intenções de que (das quais) duvido.
Desconfiamos de suas atitudes. As atitudes de que (das quais) desconfiamos foram dignas de
investigação.
Preciso de tempo. O tempo de que preciso é exíguo.
Necessito de mais informações. As informações de que necessito estão à disposição.
É preciso preveni-lo de que a vacinação será feita sábado próximo.
Aviso-o de que estamos à espera do comprovante de recebimento do produto.
Informamo-lo de que as aulas deverão iniciar-se na próxima semana.

Os verbos precisar e necessitar podem também vir sem preposição. Ex.: Preciso o livro. A
indústria precisa técnicos. Precisam-se técnicos. Necessito recibo da operação financeira.
Necessita-se secretária.
Atualmente, é preferível usar a preposição quando o complemento é um substantivo ou pronome e omiti-la quando o objeto indireto é um verbo no infinitivo.

O verbo prevenir exige complemento de pessoa (ou instituição) sem preposição e do fato com
preposição.

No próximo boletim falaremos sobre os verbos informar e avisar.

Regência verbal

Qual seria a impropriedade em dizer: “Afinal, comprei o colchão que eu sempre sonhei” e
“Comprei o adoçante que você confia.”?
O verbo sonhar exige a preposição com. Ex.: Sonhei com você. Sonho com um futuro melhor
para o Brasil.
O verbo confiar exige a preposição em. Ex.: Confio em seus projetos. Confiamos em suas
promessas.
Quando você constrói uma frase em que apareça o pronome relativo, você precisa respeitar
a regência do verbo. Então:

Afinal, comprei o colchão com que (com o qual) sempre sonhei.
Comprei o adoçante em que (no qual) você confia.

Veja outros exemplos em que a preposição em é exigida:
Verbo crer
Creio em pessoas calmas. As pessoas em que (nas quais) creio são calmas.

Verbo acreditar
Acreditávamos em suas palavras. As palavras em que acreditávamos eram falsas.

Verbo esperar (ter esperança, acreditar)
Esperava nesse candidato. O candidato em que esperava não concorrerá às eleições.

No sentido de aguardar, é transitivo direto.

Verbo morar
Moro num país tropical. O país em que moro é tropical. Cuidado: nada de morar à Rua das
Orquídeas. More na Rua das Orquídeas. Você mora em São Paulo, na Bahia, no Espírito Santo,
então, na rua.

Verbo residir
Resido numa casa aconchegante. A casa em que resido é aconchegante.

Verbo reparar (observar)
Reparei em seus modos estabanados. O rosto em que reparei não me era estranho.

No sentido de consertar ou indenizar, é transitivo direto.

Voltaremos a esse assunto.

Dúvidas sobre substantivos compostos

Substantivos compostos – parte 7

Estamos na última parte de substantivos compostos.
Veremos casos especiais. Observe:

O arco-íris Os arco-íris
O bota-fora Os bota-fora
O cola-tudo Os cola-tudo
O joão-ninguém Os joões-ninguém
O louva-a-deus Os louva-a-deus
O padre-nosso Os padres-nossos, os padre-nossos (substantivo e pronome)
O papai-noel* Os papais-noéis, os papais-noel (presente de Natal)
O pisa-mansinho Os pisa-mansinho
O salva-vidas Os salva-vidas
O topa-tudo Os topa-tudo

*papai-noel (com hífen) é presente natalino. Você já deu seu papai-noel?
No outro caso, significando o bom velhinho que dá presentes no Natal, flexiona normalmente.
Ex.: A loja contratou cinco papais noéis.
E assim, encerramos esse longo capítulo.

Substantivos compostos – parte 6
Gostaríamos de abrir nosso boletim, cumprimentando nossos leitores Alice e Armindo, que
nos alertaram pela falta de S em tenentes-brigadeiros e altos-relevos.
Muito obrigada.
Neste penúltimo boletim sobre o plural dos substantivos compostos, vamos falar sobre:
1- palavras onomatopaicas (que reproduzem som) ou repetidas;
2- verbos repetidos.

O último elemento variará quando se tratar desses casos. Ex.:

Bangue-bangue Bangue-bangues
Bem-te-vi Bem-te-vis
Chape-chape Chape-chapes
Pingue-pongue Pingue-pongues
Teco-teco Teco-tecos
Tico-tico Tico-ticos
Reco-reco Reco-recos
Terém-terém Terém-teréns
Tero-tero Tero-teros
Teu-téu Teu-téus
Xique-xique Xique-xiques

Há gramáticos que aceitam a flexão dos dois componentes, quando se tratar de verbos
(repetidos):

Corre-corre Corre-corres ou corres-corres
Empurra-empurra Empurra-empurras ou empurras-empurras
Lambe-lambe Lambe-lambes ou lambes-lambes
Luze-luze Luze-luzes ou luzes-luzes
Pinga-pinga Pinga-pingas ou pingas-pingas
Pisca-pisca Pisca-piscas ou piscas-piscas
Quebra-quebra Quebra-quebras ou quebras-quebras
Ruge-ruge Ruge-ruges ou ruges-ruges

No próximo boletim, encerraremos esse assunto.

Substantivos compostos – parte 5
Você já viu que nomes compostos por substantivos, substantivos e adjetivos ou adjetivos e
substantivos, numeral e substantivo têm os componentes flexionados (guardas-noturnos,
primeiras-damas). Ocorre que existe um tipo de composição em que o segundo elemento indica
finalidade ou semelhança, com função adjetiva. Nesse caso, o segundo componente pode ou não ir para o plural.
Ex.:
Banana-maçã Bananas-maçãs ou bananas-maçã
Café-concerto Cafés-concertos ou cafés-concerto
Caneta-tinteiro Canetas-tinteiros ou canetas-tinteiro
Cidade-satélite Cidades- satélites ou cidades-satélite
Escola-modelo Escolas-modelos ou escolas-modelo
Fruta-pão Frutas-pães ou frutas-pão
Pombo-correio Pombos-correios ou pombos-correio
Navio-escola Navios-escolas ou navios-escola
Salário-cheque Salários-cheques ou salário-cheque
Salário-família Salários-famílias ou salários-família
Vagão-leito Vagões-leitos ou vagões-leito

Estamos quase chegando ao fim dessas explanações sobre substantivos compostos.

Continuando com os substantivos compostos
Perguntamos-lhe, no último boletim, se você tem guarda-chuva. A palavra guarda-chuva é
formada por um verbo (guarda) e por um substantivo. Quando isso ocorrer, somente o último
componente sofrerá modificação. Veja:
bate-boca bate-bocas
bate-bola bate-bolas
bate-papo bate-papos
bate-pé bate-pés
beija-flor beija-flores
beija-mão beija-mãos
cata-vento cata-ventos
guarda-chuva guarda-chuvas
guarda-louça guarda-louças
guarda-pó guarda-pós
guarda-roupa guarda-roupas
pega-gelo pega-gelos
pega-mosca pega-moscas
pega-rapaz pega-rapazes
pica-flor pica-flores
pica-fumo pica-fumos
pica-pau pica-paus
quebra-cabeça quebra-cabeças
quebra-gelo quebra-gelos
quebra-luz quebra-luzes
quebra-pedra quebra-pedras
quebra-queixo quebra-queixos
tapa-boca tapa-bocas
tapa-luz tapa-luzes
tapa-missa tapa-missas

Você viu, então, que o plural de guarda-roupa é guarda-roupas; guarda-comida,
guarda-comidas; guarda-pó, guarda-pós. E o plural de guarda-noturno? Veja no próximo
boletim como fica.

Mais substantivos compostos
Numa sociedade com base no conhecimento, por definição é necessário que você seja
estudante a vida toda. Tom Peters
Você já redigiu um abaixo-assinado? Sabe qual a diferença entre abaixo-assinado e abaixo
assinado?
Abaixo-assinado (com hífen) é o documento coletivo que representa interesse (s) de quem o
assina. Abaixo assinado é quem se assina. O plural de abaixo-assinado é abaixo-assinados.
O primeiro componente da palavra não flexiona. O mesmo ocorre quando a palavra composta
começar por bem: O plural de substantivos compostos por bem têm somente o segundo elemento
flexionado, pois o advérbio bem é invariável. Os adjetivos podem vir substantivados. Ex.:

bem-acabado bem-acabados
bem-aceito bem-aceitos
bem-acostumado bem-acostumados
bem-afamado bem-afamados
bem-afortunado bem-afortunados
bem-amado bem-amados
bem-apanhado bem-apanhados
bem-apessoado bem-apessoados
bem-arrumado bem-arrumados
bem-aventurado bem-aventurados
bem-casado bem-casados
bem-comportado bem-comportados
bem-conceituado bem-conceituados
bem-criado bem-criados
bem-disposto bem-dispostos
bem-educado bem-educados
bem-estar bem-estares
bem-humorado bem-humorados
bem-ido bem-idos
bem-intencionado bem-intencionados
bem-nascido bem-nascidos
bem-posto bem-postos
bem-sucedido bem-sucedidos
bem-vindo bem-vindos

A regra para a formação do plural de substantivos compostos é: quando houver preposição no meio do substantivo
composto, só o primeiro elemento varia. Ex.:

Água-de-colônia Águas-de-colônia
Alface-d’água Alfaces-d’água
Arco-da-velha Arcos-da-velha
Barba-de-bode Barbas-de-bode
Barriga-d’água Barrigas-d’água
Bicho-da-seda Bichos-da-seda
Bicho-de-pé Bichos-de-pé
Brinco-de-princesa Brincos-de-princesa
Caixão-de-defunto Caixões-de-defunto
Calção-de-velho Calções-de-velho
Cana-de-açúcar Canas-de-açúcar
Canário-da-terra Canários-da-terra
Carne-de-vaca Carnes-de-vaca (coisa comum)
Cravo-de-defunto Cravos-de-defunto
Erva-de-bicho Ervas-de-bicho
Flor-de-cera Flores-de-cera
Flor-de-maio Flores-de-maio
Maria-sem-vergonha Marias-sem-vergonha
Noz-do-pará Nozes-do-pará
Olho-de-cabra Olhos-de-cabra
Onça-d’água Onças-d’água
Pimenta-do-reino Pimentas-do-reino
Rabo-de-galo Rabos-de-galo
Rato-do-mato Ratos-do-mato
Sabiá-do-sertão Sabiás-do-sertão
Salsa-do-campo Salsas-do-campo
Semente-do-paraíso Sementes-do-paraíso
Tainha-de-rio Tainhas-de-rio
Trevo-da-areia Trevos-da-areia
Unha-de-gato Unhas-de-gato
Uva-da-serra Uvas-da-serra
Vassoira-de-bruxa Vassoiras-de-bruxa
Vespa-do-figo Vespas-do-figo

Futuro do subjuntivo ou infinitivo pessoal

Quando se pode dizer se ver e quando trazer? Não é se vir e quando trouxer?
Para responder a essa questão, é preciso identificar o infinitivo e o futuro do subjuntivo.
Quando tivermos futuro do subjuntivo (veja boletim 28), tirado do pretérito perfeito do
indicativo, o correto é: se vir, quando trouxer; se for infinitivo, é se ver e se trazer
ou quando ver, quando trazer.

Veja exemplos com infinitivo:
Se saber confere prestígio, é aconselhável que procuremos adquirir conhecimento.
Se ver o que está errado angaria antipatia, pense antes de dizer que viu.
Se querer melhorar de vida é sonho para muitos, vamos procurar ajudá-los.
Se pôr os cotovelos na mesa é deselegante, vamos evitar pô-los.
Se dizer o que o outro quer ouvir é sedutor, realizemos o desejo do próximo.
Se fazer bem aos outros é um bálsamo, não hesitemos em fazê-lo.
Se poder estudar não é para todos, procuremos ampliar a rede dos que podem.
Se trazer boas notícias é simpático, seja arauto da simpatia.
Se ir de metrô é mais rápido, por que escolher outro meio de transporte?
Quando ser bom é motivo de riso, o mundo está precisando revisar valores.
Se haver é verbo transitivo direto, ele exige objeto direto.
Se ter brio é característica daquela família, você estará bem, fazendo parte dela.
Se estar bem de saúde é fonte de alegria, procuremos ser saudáveis.
Quando se abster de votar é considerado inteligente, a política vai mal.
Se conter o riso é educado em certas situações, é recomendável que o contenhamos.
Quando deter suspeitos é necessário, sejamos compreensivos.
Se manter duas casas é dispendioso, que tal alugarmos uma casa na praia?
Se opor resistência é próprio de adolescentes, o garoto é normal.
Se repor mercadoria é sua profissão, deixe-o desempenhar a função em paz.
Se transpor obstáculos é nossa missão diária, imitemos Sísifo.
Se intervir em brigas violentas é sinal de maturidade, peça-lhe que o faça.
Se provir de família humilde é desdouro naquele círculo social, é bom que nos afastemos
dele.
Se reaver bens furtados ou roubados é competência da polícia, vamos procurá-la.

Gênero dos substantivos

Hoje, vamos falar um pouquinho sobre gênero dos substantivos. Você, por certo, já ouviu
dizer que o mascote do time foi escolhido com muito critério. Eu já ouvi isso inúmeras
vezes. Pois bem, mascote é palavra feminina, portanto o correto é a mascote. Você também
já deve ter ouvido falar (infelizmente) na quadrilha dos sanguessugas; sanguessuga é
feminino, logo devemos falar na quadrilha das sanguessugas.
Há muitas outras palavras que nos deixam indecisos quanto ao gênero. Veja algumas mais
comuns:

MASCULINAS: o beliche (forma parzinho com a cama), o cataclismo (não é cataclisma), o
champanhe (vinho), o coma, o dó (não diga que teve uma dozinha da Maricota!), o eclipse,
o guaraná, o lança-perfume, o milhar, o telefonema, o trema.
Diga, pois: dois milhares de pessoas e não duas milhares de pessoas.

FEMININAS: a acne, a agravante, a alface, a atenuante, a bacanal, a cal (forma parzinho
com cimento), a comichão, a ênfase, a filigrana, a hortelã, a ioga, a libido, a omoplata,
a rês, a omelete, a trama.
Então: Sua situação apresenta duas agravantes e apenas uma atenuante.
Gosto de alface americana, crespinha, romana, fresquinha. Muita gente fala o alface talvez
por causa do pé de alface.

MASCULINAS OU FEMININAS: o xérox, a xérox ou o xerox, a xerox; o personagem ou a personagem
(para homem ou mulher); o diabete ou a diabete, o diabetes ou a diabetes; o tapa, a tapa
(pancada); o pijama ou a pijama, o usucapião ou a usucapião.

Quanto à palavra personagem, é preferível que seja usado o feminino, uma vez que, em
português, as palavras terminadas em agem são femininas, com exceção de selvagem. Ex.: a folhagem, a ramagem, a mensagem, a imagem, a roupagem.

Plural dos nomes terminados em ão

Existem algumas dúvidas quanto ao plural dos nomes terminados em ão.
O certo será cristões? Cidadões? Irmões?

1- Os nomes terminados em ão podem formar o plural de três maneiras:
com o acréscimo de s (latim anu = paganu).
com a mudança do ão em ões (latim one = leone).
Com a mudança do ão em ães (latim ane = pane).

ÃO ÃOS
Acórdão Acórdãos
Artesão (homem que faz artesanato) Artesãos
Bênção Bênçãos
Chão Chãos
Cidadão Cidadãos
Coirmão Coirmãos
Cristão Cristãos
Demão Demãos
Desvão Desvãos
Gólfão Gólfãos
Grão Grãos
Irmão Irmãos
Mão Mãos
Órfão Órfãos
Órgão Órgãos
Pagão Pagãos
Parmesão Parmesãos
Quartão Quartãos (pessoa ou animal de pouca altura)
Rechão Rechãos (planalto)
Socavão Socavãos (grande cova subterrânea)
Sótão Sótãos
Temporão Temporãos
Vão Vãos
Zângão Zângãos

Divisão silábica - Regras e dicas

Você sabe dividir as palavras em sílabas?

Veja como é fácil:

1- Respeite a pronúncia da palavra, não a etimologia. Ex.: transatlântico =
tran-sa-tlân-ti-co, bi-sa-vô. Se você fosse respeitar a etimologia (origem, nascimento),
separaria em trans e em bis.

2- Os grupos consonantais (br, cl, dr, pr) não são separados. Ex. credo = cre-do; bruxa =
bru-xa

3- Os ditongos seguidos de vogal são separados da seguinte forma: o ditongo fica numa
sílaba, e a vogal que o segue, em outra. Ex.: plateia = pla-tei-a; tipoia = ti-poi-a.
Ditongo é o encontro de uma vogal e uma semivogal ou uma semivogal e uma vogal pronunciadas
numa só emissão de voz (você só abre a boca uma vez para pronunciá-lo). Ex.: pai, mãe,
irmão, gratuito, circuito, lei, deixar, desdouro, trouxa, chapéu, dói, anéis, paulista.

4- Os dígrafos são separados. Dígrafo são duas letras com um som = di = dois, grafo =
letra. Ex.: massa = mas-sa; carro = car-ro; exceção = ex-ce-ção; nascer = nas-cer.
OBSERVE: ch, nh, lh, gu, qu não se separam. Ex.: fechadura = fe-cha- du-ra; caminhão =
ca-mi-nhão; destelhado = des-te-lha-do; esquentar = es-quen-tar; esquilo = es-qui-lo;
daguerreótipo = da-guer-re-ó-ti-po; joguinho = jo-gui-nho.

5- A consoante sem vogal no meio da palavra, fica na sílaba anterior, quer dizer, ela cai
para trás. Ex.: capta = cap-ta; digno = dig-no.

6- A consoante inicial sem vogal fica na sílaba que a segue; ela não pode cair para trás.
Ex.: pneumático = pneu-má-ti-co; gnóstico = gnós-ti-co; gnomo = gno-mo; Ptolomeu =
Pto-lo-meu; psíquico = psí-qui-co.

A NGB (Nomenclatura Gramatical Brasileira) não se manifestou a respeito de palavras como:
Sônia, Sérgio, pátio.
Se você a considerar ditongo crescente, a palavra será paroxítona; você a dividirá assim:
Sô-nia; Sér-gio; pá-tio.
Se você a considerar hiato, a palavra será proparoxítona; você a dividirá assim:
Sô-ni-a; Sér-gi-o; pá-ti-o.

Crase e numerais

Crase e Numerais
Ocorre crase diante de numerais? Depende. Vejamos:

1- Contarei a verdade às duas investigadoras.
2- Comunicarei o ocorrido à segunda pessoa da fila.
3- Não me referi à dupla jornada de trabalho da jovem.
4- Voltaremos às duas horas.
5- Das duas às três, estaremos à disposição de quem precisar de nossos serviços.
6- O filme terá a duração de duas a três horas.
7- A apresentação de filmes vencedores vai de terça a sexta.
8- Estaremos aqui após as dezoito horas.
9- A dezoito quilômetros daqui, há uma cachoeira encantadora.

Nos exemplos 1, 2 e 3, se passarmos as orações para o masculino, teremos:

1- Contarei a verdade aos dois investigadores.
2- Comunicarei o ocorrido ao segundo integrante da fila.
3- Não me referi ao duplo sentido do texto.

Isso significa que, quando no masculino tivermos ao (a+o), no feminino teremos aa (a+a) =
à. Se for plural, o procedimento é o mesmo: aos (a+as) = às.
Conforme você pôde verificar, não importa que o numeral seja cardinal (um, dois, três),
ordinal (primeiro, segundo, terceiro) ou multiplicativo (duplo, triplo, quádruplo, quíntuplo, sêxtuplo, sétuplo, óctuplo, nônuplo, décuplo, undécuplo, duodécuplo, cêntuplo).

Nos exemplos 4 e 5, experimente substituir as horas por meio-dia:

4- Voltaremos ao meio-dia.
5- Das duas ao meio-dia, estaremos à disposição de quem precisar de nossos serviços.

Observe que, no exemplo 5, há artigo diante do primeiro número, portanto ele estará
presente também diante do segundo.
Nos exemplos 6 e 7, isso não ocorre. Não há artigo diante do primeiro número nem diante do
segundo. É o que ocorre com palavras repetidas: cara a cara, frente a frente, face a face.

No exemplo 8, vamos substituir a hora por meio-dia, novamente.
Estaremos aqui após o meio-dia.
Por quê?
Porque a preposição diante do artigo não é a.
Veja outros exemplos em que a preposição não é a, não ocorrendo, portanto, fusão:

Desde as onze horas que ela não sai da janela.
O almoço ficou marcado para as quatorze horas.

Finalmente, no exemplo 9, é fácil constatar a inexistência do artigo. Se ele existisse,
deveria estar no plural para concordar com quilômetros. Assim sendo, sempre que houver a,
seguido de palavra plural, não ocorrerá crase.

Além disso, quilômetro é masculino.
Veja outros exemplos:

A dois dias do batizado, a mãe resolveu dar uma festa.
Daqui a duas horas, mesmo que chova, sairemos. (plural)
Estávamos a cinco metros da fonte.

Conforme você viu, há recursos para verificação da existência do acento gráfico.

Substantivos comuns coletivos

Você sabe o que é um substantivo?
Substantivo é a palavra que dá nome a tudo. Se você não souber expressar-se, usando a
palavra adequada, provavelmente usará a palavra coisa, ou negócio, ou treco: Ela foi ao
médico porque teve um “treco”. Treco é o nome de alguma doença ou mal-estar cujo nome se
desconhece. Ela sente um negócio por ele que não sei o que é. A palavra coisa é curinga. A
revista “Língua Portuguesa”, nº12, ano I, pág. 18, traz um artigo interessantíssimo,
escrito por Francicarlos Diniz. Ele diz que a palavra coisa é o bombril da língua: tem 1001
utilidades. Ele fala sobre músicas (compositores e intérpretes) de Roberto Carlos, Jobim,
Vinicius, Geraldo Vandré, Chico Buarque, Beth Carvalho, Maria Bethânia. Recomendamos-lhe a
leitura do texto, que é muito divertido.

Você já viu o que é substantivo. E substantivo comum?
Substantivo comum é aquele que nomeia seres da mesma espécie: cachorro, gato, caderno,
televisão. Se você vir um desses, certamente saberá de que se trata.
E coletivo? O próprio nome indica: coletivo indica coleção.
Em geral, ouve-se dizer “um monte de”, “uma porção de” para o coletivo. Em vez de espicha,
ouve-se comumente “um monte, uma porção de camarões”.

Você sabe qual o coletivo de búfalos, caranguejos, camelos, dinheiro, porcos, soldados?
Veja:

búfalos – manada, rebanho
caranguejos – cambada, cambulha (coisas enfiadas presas)
camelos – cáfila, caravana
dinheiro – bolaço, bolada, bolo, dinheirama
de porcos – vara
soldados – artilharia, batalhão, brigada, coluna, companhia, coorte, destacamento,
esquadra, falange, guarda, guarnição, legião, milícia, piquete, polícia

E de abelhas?

abelhas colmeia (éi ou êi) cortiço, enxame, apiário

Antigamente, não tão antigamente, dizia-se apenas colmeia (ê). Com o tempo, a forma
colmeia (é) firmou-se e ficaram as duas pronúncias.

Muitas vezes, usamos um coletivo seguido de especificação porque ele pode referir-se a
mais de um objeto, de um ser.
Podemos dizer manada de girafas, de elefantes, de rinocerontes, enfim, de animais
pesados.
É comum o pastor chamar seus fiéis de rebanho: o rebanho de fiéis ouvia atentamente o
pastor.
Veja que exemplo interessante em “Travessuras da menina má” de Mario Vargas Llosa,
pág.16:

“As festas de Marirosa sempre tinham orquestra e um enxame de garçons servindo salgados,
canapés, sanduíches, sucos e todo tipo de bebidas não alcoólicas a noite inteira, festas
para as quais os convidados se preparavam para entrar no céu.”

O autor usou enxame (coletivo de abelhas, conforme você já viu) seguido de especificação,
exatamente por não ser de abelhas.

Usar bem a língua é aproveitar a versatilidade que ela apresenta.

Voltaremos a falar de coletivos.

Verbos pronominais

Você sabe conjugar verbos pronominais? E você sabe o que é um verbo pronominal?
Verbo pronominal é aquele que se conjuga com pronomes oblíquos átonos (me/nos; te/vos; se).
Os verbos pronominais podem ser acidentais ou essenciais.
Acidentais são os que podem vir com pronomes em determinados contextos. Ex. sentar-se,
levantar-se, deitar-se, indignar-se.
Ex.: Maria sentou a pobre senhora desfalecida. Maria sentou-se porque estava desanimada.
Os homens levantaram a cabeça altivamente. Os homens levantaram-se de supetão.
A mãe deitou o bebê delicadamente. A mãe deitou-se junto ao bebê.
O cantor indignou a plateia. O cantor indignou-se com a plateia.
Conforme você pôde ver, o verbo pronominal acidental pode aparecer sem o pronome átono.
Os pronominais essenciais obrigatoriamente são conjugados com o pronome átono. Ex.:
suicidar-se, queixar-se, dignar-se, arrepender-se.

Veja como se conjuga um verbo pronominal:

Arrependo-me Queixei-me Dignar-me-ei
Arrependes-te Queixaste-te Dignar-te-ás
Arrepende-se Queixou-se Dignar-se-á
Arrependemo-nos Queixamo-nos Dignar-nos-emos
Arrependeis-vos Queixastes-vos Dignar-vos-eis
Arrependem-se Queixaram-se Dignar-se-ão

Ou:

Eu me arrependo Eu me queixei Eu me dignarei
Tu te arrependes Tu te queixaste Tu te dignarás
Ele se arrepende Ele se queixou Ele se dignará
Nós nos arrependemos Nós nos queixamos Nós nos dignaremos
Vós vos arrependeis Vós vos queixastes Vós vos dignareis
Eles se arrependem Eles se queixaram Eles se dignarão

O prefixo in-

Às vezes, esse prefixo pode significar “não”. Nessa acepção, é a forma erudita a que
corresponde o prefixo popular “des”. Ex.: Ignorância (gno = conhecer), ilegal, ilícito,
iludir (ludere = jogar), imberbe, impolido, ímprobo (cuidado com a pronúncia), imutável,
inábil, incapaz, incógnito, incolor, inconfortável, incrédulo, indecente, indelével,
inerme, infeliz, infiel, infrene, inimigo, insípido (que não é sápido; não tem sabor),
inútil, inválido.

Em imberbe (in+barba), inerme (in+arma), inimigo, insípido (in+sápido), houve mudança do
“a” da primeira sílaba para “e” ou “i” , por causa do prefixo. Essa mudança tem o nome de
apofonia. O mesmo ocorreu em di+fácil = difícil, em que o a variou para i em função do prefixo.
A apofonia não ocorre apenas com o prefixo in. Veja outros casos: acento (ad+cantu),
perfeito (per+factu), sujeito (sub+jactu).
Em ilegal, ilícito, iludir, temos o metaplasmo chamado assimilação, que consiste em um
fonema tornar outro parecido ou igual a ele. Quando ele se torna parecido, dizemos que
ocorreu assimilação parcial; quando igual, a assimilação é total. Ex.: adversu* = avesso;
amar+lo = amallo = amá-lo; auru = ouro; calente = caente = queente = quente (crase do e);
deixaram+o = deixaram+lo = deixaram-no; factu = faito = feito; ipse = esse; lauru = louro;
maiore = maor, moor, mor; palomba; = paomba = poomba = pomba; paucu = pouco; per+lo = perlo =
pelo; persicu (fructu persicu) = pêssego; persona = pessoa; ver+lo = vello = vê-lo.

Lembra-se da conjunção coordenativa adversativa? É aquela que introduz uma oração que é o
avesso, o contrário do que seria lógico. As conjunções coordenativas adversativas são: mas,
porém, todavia, contudo, entretanto, no entanto. Ex.: Acordei tarde, mas não perdi o bonde
nem a esperança. Trabalhamos muito, porém não enriquecemos.
Como você viu, é impossível ater-nos apenas a um tópico. Voltaremos a esse assunto
apaixonante.

Acentuação gráfica dos verbos

Os verbos seguem as regras de acentuação comuns.
As oxítonas terminadas em a, e, o, em, ens levam acento. Ex.: vatapá, Paraná, Pará, Amapá,
Macapá, Ceará, mugunzá; você, dendê, rapé, ralé; jiló, cipó, Maceió; armazém, vintém,
refém, alguém, ninguém, porém; armazéns, parabéns, reféns.
Então: será, dará, fará, contará, fingirá, manterá, reporá, intervirá; relê, revê, descrê;
repô-la; dispô-la; avém (singular), avêm (plural); convém (singular), convêm (plural);
desavém (singular), desavêm (plural); intervém (singular), intervêm (plural); provém
(singular), provêm (plural); contém (singular), contêm (plural); mantém (singular),
mantêm (plural); detém (singular), detêm (plural); atém (singular), atêm (plural);
entretém (singular), entretêm (plural); retém (singular), retêm (plural); conténs, manténs,
deténs, aténs, entreténs.

Os monossílabos tônicos terminados em a, e, o (seguidos ou não de s) também serão
acentuados. Ex.: pá (s), pé (s), pó (s), Sé, ré (s), má (s), lá, cá, já, fé, chá (s), xá(s),
dó, só (s), nó (s), Jô, Jó.
Então: vá, dá, crê, dê, lê, vê, pô-lo.

Vimos, em boletim anterior, que as palavras (incluindo os verbos) oxítonas levam acento
quando terminarem pelas vogais a, e, o. O mesmo ocorre com os monossílabos.
Quando o verbo terminar por i ou u, não levará acento. Ex.: parti, sorri, vi, pus, quis,
cobri-la, engoli-lo.
Se, no entanto, a vogal i formar hiato com a vogal anterior, levará acento. Ex.: traí,
caí, saímos, arruíno, destruímos, concluímos, destruí-la, excluí-los.

As palavras proparoxítonas levam acento. Não há exceção. Ex.: tráfego, cético, lúdico,
paralelepípedo. Os verbos também seguem a regra. Ex.: saçaricávamos, saçaricáramos,
saçaricássemos, tagarelávamos, requerêssemos, devêssemos, crêssemos, fingíssemos,
transigíamos, valíamos.

As palavras paroxítonas levam acento quando terminarem por ditongo oral. Ex.: jóqueis,
fôsseis, fósseis, incríveis. O mesmo ocorre com os verbos. Ex.: saçaricáveis, saçaricaríeis,
saçaricáreis, chantageáveis, transigíeis, fingíeis, dormíeis, trouxéreis.

Os verbos que têm ditongo aberto ói tônico levam acento. Ex.: mói, dói, rói, condói.Eles
só podem ser seguidos de S: móis, róis.
Assim, apoia não leva acento.

Verbo adequar - defectivo

Verbo adequar
“Todos os nossos modelos se adéquam ao tempo.”

Será que o verbo adequar está correto? Não, não está. O verbo adequar nunca é conjugado com a sílaba tônica no de. Então, o correto seria adequa (com acento tônico no u)? Também não. O verbo adequar nunca é conjugado com o acento tônico no u. Como corrigir a frase acima? O verbo adequar é defectivo. Verbo defectivo é aquele que não é conjugado em sua totalidade. Chover é um exemplo.
Não se diz: eu chovo. Há outros verbos defectivos: nevar, trovejar, latir, grugulejar, reaver, precaver, falir, ressarcir, computar, viger, imergir, abolir, colorir, demolir, explodir, extorquir.
Para que a frase acima fique correta, é preciso substituir o verbo adequar por adaptar, acomodar, ajustar. A frase fica: Todos os nossos modelos se adaptam (se acomodam ou ajustam) ao tempo.

Presente do indicativo: nós adequamos, vós adequais
Pretérito perfeito do indicativo: eu adequei, tu adequaste, ele adequou, nós adequamos, vós adequastes, eles adequaram
Pretérito imperfeito do indicativo: eu adequava, tu adequavas, ele adequava, nós adequávamos, vós adequáveis, eles adequavam
Pretérito mais-que-perfeito do indicativo: eu adequara, tu adequaras, ele adequara, nós adequáramos, vós adequáreis, eles adequaram
Futuro do presente do indicativo: eu adequarei, tu adequarás, ele adequará, nós adequaremos, vós adequareis, eles adequarão
Futuro do pretérito do indicativo: eu adequaria, tu adequarias, ele adequaria, nós adequaríamos, vós adequaríeis, eles adequariam
Presente do subjuntivo: que nós adequemos, que vós adequeis
Pretérito imperfeito do subjuntivo: se eu adequasse, se tu adequasses, se ele adequasse, se nós adequássemos, se vós adequásseis, se eles adequassem
Futuro do subjuntivo: quando eu adequar, quando tu adequares, quando ele adequar, quando nós adequarmos, quando vós adequardes, quando eles adequarem
Imperativo afirmativo: adequemos nós, adequai vós
Imperativo negativo: não adequemos nós, não adequeis vós

Para o dicionário Houaiss, esse verbo é regular:

Presente do indicativo: eu adéquo / adequo, tu adéquas / adequas, ele adéqua / adequa, nós adequamos, vós adequais, eles adéquam / adequam
Presente do subjuntivo: que eu adéque / adeque, que tu adéques / adeques, que ele adéque / adeque, que nós adequemos, que vós adequeis, que eles adéquem / adequem
Imperativo afirmativo: adéqua / adequa tu, adéque / adeque você, adequemos nós, adequai vós, adéquem / adequem vocês
Imperativo negativo: não adéques / adeques tu, não adéque / adeque você, não adequemos nós, não adequeis vós, não adéquem / adequem vocês