2 de janeiro de 2020

Substantivos comuns de dois gêneros

No boletim anterior, fizemos a correção da frase – Aqui você encontra um atendimento
personalizado, com recepcionistas bem treinados, prontos a servi-lo da melhor maneira
possível – e recebemos vários protestos quanto a “treinados”. Nossos leitores escreveram
que a forma correta era “treinadas”. Vamos ver o que ocorre com a concordância de treinados.
Existem substantivos chamados comuns de dois, que têm a mesma forma para o masculino e
para o feminino. A identificação do gênero ocorre pelo artigo, pronome, numeral, adjetivo ou locução adjetiva.
Só muda o artigo, pronome, numeral, adjetivo ou locução adjetiva. Ex.:

Masculino Feminino
O acrobata A acrobata
O agente A agente
O agiota A agiota
O alpinista A alpinista
O amante A amante
O artista A artista
O cliente A cliente
O colega A colega
O conferencista A conferencista
O dentista A dentista
O diplomata A diplomata
O espírita A espírita
O intérprete A intérprete
O mártir A mártir
O monarca A monarca
O nubente A nubente
O ouvinte A ouvinte
O pajem A pajem
O patriota A patriota
O rival A rival
O selvagem A selvagem
O servente A servente

Observação: Os nomes terminados em ista são comuns de dois gêneros. Se dissermos que
temos dentistas treinados para atendê-lo, estamos generalizando (homens e mulheres ou
só homens);o mesmo ocorre com clientes
escolhidos, agentes treinados, artistas bonitos, colegas solícitos. Assim, osrecepcionistas podem ser apenas homens ou homens e mulheres. Se se tratasse apenas demulheres, o adjetivo treinado seria flexionado para treinadas.

Composição por justaposição e aglutinação - Verbos abundantes: particípio duplo

Vamos acertar!

O que significa palavra composta? Palavra composta é aquela que tem mais de um componente
(com significado independente) em sua formação.

Ex.: planalto, pica-pau, aguardente, pé-de-meia (pecúlio).

A composição pode dar-se por justaposição e por aglutinação. Vejamos cada uma delas. A
composição por justaposição é aquela em que as palavras se acomodam umas ao lado das outras,
sem modificação (ou perda) de fonema. Não há prejuízo no som da palavra. Elas podem vir
com hífen ou sem ele. Ex.: vaivém, guarda-costas, arco-íris, passatempo, girassol, rodapé,
vaga-lume, cantochão (canto chão = baixo, plano); a palavra cantochão pode significar fala
monótona, monocórdia.

Na composição por aglutinação, há modificação (ou perda) de fonema. Ex.: boquiaberto,
Monsanto (Monte Santo), quintessência (quinta essência), embora (em boa hora), fidalgo,
Santelmo (Santo Elmo),viandante (via andante), pernilongo, você (Vossa Mercê), vinagre,
petróleo, pontiagudo, Fonseca (Fonte Seca), pernalta, cabisbaixo, outrora (outra hora).

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Espaço do leitor

É correto dizer: “Eu tinha chego”?

Não, o verbo chegar não é abundante, a forma verbal chego só existe na 1ª pessoa do singular do presente do indicativo. Não existe o suposto particípio irregular chego, apenas o particípio regular: chegado. Vamos ver por quê.

Existem verbos chamados abundantes. São verbos que abundam, ou seja, possuem duas ou mais formas equivalentes, entre os quais se incluem os de particípio duplo. Ex.:

aceitar aceitado aceito
enxugar enxugado enxuto
expressar expressado expresso
expulsar expulsado expulso
matar matado morto
soltar soltado solto
acender acendido aceso
benzer benzido bento
eleger elegido eleito
encher enchido cheio
morrer morrido morto
prender prendido preso
suspender suspendido suspenso
emergir emergido emerso
extinguir extinguido extinto
inserir inserido inserto
tingir tingido tinto

Esses verbos, segundo a regra, têm o particípio irregular quando forem usados com os verbos
ter e haver.
Ex.: Tínhamos aceitado o convite. O casal havia aceitado o convite. O convite foi aceito.
O convite está aceito.

Há verbos que, modernamente, são usados no particípio irregular com qualquer verbo auxiliar.
É o caso dos verbos gastar, ganhar, pagar. Eu tinha pago (ou pagado) a conta. A conta foi
paga. Eu tinha ganho (ou ganhado) a aposta. Você havia gasto (ou gastado) seu tempo,
explicando-lhe a tarefa. Por causa desses verbos, há quem exagere e pense que chegar se
encaixa nessa lista. Um leitor conta-nos que ouviu uma pessoa dizer: “Eu tinha mando”.
“Eu tinha trago.”É demais, não é?

O ou a personagem - Artigo e crase diante de pronomes possessivos

Espaço do leitor

Ainda falando do boletim em que surgiu um nome comum de dois, um leitor pergunta-nos se
personagem é um deles. Existem autores que consideram personagem masculino (para homem e
para mulher); outros acham que é feminino (para homem e para mulher). Posso dizer
indiferentemente, do ponto de vista gramatical: “Aquele ator desempenhou o papel de uma
personagem marcante.” ou “um personagem”. Da mesma forma: “Aquela atriz desempenhou o papel
de um personagem marcante.” ou “uma personagem”. Quem defende o feminino para a
personagem, argumenta que as palavras de língua portuguesa terminadas em agem são
femininas: a ramagem, a folhagem, a paisagem, a montagem, a libertinagem. A escolha é sua.
Observe, porém, que a palavra é masculina ou feminina, não comum de dois.

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Vamos acertar!

Possessivo com artigo

Como seria melhor dizer: “O meu livro está em cima da mesa? ou “Meu livro está em cima da
mesa”? (com artigo ou sem ele)?

Você pode usar indiferentemente o artigo diante de pronomes possessivos adjetivos. Que é
isso? Vamos decifrar o que acabamos de dizer: O pronome possessivo tem esse nome porque,
teoricamente, indica posse. Na prática, não é o que ocorre. Se você disser: “Meu amor
chegou”, referindo-se a uma pessoa, evidentemente a pessoa não é de sua propriedade,
afinal ninguém é de ninguém. Da mesma forma, se você disser: “Ela deveria ter seus vinte
anos”; estará indicando aproximação, não posse.

Se você diz : Esta casa o pronome este (demonstrativo) está acompanhando a palavra casa
(substantivo), portanto ele é pronome adjetivo, isto é, está colocado ao lado de (ad) um
substantivo . Veja outros exemplos de pronomes adjetivos: Aquela jovem é Cíntia. Nossa
casa está próxima ao colégio. Todo homem é mortal. Que horas são? Qual vestido é mais
bonito? De quantos tijolos preciso para essa obra? Se o pronome não acompanhar substantivo,
dizemos que ele é pronome substantivo. Ex.: Tudo são ilusões na vida. Nada é eterno.
Ninguém é insubstituível. V.Sª deseja que o sirvamos? O livro não é meu. A pessoa indicada
para o cargo é aquela. Sintaticamente, o pronome adjetivo será sempre adjunto adnominal.
Bom, não é? Jamais erraremos a função sintática de um pronome adjetivo. O pronome
substantivo terá funções diversas, o que nos obrigará a pensar.

Verificamos, então, que o acento indicativo de crase é facultativo (pode ser usado ou não)
diante de pronomes adjetivos possessivos femininos no singular, com preposição a. Ex.:
Referi-me a (à) nossa colega de azul. Dirija-se a (à) minha sala para verificar o que
ocorreu. Se o pronome estiver no plural, evidentemente o artigo está presente, pois não
existe preposição “as”. Havendo a preposição, como dissemos, a ocorrência da crase é
obrigatória (a+as). Ex.: Referi-me às nossas colegas de azul. Dirija-se às minhas salas
para verificar o que ocorreu.

Observe ainda que, havendo preposição com pronome substantivo, o acento também é
obrigatório. Ex.: Dirigi-me a (à) sua sala, e Joãozinho à minha (pronome substantivo)
Experimente passar para o masculino e você poderá verificar se o artigo está ou não
presente.

Verbo existir: concordância - Polissemia da conjunção e

Espaço do leitor

É certo dizermos “Existem uma série de irregularidades naquela empresa”, uma vez que
podemos usar o verbo no singular ou no plural com o verbo posposto?

Certo é, porém nada eufônico (não soa bem). Você pode concordar com uma série ou com a
especificação de série (irregularidades). Da mesma forma, quando se trata de concordância
nominal, se tivermos um determinante concordando com nomes em que se mesclam masculino e
feminino, a concordância será feita com o mais próximo ou com o determinante no masculino
plural.
Veja: Compramos livros e pastas práticos. Ou Compramos livros e pastas práticas. Quando o
último substantivo for feminino, é preferível deixar o determinante no feminino; é mais
eufônico.

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Vamos acertar

Vamos falar sobre alguns significados da conjunção e. Essa conjunção pode ser aditiva,
isto é, dá ideia de adição, de soma. João e Pedro saíram de casa. Há quem diga: João mais
Pedro saíram. Dois e dois são quatro. Mariana saiu e comprou papel.
Também pode exercer a função de adversativa, quer dizer, une termos ou orações que se opõem;
pode ser substituída por mas.
Ex.: Andar na escada rolante exige pouco esforço, e muita atenção (pouco e muita se opõem).
Estudei muito, e não fui bem na prova.
Além desses significados, a conjunção e também pode justificar; é uma conjunção explicativa ?
pode ser substituída por pois.

Ex.: Dize-me com quem andas, e te direi quem és. Venha aqui, e lhe mostrarei como se faz
esse documento.

Há outras funções ainda. Voltaremos a falar sobre essa conjunção pequenina, mas com grande
conteúdo.

Gerúndio / Grátis ou gratuito

Espaço do leitor
Em alguns ônibus aqui em Belo Horizonte está afixada a seguinte placa:

“PARA SUA SEGURANÇA VOCÊ PODE ESTAR SENDO FILMADO”.

A frase da placa está correta? Tenho a impressão de que o tempo verbal não está correto.
Como o gerúndio virou uma epidemia no Brasil sinto que a sua utilização atropela toda e
qualquer regra gramatical.
É verdade; o gerúndio passou a ser motivo de piada, só que é preciso entender em que
circunstâncias se deve evitá-lo.
O comum é ouvirmos: “Vou estar enviando o projeto que você me pediu.” , “O médico vai
estar receitando o remédio para o bebê.” Você poderia dizer simplesmente: “Enviarei o
projeto que você me pediu.” e “O médico receitará o remédio para o bebê.”
Naqueles casos, em que se tem “vai estar” mais gerúndio, é bom que a forma nominal seja
esquecida. No caso que você menciona, no entanto, ele pode ser usado sem receio. Veja:
“Você deve estar enlouquecendo.”

Este produto é grátis ou este produto é gratuito?

Embora existam gramáticos que apregoem o adjetivo gratuito, alegando que grátis é advérbio,
verificamos que o Aurélio e o Houaiss registram grátis como adjetivo, logo você pode
escolher a forma que lhe aprouver.

Dúvidas sobre ambiguidade

Você sabe que a principal qualidade de um texto é a clareza.
Nos períodos abaixo, se não se levar em conta a pontuação, há ambiguidade ou anfibologia, quer dizer, duplicidade de sentido. É um defeito que prejudica o entendimento.

Enquanto pensava o burro rezava o padre.

Enquanto o padre lavava o burro rezava.

Policial atira em jovem com arma roubada.

O verbo pensar pode significar colocar pensos, curativos. Então: Enquanto pensava (medicava) o burro, rezava o padre.

Na segunda: Enquanto o padre lavava o burro, rezava (o padre rezava).

Na terceira, pergunta-se: quem estava com arma roubada: o jovem ou o policial ?

Espaço do leitor

Você já parou para examinar algumas notícias de jornais ou de rádio? Veja que interessante:

1- “Preso suspeito de participar do sequestro do juiz corregedor”

2- “Aberto concurso para mulher de PM”

3- “Morre o ilustre cientista no Hospital do coração”

No primeiro caso, vem-nos a dúvida: alguém está preso e, de dentro do presídio, articula o
sequestro ou a pessoa que participou do sequestro foi presa?

No segundo caso, as inscrições para soldado feminino estão abertas ou estão abertas
inscrições para quem queira ser mulher de PM (é preciso concurso para saber quem será a
merecedora) ou, ainda, estão abertas inscrições para já esposas de PM?

No terceiro caso, a notícia foi ouvida: o cientista morreu do coração ou no Hospital do
Coração?

Como consertar o estrago? Bastaria, no primeiro caso, pôr um verbo antes de suspeito: Foi
preso suspeito de participar (…) ou, se o sentido for outro: Presidiário suspeito de (…)

No segundo caso: Aberto concurso da PM para mulher ou Aberto concurso para PM feminino e,
no último caso, “Morre, do coração, o ilustre (…) ou (outro sentido)” Morre, no Hospital
do Coração, o ilustre (…)

Evidentemente, quando falamos, não há tempo hábil para pensarmos, e sentidos duplos ou
triplos ocorrem; no entanto, quando escrevemos, todo cuidado é pouco.

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Vamos acertar!

Vamos falar um pouquinho sobre vírgulas. Você tem criança em casa, ou na casa do vizinho
ou de algum conhecido? Observe como elas falam: a estrutura de suas orações é: sujeito,
verbo, objeto (complemento) e “o resto”. É o mais simples.

Ex.: Mamãe comprou roupinha na loja. Mamãe = sujeito; comprou = verbo; roupinha = objeto
(complemento); na loja = o resto. Se você puser “o resto” fora de seu lugar, haverá uma
vírgula.
Ex.: Mamãe comprou, na loja, roupinha. Na loja, mamãe comprou roupinha. Assim: Ontem
pela manhã, estudamos as possibilidades prováveis para o novo horário. Estudamos, ontem pela
manhã,
as possibilidades prováveis para o novo horário. Em casa, gosto de ouvir rádio. Gosto de
ouvir, em casa, rádio.

O mesmo ocorre com orações subordinadas adverbiais. Quando elas vêm antes da principal ou
intercaladas, são marcadas com vírgulas.

Ex.: Quando ela era criança, queria ficar adulta logo. Embora você não queira, seremos
obrigados a revistar sua casa. Como já lhe disse inúmeras vezes, não vou sair daqui.
Para que tenhamos êxito, é necessário muito empenho. Se você vir que ele está rebelde,
redobre seu carinho. Já que você está cansado, vou passear sozinha.

Intercaladas: Queria, quando ainda era criancinha, ficar adulta logo. Seremos obrigados,
embora você não queira, a revistar sua casa. É necessário, para que tenhamos êxito, muito
empenho. Venha logo, caso você queira ver o ator com a noiva, ao parque.

Deu para perceber que é necessário conhecimento de análise sintática para domínio de
pontuação? Comentaremos mais alguns casos na próxima edição.

Vamos ver mais um pouquinho de frases ambíguas para você espairecer e, insistimos, ficar
mais malicioso.

Procure as ambiguidades nas frases seguintes:

1- Pais rejeitam menos crianças de proveta Fuvest 2002

2- Não se eliminará o crime com burocratas querendo satisfazer o apetite por sangue do
público. Fuvest 2002

3- Dinheiro encontrado no lixo – Organizados numa cooperativa em Curitiba, catadores de
lixo livram-se dos intermediários e conseguem ganhar por mês, em média, R$600,00 – o
salário inicial de uma professora de escola pública em São Paulo. (…)
4- Andando pela zona rural do litoral norte, facilmente se encontram casas de veraneio
e moradores de alto padrão. (ITA)

5- Atendimento preferencial para idosos, gestantes, deficientes, crianças de colo e autistas
(Placa sobre um dos caixas de um banco -ITA)

6- Detido acusado de furtos de processos. (ITA)

7- Campanha contra a violência do Governo do Estado entra em nova fase – Enem 2003

Veja as respostas:

1- Menos modifica crianças (menos crianças) ou rejeitam (rejeitam menos)? Vamos ver
como pode ficar: Pais sentem menos rejeição a crianças de proveta. Pais têm rejeição menor

a crianças de proveta. Pais rejeitam menor número de crianças de proveta.

2- Que se quis dizer? Do público modifica sangue (sangue do público) ou apetite
(apetite do público)? Basta deslocar “do público” para apetite: Não se eliminará o crime
com burocratas querendo satisfazer o apetite do público por sangue.

3- O dinheiro foi encontrado no lixo ou o lixo gerou dinheiro? O autor quis dizer que
lixo gerou dinheiro. A ambiguidade foi propositada e ficou muito boa.

4- Evidentemente não se quis dizer que os moradores são de alto padrão. As casas, sim.
É só mudar a ordem: Andando pela zona rural do litoral norte, facilmente se encontram
moradores e casas de veraneio de alto padrão. Andando pela zona rural do litoral norte,
facilmente se encontram casas de veraneio de alto padrão e moradores.

5- O atendimento não é para crianças de colo: é para quem as carrega. Então:
Atendimento preferencial para idosos, gestantes, lactantes, pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, pessoas autistas e pessoas com crianças de colo.

6- Foi detido o acusado de furtos de processos ou a pessoa acusada estava detida?
Então: Foi detido o acusado de furtos de processos. A pessoa detida foi acusada de furtos
de processos.

7- A campanha é do Governo do Estado contra a violência ou a campanha é contra a
violência do Governo (o Governo é violento)? Então: Campanha do Governo do Estado contra a
violência entra em nova fase.

Nós já havíamos visto, num número anterior, o que é ambiguidade e algumas frases relativas
ao assunto. Vamos hoje apresentar-lhe outras frases para você divertir-se e ficar mais
malicioso. A seguir, daremos uma sugestão de como redigir a frase com o sentido proposto.
Ambiguidade 2

1- Há, numa propaganda, a seguinte frase: “Ponha isso na cabeça: um dia você vai ter
uma Honda”. O jovem está com um capacete e os dizeres estão na cabeça (no capacete).

2- Fugindo do barulho, encontrei Pedro.

3- Ministro falará de corrupção no congresso

4- As videolocadoras de São Carlos estão escondendo suas fitas de sexo explícito. A
decisão atende a uma portaria de dezembro de 1991, do Juizado de Menores, que proíbe que
as casas de vídeo aluguem, exponham e vendam fitas pornográficas a menores de 18 anos. A
portaria proíbe ainda os menores de 18 anos de irem a motéis e rodeios sem a companhia ou
autorização dos pais. (Folha Sudeste, 6/6/92) Vestibular da Unicamp

5- Lojas abrem 5ª e fecham domingo. Unicamp 98

6- Comida para gato com pouca gordura – Unicamp 2005

7- Em caso de dúvida, somente aceite ajuda de funcionário do banco – Fuvest 2003

8- Pagar o FGTS já custa R$13,3 bilhões, diz o consultor. Fuvest 2002

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Respostas

1- Pôr alguma coisa na cabeça, no sentido conotativo, quer dizer desejar com ardor,
pensar, cismar; no sentido denotativo quer dizer colocar na cabeça (vestir). Então, você
pode pôr o capacete ou estabelecer um objetivo. É claro que, nesse caso, a ambiguidade não
deve ser desfeita. O efeito da propaganda ficou maravilhoso.

2- Quem estava fugindo: Pedro ou eu? Vamos desfazer a ambiguidade: Encontrei Pedro, que
estava fugindo do barulho (Pedro fugia). Quando eu fugia do barulho, encontrei Pedro.

3- O ministro falará no congresso ou a corrupção está no congresso?

Ministro falará, no congresso, de corrupção. ou No congresso, ministro falará de
corrupção. Ministro falará de corrupção existente no congresso.

4- Os menores podem ir a motéis com autorização dos pais ou em sua companhia?

A portaria proíbe ainda a ida de menores de 18 anos a rodeios sem a companhia ou
autorização dos pais e a motéis.

5- Elas abrem de quinta a sábado ou simplesmente elas abrem quinta, mas fecham domingo?
Lojas abrem quinta, mas fecham domingo.

6- Que tem pouca gordura: o gato ou a comida? Para gato, comida com pouca gordura.

7- Aceite ajuda somente de funcionário ou em caso de dúvida a única possibilidade é
aceitar ajuda? Em caso de dúvida, aceite ajuda somente de funcionário do banco.

8- Que custa: pagar já, neste momento, custa essa quantia ou pagar custa até essa
quantia?

Já custa R$13,3 bilhões pagar o FGTS, diz consultor.

Você já sabe que uma boa comunicação não pode dar ensejos a dúvidas. Observe os textos seguintes:
1- A Duda, que é apaixonada por animais como a gente… (Programa de TV– 23-9-07)
2- Participe da criação do dia da leitura na Av. Paulista (Rádio)
3- Quarenta pessoas morrem todos os dias nas estradas do País – Manchete de jornal
4- A moça, que trabalhava numa farmácia, com uma bala na cabeça, foi levada ao hospital. (moça baleada pelo ex-namorado)
5- Rato raro é achado na Bahia após 183 anos.
6- Não contei que ele mentia para poupá-la.
7- Uma sucuri de 9 metros e 120 quilos atacou anteontem uma menina de 7 anos, arrastando-a pelas pernas para o mato, antes de ter a cabeça decepada a golpes de facão por moradores de Alça Viária, a 45 quilômetros de Belém. A criança foi atendida num posto médico e passa bem. Jornal do dia 5-1-08
8- Passageiros deixam trem de metrô andando no túnel. Notícia veiculada pela TV

Achou as ambiguidades? Se não, procure novamente.

Em 1, pergunta-se: A Duda é apaixonada por animais como nós somos (apaixonados) ou ela é apaixonada como nós?
Em 2, o convite é para participação na Av. Paulista (a criação pode ter sido em qualquer outro lugar) ou a criação seria feita na Av. Paulista?
Em 3, é claro que vamos para a brincadeira, pois é impossível (por enquanto) morrer mais de uma vez. As quarenta pessoas morrem todos os dias ou diariamente o número de pessoas que morre é quarenta?
Em 4, a moça trabalhava com uma bala na cabeça ou ela levou um tiro e, com a bala alojada, foi levada ao hospital?
Em 5, vamos render homenagens à longevidade (ou conservação) do rato!
Em 6, ele mentia para poupá-la ou eu não contei para poupá-la?
Em 7, quem teve a cabeça decepada: a menina ou a sucuri? Fica-se sabendo que é a sucuri no período seguinte, pois a menina passa bem, o que seria difícil sem cabeça.
Em 8, quem está andando no túnel: os passageiros ou o trem?

Por certo, você já ouviu as afirmações:

alimentação desregrada envelhece,

doce engorda,

caminhada emagrece,

aplicação de dinheiro enriquece,

preocupação adoece,

trabalho enobrece.

Há uma propaganda que diz:

Informaçação envelhece.

Qual o significado?

Nos casos anteriores, não é a alimentação que fica velha nem o doce que fica gordo; eles fazem envelhecer, fazem engordar.

No caso da informação, ela não faz envelhecer. Ninguém precisa ter medo de envelhecer por causa de informação. A propaganda quer dizer que o que fica velho é a informação, portanto é preciso renová-la.

Quem não gosta de ler jornais, pode até pensar em usar essa propaganda.

Não é o seu caso, não é?

Veja como algumas frases, por distração ou pressa, podem ter até sentido contrário ao que se pretendeu:
Improbidade. A decisão foi tomada em processo administrativo no qual o delegado era acusado de presentear as secretárias (…) com bolsas Louis Vuitton falsificadas. Isso foi considerado um “procedimento irregular de natureza grave”, o que acarretou a demissão.

Isso está referindo-se à falsificação das bolsas Louis Vuitton ou ao ato de presentear? É evidente que ele quis dizer ao ato de presentear, mas não é claramente o que está escrito.

Os corpos das onze freiras, mortas há cerca de 200 anos foram encontrados na parede de frente para a entrada da Igreja de Frei Galvão.

Morto pode ser o particípio de morrer ou de matar. Aí, portanto, não ficou claro: elas foram assassinadas ou não? Seria preferível substituir mortas por assassinadas ou falecidas.

Contra burguês, operário e socialista. Vote 16.

Esse slogan pode ser interpretado de duas maneiras: o candidato está contra burguês, contra operário e contra socialista ou: o candidato – que é operário, socialista – está contra burguês.

Vamos ver sentido duplo (ou anfibologia) nos períodos seguintes:

1- Carreira de professor atrai menos preparados.
2- Enquanto eu, medíocre, fico de olho aberto no escuro pensando na minha cama.
3- Eu trabalho com sono.
4- Ronaldo em maus lençóis.
5- Ronaldo debaixo dos panos.

Em 1, a carreira atrai menos quem tem preparo (os bons) ou atrai quem tem menos preparo (os menos bons)?
Em 2, eu fico na minha cama, pensando ou com o pensamento na minha cama?
Em 3, um médico especializado em sono (distúrbios), trabalha sonolento ou trabalha com (distúrbios de) o sono?
Em 4, estar em maus lençóis significa estar em situação crítica, arriscada; significa também estar em lençóis (cama) errados.
Em 5, debaixo dos panos significa às escondidas, e, logicamente, com os panos por cima.

Vírgula no vocativo e aposto - plural de substantivos compostos com a palavra guarda

Vamos acertar

Vamos continuar a falar sobre vírgula? Vimos, no boletim anterior, que o deslocamento de
um termo, de uma expressão, de uma oração será marcado
por vírgula.

Você sabe o que é um vocativo? Vocativo é o termo que indica chamamento. A palavra é da
mesma família de vocação. Que vem a ser vocação? É o chamamento interior. Quando você usar
um vocativo, ele será marcado por vírgula. O vocativo vem, frequentemente, precedido de “ó”.
No Brasil,
pronunciamos “ô”. Ex.: (ó) Pedro, venha aqui. Não consigo entender, (ó) professor, essa
história de vírgulas. Já sei, (ó) meu bem. No Brasil, pronunciamos ô. Ô meu, que é isso?
(até na gíria). Ô mãe, a comida está pronta?

Outro caso de uso da vírgula é com o aposto explicativo. Ex.: Marília, filha de uma amiga
minha, é grande lutadora. Pedrinho, frentista do posto de gasolina, é excelente pessoa. As
lojas, fruto de uma vida inteira de trabalho, eram seu orgulho.

Aos poucos, você vai assimilando o emprego dessa marca.

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Espaço do leitor

Por que o plural de guarda-chuva é guarda-chuvas e de guarda-noturno é guardas-noturnos?

Na palavra guarda-chuva, guarda é verbo. No substantivo composto, o verbo é invariável.
Ex.: para-raios, quebra-nozes, vaga-lumes, vira-latas, guarda-roupas. No caso de
guarda-noturno, guarda é substantivo. No substantivo composto, o substantivo, o adjetivo, o
numeral flexionam. Ex.: couves-flores, redatores-chefes, amores-perfeitos, obras-primas,
cachorros-quentes, carnes-secas, amas-secas, águas-vivas, altos-relevos, prontos-socorros,
más-línguas, segundas-feiras, primeiras-damas.

Emprego da vírgula em orações subordinadas adjetivas - formas gráficas variantes

Vamos acertar!

Continuando nossa viagem ao mundo da vírgula, responda: você vê diferença entre:

a- Os pais engenheiros compareceram à reunião.

b- Os pais, engenheiros, compareceram à reunião?

Em “a”, somente os pais engenheiros compareceram à reunião.

Em “b”, todos os pais são engenheiros.

Veja outros exemplos:
As mães inteligentes estavam atentas ao comportamento dos filhos.
As mães, inteligentes, estavam atentas ao comportamento dos filhos.

Meus primos atletas chegaram ontem à tarde.
Meus primos, atletas, chegaram ontem à tarde.

Que diferença, não é?

Já comentamos a vírgula com orações subordinadas adjetivas. Vamos recapitular? Observe a
diferença entre as orações “a” e “b”:

a- As meninas, que sempre foram exemplo de boa educação, deixavam os pais orgulhosos.

b- As meninas que sempre foram exemplo de boa educação deixavam os pais orgulhosos.

a- Os brasileiros, que se habituaram à inflação, adoram futebol e samba.

b- Os brasileiros que se habituaram à inflação adoram futebol e samba.

Nas orações “a”, estamos falando de todos: todas as meninas, todos os brasileiros, sem exceção, generaliza, universaliza o sentido, ela é adjetiva explicativa.

Nas
orações “b”, estamos falando somente de alguns: somente as meninas que (…); somente os
brasileiros que (…).

A oração que se refere a “somente aqueles que” restringe, delimita, particulariza o sentido; ela é adjetiva restritiva.
Veja no singular:

a- A namorada de Pedro, que cursa Turismo, esteve no circuito das águas, sábado passado.

b- A namorada de Pedro que cursa Turismo esteve no circuito das águas, sábado passado.

Em “a”, Pedro tem apenas uma namorada; em “b”, Pedro tem mais de uma namorada; a que cursa
Turismo é uma delas.

Quando você se referir a alguém indefinido, pode dizer: fulano, sicrano, beltrano. Já ouviu o provérbio: “Quem ama fuão, ama seu cão”? Fuão quer dizer fulano, isto é, uma pessoa qualquer. Estranhou cicrano? É isso mesmo, não há engano; não é ciclano nem siclano, assim como não é Cleusa. É Creusa. Na “Eneida”, de Virgílio, epopeia sobre Eneias, a esposa do herói (Eneias) se chama Creúsa, portanto não tenha medo de dizer Creusa. Ciclano é um hidrocarboneto saturado cíclico, pertencente à Química e não ao coloquialismo do nosso português.

Complementando, você sabia que existem palavras que podem ser ditas de duas maneiras? Veja: clina ou crina, flauta ou frauta, flecha ou frecha, flocos ou frocos, neblina ou nebrina, aluguel ou aluguer. São formas gráficas variantes, apresentam mais de uma grafia correta. Embora haja uma forma preferida e mais usada, todas as formas são corretas.

Prefira a forma corrente, quer dizer, a mais comum, embora coexistam ambas as formas.

Uso da vírgula em enumerações - plural de compostos ligados por elementos de ligação

Vamos acertar

Voltando ao assunto sobre uso da vírgula, vejamos o que ocorre com enumeração.
Nas enumerações, os termos são separados por vírgula.
Ex.: Pedro, João, Marcos, Eduardo, Francisco saíram cedo de casa.
Pergunta: é possível, mantendo a norma culta, pôr um “e” antes de Francisco?
Sim; é possível, porém o sentido se modifica. Quando usamos os nomes, separando o último
componente da enumeração por vírgula, podemos colocar mais componentes na enumeração.
Se, em vez da vírgula, pusermos a conjunção coordenativa aditiva “e”, não há mais nenhum
componente na enumeração.
Outros exemplos: Compramos sabonete, xampu, condicionador, protetor solar, talquinho. A
compra de outro (s) produto (s) pode ter sido efetuada. Compramos sabonete, xampu,
condicionador, protetor solar e talquinhos. Não compramos nada além do que está mencionado.
No colégio, estudamos História, Geografia, Filosofia, Informática, Inglês. No colégio,
estudamos História, Geografia, Filosofia, Informática e Inglês.

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Espaço do leitor

Qual o plural de pimenta-do-reino?

Quando o substantivo composto tiver uma preposição, apenas o que vier antes dela flexiona.
Assim, o plural de pimenta-do-reino é pimentas-do-reino. Veja outros exemplos:

Alface-d’água Alfaces-d’água
Arco-da-velha Arcos-da-velha
Barba-de-bode Barbas-de-bode
Barriga d’água Barrigas d’água
Bicho-da-seda Bichos-da-seda
Bicho-de-pé Bichos-de-pé
Brinco-de-princesa Brincos-de-princesa
Cana-de-açúcar Canas-de-açúcar
Carne-de-vaca Carnes-de-vaca (coisa corriqueira)
Erva-de-bicho Ervas-de-bicho
Flor-de-maio Flores-de-maio
Galinha d’angola Galinhas d’angola
Galinha-do-mato Galinhas-do-mato
Quiabo-de-cipó Quiabos-de-cipó
Quina-de-cuiabá Quinas-de-cuiabá
Rato-de-esgoto Ratos-de-esgoto
Tucano-de-bico-preto Tucanos-de-bico-preto
Violeta-do-pará Violetas-do-pará

Uso de sequer e enfim

Vamos acertar!

Posso dizer: ? Ele sequer viu a nova pintura da casa??

Modernamente, a palavra sequer deve ser usada com negativa. Ex.: A recepcionista nem
sequer me deu atenção. Vocês nem sequer entenderam o que é para ser feito.

Você já observou como se tem usado a expressão “pelo menos”? Veja: Pelo menos quinze
pessoas ficaram feridas no acidente automobilístico. Pelo menos dois homens ficaram
esperando atendimento. Você não acha desnecessário? Fica claro que até o momento da
divulgação o número é aquele; não há, portanto, necessidade dessa expressão. Há uma
palavra que também tem aparecido muito: é enfim. Ex.: – De que você gosta?

– Eu gosto de dançar, enfim, divertir-me. Enfim quer dizer finalmente, afinal; deve, portanto ser usada no fim de uma enumeração, não no meio de uma frase. Ex.: Eu gosto de dançar, de correr, de jogar vôlei, de assistir a filmes em bons cinemas, enfim, de divertir-me.

Verbos no futuro rejeitam ênclise

Vamos acertar!

Pergunta-nos o leitor Valdir Rodrigues Gimenes: Posso dizer “darei-lhe todo o amor do mundo? ”

Não, Valdir, não pode, de acordo com a norma culta da língua. Nunca, em hipótese alguma, o
pronome oblíquo átono (lhe no caso) vem depois de futuro (do presente ou do pretérito).

As formas darei, comprarei, direi, farei, trarei, venderei, alugarei, comunicarei são
futuros do presente. Daria, compraria, diria, faria, traria, venderia, alugaria,
comunicaria são futuros do pretérito. Com o futuro (do presente ou do pretérito), usamos
a mesóclise, que é a colocação do pronome oblíquo átono no meio do verbo. Quais são os
pronomes pessoais do caso oblíquo átono? São os seguintes: me-nos; te-vos; lhe (s), o (os),
a (as) e se. Somente o pronome “o” (e flexões) sofre modificações quando colocado no meio do
verbo no futuro. Para colocar o pronome no meio do verbo, você deve separá-lo no R. Veja:

Dirá+me= dir-me-á; diria + me = dir-me-ia

Dirá+nos = dir-nos-á; diria + nos = dir-nos-ia

Direi+te = dir-te-ei; diria +te = dir-te-ia

Direi+ vos = dir-vos-ei; diria + vos = dir-vos-ia

Direi + lhe(s) = dir-lhe-ei; diria+lh(s)e = dir-lhe(s)-ia

Dirá + se = dir-se-á; diria = se = dir-se-ia

Com o, a, os, as, proceda da seguinte forma:

Separe o verbo no “r”, como nos outros casos. Ponha o pronome “o” no meio.

Assim: comprarei +o = comprar……………. ei; comprar + o + ei.

A seguir, tire o r: comprá e transforme o pronome o em lo: comprá-lo-ei. Se o verbo terminar
em a, e, o ganhará um acento.

Tente fazer a transformação:

Verei + o =

Comprarei + a =

Venderei + os =

Alugarei + as =

Venderia + o =

Poria + a =

Transformaria + os =

Modificaria + as =

Levarei + lhe =

Contariam + nos =

Direi + me =

Recriminaria + te =

Antes de darmos as respostas, vamos lembrá-lo de que, se houver palavra de atração (não,
nunca, jamais, onde, que, quem, embora, quando, se, enquanto, conforme, consoante, como,
caso, desde que, porque), não poderá ocorrer a mesóclise. Assim: não o verei, nunca o
comprarei, jamais o alugarei, onde as modificaria, quando me direi.

Vamos às respostas:

Vê-lo-ei

Comprá-la-ei

Vendê-los-ei

Alugá-las-ei

Vendê-lo-ia

Pô-la-ia

Transformá-los-ia

Modificá-las-ia

Levar-lhe-ei

Contar-nos-iam

Dir-me-ei

Recriminar-te-ia

Veja nas próximas edições mais explicações sobre colocação pronominal, questão que causa
muitas dúvidas entre os falantes da Língua Portuguesa.

Colocação pronominal - Próclise

Vamos acertar!

Além do que já vimos em números anteriores, há outros casos que obrigam a próclise:

1- Em + gerúndio. Gerúndio é a forma nominal do verbo que termina em ndo: ando, endo,
indo, ondo (pôr e derivados). Ex.: No Brasil, em se plantando, dá. Em se sentindo
prejudicado, procurou um advogado.

2- O numeral ambos. Ex.: Ambos se querem muito um ao outro.

3- Pronomes substantivos demonstrativos (isso, isto, aquilo). Ex: Aquilo se deu no
século passado. (…) O mesmo se deu com as crianças.

Conforme você pôde verificar, são muitos os casos que obrigam o pronome oblíquo átono a
ficar antes do verbo.

Além dos casos obrigatórios, é facultativa a colocação desses pronomes quando houver sujeito representado por substantivo ou numeral (exceto ambos), pronome pessoal reto ou de tratamento e conjunção coordenativa (e, nem, mas, porém, todavia, contudo, logo e portanto).
Veja: Eu me enganei ou Eu enganei-me. A criança deitou-se ou A criança se deitou. Os meninos se referirão à tia com carinho ou Os meninos referir-se-ão à tia com carinho.

Por aí, você já pode perceber que a próclise, com exceção de início de oração, período, texto ou redação, exceto sob licença poética, está sempre correta.

Vamos deixar a mesóclise para o próximo número.

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Espaço do leitor

É correto dizer: Sob o meu ponto de vista, sob esse prisma?

Você deve usar: Do meu ponto de vista e por esse prisma. Sob quer dizer debaixo.

Conforme havíamos conversado no último boletim, vamos ver alguns casos de próclise.

Segundo Houaiss, a etimologia (origem) de clise é: “designação genérica da dependência dos

elementos átonos em relação aos tônicos” ; pro significa, entre outras acepções, diante de, portanto, próclise quer dizer pronome átono (me, nos, te, vos, se, lhe, o, a, os, as) diante de (verbo).

PRÓCLISE



São várias as situações que exigem próclise. Veja algumas:



1- Orações optativas, isto é, orações que exprimem desejo.



Ex.: Deus te guie, Deus te abençoe, Deus me livre, Deus te guarde, Deus o acompanhe, Deus

o ilumine, macacos me mordam, a terra lhe seja leve, o diabo te carregue.



2- Advérbios. Que são advérbios? São palavras que expressam circunstância: de lugar: aqui,

aí, lá, acolá, além, aquém; tempo: já, nunca, jamais, sempre, agora, depois; modo: bem,

mal, assim; afirmação: certamente; negação: não; dúvida: talvez, quiçá; intensidade: muito,

pouco, extremamente.



Ex.: Aqui se faz, aqui se paga. Aí se vê de tudo. Lá se mora bem. Acolá lhe dirão o que

houve. Já lhe contaram que a loja está com produtos em promoção? Nunca te vi, sempre te

amei (nome de filme). Jamais lhe revele a identidade do portador. Agora o viram

acompanhado.



Observe, porém, que não ocorrerá próclise se houver vírgula após a palavra de atração.

Ex.: Aqui, faz-se carreto. Aí, fazem-se roupas para esquiar. Lá, querem-no para presidente

do clube. Agora, fazem-se de moralistas. Não, deixe-me em paz.



3- Palavras ou expressões de negação: não, nunca (negação do tempo), jamais, de jeito nenhum, de modo algum, ninguém, nada, em hipótese alguma.

Ex.: Em tempo algum o desrespeitei. De modo algum lhe direi a verdade.



4- Pronomes relativos. Que são? São pronomes que se referem a um termo anterior. São: que,

o qual, onde (em que), cujo, quem, quanto, quando, como.

Ex.: O professor, que me entregou a encomenda, é nosso amigo (que = o qual, o professor).

As alunas, as quais se sentarão aqui, estão ansiosas pelo início das aulas (as quais =

as alunas). A casa onde passei a juventude foi reformada (onde = em que = a casa). Elenice,

a cujo filho nos referimos, acaba de chegar para a reunião.


Colocação pronominal - Mesóclise e ênclise

Vamos, então, passar à última parte da colocação pronominal dos tempos simples.
Que quer dizer meso? Meso significa meio, daí Mesopotâmia (no meio dos rios), mesosfera (camada intermediária da atmosfera acima da estratosfera) e mesoderma (camada germinativa média do embrião). Em topologia (ou colocação pronominal), mesóclise significa o pronome no meio do verbo. Quando isso ocorre? Apenas com o futuro.
Existem dois futuros: o futuro do presente, tempo que indica ocorrência futura em relação
ao presente: farei, direi, trarei, amarei, sorrirei, virei e o futuro do pretérito, tempo
que indica um futuro em relação ao passado: cantaria, falaria, somaria, diria, correria.
Quando houver pronome oblíquo átono com esses dois tempos verbais, ocorre, então, a
mesóclise. Veja: Dir-lhe-ei a verdade no momento oportuno. Contar-nos-ia o fato se lhe
possibilitassem. O livro está com boa cotação: comprá-lo-ei imediatamente. Se o recurso
foi acatado, sabê-lo-ei prontamente.

Como colocar o pronome no meio do verbo? Abra o verbo e coloque o pronome dentro, semelhante a uma operação cirúrgica.

É fácil. Você deve separar o verbo no R: dir………. ei; contar……….ia; comprar……
ei. Basta, então, que você ponha o pronome nos pontilhados. Isso ocorre com os pronomes:
me, nos, te, vos, se, lhe, lhes. Caso o pronome seja o (e flexões), você começará com o
mesmo procedimento; a seguir, você eliminará o R e modificará o pronome o para lo.

Veja: verei + a = vê-la-ei; destruirei + o = destruí-lo-ei; alugaria + os = alugá-los-ia;
reporíamos + as = repô-las-íamos.

Caso haja palavra de atração, o pronome não poderá ficar no meio do verbo: Não lhe direi o
que ocorreu. Nunca nos contaria o fato mesmo que lhe possibilitassem. O livro é ótimo; não
o comprarei, porém, de forma alguma.

Para terminar, vamos ver ênclise. O pronome deve ser colocado depois do verbo em início de
oração. Ex.: Deixe-me quieto no meu canto. Conte-me o que houve de tão grave. Encontrei-te
várias vezes na praia. Acharam-nos prontos para desempenhar o papel. O garoto correu,
deixando-nos preocupados (depois da vírgula, inicia-se outra oração).

Infinitivo flexionado

Hoje, vamos falar um pouquinho sobre um assunto controverso: é o uso do infinitivo
flexionado ou não. Infinitivo é o nome do verbo: cantar, beber, pôr, partir. O infinitivo
flexionado é aquele acompanhado dos pronomes pessoais do caso reto: eu, tu, ele (e pronome
de tratamento você e os começados por vossa: Vossa Senhoria, Vossa Excelência), nós, vós,
eles (e pronome de tratamento vocês e os começados por vossas: Vossas Senhorias, Vossas
Excelências). Veja pegar eu, pegares tu, pegar ele (você), pegarmos nós, pegardes vós,
pegarem eles (vocês).
No caso dos verbos regulares, o infinitivo pessoal e o futuro do subjuntivo são iguais:
partir (infinitivo), quando eu partir (futuro do subjuntivo). Para que você use no
dia a dia, vamos apresentar apenas alguns casos (em que há mais consenso). Futuramente,
falaremos mais um pouco sobre o assunto. Sintetizando o assunto, grosso modo:

1- sujeitos iguais – não há flexão do infinitivo

2- sujeitos diferentes – há flexão do infinitivo

Exemplos com sujeitos iguais: Julgamos (nós) ter (nós) feito o que nossa consciência ditou.
Dizem (os políticos) os políticos lutar (os políticos) pelo bem comum.

Exemplos com sujeitos diferentes: Afirmamos (nós) estarem (eles, vocês) tolhendo nossos
movimentos. Acredito (eu) podermos (nós) sair logo. Penso (eu) seres (tu) eficiente.
Peço-lhes (eu ) não acreditarem (eles, vocês) no que está havendo.

Quando os sujeitos forem diferentes, e o verbo for causativo (mandar, fazer, deixar) ou sensitivo (ver, ouvir, sentir, perceber), o infinitivo não flexionará quando o sujeito do infinitivo for pronome oblíquo (é o chamado sujeito acusativo). Mandei-os entrar. Não nos deixeis (vós) cair (sujeito = nós) em tentação. . Você deve fazer-nos ficar à vontade. Ouvi-os chorar. Ela viu-nos chegar. Os presentes nos sentiram tremer.

Quando o sujeito do infinitivo for um substantivo, o infinitivo pode ou não vir flexionado: Deixai (vós) vir (sujeito = os pequeninos) a mim os pequeninos. De tanto ver triunfar (sujeito = as nulidades) as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. (Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)

Você verá, no próximo boletim, que não há unanimidade; há muita polêmica em torno desse
assunto.

Plural dos adjetivos compostos

Já vimos o plural de adjetivos compostos formados por adjetivos. E se houver um substantivo
na composição, como fica?

É facílimo: nenhum componente flexiona. Veja: cabelos vermelho-vulcão, olhos cinza-claro,
tapetes cinza-escuro, panos amarelo-gema, vestidos verde-espinafre, esmaltes
vermelho-tomate.

Em caso de cor, subentende-se da cor de.

Quando o adjetivo for simples, ocorre o mesmo. Ex. bolsas palha (da cor de); blusas creme
(da cor de); olhos violeta (da cor de); saias rosa (da cor de); sapatos manteiga
(da cor de); vestidos cenoura (da cor de); roupas abóbora (da cor de); paredes ouro
(da cor de), tons pastel (da cor de); ternos cinza (da cor de); roupas gelo (da cor de);
cabelos prata (da cor de).

Conforme você pôde ver, há somente duas regras para o plural de adjetivos compostos:

1- se os componentes forem adjetivos, o último apenas flexiona: socioeconômico > socioeconômicos; político-administrativo > político-administrativos; histórico-cultural > histórico-culturais; técnico-científico > técnico-científico; literário-musical > literário-musicais; médico-cirúrgico > médico-cirúrgicos.

2- se houver substantivo na composição do adjetivo, ele fica invariável.

Muito simples, não é? No próximo, veremos o plural de substantivos compostos, um pouquinho
mais complexo, porém fácil.

Superlativo de magro

Muita gente nos tem perguntado se o superlativo absoluto sintético (aquele que se faz com
sufixo) erudito (que não é popular) de magro é magérrimo ou macérrimo.

Ultimamente, tem-se ouvido nas ruas o povo dizer magérrimo. Veja:

Macérrimo:

Aurélio , no verbete macérrimo, diz que é anormal magérrimo, apesar de muito comum.

Michaelis diz que macérrimo: é o superlativo erudito de magro. Diz que magérrimo é anormal.

VOLP (VOCABULÁRIO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA) : diz que magérrimo é o superlativo
alatinado de magro. É estranho porque, em latim, magro é adjetivo de primeira classe: macer,
macra, macrum e não mager, magra, magrum. É de perguntar de onde se tirou essa aberração.



Pasquale Cipro Neto: diz que os dicionários dão essa forma como popular.

Luiz Antônio Sacconi – diz que quem usa magérrimo está macérrimo na língua.

Domingos Paschoal Cegalla : diz que a forma magérrimo não tem tradição na língua.

Muitos adjetivos possuem uma forma alatinada erudita do grau superlativo absoluto sintético, como nigérrimo, libérrimo, paupérrimo, dulcíssimo.

Celso Cunha: “Modernamente, no Centro do País, vem-se generalizando a forma anormal
magérrimo como superlativo de magro.” Então, é brasileirismo, ou seja, uma invenção do povo, inadmissível em norma culta.

Diante de tudo isso, conclui-se que, se se pretende usar o superlativo erudito, o correto
é macérrimo.

Plebeísmo - o que raios é isso?

Dia 30 de setembro é comemorado o Dia das Secretárias

Você sabe de onde vem a palavra secretário?

Vem do latim secretariu, ii, que quer dizer lugar retirado; sala de reunião dos juízes,
tribunal secreto; sacristia. No latim medieval, passou a ser aquele em quem se pode confiar
segredos.

Como bom (boa) secretário (a), é bom que se mantenha a linguagem formal; o excesso de
informalidade (plebeísmo) passa a impressão de incompetência. Veja alguns casos que podem
comprometer a elegância de seu texto, além de sua credibilidade.

Plebeísmo
Substitua:
Fique de olho nos próximos acontecimentos. Esteja atento aos próximos acontecimentos.
Como é chato aguentar puxa-sacos! Como é desagradável aturar bajuladores!
Expliquei-lhe várias vezes o que ocorrera, e ele neca de entender. Expliquei-lhe várias
vezes o que ocorrera, e ele não conseguiu entender.
Estou com um pé atrás com o programa apresentado. Estou apreensivo com o programa
apresentado.
Ela me deu uma desculpa esfarrapada, mas não acreditei. Ela veio com um pretexto, mas não
acreditei.
A colega não tinha jogo de cintura para enfrentar o problema. A colega não tinha habilidade
para enfrentar o problema.
Pedro reduziu a pó o adversário. Pedro aniquilou o adversário.
Vamos combater essas maracutaias. Vamos combater essas falcatruas.
Ela precisa arregaçar as mangas e não pregar o olho se quiser acabar de ler o livro. Ela
precisa empenhar-se e não dormir se quiser acabar de ler o livro.

O oposto do plebeísmo é o preciosismo. Voltaremos a falar sobre ele.

Segundo o Dicionário Eletrônico Houaiss:

plebeísmo
substantivo masculino
1.
qualidade de quem é plebeu.
2.
maneira de proceder, de falar da plebe.
LEXICOGRAFIA•LEXICOLOGIA
vocábulo, locução ou expressão típicos do dialeto das classes populares ou dos registros distensos da fala culta, e tidos freq. pela comunidade falante como grosseiros, algo grosseiros, vulgares ou triviais, mas que não chegam a ser tabuizados, como gírias, expressões populares, regionalismos, palavras de baixo calão e internetês [São plebeísmos no Brasil, p.ex., avacalhar, de saco cheio, aporrinhar, bunda-suja etc.].
3.
m.q. POPULARISMO.
Origem
⊙ ETIM plebe(u) + -ismo

Inadequação de conectivos

Vamos acertar

Notícia ouvida no dia 6-10-05:

O comerciante libanês assassinado era casado com uma brasileira, mas não tinha filhos.

Você concorda com o conectivo mas?

Que quer dizer mas? É o mesmo que porém, entretanto, no entanto, todavia, contudo. É uma
conjunção coordenativa adversativa. E que quer dizer adversativa? Quer dizer contrário.
Veja adversário, adversidade. Então, conjunção adversativa é a que inicia uma oração que
tem ideia contrária ao que se espera que normalmente ocorra. Veja: Corri muito, logo
consegui embarcar no metrô. É a conclusão lógica. Se eu dissesse: Corri muito, mas não
consegui embarcar no metrô, seria o contrário do que logicamente deveria ocorrer..

Diante disso, fica a pergunta: Você concorda com a conjunção mas? Ser casado implica
necessariamente ter filhos?

Dúvidas sobre emprego do hífen segundo o Novo Acordo Ortográfico de 2009

Com hífen ou sem ele?
O hífen é um dos assuntos mais espinhosos da língua portuguesa. É preciso que nos
empenhemos nele; é impossível fazer pouco caso de sua importância. O não cumprimento
das normas vigentes desperta em nosso leitor a impressão de que somos semianalfabetos.

Você observou que não cumprimento perdeu o hífen? As palavras compostas por não perderam o hífen.
Veja: não agressão, não comparecimento, não conformismo, não cooperação, não cumprimento,
não essencial, não existente, não ficção, não fumante, não localizado, não ser, não violência.

A regra também se aplica às palavras compostas pelo advérbio quase com função prefixal, como quase domicílio, quase equilíbrio, quase delito, quase irmão.

Usa-se o hífen também com os seguintes prefixos- bem*: bem-acabado, bem-aceito, bem-amado,
bem-apanhado, bem-apessoado, bem-arrumado, bem-aventurado; bem-educado; bem-vindo; recém:
recém-casado, recém-chegado, recém-falecido, recém-nascido, recém-nomeado, recém-publicado;
vice: vice-campeão, vice-chanceler, vice-diretor, vice-gerente, vice-governador.
* com o verbo fazer, as palavras compostas por bem não têm hífen: refeição benfeita. Com querer, pode haver ou não o hífen: benquerer ou bem-querer.

A partir do Acordo Ortográfico de 2009, as expressões à toa e dia a dia não terão hífen.
Veja: A criança estava com uma dorzinha à toa (insignificante). Estávamos à toa durante o
carnaval. Sua filha está, dia a dia, mais bonita. O dia a dia (rotina) de uma jovem é bem
interessante.

Mais um pouco de hífen

RE (repetição, reforço) – NUNCA COM HÍFEN.

reabastecer, reabertura, reabraçar, treabsorção, reabsorver, reacender, reacusar,
reacomodar, reacusação, reacusar, readaptação, readaptar, readmissão, readoção,
readormecer, readquirição, reafirmação, reagradecer, reagrupamento, reagrupar,
reajustamente, realegrar, realimentar, realinhamento, realojamento, reamanhecer,
reanimador, reaparecer, reapoderar-se, reprender, reaproveitar, reaproximar, reaquisição,
rearborizar, rearmamento, reascender, reassegurar, reassumir, reassunção, reativação,
reatualizar, reavaliação, rebulir, recair, recantar, recolocar, recomeçar, reconstruir,
recopiar, recoser, recriar, reedição, reedificação, reeditar, reeducação, reelaborar,
reeleger, reeleição, reembarcar, reembolsar, reembolso, reemenda, reemergir, reempossar,
reempregar, reencaixar, reencarcerar, reencarnar, reencetar, reencher, reencontrar,
reendireitar, reengenharia, reensinar, reentrância, reentregar, reenviar, reequilibrar,
reequipagem, reerguer, reescrever, reespumas, reestampar, reestudar, reexaminar,
reexpedição reexpedir, reexplicar, reexpor, reexporta, refazer, refornecer, reimplantação,
reimportar, reimpressão, reimprimir, reincorpoar, reinscrição, reinvestir, renascer,
repavimentação, reperguntar, repesar, rerranger, rerratificação, ressaber, ressalgar,
ressegurar, ressemeadura, ressoprar, reurbanizar, reusar, reúso, reutilizar, revacinar.

APRENDA MAIS!USO DO HÍFEN – PARTE 3 :: BOLETIM 89Postado por capcursos|02 janeiro de 2012
MAIS SOBRE HÍFEN

Outro emprego de hífen simples é o do MAL.
Esse prefixo só pedirá hífen quando as palavras que vierem depois dele começarem
com h, l e vogal. Olhe um processo mnemônico: Maricota é mal-humorada porque é mal-amada.
Então: mal-acabado, mal-amado, mal-adaptado, mal-afamado, mal-afortunado, mal-agradecido, mal-ajeitado, mal-apessoado, mal-arrumado, mal-assombrado, mal-aventurado, mal-educado, mal-empregado, mal-encarado, mal-ensinado, mal-entendido,mal-estar, mal-educado, mal-empregado, mal-encarado, mal-ensinado, mal-entendido,
mal-estar, mal-intencionado, mal-habituado, mal-humorado, mal-limpo.

MAL SEM HÍFEN: malcasado, malcheiroso, malcomportado, malconceituado, malconduzido,
malconservado, malcozido, malcuidado, maldisposto, maldormido, maldotado, malfalado,
malfeito, malganho, malnascido, malnutrido, malpassado, malposto, malsucedido, pansexual.

O prefixo PAN (totalidade, universalidade) exigirá hífen quando a palavra que o seguir começar com h, vogal, m ou n. Ex.:
pan-africano, pan-americano, pan-helênico, pan-islâmico, pan-mítico.
Para você memorizar bem, é interessante que você escolha umas palavras e redija orações
com elas; de preferência, usando a emoção, a afetividade.

CIRCUM (movimento em volta, em torno, ao redor de) (mesma regra de PAN)

Com hífen: circum-adjacência, circum-ambiente, circum-anal, circum-articular, circum-áxil,circum-hospital, circum-
-hospitalar, circum-oral, circum-orbital, circum-mediterrâneo, circum-meridiano,circum-murado, circum-murar, circum–navegabilidade, circum-navegação, circum-navegar, circum-uretral.

Sem hífen: circumboreal, circumbulbar, circuncentro, circuncírculo, circunlabial, circunsessão, circunsoante, circunvagar, circunver, circunvizinho, circunvoar,circunvolver.

No próximo boletim, vamos descansar um pouquinho de prefixos. Depois, voltaremos a eles.

Suicidar-se é um pleonasmo vicioso?

Suicidar-se: redundância?

Um assinante do boletim semanal afirma-nos que está errado dizer suicidar-se porque o
significado de suicidar-se é: se matar a si, o que traz redundância.

Veja: parricida é o que mata o pai; matricida é o que mata a mãe; fratricida é o que mata
o irmão; uxoricida é o que mata a esposa; inseticida é o que mata inseto; formicida é o
que mata formiga; então, suicida é o que mata a si. Se formos levar em consideração a
etimologia (origem) da palavra, verificaremos que, realmente, há redundância.

Ocorre que a língua é dinâmica. Tráfico significa comércio (legal ou não). Quem fala é
falante, quem pede é pedinte, quem trafica (comercia) é traficante. Experimente procurar
um emprego e, ao preencher a ficha, mencionar a profissão de seus pais: traficantes. Que
será que poderá ocorrer?

O verbo suicidar-se teve a origem esquecida. Hoje, se você não usar o pronome, estará
errando: é como se dissesse: eu queixei e arrependi. Você precisa dizer: Eu me queixei e
me arrependi.
Há outros casos em português cuja etimologia foi esquecida. Veja:

Mecum = com eu (Vade mecum)

Tecum = com tu

Secum = com si

Nobiscum = com nós

Vobiscum = com vós (Dominus vobiscum)

O povo começou a juntar novamente o cum (com) antes desses pronomes e tivemos: comigo,
contigo, consigo, conosco, convosco.

Conviver significa “viver com”, no entanto dizemos: “Convivo com esse problema há anos”.

Voltaremos a falar sobre esse assunto.